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O sopro da vida

Camilla Fiorito
Conversas de Dentro
Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
Um sopro. Um único momento que muda tantas coisas. Muda tudo.
O que foi planejado se perde, dando lugar ao inesperado. A vida vai se esvaindo pelos dedos, pouco a pouco, mostrando que não temos nenhum controle sobre ela.
Me lembro de dois anos atrás quando fiquei oito dias internada na unidade semi-intensiva do hospital Pró-Cardíaco, na cidade do Rio de Janeiro. Dengue. Não qualquer dengue, mas sim uma outra cepa que fez meu corpo reagir muito diferente da que fui acometida há 23 anos.
As enfermeiras olhavam para mim como se quisessem me contar um grande segredo. O médico deu o prognóstico. Chorei. A psicóloga foi chamada. O tudo ou nada começaria naquele exato momento, com pressa. Cada minuto contava e faria diferença.
Entendi. Doeu na alma. Meus olhos tremeram e foram de encontro aos do meu marido, que chamou nossa filha, na época, com 11 anos recém completados. Momento difícil. Senti o cheiro dos seus cabelos, dei um abraço apertado, disse o quanto ela era forte. Guardei o momento e me despedi em silêncio da minha doce menina. Não aceitava a finitude. Não ali. Não naquele instante. Uma fortaleza foi imposta. Lutei bravamente, doeu, me rasgou inteira como uma fina folha de papel.
O médico conseguiu, meu corpo reagiu, mas o resultado poderia ter sido outro. O oposto poderia ter batido à porta e entrado sem pedir licença. Sem hora marcada.
A finitude chega para todos nós. Cada um, em um momento da vida. No inesperado, no esperado, no previsível ou no imprevisível. Simplesmente chega, como um sopro. Um sopro que passa em uma fração de segundo, onde o ponteiro do relógio não acompanha.
Tendemos a achar que ela acontecerá apenas depois de algumas longas décadas vividas e esquecemos que a chegada pode ser iminente. Nunca estaremos preparados.
O hoje é para ser vivenciado, sem medo, com desejo e vontade. Os planos sempre existirão, em sua pluralidade, porém, também é necessário dar lugar para o agora chegar e não só o depois. O ser e estar no momento presente, de forma segura, com a potência necessária para encontrar a melhor sintonia, conquistando um benefício que fica esquecido: o nosso equilíbrio emocional.
Até a próxima quarta!
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Contato
Site: www.camillafiorito.com.br
Instagram: @camilla.fioritoeduc

Camilla Fiorito
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Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.
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