Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana
Evitando recaída na depressão com a retirada de antidepressivos

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
Liderado pela dra. Debora Zaccoletti, do Departamento de Neurociências, Biomedicina e Ciências do Movimento, Seção de Psiquiatria, da Universidade de Verona, na Itália, a revista médica The Lancet Psychiatry publicou um estudo em dezembro de 2025, sobre estratégias para interromper o uso de antidepressivos em pacientes com melhora dos sintomas depressivos e de ansiedade.
O estudo tem limitações, como por exemplo, do total de 17.379 participantes só 21% eram de pessoas com ansiedade excessiva e não se tentou outras estratégias de retirada da medicação. Desse total de participantes, a idade média era de 45,2 anos e tempo médio de uso da medicação antidepressiva foi de 45,9 semanas (quase 11 meses), 67,5% eram mulheres, 87,9% de raça branca, com 60 estudos (79%) investigando depressão e 16 (21%) investigando ansiedade.
Para pessoas com transtorno de ansiedade que pode se manifestar através de crise de pânico, fobia simples, fobia social, ansiedade generalizada entre outros, e depressão de moderada à grave, a recomendação é que o tratamento envolva psicoterapia e medicação por um tempo. Cada caso é um caso, de maneira que, por exemplo, uma pessoa com depressão moderada ou grave pode reagir bem melhor do que outra pessoa com o mesmo nível depressivo.
Outra coisa importante é que os mesmos medicamentos psiquiátricos ou outros, podem funcionar de maneira diferente em pessoas diferentes. Na média dos indivíduos diagnosticados com depressão de moderada à grave, o uso da medicação antidepressiva teria como ideal ser usada de seis meses a um ano. Mas existem variantes disso e alguns podem precisar mais tempo de uso. A diferença envolve fatores como a estrutura da personalidade do deprimido, recursos psicológicos que ele tem ou não tem para lidar com a depressão, intensidade do estado depressivo, tipo de perda que provocou os sintomas depressivos, apoio social, significado emocional da perda, disposição em aprender a administrar suas dores emocionais, entre outros fatores.
O uso por tempo indeterminado de certos medicamentos antidepressivos pode causar disfunção sexual e embotamento afetivo. Infelizmente é comum ocorrer recaída no caso da depressão, após a retirada da medicação. Essa análise de 76 estudos científicos (metanálise) buscou verificar que tipo de estratégias de redução da medicação teriam melhores resultados para evitar a recaída nos sintomas.
A pesquisa incluiu as seguintes estratégias de interrupção do uso do antidepressivo: (1) interrupção abrupta; (2) interrupção rápida (menos de quatro semanas); (3) redução lenta (acima de quatro semanas) e (4) redução da dose para 50% da dose mínima efetiva, com ou sem suporte psicológico.
Os achados foram: (1) A redução lenta com apoio psicológico preveniu recaídas de forma semelhante à continuação do antidepressivo em dose padrão; (2) A continuação em dose padrão com apoio psicológico e a continuação em dose reduzida também superaram a descontinuação abrupta e (3) A redução rápida com apoio psicológico e a redução lenta isolada (sem esse apoio), não demonstraram diferença significativa em comparação com a interrupção abrupta.
A conclusão da equipe de pesquisa ao comparar os diferentes tipos de redução da medicação antidepressiva foi que a redução gradual junto com o suporte psicológico foi tão eficaz quanto a continuação do antidepressivo em dose padrão com ou sem apoio psicológico associado, para prevenir recaída no ano seguinte. Parece que a redução gradual do medicamento antidepressivo junto com o apoio psicológico pode prevenir cerca de uma recaída em cada cinco pessoas em comparação com a interrupção abrupta ou redução rápida. Veja como que a psicoterapia é importante para quem tem um diagnóstico de depressão, e não só a medicação, a qual em geral não precisa ser prescrita nos casos de depressões leves, mas somente nas moderadas e graves ou severas.
_______
Cesar Vasconcellos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Deixe o seu comentário