Dizer “eu sinto”

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Sentimos.

Sentimos o caos, a vida, o amanhecer, o entardecer, o anoitecer.

As folhas das árvores caindo, a chuva descendo, as ondas do mar batendo, o vento soprando, a alegria transbordando, a tristeza fincando, a raiva desorientando, a ansiedade pulsando. A música vibrando, o carro andando, a roda girando, o sono chegando, o tempo passando.

Somos dotados de sentimentos e emoções que invadem o nosso ser sem pedir licença, transformando um dia sereno em uma tempestade ou vice-versa.

Falar sobre o nosso próprio sentir não é fácil. Às vezes, não conhecemos ou não sabemos nomear e descrever as emoções que transbordam dia após dia.

Lembro, quando mais nova, que a vergonha me encontrava por não conseguir falar com clareza o que eu sentia. Quiçá, por achar que sentia demais, diferente das outras pessoas, e por não entender todos os sentimentos que fazem parte da natureza humana.

Ao longo da minha caminhada pessoal e profissional, esse sentir foi ficando mais cristalino e, hoje, aqui me encontro, falando e trabalhando com desenvolvimento socioemocional. 

Voltar o olhar para o nosso interior, acolher e expressar sentimentos com autenticidade, sem ferir a si mesmo e ao outro, envolve abertura, entendimento, desenvolvimento.

Externalizar o que nos consome, evita que o sentir se transforme em correntes pesadas de chumbo, que carregamos sem precisar. E, se a voz falhar ou faltar, as palavras podem ser organizadas em letras que dançam no papel, para depois serem proferidas, com calma e verdade.

Respire fundo! Se permita dizer “eu sinto”! 

“Eu sinto tristeza quando você fala dessa forma comigo”, “Eu sinto o mundo vibrar quando estou ao seu lado”, “Eu entendo o seu ponto de vista, mas me sinto cansado”. “Eu sinto que não sou mais como antes”.

Frases que deixam de ser ditas e que, quando abraçadas, trazem transparência para a vivência, irradiando saúde socioemocional.

Essa prática pode trazer alguns desconfortos no início, mas, depois, o conforto vem como o passear em uma canoa no lago sereno. O peso carregado vai se dissolvendo, dando lugar a conexões mais puras e profundas.

Abandonar essas amarras, desperta uma comunicação mais assertiva e fluida, garantido que a nossa essência seja respeitada, resguardando o amor próprio e a paz, fortalecendo o bem-estar físico, social e emocional.

Até a próxima quarta!

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Contato

Site: www.camillafiorito.com.br

Instagram: @camilla.fioritoeduc

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Camilla Fiorito

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Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

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