Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana
Reciprocidade
Robério Canto
Escrevivendo
No estilo “caminhando contra o vento”, o professor Robério Canto vai “vivendo e Escrevivendo” causos cotidianos, com uma generosa pitada de bom humor. Imortal desde criancinha, leitor por paixão e vício, justifica sua dedicação à escrita com uma frase de Carlos Nejar: "Escrevo porque é uma forma de estar vivo, é uma forma de pensar a vida e também uma forma de consciência do universo."
O Brasil recebeu muitos portugueses e, pelo que sei, só os matamos com piadas
Essa é boa! Um cidadão lusitano fez um vídeo prometendo 500 euros ─ quase R$3.200,00 ─ por “cabeça de brasileiro, vivo ou morto”. Não sei se a caçada já começou, ou se o governo português vai regulamentar a matança, para que não fique parecendo a perseguição aos zumbis, como a gente vê em filme americano. Por falar em cinema, não deixa de ser divertido comparar títulos de filmes no Brasil e em Portugal. Por exemplo: “Gente grande” vira “Miúdos e graúdos”, “Onde os fracos não têm vez” se chama, nos cinemas lusos, “Esse país não é para velhos”, “Arquivo X” lá é conhecido como “Ficheiro Secreto”, e “Operação Cupido”, passa a ser “Pai para ti, Mãe para Mim”. Também li que “Cantando na chuva” se transforma em “A cantar sob o aguaceiro”, mas talvez seja apenas piada de português, ou melhor, piada de brasileiro sobre português. E por certo eles também riem dos títulos que nós usamos. Enfim, cada povo fala do jeito que bem quiser e ninguém tem nada com isso.
Talvez a ideia de matar brasileiros não seja de todo má, pelo menos do ponto de vista da Europa, onde um imigrante incomoda muita gente, dois imigrantes incomodam muito mais e milhões de imigrantes são uma ofensa à paisagem. Vá lá que eles limpem banheiros e lavem carros, o problema é que também querem andar nas ruas, ir aos shoppings, comprar comida, ou seja, viver como se pertencessem ao Primeiro Mundo. No futebol, até se pode tolerar, porque, temos que admitir, até que jogam direitinho. Mas namorarem nossas cachopas, essa não!
O problema que eu vejo na ideia do tal cidadão é que o Brasil pode aplicar a lei da reciprocidade. Agora que o presidente Trump botou a pesada mão americana sobre vários países, principalmente sobre o nosso, ficamos moralmente obrigados a retribuir na mesma moeda. Então, para cada brasileiro morto em Portugal, matamos um português aqui, ou mesmo lá, uma vez que temos um verdadeiro exército na terra de Camões, beirando a 600 mil soldados e soldadas. Contudo, visto que a América e a Europa nos consideram subpovo, podemos concordar com dois ou três brasileiros para cada estrangeiro morto. Outra questão é que, mesmo se aceitarmos a regra de 3 por 1, Portugal vai sair perdendo. Veja bem, o Brasil está na casa dos 220 milhões; Portugal anda aí pelos 11 milhões. O resultado é que, quando os nossos irmãos d´além-mar estiverem extintos, ainda sobrará brasileiro para ocupar vinte e tantos Portugais.
Quem sabe devíamos fazer um abaixo-assinado on-line e enviar para o exterminador de brasileiros, sugerindo que ele repense o seu plano assassino. O dinheiro destinado a liquidar os brasucas, como ele os chama, poderia ser aplicado em favor da paz. O Brasil recebeu muitos portugueses e, pelo que sei, só os matamos com piadas, e mesmo essas vão sumindo, pressionadas pelo politicamente correto. A paz é uma flor tão frágil, tão frágil é a vida que nem por piada devemos colocá-las em risco.
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Microconto: CONSTRANGIMENTO
Dora dizia: Se Ana vier, não deixe entrar, diga que não estou. Até que Ana foi e entrou. E Dora não sabia que o papagaio tinha decorado aquela frase.
Robério Canto
Escrevivendo
No estilo “caminhando contra o vento”, o professor Robério Canto vai “vivendo e Escrevivendo” causos cotidianos, com uma generosa pitada de bom humor. Imortal desde criancinha, leitor por paixão e vício, justifica sua dedicação à escrita com uma frase de Carlos Nejar: "Escrevo porque é uma forma de estar vivo, é uma forma de pensar a vida e também uma forma de consciência do universo."
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