Blog de paulafarsoun_25873

Vida em movimento

sexta-feira, 03 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Mudanças impõem movimento na vida. Sejam elas voluntárias ou forçadas. Sejam desejadas ou inesperadas. Fazem parte da vida. Não há como evitar..., e nem como classificar cada mudança em “para melhor” ou “para pior”.  Vejo que é movimento e movimentar, pensando bem, é viver.

Mudanças impõem movimento na vida. Sejam elas voluntárias ou forçadas. Sejam desejadas ou inesperadas. Fazem parte da vida. Não há como evitar..., e nem como classificar cada mudança em “para melhor” ou “para pior”.  Vejo que é movimento e movimentar, pensando bem, é viver.

Reflito sobre isso enquanto observo caixas empilhadas na sala de alguém que decide trocar de casa, ou ainda quando vejo alguém de malas no aeroporto, prestes a partir. Mudança, física ou não, é sempre transbordo: de espaço, de rotina, de certezas. E se, no primeiro olhar, parece só bagunça e ruptura, em silêncio ela sempre guarda um convite — o de se reinventar.

Você já se viu paralisado diante de mudanças inesperadas? Às vezes, é como se alguém tivesse tirado o chão sob nossos pés. O que era confortável não existe mais. E o medo se veste de previsibilidade: queremos que tudo permaneça igual porque acreditamos que ali estamos seguros. Só que não estamos. Não necessariamente. Pode ser que estejamos apenas imóveis, e a vida pode pedir bem mais do que estagnação.

Tem momento pra tudo. Pra gritar e silenciar. Pra correr e repousar. Pra impulsionar e aguardar. Pra chegar e partir. Pra decidir ficar como está. Até isso é movimento. Não fazer nada é decidir permanecer e isso também é movimentar-se. A vida pede movimento. Pede o vento que desloca as folhas e também o que leva embora aquilo que já não serve. Pede o tempo que empurra os ponteiros sem nos perguntar se estamos prontos. Pede coragem para atravessar pontes que não voltam a ser as mesmas depois de pisadas.

As grandes mudanças não chegam sempre anunciadas. Às vezes, vêm sutis, quase imperceptíveis: o café que já não tem o mesmo gosto, o trabalho que perdeu o sentido, a energia que se esgota, o corpo que pede descanso ou novidade. Outras vezes, vêm em explosões: um amor que se despede, uma porta que se fecha, um recomeço inesperado.

No fundo, não importa como chegam. Mudanças são o lembrete de que estamos vivos. Quem não se move, endurece. Não tem jeito. Querendo ou não. E não falo apenas de grandes transformações. O simples gesto de mudar o caminho de todos os dias pode abrir novos encontros. Mudar um pensamento repetido pode clarear horizontes. Mudar o ritmo pode devolver leveza ao corpo.

É claro que nem sempre é fácil. Movimento incomoda. Mudança bagunça. É preciso desapegar do que parecia certo. É preciso confiar no invisível, aceitar não ter todas as respostas. Às vezes, é preciso suportar a travessia escura para, só então, reconhecer a beleza da manhã.

O que aprendi — e ainda aprendo — é que resistir ao movimento não nos impede de mudar. Apenas nos torna mais pesados. Quando aceitamos, quando nos deixamos levar pelo fluxo, descobrimos que a mudança pode ser, sim, um presente.

Há dias em que tudo parece desmoronar, mas, quando a poeira baixa, entendemos que aquilo era a vida abrindo espaço para o novo. Como quem reorganiza uma sala cheia de caixas: no meio da bagunça, há promessa de recomeço.

Mudanças e movimento são isso: convites. Convites para sair do lugar comum, para olhar o céu de outro ângulo, para habitar um corpo que já não é o mesmo, para permitir que a vida seja mais do que rotina repetida. E quando alguém me pergunta se tenho medo de mudar, confesso: tenho. Todos, temos. Mas aprendi que o medo não é inimigo — é só um sinal de que algo está vivo em nós. Afinal, só sente medo quem está prestes a atravessar.

No fim, é o movimento que nos faz. Somos feitos de ciclos, de idas e vindas, de encontros e despedidas, de fases da vida. E, se prestarmos atenção, perceberemos que toda mudança é também um gesto de esperança. Porque quem muda acredita que há sempre algo a ser encontrado do outro lado. Talvez seja isso que a vida pede de nós: não perfeição, não certezas, mas disposição para o movimento. Porque é nele que a vida realmente acontece.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Florescimento

sexta-feira, 26 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

A primavera sempre chega como quem não tem pressa. Aos poucos, vai colorindo as ruas, abrindo as flores, despertando perfumes que estavam adormecidos no inverno. É uma estação que não exige anúncio, porque se revela sozinha, no detalhe de um ipê amarelo que se cobre de ouro ou no voo apressado de uma borboleta que já anuncia transformação.

A primavera sempre chega como quem não tem pressa. Aos poucos, vai colorindo as ruas, abrindo as flores, despertando perfumes que estavam adormecidos no inverno. É uma estação que não exige anúncio, porque se revela sozinha, no detalhe de um ipê amarelo que se cobre de ouro ou no voo apressado de uma borboleta que já anuncia transformação.

Há algo de simbólico na primavera. Talvez seja a estação que mais conversa com a alma, porque nos lembra que nada permanece frio e cinzento para sempre. Depois de cada inverno — literal ou interior — há sempre um campo pronto para florescer. A vida se renova, mesmo quando não acreditamos mais.

As flores não pedem licença para nascer. Elas brotam, rompem o solo, desafiam o concreto. É como se nos dissessem: “você também pode.” A primavera é o convite para reencontrarmos nossas próprias cores, para trocarmos o peso pelo leve, para lembrarmos que beleza e delicadeza são forças capazes de transformar qualquer ambiente.

Talvez seja por isso que a primavera desperte em nós uma esperança silenciosa. Ela não promete que não haverá novos invernos, mas nos mostra que cada ciclo guarda sua beleza e sua razão de existir. O frio ensina a resistir, e a primavera ensina a florescer. Assim é a vida: feita de estações que se alternam, mas que nunca deixam de trazer a promessa de um novo começo.

Não é à toa que tantas pessoas se sentem mais vivas nessa estação. A luz dura mais, os dias parecem sorrir. A primavera não apenas enfeita a paisagem: ela enfeita a alma. E talvez seja esse o seu maior presente — nos lembrar de que recomeçar é sempre possível, e que dentro de nós também existem flores esperando o momento certo de desabrochar.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Posso ouvir

sexta-feira, 19 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

A cada dia que passa a vida mostra que saber ouvir é mais que uma habilidade rara, mais do que uma necessidade, mais do que uma demanda social. É um dom. Proponho uma breve observação. Quantas pessoas falam ao mesmo tempo na mesma roda de conversa? E dessas, quantas estão falando sobre si mesmas, sobre suas próprias vidas, seus anseios individuais e seus problemas? Quantas estão a reclamar o tempo todo?

A cada dia que passa a vida mostra que saber ouvir é mais que uma habilidade rara, mais do que uma necessidade, mais do que uma demanda social. É um dom. Proponho uma breve observação. Quantas pessoas falam ao mesmo tempo na mesma roda de conversa? E dessas, quantas estão falando sobre si mesmas, sobre suas próprias vidas, seus anseios individuais e seus problemas? Quantas estão a reclamar o tempo todo?

Em sequência, proponho que observem quantas pessoas ouvem atentamente a história do outro, olham nos seus olhos e efetivamente parecem se importar com as informações compartilhadas.

Hoje me aconteceu algo curioso. E que curiosamente sempre acontece. Comigo! Estive com uma pessoa que pouco vejo e com quem não tenho intimidade alguma. Mas a quero muito bem e ela deve perceber. Estivemos juntas por 20 minutos apenas e em uma circunstância incomum. Pois bem. Nesse interregno de tempo eu pude saber das dores mais profundas pelas quais ela passa, do sofrimento de sua família, sobre suas recentes perdas e dificuldades. Coisas que só contamos a Deus quando colocamos a cabeça no travesseiro. Ela não estava lamuriando. Definitivamente não estava. Abriu seu coração simplesmente por sentir que teria dois ouvidos disponíveis por algum tempo e talvez um coração aberto a acolhê-la de alguma maneira. Talvez um olhar sincero além dos ouvidos atentos.

Confesso que quando ela começou a contar sobre sua vida, olhei no relógio e lembrei-me o tanto de afazeres que ainda tinha por fazer. Por alguns segundos senti medo da demora e pensei em mudar o rumo da prosa, imaginando o tanto que ela se prolongaria. Por pouco não a interrompi. Não daria tempo, eu não tinha realmente disponibilidade naquela hora. Afinal, já sabemos as horas voam.

Não raras vezes eu imagino que “aquela pessoa” poderia ser minha mãe ou minha avó e que eu gostaria de que elas fossem sempre tratadas com zelo, respeito e atenção quando decidissem abrir o coração com alguém. Um pensamento um tanto egoísta que às vezes vem. Não por isso. Muito mais frequentemente eu me coloco no lugar de uma pessoa estranha e procuro buscar entender como ela se sente e volta e meia percebo que ela precisa simplesmente do que mais posso oferecer: atenção (que não necessariamente é sinônimo de tempo) e carinho.

Hoje foi assim. Felizmente eu perseverei alguns segundos, me acomodei melhor na cadeira e me pus a ouvi-la como se tivesse a eternidade à sua disposição. Olhei atentamente para aqueles olhos cansados de um dia de trabalho exaustivo que escondiam por trás dos óculos um semblante triste, abatido e desolado. Senti de forma profunda que ali residia uma enorme dor. E sem que eu proferisse uma palavra (nenhuma palavra!) ela confiou a mim suas profundas aflições.

Enquanto ela falava, eu agradecia. Agradecia por estar ali naquele exato local e momento podendo ser útil a alguém como ela. Agradecia por não ter posto o meu egoísmo e a minha pressa à frente do sentimento dessa pessoa. Agradecia por meu coração naquele momento estar livre daquelas angústias vividas por ela. Agradecia por conseguir me transportar para o lugar ocupado por ela, entender seus anseios. Agradecia por ser eu a estar ali. Agradecia por isso sempre acontecer comigo e apesar de eu não conseguir me vencer sempre, por estar ali tentando, mais uma vez, com mais uma pessoa. Agradecia pelo dom de ainda saber ouvir. Muito mais do que por meio dos ouvidos.

Ao fim da conversa – eu, com os minutos contados e ela, atrasada para pegar seu ônibus - bastou um abraço e sem que eu dissesse nada, encerramos aquela conversa. Que experiência rica. Como estamos carentes de um interlocutor de verdade, com quem possamos simplesmente compartilhar, não só o lado bom da vida, mas também as profundezas da alma. Sem julgamentos.

Lembrei-me de uma frase de Rubem Alves: ‎“As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos.” Apesar da correria do dia a dia, do ruído e da ansiedade social, não me esqueci de que ainda sei ouvir. E mais uma vez agradeci por não ter ensurdecido a alma. Apesar dos pesares.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Quando o sonho tropeça na realidade...

sexta-feira, 12 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Frustação pesa na gente, não é mesmo? Eis um sentimento difícil de lidar. Impõe dor, perda de expectativa, sensação de que poderia ter feito mais, perspectiva de como teria sido o que não foi, vazio e até mesmo uma comparação inconsciente e incontrolável em relação a outras pessoas.

Frustação pesa na gente, não é mesmo? Eis um sentimento difícil de lidar. Impõe dor, perda de expectativa, sensação de que poderia ter feito mais, perspectiva de como teria sido o que não foi, vazio e até mesmo uma comparação inconsciente e incontrolável em relação a outras pessoas.

Você já percebeu que às vezes esse sentimento chega de mansinho, sem pedir licença, e se instala como um hóspede inconveniente que não sabemos bem como mandar embora? O sentir-se frustrado com algo pode vir de pequenas coisas ou de grandes acontecimentos: o tempo que passou sem que seu desejo se realizasse, a oportunidade que escorreu pelos dedos, o plano que parecia certo e deu errado, o trabalho que não rolou, a mensagem que não foi recebida, a promessa que não foi cumprida. Não tem manual para lidar com isso.

Receber “não” da vida machuca de verdade. Em uns mais, em outros, menos. Sobretudo quando esperávamos um “sim”. Quando batalhamos por esse sinal verde, ansiamos por levantar a bandeira ao final. E por vezes só nos resta o vazio de lidar com a obrigação de superar que aquilo que desejamos, esperamos ou planejamos simplesmente não se concretiza. É o vácuo entre a expectativa e a realidade.

É engraçado como, às vezes, a frustração parece uma professora rígida. Daquelas que te fazem escrever a lição 100 vezes no quadro até aprender. Ela insiste em mostrar que nem tudo está sob o nosso controle. E isso dói. Porque a gente foi criado para acreditar que basta se esforçar que dá certo, basta querer que acontece, basta sonhar que realiza. Pois é... não basta. Não sempre...

Muitas vezes a frustração não vem do tamanho do problema, mas da expectativa que a gente alimentou antes. É como esperar um banquete e receber um prato raso de sopa fria. Não é sobre a sopa em si, mas sobre tudo o que projetamos nela. Talvez a vida seja isso: aprender a ajustar o olhar, entender que nem sempre teremos o banquete, mas que ainda assim podemos nos alimentar daquilo que nos chega.

A frustração escancara os limites da vida e os nossos também. A gente aprende, às vezes feito pancada, que não é possível ter tudo, nem agradar a todos, nem controlar o imprevisível. Mas se tem algo de bom nisso – e sempre há – é que essa sensação incômoda também pode nos movimentar. Ninguém se reinventa na zona de conforto. É a frustração que cutuca, incomoda, empurra a gente para fora da cama nos dias difíceis. O inesperado tem esse poder.

No fim das contas, talvez a frustração seja só um lembrete de que estamos vivos, tentando, arriscando, desejando. Quem não se frustra é porque não tenta nada. E aí, cá entre nós, viver sem frustrações não seria apenas sobreviver?

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Acordar e Agradecer

sexta-feira, 05 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

 

 

         Caminhamos anos a fio tecendo emendas de sabedoria. Ou melhor, buscando. Dizem que o avançar da idade tem isso de bom, a experiência um tanto convolada em saber. Mas devemos convir que algumas situações têm o condão de ensinar de forma intensa. O sofrimento, a despedida, a demissão, a separação, a perda etc, etc, etc. Creio que momentos que demandam alto grau de superação assemelham-se aos cursos intensivos, daqueles cujo principal desafio é aprender muitas coisas em pouco tempo. Funciona. Não sei quanto aos cursos, mas quanto à vida, invariavelmente há de surtir efeitos.

         O existir por si só requer, além de uma coragem intrínseca, algum nível de sabedoria. Quando só existe dificuldade, parece que a vida trabalha para preparar um novo momento. E ele chega. Ora, se tratarmos essa realidade como uma verdade, cientes de que coisas boas sempre estão por vir, de uma forma ou de outra, por que não sermos gratos desde então? Sem esperar o dia de amanhã. Pode ser tarde demais.

         A gratidão é um sentimento que nos liga à força divina, ao supremo, ao universo, àquilo que transcende à visão humana e, para aqueles que creem nessa força, resguardo a titulação respectiva. Penso que exalar esse sentimento nos resguarda de um monte de maus acontecimentos. Como se o imponderável carecesse desse voto de confiança. Como se o presságio das boas novas estivesse umbilicalmente ligado ao ato de sermos gratos a tudo e a todos, em qualquer circunstância.

         Certa vez um senhor que atravessava sérios problemas, em uma daquelas conversas em que muito ouvimos e pouco falamos, contando suas experiências de vida (e de fé) explicou-me a sua fórmula da longevidade com qualidade de vida.  E desde então, esforço-me para seguir treinando o seu exemplo. O primeiro “obrigado” é proferido pela manhã, ao acordar. Estar vivo já é uma dádiva que merece ser contemplada durante todo o dia.          Ao abrir os olhos e perceber a possibilidade de enxergar a luz do Sol, o segundo “obrigado” do dia. Ao pisar, perceber que pode se locomover, que seus órgãos funcionam, mais muitos gestos de gratidão são proferidos. E por assim dizer – e viver – sua história simples pôde conquistar o patamar de exemplo. Pelo menos para mim.

         Ser resiliente e grato é perceber que os pés doem, mas que podemos andar. Que a coluna não está lá “grande coisa”, mas que sustenta com maestria esse corpo que nos reveste. Que o dia de hoje pode não ser perfeito, mas que é o presente concebido e não pode ser desperdiçado. Que os sonhos não foram realizados da forma como queríamos, mas que temos força para batalhar. E por aí vai.

         Sentir gratidão nesse nível é uma questão também de treinamento. Gratidão gera gratidão. A corrente ganha força e a energia do contentamento, da aceitação, da felicidade se expandem. Coisa chata é essa atmosfera de reclamações por todos os cantos, o dia inteiro. Se chove, está ruim. Se faz calor, piora. Se tem emprego, reclama. Se o perde, piora. Coisas assim.

         Como mensurar a dimensão da força que pode alcançar essa energia massiva de milhares de pessoas reclamando de tudo o tempo todo? Que bom seria se o mesmo empenho em lamuriar fosse empregado em agradecer em qualquer conjuntura. Não quero caminhar com esforço ao longo de uma vida inteira e lá na frente perceber que o passado foi o melhor presente que me fora dado, aquele clássico sentimento de que “era feliz e não sabia”.

         Não quero perder minha vida para a ingratidão. Ser grato é questão de escolha. Uma ótima escolha. A começar por agora.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Saudade boa

sexta-feira, 29 de agosto de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Outro dia estava aqui escrevendo o tanto que sentir saudade dói. Não há uma dor física que possa ser comparada. É algo que vem lá de dentro, das profundezas da alma, do fundo do coração. Saudade tem suas nuances. Pode nos mover em várias direções. Tem poder de ser mola propulsora para diversas ações. Saudade nos leva ao choro no travesseiro, no banho, na rua, em todo lugar. Conduz a lágrima de canto de olho que insiste em cair quando toca aquela música, quando olhamos aquela paisagem, quando fitamos uma foto. Muitas vezes, é o que nos derruba. É o sufoco sem conforto. A dor sem remédio.

Outro dia estava aqui escrevendo o tanto que sentir saudade dói. Não há uma dor física que possa ser comparada. É algo que vem lá de dentro, das profundezas da alma, do fundo do coração. Saudade tem suas nuances. Pode nos mover em várias direções. Tem poder de ser mola propulsora para diversas ações. Saudade nos leva ao choro no travesseiro, no banho, na rua, em todo lugar. Conduz a lágrima de canto de olho que insiste em cair quando toca aquela música, quando olhamos aquela paisagem, quando fitamos uma foto. Muitas vezes, é o que nos derruba. É o sufoco sem conforto. A dor sem remédio. O grito sem ruído. Outras vezes, é a motivação que nos eleva, a inspiração que nos guia, o amor que preenche o invisível.

Hoje seria um dia propício para falar de saudades, pois tudo o que provoca as minhas, são de estima constante. Logo, todo dia é dia quando se tem do que e de quem sentir saudade – a meu ver, uma dádiva. Mas é também um momento de falar do oposto. Da saudade daquilo que podemos suprir, das pessoas que podemos abraçar, do reencontro com familiares que chegam de longe, das memórias afetivas que podemos revisitar. Ah! É inenarrável o prazer de estar junto novamente, de refazer os votos e os planos, de sentir o cheiro familiar, o aconchego que tem morada certa.

Quais os limites desse sentimento sem limite? Vale a redundância da pergunta para refletirmos sobre o que fazemos com o tempo que temos ao lado de tudo aquilo que, quando ausente, nos faz nostálgicos. Os sentimentos realmente atravessam fronteiras, ultrapassam todas as balizas físicas e imagináveis. Um ente querido vivendo na China continua sendo o ente querido. Esse é o ponto. O que nos faz transcender às barreiras materiais merece nosso tempo, o foco e a direção de nossas vidas. Com amadurecimento e pitadas de autoconhecimento, o sentimento de saudade que não pode ser saciada e daquela que podemos suprir de alguma maneira, pode se tornar um grande aliado.    E se temos a chance de criar novas oportunidades em encontro a tudo o que nos é caro e deixará saudade, que sejamos gratos pela oportunidade e que saibamos cuidar de cada momento novo dessa vida que às vezes sorri pra gente. Privilégio é poder reviver aquilo que nos faz bem. Viver momentos novos, com temperos especiais. Construir a existência sabendo definir o que merece toda a nossa energia e o que vale a pena deixar passar. Sabedoria. Deixar ir e escolher o que deve ficar. Saudade pode ser um bom critério. Do que já foi. Do que é. Do que estar por vir. 

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

O amor é lindo

sexta-feira, 22 de agosto de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Ah! O amor é lindo, não é mesmo? Vocês ainda se emocionam com uma história bonita e genuína em que almas se encontram? Eu sigo achando uma maravilha. Aquece o coração, dá cor às coisas, enche a vida de esperança. Por trás da aparente simplicidade das sutilezas do amor, há uma das maiores verdades que podemos experimentar: ele é lindo, mesmo! Não porque seja perfeito, até é justamente na imperfeição que ele floresce.

Ah! O amor é lindo, não é mesmo? Vocês ainda se emocionam com uma história bonita e genuína em que almas se encontram? Eu sigo achando uma maravilha. Aquece o coração, dá cor às coisas, enche a vida de esperança. Por trás da aparente simplicidade das sutilezas do amor, há uma das maiores verdades que podemos experimentar: ele é lindo, mesmo! Não porque seja perfeito, até é justamente na imperfeição que ele floresce. Não está na cena de cinema em que tudo se encaixa, mas no gesto pequeno de quem se lembra do seu café preferido, na mensagem que chega, em meio a um dia cansativo, no abraço que não cobra nada em troca, na demonstração de se estar junto para o que der e vier. Está no sorriso frouxo, no toque que aquece, na presença que preenche, na admiração recíproca, na partilha emocionada, na torcida diária e no desejo de se estar perto. O amor se faz no detalhe, no cuidado quase imperceptível, no olhar que enxerga além da superfície.

É lindo porque nos humaniza. Em um tempo em que tanto se fala em produtividade, em metas, em números, o amor nos devolve ao que é essencial: sentir. Ele nos lembra que a real conquista passa pelo afeto, que não somos máquinas, que não viemos ao mundo apenas para cumprir agendas, mas para construir encontros. O amor, em todas as suas formas, é um exercício de presença — um “estou aqui” silencioso, mas transformador.

O amor também é lindo porque não se limita a romances. Está na amizade que atravessa décadas, na família que segura as pontas quando o chão parece sumir, na comunidade que se organiza para apoiar quem precisa. Está também no amor-próprio, quando finalmente reconhecemos o nosso valor e nos tratamos com a delicadeza que sempre oferecemos aos outros.

É lindo porque resiste. Mesmo depois das perdas, das decepções e das despedidas, o amor insiste em reaparecer. Ele tem uma força de renascimento que desafia a lógica: ainda que o coração esteja ferido, um novo afeto sempre encontra espaço para brotar. Talvez seja esse o maior milagre — a capacidade de, apesar das cicatrizes, acreditar de novo.

O amor é lindo porque nos coloca em movimento. Nos empurra para fora do egoísmo, amplia nossos horizontes, nos convida a ver o outro não como ameaça, mas como espelho e companhia. É nele que aprendemos generosidade, paciência, compaixão. Não é fácil — exige escolhas, renúncias, disposição para ouvir e recomeçar. Mas é justamente esse esforço que o torna tão valioso.

E, se é verdade que tudo na vida é transitório, o amor talvez seja a forma mais bonita de eternidade. Porque ele se prolonga na memória, na marca que deixa em quem passa por nós. Um gesto de amor pode atravessar o tempo e continuar sustentando alguém muito depois da nossa ausência.

O amor é lindo porque nos lembra de que, no fundo, ninguém quer apenas vencer ou acumular. Todos buscamos, de maneiras diferentes, um lugar seguro para ser quem somos — e isso só se encontra no afeto verdadeiro. O amor é a raiz que nos prende ao chão e a asa que nos leva além. Então, sim, o amor é lindo. Não como slogan, mas como certeza vivida. Ele não precisa de aplausos, de palco, nem de poesia rebuscada. O amor é lindo porque é real, porque está nas frestas da vida, porque insiste em nos salvar todos os dias.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Boa vontade

sexta-feira, 15 de agosto de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Acreditar no ser humano até que ele demonstre que não é digno da sua confiança. Ter boa vontade até que reste comprovado que o destinatário das suas ações não é tão digno assim de recebê-las. Ter a intenção de ajudar, sem requisitar nada em troca (nem nas entrelinhas das segundas intenções). Dar de verdade, doado, porque sim. Sem dívida moral para acertar depois. Compartilhar prosperidade, sem contabilizar os créditos que sua boa ação pode te proporcionar. Fazer sem esperar retorno. Ensinar com a intenção de que aprendam. Aprender com a intenção de aprender mesmo.

Acreditar no ser humano até que ele demonstre que não é digno da sua confiança. Ter boa vontade até que reste comprovado que o destinatário das suas ações não é tão digno assim de recebê-las. Ter a intenção de ajudar, sem requisitar nada em troca (nem nas entrelinhas das segundas intenções). Dar de verdade, doado, porque sim. Sem dívida moral para acertar depois. Compartilhar prosperidade, sem contabilizar os créditos que sua boa ação pode te proporcionar. Fazer sem esperar retorno. Ensinar com a intenção de que aprendam. Aprender com a intenção de aprender mesmo.

Nem tudo vale dinheiro, nem tudo vale crédito, nem tudo vale nota na escala de valores de uma pessoa. Aliás, as coisas mais importantes da vida, nem coisas são. Frase repetida, mas cheia de razão.

Sabe quando alguém é honesto com você e chega a te comover? Quando você recebe um presente como demonstração de gratidão, sem interesse? Quando você é tão bem tratado que fica com vontade de levar aquele bem feitor da gentileza para casa? Quando as pessoas são tão solícitas que chegam a te constranger? Quando te oferecem colo e acalento e você não consegue nem aceitar? Quando te fazem tão bem que você chega a se emocionar? Quando as intenções das pessoas são genuinamente tão boas que chegamos a desconfiar? Então. Quando o lado bom da força transborda, por vezes fica até difícil conseguir lidar. Estranha realidade.

Por que dificultar a vida das pessoas à toa? Para quê criar obstáculos desnecessários? Por que se fazer temer para receber o respeito de alguém? Estamos na era da Luz. Nem todos os pingos dos “is” precisam estar milimetricamente em cima dos “is”. Cadê a flexibilidade? O jogo de cintura? O “borogodó”? Cadê a leveza? Le-ve-za.

Não estou me referindo aos jeitinhos, às trapaças, ao desejo de enganar as pessoas. Pelo contrário. Quero falar das pessoas que por pureza de espírito, por intenções positivas, fazem por amor, acreditam pela crença de que as pessoas podem ser verdadeiras, dão por dar, recebem por receber, e por aí vai. Essa lógica que deveria ser mais natural entre nós, humanos.

Pessoas não são números. Pais não estão sempre certos. Professores não sabem tudo. Desempregados não são malandros. Estrangeiros não vivem melhor. Relacionamentos não são sempre perfeitos. Trabalho não é martírio. Políticos não são todos corruptos. Todos os milionários não são felizes. Percebem?

Às vezes acho que estamos vivendo de exceções. Isso me inquieta. A pirâmide às vezes me parece invertida. A base, a massa, a maioria, deve ser composta pelo lado bom da força. Se me falam algo, acredito. Por que tenho que imaginar que a pessoa está mentindo? Se me tratam com gentileza, retribuo. Por que deveria imaginar que a intenção por trás dos gestos afáveis estão enrustindo uma intenção diversa? Se me pedem e eu posso fazer, eu faço. Por que deveria me recusar a ajudar alguém?

É tão comum escutarmos conselhos do tipo: “ não fique disponível”, “ a regra é não”, “não caia nessa conversa fiada”, “ não perca seu tempo ajudando”, “ faça o mínimo necessário”, “ não acredite nessas boas intenções”, “duvide até do espelho”, “não conte nada para ninguém”. Andamos tão armados. Tão fechados. Tão individualizados. Complexo. Talvez mais difícil fosse ser diferente disso.

Hoje em dia estamos sendo julgados, filmados, gravados, registrados. São tantos dedos apontados, tantas mentes fazendo juízo de valor sobre nossa postura. São tantas opiniões preconcebidas sendo extraídas exclusivamente das postagens das redes sociais, de uma fala isolada, de uma atitude excepcional em um dia ruim, de uma fofoca, de uma impressão negativa. Isso dificulta as relações mais naturais, mais reais, mais verdadeiras, com mais partilha e menos julgamento, com mais essência e menos forma. Será que o lado bom da força está enfraquecendo?

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Sorria, você está sendo filmado

sexta-feira, 08 de agosto de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Vivemos em uma era em que o olhar alheio se tornou tão comum quanto a própria respiração. Câmeras nos prédios, nos semáforos, nas lojas, nos aplicativos de entrega. Tudo registra tudo, e nós, muitas vezes, seguimos adiante como se nada estivesse acontecendo.

“Sorria, você está sendo filmado”, dizem os avisos em letras pequenas, discretas, quase imperceptíveis. Mas seria possível sorrir de verdade quando se sabe que cada gesto, cada passo, cada expressão pode estar sendo guardada, catalogada e analisada?   

Vivemos em uma era em que o olhar alheio se tornou tão comum quanto a própria respiração. Câmeras nos prédios, nos semáforos, nas lojas, nos aplicativos de entrega. Tudo registra tudo, e nós, muitas vezes, seguimos adiante como se nada estivesse acontecendo.

“Sorria, você está sendo filmado”, dizem os avisos em letras pequenas, discretas, quase imperceptíveis. Mas seria possível sorrir de verdade quando se sabe que cada gesto, cada passo, cada expressão pode estar sendo guardada, catalogada e analisada?   

O paradoxo é cruel: queremos segurança, queremos praticidade, mas pagamos um preço alto demais. Nossa privacidade, essa velha companheira que sempre foi nossa, está desaparecendo aos poucos, e quase nunca percebemos. Aceitamos contratos longos de termos de uso, damos permissão para aplicativos acessarem nossas vidas, e, no fim, pouco sabemos sobre quem realmente nos observa. É como se tivéssemos vendido a intimidade em parcelas invisíveis, sem juros, mas sem retorno algum.

Há algo profundamente desconfortável em perceber que o cotidiano — o simples caminhar, o tomar um café, o sorrir para alguém na rua — pode ser registrado sem que possamos escolher se queremos ou não. A câmera não julga, não discrimina, apenas captura. Mas o que ela faz com esses dados depois? Quem se beneficia? Quem lucra com cada gesto que achávamos ser só nosso?   A resposta é nebulosa, e talvez seja isso o mais perturbador: vivemos cercados de olhos que não têm rosto e mãos que não apertamos, mas que, ainda assim, influenciam nossa vida de maneiras que mal percebemos.

E, no entanto, há uma estranha aceitação. Alguns chegam a se habituar, a sorrir para as câmeras, a posar para o mundo que os observa constantemente. Criamos, sem perceber, uma persona que existe mais para os outros do que para nós mesmos. Um “eu” performático, que sabe que está sendo filmado, avaliado, julgado. A intimidade se transforma em espetáculo, e o cotidiano se torna cena de cinema, só que sem direito a cortes ou ensaios.

O problema não está apenas na tecnologia, mas na forma como nos adaptamos a ela. Aceitamos que a vigilância seja parte do preço de viver em sociedade. Mas seria impossível imaginar um espaço — ainda que pequeno — em que pudéssemos nos desligar dessa constante sensação de estar sendo vigiado? Talvez o ponto não seja apenas resistir à tecnologia, mas redescobrir a capacidade de existir sem câmeras, de ser apenas humano, com o direito de errar, de tropeçar, de estar presente sem precisar registrar nada.

No final, “sorria, você está sendo filmado” é mais do que um aviso: é um convite a refletir sobre até que ponto queremos abrir mão de nossa privacidade em nome da conveniência. Sorrir, sim, mas não para a lente fria que tudo grava; sorrir para nós mesmos, para a liberdade de existir sem olhares permanentes, mesmo que por breves instantes. Talvez seja nesses instantes que ainda reste algum espaço para sermos realmente livres.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

“O relógio só anda pra frente”

sexta-feira, 01 de agosto de 2025
por Jornal A Voz da Serra

        Muitos de nós têm dificuldades em assimilar a efemeridade da vida, a velocidade com que o tempo passa. Quando muito jovens, achávamos que seríamos, inclusive, eternos. A juventude tem esse frescor, nos ilude ao imaginarmos uma vida muito longa pela frente e sequer vislumbramos que o fim pode chegar. Vai chegar, aliás, um dia. Parece coisa que acontece com os outros, tão distante que não pode nos alcançar.

        Muitos de nós têm dificuldades em assimilar a efemeridade da vida, a velocidade com que o tempo passa. Quando muito jovens, achávamos que seríamos, inclusive, eternos. A juventude tem esse frescor, nos ilude ao imaginarmos uma vida muito longa pela frente e sequer vislumbramos que o fim pode chegar. Vai chegar, aliás, um dia. Parece coisa que acontece com os outros, tão distante que não pode nos alcançar.

        Mas a vida é isso aí, Vida. Ela sendo ela. Cheia de riscos. Poderosa, intensa, surpreendente. E ela tem essa força para mudar tudo da noite para o dia, relativizar convicções, romper com devaneios, desnudar a realidade, impor desafios, apresentar obstáculos algumas vezes intransponíveis. E aí é que começa a complicar. Há surpresas na vida que são implacáveis, arrebatadoras, nos tira o chão, nos coloca no cantinho do castigo olhando para as paredes de forma severa, sem hora para acabar. Não vai adiantar reclamar com os pais, os diretores não vão poder fazer nada.

        E o tempo que parece voar, realmente passa rápido demais. Creio que um dia todos chegaremos a essa conclusão. E não dá para parar o relógio, colocar pilha fraca, sumir com o marcador. Ele não vai parar de passar e esse minuto em que penso essas palavras, também jamais voltará. Já dizia meu saudoso avô João: “o relógio só anda pra frente”. E é isso mesmo. Temos que aproveitar.

        Chega uma hora, em que precisamos entender que existir significa também tomar as rédeas dessa existência, assumir de alguma maneira as responsabilidades, consentir, abraçar as possibilidades, desfrutar dos segundos, valorizar todos os instantes. Precisamos também estar cientes de que acatar a postura ativa diante da vida, significa também não esperar a “papinha na boca”, a mão na testa, alguém como escudo e as respostas prontas para tudo. É aprender sobre amor próprio. A entender-se no mundo, reconhecer seu valor e polir seus defeitos.

        Independente de convicções religiosas, das aspirações que temos sobre o lado de lá, na crença que podemos nutrir sobre a vida depois do “fim”, fato é que essa roupagem assumida por essa vida é única e preciosa e não deve ser desperdiçada. Creio realmente que não estamos aqui a passeio. Temos missões urgentes a cumprir. Precisamos ser úteis ao bem da humanidade. Carecemos de sabedoria para escolhermos as pessoas com quem desejamos caminhar. Um dia, de uma maneira ou de outra, receberemos todos, a conta da vida. Que tenhamos feito boas escolhas.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.