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Prazer, dor e ilusões da infidelidade conjugal

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
A mídia mostrou a triste notícia do assassinato dos filhos praticado por um pai que, em seguida, se suicidou, querendo machucar a esposa que o estava traindo. O homem com quem ela se relacionava era também casado, com filhos e bela esposa. O que leva um homem ou mulher buscar alguém fora do casamento para um relacionamento afetivo e sexual, sendo todos casados? O que a pessoa sente falta no casamento e vai buscar fora? Será falta de atitude saudável, ou de algo que a pessoa deseja exageradamente? Será falta do que realmente precisa existir no relacionamento, ou motivado por carência afetiva, compulsão sexual e desejo doentio de romance? Será alguém narcisista que não se contentando com a atenção que o cônjuge dá, que pode ser normal, busca mais com alguém lá fora?
A dor de ser traído por alguém em quem a pessoa confiava e por alguém que dizia amar, parece ser uma das piores para um adulto sentir. É devastador para as pessoas normais. Tanto pior é essa dor, quanto mais o traído colocava uma expectativa exagerada de retorno afetivo no companheiro ou na companheira.
Na infidelidade conjugal o traidor fica num tipo de entorpecimento mental diante da fissura pela pessoa com quem tem um caso. Parecido com o efeito de certas drogas sobre a mente. A pessoa perde a razão. Em geral os homens que procuram uma mulher fora do casamento fazem isso por prazer físico, sexual, enquanto que mulheres que procuram um homem fora do matrimônio estão em busca de romance, afeto, atenção. Isso é o mais comum, embora existam variantes. Em quaisquer dos casos, a infidelidade conjugal é um desastre, produz marcas emocionais difíceis de serem curadas, e quando se torna público, atinge várias famílias que sofrem muito, especialmente os filhos do casal.
Na maioria dos casamentos não há carrascos e vítimas, mas duas pessoas que possuem desejos saudáveis misturados com não saudáveis, carências mais complicadas ou menos complicadas, desejo de domínio, submissão disfuncional.
Infidelidade conjugal não é só enganar o cônjuge, mas é também autoengano. Quem se envolve nisso cai na ilusão de que o amante é melhor do que o cônjuge. Talvez seja mesmo melhor em algum aspecto. Mas será melhor em tudo? E quem trai é melhor em tudo do que seu próprio cônjuge?
Para a mulher que foi traída, a dor é maior se seu marido se apegou afetivamente à rival, não sendo só algo carnal, porque a mulher vivencia como mais significativo o lado afetivo do relacionamento. Por outro lado, para um homem traído, o mais doloroso é se sua esposa teve sexo com o rival, ou seja, quando ela entrega seu corpo para outro homem. Isto gera ameaça na masculinidade no traído, deixando-o com dolorosos sentimentos de humilhação, depreciação de si e inferioridade.
O cônjuge que traiu, agora precisará tolerar a angústia da culpa e esperar pelo tempo necessário para curar a ferida do relacionamento. Isto pode significar que terá que enfrentar solidão e angústia não só pela presença da culpa, como pelo fato de que seu cônjuge poderá ficar não afetivo, não para fazê-lo sofrer ou por vingança, mas porque a confiança foi quebrada, o que requer um tempo, às vezes mais longo do que ambos gostariam para terminar a dor e a distância afetiva.
O paradigma da filosofia pós-moderna capenga é: se dá prazer, então tudo vale! Mas a pessoa em processo de amadurecimento tem como base filosófica da existência a crença de que o sentido da vida e o prazer real vêm por ser útil para o que é ético, verdadeiro, para o afeto saudável.
Você é ideal para seu esposo? Você é ideal para sua esposa? A resolução da infidelidade precisa de perdão, promessa e cumprimento de não mais praticar qualquer tipo de traição, e tempo para a cura da ferida pessoal, difícil de cicatrizar. O traído deve viver sua dor, experimentá-la, expressá-la e finalmente deixá-la ir.
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Cesar Vasconcellos de Souza
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Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
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