O autoperdão

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

quarta-feira, 01 de julho de 2026
por Camilla Fiorito

Caminhamos. Durante a nossa trajetória percorremos caminhos curtos, longos, sinuosos, livres, mas carregamos na nossa bagagem um peso invisível que não é visto ou percebido pelo outro. Pedras e mais pedras vão compondo um peso colhido muitas vezes no passado e trazido para o presente como um grande remorso que rodeia e permeia o nosso interior. 

A autocrítica chega, o caminhar fica pesado como se correntes de ferro puxassem o tempo todo o nosso corpo para baixo, onde sequer conseguimos ficar de pé naturalmente. O apoio é inegociável.

Mergulhamos em um abismo sem fim, como em um oceano escuro, sem conseguir ver qual direção seguir. Paralisamos. A culpa chega e nos deixa imersos, presos em um grande naufrágio. O perdão fica esquecido.

Perdoar dói. Mexe em uma ferida aberta que não cicatriza ou custa a cicatrizar. Embola sentimentos como em uma grande montanha-russa, em um looping que parece não acabar. 

Perdoar não é esquecer ou invalidar e, muito menos, não reconhecer, assim como não nos condiciona a trazer de volta uma reconciliação com quem perdoamos. Não é passar uma borracha e apagar o que vivemos, mas é seguir em frente, transformando cada passo em aprendizado. É ressignificar e não mais colocar a sujeira para debaixo do tapete.

Perdoar. Se perdoar.

Lembro das minhas escolhas, de quando eu era uma navegante iniciante nessa vida turbulenta. Somente na vida adulta, estudando e estudando, durante as minhas formações, percebi que algo precisava ficar mais leve. 

Trazer o autoperdão para si é quebrar a rigidez e lembrar que somos moldáveis, falíveis. E, quando soltamos as correntes da autocrítica, o alívio chega. Vem de mansinho preenchendo o peito e o ser de uma forma inigualável, trazendo conforto e paz. 

Quando nos perdoamos, não deixamos de lado a nossa história vivida com nossos erros, acertos e escolhas que hoje não teríamos. É uma decisão de não deixar o passado tomar conta de quem somos agora. É seguir de cabeça erguida, com aquilo que foi aprendido e reescrever uma nova história. 

O autoperdão é despertar o sol e deixar a névoa para trás. É buscar a evolução pessoal permitindo que, finalmente, possamos seguir leves e inteiros.

Até a próxima quarta!

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Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

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