Não se pode embarcar no Carnaval sem antes seguir o que manda o figurino na charge de Silvério, pois o melhor acessório para uma boa fantasia é carregar um guarda-chuva. Na charge, o Rei Momo sugere que é melhor prevenir do que remediar já que as intempéries são como os antigos mascarados que apareciam nas esquinas, assustando as crianças. Aliás, o uso de uma sombrinha, certamente, é um recurso muito oportuno para quem quiser fazer piruetas e malabarismos, pois ela ajuda a manter o equilíbrio, sendo uma das razões de a dança do frevo utilizá-la em suas coreografias. Valeu, Silvério!
Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana

Elizabeth Souza Cruz
Surpresas de Viagem
A jornalista-poeta-escritora-trovadora-caçadora de cometas Elisabeth Sousa Cruz divide com os leitores, todas as terças, suas impressões a bordo do que ela carinhosamente chama de “Estação Caderno Light”, na coluna Surpresas de Viagem.
Nossa embarcação literária, a mais segura, tem sido a charge de Silvério. São recados que nos ajudam, muitas vezes, sem palavras, a direcionar melhor o nosso dia a dia. O cotidiano requer atenção em todos os segmentos, mas a previsão do tempo está na mira das nossas prioridades. “Não é bom contar com a sorte e um guarda-chuva com trevo de quatro folhas não garante segurança”. Silvério mandou bem! De repente, as nuvens pesadas se desdobram e ficamos a ver navios, sem navios para embarcar. A Defesa Civil é sempre pontual em seus alertas.
A embarcação na charge de Silvério veio me levar para os anos 90, quando minhas filhas eram crianças e a lista de material escolar era o sufoco no primeiro mês do ano. Os preços exorbitavam tanto nos caprichos da carestia que o financiamento era feito em 12 meses, já esbarrando na nova compra de material do ano seguinte. Diferente da minha infância, quando os livros eram passados de irmão para irmão e até para primos ou vizinhos. A pasta de carregar o material era usada o ano inteiro e só se comprava outra caso rasgasse ou se danificasse.
A charge de Silvério, nossa embarcação literária na edição do último fim de semana, nos levou ao ponto central da cidade. O tema escolhido pelo chargista trouxe até “Virgílio”, o poeta de Eneida, para ajudar Getúlio a cronometrar o tempo, pois tem sido a nossa pergunta: até quando vamos esperar pela conclusão das obras da Praça Getúlio Vargas? O projeto promete uma praça moderna sem perder suas “raízes”, embora algumas delas foram arrancadas.
“Morre o escritor e educador Álvaro Ottoni”. A notícia veio impactar a nossa sede de ano novo, de alegrias e esperanças. A vida tem desses extremos, das antíteses, quando alegria e tristeza se esbarram na mesma calçada onde circulam nossos sonhos. Ele agora é “A árvore que fugiu do quintal” para dar flores e frutos no quintal dos iluminados. Nesse quintal supremo, vive, então, o seu espírito para escrever a mais nova edição de “Quem mora aqui, quem mora lá”, e mandar para nós mais “um livro voador”! Muito céu, amigo!
O ano é novo, mas os aumentos são costumeiros. Vira-se o calendário e tudo volta ao normal. A charge de Silvério reproduz bem o impacto que recebemos como uma ressaca pós fim de ano. As “boas festas” sempre acabam em contas a pagar. Aquele gosto do bacalhau da ceia logo se transforma em nostalgia, porque a realidade vem implacável: aumento para a gasolina, o diesel, o biodiesel e o gás de cozinha. O antigo dito popular é verdadeiro – alegria de pobre dura pouco!
“Vrom! Vrom! Vrom! Vrom! Vrom! Vrom! Vrom!” – parece palavreado de livro de historinha infantil. Parece, mas não é! É palavreado, sim, mas de recado para gente muito adulta, ou, pelo menos, que já tenha motocicleta. É a charge de Silvério alertando sobre a poluição sonora produzida por motos com adulteração no sistema de silenciador. Na “cabeça” de quem faz isso pode parecer “estilo”, mas, na verdade, é falta de consciência de seu lugar no mundo, onde respeito vale muito mais do que qualquer “estilo” hediondo. Na minha região tem uma dessas que, quando passa, não há quem aguente.
Nova Friburgo é o berço dos trovadores do Brasil que se reúnem todos os anos na cidade, geralmente em maio, para a realização dos Jogos Florais, um concurso que exala poesia. E no Natal, essa magia também se faz presente. Atendendo a pedido do jornal, a seção local da União Brasileira dos Trovadores (UBT) nos enviou algumas trovas sobre essa mágica época do ano.
Neste dia universal,
que tanta coisa traduz,
os pinheiros de Natal,
em vez de sombra, dão luz!
Durval Mendonça
Natal! Um beijo de luz
Gosto de escrever Verão com letra maiúscula, mesmo sendo classificado como substantivo comum, porém, é próprio de quem gosta de temperaturas altas. É singular também e, numa outra singularidade, em Nova Friburgo é o tempo das fortes chuvas. Assim, embarcamos na charge de Silvério. Vestida de significados, a célebre estátua do verão saiu do seu refúgio seguro para ilustrar, sem palavras, que é tempo de atenção, de memórias emotivas. Bastou um “clic” e a lembrança navega nas águas de antigas passagens calamitosas. É Natal! Tragédias nunca mais!
Como interpretar uma charge? Cada olhar tem um modo de perceber e cada cena tem uma interpretação, a partir do olhar de quem a idealizou. É gostoso entender a vida e suas peculiaridades por intermédio de um desenho. É a leitura sem texto. Louvemos o autor das charges de A VOZ DA SERRA, o Silvério, que vem nos deliciando com essas leituras. Desta vez, a cegonha ganhou a cena e Papai Noel passou “voando”, expressivamente assustado com a falta de sorte da famosa ave, sem bebês para carregar.
