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Desistir do passado ou do futuro?

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
Desde que houve a contaminação espiritual dos seres humanos que viviam no Jardim do Éden e que rejeitaram a verdade, nunca mais houve uma família perfeita, plenamente saudável, porque todos ficamos impregnados de egoísmo, orgulho, vaidade, e outros defeitos de caráter em nossa estrutura mental que é passado de geração em geração.
Existem famílias mais funcionais e equilibradas, e também as mais traumatizadas ou complicadas emocionalmente devido à presença de dependentes químicos, indivíduos mentirosos, agressivos, autoritários, narcisistas, por causa de divórcio, compulsões variadas entre outros sofrimentos. Mesmo nas famílias razoavelmente equilibradas emocionalmente, há conflito e lutas justamente por causa da contaminação espiritual e herança de tendências imaturas no comportamento.
Isso significa que os sofrimentos do passado são trazidos para o presente com as consequências deles para a vida adulta, e conflitos na vida adulta se somam a isso, gerando ansiedade excessiva, estados depressivos, compulsões, e outros transtornos mentais, mais graves ou menos graves.
Pense: “O que é mais difícil ou mais fácil de desistir: do passado ou do futuro? Algumas pessoas vivem apegadas aos sofrimentos do passado, e têm dificuldade de deixá-los de lado e de desistir deles, no sentido de aceitar o que houve de ruim no passado e seguir a vida com serenidade.
Já os excessivamente ansiosos vivem com a dúvida “E se?”, “E se o pneu do carro furar?”, “E se o motorista do ônibus dormir ao volante?”, “E se eu tiver uma doença grave?”. A dificuldade desses ansiosos é desistir do futuro, ou seja, interromper essas pré-ocupações sobre coisas que não temos controle, que podem ou não acontecer. Pense de novo: o que é mais difícil ou mais fácil para você desistir: do seu passado ou do seu futuro?
A saúde mental e espiritual pode florescer quando desistimos do passado no sentido de parar de ficar lamentando o que não recebemos, o que perdemos, no que falhamos, o que não conseguimos. Isso tem que ver com aceitação, que é o penúltimo estágio do processo de luto, de perda. Quando chegamos nele, paramos de brigar com a vida, com Deus, com as pessoas e com a gente mesmo. O último estágio é entender o significado das provações, das perdas, e olhar para isso sem revolta, entendendo que em nossa dor existe um propósito.
A saúde mental e espiritual também pode florescer quando desistimos do futuro evitando as preocupações inúteis, pensando profundamente que somos impotentes diante do futuro, e aceitando que não sabemos o que vai acontecer.
Parece que a única forma de chegarmos nesse ponto de desistência do passado e do futuro no sentido de aceitação, de compreensão do significado, de libertação, tem que ver com a crença num Poder Superior que chamo de Deus Criador do Universo, bondoso, que supervisiona tudo e nos dá forças para lidar com as consequências dos sofrimentos do passado e serenidade para não ficarmos ansiosos quanto ao futuro. Ele nos dá capacidade para vivermos um dia de cada vez.
No livro “O futuro de uma ilusão”, Sigmund Freud escreveu: “Os crentes devotos [os que têm uma fé religiosa] estão protegidos em alto grau contra o risco de certas enfermidades neuróticas...”.
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Cesar Vasconcellos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
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