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Amizade, um bem que não tem preço

quarta-feira, 03 de junho de 2026
por Max Wolosker

Amizade (do termo latino vulgar amicitate) é uma relação afetiva, a princípio sem características romântico-sexuais, entre duas ou mais pessoas. Em sentido amplo, é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo e a afeição, além de lealdade ao ponto do altruísmo. A amizade, tem sido considerada pela religião e cultura popular, como uma experiência humana de vital importância, inclusive tendo sido santificada por várias religiões. Muitas vezes, os interesses dos amigos são parecidos e demonstram um senso de cooperação.

Amizade (do termo latino vulgar amicitate) é uma relação afetiva, a princípio sem características romântico-sexuais, entre duas ou mais pessoas. Em sentido amplo, é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo e a afeição, além de lealdade ao ponto do altruísmo. A amizade, tem sido considerada pela religião e cultura popular, como uma experiência humana de vital importância, inclusive tendo sido santificada por várias religiões. Muitas vezes, os interesses dos amigos são parecidos e demonstram um senso de cooperação. Mas também há pessoas que não necessariamente se interessam pelo mesmo tema, mas gostam de partilhar momentos juntos, pela companhia e amizade do outro, mesmo que a atividade não seja a de sua preferência. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Amizade

Esse início é em função do que nos aconteceu em nossa última viagem ao Nordeste, no mês passado. O objetivo foi ir a João Pessoa-PB visitar nosso filho, mas paramos, antes em Maceió-AL e na Praia dos Carneiros (Pernambuco). E foi nesse local que conhecemos nossas mais novas amigas, Josi e Simone, ambas paulistas, uma de Bauru e outra de Americana.

Tudo começou, no café da manhã, na pousada onde estávamos hospedados, sentados em mesas próximas, quando contei à Simone, loura, alta e muito bonita, que quando era jovem, fui a uma festa de 15 anos e na frente da minha mesa, tinha uma moça loura e, também, muito bonita, o que despertou minha vontade de dançar com ela.

O problema é que ela estava recostada na cadeira e quando se levantou foi que percebi o quanto era alta, em relação a mim. Minha cabeça ficava abaixo do ombro do meu par. Mas, já não tinha como desistir.

Lógico que não conhecíamos as duas, mas quando contei isso, foi uma gargalhada geral e o estopim para nos conhecermos e começar uma amizade que tem tudo para perdurar mais do que um simples encontro durante uma viagem, aquele que dura e desaparece com o passar do tempo. Quantas pessoas já conhecemos ao longo de nossas viagens e esquecemos à medida que a vida seguia o seu curso?

Foram dois dias intensos, passados num local chamado Bora-Bora, um day-use, talvez o mais famoso da praia dos Carneiros e que fica próximo da Igreja de São Benedito, uma das principais atrações do local. Saíamos cedo da pousada, passávamos o dia todo lá, com direito a petiscos, drinks e almoço, além de caminhadas pela praia e banhos nas várias piscinas naturais do extenso litoral, onde se situa a praia. À tarde, voltávamos para a pousada e, depois de um pequeno descanso, ficávamos à beira da piscina, curtindo o entardecer e jogando conversa fora.

O mais engraçado é que os assuntos surgiam naturalmente, como se fossemos pessoas que já se conheciam de longa data. Chegou a terça feira, dia de nossa partida para João Pessoa com as devidas despedidas e a famosa troca de telefones. Simone e Josi ficaram em Carneiros até sábado e nós em João Pessoa até terça, 26 de maio, quando retornamos a Friburgo. Mas, desde então não passou um dia em que tanto a Oneli, minha esposa, e eu não tenhamos trocado mensagens, nem que fosse um bom dia com as nossas novas amigas.

O poder da amizade

Talvez, em função dos problemas que ambas enfrentam, no momento, em suas vidas, fizeram com que vissem em nós pessoas confiáveis, prontas a escutar e emitir algumas opiniões em função da maior experiência de vida que temos, por sermos mais velhos. No entanto, esse é o poder da amizade, pois se não fosse a grande empatia que se criou entre nós, certamente esqueceríamos os problemas mútuos e a vida continuaria, como se nada tivesse acontecido.

Mas, o que se passa com elas virou, para nós, uma necessidade de orar e torcer para que tudo se encaixe e que a vida continue, para elas, sem os problemas que tanto as incomodam. E aí vi essa frase: “A amizade não vem como um vento e logo desaparece. Vem devagar, quase parando, e começa a fazer efeito cada dia mais, arrasando os corações dos verdadeiros amigos”, no site www,pensador.com/poemas_ de_ amizade;  dele copiei esse poema, de autor desconhecido, que transcrevo a seguir:

“Mais que uma mão estendida, mais que um belo sorriso, mais do que a alegria de dividir,

 Mais do que sonhar os mesmos sonhos, muito mais do silêncio que fala ou da voz que cala para ouvir,

 É a amizade o alimento que nos sacia a alma e que nos é ofertado por alguém que crê em nós.”

Infelizmente, o que vemos no mundo de hoje é uma falta de empatia total entre as pessoas, cada um pensando em si próprio e nos seus problemas, ligados o tempo todo na internet como tábua de salvação. Esquecem que gestos simples, como um abraço, um sorriso, um aperto de mãos ou escutar as aflições dos que nos cercam, são suficientes para confortar e alegrar nossos semelhantes e nos deixar com a certeza que contribuímos, de alguma maneira com o bem estar de alguém. E é aqui que entra o significado da verdadeira amizade, aquela que une, alivia as angústias, torna a vida mais leve e alegre.

Festa dos médicos

Não poderia terminar sem assinalar o sucesso da festa dos médicos, no espaço Natureza, bairro Ypu, na última sexta feira, 29 de maio. A Associação Médica de Friburgo estava adormecida desde o início da pandemia da Covid e essa festa marcou um reencontro da classe médica, com uma ótima integração entre os novos e os antigos. Os amigos de outrora se reencontraram, reforçaram a antiga amizade e os novos, futuro da medicina da cidade, tiveram a oportunidade de conviver, numa organização perfeita, com aqueles que escreveram a história da medicina friburguense. Foi uma maneira de se integrarem, fazerem novas amizades e participarem do renascimento da Associação Médica de Nova Friburgo que sem dúvida vai acontecer muito em breve.

A amizade, mola mestra do mundo, mostrou a sua força.

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O Dia das Mães

quarta-feira, 13 de maio de 2026
por Max Wolosker

Uma mãe tem certeza de que pode afirmar, sem errar, que o rebento é seu filho, coisa que, infelizmente, os pais não podem fazê-lo de maneira 100%, já diz o adágio popular. Mas, essa data tem particularidades, pois não é unanimidade em todos os países, sendo comemorada em datas diferentes nos vários cantos do mundo.

Uma mãe tem certeza de que pode afirmar, sem errar, que o rebento é seu filho, coisa que, infelizmente, os pais não podem fazê-lo de maneira 100%, já diz o adágio popular. Mas, essa data tem particularidades, pois não é unanimidade em todos os países, sendo comemorada em datas diferentes nos vários cantos do mundo. Uma grande maioria como Alemanha, Austrália, Áustria, Brasil, Canadá, China, Colômbia, Dinamarca, Equador, Estados Unidos, Finlândia, Grécia, Itália, Japão, Nova Zelândia, Países Baixos, Peru, Suíça, Taiwan, Turquia, Uruguai, Venezuela, Zâmbia o segundo domingo de maio foi a data escolhida para essa festividade, mas existem países com a Noruega, Índia, Argentina, Iugoslávia, e muitos outros em que a data é lembrada em meses diferentes.

De acordo com o site https://portaleducamais.com/dia-das-maes-origem-historia-curiosidades-e-significado/, o Dia das Mães é uma das datas comemorativas mais celebradas em todo o mundo, cuja origem remonta à Grécia Antiga. Nessa época, já se realizavam festivais em homenagem à deusa Reia, considerada a mãe de todos os deuses. Porém, o que conhecemos hoje como Dia das Mães começou a tomar forma nos Estados Unidos, no início do século 20.

A professora e ativista Anna Jarvis liderou um movimento para homenagear sua mãe, Ann Reeves Jarvis, que havia sido uma importante figura na luta por melhores condições de saúde para mulheres e crianças durante a Guerra Civil americana. Em 1914, o então presidente dos EUA, Woodrow Wilson, oficializou o segundo domingo de maio como o Dia das Mães nos Estados Unidos. A iniciativa logo se espalhou por outros países, inclusive o Brasil.

A partir da comemoração americana, muitos países seguiram a tendência. Aqui, a Associação Cristã de Moços do Rio Grande do Sul foi quem importou a data, em 1918, sendo oficializada pelo presidente Getúlio Vargas apenas em 1932. Em outros países, tradições religiosas ou seculares acabam suplantando a data original: em Portugal, por exemplo, o primeiro domingo de maio é ligado ao dia de Santa Maria, segundo a tradição católica do país, já na Bolívia o dia 27 de maio foi o escolhido, por conta da defesa de mães em favor de seus filhos em uma batalha contra o exército espanhol, em 1812. Portanto, cada país adaptou essa data de acordo com os seus interesses.

Mas, seja em janeiro, fevereiro, maio, não importa o mês, essa data tem um significado especial, pois além de festejar a maternidade, coloca em destaque o papel da mulher na sociedade moderna. Apesar de que no passado remoto, ela tenha sido relegada a um segundo plano, a importância da mãe jamais foi renegado e sempre marcou, profundamente, a história humana. Foi de um ventre materno que saíram as figuras mais importantes de que temos conhecimento tais como Abrãao, Jesus Cristo, Leonardo da Vinci, Napoleão Bonaparte, Albert Einstein, Albert Sabin, etc.

Apesar dos regimes totalitários tentarem, de todas as maneiras, destruírem a família, como instituição norteadora das nações, é a mulher que detém o papel de destaque na manutenção da família e da sociedade. Além de botar no mundo um novo ser, cuidar dele com uma força e a perseverança inigualáveis, os educa, os orienta e os prepara para serem alguém, quando adultos, mantendo a chama da vida sempre acesa. Figuras de destaque ou não, seja em que país for, sempre tiveram uma mãe, na retaguarda, dando o apoio e a orientação necessárias para que se tornassem pessoas importantes na sociedade. É lógico que não se nega a importância do pai na criação dos filhos, mas a ligação que se inicia no ventre materno, faz o diferencial. O pai é, em tese, o provedor da família e o protetor desse núcleo, mas as necessidades da vida moderna modificaram esse conceito. A mulher além das tarefas básicas da maternidade, tem de se desdobrar em outras atividades o que enaltece ainda mais a figura do ser mãe.

Hoje, como não podia deixar de ser, o Dia das Mães se banalizou, em função de se tornar muito mais uma festa comercial, uma maneira de aumentar as vendas do comércio, junto com o Natal, a Páscoa, o dia das Crianças e o dia dos Namorados. Mas, o que temos de ter em mente é que dar presentes, na realidade, é um hábito que se tornou rotina, mas que se torna pequeno face à grandeza do amor que se dedica a essa figura tão importante, na vida de todos nós. Quem já as perdeu em função da realidade da vida, não deixe nessa data de fazer uma oração em sua memória, pois a elas devemos a nossa existência, nosso desempenho no dia a dia de nossa estada aqui na Terra.

Parabéns a todas as mães de nossa cidade, não importa se vivas ou já falecidas, pois elas têm lugar na história e é nossa obrigação lembrar delas sempre, com amor e carinho.

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Padre Jacob Joÿe, primeiro pároco de Nova Friburgo.

quarta-feira, 06 de maio de 2026
por Max Wolosker

Uma explicação para com a pronúncia correta do nome do padre Joÿe. As palavras em francês, com oi se pronunciam abertas, por exemplo oiseaux se pronuncia “uasou”. Quando têm um trema em cima do i ou y a pronúncia é fechada, daí o nome dele ser joie e não jua.

Uma explicação para com a pronúncia correta do nome do padre Joÿe. As palavras em francês, com oi se pronunciam abertas, por exemplo oiseaux se pronuncia “uasou”. Quando têm um trema em cima do i ou y a pronúncia é fechada, daí o nome dele ser joie e não jua.

Portugal era e ainda é um país católico e daí que nas suas expedições marítimas, sempre tinha um padre a bordo. Quando as primeiras naus saíram do lago de Estavayer-le Lac, na Suíça, rumo ao Brasil, em 1819, pelo menos dois sacerdotes foram embarcados, em virtude do acordo feito entre o governo de D. João VI e o cantão de Fribourg.

Nele constava que os imigrantes deveriam ser católicos apostólicos romanos, daí a presença dos abades Jacob Joÿe e Joseph Aeby. Infelizmente Aeby morreu em Santo Antônio de Sá, quando se banhava no Rio Macacu, às vésperas de chegar ao seu destino. Portanto Jacob, em virtude de um infortúnio, se tornou o primeiro padre da Vila de Nova Friburgo.

Joÿe é um grande personagem dos primórdios da história de Friburgo, sendo imputado a ele duas obras que permanecem até hoje na memória da cidade, além da sua participação ativa no desenvolvimento sócio político da cidade. Interessante é que ele exercia seu ofício em Villaz-St-Pierre (Suíça) e aceitara, para surpresa de seus paroquianos, trocar a Europa pela aventura do Novo Mundo.

Primeiro vigário da matriz

De acordo com o site https://diocesenf.org.br/catedral-diocesana-sao-joao-batista/, “a pedido de Dom João VI, a paróquia da Vila de Nova Friburgo deveria ser dedicada a São João Batista, porque o rei e sua família eram seus devotos – daí o seu nome de batismo”.

“O primeiro vigário da Matriz foi o padre Jacob Joÿe e a pequena capela estava situada numa subida chamada “Chatô” (hoje Colégio Anchieta). Distando cerca de dois quilômetros do centro da Vila era um lugar de difícil acesso e, ao chover, era impossível subir até lá (isto em 1820). Esta circunstância dificultava as celebrações religiosas o que desagradava ao padre Joye e aos fiéis”.

Vale a pena assinalar que Jacob cansado de solicitar, à Coroa Portuguesa, a construção de uma igreja, transferiu as cerimônias religiosas para as dependências da Câmara. Por doação do então Barão de Nova Friburgo, num terreno situado na atual Praça Dermeval Moreira, foi construída a nova Igreja Matriz, cuja duração levou oito anos, sendo inaugurada em 8 de dezembro de 1869, três anos após a morte de seu idealizador.

Uma curiosidade em torno dessa obra: nosso primeiro pároco recebeu muito mal o pastor Friedrich Sauerbronn, representante da Igreja Luterana e que veio com os colonos alemães para Nova Friburgo; para piorar a relação entre eles, a primeira igreja luterana do Brasil, foi fundada em 1858 (11 anos antes da sua congênere católica), e foi utilizada até 1952, quando foi inaugurado o novo templo.

Estes aspectos legais envolvendo religiosidade e administração pública imperial trouxeram alguns aborrecimentos e entraves na vida das pessoas. Não custa lembrar que entre os suíços havia pessoas que confessavam o protestantismo, mas assinaram um documento de abjuração como condição de imigração e que, com a chegada dos protestantes alemães, alguns destes se encorajaram para voltar a sua origem religiosa que no íntimo nunca haviam abandonado. E estes acontecimentos produziram ressentimentos e desconfianças entre as denominações religiosas da época.

Fundação da Loja Maçônica

O segundo feito de importância do Padre Jacob, foi a sua participação na fundação da Loja Maçônica Indústria e Caridade, nº 49, de Friburgo. No Brasil, a Maçonaria chega em princípios do século 19 e Nova Friburgo recebeu uma das primeiras lojas maçônicas, daí o número 49. Curiosamente foi o padre Jacob Joye, guia espiritual dos colonos suíços que participou da fundação da maçonaria na vila da Nova Friburgo, em 2 de janeiro de 1839, onde exerceu o cargo de 1º tesoureiro.

Qual teria sido a razão para ele participar de uma loja maçônica em tão pacata vila, antes mesmo da importante Cantagalo? Possivelmente para criar uma instituição que auxiliasse os colonos suíços já que a administração colonial havia sido extinta em 1831. Como os suíços ficaram, desde então, sob a administração da Câmara Municipal, provavelmente, o padre viu na maçonaria uma forma de prover e amparar os colonos.

Ele também teve aspirações políticas, tanto que, por força da lei de 10 de outubro de 1828, iria se proceder, através dos “homens bons”, a primeira eleição municipal da história da vila. Dentre 305 eleitores que votavam em mais de um candidato, o vigário Joÿe, que também aspirava o cargo de prefeito da cidade, teve cinco votos a menos que o eleito Jean Bazet, que como já foi dito, anteriormente, foi o primeiro médico da vila de Nova Friburgo, apesar de francês de origem.

Naquela época, o vereador com maior número de votos tornava-se o mandatário da vila No entanto, se não foi prefeito ficou como vereador, sendo reeleito várias vezes até que seu temperamento irrequieto o levou a uma pífia votação, em 1837. A partir daí termina sua participação na política da cidade. 

Em meados de 1840, o guia espiritual dos colonos suíços foi atraído pela tradição de fé e devoção, dos imigrantes oriundos da Europa Central e região mediterrânea, principalmente genoveses, napolitanos e venezianos, estabelecidos em São José do Ribeirão, na época pertencente à Vila de Nova Friburgo. Deixou, então a Vila de Friburgo e mudou-se para aquela localidade. Muito arraigado às causas sociais, o Padre Jacob Joÿe sempre utilizava as arrecadações em prol dos órfãos e viúvas, alforrias e libertação de vários homens de origens diversas.

Ele faleceu em 8 de julho de 1866, aos 75 anos de idade; seus restos mortais repousam nas dependências da Paróquia de São José do Ribeirão, hoje pertencente ao município de Bom Jardim.

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Jean Bazet, primeiro médico de Nova Friburgo

quarta-feira, 29 de abril de 2026
por Max Wolosker

Não sou historiador, mas confesso que sempre tive uma queda pela história, principalmente, quando ela é um assunto de interesse geral e ao mesmo tempo faz parte de um contexto no qual vivemos. Sendo assim, resolvi dar um mergulho nas origens de Friburgo e resgatar personagens importantes da história da cidade. Muitos estão esquecidos na roda do tempo, mas merecem nossa lembrança, pois fizeram parte importante dos primórdios de nossa cidade.

Não sou historiador, mas confesso que sempre tive uma queda pela história, principalmente, quando ela é um assunto de interesse geral e ao mesmo tempo faz parte de um contexto no qual vivemos. Sendo assim, resolvi dar um mergulho nas origens de Friburgo e resgatar personagens importantes da história da cidade. Muitos estão esquecidos na roda do tempo, mas merecem nossa lembrança, pois fizeram parte importante dos primórdios de nossa cidade. Não custa lembrar que ela começou num acordo entre a corte portuguesa, no Brasil, em 1818, e o cantão de Fribourg, na Suíça, para a vinda de 100 famílias a se instalarem na, então Fazenda do Morro Queimado, hoje Nova Friburgo. Em fins de 1819 e começo de 1820 aqui chegaram as primeiras 30 famílias, para ocuparem os espaços a elas destinados. Posteriormente vieram os demais, num total de 1.631 pessoas.

Francês de nascimento, Jean Julien Bazet ou simplesmente Jean Bazet, foi o primeiro médico da colônia suíça de Nova Friburgo. Era natural da freguesia de Nay, Departamento dos Baixos Pirineus, região francesa próxima à fronteira espanhola, daí falar tanto o francês quanto o espanhol. Ele tinha 28 anos de idade quando emigrou para o Brasil, aqui chegando em 8 de fevereiro de 1820 a bordo do navio Camillus. Os motivos que o levaram a se engajar como médico entre os colonos não são de todo conhecidos, bem como sua vida pregressa na França. Talvez, o espírito de aventura e a falta de perspectivas, numa Europa ainda se recuperando dos estragos das guerras napoleônicas, tenham motivado a sua escolha.

Em junho de 1820, foi agraciado com os títulos de Médico dos Colonos Suíços da Vila de Nova Friburgo e de Médico Honorário da Casa Real, o que lhe conferiu significativo prestígio entre os colonos e os proprietários locais, principalmente, com relação aos cuidados característicos de sua profissão. Aliás, os dados sobre sua atuação como médico são pouco conhecidos, talvez pela falta de informações precisas e mesmo de manuscritos dessa época. Acredito que nos primórdios da cidade, o médico ia de casa em casa para cuidar dos doentes, portanto sem anotações de suas atividades. No entanto, ele tornou-se uma figura proeminente tanto em Friburgo, como na corte.

Totalmente aclimatado em Nova Friburgo, Jean Bazet se casou, em 24 de setembro de 1829, com Justine Froidevaux, de 25 anos, ela também filha de imigrantes suíços. Desse casamento nasceram três filhos, as duas últimas, do sexo feminino, batizadas na Igreja da Glória, reduto da aristocracia na corte, figurando entre os padrinhos de ambas, Antônio Clemente Pinto (o Barão de Nova Friburgo) e sua esposa Laura Clementina da Silva Pinto.

No entanto, foi na política que ele mais se destacou, iniciando a saga de médicos friburguenses que tiveram papel importante na condução dos destinos da cidade como foi o caso de Feliciano da Costa, Amâncio Azevedo e Vanor Tassara Moreira. Ao longo do tempo em que residiu em Nova Friburgo, ele ocupou, por três ocasiões, entre 3 de fevereiro de 1829 e 11 de janeiro de 1833, 16 de janeiro de 1838 a 7 de janeiro de 1845 e finalmente entre 20 de janeiro de 1846 e 20 de maio de 1849, a presidência da Câmara de Vereadores local. Basta dizer que o presidente da Câmara significava ser o prefeito da época. Entre os anos de 1851 e 1852 exerceu, também a presidência do Sous Comité Friburguense da Sociedade Filantrópica Suíça, conforme o Almanaque Laemmert.

Autoridade

A ascensão de Bazet como autoridade máxima de Nova Friburgo, ocorre quando, por força da lei de 1º de outubro de 1828, iria se proceder, através dos “homens bons”, a primeira eleição municipal da história da vila. Dentre 305 eleitores que votavam em mais de um candidato, obteria o médico 158 votos, cinco a mais do que o vigário Joÿe, que também aspirava o cargo. Em terceiro figuraria um luso-brasileiro, Joaquim Antonio Marques. Esta seria uma das raras vezes em que membros da colônia exerceriam o poder, suplantando o elemento luso.

Uma curiosidade e um dado digno de observação durante este período é o significativo número de escravos acumulados por Jean Bazet. Embora exercesse a medicina como atividade principal, era também dono de terras destinadas à agricultura. Tal circunstância demonstra uma vez mais, que ao contrário do que se quis fazer acreditar, os colonos suíços e outros funcionários estrangeiros ligados à vila de Nova Friburgo, adaptaram-se perfeitamente ao sistema escravista, ainda que alguns, em um primeiro momento e por breve tempo, repudiassem o modelo. Por isso, há pessoas que entendem a ocupação suíça, em Friburgo, como uma chegada de imigrantes a convite do rei de Portugal. Eles não foram colonizadores, no sentido de terem trazido e implantado a sua cultura em terras friburguenses. Pelo contrário, absorveram os hábitos e costumes dos portugueses.

Vale a pena acrescentar que Bazet além de médico, político e agricultor, se lançou também no ramo dos negócios, como empreiteiro associado a Auguste Mulaz. No entanto, essa sua faceta durou pouco tempo e ele se afastou do empreendimento.

No início do ano de 1853, João Bazet ainda residia na vila de Nova Friburgo, entretanto, sua saúde encontrava-se debilitada. Tudo indica que por volta de 1856 ele retirou-se para a França com o objetivo de se tratar; apesar de não sabermos qual moléstia fez o médico sucumbir, seu inventário indica a data de 25 de abril de 1858 e a cidade de Paris, como a data e o local de sua morte.

Justa homenagem 

Passaram-se anos até que Jean Bazet tivesse o reconhecimento da cidade, pelo seu trabalho em prol de Friburgo. De acordo com a edição de A VOZ DA SERRA de 26 de agosto de 2009, “o prefeito Heródoto Bento de Mello recebeu com bastante entusiasmo a notícia da decisão unânime da Câmara Municipal, em adotar o nome do francês Jean Bazet em seu plenário. O prefeito aproveitou para parabenizar os vereadores pela decisão que julgou acertada: A Câmara fez justiça com a história de Nova Friburgo; reparou um feito de quase 200 anos e deu um exemplo de que temos que prestigiar, em nossos prédios públicos, os nomes daquelas personalidades que têm ligação direta com o nosso município. Nada de nomear os prédios municipais e logradouros, por exemplo, em homenagem a quem nada tem a ver diretamente com o nosso município, defendeu”.

A maioria dos dados desse artigo foram obtidas no: “Migrantes no Império do Brasil: A Trajetória de Jean Bazet nas Origens da Vila de Nova Friburgo, 1820-1858” (www.academia.edu) e no post de Imigração Suíça no Brasil 1819, no Facebook, em 4 de julho de 2017, além dos arquivos de A VOZ DA SERRA. 

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Enfim, Botafogo volta a vencer e convencer

terça-feira, 21 de abril de 2026
por Max Wolosker

Apesar de John, 171, Textor, do frangoleiro (mistura de frangueiro com goleiro) Neto e contar, de novo, com um técnico em início de carreira, o português Franclim Carvalho, o Fogão voltou a vencer e convencer. No último sábado, 18, na arena Condá, estádio da Chapecoense, com 21 minutos de jogo, o placar já mostrava 3 a 1 para o time de General Severiano, com uma exibição para lá de convincente, lembrando o desempenho do time campeão do Campeonato Brasileiro e da Libertadores da América, de 2024.

Apesar de John, 171, Textor, do frangoleiro (mistura de frangueiro com goleiro) Neto e contar, de novo, com um técnico em início de carreira, o português Franclim Carvalho, o Fogão voltou a vencer e convencer. No último sábado, 18, na arena Condá, estádio da Chapecoense, com 21 minutos de jogo, o placar já mostrava 3 a 1 para o time de General Severiano, com uma exibição para lá de convincente, lembrando o desempenho do time campeão do Campeonato Brasileiro e da Libertadores da América, de 2024.

Sem inventar, escalando jogadores nas suas reais posições. Com um meio de campo formado por Danilo, Edenílson e Cristian Medina que vem ganhando entrosamento e versatilidade e dois jogadores de frente, que vinham rendendo pouco, Mateus Martins e Arthur Cabral, mas que reencontraram seu melhor futebol, o time engrenou. Apesar de, no momento, ter a defesa mais vasada do atual Brasileirão com 22 gols sofridos, tem o ataque mais positivo com 22 gols marcados. Aliás, parece que agora, com o zagueiro Ferraresi atuando com mais firmeza e segurança que o antigo titular Bastos, a retaguarda começa a encontrar seu rumo, dando à equipe o equilíbrio que ela precisa, para um bom desempenho.

Atualmente, o Fogão está na nona colocação, com 16 pontos ganhos, mas um jogo a menos do que os demais participantes. Isso se deveu pela sua pífia participação no torneio pré-classificatório de grupos da Libertadores, quando era dirigido pelo horroroso Martín Anselmi. Esse argentino mudou completamente a maneira de atuar do Botafogo, insistindo com a atuação de três zagueiros, sendo sempre um improvisado, como era o caso de Mateo Ponte, lateral direito de origem e deslocado para a zaga. O uruguaio se sentia como um peixe fora d`água por não ter a menor noção da posição. Uma coisa é um improviso motivado por uma expulsão ou contusão, outra jogar os 90 minutos num setor que não era o dele.

Edenílson veio emprestado pelo Grêmio, onde não estava rendendo e sendo pouco aproveitado. No entanto, no Botafogo ele se transformou em peça importante do time e, a meu ver, tem lugar garantido, só devendo ser substituído, no caso da sua carga de atuação estar muito elevada. Mas, quem está surpreendendo mesmo é Mateus Martins. Atuando como ponta pela esquerda, autor de dois gols no sábado, o segundo deles de rara beleza, parece que desencantou e voltou a exibir o futebol que levou à sua contratação. É um dos artilheiros do time, na atual temporada, ficando atrás apenas de Danilo, que é também o melhor jogador do time e deve ter convocação garantida para a copa do mundo, correndo por fora pela titularidade da seleção. Joga muita bola.

Uma coisa que chama a atenção em Mateus Martins é que ao acreditar nele e escalá-lo com mais frequência, o treinador devolveu-lhe a confiança que ele precisava para suas atuações. Isso mostra que esse hábito de alguns “professores” de escalarem jogadores diferentes de um jogo para outro, não cria a consistência e o entrosamento que todo jogador e, por que não, toda equipe, não importa qual a modalidade, necessita para seguir adiante.

Com Franklin, o Botafogo está invicto a quatro jogos, sendo dois empates e duas vitórias. Apesar de ser estreante na profissão, como foi assistente do técnico Artur Jorge na temporada vitoriosa de 2026, ele já conhece vários jogadores do atual plantel. Além disso, tem a percepção de qual o melhor esquema a ser implantado na equipe, para que ela possa render e gerar bons resultados.  Atualmente, o Fogão é o líder de seu grupo, na Sul-Americana edição de 2026 e, apesar de não ter a mesma importância da Libertadores, é uma competição internacional e que garante vaga na principal competição do continente ano que vem.

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Nova Friburgo se degrada a olhos vistos

quarta-feira, 15 de abril de 2026
por Max Wolosker

Na década de 1860, no século 19, a Baía de Guanabara deveria ser linda, pouco poluída, com um mar azul cristalino e muitas ilhas no seu interior. Existia um conjunto de ilhas, cuja maior com o nome de Sapucaia foi escolhida, a partir de 1865 para ser o vazadouro de lixo da cidade do Rio de Janeiro, o que degradou em muito o local. Em 1949 essas ilhas foram interligadas por um aterro, dando origem a atual Ilha do Fundão, para abrigar a cidade universitária, da então Universidade do Brasil.

Na década de 1860, no século 19, a Baía de Guanabara deveria ser linda, pouco poluída, com um mar azul cristalino e muitas ilhas no seu interior. Existia um conjunto de ilhas, cuja maior com o nome de Sapucaia foi escolhida, a partir de 1865 para ser o vazadouro de lixo da cidade do Rio de Janeiro, o que degradou em muito o local. Em 1949 essas ilhas foram interligadas por um aterro, dando origem a atual Ilha do Fundão, para abrigar a cidade universitária, da então Universidade do Brasil. Com isso, um lugar degradado deu origem a um excelente local de formação universitária para os jovens do Rio de Janeiro e do Brasil

Infelizmente, Nova Friburgo está tomando esse rumo, o da degradação, em função do descaso que a cidade vem recebendo a partir da entrada, em cena, de prefeitos despreparados, desconhecendo a história e a importância que essa cidade já teve, desde a sua fundação até o final da década de 1990 do século passado. Pode-se falar mal de César Guinle, Feliciano Costa, Amâncio Azevedo, José Eugênio Muller, Alencar Pires Barroso, Heródoto Bento de Melo ou de Paulo Azevedo, mas foram homens que além dos interesses pessoais fizeram muito por Friburgo e se preocuparam com seu papel dentre as cidades a serem lembradas no antigo Estado do Rio de janeiro e, do novo estado, após a fusão dos estados do Rio e Guanabara, a partir de 1º de julho de 1974, durante o governo do general Ernesto Geisel.

Houve uma época em que Friburgo só ficava atrás das cidades do Rio de Janeiro, Niterói, Campos e Petrópolis, dada a importância das suas belezas naturais, das suas indústrias, da sua rede hoteleira e da sua pujança cultural, com colégios ranqueados entre os melhores do estado, teatros e cinemas, estações de rádio e pelo menos dois jornais importantes. Era, também, um polo de atração turística, com seus inúmeros grandes hotéis.

A partir da derrota de Paulo Azevedo para Saudade Braga, em 2000, os ventos passaram a ter a direção sudeste, conhecido como um mau vento e a cidade começou seu calvário de declínio. Demerval Neto, Rogério Cabral, Renato Bravo e, atualmente, Johnny Maycon completaram a lista de alcaides que conseguiram descaracterizar a, então, Suíça Brasileira. Tanto é assim, que os outrora famosos encontros da Associação Fribourg-Nova Friburgo, que estreitavam os laços entre os dois países, com suíços sendo hospedados por famílias friburguenses e com a recíproca, no país helvético, praticamente, desapareceram.

A colonização suíça só permanece viva, na memória dos descendentes mais antigos e que viveram aqueles encontros memoráveis. A cidade se descaracterizou e perdeu seu charme. Posso afirmar isso, pois próximo de completar 50 anos morando aqui, acompanhei com desgosto a sua derrocada.

A atual legislação é um desastre, nas mãos de um jovem que tinha tudo para deixar seu nome gravado na história, mas que preferiu seguir a tônica que caracteriza os políticos brasileiros atuais: o descaso com a coisa pública. Nova Friburgo é hoje uma cidade esburacada, não importa o bairro, com um calçamento sem nenhum tipo de conservação, onde o que impera é a falta de conservação. Não é possível que o responsável pela supervisão das vias públicas não veja isso, A não ser que seu deslocamento pela cidade seja feito de helicóptero.

Trânsito caótico

O trânsito um horror sem que a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana tome qualquer providência. O que ocorre em frente a Superpão, no Paissandu, é uma calamidade, onde motoristas chegam ao ponto de estacionarem em fila dupla, numa pista de rolamento, que já é por si só um caos. Não se vê no local, um agente sequer do referido órgão, para pôr ordem naquele descalabro. É um espanto que um acidente mais sério ainda não tenha ocorrido. Não para por aí, pois avanços de sinais, ultrapassagens perigosas, alta velocidade, circulação em áreas de contramão e imprudência são uma constante. A falta de educação de alguns motoristas de Friburgo é um caso de polícia. A omissão do poder público uma constante.

Lixo nas ruas

A sujeira da cidade salta aos olhos até dos menos observadores. Lixo nas ruas, não é culpa dos lixeiros, trabalhadores dignos e muitas vezes desprezados, mas da omissão das autoridades que não promovem uma campanha para educar a população, nem disponibilizam e fiscalizam locais para recolhimento de lixo, não executam uma capina regular nos locais que têm mato, o que propicia surgimento de ratos e outras pragas. Sem falar nos imóveis mal-conservados, que denotam o desleixo do proprietário e da falta de fiscalização, além de serem propícios para invasões.

Saúde: doença crônica

 A saúde pública é outro problema, onde o descaso com o Hospital Raul Sertã é uma constante. Recentemente, um documento divulgado por servidores daquele nosocômio elevou ainda mais a pressão sobre esse importante segmento da cidade. O texto foi definido pelos próprios trabalhadores como um verdadeiro pedido de socorro e reúne denúncias graves sobre falta de profissionais, ausência de materiais básicos e dificuldades em vários setores da principal unidade hospitalar da cidade.

Pão e circo

 Mas, justiça seja feita, o que não falta são festas para todos os gostos. A máxima de que para o povo basta pão e circo, é atribuída ao imperador romano Júlio César e nos lembra de uma realidade antiga, mas que ecoa até hoje: quando as pessoas são mantidas entretidas e com necessidades básicas supridas, tendem a não questionar ou buscar mudanças. “Pão e circo” representam mais do que comida e diversão; é uma estratégia para desviar a atenção daquilo que realmente importa.

Nova Friburgo pede socorro e cabe a nós moradores, restaurar a importância e pujança que ela já teve.

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Oitenta e um anos de informação séria e de qualidade

terça-feira, 07 de abril de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Na terça feira, dia 07/04/2026, o jornal A Voz da Serra completou oitenta e um anos de existência. Fundado por Américo Ventura Filho, a princípio como um jornal de divulgação do partido político PSD, era um concorrente do A Paz, representante da UDN e do O Nova Friburgo, do PTB, os mais importantes partidos políticos da cidade e que a cada quatro anos disputavam as eleições municipais. Mas, a preocupação de Américo Ventura era também a de informar a população friburguense dos acontecimentos da época, na cidade e municípios limítrofes de Friburgo.

Na terça feira, dia 07/04/2026, o jornal A Voz da Serra completou oitenta e um anos de existência. Fundado por Américo Ventura Filho, a princípio como um jornal de divulgação do partido político PSD, era um concorrente do A Paz, representante da UDN e do O Nova Friburgo, do PTB, os mais importantes partidos políticos da cidade e que a cada quatro anos disputavam as eleições municipais. Mas, a preocupação de Américo Ventura era também a de informar a população friburguense dos acontecimentos da época, na cidade e municípios limítrofes de Friburgo. Claro que o que acontecia de importante no Brasil ou no mundo, também virava notícia no jornal. No entanto, o que chama mais a atenção é que de todos os jornais que já tivemos por aqui, somente o A Voz da Serra permanece em atividade, até os dias de hoje.

Em 23/02/1973, morre Américo Ventura e assume a direção do jornal, seu filho Laércio Rangel Ventura. Começava, então, uma nova época em que a nova direção emprestava ao periódico a sua marca pessoal e a sua maneira de encarar o jornalismo regional. Ao longo dos 40 anos em que esteve à frente da Voz da Serra, Laércio foi responsável pela modernização da empresa, com a contratação de mais profissionais e aquisição de equipamentos. Foi durante a sua gestão que a publicação deixou de ser semanal para se tornar trissemanal em 1983 e diária a partir de 1995; também sob sua liderança, o jornal foi uma das primeiras publicações fluminenses a ganhar sua versão online, em 1997.

Esteve intimamente ligado à vida cultural da cidade e muitos dos que hoje militam nos meios de comunicação ou em outros ramos da atividade humana, em Friburgo ou fora daqui, tiveram a ajuda dele, no início de suas respectivas carreiras.

Me lembro, que em 2023, já pensando numa futura aposentadoria da medicina, entrei para a faculdade de Comunicação Social da Universidade Cândido Mendes, onde fiz a opção pelo jornalismo. Dois anos depois, chegou o momento de escolher um veículo da mídia, para o estágio obrigatório do currículo da faculdade. Laércio era além de amigo, meu paciente no consultório e não tive nenhum constrangimento em procurá-lo e pedir ajuda. Prontamente, entrou em contato com a Cândido Mendes, inscreveu o jornal na grade para receber estagiários da instituição e, me recebeu de braços abertos, me incumbindo de escrever uma coluna semanal para o jornal. E tem mais, a minha dissertação de conclusão do curso foi complicada, pois versava sobre a fundação da, na época, Rádio Sociedade de Friburgo, ZYE-4, em 01/06/1946, com o título “Rádio Sociedade de Friburgo, a mídia falada chega em Friburgo”. E se não fosse Laércio, eu teria desistido e procurado outro tema. Não existia nenhum relato escrito sobre a saga que foi ter a ideia, desenvolvê-la e, finalmente, colocar a rádio no ar. E foi ele, que me indicou as pessoas certas a serem entrevistadas e me darem as informações que eu precisava, para desenvolver o meu trabalho. Eu me formei em 2007 e me tornei colaborador do jornal, onde permaneço até hoje, lá se vão vinte e um anos. Não fosse o A Voz da Serra, eu teria tido um diploma universitário que, ao contrário do meu de médico, não teria tido valor nenhum.

Infelizmente, no dia 03/02/2013, Friburgo recebeu a triste notícia de que o diretor-presidente do A Voz da Serra tinha falecido. O jornal perdia seu grande líder, após quarenta anos de um contato direto com funcionários, leitores, amigos e a cidade de Nova Friburgo. A pergunta que muitos se fizeram foi: e agora, o que será do jornal?

Mas, a veia jornalística estava implantada na família Ventura, desde Américo, e foi sua neta, Adriana que teve a missão de assumir a direção do periódico e continuar o trabalho executado por seu pai. Como dizia Oscar Pires, quando o jornal completou oitenta anos “pelo jeito, parece que Adriana Ventura carrega com ela um lema forte: Desejar, sempre. Fraquejar, jamais. Desistir, nunca.” E nesses treze anos de ausência de seu pai, coube a ela a missão de manter o jornal ativo, publicado diariamente, mantendo o seu papel de informar, divulgar e manter viva uma empreitada que se torna cada vez mais difícil. A internet é uma concorrente importante, as pessoas hoje, infelizmente, têm preguiça de ler e a dificuldade de colocar o jornal nas bancas todos os dias é um trabalho hercúleo, que requer disposição e perseverança.

Lógico que isso rendeu frutos e em 2022, ela foi agraciada com a Medalha do Mérito Industrial, em cerimônia realizada na sede da FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de janeiro). É importante ressaltar que nessa caminhada de três gerações, agora é uma mulher que está na direção do jornal.

Lá se vão oitenta e um anos de fundação de uma empresa de comunicação, que prestou, presta e ainda vai continuar prestando um serviço muito importante à cidade de Nova Friburgo, divulgando, promovendo, criticando (no bom sentido) o que acontece no dia a dia da cidade. Muitos já passaram por sua redação, deram a sua contribuição e tenho certeza de que são gratos pela projeção que o jornal lhes deu. Aliás, essa é a função de um jornal.

Parabéns ao jornal A Voz da Serra, a sua diretora-presidente, aos seus funcionários e colaboradores e, a você nosso leitor, que continua a acreditar na seriedade do jornal.

 

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O que significa a Páscoa para nós

quarta-feira, 01 de abril de 2026
por Max Wolosker

Apesar do início da humanidade ter sido no Oriente, seus grandes impérios, suas religiões suas primeiras descobertas, o Ocidente pouco a pouco se tornou o centro do mundo. É claro que isso foi possível pelas grandes migrações do Oriente em direção do Ocidente, com o povoamento de grande parte da Europa e a consequente continuação de tradições ou festividades que se iniciaram no Oriente. A Páscoa é um acontecimento que está integrada a várias religiões, com significados diferentes. Por exemplo, entre os muçulmanos o que se assemelha à Páscoa é o jejum do Ramadã.

Apesar do início da humanidade ter sido no Oriente, seus grandes impérios, suas religiões suas primeiras descobertas, o Ocidente pouco a pouco se tornou o centro do mundo. É claro que isso foi possível pelas grandes migrações do Oriente em direção do Ocidente, com o povoamento de grande parte da Europa e a consequente continuação de tradições ou festividades que se iniciaram no Oriente. A Páscoa é um acontecimento que está integrada a várias religiões, com significados diferentes. Por exemplo, entre os muçulmanos o que se assemelha à Páscoa é o jejum do Ramadã. Acredita-se que no mês do Ramadã, o Alcorão sagrado foi enviado do céu como uma orientação aos homens e como um meio de sua salvação.

Mas, o que é, na realidade a Páscoa?  

De acordo com a publicação https://www.bibliaon.com/o verdadeiro significado da páscoa/,  ela é a celebração cristã que recorda a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. A palavra “Páscoa” vem do hebraico “Pessach”, e significa “passagem”. Para os cristãos, essa passagem representa a vitória da vida sobre a morte e a renovação da esperança por meio da obra de Jesus. De acordo com a tradição cristã, Jesus foi crucificado e morto numa sexta feira, tendo ressuscitado três dias depois, no domingo. Daí, o domingo de páscoa ser a festa da ressurreição, uma comprovação do que rezavam as escrituras do antigo testamento.

Para os judeus, o Pessach é a Festa da Liberdade, pois comemora a saída do Egito, local onde eles habitaram por mais de 400 anos, sendo um período como escravos. A travessia dos judeus pelo Mar Vermelho em direção à Terra Prometida simbolizou a passagem da escravidão para liberdade; desde então, os judeus reúnem-se todos os anos, para celebrá-la com elementos que relembrem a sua história e os fatos que culminaram na saída do Egito.

Com o tempo, elementos como ovos, chocolates e reuniões em família se tornaram parte da comemoração. No entanto, esses costumes não explicam o significado original da data, que tem o seu fundamento em Jesus Cristo, no caso daqueles que professam a religião católica. Por isso, na Bíblia, a Páscoa é uma celebração que recorda a libertação do povo de Israel, que vivia em situação de escravidão. Esse acontecimento, registrado no Antigo Testamento, serviu como base para a festa que mais tarde ganharia um novo e maior significado para os cristãos.

O dia da Páscoa foi estabelecido por decreto do Primeiro Concílio de Niceia (ano de 325 d.C), devendo ser celebrado sempre no domingo após a primeira lua cheia do equinócio da primavera (no Hemisfério Norte) e outono (no Hemisfério Sul). O Primeiro Concílio de Niceia foi um concílio de bispos, reunidos na cidade de Niceia da Bitínia (atual İznik, província de Bursa, Turquia) pelo Imperador Romano Constantino. A Páscoa é, portanto, uma festa móvel. É um tipo de feriado que não ocorre sempre na mesma data no calendário civil, mas tem um período certo para acontecer. Como o carnaval, por exemplo. A comemoração da Páscoa costuma ser entre os dias 22 de março a 25 de abril. É comemorada em vários países, principalmente aqueles com fortes influências do cristianismo. Os espanhóis chamam a data de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques.

A entrada em cena do coelho da páscoa e dos ovos de chocolate é muito mais recente, mas tem uma explicação lógica. As celebrações religiosas da igreja católica são resultado do sincretismo de costumes e rituais pagãos ou de outras religiões. O coelho, por exemplo se tornou um dos principais símbolos desta festividade em referência as comemorações realizadas pelos povos antigos, durante o começo da primavera. Acreditava-se que o coelho era a representatividade da fertilidade e do ressurgimento da vida. Do ressurgimento eu não digo nada, mas da fertilidade, eu tenho certeza.

 Com relação ao ovo, do ponto de vista religioso, ele é considerado símbolo do nascimento e da vida. A relação com a Páscoa, comemorada pelos cristãos, está a partir da Ressurreição de Jesus Cristo, que representa a esperança de uma nova vida para toda a humanidade. Mas, existe também uma tradição que vem dos povos eslavos. Presentear as pessoas com ovos era um costume antigo, comum entre os povos que habitavam a região do Mediterrâneo, do Leste Europeu e do Oriente. Durante as festividades realizadas com a chegada da primavera, depois do inverno, os ovos (de galinha) eram cozidos e pintados com desenhos que lembravam plantações e outras figuras relacionadas à colheita. Representavam a esperança de fertilidade do solo e de abundantes colheitas.

A origem dos ovos de chocolate

 Os ovos de chocolate vieram dos Pâtissiers franceses que recheavam ovos de galinha, depois de esvaziados da clara e gema, com chocolate e os pintavam por fora. Os pais costumavam escondê-los nos jardins para que as crianças os encontrassem na época da Páscoa. Com melhores tecnologias, a partir do final do século XIX, se difundiram os ovos totalmente feitos de chocolate, utilizados até hoje. A título de curiosidade, em 1847, a empresa Fry’s, que hoje pertence à fábrica de chocolates inglesa Cadbury, fabricou as primeiras barras de chocolate. Elas começaram a se popularizar e, em 1873, a mesma fábrica produziu os primeiros ovos de Páscoa de chocolate em todo o mundo

Infelizmente, voltamos aos primórdios do século 20, quando essa iguaria era muito cara, exclusiva das castas abastadas. A partir da década de 1970, o comércio começou a vendê-lo a preços mais em conta e eles se tornaram uma tradição. Mas a parir de 2010 eles voltaram a pesar no bolso do consumidor e hoje, estão a preços estratosféricos. Dizem que é por causa da alta do preço do chocolate. Pelo sim, pelo não, uma caixa de bombons é bem mais em conta e tem efeito semelhante.

Desejo uma boa Páscoa para os meus leitores e com o sabor inebriante de um bom chocolate.

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Nova Friburgo perde quatro médicos nos últimos três meses

quarta-feira, 25 de março de 2026
por Max Wolosker

Nos últimos três meses, Nova Friburgo perdeu quatro médicos que foram muito importantes e destacados não só na medicina, como na vida social da cidade. Em janeiro faleceu a ginecologista e obstetra Anna Maria Di Donnato Gonçalves Pereira. Formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1966, ela construiu uma trajetória marcada pela dedicação à medicina e à excelência no atendimento à população de Nova Friburgo, onde atuou por várias décadas.

Nos últimos três meses, Nova Friburgo perdeu quatro médicos que foram muito importantes e destacados não só na medicina, como na vida social da cidade. Em janeiro faleceu a ginecologista e obstetra Anna Maria Di Donnato Gonçalves Pereira. Formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1966, ela construiu uma trajetória marcada pela dedicação à medicina e à excelência no atendimento à população de Nova Friburgo, onde atuou por várias décadas. Foi reconhecida por sua atuação ética, compromisso profissional e cuidado com seus pacientes, deixando relevante contribuição para a prática médica na região.

Não trabalhei com ela, pois atuávamos em especialidades distintas, apesar da obstetrícia ter muito a ver com a endocrinologia, por causa das gestantes diabéticas. Mesmo assim, a conhecia muito, pelos encontros promovidos pela Sociedade Médica de Friburgo e por ser casada com o cirurgião Marcelo Gonçalves Pereira.

Marcelo, formado em medicina, em 1966, pela antiga Faculdade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, hoje conhecida como UniRio, era cirurgião geral, mas voltado para o aparelho digestivo. Trabalhei com ele no saudoso hospital Santo Antônio, atual Raul Sertã, no ambulatório do antigo Inamps e, posteriormente, no grupamento de perícia médica de Friburgo. Em 1995, talvez já visando algo a fazer quando se aposentasse, matriculou-se no Instituto de Filosofia da UFRJ, tornando-se bacharel a partir de 2001. Os colegas brincavam com ele dizendo que gostava de deslizar nos anéis de saturno.

Também construiu uma trajetória marcada pela dedicação à medicina e à excelência no atendimento à população de Nova Friburgo, onde atuou por várias décadas. Foi reconhecido por sua atuação ética, compromisso profissional e cuidado com seus pacientes, deixando relevante contribuição para a prática médica na região.

Era casado com a Anna Maria e formavam um casal muito unido, um exemplo de casamento bem sucedido. Ele gostava de dizer que Anna tinha sido sua primeira e única namorada. Pertencia, também, à Maçonaria, tendo sido iniciado na loja Jacques de Molay.  Faleceu no último sábado, 21, dois meses depois de sua querida Anna, talvez não resistindo às saudades.

Infelizmente, no dia seguinte, faleceu o também médico Roberto Alves da Costa, cirurgião angiológico que também atuava em nossa cidade há quase 50 anos. Trabalhei com ele no saudoso ambulatório do Inamps, anexo ao antigo hospital Santo Antônio. Era também iniciado na Maçonaria, na centenária Loja Maçônica Indústria e Caridade, situada ao final da Praça Getúlio Vargas, apesar de afastado há muitos anos. Roberto durante um período foi diretor do Hospital Raul Sertã.

Não podemos deixar de assinalar a perda do nosso eterno presidente da Sociedade Médica de Nova Friburgo, Carlos Alberto Pecci, falecido em 24 de fevereiro. Deixei para citá-lo por último, pois foi motivo de uma matéria minha, na época, pela ligação profissional e sentimental que tinha com o já saudoso Dr. Pecci. Aliás, a morte é o oposto da vida, sabemos que todos nós vamos, mais cedo ou mais tarde enfrentá-la, mas é sempre um fato triste, principalmente quando atinge pessoas que são nossas conhecidas.

Outro fato digno de nota é a idade desses colegas, todos já tendo ultrapassado a casa dos 70 anos o que deixa preocupados os demais médicos da cidade, que já chegaram ou ultrapassaram essa marca. O avanço da medicina fez com que a nossa estimativa de vida aumentasse muito, estando hoje na faixa dos 80 para as mulheres e de 75 para os homens.

No entanto, não nos tornou imortais e sabemos que nossa vez, chegará num determinado dia. Por exemplo, no sábado participei de um almoço, no Rio de Janeiro, com meus colegas da faculdade de medicina da UFF (Universidade Federal Fluminense). Prestes a completarem 52 anos de formados, agora em junho, todos já ultrapassaram os 73 anos de vida. A pergunta fatídica que fica é: Quem será o próximo?

Não pude comparecer aos velórios e enterros de Marcelo e Roberto, por não estar em Friburgo, mas faço questão de deixar minhas condolências e um abraço às famílias desses colegas, que tanto fizeram pela medicina da nossa cidade.

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O 171 americano está desgraçando o Botafogo

quarta-feira, 18 de março de 2026
por Max Wolosker

O artigo 171 do Código Civil trata do crime de estelionato, que se configura quando alguém, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento, induz ou mantém alguém em erro, com o objetivo de obter para si ou para outrem vantagem ilícita, em prejuízo alheio. Em termos mais simples, o estelionato é o ato de enganar alguém para obter algo de valor de forma desonesta.

O artigo 171 do Código Civil trata do crime de estelionato, que se configura quando alguém, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento, induz ou mantém alguém em erro, com o objetivo de obter para si ou para outrem vantagem ilícita, em prejuízo alheio. Em termos mais simples, o estelionato é o ato de enganar alguém para obter algo de valor de forma desonesta.

Essa é a opinião formada por muitos torcedores do Botafogo, para explicar a desastrosa atuação do presidente da SAF alvinegra, John Textor, que em pouco mais de quatro anos, já que ela foi criada em 2022, coincidindo com a volta do alvinegro da Rua General Severiano, à elite do futebol brasileiro, levou os torcedores da glória à loucura. Em 2023, o clube nadou e nadou, durante no Campeonato Brasileiro, mas morreu na praia, pois depois de liderar a competição por um bom tempo. Acabou chegando em quinto lugar. No entanto, essa classificação lhe deu o direito de disputar a pré-Libertadores do ano seguinte.

Veio, então, o ano mágico de 2024, onde o time com algumas contratações pontuais, passou a sobrar em relação aos seus adversários, e conquistou os dois mais importantes torneios da temporada, o Campeonato Brasileiro de Clubes e a Libertadores da América. Dava gosto ver aquele time jogar com atletas do quilate de um Luís Henrique, Igor Jesus, Marlon Freitas, Almada, Alexandre Barboza e Bastos, entre outros. Por culpa da CBF, a participação no mundial de clubes daquele ano foi pífia, pois dois dias após a conquista do brasileirão, em 11 de dezembro, o Fogão tinha seu primeiro compromisso, quando foi derrotado pelo Pachuca do México por 3 a 0 e deu adeus à competição, após uma viagem internacional de mais de 15 horas.

Mas, o ano de 2025 mal começara e os desmandos de John Textor começaram. De uma só canetada perdeu seu técnico vencedor, o português Arthur Jorge e 14 jogadores, entre titulares e reservas imediatos, de uma só vez. Ou seja, o novo técnico teria de começar do zero, para remontar um time vencedor. Só que Textor, de futebol não entende nada e demorou mais de dois meses para contratar um novo “professor”. Foram quatro, Arthur Jorge que saiu em janeiro, Renato Paiva que só começou a trabalhar em março, Davide Ancelotti, sem nenhuma experiência, o Botafogo foi o primeiro time profissional que ele treinou, mas que durou até dezembro, quando pediu demissão por não concordar com algumas atitudes da diretoria de futebol. Com a saída de Ancelotinho veio o argentino Martin Anselmi, com resultados catastróficos até agora.

O resultado dessa atuação, que na realidade era para Textor recuperar o dinheiro que investira, sem se preocupar com os destinos do glorioso, não tardaram a aparecer. Terminou o Brasileirão de 2025 em sexto lugar e se despediu da Libertadores nas quartas de final, eliminado que foi pela LDU do Equador. No cariocão nem classificado foi, para as finais, contentando-se em disputar a Taça Rio, com os times do quinto ao oitavo lugar. Perdeu também a Recopa (disputa entre os campeões da Libertadores e da Sul-Americana do ano anterior (2024) e a Supercopa (disputa entre os campeões do Brasileirão e da Taça Brasil).

Mas, Textor começou a enfrentar problemas com a Eagle, responsável pelo Botafogo no modelo de Sociedade Anônima do Futebol, onde os demais acionistas dessa holding, querem o seu afastamento. Além disso, os problemas com o Lyon, clube da primeira divisão francesa, também pertencente à Eagle, levaram ao seu afastamento. Tudo isso se refletiu no departamento de futebol do alvinegro, que apesar de contratar novos jogadores, enfrentou um transfer-ban imposto pela Fifa, como punição ao clube por não ter cumprido um compromisso financeiro, quando da aquisição do jogador argentino Thiago Almada.

Quando o transfer-ban foi finalmente suspenso, o time já tinha sido eliminado do Carioca de 2026 e caiu frente o Barcelona de Guaiaquil, na terceira fase da Libertadores, não conseguindo a classificação para a fase de grupos. No Brasileirão ocupa a vice lanterna da competição. Na realidade, Textor enganou a torcida com um grande time em 2024 e desmanchou o time no ano seguinte e não se ganhou mais nada, retornando-se ao desempenho pífio da era pré SAF.

Para complicar mais ainda a vida do Botafogo e deixar a torcida mais preocupada, os próximos compromissos são o Palmeiras nesta quarta-feira, 18, Bragantino, no próximo sábado,  21 e Atlético Paranaense, dia 29, todos fora do Rio de Janeiro. Haja coração.

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