O Barão de Aquino

Janaína Botelho

Janaína Botelho

História e Memória

A professora e autora Janaína Botelho assina História e Memória de Nova Friburgo, todas as quintas, onde divide com os leitores de AVS os resultados de sua intensa pesquisa sobre os costumes e comportamentos da cidade e região desde o século XVIII.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Cantagalo foi um município que gerou quase duas dezenas de nobres, entre barões, condes e viscondes. O plantio do café com a utilização da mão de obra escrava, proporcionou a fortuna de muitas famílias. Entre elas, a do Barão de Aquino. Em uma de suas fazendas, a Santa Mônica, no município de Sumidouro, passava o mais belo trecho da linha férrea fluminense, o ramal da Ponte Seca, projetado por engenheiros ingleses da Leopoldina Railway Company. A Ponte Seca foi inaugurada em 1888, e integrava o ramal ferroviário Nova Friburgo-Além Paraíba, em Minas Gerais.

José de Aquino Pinheiro, o Barão de Aquino, nasceu em 7 de março de 1837, na Fazenda do Ribeirão, hoje Duas Barras, que na ocasião pertencia a Cantagalo. Era filho do tenente-coronel Joaquim Luiz Pinheiro, de origem portuguesa e de Quenciana Maria de Souza Pinheiro, de tradicional família mineira. Inicialmente Barão e Baronesa do Paquequer, posteriormente Joaquim Luiz recebeu o título de Visconde de Pinheiro, com ordem de grandeza. José de Aquino Pinheiro se casou em 1857, com a sua prima Rita Luíza Ribeiro, filha do comendador Francisco Alves Ribeiro. Dessa união tiveram 15 filhos, dos quais apenas oito sobreviveram, sendo eles Francisco de Aquino Pinheiro, Maria Pinheiro Sampaio, José de Aquino Pinheiro, Álvaro de Aquino Pinheiro, Aureliano de Aquino Pinheiro, José Eugênio de Aquino Pinheiro, Rita de Cássia Pinheiro Soares e João de Aquino Pinheiro.

José de Aquino era o maior produtor de café da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Paquequer, que na época pertencia a Nova Friburgo. Era proprietário das fazendas Santa Mônica e Santa Maria, hoje Sumidouro, Areias, em Pirapitinga de Itaperuna e Conceição do Pinheiro, em Duas Barras. Ingressou na Guarda Nacional passando pelos postos de alferes, tenente, capitão e major até finalmente chegar a coronel. Foi agraciado, em 1873, por Carta Imperial, com a comenda da Imperial Ordem da Rosa.

O título de Barão de Aquino ele recebeu em 1881, e no ano seguinte, foi condecorado com os foros de fidalgo e cavaleiro da Casa Imperial. Já pelo governo português recebeu a comenda da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Viçosa, por serviços prestados a Beneficência Portuguesa. Como toda elite da época, exerceu os cargos de delegado de polícia, juiz municipal em Nova Friburgo, Carmo e Sumidouro, vereador e juiz de paz. Na monarquia pertenceu ao Partido Liberal, por influência de seu pai, o Visconde de Pinheiro. Com a morte deste, passou a integrar os quadros do Partido Conservador, permanecendo monarquista mesmo com a mudança para o regime republicano.

Entrevistei a neta e a bisneta do barão que me revelaram a respeito de uma hospedagem do Imperador D. Pedro II e da Princesa Isabel na Fazenda Santa Mônica. A neta chamava-se Maria Déia de Aquino Pinheiro, mas após o casamento passou a chamar-se Maria Déia Pinheiro Stávola Porto. Já a sua bisneta chama-se Regina Célia Pinheiro Stávola Porto e reside atualmente em Niterói. Lembrando que na ocasião dessa visita de Dom Pedro II à Fazenda Santa Mônica, a propriedade era localizada em uma freguesia de Nova Friburgo.

Regina Célia me mostrou a colcha da cama em que dormiu a Princesa Isabel e igualmente uma licoreira presenteada pelo imperador, até hoje preservada pela família. No final do século 19, muitos fazendeiros de Cantagalo faliram em razão da falta de mão de obra provocada pelo fim da escravidão. Outro motivo da crise foram os cafezais improdutivos pela ausência de adubagem da terra ao longo de décadas. Penhoradas, muitas fazendas foram sendo vendidas em hasta pública e arrematadas por particulares. A economia de todo o Centro-Norte fluminense migrou consolidando-se com a pecuária leiteira e o gado de corte. 

A família Aquino não escapou da crise. O Barão de Aquino morreu em 20 de agosto de 1921, aos 84 anos de idade, na Fazenda Santa Mônica. Um ano depois de sua morte a Fazenda Conceição do Pinheiro foi vendida a Regino Monnerat. A casa-sede da Fazenda Conceição do Pinheiro encontra-se muito bem preservada, sendo uma propriedade produtiva de gado leiteiro e de corte. No entanto, a da Fazenda Santa Mônica não existe mais. Para finalizar duas curiosidades. A primeira é a que o médico friburguense, dr. Dermeval Barbosa Moreira, chegou a ser proprietário da Fazenda Santa Mônica. A segunda é que o atual prefeito, Renato Bravo, é parente do Barão de Aquino, descendente do Visconde de Pinheiro. 

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