Casa comum: fraternidade, justiça

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Buscando trazer uma palavra de paz e evangelização para a população de Nova Friburgo.

terça-feira, 07 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O arcebispo de Porto Alegre-RS e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, abriu, na última quinta-feira, 2, as atividades na conferência Espalhando Esperança, realizada em Castel Gandolfo, por ocasião dos dez anos da encíclica Laudato Si. Como presidente do Conselho Episcopal Latino Americano e Caribenho (Celam), Dom Jaime falou sobre a profecia do Sul Global no tema do cuidado com o planeta como um chamado à esperança a partir da Laudato Si em tempos de colapso.

Dom Jaime iniciou afirmando que ali erguia a voz dos povos latino-americanos e caribenhos, dos mártires da terra, de comunidades ribeirinhas, indígenas, afrodescendentes, camponesas e urbanas “que cuidam da vida com ternura, mesmo em contextos de grandes ameaças”. Segundo ele, “são elas que caminham cantando, porque suas lutas e preocupação por este planeta não lhes tiram a alegria da esperança”.

Ele citou a conjuntura de policrises, o aquecimento global, a falta de diálogo internacional e de consensos multilaterais e o grito de justiça que vem das periferias. “A crise climática não é apenas técnica, mas existencial, de justiça e dignidade, que chama a Igreja e todas as pessoas de boa vontade ao cuidado da vida e das relações. Como cristãos, cremos que “evangelizar é tornar presente no mundo o Reino de Deus” (EG 176). O compromisso de cuidar da Casa Comum é inseparável da fraternidade e da justiça; por isso, as soluções devem unir justiça, ecologia, direitos da natureza e dignidade humana”.

Para Dom Jaime, “as instituições globais e as negociações multilaterais estão muito aquém do necessário; daí a urgência de reconstruir a confiança na cooperação e no diálogo”. Recordando os dez anos da encíclica Laudato Si, o presidente da CNBB salientou o ensino do Papa Francisco por ouvir o duplo grito da Terra e dos pobres. “Mas esta profecia não foi escutada com a urgência necessária”, lamentou.

 

Amazônia

Nesse sentido, a Amazônia é um banco de prova para a humanidade e para a missão da Igreja, parafraseou Dom Jaime. A realização da COP30 no Brasil, na Amazônia, “representa um chamado histórico para que a Igreja reafirme sua posição profética. É imperativo defender a Amazônia e os demais biomas vitais, combater o desmatamento e os incêndios, e reforçar o objetivo de ‘desmatamento zero’ até 2030.

 

Rumo à COP30

Dom Jaime recordou o caminho feito pela Igreja até a Conferência do Clima como oportunidade de educação popular, mobilização e visibilização de propostas, reivindicações e modos de vida dos povos.

Deu destaque ao trabalho de formação e estudos, além da incidência política através das Conferências e Conselhos Episcopais da África, América Latina e Caribe e Ásia, que lançaram uma mensagem conjunta para a COP30 destacando a necessidade da justiça climática para a paz, e a conversão ecológica para o futuro.

Ainda sobre a COP30, Dom Jaime reforça a necessidade de seguir apostando no multilateralismo. “A Igreja se compromete a fortalecer a resistência e a resiliência das comunidades e impulsionar uma coalizão histórica entre atores do Norte e do Sul Global. É crucial estabelecer mecanismos de governança climática com participação ativa e vinculante das comunidades.

 

Povos originários

Ao final de sua fala, Dom Jaime destacou a força dos povos originários e a aliança da Igreja com eles, “verdadeiros guardiões dos territórios”. “Assumimos uma aliança com os povos originários, o povo do campo, das águas e das cidades, em defesa da vida, da terra e das culturas. Precisamos aprender a sabedoria ancestral do bem viver, que inspira a proposta da Laudato Si para uma sobriedade feliz, horizonte de uma nova sociedade livre de acumulação e preconceitos. Esses povos, enraizados em seus territórios, nos chamam a resistir ao consumismo e a reduzir o supérfluo, convidando-nos a uma autêntica fraternidade. Coloquemos o cuidado da vida no centro: é possível substituir a lógica extrativista por uma economia do bem e do cuidado da Casa Comum”.

Fonte: CNBB

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