Oito anos com a palavra

Paula Farsoun

Com a palavra...

Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Essa semana a coluna “Com a Palavra” completa oito anos. Sou muito grata e acho incrível a oportunidade de me comunicar com os leitores todas as sextas-feiras neste espaço aqui em A VOZ DA SERRA, por quem nutro um apreço todo especial. Fiquei pensando no que escrever para registrar este marco, que para mim, é motivo de muito orgulho. Algo que fosse uma celebração. Queria dar uma boa notícia, escrever sobre algo que pudesse ser um sopro de alegria para vocês. Nada melhor do que contar coisas boas e quem sabe arrancar um sorriso de quem está lendo.

Mas não consegui. Os dias estão pesados. O Estado do Rio está sob tensão, angústia, apreensão e um mix de sentimentos que não são bons. Na última terça-feira,  28, foi celebrado o dia de São Judas Tadeu, de quem sou devota. Na quarta-feira, 29, foi o Dia Internacional da Flor. Ganhei flores lindas de uma aluna talentosa que preparou um buquê das flores que ela mesma plantou e me entregou em sala de aula. Eu estava feliz. Flor é obra prima de Deus. Transcende. Alegra. Ilumina. Seria ótimo focar em flores. No domingo próximo, 2, será o Dia de Finados. Gosto de me envolver em orações pelos antepassados, nutrir lembranças boas dos amados que se foram, homenageá-los em meu íntimo, florir, partilhar, orar. Queria falar também sobre isso.

Os flamenguistas comemoram a ida do time rubro-negro à final da Libertadores da América. Minha afilhada chega ao Brasil nos próximos dias. E a coluna faz aniversário. Eu iria escrever sobre coisas boas, essa era a minha energia. Mas talvez me sentisse muito egoísta por celebrar uma semana cheia de marcos especiais também marcada pela aflição de cariocas e fluminenses.

Queria escrever sobre alegria. Mas não vai dar. O Estado do Rio de Janeiro, nosso lar, está sob tensão e eu não vou conseguir. Me resta escrever sobre esperança. Olho para a parede e a palavra “esperança” enfeita o canto. Tá aí. Eis o sentimento bom que posso nutrir por aqui. Conseguirei, pois.

Uma frase atribuída a Martin Luther King diz: “Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos. Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.”

Essa é a tônica. Quero continuar regando a minha macieira. E pretendo plantar outras. Apesar dos pesares. Em meio a tantas notícias embaraçosas, crise por todos os lados, colapso em várias ordens da economia, da sociedade e da política, desgoverno, índices elevados de criminalidade, corrupção, desigualdades, preconceitos latentes, problemas aparentemente sem fim, é praticamente senso comum que vivemos período tortuoso de verdadeiro caos.

Mesmo diante desse cenário, precisamos manter a esperança por dias melhores. A desesperança pode ser extremamente nociva a esse processo que estamos vivendo. No fim, talvez a esperança não seja a luz forte feito sol escancarado que a gente insiste em procurar, mas sim uma fresta, discreta, pequena, teimosa, que se abre no meio do caos. Talvez imperceptível, mas se olhar direitinho, está lá. Mesmo quando tudo parece ruído, há sempre um fio de luz atravessando o desatino, lembrando que o mundo ainda pulsa, e nós também.

Por hoje, é isso. Obrigada a cada um de vocês que seguem lendo meus textos e partilhando comigo. Obrigada ao Jornal A VOZ DA SERRA por essa linda oportunidade de permanecer aqui. Que esta coluna seja sempre fresta de luz em meio a todo caos. 

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Paula Farsoun

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Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

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