Depressão: pense bem

César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Em geral queremos nos libertar rapidamente ou o mais breve possível do que nos faz sofrer. Isso está certo. Seria estranho preferir ficar sofrendo mais tempo. Mas há uma tarefa para o que sofre a fim de aliviar ou sair do sofrimento sem ser tomar algum medicamento, ou junto do uso dele.

Sofrimentos, sejam físicos, mentais, sociais e espirituais, têm uma ou mais causas. A depressão, por exemplo, é um tipo de sofrimento que tem múltiplas causas. Quando uma pessoa entra em depressão, por exemplo, após a demissão do emprego num momento economicamente difícil para esse indivíduo, os sintomas depressivos que surgem podem não ser explicados somente pela perda do trabalho.

Ter sido dispensado do trabalho pode ter sido o fator que desencadeou o estado depressivo, mas podem existir outros fatores que se juntaram, resultando na depressão. Esse indivíduo pode ter sofrido nos últimos anos outras perdas importantes para ele, mas resistiu. E agora a demissão do trabalho pode ter sido a gota d’água que faltava para derrubá-lo emocionalmente.

Faz parte da busca da resolução do estado depressivo ou de outro problema, tentar compreendê-lo. Vejamos alguns passos que podem ajudar a administrar seu sofrimento.

1)Analisar para compreender: Analisar as situações envolvidas com o surgimento da depressão numa pessoa, ajuda a compreender por que esse sofrimento apareceu. Perguntas importantes para a compreensão de um problema em sua vida podem ser: a) Quais são todas as partes, áreas ou situações relacionadas com o meu problema? b) O que acredito que tenha causado esse problema? c) Que restrições ou perdas estou enfrentando?

2) Analisar para resolver: a) Qual é o meu alvo mais importante na solução desse sofrimento? b) Qual é o melhor resultado que espero que possa acontecer para mim? c) O que posso aprender com isso que está acontecendo?

3)Escrever sobre seus pensamentos e sentimentos: a) Quando você escreve sobre seus pensamentos e sentimentos mais fortes ou mais difíceis que vêm ocorrendo ultimamente, parece que isso ajuda a promover o processo normal de pensar depressivo. Pensar ajuda para curar, assim como falar para desabafar também ajuda. Não é pensar demais, e não é pensar de menos. Pensar em exagero sobre seu problema produz estresse. E evitar pensar, pode contribuir para prolongar o sofrimento. Mas é importante entender que esse “pensar” deve ter como alvo a busca da compreensão da causa da dor. É como montar um quebra-cabeça juntando as peças para formar uma imagem.

b) A dor faz parte do desenvolvimento de nossa resiliência. Resiliência é a capacidade de viver um problema ou sofrimento sem que ele paralise sua vida, e sair dele com mais resistência. Ela pode aumentar nossa capacidade de lidar com o estresse.

c) É importante aprendermos a desenvolver a capacidade de lidar com situações emocionalmente difíceis. Não é fácil, mas podemos aprender. A meta principal de um bom atendimento psiquiátrico e psicoterápico é auxiliar a pessoa a se tornar mais capacitada a administrar suas lutas pessoais de maneira que ela dependa o menos possível de medicamentos psiquiátricos, e se precisar, que no espaço de tempo mais curto possível possa deixar de usá-los e viver com serenidade, esperança e resistência emocional, e sem ficar dependente do profissional.

_______

Cesar Vasconcellos de Souza

www.doutorcesar.com

www.youtube.com/claramentent

Instagram  @claramentent

Tik-Tok  @claramentent

Publicidade
TAGS:
César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.