A queda

Vinicius Gastin

Esportes

Jornalista e apaixonado por esportes, responsável pela coluna de esportes do Jornal A Voz da Serra desde 2012, dando vez a todas as modalidades esportivas de Nova Friburgo e região. Também é radialista e está à frente do jornalismo da Rádio Friburgo FM.

terça-feira, 18 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Além do campo e da frieza dos números, o que levou o Frizão para a Série B2?

       É complexo encontrar explicações certeiras que justifiquem o rebaixamento do Friburguense para a quarta divisão do futebol carioca. Seria impossível, por exemplo, não citar as transformações pelas quais o futebol brasileiro passou nos últimos anos. E o Tricolor da Serra, por limitações financeiras, estruturais e sem o devido apoio, não conseguiu acompanhar da maneira ideal.

       “Não tenho que explicar o resultado, ele fala por si só”. A frase emblemática do gerente de futebol do Friburguense, Siqueirinha, resume os números e todo o contexto de campo que levou o Tricolor da Serra à queda. Contudo, há um universo bem mais amplo para analisar e entender todo o processo que levou o clube à quarta divisão do futebol estadual.

       Algo que A VOZ DA SERRA tentará mostrar numa sequência de três reportagens, a partir desta e pelas próximas duas terças-feiras.

       “Eu sei que tudo que eu falar agora vai soar como desculpa. Como uma forma de explicação daquilo que deu errado. Não tenho que explicar o resultado, ele fala por si só, é um time rebaixado. Mas não faltou entrega, isso que é o mais importante. Eu acho que nunca se trabalhou tanto igual a esse ano. A gente teve a categoria de base de janeiro a novembro, tendo agora o profissional. Então se trabalhou demais, se construiu muito com tão pouco, mas os resultados não aconteceram. O que ainda faz a gente ter a cabeça erguida é saber da história verdadeira, como tem andado o processo”, pondera Siqueira.

       De fato, este foi um ano movimentado para o Friburguense. A base participou de diversas competições, voltou a receber os grandes clubes do Rio de Janeiro nas categorias inferiores e emplacou alguns de seus atletas mais promissores nas principais equipes da capital. Este é um tema que será tratado na próxima reportagem: o fato de o Frizão revelar, mas não conseguir manter os seus atletas.

       Atendo-se ao desempenho em campo nesta Série B1, o Friburguense encerrou a competição com apenas uma vitória e um empate. Foram nove derrotas, seis delas pelo placar 1 a 0. Os três gols marcados — apenas — evidenciam que faltou poder de fogo e, em muitas situações, tranquilidade e qualidade.

       “Nesse momento, a gente tem que pensar e saber que passa pela mão de cada um de nós o que vem acontecendo. Não só com a gente, mas com alguns clubes, e pedir apoio àqueles que amam de verdade o Friburguense, por ser o representante do nosso futebol. A gente já foi orgulho em determinado momento, e hoje é decepção. E isso é completamente compreensível, dentro daqueles que trabalham no futebol”, avalia Siqueirinha. 

 

Social se manifesta

       Outro aspecto notório nos últimos anos é a divergência de pensamentos e ações entre a parte social e o futebol do clube — o que não significa dizer que não haja alguma cooperação entre ambos. O futebol é terceirizado, mas é preciso que haja uma harmonia entre as partes. As primeiras linhas da nota publicada e assinada pelo presidente Elberth Heringer dizem: “A parte social do Friburguense Atlético Clube reconhece as dificuldades enfrentadas pelo futebol profissional e lamenta o momento atual”.

       Na continuidade do texto, são citadas as formas como o clube procurou colaborar para o sucesso do time, “mesmo com a gestão do futebol profissional estando terceirizada e oficializada em 21 de julho de 2023”. Dentre as ações é citado que o social abriu mão do aluguel do futebol, enquanto este não estiver na 1ª divisão do campeonato estadual. A nota também fala sobre a reforma e concessão do campo do Serrano e todos os espaços disponíveis para treinamento, bem como cita o pagamento de benefícios oriundos do futebol profissional, para ressarcimento posterior por parte do futebol.

       O clube também fala sobre a cessão de colaboradores e a criação, junto a uma empresa local, a cerveja do Frizão, onde o percentual das vendas destinado ao clube foi totalmente direcionado ao futebol profissional, além da instalação de para-raios para a realização de jogos no estádio Eduardo Guinle, no valor próximo a R$ 30.000,00.

       “A parte social do clube está comprometida em continuar buscando o melhor para o futebol profissional do Friburguense Atlético Clube e agradece a compreensão e o apoio de todos. É um assunto extremamente delicado e importante, que está sendo tratado internamente, mas acima de tudo requer respeito a todas as partes envolvidas e muita responsabilidade”, finaliza o texto.

 

 

Campanha do Friburguense

Friburguense 0x1 Carapebus, Eduardo Guinle

Petrópolis 1x0 Friburguense, De Los Lários

Friburguense 1x0 Serrano, Eduardo Guinle

Artsul 1x0 Friburguense, Nivaldo Pereira

Friburguense 0x1 Bonsucesso, Eduardo Guinle

Campo Grande 1x1 Friburguense, Ítalo del Cima

Friburguense 0x1 Duque de Caxias, Eduardo Guinle

São Cristóvão 3x1 Friburguense, Ronaldo Nazário

Paduano 2x0 Friburguense, Waldo Carneiro

Friburguense 0x1 Niteroiense, Eduardo Guinle

Nova Cidade 1x0 Friburguense, Joaquim A. Flores

 

 

Números do Friburguense na Série B1

Jogos: 11

Pontos: 4

Vitórias: 1

Empates: 1

Derrotas: 9

Gols marcados: 3

Gols sofridos: 13

Saldo de gols: -10

Aproveitamento: 12,1%

Foto da galeria
Campanha abaixo do esperado decreta rebaixamento à penúltima divisão do futebol do Rio (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)
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