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Nossas raízes

quarta-feira, 08 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Às vezes, ficamos dentro de bolhas no percurso da existência que esquecemos de nós mesmos, das nossas raízes. Cheiros, comidas, músicas, falas, lugares, pessoas que nos trazem uma memória afetiva única. Mexe com o que gostávamos, com quem éramos, de como vivíamos e sentíamos o mundo.

Isso me faz lembrar de alguns dias atrás quando viajei para uma cidade no interior do Estado do Rio de Janeiro. Um lugar com uma população um pouco maior que 20 mil habitantes, que deixou acesa uma parte da minha infância.

Às vezes, ficamos dentro de bolhas no percurso da existência que esquecemos de nós mesmos, das nossas raízes. Cheiros, comidas, músicas, falas, lugares, pessoas que nos trazem uma memória afetiva única. Mexe com o que gostávamos, com quem éramos, de como vivíamos e sentíamos o mundo.

Isso me faz lembrar de alguns dias atrás quando viajei para uma cidade no interior do Estado do Rio de Janeiro. Um lugar com uma população um pouco maior que 20 mil habitantes, que deixou acesa uma parte da minha infância.

Os sentidos foram inundados com as lembranças do cheiro da rua de terra batida, dos pastos de gado, da primeira vez que andei de bicicleta "grande", das subidas nos pés de manga e jambo vermelho, de carregar varas de bambu andando por cima de muros para pegar frutas na árvore, da fita cassete gravada nos lados A e B com a música do grupo Nenhum de Nós “Camila, Camila”, cantada pela banda Biquini. Das idas às piscinas nos dois clubes que existiam, dos banhos na cachoeira, de nomes de crianças que nunca mais tive notícias, mas que brincavam comigo quando eu passava minhas férias escolares por lá.

Essa ligação genuína que balança a memória e invade todas as formas de sentir desperta inúmeros sentimentos, assim como quando vou à minha terra natal, nossa Nova Friburgo. Esses encontros e reencontros, entre passado e presente, resgatam sonhos que foram desejados enquanto criança e transformados na vida adulta. 

Na infância, nossa visão é pura, inocente, sem maturidade para entender diversas questões, diferente daquilo que encontramos no passar do tempo. Resgatar esses momentos nos ajuda a avaliar e refletir sobre aquilo que estamos realizando, vivendo, acreditando, esperando.

Traz valor à nossa história e às experiências que nos moldaram nos ajudando à refletir sobre as nossas raízes, entendendo a nossa essência, reconhecendo o que passou e nos fortalecendo para o presente e o futuro que ainda está por vir.

Com as nossas raízes fortalecidas, como as raízes profundas e robustas de uma árvore, nossa identidade se revigora e reafirmamos quem nós somos. Esse processo é necessário para reafirmarmos toda a construção que faz parte da nossa vida, mesmo que, em alguns momentos, lembrar do nosso eu profundo possa ser doloroso, trazendo desconforto de um passado que não quer ser visitado.

Siga em frente e reconheça a sua profundidade, a sua origem!


Até a próxima quarta!

……..

Contato

Site: www.camillafiorito.com.br

Instagram: @camilla.fioritoeduc

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

História à mostra

quarta-feira, 08 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Exposição exalta os 41 anos da Associação Friburguense de Futebol de Mesa

Exposição exalta os 41 anos da Associação Friburguense de Futebol de Mesa

Uma história que merece ser contada, exaltada e colocada à mostra. Através de uma ação conjunta entre a Prefeitura de Nova Friburgo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Usina Cultural Energisa e a Associação Friburguense de Futebol de Mesa (AFFM), uma exposição comemorativa dos 41 anos da entidade é atração em Nova Friburgo. O evento pode ser visitado até o próximo sábado, 11, das 13h às 20h, na Usina Cultural Energisa, situada na Praça Getúlio Vargas, 55, esquina com a Rua Dante Laginestra, no Centro.

A entrada é gratuita, e jovens e adultos visitantes ganharão um time de botão. Também é possível praticar e já jogar com o presente. Diretores e integrantes da AFFM estão à disposição das pessoas interessadas para prestar todas as informações sobre essa modalidade.

A AFFM foi fundada em 19 de agosto de 1984 e federada desde 2022. O grupo surgiu através de apaixonados pelo esporte, a exemplo de Fernando Caruso, Aladir Romão, Gustavo Valadares, Antônio Paulo Batista e Jairo Leão. Ainda no início, os jogos tinham lugar na casa de Antônio, na Rua Nossa Senhora de Fátima. Pouco tempo depois, Gustavo Valladares negociou com o sogro um espaço na Rua Sete de Setembro, onde a associação permaneceu por uma década. Na época da crise de energia no país, foi pedida a entrega do espaço. A partir dali as mesas foram espalhadas por vários lugares.

A perda da antiga sede trouxe consequências, e muitas foram positivas para a divulgação e disseminação da modalidade por todo o município. As mesas espalhadas pelos mais diversos cantos de Nova Friburgo — desde o barracão do bloco carnavalesco Bola Branca, Sesi, Sesc, até espaço a céu aberto na Avenida Júlio Antônio Thurler, em Olaria — atraíam fãs. Uma espécie de corrente foi formada e a "novidade” se espalhou pelos mais variados cantos de Nova Friburgo.

A visita do ex-jogador e atual presidente do Vasco da Gama, Roberto Dinamite, ao espaço montado em uma loja de shopping ajudou a alavancar a divulgação do esporte. Contudo, a história da Associação Friburguense de Futebol de Mesa pode ser dividida em antes e depois da gestão de Fernando Cruz.

O advogado vendeu dois carros, uma sala comercial e contraiu uma dívida considerável para ser quitada em cinco anos. Foi desta forma que ele conseguiu comprar a cobertura de um prédio situado na Rua Prefeito Eugênio Müller, 222, no Centro.

A sala foi completamente adaptada e hoje reúne, além das seis mesas montadas para os jogos, boa parte da história construída durante essas mais de quatro décadas. A partir de uma brincadeira sobre futebol, Fernando Cruz e o empresário Rogério Faria desenvolveram uma amizade que culminou em parceria com a Stam Metalúrgica, firmada em 2008. Este foi o combustível para possibilitar as viagens e o consequente sucesso da AFFM nas competições estaduais. Paralelo ao acordo, os atletas receberam o apoio do Friburguense Atlético Clube.

Nesses 41 anos, seus botonistas já se destacaram em várias competições, inclusive representando o Friburguense A. C. há 20 anos, como o Campeonato Estadual, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, além de seus atletas terem obtido título de campeões pela Seleção Brasileira em torneios sul-americanos e mundiais, disputados na Argentina, Portugal e Hungria.

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    Sede movimentada em dia de atividades: AFFM evolui, mantém trabalho e expande horizontes (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

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    Títulos das Séries Ouro e Prata, em etapa do Estadual, são algumas das conquistas recentes (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

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    Entusiasta, Fernando Cruz é um dos maiores pilares do futebol de mesa em Nova Friburgo (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

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Seu Silva

quarta-feira, 08 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Sujos como soldados que saem da trincheira após terem sobrevivido a duras batalhas

Sujos como soldados que saem da trincheira após terem sobrevivido a duras batalhas

Lembro-me dele quando vejo os atuais técnicos de futebol esbravejando à beira do gramado. Seu Silva não era de esbravejar ou ameaçar. Orientando sua equipe, parecia um macaco sentado num formigueiro: pulava, socava o ar, coçava a cabeça. Mas não gritava e muito menos xingava quem quer que fosse. Após o apito final, imitava um treinador então famoso: “Venceu o melhor”. Qualquer que fosse o resultado, dizia que tínhamos jogado bem e distribuía balas ou laranjas descascadas. Era o nosso prêmio, dando goleada ou levando olé. O nariz de seu Silva, achatado e vermelho, parecia ter levado um soco há poucos minutos. Tinha o queixo pequeno, o lábio inferior caído e a cabeça enterrada no ombro, sem a intermediação do pescoço.

Nós éramos uns moleques desocupados como gatos sem dono e, afora três horas diárias na escola, passávamos o tempo nos terrenos lamacentos de que na época o bairro era farto. Esses, sim, eram verdadeiros mar de lama. As mães se desesperavam, mas como nos manter dentro de casa e ainda esfregar o chão, lavar a roupa, cuidar do bebê, cozinhar? Coitadinhas das mães, que tanto se preocupavam com os filhos, enquanto eles tinham como única preocupação correr atrás da bola. Quando voltavam para casa, estavam sujos como soldados que saem da trincheira após terem sobrevivido a duras batalhas.

 De modo que as mães puseram as mãos para o céu quando seu Silva, feio, mas confiável, se dispôs a formar um time, treinar e comandar a garotada. Depois de muitas discussões, com alguma sugestões descabidas como “Arranca Toco”, o time foi batizado de “Real Madride”, um time famoso, cujas façanhas nosso técnico lia para nós. Nossas cores eram o preto e o vermelho, embora não tivéssemos uniforme nem bandeira. Mas não havia dúvida: éramos os rubro-negros do bairro, com muito orgulho.

Como no futebol e na vida nem tudo são vitórias, passamos por uma derrota que fez aquele domingo ficar mais triste do que cemitério em noite de chuva. Jogamos bem, ganhamos de dois a zero. Zeca, nosso goleiro, filho de João Tintureiro (na época preso por agredir o patrão), pois o Zeca pegou um pênalti e ainda encarou o juiz que ameaçou anular nosso segundo gol. Manhã gloriosa, que seria seguida por uma notícia tão triste que pôs fim às justas comemorações, que, sem isso, teriam durado uma semana.

Ficamos do lado de fora da casa, ouvindo os choros e as rezas. Criança não podia participar de velório nem de enterro. Mas sabíamos que seu Silva estava deitado sobre a mesa da sala, finalmente quieto. Aos poucos, fomos ouvindo as conversas dos adultos. Ele tinha almoçado bem, tomado sua cachacinha diária e ido dormir, contente com a atuação de seus atletas (que ele chamava de pupilos). Não acordou. Diz a lenda que suas últimas palavras foram: Digam aos meninos que eles jogaram bem.

Com seu Silva aprendemos que a vida é frágil; a beleza, enganadora e a bondade, rara.

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Microconto: FIM

Depressivo, sentia-se sempre à beira de um abismo fatal – até o dia em que deu um passo à frente.

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Amargo

terça-feira, 07 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Frizão leva gol no fim, perde para o Bonsucesso e cai para a lanterna na Série B1

Frizão leva gol no fim, perde para o Bonsucesso e cai para a lanterna na Série B1

Um panorama semelhante ao que foi visto nas outras derrotas nesta Série B1. Um Friburguense até superior ao adversário, criando as melhores oportunidades, mas impreciso na hora de decidir. Num cenário de equilíbrio entre as equipes, qualquer detalhe pode fazer diferença, e foi num descuido defensivo do Frizão que o Bonsucesso, aos 39 minutos do segundo tempo, encontrou o gol da vitória por 1 a 0, em cobrança de penalidade. Decepção para o razoável público presente ao Eduardo Guinle, na tarde do último sábado (4).

Com apenas um gol marcado na competição — o de Léo Reis, cobrando pênalti, na vitória contra o Serrano — e quatro sofridos, o Friburguense precisa encontrar o equilíbrio para sair da amarga e incômoda última colocação. Na próxima rodada, sábado, 11, o Frizão viaja para encarar o Campo Grande, às 15h, na Rua Bariri.

 

O jogo

Diante do líder e invicto até então, o Friburguense tentou ter o controle de posse da bola e partir para uma pressão inicial. Ciente do que encontraria em Nova Friburgo, o Bonsucesso, com um time experiente, tentou tirar a velocidade do jogo e valorizar cada queda ou paralisação. Uma delas, de fato, foi grave e forçou o time visitante a fazer uma primeira alteração com apenas cinco minutos de partida.

Circulando a bola, mas abusando da ligação direta, o Frizão quase foi surpreendido em rápido contra-ataque aos 13 minutos, quando a bola passou rente ao ângulo de João Carlos. Sem Igor, suspenso, Ryan foi deslocado para a lateral direita, e faltava alguém, no meio-campo, para fazer o que de melhor ele faz: a ligação entre defesa e ataque. Em meio a essa dificuldade e falta de iniciativa, Israel foi quem tentou um chute de fora da área, aos 31, defendido no centro da meta. Com um Bonsucesso impreciso na hora de definir os contra golpes, o primeiro tempo teve pouca emoção e nenhum gol.

Sem Léo Reis e com Kaíque, o Friburguense voltou sem uma referência no ataque. Com a mudança, o Frizão adotou um esquema com três zagueiros, sendo Johnny recuado para a função defensiva. Com o meio mais preenchido e laterais soltos no ataque, o Tricolor da Serra cresceu. Kaíque entrou bem, deu um gás pelo lado esquerdo e foi quase sempre a melhor opção ofensiva, buscando o drible e a linha de fundo.

Com a entrada de João Victor, minutos mais tarde, o Friburguense voltou a ter um homem de referência na frente. E foi na briga do centroavante, após cobrança de lateral, que a bola sobrou para Barrozo bater e obrigar o goleiro a fazer grande defesa. Na cobrança do escanteio, foi Rian quem escorou para o xará, Ryan, na pequena área, desperdiçar a chance mais clara da partida até então.

Jogando por uma bola, o Bonsucesso, numa das poucas escapadas no segundo tempo, conseguiu um pênalti aos 39 minutos, após bate-rebate na grande área. Walney deslocou o goleiro e definiu o marcador no Eduardo Guinle.

O Friburguense foi escalado por Gedeil com João Carlos, Ryan Silva, Rian Silva, Ronaldo e Johnny; Rian Alvez, João Pedro, Barrozo e Nathan; Israel e Léo Reis.

 

Sequência do Friburguense

Friburguense 0x1 Carapebus, Eduardo Guinle

Petrópolis 1x0 Friburguense, De Los Lários

Friburguense 1x0 Serrano, Eduardo Guinle

Artsul 1x0 Friburguense, Nivaldo Pereira

Friburguense 0x1 Bonsucesso, Eduardo Guinle

11/Out, Sáb, 15h - Campo Grande x Friburguense, Rua Bariri

18/Out, Sáb, 15h - Friburguense x Duque de Caxias, Eduardo Guinle

25/Out, Sáb, 15h - São Cristóvão x Friburguense, Ronaldo Nazário

29/Out, Qua, 15h - Paduano x Friburguense, Waldo Carneiro

01/Nov, Sáb, 15h - Friburguense x Niteroiense, Eduardo Guinle

08/Nov, Sáb, 15h - Nova Cidade x Friburguense, Joaquim A. Flores

 

Classificação da Série B1

1º- Bonsucesso, 11 pts

2º- Petrópolis, 9 pts

3º- Paduano, 7 pts

4º- Serrano, 7 pts

5º- Artsul, 7 pts

6º- Carapebus, 7 pts

7º- Duque de Caxias, 7 pts

8º- Niteroiense, 7 pts

9º- Campo Grande, 7 pts

10º- São Cristóvão, 5 pts

11º- Nova Cidade, 5 pts

12º- Friburguense, 3 pts

  • Foto da galeria

    Friburguense cria oportunidades, não marca e acaba castigado no fim da partida (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

  • Foto da galeria

    Com resultado negativo, Frizão amarga a lanterna da Série B1 Estadual (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

  • Foto da galeria

    Um gol marcado e quatro sofridos: encontrar equilíbrio entre defesa e ataque é desafio para Gedeil (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

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Trocadilhos do WhatsApp

terça-feira, 07 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Hoje resolvi escrever uma coluna bem-humorada para mudar o rumo da prosa. Trocando mensagens com minha professora de poesia, Fabiana Corrêa, sem querer mostrar meus parcos dotes poéticos, disse: “somente na próxima vida teria condições de ser poeta”. Mas o cursor, gaiato que ele só, escreveu porta! Até entendi o recado. Nesta vida não passo mesmo de uma porta me arriscando a ser poeta. Não é que, para minha surpresa, ao escrever, querendo me corrigir, escrevi que de porta à poeta é uma boa evolução. Aí, o meu travesso cursor escreveu de porta a porta.

Hoje resolvi escrever uma coluna bem-humorada para mudar o rumo da prosa. Trocando mensagens com minha professora de poesia, Fabiana Corrêa, sem querer mostrar meus parcos dotes poéticos, disse: “somente na próxima vida teria condições de ser poeta”. Mas o cursor, gaiato que ele só, escreveu porta! Até entendi o recado. Nesta vida não passo mesmo de uma porta me arriscando a ser poeta. Não é que, para minha surpresa, ao escrever, querendo me corrigir, escrevi que de porta à poeta é uma boa evolução. Aí, o meu travesso cursor escreveu de porta a porta.

Ah, danado, com certeza, ele não quer que eu evolua! Quer que eu continue sendo rígida com as palavras que nem tora de madeira. Mas, aí, instantes depois do espanto, entendi que ele estava me dando uma inspiração.

Minha professora, com gentileza, logo me respondeu: “o humor salva!” Pura verdade. Salva e como nos resgata de situações complicadas, como essa. Rindo, constatei que o cursor estava certíssimo! Ainda na poesia sou uma bela porta de compensado. Se bem que na prosa, posso ser uma madeira um pouco melhor. E engatilhei uma frase numa mensagem para mim, somente para testar: “vou escrever uma prosa”. Mas ele voltou à seriedade de sempre. Pelo menos, cheguei a uma conclusão razoável: ele já me conhece como prosadora. Também, não é para menos. Volta e meia, passo meus textos para os meus amigos, via WhatsApp. Possivelmente, ele já tenha adquirido o hábito de ler meus textos anexados. Trata-se de um enxerido!

Mas estou ainda chegando a uma outra conclusão um pouco arriscada. O meu cursor é um literato que sabe avaliar se seus usuários são, de fato, poetas ou prosadores. Além do mais, gosta de fazer trocadilhos!

Na minha opinião, os poetas já nascem com as sementes da poesia, ou melhor, são gestados em momentos sublimes, em que a poesia paira sobre o ato de amor. Talvez até o cursor reconheça pelo toque os usuários que são enrijecidos como uma porta. O poeta borboleteia sobre as palavras. Mas a porta bate com força em cima das ideias e espalha as palavras, chão afora, todas desarrumadas. Coitadas!

Então, ao ler o que escrevo, começo a ter a certeza, de que o cursor queria me desafiar a escrever num breve, brevíssimo tempo, uma crônica, tal qual fazia a minha professora de escrita, Virgínia Cavalcanti, que, infelizmente, não está mais entre nós. Ela, com seriedade estampada no rosto, colocava um marcador de tempo sobre a mesa e ordenava: “quero que vocês escrevam um conto com começo, meio e fim em cinco minutos, e quando o pêndulo parar, todos devem colocar a caneta em cima do papel”. E, assim, fui aprendendo a escrever, sem parar entre uma palavra e outra e, depois de muitas tentativas, conseguia. Eu me orgulhava e mostrava às minhas colegas, que faziam o mesmo. Era um processo de aprendizagem divertido e estimulante. O mesmo acontecia com meu professor de escrita de humor, Márcio Paschoal, que solicitava que escrevêssemos, mas sem tempo limitado um conto engraçado. E a gente lia, ria e aprendia a escrever com sutileza, graça e leveza. O aprender literário nos presenteia com tulipas.

Sim, voltando ao assunto inusitado, esse cursor adora brincar com palavras da gente, deixando todo mundo em situação delicada. Quem já não passou por isso?

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Casa comum: fraternidade, justiça

terça-feira, 07 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O arcebispo de Porto Alegre-RS e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, abriu, na última quinta-feira, 2, as atividades na conferência Espalhando Esperança, realizada em Castel Gandolfo, por ocasião dos dez anos da encíclica Laudato Si. Como presidente do Conselho Episcopal Latino Americano e Caribenho (Celam), Dom Jaime falou sobre a profecia do Sul Global no tema do cuidado com o planeta como um chamado à esperança a partir da Laudato Si em tempos de colapso.

O arcebispo de Porto Alegre-RS e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, abriu, na última quinta-feira, 2, as atividades na conferência Espalhando Esperança, realizada em Castel Gandolfo, por ocasião dos dez anos da encíclica Laudato Si. Como presidente do Conselho Episcopal Latino Americano e Caribenho (Celam), Dom Jaime falou sobre a profecia do Sul Global no tema do cuidado com o planeta como um chamado à esperança a partir da Laudato Si em tempos de colapso.

Dom Jaime iniciou afirmando que ali erguia a voz dos povos latino-americanos e caribenhos, dos mártires da terra, de comunidades ribeirinhas, indígenas, afrodescendentes, camponesas e urbanas “que cuidam da vida com ternura, mesmo em contextos de grandes ameaças”. Segundo ele, “são elas que caminham cantando, porque suas lutas e preocupação por este planeta não lhes tiram a alegria da esperança”.

Ele citou a conjuntura de policrises, o aquecimento global, a falta de diálogo internacional e de consensos multilaterais e o grito de justiça que vem das periferias. “A crise climática não é apenas técnica, mas existencial, de justiça e dignidade, que chama a Igreja e todas as pessoas de boa vontade ao cuidado da vida e das relações. Como cristãos, cremos que “evangelizar é tornar presente no mundo o Reino de Deus” (EG 176). O compromisso de cuidar da Casa Comum é inseparável da fraternidade e da justiça; por isso, as soluções devem unir justiça, ecologia, direitos da natureza e dignidade humana”.

Para Dom Jaime, “as instituições globais e as negociações multilaterais estão muito aquém do necessário; daí a urgência de reconstruir a confiança na cooperação e no diálogo”. Recordando os dez anos da encíclica Laudato Si, o presidente da CNBB salientou o ensino do Papa Francisco por ouvir o duplo grito da Terra e dos pobres. “Mas esta profecia não foi escutada com a urgência necessária”, lamentou.

 

Amazônia

Nesse sentido, a Amazônia é um banco de prova para a humanidade e para a missão da Igreja, parafraseou Dom Jaime. A realização da COP30 no Brasil, na Amazônia, “representa um chamado histórico para que a Igreja reafirme sua posição profética. É imperativo defender a Amazônia e os demais biomas vitais, combater o desmatamento e os incêndios, e reforçar o objetivo de ‘desmatamento zero’ até 2030.

 

Rumo à COP30

Dom Jaime recordou o caminho feito pela Igreja até a Conferência do Clima como oportunidade de educação popular, mobilização e visibilização de propostas, reivindicações e modos de vida dos povos.

Deu destaque ao trabalho de formação e estudos, além da incidência política através das Conferências e Conselhos Episcopais da África, América Latina e Caribe e Ásia, que lançaram uma mensagem conjunta para a COP30 destacando a necessidade da justiça climática para a paz, e a conversão ecológica para o futuro.

Ainda sobre a COP30, Dom Jaime reforça a necessidade de seguir apostando no multilateralismo. “A Igreja se compromete a fortalecer a resistência e a resiliência das comunidades e impulsionar uma coalizão histórica entre atores do Norte e do Sul Global. É crucial estabelecer mecanismos de governança climática com participação ativa e vinculante das comunidades.

 

Povos originários

Ao final de sua fala, Dom Jaime destacou a força dos povos originários e a aliança da Igreja com eles, “verdadeiros guardiões dos territórios”. “Assumimos uma aliança com os povos originários, o povo do campo, das águas e das cidades, em defesa da vida, da terra e das culturas. Precisamos aprender a sabedoria ancestral do bem viver, que inspira a proposta da Laudato Si para uma sobriedade feliz, horizonte de uma nova sociedade livre de acumulação e preconceitos. Esses povos, enraizados em seus territórios, nos chamam a resistir ao consumismo e a reduzir o supérfluo, convidando-nos a uma autêntica fraternidade. Coloquemos o cuidado da vida no centro: é possível substituir a lógica extrativista por uma economia do bem e do cuidado da Casa Comum”.

Fonte: CNBB

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A VOZ DA SERRA é um livro de conhecimentos que se abre diariamente

terça-feira, 07 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Outubro começa muito bem, festejando em seu primeiro dia, o Dia do Idoso. Outras datas virão e bem próximo, o Dia da Criança. Dois extremos da vida que merecem destaque no calendário vigente. Se uma fase começa com fraldas e talquinhos, a outra pode precisar das duas também. E o tema do Caderno Z veio dar ênfase aos idosos buscando ressaltar pontos que podem tornar a terceira idade na idade certa para “aproveitar” a vida.

Outubro começa muito bem, festejando em seu primeiro dia, o Dia do Idoso. Outras datas virão e bem próximo, o Dia da Criança. Dois extremos da vida que merecem destaque no calendário vigente. Se uma fase começa com fraldas e talquinhos, a outra pode precisar das duas também. E o tema do Caderno Z veio dar ênfase aos idosos buscando ressaltar pontos que podem tornar a terceira idade na idade certa para “aproveitar” a vida.

Para Tanto, “o segredo da longevidade está na força e na memória”. Na pesquisa realizada pela empresa Vhita, para 85% dos entrevistados as demandas mais importantes são o autocuidado, incluindo “receios, expectativas e boas práticas”. Há preocupações em “não perder o foco, memória ou clareza mental seja em decorrência de doenças ou limitações naturais da idade”. O que se espera “é ser capaz de cuidar de si”.

“Velho, mas não morto”, como destacou Hendrik Groen que se inspirou no cotidiano de um asilo, com as rabugices dos velhos, para escrever o livro “Tentativas de Fazer Algo da Vida”. Não que o livro não trate das mazelas do envelhecimento, mas é uma visão “mordaz, bem-humorada, sensível”. Uma excelente leitura até para quem pensa que não vai envelhecer.

Mas e a sexualidade? Como é que ficam as novas formas de relacionamento? Sabemos que há uma “visão limitada em relação à sexualidade e à velhice”, se “essa fase da vida se apresenta como um período de assexualidade e de renúncias...”. No entanto, “o amor é uma fonte de vínculos entre humanos e, na velhice, gostar e amar alguém faz toda a diferença”. “Deixa acontecer naturalmente”... 

Deixando o Caderno Z com um café na ponta da língua, até porque 1º de outubro também é o Dia Internacional do Café, vamos procurar entender o que se passa no outro lado das margens do caminho da velhice, pois “casos de ansiedade entre adolescentes já superam índices de adultos no Brasil”. E me lembrei de uma canção: “O que será que será que dá dentro da gente e não devia...”. Assim como a velhice, a “adolescência é marcada por intensas transformações físicas, emocionais e sociais”. Cabe um “olhar com atenção e sem julgamento. Quanto antes identificar o problema, mas fácil “as chances de recuperação e qualidade de vida” para os jovens.

Em que pé anda a situação do sono dos brasileiros? Ana Borges elucidou o assunto. “Se uma pessoa não muda o foco e costuma ir para a cama com a cabeça nas pendências do dia seguinte” é certo que o sono vai ser prejudicado. Quando isso se torna uma constante, o cuidado médico é muito importante. Consumo de café, jogos e atividades excitantes, excesso de telas, alimentação pesada são alguns hábitos que precisam de disciplina. É preciso se preparar para dormir. Desacelerar. “Escurecer os ambientes deixando luz indireta e trocar as telas por um livro, duas horas antes de adormecer”, são procedimentos que podem ajudar. Papai, quando eu era criança, dizia: “vamos contar carneirinhos para dormir”. Confesso que eu não passava de dez.

Em ”Sociais”, dou de cara comigo! Olha eu sendo homenageada pela gentileza dos meus queridos e queridas de A VOZ DA SERRA. Fiquei mesmo surpresa e emocionada. Meu dia 7 de outubro ficou, além de muito mais visível, compartilhado com tanta gente amiga que as energias cósmicas se derramam, revigorando os meus sonhos. É o meu momento também de agradecer o prestígio de assinar uma coluna no Jornal.

Bom saber sobre o Programa Riograndina Resiliente com “garantias de soluções que reflitam as reais necessidades do distrito”. Outra notícia memorável é a abertura das portas do Sanatório Naval de Nova Friburgo à sociedade. Esse grande feito é uma parceria entre a Acianf e o Abrigo do Marinheiro. Esse “abrir portas”, gradual, acima de tudo, abre janelas para que nos seja possível apreciar o encantamento que permeia o Sanatório, sua natureza e todo o simbolismo que perpassa a sua mais do que centenária história no coração de Nova Friburgo. É realmente um marco triunfal. Uma esperança há muito cultivada em terras friburguenses, que agora começa a florescer para a nossa colheita. 

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Acidente mata comerciante friburguense

sábado, 04 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Edição de 4 e 5 de outubro de 1975

CTB denuncia à polícia a depredação de orelhões 

Fatalidade - O comerciante Manoel Hilário Freiman, 42, proprietário do Bar Coqueiro, no bairro Catarcione, morreu por volta das 18h deste 3 de outubro de 1975 quando deixava Bom Jardim com destino a Friburgo dirigindo uma kombi. Ele chocou-se com uma carreta. 

Edição de 4 e 5 de outubro de 1975

CTB denuncia à polícia a depredação de orelhões 

Fatalidade - O comerciante Manoel Hilário Freiman, 42, proprietário do Bar Coqueiro, no bairro Catarcione, morreu por volta das 18h deste 3 de outubro de 1975 quando deixava Bom Jardim com destino a Friburgo dirigindo uma kombi. Ele chocou-se com uma carreta. 

Caso Guido Daflon - Ainda o Julgamento – Necessárias, ainda, algumas considerações em torno do julgamento do caso Guido Daflon (servidor assassinado a tiros, em 1973, na Câmara Municipal de Friburgo). Eis que a história de uma cidade, exige registros, seja dos fatos comuns vividos por uma comunidade e, muito especialmente, os fatos incomuns inusitados, como deve ser catalogado o Caso Daflon. O povo de Friburgo, de uma maneira geral, surpreende -se com as penas impostas aos jovens Paulo Cezar Vassalo de Azevedo e o pacato comerciante Gilberto de Azevedo. Surpresa justificada, após uma pena mínima de um terceiro acusado Rodolpho Azevedo.

Feliciano Costa: “Só me interessa o povo e seus problemas –” Após um brilhante trabalho como deputado-constituinte para a formação legal do novo Estado do Rio, quando atuou e fez valer sua opinião para a elaboração da Constituição do Novo Estado. Na última semana, o deputado determinou que um grupo formado por amigos e assessores, fizesse uma grande pesquisa dos problemas que mais angustiam a maioria do povo, pesquisa que vem sendo feita em todas as camadas sociais.

Orelhões depredados - A CTB (Companhia Telefônica Brasileira) registrou queixa na Polícia de Friburgo sobre a ação de marginais que continuam depredando orelhões pela cidade. Desta vez, os atos criminosos aconteceram nos telefones públicos instalados na Rua General Osório, altura do número 177, e na Praça Getúlio Vargas, em frente ao número 122. 

Hospitais se reúnem – Para debater problemas ligados à assistência hospitalar se reunirão em Friburgo membros do Conselho Diretor da Associação e Hospitais do Estado do Rio de Janeiro. A reunião contará com a presença de altas autoridades ligadas ao setor médico-hospitalar do Estado, inclusive o superintendente e o sub-secretário de Assistência Médica, bem como agentes e os coordenadores da Assistência Médica da área serrana.

Show de Maria Alcina em Friburgo - Numa promoção de Crepúsculo Discos será apresentado neste dia 4 no Cine Marabá um show especial com a cantora Maria Alcina. O espetáculo será às 20h30. É a primeira vez que a cantora se apresenta em Nova Friburgo. O preço de cada ingresso é de 20 cruzeiros.

Futebol – Pelo campeonato friburguense jogam neste dia 5, Bom Jardim, Friburgo e Fluminense. Na segunda divisão jogam Real e Santa Luzia no campo de Conselheiro Paulino. O jogo entre Serrano e Filó ficou para o dia 11 próximo.

Cogumelos – Quem quiser conhecer a plantação de cogumelos de Nova Friburgo basta se dirigir a Cascatinha e tomar a direção ao Sítio São Miguel. A reportagem sobre o cultivo de cogumelos em Friburgo, mostrada há duas semanas por este jornal despertou a curiosidade de muita gente.

Menores – Não se pode entender como deixaram frutificar a quantidade de menores que encontram em Friburgo um campo fértil de atividade. É lógico que esta indústria só tende a se alastrar principalmente quando nada é feito para banir essa situação.

Barulho – O friburguense vai ficar neurótico muito antes do que se pensa. Se mora na zona central vive o desencanto do barulho, se reside nos arredores encontra sempre a sensação de ser a próxima vítima de assalto. 

Educação – Nunca a educação foi tão implementada por um governo. Basta ver o suplemento de verbas publicitárias no último final de semana. Para todos é bom que isso aconteça.

 

Pílulas

Um vereador pediu a demolição do prédio da Faculdade de Odontologia. Sério, não é piada, está nos anais da Câmara. Pediu e defendeu a demolição. A quantas chegamos! Um patrimônio público construído com o dinheiro do município que por interesses e pela política rasteira empregada por políticos menores, está sendo destruído e propositalmente largado.

  • Pesquisa da estagiária Laís Lima com supervisão de Henrique Amorim

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Nova edição

sábado, 04 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Tradicional em Nova Friburgo, Endureco será realizado no dia 12

Uma das provas mais tradicionais de Nova Friburgo, contemplando esporte e natureza, o Endureco está confirmado para mais uma edição. Este ano o evento acontecerá no próximo dia 12 de outubro, com percurso na chamada Trilha do Barão, na Estrada São Lourenço —Cascatinha, com largada prevista para 8h. Uma ótima oportunidade para reunir caminhantes e admiradores das belezas naturais da cidade.

Tradicional em Nova Friburgo, Endureco será realizado no dia 12

Uma das provas mais tradicionais de Nova Friburgo, contemplando esporte e natureza, o Endureco está confirmado para mais uma edição. Este ano o evento acontecerá no próximo dia 12 de outubro, com percurso na chamada Trilha do Barão, na Estrada São Lourenço —Cascatinha, com largada prevista para 8h. Uma ótima oportunidade para reunir caminhantes e admiradores das belezas naturais da cidade.

A prova de enduro a pé é um desafio para realizar um percurso predeterminado pela organização, percorrendo estradas, trilhas, riachos e montanhas, com o tempo mais próximo possível do ideal estabelecido. Não é uma prova de velocidade e sim de orientação e regularidade. A idade mínima para a participação é de 12 anos completos.

O percurso da prova pode variar de 06 a 16 km, e as equipes serão divididas nas seguintes categorias: Mista (com integrantes de sexo e faixa etária diferentes), Mulheres (com integrantes de faixa etária entre 16 e 40 anos), Jovem (com integrantes de faixa etária entre 16 e 30 anos). Além de maiores de 40 anos, equipes de empresas (de acordo com as categorias definidas no regulamento) e equipe de escolas (de acordo com as categorias definidas no regulamento). As inscrições devem ser feitas através do site www.sympla.com.br.

 

Roteiro e regras

Os locais de largada e chegada são definidos pela organização e incluídos no regulamento em momento oportuno. O roteiro é definido em planilha, com percurso em estradas de terra, trilhas abertas com subidas e descidas de dificuldade média com obstáculos naturais ou artificiais. A apuração será eletrônica.

A coleta das informações das equipes poderá ser realizada por equipamentos de GPS, por leitores de cartão RFID e por coletores de dados para os PC’s Virtuais. No horário de largada da equipe a mesma receberá da organização um saco estanque contendo dois GPSs da empresa de apuração. As equipes deverão passar por todos os PCs (Pontos de Controle) na ordem determinada pela organização. Vence a prova, a equipe que no final apresentar o menor número de pontos perdidos.

No desafio do enduro a pé, o percurso predeterminado prioriza elementos como organização e resistência física para superar obstáculos em estradas, trilhas, riachos e montanhas. O objetivo é alcançar o tempo mais próximo possível do ideal estabelecido, onde não basta ser o mais veloz entre os competidores.

A expectativa é reunir dezenas de pessoas no rally de regularidade este ano. Nos PCs, que estarão ao longo do percurso, são feitos os controles e monitoramento de cada equipe. Atrasado ou adiantado nos PC’s representa acúmulo de penalizações. Outras informações podem ser obtidas pelo site www.4x4cantosecoturismo.com.br/.

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    Prova tradicional em Nova Friburgo está confirmada no calendário esportivo deste ano (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

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    Além da parte competitiva, o momento de confraternização também é destaque no Endureco (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

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Vida em movimento

sexta-feira, 03 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Mudanças impõem movimento na vida. Sejam elas voluntárias ou forçadas. Sejam desejadas ou inesperadas. Fazem parte da vida. Não há como evitar..., e nem como classificar cada mudança em “para melhor” ou “para pior”.  Vejo que é movimento e movimentar, pensando bem, é viver.

Mudanças impõem movimento na vida. Sejam elas voluntárias ou forçadas. Sejam desejadas ou inesperadas. Fazem parte da vida. Não há como evitar..., e nem como classificar cada mudança em “para melhor” ou “para pior”.  Vejo que é movimento e movimentar, pensando bem, é viver.

Reflito sobre isso enquanto observo caixas empilhadas na sala de alguém que decide trocar de casa, ou ainda quando vejo alguém de malas no aeroporto, prestes a partir. Mudança, física ou não, é sempre transbordo: de espaço, de rotina, de certezas. E se, no primeiro olhar, parece só bagunça e ruptura, em silêncio ela sempre guarda um convite — o de se reinventar.

Você já se viu paralisado diante de mudanças inesperadas? Às vezes, é como se alguém tivesse tirado o chão sob nossos pés. O que era confortável não existe mais. E o medo se veste de previsibilidade: queremos que tudo permaneça igual porque acreditamos que ali estamos seguros. Só que não estamos. Não necessariamente. Pode ser que estejamos apenas imóveis, e a vida pode pedir bem mais do que estagnação.

Tem momento pra tudo. Pra gritar e silenciar. Pra correr e repousar. Pra impulsionar e aguardar. Pra chegar e partir. Pra decidir ficar como está. Até isso é movimento. Não fazer nada é decidir permanecer e isso também é movimentar-se. A vida pede movimento. Pede o vento que desloca as folhas e também o que leva embora aquilo que já não serve. Pede o tempo que empurra os ponteiros sem nos perguntar se estamos prontos. Pede coragem para atravessar pontes que não voltam a ser as mesmas depois de pisadas.

As grandes mudanças não chegam sempre anunciadas. Às vezes, vêm sutis, quase imperceptíveis: o café que já não tem o mesmo gosto, o trabalho que perdeu o sentido, a energia que se esgota, o corpo que pede descanso ou novidade. Outras vezes, vêm em explosões: um amor que se despede, uma porta que se fecha, um recomeço inesperado.

No fundo, não importa como chegam. Mudanças são o lembrete de que estamos vivos. Quem não se move, endurece. Não tem jeito. Querendo ou não. E não falo apenas de grandes transformações. O simples gesto de mudar o caminho de todos os dias pode abrir novos encontros. Mudar um pensamento repetido pode clarear horizontes. Mudar o ritmo pode devolver leveza ao corpo.

É claro que nem sempre é fácil. Movimento incomoda. Mudança bagunça. É preciso desapegar do que parecia certo. É preciso confiar no invisível, aceitar não ter todas as respostas. Às vezes, é preciso suportar a travessia escura para, só então, reconhecer a beleza da manhã.

O que aprendi — e ainda aprendo — é que resistir ao movimento não nos impede de mudar. Apenas nos torna mais pesados. Quando aceitamos, quando nos deixamos levar pelo fluxo, descobrimos que a mudança pode ser, sim, um presente.

Há dias em que tudo parece desmoronar, mas, quando a poeira baixa, entendemos que aquilo era a vida abrindo espaço para o novo. Como quem reorganiza uma sala cheia de caixas: no meio da bagunça, há promessa de recomeço.

Mudanças e movimento são isso: convites. Convites para sair do lugar comum, para olhar o céu de outro ângulo, para habitar um corpo que já não é o mesmo, para permitir que a vida seja mais do que rotina repetida. E quando alguém me pergunta se tenho medo de mudar, confesso: tenho. Todos, temos. Mas aprendi que o medo não é inimigo — é só um sinal de que algo está vivo em nós. Afinal, só sente medo quem está prestes a atravessar.

No fim, é o movimento que nos faz. Somos feitos de ciclos, de idas e vindas, de encontros e despedidas, de fases da vida. E, se prestarmos atenção, perceberemos que toda mudança é também um gesto de esperança. Porque quem muda acredita que há sempre algo a ser encontrado do outro lado. Talvez seja isso que a vida pede de nós: não perfeição, não certezas, mas disposição para o movimento. Porque é nele que a vida realmente acontece.

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