O impacto das palavras ditas e não ditas

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

quarta-feira, 08 de julho de 2026
por Camilla Fiorito

Palavras. Palavras que dizemos ao longo do nosso percurso e que, muitas vezes, sequer pensamos no impacto que cada uma pode causar. Em nós mesmos, no outro, na vida.

Como flecha lançada com profundidade conflitante, onde sua força só é percebida quando a dor surge, reverbera. 

A dor vem silenciosa, mas com intensidade voraz. Como um terremoto em larga escala, destruindo tudo que tem pela frente. 

Palavras são ditas e escutadas ao longo de uma jornada. Assim como aquilo que nos falam na infância viram verdades irrefutáveis na nossa vida adulta. Ativa o nosso cérebro de forma avassaladora, causando choque emocional quando ditas com efeito destruidor. 

O abalo vem em ondas gigantes, tal qual a maré bagunçada causa um estrondoso tsunami nas emoções. Diferentes daquelas que vêm em tom de elevação e amor. 

Dentro desse carrossel gigantesco, encontramos as palavras que não conseguimos dizer. Que guardamos com tal intensidade, seja pelo medo ou pela dor. 

Palavras não ditas, guardadas. Todas elas, para que no fim tudo fique devidamente onde tem que estar. Não se engane! Guardá-las, afinal, desperta transbordamento. Uma manifestação impetuosa que arranca cada gota de paz e serenidade.

Mas será que podemos nos manifestar e dizer tudo aquilo que precisamos sem esconder, sem nos enganar?

Me lembro da minha infância. Seis anos. Escutei coisas tortuosas, dilacerantes. Tive medo de dizer para minha mãe, meu pai. Ao longo da minha adolescência, juventude e vida adulta continuei escutando as mesmas palavras que produziam aflição contínua. A manifestação da mesma pessoa era impiedosa.  

Passei anos acreditando naquilo que era dito, como um grande gravador interno, inserido da minha mente. Como uma verdade absoluta e desgastante.

Doeu. Cresci. Continuei. Busquei. Estudei. Quebrei o ciclo. Continuo estudando. Conscientizei e continuo conscientizando para que não aconteça com o outro, com os outros, com quem quer que esteja vulnerável dentro da sua grande roda de sins e nãos.  

Palavras precisam ser ditas e não guardadas. Seja na hora, seja depois, mas não escondidas. Com respeito, com verdade, sem o desejo de ferir.

Foram ditas. Veio o alívio. Não dói mais.

Podemos dizê-las de forma clara, com empatia, autenticidade e conexão, assim como aprendemos dentro da Comunicação Não Violenta (CNV), a comunicação que venho estudando, me aprofundando e vivendo há 15 anos. 

Diga! Não coloque debaixo do tapete aquilo que precisa ser colocado para fora. Sua saúde mental agradece.

Até a próxima quarta!

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Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

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