Faz tempo que assisti ao filme “Forrest Gump, o contador de histórias”, e não me esqueço das suas mensagens. Resolvi, agora, ler a respectiva obra literária, criada pelo autor americano Winston Groom (1943-2020), e tenho me sensibilizado mais ainda com a vida do personagem, elaborado como tendo um Q.I. abaixo da média. Durante a leitura venho perguntando: o que é ser idiota? Hoje, ter pureza d’alma, sentimentos de compaixão, lealdade, honestidade e generosidade podem caracterizar um bobo ou um sábio?
Faz tempo que assisti ao filme “Forrest Gump, o contador de histórias”, e não me esqueço das suas mensagens. Resolvi, agora, ler a respectiva obra literária, criada pelo autor americano Winston Groom (1943-2020), e tenho me sensibilizado mais ainda com a vida do personagem, elaborado como tendo um Q.I. abaixo da média. Durante a leitura venho perguntando: o que é ser idiota? Hoje, ter pureza d’alma, sentimentos de compaixão, lealdade, honestidade e generosidade podem caracterizar um bobo ou um sábio?
A história de Forrest Gump tem uma abordagem sobre o experimentar a vida com profundidade, que induz o espectador ou o leitor a refletir sobre a inteligência. Bertrand Russel (1872-1970), matemático e filósofo inglês, conhecido como o profeta da vida racional e da criatividade, disse, certa vez, em sala de aula, que nada é mais perigoso do que uma pessoa inteligente munida de uma premissa errada.
A meu ver a reflexão sobre a inteligência envolve questões amplas e com múltiplos pontos de vista como a história de vida, a cultura e a afetividade. A inteligência não é uma caixa compartimentada no corpo, ao contrário, é uma instância interativa e reativa, cujo potencial pode ser ampliado com as experiências e a aprendizagem. Pessoas com Q.I. médio ou superior podem ter comportamentos estúpidos, que expressam falta de raciocínio. Ah, a preguiça mental... Além do que, definir alguém como tolo pode estar fundamentado a uma maneira particular de interpretar modos de pensar e comportamentos.
A civilização humana é fruto do poder intelectual utilizado nos modos de sobrevivência, nos processos adaptativos, no aprimoramento das condições de estar no mundo, bem como nas conquistas tecnológicas e criações de recursos que venham a oferecer conforto, eficiência e prazer. Cada vez mais tem-se estudado a inteligência.
O psicólogo cognitivo americano Howard Gardner formulou a teoria de inteligências múltiplas, através da qual descreveu diversas formas de inteligência. A lógico-matemática que descreve a facilidade na solução de problemas lógicos e matemáticos. A inteligência linguística que abrange a habilidade para usar as palavras tanto verbalmente como na escrita; a espacial que descreve a capacidade de pensar em três dimensões, a entender o espaço, formas, cores e padrões.
Já a musical pressupõe a capacidade para perceber, criar, interpretar e avaliar padrões musicais como ritmo, tom, melodia e timbre. A inteligência corporal-cinestésica é a capacidade de usar o corpo de forma habilidosa, precisa e coordenada para expressar ideias e sentimentos, realizar tarefas como as que um cirurgião realiza. A inteligência intrapessoal é o autoconhecimento profundo que possibilita o entendimento das próprias emoções, motivações, avaliar situações em seus pontos fortes e fracos, tomar decisões coerentes com os objetivos pessoais. A interpessoal é a capacidade de interação com outras pessoas, entendendo suas decisões, opiniões, o que facilita a comunicação, o trabalho em equipe, a construção de relacionamentos saudáveis. Finalmente, a inteligência existencial é a capacidade para refletir sobre as grandes questões da vida, o lugar do ser humano no mundo e no universo, a busca de respostas sobre a condição humana.
Estamos cercados pelos resultados da aplicação das inteligências humanas. Agora mesmo, sentada na mesa da sala, vejo os móveis e penso em quantas inteligências foram necessárias para criá-los, desde a extração da madeira. Como no tecido da toalha que cobre a mesa, no computador em que estou escrevendo esta coluna, a xícara ao meu lado exalando um cheiro de café incomparável.
Mas retornando a Forrest Gump. Penso que Winston Groom tenha pretendido chamar a atenção sobre a forma espontânea, honesta e simples de viver. O mundo está mergulhado em uma guerra estúpida de interesses econômicos, políticos, culturais e ideológicos, e, por conseguinte, todos estão deixando a pureza das emoções sob os tapetes.
Há uma passagem no livro que gostaria de trazer. Na universidade, um professor pediu à turma, da qual Forrest fazia parte, para que os alunos escrevessem uma breve biografia. Depois de corrigidas, o professor leu em voz alta a de Forrest, que gerou risos na turma. Ao final, informou que o texto de Gump tinha sido o texto mais criativo de todos.
Apesar do baixo Q.I., Forrest possuia a sabedoria de ser gente.
Para finalizar, deixo duas frases para serem refletidas ao longo da semana:
“A vida é como uma caixa de chocolates. Você nunca sabe o que vai encontrar”.
“Você tem que colocar o passado para trás antes que possa seguir em frente.”
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