Blogs

A capacidade de pedir ajuda

quarta-feira, 19 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Não somos infinitos.

Não somos feitos de uma imensidão sem fim, nem de ossos que jamais desmoronam, nem de vitalidade que atravessa mares sem declinar. Somos feitos de limites. Limites esses onde nos deparamos com a porta para irmos de encontro à coragem.

Em uma longa jornada, tentamos nos manter na régua do “muito”, deixando o equilíbrio para trás: muito forte, muito capaz, muito sagaz, como se o mundo fosse ruir se não fecharmos a conta por um breve instante.

Não somos infinitos.

Não somos feitos de uma imensidão sem fim, nem de ossos que jamais desmoronam, nem de vitalidade que atravessa mares sem declinar. Somos feitos de limites. Limites esses onde nos deparamos com a porta para irmos de encontro à coragem.

Em uma longa jornada, tentamos nos manter na régua do “muito”, deixando o equilíbrio para trás: muito forte, muito capaz, muito sagaz, como se o mundo fosse ruir se não fecharmos a conta por um breve instante.

Passamos boa parte da vida com a certeza imbuída que dar conta de  tudo sozinho é valioso ou o certo a ser feito. Fico imaginando em que tempo e momento surgiu essa percepção, e a questiono bravamente.

Com isso, vivemos transportando cargas que não são nossas, responsabilidades que precisam ser divididas e promessas que se amontoam como uma pilha de pedras.

Não, não vamos dar conta de tudo e está tudo bem.

Pare, reflita, respire, recalcule a rota, peça ajuda.

Pedir ajuda é um ato tão profundo e uma das coisas mais difíceis de realizar. É como se despir para o outro, evidenciando que o “está tudo bem” proferido no automático, esconde incontáveis rachaduras, lacunas. Vidros quebrados que cortam e machucam.

 Pedir ajuda requer coragem. Muita coragem. E, com ela, vem um grandioso lembrete: não vamos dar conta de tudo.

O pedido pode vir camuflado de diversas formas. Um olhar desviado, um sorriso acanhado, um “eu não consigo”, uma voz embargada, uma mensagem despretensiosa, uma ligação discreta. E o retorno traz a segurança de que não precisamos dar conta de tudo, pois, simplesmente, não conseguimos. Ninguém consegue. É preciso soltar o controle, que fica apertado com nós cegos que são difíceis de soltar.

Somos seres humanos, com vida pulsante, cheios de erros e acertos, altos e baixos, sem perfeição. Se aceitar é trazer conforto. É ser generoso consigo mesmo.

Assim, a vida fica mais leve, o peso se divide e o caminho deixa de ficar pesado como um piano.

Permita-se ser ajudado. Aceite a generosidade e a compaixão do outro.

Não estamos sós. Nunca estivemos.

O acolhimento existe e pode ser vivido. Se permita!

Até a próxima quarta!

……..

Contato

Site: www.camillafiorito.com.br

Instagram: @camilla.fioritoeduc

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Talento brilhando

quarta-feira, 19 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Jovem friburguense Breno Pittizer é bicampeão do Mundial de Jiu-Jitsu em Abu Dhabi

Jovem friburguense Breno Pittizer é bicampeão do Mundial de Jiu-Jitsu em Abu Dhabi

 Mais um nome para se guardar e colocar em destaque dentre aqueles com potencial para ganhar o mundo. O que, de fato, já é uma realidade para o jovem talento do jiu-jitsu, Breno Pittizer, de apenas 14 anos. O pequeno friburguense fez história no último domingo, 16, ao se sagrar bicampeão mundial no prestigiado Campeonato World Pro, realizado em Abu Dhabi, Dubai, Emirados Árabes Unidos. O atleta mirim, que já reside nos Emirados com a família, competiu na categoria 46kg, faixa amarela, na divisão Teen, demonstrando uma performance excepcional.

Breno enfrentou três lutas, culminando em uma virada marcante na segunda disputa contra um adversário do Casaquistão, que levantou a torcida. De acordo com a equipe de Breno, a vitória é fruto de uma preparação rigorosa, que incluiu treinos intensos e uma dieta regrada, resultando na perda de 4kg em um único dia para atingir o peso necessário para a pesagem.

“Foi um desafio enorme, dias intensos fisicamente e emocionalmente, mas com preparação, dedicação, disciplina e todo o suporte dos profissionais que me auxiliam nos treinos, na minha saúde mental e nutricional, a vitória chegou mais uma vez e eu só tenho a agradecer a Deus, primeiramente, e todo mundo que esteve ao meu lado nesse desafio. É uma alegria imensa trazer pela segunda vez consecutiva esse título de campeão mundial para casa”, avaliou o atleta.

A conquista de Breno Pittizer solidifica seu nome como uma promessa no cenário internacional do jiu-jitsu. O World Pro Jiu-Jitsu é um dos eventos mais aguardados no calendário do esporte. Este ano, a competição atraiu cerca de 9 mil atletas de 131 países, incluindo 21 nações. O evento reflete o espírito de diversidade e união, promovendo o esporte e celebrando o talento de lutadores de todo o mundo.

 

//////////////////////////////

 

Serrano e Duque na frente

Equipes jogarão por empate para conquistarem acesso à Série A2 do Rio

Serrano e Duque de Caxias saíram na frente nos jogos de ida das semifinais da Série B1 Estadual, ao vencerem seus adversários, na tarde do último sábado (15). No Atílio Marotti, em Petrópolis, o Leão da Serra fez 1 a 0 no São Cristóvão. Anthony anotou o tento dos donos da casa. Com o triunfo, o Serrano joga pelo empate no jogo de volta, no próximo sábado (22), às 15 horas, no Ronaldo Nazário, para ficar com a vaga na final e o acesso para a A2 Carioca. Ao Time Cadete, um triunfo simples basta para obter a classificação.

No Marrentão, em Xerém, o Tricolor Caxiense também venceu o Bonsucesso por 1 a 0. Raílson anotou o gol da partida. O resultado deu a vantagem do empate ao Duque na segunda partida, no mesmo dia e horário da outra semifinal, no Leônidas da Silva, para avançar. Por sua vez, o Cesso terá de vencer por qualquer placar para chegar à decisão e ao acesso.

Série B2

Na Série B2 do Rio, onde o Friburguense estará na próxima temporada, o Macaé Esporte saiu na frente na partida de ida das semifinais, ao vencer o Santa Cruz, por 2 a 0, na tarde do último domingo (16), no Moacyrzão, em Macaé. Jajá, duas vezes, marcou os tentos do Leão, que pode perder por até um gol de diferença no jogo de volta, no próximo domingo (23), às 15h, na Rua Bariri, que ficará com a vaga na final e o acesso para a Série B1. Já o time da Zona Oeste terá de vencer por dois tentos de vantagem para avançar.

Na outra semifinal, também neste domingo, Goytacaz e Belford Roxo empataram em 0 a 0, no Aryzão, em Campos dos Goytacazes. Com o resultado, a equipe da Baixada Fluminense só precisa de um novo empate no jogo de volta, no mesmo dia e horário da outra semifinal, no Nélio Gomes, para conquistar o acesso para a B1 e se credenciar para a decisão. Já o Goyta terá de vencer por qualquer placar para seguir na competição.

  • Foto da galeria

    Jovem morador dos Emirados conquista mais um título importante na curta e já vitoriosa trajetória (Foto: Arquivo pessoal)

  • Foto da galeria

    Com pouca idade e muito talento, o jovem Breno se destaca em competições internacionais (Foto: Arquivo pessoal)

  • Foto da galeria

    Breno é mais uma das grandes promessas do esporte friburguense (Foto: Arquivo pessoal)

  • Foto da galeria

    Serrano larga na frente na luta pelo acesso à segunda divisão do Rio (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Jan Ernest Matzeliger, o inventor da máquina de fabricar calçados

quarta-feira, 19 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Historicamente, a fabricação de calçados era um ofício que dependia inteiramente de habilidades manuais e ferramentas básicas. Os primeiros calçados foram criados para proteger os pés dos elementos da natureza, como pedras e detritos. As primeiras evidências de protetores dos pés remontam a cerca de 8.000 a.C., com a descoberta de sandálias feitas de palha e fibras vegetais, no Iraque. Elas eram amarradas aos pés com tiras de couro cru e foram usadas principalmente por agricultores.

Historicamente, a fabricação de calçados era um ofício que dependia inteiramente de habilidades manuais e ferramentas básicas. Os primeiros calçados foram criados para proteger os pés dos elementos da natureza, como pedras e detritos. As primeiras evidências de protetores dos pés remontam a cerca de 8.000 a.C., com a descoberta de sandálias feitas de palha e fibras vegetais, no Iraque. Elas eram amarradas aos pés com tiras de couro cru e foram usadas principalmente por agricultores. Os egípcios foram os primeiros a criar sapatos com sola dura, feitas de madeira, palha ou couro, que eram usados por pessoas de todas as classes sociais.

Os sapateiros dos séculos passados utilizavam agulhas, fios, martelos, alicates e formas de madeira para moldar os sapatos aos pés de seus clientes. Essas ferramentas simples, porém, eficazes, permitiam aos artesãos criarem calçados duráveis e confortáveis que eram verdadeiras obras de arte personalizadas. No entanto, esses métodos exigiam tempo, a produção era pequena e trabalhava-se do amanhecer ao entardecer. Além disso, eram produtos caros reservados apenas para as classes abastadas. Os demais ou andavam descalços ou usavam proteções rudimentares para proteger os pés.

Uma das grandes dificuldades que esses verdadeiros artesãos encontravam, era prender o cabedal (nome que se dá à parte superior do calçado onde o pé é colocado), na sola do mesmo. Vale a pena assinalar que o sapato como conhecemos hoje tem quatro elementos, o já citado, a palmilha que é a parte interna, localizada logo abaixo do pé, cuja função é o de amortecer o impacto e proporcionar conforto ao caminhar. Temos ainda a sola e o salto, que dispensam comentários. O cabedal pode ser feito com vários materiais como o couro, o tecido ou sintético e é responsável por proteger e envolver o pé, garantindo conforto e segurança ao caminhar.

É aí que entra em cena Jan Ernest Matzeliger.

Matzeliger nasceu em Paramaribo, capital da Guiana Holandesa (hoje Suriname), em 1852 e desde cedo demonstrou grande aptidão para o trabalho com máquinas. Seu pai era um engenheiro holandês e sua mãe, uma escrava negra do Suriname. Enquanto em seu país de origem mostrou algum interesse em mecânica, seus esforços para inventar uma máquina para montar sapatos começaram quando ele se mudou para a Filadélfia, nos Estados Unidos, onde trabalhou em uma oficina mecânica; posteriormente, aos 19 anos foi para a Pensilvânia, onde trabalhou como marinheiro. Em 1877 já dominava perfeitamente o inglês, e se radicou em Lynn, no estado de Massachusetts. Foi nessa cidade, em 1883, após cinco anos de trabalho árduo, que ele construiu e patenteou seu invento, após anos de tentativas e frustações.

Sua máquina automática de montagem de calçados, mecanizando o complexo processo de unir a sola ao cabedal, permitiu aumentar substancialmente a produção de sapatos. Dos 50 produzidos, anteriormente, à mão, seu invento conseguiu a proeza de fabricar   150   pares por dia. Seu engenho reduziu em cinquenta por cento o preço do produto, nos Estados Unidos, e transformou a cidade de Lynn na capital mundial do sapato.

Ele construiu seu primeiro modelo com caixas de charuto de madeira, elástico e arame. Devido aos movimentos complexos necessários para esticar o couro do sapato em torno de uma forma, e à importância do processo de montagem para a aparência final dele, as tentativas anteriores de mecanizar o processo haviam falhado. No entanto, após muitas tentativas e trabalho árduo, o protótipo de Matzeliger estava completo. Seu dispositivo era tão complexo que os examinadores de patentes precisaram vê-lo em funcionamento para compreendê-lo.

Após obter a patente para sua máquina, Matzeliger continuou aprimorando sua invenção até que ela atingiu a marca de 700 pares, por dia. Esse feito barateou ainda mais os custos de produção, tornando os calçados de qualidade, acessíveis a um grande número de pessoas, pela primeira vez.

Em 1889, sua engenhoca era extremamente requisitada, a ponto de ser criada a Consolidated Lasting Machine Co, para fabricá-las, e Matzeliger recebeu uma grande quantidade de ações da empresa. No entanto, sua vida não foi fácil, ele teve muitas dificuldades, contraiu dívidas para conseguir seu objetivo, o que debilitou sua saúde e lhe custou um alto preço. Nesse mesmo ano, ele faleceu de tuberculose, apenas um mês antes de completar 37 anos, fato que o impediu de aproveitar os lucros de sua invenção.  A United Shoe Machinery Co. adquiriu, então, sua patente e as ações da empresa.

 Para reconhecer o impacto tecnológico e o legado duradouro de Matzeliger, um selo postal comemorativo da herança negra foi emitido, nos Estados Unidos, em sua homenagem, em 1991, mais de 100 anos após sua morte. Muito pouco para a revolução que ele causou na indústria de calçados. E o mais engraçado é que se homenageou o fato de ser negro e não a revolução que ele causou nessa indústria. O mais correto e justo, seria fazer menção às duas coisas.

Portanto, todos os dias, ao calçarmos os nossos sapatos, devemos sempre render homenagens a Jan Ernest Matzeliger.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Lua de São Jorge

quarta-feira, 19 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Não vamos criar problema com a Inglaterra e com o Corinthians

A senhora Kim Kardashian é um faz-tudo no mundo do entretenimento: atriz, modelo, apresentadora, e por aí vai. Com o peso de tamanha autoridade, ela nos garante que o homem jamais pisou na lua: “Nunca aconteceu”, afirma categórica. Nisso, no entanto, nada mais faz do que imitar minha avó que, já em 1970, dizia a mesma coisa. Mais convincente do que a americana famosa, Dona Maria Chardelli apresentava um argumento irrespondível para sustentar sua opinião: “São Jorge não ia permitir uma coisa dessas”.

Não vamos criar problema com a Inglaterra e com o Corinthians

A senhora Kim Kardashian é um faz-tudo no mundo do entretenimento: atriz, modelo, apresentadora, e por aí vai. Com o peso de tamanha autoridade, ela nos garante que o homem jamais pisou na lua: “Nunca aconteceu”, afirma categórica. Nisso, no entanto, nada mais faz do que imitar minha avó que, já em 1970, dizia a mesma coisa. Mais convincente do que a americana famosa, Dona Maria Chardelli apresentava um argumento irrespondível para sustentar sua opinião: “São Jorge não ia permitir uma coisa dessas”.

De fato, qualquer pessoa de boa vontade, ao olhar para o céu, verá que lá está São Jorge, todo garboso, montado em seu cavalo branco. Infelizmente eu, ainda criança, já não tinha essa boa vontade toda e secretamente me perguntava se o santo guerreiro não se cansava de, a cada entardecer, matar sempre o mesmo dragão.  Não ousava questionar minha avó, e a verdade é que também tinha medo de desagradar a São Jorge.

Muito mais tarde vim a saber que esse bravo soldado capadócio talvez nem sequer tenha existido. A história é a seguinte. A Igreja Católica resolveu deixar claro que não reconhecia certos santos. Alegava que não havia provas de que eles tivessem existido, sendo mais certo que fossem criação da crendice popular. Dentre eles estava São Jorge. Como era época da ditadura militar, que caçava e cassava seus opositores, os piadistas começaram a dizer que a Igreja estava caçando seus santos.

Foi então que o arcebispo de São Paulo, se não me engano D. Evaristo Arns, apelou para o papa. É que Jorge da Capadócia, além de padroeiro da Inglaterra, é também padroeiro do Corinthians, time do coração do arcebispo. D. Evaristo ponderou que, sendo o clube paulista um dos mais queridos do Brasil, cassar São Jorge causaria uma grande decepção na fiel torcida corintiana. O papa respondeu então: “Bem, não vamos criar problema com a Inglaterra e com o Corinthians”.

Portanto, quem é devoto de São Jorge pode continuar em paz com sua fé. Até porque, muitos santos são cultuados não porque tenham existido, mas pelo que representam. É o caso do nosso personagem, pois a luta contínua contra o mal é um valor para todas as religiões, especialmente para o cristianismo.

Quanto ao homem ter pisado ou não na lua, podemos escolher entre Kim Kardashian e a Nasa, que afirma que já esteve lá seis vezes. Também há os terraplanistas, que negam que a Terra seja redonda, e certos privilegiados que até já viajaram em discos-voadores. São crenças, e crenças não se submetem à lógica ou às evidências. Facilmente viram fanatismo, e aí mesmo é que não adianta argumentar. Melhor dar razão a todo mundo, não dando razão a ninguém. Pode ser que assim não se chegue à verdade, mas ao menos se evitam brigas e discussões.

..............................................................................................................

Microconto: C16.9

Acreditava que seus dias formariam um longo romance, mas uma dorzinha que começou no estômago fez com que sua vida não passasse de um mero microconto.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

A VOZ DA SERRA é a fonte cristalina da informação

terça-feira, 18 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

        No meu jardim, tudo azul por conta da floração dos agapantos. Contudo, em nossa viagem literária, com o “Novembro Azul”, na charge de Silvério, embarcamos na visão do artista, de olho no calendário, para a conscientização sobre o cuidado masculino. O Cão Sentado se paramenta com fita azul para enfatizar que o décimo primeiro mês é dedicado aos homens para que efetuem o tradicional exame de próstata. Valeu Silvério! A charge é o recado instantâneo onde o desenho fala mais do que mil palavras.

        No meu jardim, tudo azul por conta da floração dos agapantos. Contudo, em nossa viagem literária, com o “Novembro Azul”, na charge de Silvério, embarcamos na visão do artista, de olho no calendário, para a conscientização sobre o cuidado masculino. O Cão Sentado se paramenta com fita azul para enfatizar que o décimo primeiro mês é dedicado aos homens para que efetuem o tradicional exame de próstata. Valeu Silvério! A charge é o recado instantâneo onde o desenho fala mais do que mil palavras. Em tempo, fiquei feliz em saber que o nosso chargista e seu estimado pai, o senhor Fernando, fazem, juntos, a leitura da nossa coluna Surpresas de Viagem.  Que Honra! Muito agradecida!

        Novembro é bastante esperado por ser o penúltimo mês, que antecede o período natalino, das boas festas e das tradicionais confraternizações, quando o Papai Noel esbarra nas brincadeiras de “amigo oculto”. Aliás, assim como as lojas estão colocando seus enfeites nas vitrines, há muita gente programando festinhas desde já. Outra importância do mês onze é o 15 de novembro, data em que comemoramos a “Proclamação da República”. Aprendemos desde os primórdios do antigo curso primário que o ato da “proclamação” deu um basta no regime monárquico, graças ao ímpeto do marechal Manoel Deodoro da Fonseca e sua tropa do Exército Brasileiro, em 1889. O “surgimento das novas demandas políticas na sociedade” foi o “gatilho” que disparou a insatisfação com o regime, então, vigente. Mas, de forma irreverente, eu costumo dizer que a monarquia acabou, mas tem muita gente ainda com o rei na barriga.

        E vem mais um feriado reconhecido, merecidamente, em âmbito nacional, em 20 de novembro, ou seja, Dia Nacional de Zumbi e o Dia Nacional da Consciência Negra. A oficialização da data se deu em dezembro de 2023 e o Brasil dedica o feriado às reflexões sobre os valores da comunidade Afro para o engrandecimento do nosso país. A história de lutas e resiliência do povo Afro é um legado fundamental na história do Brasil que se enriqueceu culturalmente em inúmeros segmentos, como a culinária, a dança, o esporte, a música, a diversidade dos instrumentos, a literatura e tantos outros modos e costumes.

        A programação para celebrar a data começa nesta terça, 18, com Roda de Leitura. Na quarta, 19, tem Prêmio Consciência Negra, na Câmara Municipal. No dia 20, várias atividades na Praça das Colônias, a partir das 10h, encerrando às 19 h, com “Festa das Origens” e apresentação da Sociedade Musical Euterpe Friburguense. Que maravilha!

        Wanderson Nogueira é todo sorriso! Em breve assumirá o cargo de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e antes mesmo da posse já está atuando ao lado da deputada estadual Martha Rocha, no projeto Genoma, do Instituto Cerasus. Nogueira “anuncia 300 mil reais para fortalecer ações” na prevenção e tratamento do câncer de mama, a partir da emenda da deputada que, inclusive, se sente “grata pela oportunidade de poder fazer parte dessa luta por um mundo melhor para as mulheres de todo o estado”, em especial para Nova Friburgo. Parabéns!

        Muito bonita a exposição de pintura e artesanato de Natal promovida pela Casa Madre Roselli, na Rua General Osório, 260. Os trabalhos, “Cores do Coração”, foram feitos pelas alunas da instituição e a venda das peças vai “ajudar no custeio de projetos sociais da casa”. A mostra ficará aberta até 18 de dezembro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. A foto, estampada no jornal, nos dá um panorama da beleza dos trabalhos.

        “Um friburguense na COP30” — Felipe Gabriel Knupp, o jovem, de 20 anos de idade, está lá, representando Nova Friburgo e declara: “A minha presença aqui não começa em Belém. Ela começa lá atrás, na minha história, na minha formação e nas oportunidades que a vida no campo me deu...”. E prossegue: “Sou fruto da zona rural de Nova Friburgo, cresci cercado pela realidade da agricultura familiar, vendo de perto a força de quem planta e a luta diária de quem trabalha para sobreviver com dignidade...” — Felipe é fruto da formação pelo Ceffa CEA Rei Alberto I (Ibelga). Que glória!

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

A queda

terça-feira, 18 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Além do campo e da frieza dos números, o que levou o Frizão para a Série B2?

       É complexo encontrar explicações certeiras que justifiquem o rebaixamento do Friburguense para a quarta divisão do futebol carioca. Seria impossível, por exemplo, não citar as transformações pelas quais o futebol brasileiro passou nos últimos anos. E o Tricolor da Serra, por limitações financeiras, estruturais e sem o devido apoio, não conseguiu acompanhar da maneira ideal.

Além do campo e da frieza dos números, o que levou o Frizão para a Série B2?

       É complexo encontrar explicações certeiras que justifiquem o rebaixamento do Friburguense para a quarta divisão do futebol carioca. Seria impossível, por exemplo, não citar as transformações pelas quais o futebol brasileiro passou nos últimos anos. E o Tricolor da Serra, por limitações financeiras, estruturais e sem o devido apoio, não conseguiu acompanhar da maneira ideal.

       “Não tenho que explicar o resultado, ele fala por si só”. A frase emblemática do gerente de futebol do Friburguense, Siqueirinha, resume os números e todo o contexto de campo que levou o Tricolor da Serra à queda. Contudo, há um universo bem mais amplo para analisar e entender todo o processo que levou o clube à quarta divisão do futebol estadual.

       Algo que A VOZ DA SERRA tentará mostrar numa sequência de três reportagens, a partir desta e pelas próximas duas terças-feiras.

       “Eu sei que tudo que eu falar agora vai soar como desculpa. Como uma forma de explicação daquilo que deu errado. Não tenho que explicar o resultado, ele fala por si só, é um time rebaixado. Mas não faltou entrega, isso que é o mais importante. Eu acho que nunca se trabalhou tanto igual a esse ano. A gente teve a categoria de base de janeiro a novembro, tendo agora o profissional. Então se trabalhou demais, se construiu muito com tão pouco, mas os resultados não aconteceram. O que ainda faz a gente ter a cabeça erguida é saber da história verdadeira, como tem andado o processo”, pondera Siqueira.

       De fato, este foi um ano movimentado para o Friburguense. A base participou de diversas competições, voltou a receber os grandes clubes do Rio de Janeiro nas categorias inferiores e emplacou alguns de seus atletas mais promissores nas principais equipes da capital. Este é um tema que será tratado na próxima reportagem: o fato de o Frizão revelar, mas não conseguir manter os seus atletas.

       Atendo-se ao desempenho em campo nesta Série B1, o Friburguense encerrou a competição com apenas uma vitória e um empate. Foram nove derrotas, seis delas pelo placar 1 a 0. Os três gols marcados — apenas — evidenciam que faltou poder de fogo e, em muitas situações, tranquilidade e qualidade.

       “Nesse momento, a gente tem que pensar e saber que passa pela mão de cada um de nós o que vem acontecendo. Não só com a gente, mas com alguns clubes, e pedir apoio àqueles que amam de verdade o Friburguense, por ser o representante do nosso futebol. A gente já foi orgulho em determinado momento, e hoje é decepção. E isso é completamente compreensível, dentro daqueles que trabalham no futebol”, avalia Siqueirinha. 

 

Social se manifesta

       Outro aspecto notório nos últimos anos é a divergência de pensamentos e ações entre a parte social e o futebol do clube — o que não significa dizer que não haja alguma cooperação entre ambos. O futebol é terceirizado, mas é preciso que haja uma harmonia entre as partes. As primeiras linhas da nota publicada e assinada pelo presidente Elberth Heringer dizem: “A parte social do Friburguense Atlético Clube reconhece as dificuldades enfrentadas pelo futebol profissional e lamenta o momento atual”.

       Na continuidade do texto, são citadas as formas como o clube procurou colaborar para o sucesso do time, “mesmo com a gestão do futebol profissional estando terceirizada e oficializada em 21 de julho de 2023”. Dentre as ações é citado que o social abriu mão do aluguel do futebol, enquanto este não estiver na 1ª divisão do campeonato estadual. A nota também fala sobre a reforma e concessão do campo do Serrano e todos os espaços disponíveis para treinamento, bem como cita o pagamento de benefícios oriundos do futebol profissional, para ressarcimento posterior por parte do futebol.

       O clube também fala sobre a cessão de colaboradores e a criação, junto a uma empresa local, a cerveja do Frizão, onde o percentual das vendas destinado ao clube foi totalmente direcionado ao futebol profissional, além da instalação de para-raios para a realização de jogos no estádio Eduardo Guinle, no valor próximo a R$ 30.000,00.

       “A parte social do clube está comprometida em continuar buscando o melhor para o futebol profissional do Friburguense Atlético Clube e agradece a compreensão e o apoio de todos. É um assunto extremamente delicado e importante, que está sendo tratado internamente, mas acima de tudo requer respeito a todas as partes envolvidas e muita responsabilidade”, finaliza o texto.

 

 

Campanha do Friburguense

Friburguense 0x1 Carapebus, Eduardo Guinle

Petrópolis 1x0 Friburguense, De Los Lários

Friburguense 1x0 Serrano, Eduardo Guinle

Artsul 1x0 Friburguense, Nivaldo Pereira

Friburguense 0x1 Bonsucesso, Eduardo Guinle

Campo Grande 1x1 Friburguense, Ítalo del Cima

Friburguense 0x1 Duque de Caxias, Eduardo Guinle

São Cristóvão 3x1 Friburguense, Ronaldo Nazário

Paduano 2x0 Friburguense, Waldo Carneiro

Friburguense 0x1 Niteroiense, Eduardo Guinle

Nova Cidade 1x0 Friburguense, Joaquim A. Flores

 

 

Números do Friburguense na Série B1

Jogos: 11

Pontos: 4

Vitórias: 1

Empates: 1

Derrotas: 9

Gols marcados: 3

Gols sofridos: 13

Saldo de gols: -10

Aproveitamento: 12,1%

Foto da galeria
Campanha abaixo do esperado decreta rebaixamento à penúltima divisão do futebol do Rio (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)
Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Começar um livro pelas últimas páginas?!

terça-feira, 18 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Será possível isto acontecer?! Pois é. Aconteceu comigo durante muitos anos. A minha avó Carmem era tradutora de romances de bolso da Editora Bruguera, fundada em 1910, e que hoje não existe mais. Vovó tinha uma coleção desses romances, e eu, já entrando na adolescência, os lia com frequência quando estava em sua casa, posto que as histórias alimentavam meus sonhos ingênuos e apaixonados*. Porém quando os conflitos surgiam na trama, eu buscava as duas últimas páginas para saber se a história teria um final feliz. Com o tempo, antes mesmo de começar a ler, eu abria o livro no final.

Será possível isto acontecer?! Pois é. Aconteceu comigo durante muitos anos. A minha avó Carmem era tradutora de romances de bolso da Editora Bruguera, fundada em 1910, e que hoje não existe mais. Vovó tinha uma coleção desses romances, e eu, já entrando na adolescência, os lia com frequência quando estava em sua casa, posto que as histórias alimentavam meus sonhos ingênuos e apaixonados*. Porém quando os conflitos surgiam na trama, eu buscava as duas últimas páginas para saber se a história teria um final feliz. Com o tempo, antes mesmo de começar a ler, eu abria o livro no final. Se o final não me enternecesse, eu deixava o livro de lado e procurava outro. Agora, narrando esse fato inusitado, me dou conta que aquele jeito de começar a ler favoreceu a construção e o desenvolvimento do meu hábito de ler e gosto pela leitura.

No Clube de Leitura Vivências, lendo o livro de Lázaro Ramos, “Na nossa pele”, lançado pela Objetiva, ele aborda uma situação similar. Ao ler em voz alta para sua mãe acamada, descobriu que ela gostava de saber logo o final pelas mesmas razões que as minhas.

Aí, meus amigos leitores, fiquei com a pergunta; “por que eu não queria ler uma história que terminasse com tristezas?”. De fato, quando assisto a um filme ou leio uma história que não acaba bem, não gosto. Guardei esse sentimento ao longo da vida sem ter me dado conta da maneira como encaro a tristeza, a perda e a maldade.  Enfim, tudo o que caminha para o infortúnio eu tento me afastar. É uma dificuldade que trago no meu íntimo. E, confesso, me prejudica!

Logicamente, é possível começar a ler conhecendo o final; hábito, que acredito ser mais comum do que se possa imaginar. Sabendo que a história vai acabar bem, é um modo de garantir, durante a leitura, a tranquilidade de passar pelos conflitos e dores dos personagens, o que não deixa de permitir que o leitor aproveite melhor os fatos sem que sentimentos angustiantes dominem a leitura. Afinal de contas, a leitura tem de ser prazerosa, um dos conceitos básicos da formação do leitor.

Pode até mesmo favorecer que o leitor pule etapas da leitura para evitar aqueles trechos entediantes devido a descrições longas, abordagens de narrativas pouco relevantes. Também nos casos em que o leitor teve que parar de ler por um período e não sinta necessidade de retornar a páginas anteriores.

Quando fazia oficinas literárias de escrita criativa, fui orientada a planejar a história que eu iria criar. No planejamento era importante visualizar o final para saber como iria construir as etapas centrais do enredo. Aliás um dos requisitos principais da produção textual de ficção é a coerência dos fatos. Todo o enredo, do começo ao fim, precisa estar interligado com lógica, clareza e sentido. Nada pode ser incongruente, sem nexo. A não ser que os acontecimentos imprevistos na trama estejam propostos no planejamento. Pode até ocorrer que durante o processo de escrita surja uma situação nova, que vai exigir uma revisão do texto já escrito e do planejamento.

Um romance de ficção atraente ao leitor há de ter um fio condutor causado pela superação de uma situação conflituosa, que normalmente acontece no início da trama e muda a vida dos personagens. O suspense é fundamental para atrair a atenção do leitor, fazendo-o virar as páginas até chegar ao final. Se nada acontece, se a vida deles transcorre na total felicidade e tranquilidade, não há uma história interessante a contar. Os personagens são impedidos de mostrar suas características, seus defeitos e qualidades, suas ações heroicas, pacificadoras ou resilientes, maldosas ou pérfidas.

Se a literatura espelha a vida, e a vida não poupa ninguém, temos que lidar com as dificuldades, com as finalizações tristes ou trágicas.  Não buscar as últimas páginas antes de ler as primeiras é um amadurecimento da postura de enfrentamento das situações de vida.

A literatura salva!

  • Há sessenta anos, as meninas eram sonhadoras. Não havia celular, a televisão era em preto e branco e, ainda, existiam as novelas de rádio, quando as pessoas se reuniam para escutá-las. Era comum os adolescentes guardarem amores platônicos, e o beijo ser um sonho guardado com fitas de cetim.
Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Seis meses com Leão XIV

terça-feira, 18 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Última parte

Testemunhar a paz. Após fazer essa declaração em sua primeira saudação no dia de sua eleição, o Papa Leão XIV falou inúmeras vezes sobre a paz, convidando os cristãos a testemunhá-la concretamente: "A não violência, como método e estilo, deve distinguir nossas decisões, nossas relações, nossas ações", disse o pontífice aos movimentos e associações da Arena della Pace, em 30 de maio.

Última parte

Testemunhar a paz. Após fazer essa declaração em sua primeira saudação no dia de sua eleição, o Papa Leão XIV falou inúmeras vezes sobre a paz, convidando os cristãos a testemunhá-la concretamente: "A não violência, como método e estilo, deve distinguir nossas decisões, nossas relações, nossas ações", disse o pontífice aos movimentos e associações da Arena della Pace, em 30 de maio.

Ao mesmo tempo, o Sucessor de Pedro se manifestou várias vezes contra o rearmamento, como fez ao final da audiência de 18 de junho: "Não devemos nos acostumar com a guerra! De fato, devemos rejeitar como uma tentação o fascínio de armamentos poderosos e sofisticados." Em 26 de junho, Leão XIV, ao receber os participantes da Roaco, a Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais, disse: “Como crer, depois de séculos de história, que as ações bélicas trazem a paz e não se volta contra quem as praticaram? (...) Como continuar traindo o desejo de paz dos povos com falsa propaganda de rearmamento, na vã ilusão de que a supremacia resolve os problemas em vez de alimentar o ódio e a vingança?

As pessoas estão cada vez menos inconscientes da quantidade de dinheiro que vai para os bolsos dos mercadores da morte e com a qual se poderiam construir hospitais e escolas; e, em vez disso, se destroem os que já foram construídos!”

O desarmamento pedido pelo Bispo de Roma diz respeito tanto aos líderes das nações, para que não voltem a riqueza "contra o homem, transformando-a em armas que destroem povos e em monopólios que humilham os trabalhadores" (homilia de domingo, 21 de setembro, na paróquia de Santa Ana, no Vaticano), quanto a cada um de nós, porque o convite de Jesus é para desarmar a mão, mas antes de tudo o coração.

Na conclusão da Vigília Mariana pela Paz, no último dia 11 de outubro, o Papa Leão XIV afirmou: "Guarda a tua espada é uma palavra dirigida aos poderosos do mundo, àqueles que guiam os destinos dos povos: tenham a audácia de desarmar. É dirigida também a cada um de nós, para nos conscientizar cada vez mais de que por nenhuma ideia, fé ou política podemos matar. O coração deve ser desarmado primeiro, porque se não houver paz dentro de nós, não daremos paz."

Amor aos pobres

Em sua primeira exortação apostólica, publicada em 9 de outubro, o Papa Leão XIV explicou que, ao ajudar os que sofrem, “não estamos no horizonte da beneficência, mas da Revelação: o contato com quem não tem poder nem grandeza é um modo fundamental de encontro com o Senhor da história”. O amor aos pobres não é um “caminho opcional”, mas representa “o critério do culto verdadeiro”.

 Ao se encontrar com os núncios apostólicos em 10 de junho de 2025, o Papa disse: “Conto com vocês para que nos países onde vivem, todos saibam que a Igreja está sempre pronta a tudo por amor, que está sempre ao lado dos últimos, dos pobres”. Em 13 de julho, em Castel Gandolfo, ele exortou, seguindo o exemplo do Bom Samaritano, a não "passarmos por cima", mas a deixarmos "transpassar o coração" por "todos aqueles que afundam no mal, no sofrimento e na pobreza", por "tantos povos despossuídos, roubados e saqueados, vítimas de sistemas políticos opressivos, de uma economia que os força à pobreza, da guerra que mata seus sonhos e suas vidas".

No Jubileu dos Trabalhadores da Justiça, em 20 de setembro, o Papa convidou a não desviar o olhar da "realidade de tantos países e povos que têm fome e sede de justiça, porque suas condições de vida são tão iníquas e desumanas a ponto de serem inaceitáveis", lembrando que "um Estado em que não há justiça não é um Estado". Em discurso aos Movimentos Populares em 23 de outubro de 2025, o Sucessor de Pedro lembrou que "a exclusão é a nova face da injustiça social. A distância entre uma "'pequena minoria' — 1% da população — e a vasta maioria aumentou drasticamente. (...) Como Bispo do Peru, alegro-me por ter vivido uma Igreja que acompanha as pessoas em suas tristezas, suas alegrias, suas lutas e suas esperanças."

Migrantes, nossos irmãos

Leão XIV, em sua homilia para o Jubileu do Mundo Missionário e dos Migrantes, em 5 de outubro, falou da "história de tantos de nossos irmãos migrantes" que "não podem e não devem encontrar a frieza da indiferença ou o estigma da discriminação!" Em seu discurso aos Movimentos Populares, em 23 de outubro, abordou a questão da segurança: "Com o abuso de migrantes vulneráveis, não estamos assistindo o exercício legítimo da soberania nacional, mas sim a graves crimes cometidos ou tolerados pelo Estado.

Medidas cada vez mais desumanas — até mesmo politicamente celebradas — estão sendo adotadas para tratar esses 'indesejáveis' como se fossem lixo e não seres humanos. O cristianismo, por outro lado, remete ao Deus do amor, que nos faz a todos irmãos e irmãs e nos pede que vivamos como irmãos e irmãs."

Fonte: Vatican News

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Ex-vereador se justifica: “Eu não podia sentar”

sábado, 15 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Edição de 15 e 16 de novembro de 1975

Manchetes

Edição de 15 e 16 de novembro de 1975

Manchetes

Ex-vereador se justifica: “Eu não podia sentar” – Justificando seu desligamento da Arena e seu ingresso nos quadros partidários do MDB, o professor João Carlos Côrtes Teixeira declarou à reportagem deste jornal que a partir dos resultados da última eleição já não podia, nem tinha condições de “sentar” na bancada de vereadores da Arena, daí sua renúncia ao mandato que lhe fora concedida pelo povo friburguense. O ex-vereador foi o candidato mais votado na Arena, sendo o 2º vereador mais votado, no quadro geral, das últimas eleições. Fazendo apenas uma exceção para o vereador Benício Valadares. João Côrtes , afirmou a nossa reportagem que “toda a bancada da Arena nos traiu” querendo se referir a derrota eleitoral de seu pai,o professor  Messias de Morais Teixeira, candidato a deputado nas últimas eleições.

CTB local – Há cerca de cinco semanas, emitimos um editorial, com o mesmo título: CTB - Companhia Telefônica Brasileira local (um teste nervoso). Apenas o título não tinha o algarismo romano II, que hoje se apresenta no citado título. Após aquele editorial recebemos dezenas de manifestações, verbais e escritas, manifestações de agradecimento pelo editorial, forte e contundente que abordava um problema, comunicação telefônica, que reserva, irrita a revolta do friburguense da CTB.

Rotary ajuda menores – O Rotary Club de Nova Friburgo, tendo como fonte o sr. Gilberto de Souza, tomando conhecimento das previsões que estavam passando os menores do SPEAC, realizou doação de grande quantidade de mantimentos de primeira necessidade.

G. R. Vilage batiza escola em Cachoeiras – A Escola de Samba, Grêmio Recreativo Vilage no Samba, que é afilhada da grande escola de samba Guanabara Império da Serra, agora passa de afilhada à padrinho, porque recebeu o convite da diretoria da escola de samba “Espere Por Nós”, para batizá-la. A escola de samba Espere por Nós abrilhantará os carnavais do simpático município vizinho de Cachoeiras de Macacu e vai escolher seu samba-enredo, ocasião em que por sua própria solicitação, será batizada pelo sr. Hélio Cunha, presidente da Vilage.

Saudade escolhe samba enredo para 1976 na SEF – Com as dependências da Sociedade Esportiva Friburguense completamente lotadas, foi escolhido no último sábado o samba que irá representar a Saudade no próximo Carnaval. Em primeiro lugar classificou a dupla Roberto Barreto Silveira e Aloísio Alves da Costa. Em segundo lugar, empatado Roberto Galvez, Reginaldo Miranda (dupla) e Dr. Thiers. Menininho e Armandinho Machado defenderam o samba vencedor.

Galistas terão rinha – Os galistas de Friburgo, isto é, os aficcionados nas lutas de galos de briga, já tem sua nova sede social própria e para inaugurá-la e já tem até um programa, sob o título “Grande Torneio de Inauguração de Nossa Sede”. A inauguração da nova unidade é motivo de euforia para todos os galistas friburguenses. O evento se inicia na próximo dia 28, prossegue até o dia 30 corrente, Dentre as atrações haverá um prêmio especial, para o galista que ajustar o maior número de brigas; para o melhor galo classificado por uma comissão especial. O galo vencedor ganhará um prêmio super especial nos dias 30/11/75 (domingo) que será um par de esporas 4, oferta do sr. Oires (Bola).

Leitor atenção: Chamamos sua atenção para a coluna Excepcionais  , de autoria de dr. Ilídio Correia, renomado médico de Friburgo. Pelo seu alto valor científico e clareza com que o assunto ligado a menores excepcionais, um assunto de aspectos graves por motivos artificialmente conhecidos, trata-se de matéria que puxa para bem alto o nível da imprensa friburguense, e, na verdade, é matéria que teria melhor guarida dentre os grandes órgãos da imprensa brasileira. 

Colunão com Nelly e Erwin – O nosso famoso colunão volta com a corda toda, com a sua já tradicional presença de Yvete, e com toda equipe homenageando o querido casal friburguense Nelly- Erwin Kapel, eleito o casal exemplo de outubro. 

  • Pesquisa da estagiária Laís Lima com supervisão de Henrique Amorim 

Foto da galeria
Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Vínculos

sexta-feira, 14 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Há vínculos que o tempo não dissolve. Ainda bem. Eles não precisam de presença constante, nem de provas diárias. Bastam o reconhecimento silencioso e a leveza de ser aceito exatamente como se é. Assim nasce a amizade genuína — esse raro encontro entre almas que não disputam espaço, mas se acolhem no mesmo compasso.

Há vínculos que o tempo não dissolve. Ainda bem. Eles não precisam de presença constante, nem de provas diárias. Bastam o reconhecimento silencioso e a leveza de ser aceito exatamente como se é. Assim nasce a amizade genuína — esse raro encontro entre almas que não disputam espaço, mas se acolhem no mesmo compasso.

A amizade genuína é um dos raros vínculos que resistem à lógica utilitarista do tempo. Em um mundo que transforma pessoas em meios e não em fins, ser amigo é reconhecer no outro um valor em si mesmo, não pelo que ele oferece, mas pelo que ele é. Trata-se de um encontro ético e existencial, no qual o ser é aceito em sua inteireza, sem a tentativa de moldá-lo ao nosso espelho. Bem, ao menos eu acho que seja assim.

Não há um formato ideal, nem tampouco único. Pelo contrário. É na pluralidade que os vínculos se tornam singulares, que as pessoas se tornam especiais umas para as outras. A pulverização de nossa atenção a cada dia é tamanha, que as vezes parece não sobrar tempo e energia para viver as conexões que interessam.

A amizade verdadeira é rara. Despretensiosa. Não pede performance, não exige máscaras. Ela floresce a partir de um sentimento de querer bem. De desejar o bem. De se sentir bem. Em um mundo saturado de aparências, ser amigo de verdade é quase um ato de resistência: é permanecer leal à essência, mesmo quando o cenário muda, mesmo quando o outro se desnuda em suas fraquezas.

E talvez o poder da amizade esteja justamente nisso: em ser o lugar onde a alma pode descansar sem medo. Onde não é preciso convencer, nem brilhar, nem se defender. Amigo de verdade é quase um símbolo de fé na permanência, um testemunho de que ainda é possível se encontrar sem se perder.

Certa vez me disseram que um bom medidor para a intimidade entre pessoas é se sentir bem ao lado em silêncio, sem necessariamente puxar assunto, sem precisar justificar porque sumiu, o motivo de não ter ligado. Eu concordo. Relações exigem cuidado. Mas ele pode ser nutrido de diversas formas. Há uma sabedoria tácita nesses laços, uma compreensão que dispensa explicações ou padrões.

O poder da amizade pode também resultar de pequenas presenças. No “como você está?” dito com verdade. No “cheguei” que acalma, no “eu sei” que dispensa justificativas. No “conte comigo” sem ser da boca para fora. Na torcida leal pela felicidade do outro. No abraço que sempre é lar. É nesse cotidiano sutil que a amizade revela sua força: ela sustenta, reergue, ilumina.

E, quando o mundo parece desabar, é a mão do amigo que nos lembra que ainda há chão. A amizade genuína é farol em noite escura, aquela que não muda a tempestade, mas ajuda a atravessá-la.

Com o tempo, aprendemos que a vida não se mede pelo número de pessoas ao redor, mas pela profundidade dos vínculos que construímos. Amigos verdadeiros são raros, mas bastam poucos para que a existência ganhe sentido. Porque a amizade, quando é de verdade, é abrigo. É espelho. É cura.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.