Janaína Botelho

Janaína Botelho

História e Memória

A professora e autora Janaína Botelho assina História e Memória de Nova Friburgo, todas as quintas, onde divide com os leitores de AVS os resultados de sua intensa pesquisa sobre os costumes e comportamentos da cidade e região desde o século XVIII.

No século 19, de Cantagalo seguiam tropas com mercadorias para o município de Macaé, sendo essa uma de suas rotas comerciais. Nesse caminho havia um quilombo que amedrontava os tropeiros: o quilombo de Carukango. A Lei de 7 novembro de 1831 tornara ilegal o tráfico intercontinental de escravos. Mesmo sendo uma lei que não vingara, “para inglês ver”, como se dizia à época, navios negreiros passaram por precaução a descarregar os escravos no litoral macaense, de onde muitos eram levados para as lavouras de café de Cantagalo.

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Voltei a visitar Rio de Bonito, no distrito de Lumiar. Fazendo limite com o município de Silva Jardim, a vista de certo ponto dessa localidade é de tirar o fôlego. Rio de Bonito de Lumiar tem pouco mais de trinta anos e se desenvolveu com a venda de um indivíduo chamado Sansão, vindo de Lumiar. Esse comerciante tinha uma tropa de burros e levava produtos da lavoura de Rio Bonito a Nova Friburgo passando pelas trilhas de Posses, Galdinópolis e Barra Alegre.

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Bom Jardim não é tão somente um município limítrofe de Nova Friburgo. Possui uma história comum pois ambos pertenceram a Cantagalo, em princípios do século 19. Já tiveram no passado momentos de tensão quando o distrito de Amparo passou a pertencer a Bom Jardim e retornou a Nova Friburgo em 1911, depois de uma queda de braço entre as lideranças políticas. Mas a maior perda foi a freguesia de São José do Ribeirão, grande produtora de café, que passou a pertencer a Bom Jardim em fins daquele século.

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Cantagalo inicia a sua ocupação em fins do século 18 devido à procura do ouro nos afluentes dos rios Grande, Negro e Macuco que recortam sua região, com garimpeiros originários de Minas Gerais. Mas não foi o ouro de aluvião, e sim, o café que originou sua aristocracia rural, os barões do café, a exemplo de Antônio Clemente Pinto, o Barão de Nova Friburgo. Cantagalo tem belíssimas propriedades históricas muito bem preservadas como as fazendas Gavião e Areias que pertenceram ao Barão de Nova Friburgo.

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Rua Cel. Galiano Emílio das Neves, localizada no centro da cidade. Atualmente no local um shopping center onde viveu, durante décadas, a família Neves. A última moradora, D. Vitalina Neves, tornou-se um vulto na cidade. Os irmãos Neves, Galiano Emílio, Galdino Emiliano e Joviano Firmino saíram de São João del Rei, em Minas Gerais, e se dirigiram, no século 19, para Nova Friburgo. Galiano Emílio foi o que se projetou na política local. Nascido em São João del Rei em 1º de maio de 1826, assim que terminou os estudos preparatórios foi para o Rio de Janeiro ingressando no Curso de Medicina.

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Amparo no passado fazia parte da Freguesia de São José do Ribeirão. Seus morros eram cobertos por cafezais desde o século 19, até o princípio do século seguinte. Há uma versão de como o cultivo do café chegou a Amparo através da família Gripp, colonos alemães que imigraram para Nova Friburgo. Os Gripp teriam se dirigido à fazenda dos suíços Sottenberg adquirindo mudas de café que se desenvolveram rapidamente nos morros de Amparo. Tem certo sentido essa versão.

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Estamos completando 199 anos da data do decreto em que o Rei D. João VI determinou a instalação de um núcleo de colonos suíços no Brasil. Em abril tive contato com o professor de história Guy François Despond, da École Saint Croix, que acompanhava estudantes do Cantão de Fribourg a Nova Friburgo. Em conversa, coloquei que percebi em visita que fiz a Suíça que a história da emigração dos colonos suíços a Nova Friburgo era desconhecida. Ele me respondeu que o motivo foi o fracasso dessa emigração e que normalmente as bem sucedidas são mais destacadas.

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Em meados do século 19, Cantagalo era um dos maiores produtores de café do Brasil Império. Antônio Clemente Pinto, o Barão de Nova Friburgo, era o mais exponencial produtor. Transportava o café em tropas de mulas, sendo um dos seus trajetos a descida pela Serra da Boa Vista, passando pela vila de Nova Friburgo. Havia grandes perdas de café no transporte feito por mulas, e por isso, o Barão de Nova Friburgo decidiu investir no que havia de mais revolucionário e moderno na época: a linha férrea.

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Duas Barras possui muitas fazendas históricas do ciclo do café, e nessa ocasião, pertencia a Cantagalo. Fui visitar uma delas, a Fazenda Conceição do Pinheiro. Banhada pelos rios Negro e Macuco, esse recurso hídrico movia os engenhos das fazendas trazendo-lhes produtividade, pois a energia das máquinas vinha da água. Essa propriedade possuía abastecimento de energia elétrica própria com uma cachoeira que produzia cerca de 100 HP. Um açude distribuía a água canalizada do Rio Negro para o engenho, a sede e demais áreas de serviço.

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Passaram pelo Colégio Nova Friburgo aproximadamente 3.500 alunos nos seus vinte sete anos de existência. Na década de 80 houve uma verdadeira debandada de alunos dos colégios religiosos para estudar na “Fundação”. Todos desejavam beber da fonte daqueles anos de sua belle époque, mas os tempos eram outros. O padrão de ensino já era semelhante aos demais colégios, não se destacando como outrora. De qualquer forma, todos queriam sentir aquele ambiente colegial no qual passou uma geração que foi trabalhada para ser a liderança do país.

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