Aceitar a dor que não passa alivia

César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

quinta-feira, 04 de junho de 2026
por Cesar Vasconcellos

Doença crônica é aquela que não tem cura, embora possa ter alívio das limitações que ela produz, diminuição do nível da dor, e do quanto ela atinge o estado emocional do indivíduo.

Dor crônica pode ser física, mental, social e espiritual. Elas estão interligadas, mas a dor pode se manifestar primariamente numa dessas dimensões do ser humano. Você pode ter uma dor física causada, por exemplo, por um câncer, e isso afeta sua vida mental, social e espiritual, para melhor ou para pior, dependendo do que você faz com a dor e do que a dor faz com você.

Seu chamado para uma vida de significado pode estar em sua dor, talvez aquela dor que não vai ser eliminada nessa existência, mas que você pode ser fortalecido para lidar com ela. Também é possível receber tratamento paliativo, o que é importante na tentativa de melhorar a qualidade de sua vida, apesar da doença crônica.

Existe uma dor mental chamada por filósofos de “angústia existencial”. Essa atinge todos os seres humanos. Nascemos com ela. Ela é transmitida de geração em geração. Ela se diferencia da angústia ou ansiedade psicológica que pode perturbar uma pessoa em função de conflitos em relacionamentos, inclusive consigo mesmo.

O que fazer com uma dor, uma limitação crônica que não tem cura? De um tempo para cá surgiu na Medicina especialistas em tratar dor crônica de origem física. Tem alguns medicamentos que aliviam isso, além de outros procedimentos em fisioterapia, e outras áreas da saúde.

Tem pessoas com dor total, que é a que apresenta raízes físicas junto com mentais, sociais e espirituais. A pessoa com dor total tem uma lesão física crônica, podendo ser um câncer com metástases; tem uma dor emocional podendo ser depressão; pode ter uma dor social como conviver num ambiente de trabalho corrupto sem querer se envolver nas mentiras, e pode ter uma dor espiritual como a perda da fé, raiva de Deus, falta de sentido para viver. Esses são exemplos de causas desses diferentes tipos de dor. Há muitas outras causas.

Talvez um grande alívio possa surgir, e em geral surge, diante da dor, quando você consegue aceitá-la. Isso não é fácil, porque vai ser necessário parar de culpar as outras pessoas, o “destino”, Deus, seus pais, ou quem quer que seja que possa estar ligado à sua dor. Aceitar é parar de brigar com as pessoas, com a realidade, com Deus e com você mesmo por causa da sua dor.

Quando vamos conseguindo aceitar nossa dor, a pergunta vai mudando de “Por que isso comigo?”, para “O que posso fazer com isso agora?” A psiquiatra Elizabeth Kubler-Ross, descreveu os cinco passos que uma pessoa passa diante de uma perda importante na vida dela. São eles: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.

Quando se consegue chegar na aceitação, não é que surge um estado eufórico ou alegre, mas sim serenidade. Para alguns casos de dor é interessante que a pessoa que consegue entrar profundamente no estágio de aceitação, pode até acontecer a diminuição da limitação e da dor. A dor que não passa pode ser aliviada com a aceitação do histórico dela, sem revolta, sem raiva, sem ressentimento, e com calma. A aceitação da limitação acalma a mente e favorece o funcionamento dos órgãos, fortalece a imunidade. Aceitar a dor que não passa alivia.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

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