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Ou muda a escalação ou não passa da fase de grupos

Max Wolosker
Max Wolosker
Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.
Não poderia ser pior a estreia da seleção brasileira, no último sábado, 13, contra a temida seleção do Marrocos. O mau agouro começou ao saber-se que os marroquinos portavam uma camisa vermelha, com uma estrela no peito e o jogo estava marcado para o dia 13. Pior do que isso, só o pífio espetáculo apresentado por aquela seleção, que em outras épocas encantou o mundo.
Também, o que esperar de uma equipe que entra em campo com Ibañez, Casemiro, Igor Thiago, Lucas Paquetá, Raphinha e Vinicius Jr? E pensar que no banco de reservas tinham, Danilo (o do Flamengo), Danilo (o do Botafogo), Endrick e Luís Henrique; nada contra Vinícius, mas fora o gol de empate, não jogou nada, aliás na seleção ele não é nem sombra do que joga no Real Madrid. Outro que não foi visto em campo, foi Igor Thiago, que aliás nem deveria ter sido convocado, pois Pedro, artilheiro do Flamengo, é um milhão de vezes melhor do que ele. Não fosse o espírito de “panelinha” que sempre reinou nas convocações da seleção brasileira, muitos teriam ficado de fora da lista final.
O velho complexo de cachorro vira lata, lançado pelo escritor e jornalista Nélson Rodrigues, não nos abandona nunca; é semelhante a uma frase cunhada no passado que dizia “o que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil”. E é por isso que desde 1986 não conseguimos mais formar um grupo de jogadores de encher os olhos. Muitos dirão que aquela seleção não foi campeã, mas conseguiu a façanha de mostra o verdadeiro futebol brasileiro, aquele que unia arte com eficiência.
A partir de 1990 nossas seleções começaram a priorizar atletas que jogavam fora do Brasil, contratados a peso de ouro pelo futebol europeu. O problema é que eles se adaptaram a um novo estilo de jogo e, em função dos altos salários, passaram a poupar suas canelas quando a serviço da seleção canarinho. É claro, uma contusão séria pode afastá-los dos gramados por um tempo prolongado, o que os desvalorizaria em futuras renovações de contrato. Na realidade, não precisam de uma vitrine, como era a seleção brasileira em seus tempos áureos, para se valorizarem.
O mesmo se deu com a contratação de Carlo Ancellotti para técnico da equipe brasileira, um fato jamais acontecido na história. Já tivemos técnicos estrangeiros dirigindo nossas equipes, mas nunca nosso selecionado. Mesmo agora com esse enxame de técnicos portugueses e argentinos, o que vemos é uma implantação de um modo de jogar que nada tem a ver com o nosso, onde imperavam a malícia, a improvisação e um toque de irresponsabilidade, no bom sentido. Aliás, Ancellotti foi um técnico destacado nos clubes que dirigiu, mas jamais treinou uma seleção italiana ou de outro país. E, diga-se de passagem, ele não teve tempo suficiente para entender o espírito do futebol brasileiro. Seu filho, Ancelotinho, por ter treinado o Botafogo durante o campeonato brasileiro do ano passado, talvez tenha uma percepção melhor do futebol que se joga por aqui, hoje.
Engessar o jogador brasileiro num esquema rígido não funciona. Queria ver um técnico fazer isso com um Zizinho, Leônidas da Silva, Nílton Santos, Garrincha, Pelé, Tostão, Rivelino, Zico, Ronaldinho, Ronaldinho Gaúcho, Sócrates e muitos outros que vestiram e encantaram o mundo com a amarelinha da seleção brasileira.
Creio que Renato Gaúcho não deva ter sido chamado para ocupar o lugar de Ancellotti, por que tenho certeza que seu temperamento não se enquadraria em priorizar os “estrangeiros”, em detrimento dos que aqui jogam. Tenho certeza absoluta que entre Pedro e Igor Thiago, o segundo não ficaria nem entre os 40 selecionáveis. Mas, como é vice-artilheiro da premier league desse ano, com 22 gols, apesar de jogar no futebol belga, pouco expressivo entre os times do continente europeu, virou titular. Em 2024 Pedro marcou 29 gols, sendo o maior artilheiro da temporada, mas no Brasil. Em 2025, essa média caiu muito, em função de algumas lesões que o deixaram fora dos gramados, por um bom período. No entanto, em 14 jogos, em 2026, ele já carimbou as redes por oito vezes.
Nesta sexta-feira, 19, e sem vermelho na camisa, enfrentaremos o perigosíssimo Haiti, em sua segunda participação numa Copa (a primeira foi em 1974). Que Ancellotti tenha um ataque de loucura e substitua de uma vez Casemiro, Lucas Paquetá, Igor Thiago, Raphinha e por que não, Vinicius Jr?
Torcida fazendo a sua parte
Endrick, Éderson, os dois Danilos e Luís Henrique estão doidos para serem escalados e mudarem a cara da seleção canarinho e manterem a esperança de um povo, de seguir mais a frente nessa copa. Do jeito que está não chegaremos à fase eliminatória. É digno de nota dizer que há muito tempo não se vê uma torcida tão empolgada, a ponto de voltar a enfeitar ruas e praças, com bandeiras e fitas verde amarelo, além de muitos torcedores coma a famosa camisa amarelinha. Que o carcamano não jogue uma ducha de água fria na torcida brasileira.
Uma curiosidade, que mostra que nossas convocações são jogo de cartas marcadas, que existem interesses escusos por trás disso e só jornalistas não comprometidos com o sistema, têm coragem de falar, são capazes de publicar. Vejam a escalação do time que iniciou a Copa de 2022: Alisson, Danilo, Marquinhos, Thiago Silva e Alex Sandro; Casemiro e Lucas Paquetá; Raphinha, Neymar, Vini Jr e Richarlison. E a escalação do time que estreou sábado passado: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro; Casemiro, Bruno Guimarães e Paquetá; Matheus Cunha, Vini Jr. e Raphinha. Com exceção de Thiago Silva, Neymar, que está machucado, Gabriel Magalhães e Richarlison, o time é exatamente o mesmo.
Para que gastar tanto dinheiro com o salário de um técnico estrangeiro, se a escalação não mudou em nada, nem o sistema de jogo? Querem fazer acreditar que em quatro anos não surgiu nada melhor, no futebol brasileiro? Com a palavra, a CBF.

Max Wolosker
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