Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana
Estar de alma

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
Estar com aqueles que amamos vai além de datas comemorativas. Eu nunca fui de datas, por mais que eu saiba os dias de aniversário das pessoas que fazem parte da minha vida de cor, e não espero que o outro se lembre do dia que vim ao mundo. Aliás, datas comemorativas mexem com uma parte interna que até hoje questiono: estar com quem amamos vai além disso. Muito além.
Conheço famílias que se reúnem em momentos específicos, apenas em comemorações, tiram fotos e mostram que ser família é aquele instante Doriana, onde nos comerciais desta margarina, todos festejam e sorriem, mostrando uma felicidade e união que é inexistente no dia a dia.
Ser e estar vai muito além disso, assim como a construção do que temos como família vai de acordo com a percepção de cada um. Temos a família biológica, a família que vivemos, a família que temos, a família que idealizamos, a família que escolhemos, onde os amigos têm participação crucial e irrevogável.
Estar é fazer-se presente e podemos exercer isso de muitas maneiras, pois estar em um lugar não significa viver por completo o instante que nos permite permanecer corporalmente.
Estar sem querer é como se estivéssemos em uma sala repleta de pessoas desconhecidas, sem se sentir à vontade de manter-se ali, vivendo aquele momento. O pensamento sai e se expande para outra esfera, onde o coração acelera e a vontade de ir sufoca as entranhas, que permanecem trêmulas percorrendo todo o nosso corpo. Nos deixa esgotados emocionalmente, ferindo à nós mesmos de um jeito indescritível. Diferente do não estar por não poder. Estar de alma é como se estivéssemos percorrendo por entre o silêncio do amor, que nos conforta. Subindo e descendo bosques que nos trazem paz, apreciando o mar e contemplando aquilo que mais nos dá prazer.
Nesta semana, é o aniversário do meu pai. São 70 anos vividos e sentidos com muitas lutas, dores e alegrias. Não estarei presente fisicamente, mas estarei de coração e por inteiro. Papai é uma daquelas pessoas que me fez perceber desde cedo que datas não precisam ser comemoradas, mas os momentos devem ser vividos, com intensidade e verdade.
Me mostrou que a vida é o agora, onde muitos caminhos, às vezes, de forma sinuosa, trazem obstáculos, mas também profundidade.
Herdei a sua intensidade, o seu modo de fazer até dar certo, a sua resiliência e perseverança. A presença e a nossa relação foram desenvolvidas através de uma prática não convencional, mas a segurança e a confiança se estabeleceram com uma solidez rara.
A dinâmica da nossa vida adulta nem sempre faz com que consigamos estar no mesmo lugar que o outro, mas a presença ultrapassa todos esses pontos.
Celebrar conquistas, a vida e qualquer outro momento que desejamos não precisa ser em datas específicas.
Celebre, seja em qual dia for!
Até a próxima quarta!
……..
Contato
Site: www.camillafiorito.com.br
Instagram: @camilla.fioritoeduc

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
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