Janaína Botelho

Janaína Botelho

História e Memória

A professora e autora Janaína Botelho assina História e Memória de Nova Friburgo, todas as quintas, onde divide com os leitores de AVS os resultados de sua intensa pesquisa sobre os costumes e comportamentos da cidade e região desde o século XVIII.

Amparo no passado fazia parte da Freguesia de São José do Ribeirão. Seus morros eram cobertos por cafezais desde o século 19, até o princípio do século seguinte. Há uma versão de como o cultivo do café chegou a Amparo através da família Gripp, colonos alemães que imigraram para Nova Friburgo. Os Gripp teriam se dirigido à fazenda dos suíços Sottenberg adquirindo mudas de café que se desenvolveram rapidamente nos morros de Amparo. Tem certo sentido essa versão.

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Estamos completando 199 anos da data do decreto em que o Rei D. João VI determinou a instalação de um núcleo de colonos suíços no Brasil. Em abril tive contato com o professor de história Guy François Despond, da École Saint Croix, que acompanhava estudantes do Cantão de Fribourg a Nova Friburgo. Em conversa, coloquei que percebi em visita que fiz a Suíça que a história da emigração dos colonos suíços a Nova Friburgo era desconhecida. Ele me respondeu que o motivo foi o fracasso dessa emigração e que normalmente as bem sucedidas são mais destacadas.

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Em meados do século 19, Cantagalo era um dos maiores produtores de café do Brasil Império. Antônio Clemente Pinto, o Barão de Nova Friburgo, era o mais exponencial produtor. Transportava o café em tropas de mulas, sendo um dos seus trajetos a descida pela Serra da Boa Vista, passando pela vila de Nova Friburgo. Havia grandes perdas de café no transporte feito por mulas, e por isso, o Barão de Nova Friburgo decidiu investir no que havia de mais revolucionário e moderno na época: a linha férrea.

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Duas Barras possui muitas fazendas históricas do ciclo do café, e nessa ocasião, pertencia a Cantagalo. Fui visitar uma delas, a Fazenda Conceição do Pinheiro. Banhada pelos rios Negro e Macuco, esse recurso hídrico movia os engenhos das fazendas trazendo-lhes produtividade, pois a energia das máquinas vinha da água. Essa propriedade possuía abastecimento de energia elétrica própria com uma cachoeira que produzia cerca de 100 HP. Um açude distribuía a água canalizada do Rio Negro para o engenho, a sede e demais áreas de serviço.

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Passaram pelo Colégio Nova Friburgo aproximadamente 3.500 alunos nos seus vinte sete anos de existência. Na década de 80 houve uma verdadeira debandada de alunos dos colégios religiosos para estudar na “Fundação”. Todos desejavam beber da fonte daqueles anos de sua belle époque, mas os tempos eram outros. O padrão de ensino já era semelhante aos demais colégios, não se destacando como outrora. De qualquer forma, todos queriam sentir aquele ambiente colegial no qual passou uma geração que foi trabalhada para ser a liderança do país.

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Criado pelo professor Joaquim Trotta, havia no Colégio Nova Friburgo o banco escolar. Os pais dos alunos depositavam o dinheiro e esses sacavam aos poucos justificando a despesa. Era uma forma de ensiná-los a administrar seu dinheiro e incentivo à poupança. Foram igualmente estimulados por esse professor a elaborar uma apostila, “Matemática de aluno para aluno”, algo inusitado na época, que foi impressa e servia aos alunos das turmas seguintes.  Os professores estavam sempre em contato com os alunos nas horas vagas, pois a maioria residia nas instalações do colégio.

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O Colégio Nova Friburgo inovava em tudo: excursões campestres e estudo do meio social eram atividades extraclasse dos alunos. A famosa revista O Cruzeiro, de 14 de outubro de 1950, numa ampla reportagem de cinco páginas, comparava esse estabelecimento de ensino a um “colégio brasileiro estilo americano”.

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As obras de adaptação ao colégio foram concluídas em 1949, e um ano depois foi aberta a primeira turma do Ginásio Nova Friburgo, que passaria a se chamar Colégio Nova Friburgo com a criação do curso científico, em 1954. Esse estabelecimento de ensino ficou conhecido pelos friburguenses como “Fundação”. Era um colégio em regime de internato e semi-internato, inicialmente restrito ao sexo masculino, abrindo em 1959 para meninas, mas somente em regime de semi-internato.

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Meados do século 20. Nova Friburgo torna-se cada vez mais industrial, ampliando suas fábricas com a vinda de metalúrgicas que, associadas às indústrias têxteis, colocam-na como um município atrativo em relação ao norte-fluminense. A população cresce significativamente, os clubes de serviço surgem por todo o centro da cidade e novas formas de sociabilidade aparecem entre a elite local. Até o caridoso médico Dermeval Barbosa Moreira resolve diversificar sua atividade profissional.

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O Colégio Nova Friburgo, conhecido como Fundação, foi considerado um estabelecimento de ensino referência em todo o Brasil por adotar a pedagogia dos melhores colégios ingleses e americanos. Funcionou no período de 1950 a 1977, mas a fase na qual realmente a sua metodologia era semelhante a tais colégios foi nos primeiros quinze anos de sua atividade. Estudavam nesse colégio nas primeiras décadas, majoritariamente, os filhos da elite de todo o país.

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