Paula Farsoun

Com a palavra...

Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

06/02/2026

A coluna de hoje começa com uma citação atribuída ao escritor colombiano vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, Gabriel García Márquez: “O mais importante que aprendi a fazer depois dos 40 anos foi a dizer não quando é não.”

Baita aprendizado. Dizer um “não” dói em muita gente. Há quem sofra a ponto de não conseguir fazê-lo. Há quem diga “sim” para tudo e todos, se gastando por inteiro e fazendo pouco das migalhas de tempo e energia que sobram para si.

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30/01/2026

Não sei em que momento exato passamos a confundir acesso à informação com sabedoria. Talvez tenha sido gradual, imperceptível, como tantas outras transformações que só percebemos quando já estamos imersos demais para recuar.

Vivemos em uma época em que a informação transborda. Cai sobre nós em avalanche. Não pede licença. Não tem critério. Apenas se impõe. E quando nos damos conta, estamos tomados, imersos em tantas imagens, dados, frases, lições, notícias, barulho e vida alheia, que fica difícil de sair. E vamos nos viciando em caos, em excessos.

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23/01/2026

Empatia: no dicionário, é definida como a capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa, buscando agir ou pensar da forma como ela pensaria ou agiria; compreensão. Você tem a habilidade da compreensão? O lugar do outro te parece confortável?

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16/01/2026

Não faça aos outros aquilo que não gostaria que fizessem com você. É tão simples assim como parece? Deveria ser. Comumente vivemos situações embaraçosas, desconfortáveis, angustiantes e sentimo-nos tristes e sobrecarregados. Situações essas que não raras vezes poderiam ter sido evitadas se nossos interlocutores da vida pensassem em evitar fazer às pessoas aquilo que abominariam que impusessem a elas. Seria bem mais fácil.

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09/01/2026

A cada virada de ano, renova-se um pacto coletivo com a ideia de mudança. Repete-se, quase como um mantra socialmente aceito, a expressão “ano novo, vida nova”, carregada de expectativa, mas nem sempre de disposição real para transformar. A pergunta que permanece incômoda — e por isso evitada — é simples: o que exatamente muda quando apenas o calendário muda?

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24/12/2025

         Estamos muito próximos do fim de 2025. Já se foram quase todos os dias desse ano um tanto abarrotado de informações, acontecimentos e mudanças. Enquanto sociedade, vimos de tudo, tememos muito, perdemos esperanças, sentimos muito. Foram tantas notícias estranhas que a exaustão coletiva foi tomando seu espaço de forma surpreendente. A torcida para que termine logo é tão grande que merece o questionamento sincero sobre o que vai mudar na noite de ano novo se nós não formos os protagonistas das ondas de melhora.

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19/12/2025

O encontro de Natal não deixa de ser esse grande ensaio geral da convivência. Todos chegam com figurino caprichado, sorriso treinado e uma disposição quase teatral para “ficar tudo bem”. É a única noite do ano em que famílias inteiras se sentam à mesma mesa como quem participa de uma foto antiga. Há uma coreografia conhecida. O parente que chega atrasado, mas faz questão de anunciar o atraso. A parente que pergunta coisas demais sob o pretexto de se importar.

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12/12/2025

        Muitos de nós têm dificuldades em assimilar a efemeridade da vida, a velocidade com que o tempo passa. Quando muito jovens, achávamos que seríamos, inclusive, eternos. A juventude tem esse frescor, nos ilude ao imaginarmos uma vida muito longa pela frente e sequer vislumbramos que o fim pode chegar. Vai chegar, aliás, um dia. Parece coisa que acontece com os outros, tão distante que não pode nos alcançar.

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05/12/2025

Existe uma palavra que, nos últimos anos, deixou de ser neutra e virou quase uma sentença: produtividade. Antes, significava conseguir realizar o que precisava ser feito. Hoje, virou uma régua emocional para medir o próprio valor. Não basta trabalhar. Tem que entregar mais, mais rápido, com sorriso no rosto e zero sinal de cansaço. Produtivo, agora, é quem faz caber três dias dentro de um. O problema é que ninguém fala sobre o preço disso.

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28/11/2025

“Não me sinto preparada, mas vou assim mesmo”. A frase tem me acompanhado como quem segura a porta para o vento entrar, sem pedir licença, sem medir consequências. Fico pensando que chegamos à vida adulta achando que, em algum momento, uma sirene invisível tocaria avisando: “agora sim, você está pronta”. Que ilusão mais bem elaborada. Porque a verdade, minha gente, é que raramente estamos prontos. E ainda assim seguimos.

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