Uma história de amor em São Pedro da Serra

Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.

Alex Santos

Prosa Sustentável

Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.

terça-feira, 30 de junho de 2026
por Alex Santos

Opa! Tudo verde? A prosa de hoje segue em tom poético e romântico para celebrar uma data muito especial.

Existem lugares que parecem ter sido desenhados pelo destino para mudar o curso das nossas vidas. Para mim, esse lugar tem nome, altitude e a calmaria característica da nossa região serrana: São Pedro da Serra. Foi ali, entre o misticismo acolhedor desse distrito de Nova Friburgo e a exuberante beleza da natureza, que a minha história com a Adriana começou.

No dia 29 de junho, celebramos exatamente 25 anos de união — as nossas Bodas de Prata. Olhando para trás, é impossível não sorrir ao lembrar de onde tudo começou. Nosso primeiro olhar cruzou-se em meio à tradicional Festa de São Pedro da Serra. E veja só como as coisas são: dizem que Santo Antônio é o casamenteiro oficial, mas, no nosso caso, São Pedro resolveu dar uma força e usou as chaves do destino para abrir os nossos caminhos. Foi a vontade de Deus escrita nas linhas certas da nossa história.

Mas o início dessa caminhada, no meio de 2001, exigiu uma verdadeira engenharia romântica. Eu que morava em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, e ela estudava em São Pedro da Serra. A distância era vencida pela insistência e pela saudade. Nosso contato dependia de fichas telefônicas e de sorte: eu ligava para o único orelhão que existia na escola dela, o C.E. José Martins da Costa. Como o recreio era barulhento e o horário do ônibus que a levava para casa depois da aula era pontual, adotei uma estratégia ousada: ligava no meio da aula em determinados dias da semana. Minha grande torcida era para que o diretor não atendesse o telefone, já que ele vivia reclamando que aquelas ligações intermináveis atrapalhavam os estudos dela — e com toda razão!

Quando a voz não dava conta, o amor corria pelo correio. Eram cartas longas, infinitas, escritas manualmente — relíquias que guardamos com carinho até hoje, como testemunhas daquele tempo de espera. Nessa época, eu utilizava o programa “Carta Social” dos Correios, que me permitia enviar envelopes pagando apenas R$ 0,01. O desafio era o limite rígido de peso de dez gramas por unidade e o teto de apenas cinco cartas por vez. Como nossa saudade acumulada pesava muito mais que isso, era simplesmente impossível resumir nosso amor em uma folha só. Para driblar essas regras, nossa contabilidade romântica ganhou contornos de literatura: as cartas eram “partidas” estrategicamente em histórias que se dividiam entre os envelopes e só se completavam umas nas outras. Era o nosso próprio romance em capítulos que ela ia desvendando a cada entrega.

Durante aqueles sete meses de namoro, o amor também exigia trabalho, persistência e alguns quilômetros a mais de estrada. Para conseguir vê-la nos fins de semana, eu passava os dias vendendo artesanatos nas praias de Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios. Cada peça vendida representava alguns reais a mais para custear a passagem de ônibus que embarcava em Rio das Ostras e seguia pela antiga estrada de chão até Lumiar. A viagem parecia longa, mas a saudade sempre tornava qualquer distância pequena.

Naqueles tempos simples, nossas hospedagens também carregavam o encanto da juventude e da amizade. Acampávamos no quintal da querida amiga Tereza Marchon, que anos mais tarde se tornaria nossa madrinha de casamento. Sob o céu estrelado da serra, entre barracas, conversas e sonhos compartilhados, construíamos silenciosamente os alicerces da vida que desejávamos viver juntos.

Com menos de 20 anos e nenhuma certeza material, decidimos dar um mergulho profundo no amor. Deixei o litoral e vim morar em Nova Friburgo graças a uma oportunidade na Superpão, que me contratou para atuar no setor de embalagens de pão de forma e pães especiais. Sete meses após o nosso primeiro beijo, que aconteceu bem perto da icônica Ponte do Amor de São Pedro da Serra, estávamos unindo as escovas de dentes em uma quitinete minúscula. Nossa mobília era apenas um colchonete de camping estendido no chão e uma cafeteira elétrica que ditava o ritmo dos nossos sonhos. Costumo brincar dizendo que me tornei um grande especialista em café nessa época, pois era café da manhã, café depois do café da manhã, antes do almoço e no almoço… Era café o dia inteiro para aquecer os nossos planos! E olha que eu nem tomava café antes!

Como a neblina que frequentemente envolve as montanhas friburguenses, a vida também nos apresentou dias frios e de pouca visibilidade. Enfrentamos a escassez de peito aberto. Houve momentos em que a incerteza era tão grande que, em nossa mesa, faltava até mesmo o alimento. Mas quem possui raízes fincadas na Serra e sustenta a fé em Deus não se deixa derrubar por qualquer vento.

Foi justamente nesse período de desafios que minha paixão pela escrita começou a se entrelaçar com o jornalismo. Encontrei nas páginas de A VOZ DA SERRA, graças ao incentivo e à confiança do grande Laercio Ventura, o espaço ideal para compartilhar meus olhares sobre o cotidiano friburguense. Textos e fotografias passaram a retratar as belezas, as histórias e as singularidades da cidade, especialmente no extinto caderno Light, quase sempre inspirados pela exuberante natureza da região, que desde cedo exerceu sobre mim um profundo encantamento.

Uma nova fase

Dividindo o mesmo colchonete, as mesmas palavras e sustentados pela mesma fé, em 2010 transformamos a nossa parceria e fundamos uma empresa de confecção guiados pelo sonho dela de ser costureira. O que nasceu como um propósito de respeito à Terra cresceu, ganhou o país e cruzou fronteiras, acumulando premiações municipais, estaduais, nacionais e até um reconhecimento internacional.

Dizem que a Ponte do Amor, em São Pedro da Serra, tem esse nome porque os casais que por ela passam deixam ali a promessa de uma vida inteira. Não sei se foi a energia do lugar ou a força do que sentimos, mas nós cruzamos aquela ponte e nunca mais soltamos as mãos. Há um quarto de século, Nova Friburgo me deu o meu maior presente, e cada folha que nasce nas árvores que plantamos hoje carrega um pedaço dessa história que começou com uma festa de padroeiro, um telefonema “clandestino” de orelhão, as bênçãos dos céus e uma vontade inabalável de florescer juntos.

Tudo verde, tudo amor, sempre!

Foto da galeria
(Foto: Arquivo pessoal)
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Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.

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