A primavera sempre chega como quem não tem pressa. Aos poucos, vai colorindo as ruas, abrindo as flores, despertando perfumes que estavam adormecidos no inverno. É uma estação que não exige anúncio, porque se revela sozinha, no detalhe de um ipê amarelo que se cobre de ouro ou no voo apressado de uma borboleta que já anuncia transformação.
Há algo de simbólico na primavera. Talvez seja a estação que mais conversa com a alma, porque nos lembra que nada permanece frio e cinzento para sempre. Depois de cada inverno — literal ou interior — há sempre um campo pronto para florescer. A...
