Há vínculos que o tempo não dissolve. Ainda bem. Eles não precisam de presença constante, nem de provas diárias. Bastam o reconhecimento silencioso e a leveza de ser aceito exatamente como se é. Assim nasce a amizade genuína — esse raro encontro entre almas que não disputam espaço, mas se acolhem no mesmo compasso.
Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana

Paula Farsoun
Com a palavra...
Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.
Ele resolveu investir em si mesmo. Pensou sobre como começar. Resolveu, então, traçar o ponto de partida a começar por suas reflexões. Quis pensar na estratégia. Tentou entender-se. Inevitável. Autoconhecer-se antes de tudo. Como se diz, para quem sequer sabe aonde chegar, qualquer lugar pode ser o destino. Ele queria caminhos. Mergulhou, então, no universo quase desconhecido de saber mais sobre o que deveria saber. Atentou-se em buscar o que queria fazer. Esbarrou no desconhecimento sobre quem ele era. Enganou-se por subestimar a profundidade de seus anseios.
Essa semana a coluna “Com a Palavra” completa oito anos. Sou muito grata e acho incrível a oportunidade de me comunicar com os leitores todas as sextas-feiras neste espaço aqui em A VOZ DA SERRA, por quem nutro um apreço todo especial. Fiquei pensando no que escrever para registrar este marco, que para mim, é motivo de muito orgulho. Algo que fosse uma celebração. Queria dar uma boa notícia, escrever sobre algo que pudesse ser um sopro de alegria para vocês. Nada melhor do que contar coisas boas e quem sabe arrancar um sorriso de quem está lendo.
Deu branco. Já aconteceu com você? Estava em meio a uma frase e esqueceu o que ia dizer. Estudou para a prova, estava com a matéria afiada e na hora de responder a questão, você sabia que conhecia a resposta mas não faz a menor ideia de qual seja. Agendou um compromisso importante e simplesmente esqueceu completamente da existência dele. Sabe quem é uma pessoa, mas ao encontrá-la na rua, faz um malabarismo para não transparecer que se esqueceu do nome dela. E por aí vai.
“ – Moça, que céu é esse?” Ouço, paro e, por dois segundos, penso se ela falou comigo. Ao perceber que sim, fico sem resposta. O que tem o céu? Noto que havia me esquecido de olhar para lá. Não poderia descrevê-lo naquele momento. Não saberia fazê-lo. Que descuido o meu. Logo eu que venho tentando centrar no momento presente. Concentrar. Degustar cada oportunidade de apreciar a natureza. Isso, a natureza. O céu e tudo o que tem nele. Eu deveria tê-lo admirado.
Muito já ouvi falar que, para a construção de uma obra nova, devemos preparar o terreno, cuidar da limpeza do local, criar o ambiente ideal, promover as adaptações que se fizerem necessárias. Na verdade, essas medidas são mesmo fundamentais. Mas a metáfora dessa ideia é a que me leva a pensar. Não sobre obras, mas sobre pessoas.
Mudanças impõem movimento na vida. Sejam elas voluntárias ou forçadas. Sejam desejadas ou inesperadas. Fazem parte da vida. Não há como evitar..., e nem como classificar cada mudança em “para melhor” ou “para pior”. Vejo que é movimento e movimentar, pensando bem, é viver.
A primavera sempre chega como quem não tem pressa. Aos poucos, vai colorindo as ruas, abrindo as flores, despertando perfumes que estavam adormecidos no inverno. É uma estação que não exige anúncio, porque se revela sozinha, no detalhe de um ipê amarelo que se cobre de ouro ou no voo apressado de uma borboleta que já anuncia transformação.
A cada dia que passa a vida mostra que saber ouvir é mais que uma habilidade rara, mais do que uma necessidade, mais do que uma demanda social. É um dom. Proponho uma breve observação. Quantas pessoas falam ao mesmo tempo na mesma roda de conversa? E dessas, quantas estão falando sobre si mesmas, sobre suas próprias vidas, seus anseios individuais e seus problemas? Quantas estão a reclamar o tempo todo?
Frustação pesa na gente, não é mesmo? Eis um sentimento difícil de lidar. Impõe dor, perda de expectativa, sensação de que poderia ter feito mais, perspectiva de como teria sido o que não foi, vazio e até mesmo uma comparação inconsciente e incontrolável em relação a outras pessoas.
