Não sei como fui me lembrar de um fato. Eu tinha uns doze anos, morava na Filó e brincando com meu irmão na varanda da nossa casa, levei um tombo, quebrei o braço. Era véspera de Natal e o médico no plantão da clínica ortopédica engessou meu braço. E permaneci com o tal gesso durante dois meses, indo tirá-lo no fim de fevereiro e depois do carnaval. Quando o enfermeiro cortou o gesso, eu não sentia meu braço. Chorei, pois estava totalmente sem força braçal. Que sensação horrível. Fui liberada sem qualquer orientação para “exercitar” corretamente o braço.
Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana

Elizabeth Souza Cruz
Surpresas de Viagem
A jornalista-poeta-escritora-trovadora-caçadora de cometas Elisabeth Sousa Cruz divide com os leitores, todas as terças, suas impressões a bordo do que ela carinhosamente chama de “Estação Caderno Light”, na coluna Surpresas de Viagem.
O Caderno Z não deixa passar algumas datas que representam eventos importantes na história do Brasil e até no mundo. O Dia da Árvore, 21 de setembro, lembrou minha infância, na escolinha da Filó, onde dona Neuza adorava nos levar para um piquenique e o lanche era sempre à sombra de uma das frondosas árvores do Vale dos Pinheiros. Não era somente lanchar e brincar. Era uma ocasião para saudar os arvoredos e aprender sobre a importância de sua preservação. Hoje ainda lutamos “por mais educação ambiental”.
Costumava-se dizer, ou melhor, eu ouvia em minha infância que tudo o que criava vínculo era “uma cachaça”. Conversar com alguém, usar determinada roupa, frequentar algum lugar, tudo, enfim, que se fazia em repetidas vezes, era apelidado de cachaça. Sinal de que essa bebida, totalmente brasileira, sempre esteve no topo das preferências do nosso país. E volta e meia, ela reaparece no Caderno Z, com mais e mais novidades.
O Caderno Z não é psiquiatria, mas tem o dom de ir fundo para tratar assuntos que afligem a sociedade humana. O “Setembro Amarelo”, o mês que trata a prevenção ao suicídio, é o tema escolhido para abrir o nono mês do calendário. É a época que antecede a primavera, dos dias crescendo e da renovação da natureza. A sabiá canta incessantemente e os horizontes se abrem mostrando o quanto a vida é bela. E quanta gente pode estar triste, sentindo que a vida perdeu o sentido.
Como de costume, o Caderno Z me trouxe boas lembranças da nossa casa de infância, onde tudo o que se sabia do mundo vinha do rádio, dos jornais, das revistas e dos livros. Nem tinha TV ainda em casa. Papai e mamãe eram dois estudiosos, autodidatas e passavam, adiante, esse gosto pelo estudo. Eu e meu irmão adorávamos nosso ambiente de “janelas para o mundo”. Papai era o rei das novidades e amava os mapas. Era assim o nosso Google: um enorme mapa-múndi sobre a mesa e tínhamos o mundo nas mãos. Os oceanos, continentes, países, tudo nos era fácil de aprender, prazeroso, inclusive.
O tema “Pets” voltou! E poderá voltar mais vezes, pois o assunto é interminável. Garanto que não há quem não tenha uma boa história para contar de seus bichos de estimação. Os cães, por exemplo, são mestres em nos surpreender. Entendem a nossa linguagem de um jeito muito especial. Os gatos costumam deixar seus donos malucos quando se enfiam em algum canto da casa ou quando escolhem dormir no nosso exato lugar na cama. A tartaruga, com seu passo lento, é a personificação da cautela.
No ambiente familiar sempre tivemos cães. Dos gatos eu mantinha certa distância. Porém bastou minha filha, Fernanda, adotar um deles e a indiferença se dissipou. Logo de início, o bichano ganhou uma crônica intitulada “Alguém para chamar de amor”. E, gradativamente, José Bonito, o Fubá, não só ganhou todos os espaços da casa, mas dos nossos corações. Agora eu digo: gato, só não gosta quem não tem! Aliás, seja lá qual for a espécie, é só adotar e se apaixonar.
É comum o Caderno Z me lembrar de alguma canção. Como se fosse um fundo musical na minha cabeça, há temas que me soam com alguma familiaridade musical. E o que teria a ver isso com um tema que trata sobre “sexualidade madura”? Tem, sim, a ver com os versos de Martinho da Vila: “O amor não tem cor / não tem idade / não vê cara nem religião... o amor só precisa de um coração...”. Por isso mesmo, o amor acontece na maturidade e naturalmente vem com todas as nuances e demandas dos amores mais jovens. Os tabus ficaram nas vias do passado e a sexualidade é vivida intensamente.
Escolhido para ser o “Agosto Dourado”, o oitavo mês teve a honra de receber a incumbência de difundir e estimular o aleitamento materno. O Caderno Z sempre coloca em pauta temas de relevância e, muitas vezes, assuntos que me trazem boas lembranças. Antes de ter minhas filhas, eu achava que eu não tinha vocação para ser “boa mãe”. Entretanto, para minha surpresa, amamentei minhas duas filhas e a segunda, até os seis meses de idade, sem qualquer outra alimentação. Apenas o peito. E Confesso: foi a mais sublime missão que a maternidade me proporcionou. É mágico, prazeroso.
No último fim de semana do sétimo mês do ano, uma data de relevância – 26 de julho, “Dia dos Avós”. O Caderno Z não perderia a oportunidade de render homenagens aos seres mais afetuosos no âmbito familiar. São essas pessoas da classe dos adoráveis vovôs e vovós que reinam nas esferas do mais sublime amor. Dizem que é maravilhoso ter filhos, porém coisa alguma se iguala ao prazer de ter netos. A estagiária Lais Lima, com a supervisão do mestre Henrique Amorim, nos trouxe uma reportagem repleta de dicas para fazer da data uma celebração diária.
