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Os mestres são como pássaros, espalham sementes!

segunda-feira, 18 de outubro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

Hoje, 15 de outubro de 2021, acordei pensando que os verdadeiros mestres não
precisam de salas de aula, nem de púlpitos. Precisam de asas. São como pássaros,
passam a vida espalhando sementes.
Saint-Exupéry, meu mestre maior, era aviador e, pelos tantos céus que voou, foi
deixando sementes. Assim, quero abraçar os professores com os pensamentos dele,
tão ricos de humanidade.
. “Você é eternamente responsável por aquilo que cativou”. (do personagem do
livro “O Pequeno Príncipe”, traduzido por Ferreira Gullar).

Hoje, 15 de outubro de 2021, acordei pensando que os verdadeiros mestres não
precisam de salas de aula, nem de púlpitos. Precisam de asas. São como pássaros,
passam a vida espalhando sementes.
Saint-Exupéry, meu mestre maior, era aviador e, pelos tantos céus que voou, foi
deixando sementes. Assim, quero abraçar os professores com os pensamentos dele,
tão ricos de humanidade.
. “Você é eternamente responsável por aquilo que cativou”. (do personagem do
livro “O Pequeno Príncipe”, traduzido por Ferreira Gullar).
. “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”.
. “Se você quer construir um navio, não chame as pessoas para juntar madeira ou
atribua-lhe tarefas e trabalho, mas sim ensine-os a desejar a infinita
imensidão do oceano”.
. “Se queres compreender a palavra “felicidade”, indispensável se torna entendê-
la como recompensa e não como fim”.
. “Sempre há outra chance, uma outra amizade, um outro amor. Para todo fim,
um recomeço”.
. “A verdadeira solidariedade começa onde não se espera nada em troca”.
. “Nada é pequeno no amor. Quem espera as grandes ocasiões para provar a sua
ternura, não sabe amar”.
. “Na vida não existem soluções. Existem forças em marcha: é preciso criá-las e,
então, a elas seguem-se as soluções”.
. “O futuro você não pode prever, mas permitir que ele aconteça”.
. “As pessoas são solitárias porque constroem muros ao invés de pontes”.

. “O futuro não é o lugar aonde estamos indo, mas um lugar que estamos
criando. O caminho para ele não é encontrado, mas construído, e o ato de fazê-lo
muda tanto o realizador quanto o destino”.
Para finalizar, penso que os professores que “passam por nós, não vão sós.
Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”.

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Sagrada sacrificada profissão

sábado, 16 de outubro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

Tudo que é sagrado advém do sacrifício? Para ser sagrado há de se sacrificar? Melhor então não ser sagrado e sair desse conceito sobrenatural para doses de realidade. Ser professor no Brasil é a pior das escolhas. 

Como sagrados para a história, a consagração só vem depois da morte? Viver assim, não é vida em abundância. Portanto, não sagrem a profissão de educador, tampouco venham com toda essa poesia e discurso repetido em todo quinze de outubro. 

Tudo que é sagrado advém do sacrifício? Para ser sagrado há de se sacrificar? Melhor então não ser sagrado e sair desse conceito sobrenatural para doses de realidade. Ser professor no Brasil é a pior das escolhas. 

Como sagrados para a história, a consagração só vem depois da morte? Viver assim, não é vida em abundância. Portanto, não sagrem a profissão de educador, tampouco venham com toda essa poesia e discurso repetido em todo quinze de outubro. 

Se o discurso não é um hábito, então não presta. Todos esses que discursam o valor do professor, sem efetivamente darem valor, são falsos. E dessa gente estamos de saco cheio. Propagadores da ignorância que tomam conta da política e não fazem através dela a sua real função: servir, cuidar do futuro no presente. 

Sabem ler e escrever através de um professor? Então leiam o que digo: vão à merda! Antes de merda tem crase, pois configura mandar a algum lugar com artigo feminino. Aprendi com um professor. Uma querida professora de português me ensinou vários macetes, entre os quais esse da crase sobre ir a algum lugar. Antes de ir, volte. Se você volta “da”, significa que há artigo: você vai “à”, com crase. Se você volta “de”, significa que não há artigo: você vai “a”, sem crase. Você, portanto, volta da merda, ainda que não sei bem se algum dia sairemos dela...

Que futuro tem uma nação sem educação? Estamos colhendo os frutos do nosso analfabetismo político. Estamos colhendo o que políticos de estimação de muita gente boa por aí plantaram. Pior: através do poder das sementes que nós, o povo, concedemos. 

Portanto, essas efemérides de exaltar os professores, como muitas anteriores, pedem protesto. Não há homenagem mais adequada. 

Como professor formado, ainda que nunca tenha exercido de fato a profissão, acredito que o professor é o intercessor de todos os outros profissionais. É o preparador, é o acendedor de chama, é o condutor de sonhos. Um teimoso insistente, é verdade.  

Não há engenheiro sem professor. Um médico passa por professores. Não há padre ou pastor sem professor. Um dentista passa por professores. Não há veterinário sem professor. Um professor passa por professores. E todos, absolutamente todos os profissionais, do jornalista ao químico, do técnico em enfermagem ao aviador, passam pelas habilidades de professores. Que concedem seus conhecimentos e aprendem junto dos e com seus alunos. Não tem mágica nessa relação. Tem estudo, planejamento, engajamento, entrega e até idealismo.  

Assim, muito se fala em valorização dos professores, mas efetivamente pouco se faz. E por mais que todos os demais profissionais tenham passado, se influenciado e se forjado por professores, como sociedade não defendemos essa valorização como prioritária. Sabemos que nossos filhos precisarão de professores motivados, bem pagos, mas nem assim… 

A educação é considerada a ferramenta essencial da evolução pessoal, humana e coletiva e não há educação sem professor. O intermediário entre o conhecimento e o conhecedor. O desafio é enorme de construir uma educação brasileira que de fato construa um País menos desigual e melhor. 

Uma educação que ensine para a vida e para uma vida com amor. Uma educação que nos leve a outro patamar de cidadania e compromisso com o outro. Uma educação que auxilie em resolver problemas da vida real, mais do que apenas equações de segundo grau. Uma educação que ensine a mandar à merda (com crase), aqueles que usurpam a Pátria e nos vendem por trocados que nos causam fome e miséria. 

Formar bons professores que possam ter dignidade salarial e estrutural para formar tantos outros e assim gestar uma nova Nação.     

 

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Dois importantes eventos movimentam Nova Friburgo

sábado, 16 de outubro de 2021
por Jornal A Voz da Serra
Foto de capa

Edição de 16 e 17 de outubro de 1971

Manchetes:

Edição de 16 e 17 de outubro de 1971

Manchetes:

Baile das Debutantes no Country Clube e 1ª Feira de Arte: O' 'Baile das Debutantes'', edição de 1971, neste 16 de outubro, certamente será mais um acontecimento realmente ''fora de série'' que muito irá movimentar socialmente nossa cidade com um elevado número de senhorinhas que ingresssarão nos meandros da sociedade friburguense, após batismo ''sul-generis'', triunfal e ao som de divina música. Um espetáculo no salão do Nova Friburgo Country Clube que todos os anos alcança excepcional sucesso e que carreia para a cidade uma enorme corrente turística.

I Feira de Artes em Nova Friburgo: Também neste dia 16, as atenções estarão voltadas para a abertura da 1ª Feira de Artes de Nova Friburgo, com transcurso festivo até o fim do corrente mês em vários espaços de nossa cidade. O evento terá a participação de Cleyde Yaconis, Orquestra de Percussão de Neuza Namour, Pascoal Carlos Magno e um grande número de presenças honrosas já confirmadas. 

Ações da Petrobras permitirá implantação de universidade: O secretário geral da prefeitura friburguense, declarou que já existem planos definidos quanto à aplicação das verbas provenientes das vendas de ações da Petrobras, estimadas em CR$ 2 milhões, salientando que esta soma é de fundamental importância para a criação da Universidade da Serra dos Órgãos, a ser instalada em convênio com a Fundação Educacional e Cultural de Nova Friburgo, Fundação Educacional de Teresópolis, Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia e a Fundação Getúlio Vargas.

Vasconcellos Tôrres em Friburgo: Visitou-nos trazendo o seu carinhoso abraço, o senador Vasconcellos Tôrres, autêntico líder da política fluminense e homem público que jamais perde contato com os correligionários e amigos, estando sempre na cúpula dos acontecimentos ocorridos nas zonas de sua influência. Prestimoso, alegre, sempre pronto a servir, o ilustre e querido senador sabe mesmo fazer amigos e conservar amizades, aliás os grandes triunfos dos seus sucessos eleitorial.

Paulo Azevedo: O garotão Paulo César Vassallo de Azevedo, que é filho do dr. Paulo Vassallo Azevedo e da professora Julieta Campos Azevedo completa no próximo dia 21 mais um aniversário natalício, ocasião em que receberá carinhosas demonstrações de afeto dos seus familiares e da multidão de seus amigos.

Bodas de Prata: Estará festejando 25 anos de união conjugal neste 19 de outubro de 1971 o casal Elias Antonio Yunes - Elia Madureira Yunes. Elementos da mais alta projeção na sociedade friburguense, o conhecido e querido par que vê passar tão significativa data será homenageado pelo vastíssimo círculo de amizade das famílias entrelaçadas pelo citado matrimônio. Uma sequência de demonstrações de sentido afetivo estará sendo promovida pelos filhos do casal, todas de intenso júbilo. 

Aniversário do dr. Miranda Fortes: O dia 20 de outubro assinala o aniversário natalicio do querido médico, Miranda Fortes, mestre da medicina. Pediatra renomado, cuja fama ultrapassou nossas fronteiras, ecoando inclusive na Norte América, já que integra, para honra do Brasil e de Friburgo, a sua Academy of Pediatrics. Jornalista, poeta intelectual de rara estirpe, faz parte da Academia Friburguense de Letras e é sócio correspondente de vários outros cenáculos da poesia e arte dos estados brasileiros. Professor emérito, o dr. Miranda Fortes, de quando em quando, por puro idealismo e vontade de transmitir conhecimentos, dirige e aplica cursos de especializações técnicas, nos quais sempre evidencia o mais alto cabedal em prática e teoria da matéria que estiver em equação.

Pílulas:

Começa neste fim de semana em nossa terra, a I Feira de Artes, louvável iniciativa de um grupo de pessoas dispostas a trabalhar em favor do grande mundo das artes. Uma programação variada, intensa e sobretudo inteligente preenderá a atenção geral até o final do mês. Bravos, senhores responsáveis pelos espetáculos! 

Continuamos a manter o mesmo ponto de vista inicial: no problema sem problema das ações da Petrobrás para o desenvolvimento de um vastissimo plano educacional, as opiniões podem ser divergentes, podem ser absolutamente antagônicas e até sistematicamente oposicionistas, apenas.

Não está muito longe de acontecer nesta história da venda das ações da Petrobras pela prefeitura, que se advogue no sentido do Executivo não mais realizar obras, aplicando o dinheiro arrecadado em mais ações da mesma Petrobras que pode acontecer, serem valorizadas permanentemente. Também, poderá surgir a ideia da aquisição obrigatória de letras de câmbio até a de transformar as prefeituras em casas bancárias, financeiras e assemelhadas.

Sociais:

A VOZ DA SERRA registra aniversários de: Jaqueline (16); Carmem Costa (17); Maria de Lourdes (18); Mário César Miranda Fortes, Eda Maria Castro Nunes e Dagmar Marins da Silva (20); Vitorino Moreira da Costa (20); Paulo César Vassalo de Azevedo (21) e João Agrello (23).

 Pesquisa da estagiária Paola Oliveira com supervisão de Henrique Amorim. 

 

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Ser professora

sexta-feira, 15 de outubro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

 Escrever sobre professores, falar sobre professores ... ser professora! Tarefa difícil. É simples, porém grandioso. Doloroso, porém prazeroso. Desafiador e enriquecedor ao mesmo tempo. 

Começo, do início de tudo para, ao final, agradecer por ser quem sou. Devo isso também a todos os mestres e mestras, cujo dia celebramos neste 15 de outubro, e que passaram por minha vida, que marcaram minha trajetória. E não digo por mim, e sim por cada um de nós. Todos carregamos no delinear de nossas vidas marcas deixadas por aqueles que nos ensinaram, com quem aprendemos de tudo um pouco.  

 Escrever sobre professores, falar sobre professores ... ser professora! Tarefa difícil. É simples, porém grandioso. Doloroso, porém prazeroso. Desafiador e enriquecedor ao mesmo tempo. 

Começo, do início de tudo para, ao final, agradecer por ser quem sou. Devo isso também a todos os mestres e mestras, cujo dia celebramos neste 15 de outubro, e que passaram por minha vida, que marcaram minha trajetória. E não digo por mim, e sim por cada um de nós. Todos carregamos no delinear de nossas vidas marcas deixadas por aqueles que nos ensinaram, com quem aprendemos de tudo um pouco.  

            Há algo “humanamente humano” demais na docência. Faço questão de tratar com pleonasmo algo tão imponente que é dedicar boa parte da vida a ensinar aos outros, a trocar experiência, contar tudo o que sabe e desejar fortemente que aprendam, que apreendam e evoluam a partir dos ensinamentos. Docência é expressão do amor. Não é novidade que ser professor ou professora no Brasil é um ato de coragem. Os desafios são muitos. Não é para amadores. Sabemos das nossas dores. Sentimos na pele. E não são poucas.

            Por mais que o magistério consista em uma belíssima carreira, que deve encher os peitos de orgulho, não podemos romantizar a ponto de negarmos as barreiras que devem ser enfrentadas e ultrapassadas dia a dia. São muitas. E ainda assim, sabedores de parte das dificuldades com as quais iremos nos deparar, teimamos na escolha de sermos professores. E está aí algo que temos de lindo. Mas não mais belo que a relação entre professor e aluno, o tesouro infindável de crescimento, de partilha de conhecimento, de experiências preciosas, de afeto transbordado. 

O professor ou a professora, lá na infância, talvez seja nosso verdadeiro primeiro contato com o mundo humano (e adulto) para além da família. Na escola, é quem nos mostra o mundo através de seu olhar e nos conduz para novas etapas de aprendizagem e interação. Lembro-me de como essa figura me importou desde a primeira vez. Muito valor sendo agregado. Sentia como se tivesse naquela pessoa, alguém em quem eu poderia confiar. A quem orgulhosa eu mostrava minhas primeiras sílabas escritas e quem eu adoraria que hoje lesse meus textos. Alguém que me ensinou muito sobre as letras, a convivência e os seres humanos. E aprendi, vivendo, que uma das formas mais bonitas de ensinar é por meio do exemplo. Ensinar a ser, sendo. Sendo amor. Sendo estudiosa. Sendo educada. Sendo honesta.

Guardo até hoje nomes, sobrenomes, jeitos, trejeitos, vozes e, principalmente, ensinamentos, de muitos dos professores que tive ao longo da vida. Cravaram seus rostos em minha história de maneira indelével. E alguns desses mestres, a quem guardo no coração com apreço especial, possuíam (possuem) uma característica além da brilhante formação e do notável conhecimento do conteúdo: o amor! Nítido amor por lecionar; tão límpido quanto o amor pelos alunos. De importantes para minha formação, se tornaram, então, inesquecíveis.

Em tempos sombrios, felizmente continuo crendo que a educação é o caminho. Sou defensora fervorosa de que o estudo fomenta a construção de um patrimônio incalculável e intransferível. Acredito que a formação de profissionais alinhados com sentimentos nobres, conhecedores de seus deveres e defensores de direitos e prerrogativas de todos os seres, possa transformar o mundo. Para melhor. Cada vez mais. Sem limites. Tenho esperança.

Mas não tem sido simples. Escolher a vida docente é lidar com uma dicotomia constante, entre desejar o aprendizado dos alunos e lidar com as mazelas humanas absolutamente complexas. Vida de professora é vida sem monotonia. Novos olhares, novos desafios, novos problemas, assunto para estudar, dificuldade para lidar. Tudo isso junto e misturado. E se me perguntarem se vale à pena, mil vezes responderei, sem pestanejar: vale!

Ser professora é uma grande e difícil missão. Muito difícil. Tem que amar para exercer.  Por felicidade, cruzamos com alunos tão incríveis que a tarefa fica mais leve e prazerosa. Contribuir positivamente para o crescimento de alguém é algo sublime. Por isso, dia e noite desejo manifestar gratidão aos alunos, pois sem esse grupo tão especial de gente do bem, também não cresceríamos enquanto pessoas que somos antes de sermos profissionais. A vida me fez professora. De gente grande. De gente linda, de gente cheia de sonhos. E dificuldades. E peculiaridades muitas vezes difíceis de lidar. E força de vontade. Sinto vontade de dizer que tudo vai dar certo para eles. Sinto que vai. É o que desejo para cada um deles. É preciso manterem o caminho do bem. E serem honestos. Serem esforçados. Acreditarem em seu potencial. E trabalharem duro. Estudarem muito. Sentindo-se muito gratos pela oportunidade de evoluírem.

Os grandes exemplos de devoção à profissão que vejo em muitos professores, uniram-se à uma vontade pessoal de contribuir para fazer pessoas felizes onde quer que eu esteja. Acredito plenamente nessa fórmula. Empatia, carinho, cumplicidade são combustíveis para o crescimento coletivo e individual, para a tolerância, o respeito e a dignidade que vai muito além dos livros. Eis aqui, a minha gratidão. Ser professora faz de mim esse emaranhado complexo e repleto de amor, que no final das contas e no princípio de tudo, é o que salva!

Paula Farsoun é advogada e profesora de Direito do Trabalho. Escreve às sextas-feiras.  

 

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87% da população com a primeira dose

sexta-feira, 15 de outubro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

A população estimada de Nova Friburgo é de 191.158 pessoas. Segundo a estimativa de 2020 - que deu base para a campanha de vacinação contra a Covid-19 - a população abaixo de 12 anos é de aproximadamente 18.500. Cruzando-se os dados da prefeitura quanto à aplicação da vacina, aproximadamente 21.200 friburguenses com idade para tomar a vacina, não se imunizaram.

 

Acima da média

A população estimada de Nova Friburgo é de 191.158 pessoas. Segundo a estimativa de 2020 - que deu base para a campanha de vacinação contra a Covid-19 - a população abaixo de 12 anos é de aproximadamente 18.500. Cruzando-se os dados da prefeitura quanto à aplicação da vacina, aproximadamente 21.200 friburguenses com idade para tomar a vacina, não se imunizaram.

 

Acima da média

No entanto, a informação que possivelmente 12,4% da população com idade para se vacinar não se imunizou nem com a primeira dose, acaba sendo algo complexo, tendo em vista o fenômeno de que muitos friburguenses receberam a vacina em outros municípios, dada a morosidade da vacinação por aqui e o fato de o calendário local ter ficado muito atrasado em relação à capital e cidades vizinhas. Afinal, quantos friburguenses se vacinaram fora daqui?

 

Vacinando fora

De qualquer sorte é um número baixo e que tende a ser ligeiramente mais baixo ainda, o que mostra que os friburguenses não negaram a vacina. No entanto, a saga da vacina contra a Covid-19 segue em Nova Friburgo. Muitos idosos e suas famílias estão reclamando acerca da morosidade da aplicação da dose de reforço no município. Assim como nas etapas anteriores, aqueles que podem estão indo de carro ou mesmo alugando serviços para ter a vacina aplicada na capital ou em municípios vizinhos.

 

Calendário confuso

Nessa semana, por exemplo, a cidade do Rio vacinou idosos a partir dos 70 anos. Lá também conta com um calendário antecipado que geralmente já contempla o mês todo. Por aqui, o calendário sai no fim de cada semana e contempla apenas a semana seguinte. Nesta semana, por exemplo, Nova Friburgo vacinou com 2ª dose e a dose de reforço para profissionais de saúde e idosos (aparentemente sem distinção de idade), desde que tenha recebido a segunda dose até 28 de fevereiro.

 

Velhos problemas

No entanto, há relatos trazidos a esse colunista de idosos que completaram seis meses da segunda dose e que tiveram o imunizante negado. Um caso em particular de uma idosa de 87 anos que preferiu não se identificar, decidiu se vacinar na capital após a negativa local. Fato é que a vacinação em Nova Friburgo não tem sido, desde o início, um exemplo de gestão.

 

Fora de tempo

É como a polêmica da obrigatoriedade do uso de máscaras. Muitos municípios decretaram a obrigação desde o início do ano ou mesmo desde o começo da pandemia. Por aqui, veio com atraso de um ano e meio e justamente quando a comunidade científica discute a desobrigação da máscara em espaços abertos. O Rio de Janeiro, por exemplo, estuda os números de vacinação e queda de casos para começar a desobrigar o uso de máscaras.

 

Máscara surge, passaporte cai

Na mesma toada, muitos municípios implantam agora a obrigação do passaporte de vacina para entrar em lugares fechados e assim retomar os eventos. Aqui, nada se fala sobre o passaporte de vacina. ou por falta de visão ou por negacionismo ou simplesmente por não poder cobrar aquilo que não cumpriu. Afinal, até o fechamento desta edição com cruzamento de dados da prefeitura do último dia 13, 24,33% das doses aplicadas ainda não estão no sistema do SUS.

 

Números

Pelo menos 63.157 doses aplicadas, portanto, não foram registradas no sistema. A prefeitura diz ter aplicado 151.395 vacinas de primeira dose e no sistema oficial do Ministério da Saúde estão registradas 128.009. Quanto a segunda dose, a prefeitura diz ter aplicado 102.644 e no sistema estão registradas 63.817. Quanto a dose única todas as 4.360 recebidas teriam sido aplicadas, mas o sistema tem registradas 4.157.

 

Dúvidas

A dose única seria o caso mais grave de lapso para registro, afinal ela foi aplicada há pelo menos 90 dias. Três meses para registrar todas as vacinas aplicadas? Ainda que represente apenas 143 pessoas. A dúvida é: será mesmo que foram aplicadas essas 143 doses? O que lança dúvidas sobre a confiabilidade dos números da prefeitura, caso o registro dessas 143 pessoas não apareça nos próximos dias.

 

Estoque cheio

Quanto às vacinas recebidas, repassadas pelo Estado, até o fechamento desta edição, Nova Friburgo tinha recebido, segundo o Estado 5.898 doses com orientação para terceira dose. O que quer dizer que há quase 4.500 doses disponíveis. Para a segunda dose, temor de muita gente, o Estado diz ter repassado 140.067 doses com essa orientação. O que nos leva a crer, pela verdade dos números, que há 37.423 doses em estoque.

 

Foco na dose de reforço

Levando-se em consideração que foram aplicadas 151.395 de primeira dose, caberia ao Estado enviar somente mais 11.328 doses com a orientação de segunda aplicação. Se a repescagem captar mais gente, esse número aumenta. De acordo com os números de doses enviadas (Estado) e usadas por Nova Friburgo (dados da prefeitura) para a primeira aplicação, deveria ter no estoque 8.378 vacinas contra a Covid-19.

 

PODE CORTAR

Novo Ensino Médio

O novo ensino médio que entra em vigor no ano que vem, só será instituído na rede estadual do Rio de Janeiro em 2023. A partir do ano que vem, o ensino médio passará por uma mudança em sua carga horária e no conteúdo nas aulas de aula. Dentre outras mudanças, a carga horária sobe de quatro para cinco horas diárias; as disciplinas precisarão conversar entre si — interdisciplinaridade e cada aluno poderá montar sua grade, escolhendo as áreas de maior interesse.

 

PODE CORTAR

RJ para trás

As mudanças são regulamentadas por uma lei aprovada em 2017 – ou seja, as redes de ensino tiveram quatro anos para se preparar até a estreia, marcada para o início do ano que vem. O início, entretanto, vai variar e muito de um estado para outro. Cada estado definirá um leque de opções dentro de cinco frentes: linguagens, matemática, ciências humanas, ciências da natureza e ensino técnico.

 

PODE CORTAR

Transição

No plano do Estado do Rio de Janeiro, os alunos, com exceção das escolas integrais, vão ter apenas conteúdo da Base Nacional Comum Curricular em 2022. As escolhas de itinerários formativos só vão valer a partir de 2023. Mesmo assim, já no ano que vem, a rede estadual inicia a travessia já aplicando a interdisciplinaridade entre as matérias.

 

PODE CORTAR

Chamada para pós

O Instituto Politécnico da Universidade do Estado do Rio de Janeiro abre de 1º a 12 de novembro, as inscrições para a seleção de candidatos ao Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Materiais, para turma com início em 2022, no primeiro semestre. O curso de mestrado possui duas áreas de concentração e seis linhas de pesquisa. Informações pelo site do IPRJ: www.iprj.uerj.br.

 

Rasta solidária

Após quase um mês em uma campanha de arrecadação de brinquedos e guloseimas, a torcida organizada Rasta Tricolor do Friburguense fará a entrega das benfeitorias às crianças do Alto de Olaria. A ação que conta com membros da torcida, envolveu também o comércio e contará com brincadeiras e ações de lazer neste domingo, 16.      

 

Palavreando

“Não há engenheiro sem professor. Um médico passa por professores. Não há padre ou pastor sem professor. Um dentista passa por professores. Não há veterinário sem professor. Um professor passa por professores. E todos, absolutamente todos os profissionais, do jornalista ao químico, do técnico em enfermagem ao aviador, passam pelas habilidades de professores”. Trecho da crônica que será publicada na íntegra na edição deste fim de semana do Caderno Z, o suplemento semanal de A VOZ DA SERRA.

 

Legenda foto

Dr. Silvana abre as festas de Halloween da cidade e se apresenta em noite especial na Fondueria Lumiar, em São Pedro da Serra. Por conta dos protocolos sanitários, há limitação de espaço para o evento. 

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Como proteger meu poder de compra?

sexta-feira, 15 de outubro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

            Esta semana recebi o ilustre convite de Lucas Barros, também colunista de A VOZ DA SERRA, que assina “Além das Montanhas” às quintas-feiras, para contribuir com seu texto sobre inflação; um tema delicado e demasiado importante quando o assunto é saúde financeira. Ter o seu poder de compra corroído ao longo do tempo é um grande problema social que só interessa governos – e enquanto forem detentores da capacidade de inflacionar uma economia, o desrespeito à população existirá.

            Esta semana recebi o ilustre convite de Lucas Barros, também colunista de A VOZ DA SERRA, que assina “Além das Montanhas” às quintas-feiras, para contribuir com seu texto sobre inflação; um tema delicado e demasiado importante quando o assunto é saúde financeira. Ter o seu poder de compra corroído ao longo do tempo é um grande problema social que só interessa governos – e enquanto forem detentores da capacidade de inflacionar uma economia, o desrespeito à população existirá. Mas não vamos – pelo menos não hoje – entrar no mérito de como os bancos centrais executam estas atividades e precisamos focar em como proteger seu patrimônio no momento mais atípico desde o Plano Real.

            Aos mais velhos, o antigo overnight diz muita coisa sobre proteção de poder de compra durante as décadas de 80-90. À época, superar a inflação era dobrar seu capital em poucas semanas – realidade inimaginável nos dias de hoje (o que, de fato, não reduz o impacto social vivido nos dias atuais). Portanto, como alocar seu capital neste momento?

            Primeiro, vamos analisar as taxas de mercado e preços para entender a conjuntura. O mês de setembro deste ano fechou com IPCA de 1,16% e CDI de 0,44%, o que representa a necessidade de remuneração acima de 163% CDI (já limpos de imposto de renda) apenas para manter o seu poder de compra. Sabe qual foi a rentabilidade da caderneta de poupança para o mesmo mês? Apenas 0,3% (70% CDI).

            Mas como superar o IPCA? Existem algumas possibilidades e as mais seguras estão na renda fixa com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) – que assegura o capital do investidor em até R$1 milhão por CPF. Os CDB, LCI e LCA, entre muitos outros, são exemplos de títulos de investimentos categorizados dentro desta classe de ativos e podem ser uma ótima alternativa para seus investimentos.

            Definidos os títulos, é hora de analisar a liquidez dos investimentos; o prazo de vencimento. Como o risco de crédito é anulado pelo FGC, podemos considerar a liquidez como o único risco dos investimentos em renda fixa e este é um ponto a ser analisado com cautela, pois o capital alocado só pode ser resgatado com a devida rentabilidade após a data de vencimento do título. Isso pode custar caro para investidores despreparados e sem planejamento, mas é uma ótima opção para quem sabe o que está fazendo.

            Por fim – e muito longe de ser menos importante –, é hora de garimpar boas rentabilidades. A classe em questão pode ofertar três tipos de rentabilidade: pré-fixado, pós-fixado e híbridos. Vamos a eles:

Pré-fixados: a remuneração é definida no momento da contratação através de uma taxa anual nominal (por exemplo: 8,55% a.a.).

Pós-fixados: a remuneração é definida no momento da contratação através de uma taxa indexada a juros (por exemplo: 148% do CDI).

Híbridos: a remuneração é definida no momento da contratação através de uma taxa indexada a inflação mais uma taxa anual nominal (por exemplo: IPCA + 4,20% a.a.).

            Contudo, caso o seu objetivo seja superar a inflação sem fazer muitas contas, os títulos híbridos atrelados ao IPCA são a melhor alternativa para a distribuição da sua carteira e para a saúde do seu dinheiro. Por ora, busque um profissional capacitado para te auxiliar com todo o procedimento e mantenha-se antenado a todo tipo de informação financeira que possa acrescentar sabedoria e conhecimento ao seu dinheiro. A propósito, recomendo fortemente a leitura do último texto de Lucas Barros disponível no site do jornal: “A maior inflação dos últimos 27 anos e o Brasil no Mapa da Fome”. Boa leitura!

Gabriel Alves é consultor financeiro. Escreve às sextas-feiras.

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O projeto Tampax

quinta-feira, 14 de outubro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

Foi aprovada pela Câmara dos Deputados, em agosto, e pelo Senado, em setembro, a lei que institui no Brasil o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual (lei 14.214/21, conforme informa a Agência Câmara de Notícias), de autoria da deputada federal Marília Arraes (PT-PE).

Foi aprovada pela Câmara dos Deputados, em agosto, e pelo Senado, em setembro, a lei que institui no Brasil o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual (lei 14.214/21, conforme informa a Agência Câmara de Notícias), de autoria da deputada federal Marília Arraes (PT-PE). Conforme a lei, o programa tem o objetivo de combater a precariedade menstrual – ou seja, a falta de acesso a produtos de higiene e a outros itens necessários ao período da menstruação da mulher.

O presidente da República sancionou a lei, mas vetou os principais pontos da proposta aprovada pelos parlamentares, como a previsão de distribuição gratuita de absorventes higiênicos para estudantes carentes dos ensinos fundamental e médio, mulheres em situação de vulnerabilidade e presidiárias. As justificativas para tais vetos foram elencadas por Jair Bolsonaro entre as quais a de não indicar a fonte de custeio ou medida compensatória, em violação à Lei de Responsabilidade Fiscal, à Lei de Diretrizes Orçamentárias deste ano e à Lei Complementar 173/20, que criou o Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus. (Agência Câmara de Notícias).

Parece brincadeira de mau gosto e é, o Congresso Nacional se preocupar com a distribuição gratuita de absorventes íntimos, como o popular Tampax. É por essas e outras que Carlos Alves de Souza Filho, um diplomata brasileiro e genro do ex-presidente Arthur Bernardes proferiu esta famosa frase: "O Brasil não é um país sério". Em 1962, ele foi o intermediário entre o governo brasileiro e Charles de Gaulle, durante a visita do presidente francês ao Brasil. A citação foi erroneamente atribuída a de Gaulle. Aliás, é bom lembrar que próximo aos festejos momescos, o Ministério da Saúde faz uma campanha de distribuição em massa de preservativos; isso se dá por ser público e notório que o carnaval é uma festa popular em que a liberdade dos costumes se encontra a flor da pele e os riscos de gestações indesejáveis, de aumento da incidência da Aids e das DST (doenças sexualmente transmissíveis).

Mas, essa despesa seria pontual e não permanente, como no caso da distribuição gratuita de absorventes íntimos, como previsto na nova lei federal. Afinal, no período fértil, as mulheres costumam menstruar por um período de três a cinco dias a cada mês, doze meses por ano durante, em média, 31 anos, dos 14 aos 45 anos de idade, em média.

A deputada pernambucana é filiada ao PT e parte do princípio de que apenas uma parcela da população deveria ser protegida. Esquece, no entanto, de que o dinheiro público é de todos, pois é proveniente de impostos pagos pelo contribuinte, fruto do esforço dos que trabalham o ano inteiro. Portanto, seu emprego tem de ser muito bem pensado uma vez que tem de beneficiar a sociedade como um todo. Se toda mulher durante o ciclo reprodutivo menstrua, o benefício deveria ser estendido a todas e não somente a um grupo específico. A Agência Câmara de Notícias abriu espaço para comentários de leitores sobre esta nova lei e cito aqui dois deles que vão na esteira do que falo acima:

“Creio que a decisão do Executivo foi acertada tecnicamente. Na técnica não há o quê se questionar. Ainda sobre esse tema, penso que não é correto jogar sobre os ombros da sociedade, mais essa despesa. Despesa com a menstruação alheia? Fim do mundo. Se isso passa é sinônimo de que o Brasil está mesmo longe de ser um lugar sério. Isso decorre da sociedade ainda ver o dinheiro meramente como público, enquanto deveriam vê-lo como o dinheiro do contribuinte, do pagador de impostos. Daqueles que acordam cedo para trabalhar correndo risco inclusive de serem assaltados!” 

“E fácil resolver. E só o Congresso indicar a fonte de recursos específica para esse gasto extra, sem comprometer o teto de gastos e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Da forma que está é pegadinha”. Acho que o correto, quando da aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional que envolva despesa suplementar, seria vir na esteira dessa lei a fonte onde os recursos seriam captados para fazerem frente aos gastos. O Legislativo é muito chegado a esse tipo de conduta, ou seja, cria a benesse e o Executivo que se vire. Se existe o veto, o ônus vai ser sempre do Executivo.

Era só o que faltava: Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual. Se foi Charles de Gaulle ou Carlos Alves de Souza, que afirmou não sermos um país sério, não importa. Pelo jeito decididamente, não somos. Isso me faz lembrar de um episódio relatado por Sérgio Porto (Stanislau Ponte Preta) em seu famoso livro “Febeapá - O festival de besteiras que assola o país”. Conta ele que um prefeito de uma cidade nordestina foi avisado por Brasília que o equinócio de verão chegaria em dois dias, a sua cidade. No que o prefeito prontamente respondeu: “Seu Equinócio ainda não apareceu por aqui. Quando chegar será recebido com banda de música, homenagens e coquetel”.

 

Max Wolosker é médico e jornalista.

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A maior inflação dos últimos 27 anos e o Brasil no Mapa da Fome

quinta-feira, 14 de outubro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

Impulsionada pela forte alta do dólar, pelos altos custos da eletricidade e dos combustíveis, a palavra que vem tomando conta do dia-a-dia dos brasileiros é a tal da “inflação”. Contudo, essa bendita palavra não se tornou apenas parte das conversas de rua ou dos noticiários, mas também virou um grande problema no bolso de todos, gerando incertezas e inseguranças.

Impulsionada pela forte alta do dólar, pelos altos custos da eletricidade e dos combustíveis, a palavra que vem tomando conta do dia-a-dia dos brasileiros é a tal da “inflação”. Contudo, essa bendita palavra não se tornou apenas parte das conversas de rua ou dos noticiários, mas também virou um grande problema no bolso de todos, gerando incertezas e inseguranças.

No mês passado vivenciamos a maior inflação desde a criação do Plano Real. O índice medido pelo IPCA disparou e aumentou em 1,16% em um único mês, contanto com um acumulado de 10,25% nos últimos 12 meses.  Mas em português brasileiro, o que isso quer dizer? Basicamente, a taxa demonstra o aumento dos preços dos bens e serviços no país, indicando que tudo ficou mais caro.

Em contrapartida, na contramão de tudo, o salário mínimo previsto para o próximo ano teve um pequeno reajuste de R$ 69, um aumento de aproximadamente 6,2% em comparação ao ano passado. É importante observarmos que o valor da remuneração básica do Brasil, que já era difícil para manter uma família, teve agora a sua correção em um valor abaixo ao do aumento dos custos de alimentos, combustíveis e aluguéis. Nesse sentido, com preço dos itens básicos aumentando a cada dia e o brasileiro ganhando menos, é fato que a cada dia nossa população fica mais pobre e com menos poder de compra.

Perrengue nacional da fome

O Brasil volta ao Mapa Mundial da Fome, segundo a ONU, a Organização das Nações Unidas, com 19 milhões de brasileiros passando por carência alimentar. O levantamento feito pela organização coloca nosso país em uma situação que não se encontrava desde 2014, com mais de 5% da população subalimentada.

A situação está tão grave que uma imagem tomou conta das redes sociais nas últimas semanas: um açougue em Santa Catarina colocou uma placa na porta com a mensagem “Osso é vendido e não dado”. A doação de ossos pelos açougues aos mais necessitados, sempre foi uma praxe histórica e nacional.

Com o aumento do valor da carne bovina, frango e ovos, a peça com grande quantidade de ossos ou só os ossos tem sido usada por muitas famílias como substitutos no prato. A busca por ossos tem sido tanta ao ponto do valor passar a ser cobrado ou aumentar em muitos estabelecimentos comerciais, fragilizando mais ainda os grandes atingidos pela pandemia do coronavírus e que dependem diretamente ao que muitos consideram como “resto”.

Dados divulgados, na semana passada, pela Companhia Nacional de Abastecimento revelam que o consumo de carne vermelha é o menor nos últimos 26 anos, devido ao aumento de preço. O acúmulo de preço do produto foi de 25% em 12 meses.

Do Brasil para Nova Friburgo

A previsão é de que de que a inflação diminua, no próximo ano, chegando à taxa 8% ao ano. Contudo, é sempre bom lembrar que é 8% acima dos preços de agora, dando ainda mais volume à inflação acumulada e trazendo prejuízo direto aos menos favorecidos financeiramente.

 “Com o menor poder de compra, a qualidade de vida fica comprometida e isso favorece ainda mais o cenário de desigualdade social. Agora, se a renda não é reajustada corretamente o problema torna-se ainda mais grave", explica Gabriel Alves, empresário, especialista em investimentos e que assina a coluna “Educação Financeira” todas as sextas-feiras aqui em A VOZ DA SERRA.

“Quanto à organização de orçamento familiar, é importante atentar-se ao poder de compra. Para quem não tem o hábito de poupar, o consumo hoje torna-se proteção para o que pode estar mais caro amanhã. Por outro lado, o indivíduo que poupa tem grande potencial de rentabilidade ao atentar-se para alocações de investimentos atrelados aos índices de inflação”, observa Gabriel.

Nós, friburguenses, apesar de vivermos cercados pelas nossas belas montanhas, não estamos numa redoma e somos também atingidos pelas consequências à nossa volta. Preparar-se e se organizar é a melhor alternativa para sair menos prejudicado num momento de tanta instabilidade nacional.

Lucas Barros é bacharel em Direito. Escreve às quintas-feiras.

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A VOZ DA SERRA é a nossa voz ecoando para o mundo!

quinta-feira, 14 de outubro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

Novamente o Caderno Z do último fim de semana me levou para a rua da minha infância: a Travessa Bonsucesso I, pertinho da Filó. Das tecnologias, o que eu tinha era a televisão da casa de dona Clarice. Era lá que a gente acompanhava todos os episódios de Nacional Kid. No mais, era brincar na rua com todas as dicas trazidas pelo caderno: amarelinha, caça ao tesouro, passa anel, esconde-esconde e bolinha de gude. Quando chovia, a gente brincava, na varanda, de uma brincadeira hoje conhecida como Stop. O bafo era divertido porque a gente colecionava muitos álbuns e tinha que trocar figurinhas.

Novamente o Caderno Z do último fim de semana me levou para a rua da minha infância: a Travessa Bonsucesso I, pertinho da Filó. Das tecnologias, o que eu tinha era a televisão da casa de dona Clarice. Era lá que a gente acompanhava todos os episódios de Nacional Kid. No mais, era brincar na rua com todas as dicas trazidas pelo caderno: amarelinha, caça ao tesouro, passa anel, esconde-esconde e bolinha de gude. Quando chovia, a gente brincava, na varanda, de uma brincadeira hoje conhecida como Stop. O bafo era divertido porque a gente colecionava muitos álbuns e tinha que trocar figurinhas. Quanta saudade!

O Dia das Crianças, celebrado na última terça-feira, 12, foi idealizado pelo deputado federal, Galdino do Valle Filho e a data foi oficializada em 5 de novembro de 1924. A comemoração ganhou o que faltava: um feriado pelo dia de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. É impossível falar em crianças e não lembrar que umas das guloseimas preferidas pelos pequenos é um bom hambúrguer. Assim, a boa notícia é que o Scavarda´s voltou! O campeão em hambúrgueres inovadores e drinques sensacionais, depois de se manter fechado, por um ano e meio, trabalhando apenas com delivery, por conta da pandemia, abriu suas portas e está de braços abertos para receber a clientela, no Cônego.

Qualquer hora eu vou lá provar o drink Elizabeth II e felicitar Jaqueline e Victor, os proprietários da casa, bem como a equipe maravilhosa. Juntos, eles passam uma energia superpositiva. Meu “pequeno príncipe”, Matheus,  trabalha lá e ama o ambiente. Como diz o casal proprietário, “somos um time”! E, por certo, um time vencedor, de grande torcida.

Wanderson Nogueira esbanjou sensibilidade em “O filho que eu quero ter”. E, tanto esbanjou, que muitos filhos diriam o contrário: “Este é o pai que eu quero ter”. Preciso destacar um trecho, mas qual? Leio, releio e tudo é tão lindo, mas, me arrisco: “Vamos rodar o mundo inteiro, mesmo que numa folha de papel. E juntos, unidos e fortes, seremos, para cada si, o norte de uma rota para o céu...”. Quem não quer um pai que faça tantos projetos bonitos assim? E que ainda por  cima, vai contar estrelas com o filho...

Deixando o “Z”, o mês de outubro é bem relevante nas datas comemorativas, indo além do Dia das Crianças e da nossa padroeira. Se formos pesquisar, há datas importantes como o Dia do Professor (amanhã, 15), o Halloween (próximo dia 31) e o mês todo dedicado ao Outubro Rosa. Em “Sociais”, por exemplo, a coluna destacou o meu aniversário, comemorado no último dia 7, com elogios carinhosos que muito me honraram. Sou grata também ao jornal pela acolhida da coluna Surpresas de Viagem, que sempre me guia para os melhores roteiros no meu fim de semana.

A “crise na saúde” do Hospital Raul Sertã continua em evidência como destacou a manchete da última edição. Na qualidade de povo, o que nós queremos é muita saúde para o nosso hospital municipal e vamos torcer para que tudo se resolva em prol do bem da comunidade. Que Nossa Senhora Aparecida possa nos amparar e ajudar, inspirando as autoridades na resolução dos problemas.

Ajuda boa tem sido o programa Supera RJ, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, criado em função da crise gerada pela pandemia que afetou famílias em situação de extrema pobreza. A partir deste mês, os beneficiários  receberão o acréscimo do auxílio-gás no valor de R$ 80. Outra notícia otimista é a retomada da nossa economia com a geração de mais de dois mil novos empregos em Nova Friburgo, neste ano, conforme levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan). 

Entretanto, a crise financeira afeta a renda familiar, que continua merecendo cautela. A inflação, retratada na charge de Silvério, pode deixar frustrações no quesito presente para a criançada. Nós somos os dinossauros e o que se há de fazer? É mais uma razão para nos reinventarmos ou copiarmos ideias, como relatou o Caderno Z, pois, na Nova Zelândia, a celebração do Dia das Crianças acontece com as famílias se dedicando “inteiramente aos pequenos, passando mais tempo com eles, numa amorosa convivência e... ninguém ganha brinquedo”.

Nossa cultura é outra, gostamos de presentear e as lojas esperam essas festividades para a economia fluir. Mas, quem sabe, então, possamos, como sonha Wanderson Nogueira, tirar uma noite para “contar estrelas” com as crianças!...

 

Elisabeth Souza Cruz é jornalista, poetisa e presidente da seção Nova Friburgo da UBT, a União Brasileira dos Trovadores. 

 

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O que fazer em um dia difícil de viver?

quinta-feira, 14 de outubro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

Tem dias que não nos sentimos bem emocionalmente. Isto é normal nessa vida de lutas para a sobrevivência, pela presença de dificuldades na família, pressão no trabalho, sofrimentos variados decorrentes de má administração pública, consequências físicas, mentais, sociais e econômicas de uma pandemia, desafios financeiros, guerra espiritual entre o bem e o mal dentro e fora de nós, entre outras causas. 

Tem dias que não nos sentimos bem emocionalmente. Isto é normal nessa vida de lutas para a sobrevivência, pela presença de dificuldades na família, pressão no trabalho, sofrimentos variados decorrentes de má administração pública, consequências físicas, mentais, sociais e econômicas de uma pandemia, desafios financeiros, guerra espiritual entre o bem e o mal dentro e fora de nós, entre outras causas. 

Saúde mental não é ausência de angústia ou tristeza. É aprender a lidar com estas dores emocionais de forma construtiva. Podemos aprender. Não para nos tornarmos orgulhosos ou prepotentes achando que somos mais fortes que os outros. Mas aprender a administrar nossas emoções para surgir humildade, serenidade, compaixão especialmente ao sermos iluminados e perceber que todos estamos no mesmo barco da existência com seus desafios.

O que você pode fazer em um dia difícil, em que a angústia, a tristeza, apertam seu peito? Primeiro de tudo aceite que você não é um deus, mas um ser humano com limitações e mesmo tendo uma personalidade mais resistente, aceite que nem sempre é possível estar bem como desejaria.

Em segundo lugar, observe para ver se existe alguma pendência, alguma necessidade de fazer reparação, restituir o que deve, pedir perdão, oferecer perdão, se proteger melhor, colocar limites, pedir coisas em vez de assumir fardos pesados demais desnecessariamente. E faça o que for necessário dentre estes exemplos de atitudes que dependem de você.

Em terceiro lugar, descanse no dia difícil. Descanse fisicamente. Tire um cochilo. Vá caminhar na natureza. Se afaste de barulhos, agitação, shoppings, e use algum tempo para orar e para meditar. Coma menos e consuma alimentos mais leves, naturais, sem estimulantes, pois isso ajuda o cérebro. Evite assistir TV e leia um texto que produz esperança, luz, conforto, talvez uma biografia de alguém que lutou com sofrimentos e obteve melhora, alívio, mesmo sem ter tido necessariamente a cura desejada.

Descanse mentalmente. Isto significa não ficar se cobrando que teria que estar bem, teria que estar funcionando com bom pique no trabalho, teria que estar contente e sem angústia, teria isto ou teria aquilo. Pare com estes pensamentos de “teria que”. E aceite o que pode ser nesse dia, o que pode existir nesse dia. E ao final da jornada diária, ao deitar para dormir, olhe para trás e veja que, apesar de ter sido um dia doloroso, Deus lhe ajudou a realizar algumas coisas.

Em quarto lugar, se for necessário, você pode desabafar com alguém ético e de confiança. Falar ajuda a aliviar. Mas não é com qualquer um. E não precisa colocar nas redes sociais o que você está sentindo neste dia difícil. Escolha uma pessoa de princípios, preferencialmente mais velha que você, em quem você confia, com quem não exista nenhum risco de envolvimento afetivo e sexual.

Em quinto lugar, pense em alguém que precisa de ajuda e faça algo para aliviar a necessidade desta pessoa. Se não for possível ajudar o outro no mesmo dia em que você não está se sentindo bem, faça planos para o mais breve possível oferecer auxílio dentro de seus recursos físicos e materiais. Quando nos envolvemos em ajudar a aliviar o sofrimento de alguém, nossos próprios sofrimentos são também aliviados.

Em sexto lugar, pense que o que é bom, aquilo que é agradável em sua vida mental, passa, infelizmente. Mas diga a si mesmo, relembre a si mesmo no dia doloroso, que o que é ruim, também passa. Repetindo este pensamento, o que é bom, passa. Mas o que é ruim, também passa.

 

Cesar Vasconcellos de Souza – www.doutorcesar.com

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