Contagem regressiva

Paula Farsoun

Com a palavra...

Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

         Estamos muito próximos do fim de 2025. Já se foram quase todos os dias desse ano um tanto abarrotado de informações, acontecimentos e mudanças. Enquanto sociedade, vimos de tudo, tememos muito, perdemos esperanças, sentimos muito. Foram tantas notícias estranhas que a exaustão coletiva foi tomando seu espaço de forma surpreendente. A torcida para que termine logo é tão grande que merece o questionamento sincero sobre o que vai mudar na noite de ano novo se nós não formos os protagonistas das ondas de melhora.

Falta pouco, mas ainda há tempo. Tempo precioso que não volta mais. Nos restam poucos dias para o “feliz ano novo”, para o sem fim de promessas, as renovações de sonhos, as prospecções dos projetos novos, a crença na virada milagrosa da meia noite, para tirarmos as superstições das gavetas e as praticarmos sem mesmo nela acreditarmos, verdadeiramente.

         Sob esse ponto de vista, estamos realmente muito próximos do fim deste intenso ciclo. Contudo, devo dizer: ainda falta muito. Faltam as emoções de Natal. Faltam dias de trabalho. Faltam momentos a serem superados. Celebrados. Pergunto se o tempo que nos resta deste ano é deveras curto demais para alguém que esteja enfermo em um quarto de hospital, para aquele que aguarda pelo resultado de uma prova importante, de um exame conclusivo, para o ansioso por uma viagem marcada há tempos, para quem busca um perdão para fazer as pazes com o ente amado, para quem está desempregado à procura de um ofício digno, para quem tem mais contas a pagar do que dias no mês. Creio que a resposta será não. Pois até esse tempo é relativo.

         Então, vos aconselho humildemente: antecipe-se às situações difíceis, crie oportunidades de valorizar todos esses segundos vindouros de dezembro. Como sempre, é tempo de amar, de espalhar fraternidade, de expandir a espiritualidade, de fomentar a caridade, de olhar para o lado, estender uma mão, sufocar de amor toda a maldade.

Talvez seja exatamente agora, quando o ano se despede com pressa e o cansaço coletivo pede descanso, que caiba a nós desacelerar por dentro. Não para negar tudo o que foi pesado, mas para reconhecer que ainda há vida pulsando nesses últimos dias, vida que se manifesta nos gestos simples, nas palavras escolhidas com cuidado, nas reconciliações silenciosas e nas esperanças discretas que sobrevivem apesar de tudo. O Natal, antes de qualquer celebração externa, nos convoca a esse movimento íntimo: resgatar humanidade onde ela foi sufocada, devolver sentido ao tempo que resta e lembrar que, mesmo às vésperas do fim do ciclo, ainda somos responsáveis pelo que fazemos com cada instante que nos foi confiado.

         Proponho um fim de ano diferente, com menos efeito manada e mais união e verdade, em que nós possamos nos inspirar nos preceitos cristãos tão enfatizados por ocasião das celebrações de natal para sermos o amor pelo próximo e pela Humanidade. Estamos bastante carentes desse amor ilimitado que transcende as quatro paredes das casas, as contas bancárias, as sacolas cheias de presentes e as confraternizações com mais bebidas nos copos que amor nos corações. Precisamos é de afeto, olho no olho, coração com coração. Perto ou longe, aonde for. Que seja amor.

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Paula Farsoun

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Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

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