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A irmã morte

terça-feira, 02 de novembro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

Todos os anos, no dia 2 de novembro, fazemos uma pausa de nossas atividades cotidianas para nos lembrarmos de nossos irmãos e irmãs, parentes e amigos, que já partiram do nosso convívio. Refletir sobre a morte sempre foi importante para a humanidade, quanto mais nos é neste momento que estamos vivendo.

Passados quase dois anos do início da pandemia da Covid-19, os números de mortes ainda nos assustam. Muitas pessoas que ocupam um lugar importante em nossa peregrinação, através do tempo e da história, largaram suas mãos de nossas mãos.

Todos os anos, no dia 2 de novembro, fazemos uma pausa de nossas atividades cotidianas para nos lembrarmos de nossos irmãos e irmãs, parentes e amigos, que já partiram do nosso convívio. Refletir sobre a morte sempre foi importante para a humanidade, quanto mais nos é neste momento que estamos vivendo.

Passados quase dois anos do início da pandemia da Covid-19, os números de mortes ainda nos assustam. Muitas pessoas que ocupam um lugar importante em nossa peregrinação, através do tempo e da história, largaram suas mãos de nossas mãos.

Contemplar a morte tão de perto nos faz pensar sobre nossa finitude e sobre o que estamos cultivando nesta vida. Nem sempre é possível encarar com serenidade a chegada desse final inevitável para todos. A humanidade tem um desejo incontrolável de vida. Construímos nossa existência com momentos marcantes, planejamos o futuro sem nos dar conta que um dia esta vida será abruptamente interrompida. Não há quem um dia não enfrente o mistério da morte.

Contudo, não se pode delegar somente um aspecto negativo sobre este momento ímpar de nossa existência. Ao vivenciar o processo do fim, num primeiro momento poderíamos repetir como o autor sagrado “Tanto morre o sábio como morre o louco! E assim detestei a vida, pois a meus olhos tudo é mau no que se passa debaixo do sol; sim, tudo é efêmero e vento que passa. Também se tornou odioso para mim todo o trabalho que produzi debaixo do sol, visto que devo deixá-lo àquele que virá depois de mim” (Ecle 2, 16b-18).

Mas, é importante recordar que ao contemplar todo o caminho de sua existência, o mesmo autor conclui: “que nada é melhor para o homem do que alegrar-se e procurar o bem-estar durante sua vida. Igualmente é dom de Deus que todos possam comer, beber e gozar do fruto de seu trabalho. Reconheci que tudo o que Deus faz dura para sempre, sem que se possa ajuntar nada, nem nada suprimir. Deus procede dessa maneira para ser temido. Aquilo que é, já existia, e aquilo que há de ser, já existiu; Deus chama de novo o que passou" (Ecle 3, 12-14).

Assim, compreendemos que a morte é um processo natural da vida, com todas as finitudes que ela possui (doenças, enfermidades, idade). São Francisco de Assis chama a morte de irmã, pois a vê como aquela que no fim do decurso nesta vida nos dá a mão e nos conduz ao bem supremo. Como um autêntico arauto da paz, Francisco, jamais diria ‘bem-vinda irmã morte’ quando ela é consequência do pecado humano. O santo de Assis gritaria ao mundo de hoje: “Maldita a morte causada por toda a violência armada; maldita a morte causada pela fome em consequência da não partilha; maldita a morte provocada pela privação dos direitos sociais, causada pelo enriquecimento ilícito dos que legislam em causa própria; maldita a morte causada pela disseminação da segregação racial, ideológica e religiosa. Enfim, maldita a morte que destrói a vida das nossas florestas; maldita a morte, fruto dos produtos tóxicos despejados sobre o alimento; maldita a morte dos nossos rios, resultado da ganância das mineradoras; maldita a morte das nossas praias nordestinas, causada pela omissão dos primeiros responsáveis e pela ganância” (Frei Fidêncio Vanboemmel).

Foto da galeria

Padre Aurecir Martins de Melo Júnior é assessor da Pastoral da Comunicação da Diocese de Nova Friburgo.

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AVS informa, educa e nos emociona!

terça-feira, 02 de novembro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

“Corpo, mente e alma precisam estar saudáveis”. Quem afirma a máxima é o pastor da Igreja Luterana, Gerson Acker, praticante de crossfit. Em sua entrevista para o Caderno Z, o pastor conversou com Thiago Lima e deu depoimentos sobre como inseriu o esporte em sua vida e destacou: “A espiritualidade que creio é aquela que vê o ser humano de forma holística, integral...”. Aceitando o desafio de se tornar um “crossfiteiro”, o pastor defendeu na entrevista que no processo de evangelização, “de quebra”, é possível incentivar as pessoas “a se exercitarem e a levarem uma vida mais saudável”.

“Corpo, mente e alma precisam estar saudáveis”. Quem afirma a máxima é o pastor da Igreja Luterana, Gerson Acker, praticante de crossfit. Em sua entrevista para o Caderno Z, o pastor conversou com Thiago Lima e deu depoimentos sobre como inseriu o esporte em sua vida e destacou: “A espiritualidade que creio é aquela que vê o ser humano de forma holística, integral...”. Aceitando o desafio de se tornar um “crossfiteiro”, o pastor defendeu na entrevista que no processo de evangelização, “de quebra”, é possível incentivar as pessoas “a se exercitarem e a levarem uma vida mais saudável”. Inspirar motivação é uma obra missionária e ninguém melhor do que o pastor Gerson para dar bom exemplo. Parabéns!

Sabrina Schueler precisava perder peso e controlar a “alimentação emocional”, pois quando a pessoa come, mesmo sem ter fome, “em resposta a determinadas emoções”. De 114,7 quilos, Sabrina conseguiu reduzir seu peso para 74 quilos. Satisfeita com o resultado alimentar e com tudo o que aprendeu, ela se propôs a transmitir seus conhecimentos. Nas estratégias alimentares, aprendeu sobre o “low carb de jejum intermitente e a dieta cetogênica, “plant based”, além da importância que a mente ocupa no processo de emagrecimento e ressalta: “O meu projeto tem o objetivo de motivar as pessoas a conquistar o que desejam, ou seja, uma vida saudável”. O conhecimento que se transmite não se perde!

Mudar estilo de vida é um grande desafio individual que se consegue à custa de perseverança e Wanderson Nogueira foi próspero ao ressaltar: “Não poderá o homem fazer mundos diferentes se não se fizer diferente... Acumulamos experiências próprias e alheias. Somos resultado de nossa ancestralidade, mas o produto pode ser alterado com a troca da ordem dos fatores...”. Que bonito! Quantas lições maravilhosas tivemos ao ler o Caderno Z do último fim de semana.

A carestia sempre foi alvo de preocupações para o povo. Em "Há 50 Anos", o alto preço do arroz e do feijão causava horrores. Agora, a gasolina é o nosso pesadelo diário. Com aumentos sucessivos, o jeito é prender o carro como sugeriu a charge de Silvério. Que tortura! “Toda semana, temos um susto na bomba....” e no bolso!

A Praça Getúlio Vargas continua precisando de atenção. As fotos de Regina Lo Bianco são lindas, mas, revelam lanternas quebradas, o lago e o chafariz, abandonados, a Alameda das Trovas, tão lúdica na foto, carecendo de luminárias e assim por diante. O espaço é maravilhoso, onde a natureza faz muito bem a sua parte. Muito triste ainda é a necessidade de policiamento para “tomar conta da praça” por conta da baderna noturna dos jovens nos fins de semana. Está faltando educação de berço e vacina contra o vandalismo!  

A  “cobertura vacinal” tem dado bons resultados com a baixa ocupação dos leitos nos hospitais e a redução dos casos de contaminados. A importância de se concluir a vacinação é primordial para o domínio da Covid-19. Semana passada, acompanhando uma tia até o campus da Uerj para a aplicação da sua terceira dose, tive uma grande emoção ao voltar ao meu bairro de infância e percorrer os espaços da Fábrica Filó, onde minha mãe e meus tios trabalharam por mais de 30 anos. Que passeio gratificante!

O Colégio Cêfel deu lugar para as novas energias do Complexo Educacional Paulo Rónai, inaugurado na semana passada. O evento contou com a presença do prefeito Johnny Maycon e de representantes do governo municipal, bem como do embaixador da Hungria, Zoltán Szentgyörgyi, da presidente da Colônia Húngara de Nova Friburgo, Eva Bitó e de familiares do homenageado.

A ilustre senhora Nora Tausz Rónai, viúva de Paulo Rónai, discursou na ocasião: “Eu fico feliz e muito grata por esta homenagem que, certamente, seria a melhor homenagem que ele jamais poderia imaginar. Se existe alma eu não sei, mas, certamente, ele está aqui”. Cultivar a memória de Paulo Rónai é orgulho para todos nós, honrando a sua trajetória de vida e a sua escolha de residir em Nova Friburgo, quando fez do sítio “Pois é”, no Jardim Marajói, no distrito de Conselheiro Paulino, um lugar de ser feliz entre família, livros e muito encantamento. Que nesta terça-feira, 2, Dia de Finados, que possamos fortalecer o entendimento de que os nossos entes que já “partiram” estão vivos nas lembranças que deixaram...

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Pirenópolis, primeira viagem longa, depois de dois anos

terça-feira, 02 de novembro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

Segunda feira, 25 de outubro, iniciamos nossa viagem a Brasília, com direito a uma pausa de quatro dias em Pirenópolis-GO. Acostumado a viajar, hábito que cultivo desde novo, esse confinamento de dois anos por causa da pandemia teve consequências, pois me obrigou a ficar em casa por longos períodos e a saúde mental foi afetada. E tome de Cloridrato de Citalopram para combater a Síndrome do Pânico. No entanto, essa primeira etapa de nossa viagem mostrou que eu já estava curado, em função dos contratempos que enfrentamos.

Segunda feira, 25 de outubro, iniciamos nossa viagem a Brasília, com direito a uma pausa de quatro dias em Pirenópolis-GO. Acostumado a viajar, hábito que cultivo desde novo, esse confinamento de dois anos por causa da pandemia teve consequências, pois me obrigou a ficar em casa por longos períodos e a saúde mental foi afetada. E tome de Cloridrato de Citalopram para combater a Síndrome do Pânico. No entanto, essa primeira etapa de nossa viagem mostrou que eu já estava curado, em função dos contratempos que enfrentamos.

De Nova Friburgo a Pirenópolis são cerca de 1.200 quilômetros, o que nos obrigou a parar na metade do caminho. Dormimos em Bom Despacho-MG, após dez horas de estrada e seguimos na manhã seguinte. Já no estado de Goiás tivemos o primeiro problema, pois um caminhão tombou na pista, derramou óleo e despencou ribanceira abaixo. Ficamos parados por duas horas, para que a estrada fosse liberada. Continuamos após o almoço e pouco depois de Aparecida de Goiás, 74 quilômetros antes do nosso destino, uma árvore tombou na BR-153. Quando chegamos nesse ponto, a interrupção do tráfego já durava quatro horas e ficamos retidos por mais duas. Conclusão, só chegamos a Pirenópolis às 22h, depois de 15 horas de estrada.

Mas, esses contratempos foram compensados pela beleza da cidade. Fundada em 7 de outubro de 1727 por portugueses, que vieram para o garimpo de ouro, com o nome de Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte e, mais tarde, Cidade de Meia Ponte. O metal amarelo era encontrado no terreno aluvionário do Rio das Almas, portanto, o tipo de garimpo aqui empreendido era o de aluvião, que consistia em revirar e lavar o cascalho das margens do rio até poder apurá-lo com a batéia. Aliás, a presença de ouro no local, foi descoberta pelo bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, em 1682.

O nome “Meia Ponte” surgiu em virtude de uma grande enchente do Rio das Almas ter carregado a ponte que ligava as duas margens, só restando a metade dela. A partir de 1890, passou a chamar-se Pirenópolis, a cidade dos Pireneus, serra cujo nome lembrava para alguns os Montes Pireneus da Europa, divisa da Espanha com França.

A cidade foi tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1989, como conjunto paisagístico e em 1997 iniciou-se um projeto de revitalização do Centro Histórico, quando a Igreja Matriz, o Cine-Pireneus, o Teatro de Pirenópolis e outros monumentos foram restaurados, reformados e reconstruídos criteriosamente. Uma das primeiras cidades do estado de Goiás, sua arquitetura lembra em muito a de Ouro Preto, em Minas Gerais. A diferença marcante entre as duas é que enquanto a mineira se caracteriza por seus sobrados centenários, a goiana tem a maioria de seu casario com um andar apenas.

Poderia ser conhecida, também, como a cidade das águas, pois próxima dos rios Tocantins e Araguaia e cortada pelo Rio das Almas, Pirenópolis tem catalogadas, cerca de 80 cachoeiras, sendo a mais famosa, pela beleza, a do Abade. Apesar do clima quente e seco, as águas das quedas d´água são bem frias, geladas até. Mas, um banho nesses lugares é muito reconfortante.

Hoje, uma das indústrias mais fortes de Pirenópolis é a do turismo e várias são as pousadas preparadas para receber os visitantes. Os restaurantes são para todos os gostos e, a maior concentração deles está na Rua do Lazer, uma passagem estreita, sem acesso aos carros, onde se serve desde a culinária local até pratos internacionais. Outra característica é a presença de várias lojas que vendem o artesanato local, muito influenciado pelas diversas tribos indígenas que aqui habitaram, entre os séculos 16 e 17.

Vale a pena uma visita a Pirenópolis, um colírio para os olhos e um bálsamo para a alma.

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Médicos, receitas e remédios

terça-feira, 02 de novembro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

Apenas entrego a receita ao balconista que, de pronto, chama a farmacêutica, que, de pronto, convoca o mais antigo funcionário da casa

Apenas entrego a receita ao balconista que, de pronto, chama a farmacêutica, que, de pronto, convoca o mais antigo funcionário da casa

Não sou eu que vou falar mal dos médicos. Primeiro, porque os tenho em alta conta, especialmente os que tratam da minha pouca saúde. Não digo pouca porque ela me falte, mas porque saúde, como felicidade, nunca é demais. Alguns dirão que dinheiro também entra nessa conta, e mesmo o ingênuo Sancho Pança, fiel escudeiro do Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha, chegou a dizer que “Com bom cimento se pode fazer um bom edifício, e o melhor cimento do mundo é o dinheiro”. Pode ser, porém creio que mais vale possuir um centavo de saúde e outro de felicidade do que, sem elas, ser Bill Gates, Jeff Bezos e Elon Musk juntos, pra falar só dos que estão no topo da lista dos maiores ricaços do mundo. Por outro lado, o próprio Sancho vai dizer, mais adiante, que “Aos médicos sábios, prudentes, discretos, esses meto-os no coração e honro-os como pessoas divinas”.

Também não falo mal dos médicos porque é uma gente da qual se pode precisar a qualquer momento, em qualquer esquina da vida. Você vai andando lépido e fagueiro e de repente tem um piripaque e o mundo desaparece da sua frente. O que você mais quer ver nesse momento da vida (ou da morte) do que um bom e atencioso médico? Então é muito sensato estarmos sempre de bem com eles, para que, se nos reconhecerem antes do atendimento, eles não tenham que repetir mil vezes o juramento de Hipócrates. “Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Hígia e Panaceas...” e por aí vai, sem esquecer aquele pedacinho que diz: “A ninguém darei por comprazer remédio mortal nem um conselho que o induza a perda”. Se não for bem assim, espero que, tendo em vista que a citação é bem intencionada, ainda que imperfeita, nenhuma sociedade médica me processe,

Estando fartamente provado que não estou aqui para falar mal dos médicos, digo que gostaria de entender por que, em pleno século XXI, tantos deles continuam a escrever com letra analfabética, horrorosa, ilegível e pior de tudo, perigosamente mortal. Tenho pensado nisso desde que uma senhora, supondo que por eu ser professor de português hei de entender de hieróglifos e coisas semelhantes, mandou me pedir para decifrar o que estava rabiscado numa receita que o médico lhe entregou. Olho a folha assustado, viro-a de cabeça para baixo, tento a leitura vertical e a transversal e o mistério não se revela para mim.

Reúno alguns amigos, e todos se confessam incompetentes diante de tamanho desafio. Claro, todos têm um palpite. “Acho que é Toral”, diz um. Mas outro observa que, “na minha opinião”, não tem nem T nem R nessa palavra. “Deve ser damil”, opina o terceiro, “Só se for Dramin”, que esse existe, garante um mais entendido no assunto. E por aí vai: “Latam” (“Mas isso é nome de companhia aérea”), “Neurol” (“Acho que a pessoa não tem problema nervoso, não”), Brodemediol (“Mas na receita só tem cinco letras!”). Até que um engraçadinho aconselha: “Vai na farmácia e pergunta se tem Babacol. Se tiver, é esse mesmo”.

Bem, lá vou eu na farmácia e não pergunto por Babacol, apenas entrego a receita ao balconista que, de pronto, chama a farmacêutica, que, de pronto, convoca o mais antigo funcionário da casa. Debruçados sobre o balcão, também eles aproximam e afastam a receita dos olhos, viram e reviram a folha em diversas posições. Somente sobre uma coisa todos têm certeza: os riscos que antecedem à palavra (se é que aquilo é uma palavra) não é mais do que uns rabiscos desses que a gente faz quando a esferográfica custa a escrever. Sem chegar a nenhuma conclusão e com receio de matar a cliente com o remédio errado, recomendam que se procure o médico, peça para ele ditar o nome da droga e anotar o que ele disser (não deixe que ele escreva!). Feito isso, finalmente se chegou ao nome do medicamento, algo assim como Niuron.

Ah, os riscos acima citado significavam “duas caixas”.

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“Parabéns pra você”

segunda-feira, 01 de novembro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

Outubro é o mês de vários aniversários de pessoas amigas, inclusive do meu. Por estes dias, andei cantarolando “Parabéns pra Você”. Repentinamente, a letra me chamou a atenção por sua simplicidade e objetividade. Não ouso dizer que ela possua caráter literário, entretanto é uma composição de valor pelo significado que possui. Cantar “Parabéns pra Você” faz parte da cultura, além de ser uma forma de homenagear a trajetória existencial de uma pessoa, dado que cada ano vivido é uma conquista a ser respeitada. Ah!, não são todos que conseguem comemorar mais um ano de vida.

Outubro é o mês de vários aniversários de pessoas amigas, inclusive do meu. Por estes dias, andei cantarolando “Parabéns pra Você”. Repentinamente, a letra me chamou a atenção por sua simplicidade e objetividade. Não ouso dizer que ela possua caráter literário, entretanto é uma composição de valor pelo significado que possui. Cantar “Parabéns pra Você” faz parte da cultura, além de ser uma forma de homenagear a trajetória existencial de uma pessoa, dado que cada ano vivido é uma conquista a ser respeitada. Ah!, não são todos que conseguem comemorar mais um ano de vida.

Canta-se “Parabéns pra Você” pelos quatro cantos do país. É uma melodia festiva, ritmada pelo bater de palmas, movimentos corporais e cantada em grupo geralmente. Confesso que nunca tinha me dado conta da importância desta música, que expressa afetividade, esperança e desejo para que o aniversariante continue a realizar seus propósitos da vida.

Mas não é só isso que “Parabéns pra Você” me encanta. São as histórias da melodia e da letra. Mesmo distintas, perduraram no tempo e no espaço, desde a segunda metade do século XIX. Além de revelarem inteligência preciosa de quem as criou, foi composta por mulheres! A melodia tem origem na canção “Good Morning to All” composta pelas irmãs e professoras norte-americanas Mildred J. e Patty Hill em 1893, com a finalidade de criar uma canção para as crianças cantarem na entrada da escola. A composição foi registrada em 1893, o que gerou o pagamento de milhões de dólares em royalties. Em 1924 foi publicada num livro de Robert Coleman, “Celebrations Songs”, tendo o primeiro verso alterado para “Happy Birthday to You”, (Feliz Aniversário a Você).

No Brasil, a música começou a ser cantada em inglês em 1930. Em 1942, o compositor e radialista, Almirante, da Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, organizou um concurso para selecionar uma letra harmônica com a música. O júri foi composto pelos Imortais da Academia Brasileira de Letras: Olegário Mariano, Cassiano Ricardo e Múcio Leão. Cerca de 5.000 pessoas participaram do concurso, tendo como vencedora a paulista de Pindamonhangaba, Bertha Celeste Homem de Melo.

“Parabéns a você,

Nesta data querida,

Muita felicidade,

Muitos anos de vida”

Com o passar do tempo, a música foi naturalmente ampliada pelo bordão:

“É pique, é pique. É pique, é pique, é pique!

É hora, é hora. É hora, é hora, é hora!

Rá-tim-bum!”

(o nome do aniversariante é repetido três vezes)

É possível que esse bordão tenha sido criado na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco pelos estudantes para animar as festas de aniversário.

Amei escrever esta coluna! Vou cantar com mais alegria ainda “Parabéns pra você.”

 

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Criada a Universidade Serra dos Órgãos

sábado, 30 de outubro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

Edição de 30 e 31 de outubro de 1971
Pesquisado por Thiago Lima

Manchetes:

Edição de 30 e 31 de outubro de 1971
Pesquisado por Thiago Lima

Manchetes:

  • Domingo, 31 de outubro de 1971, às 11h, no Centro de Cultura de Nova Friburgo, a criação da “Universidade Serra dos Órgãos” - Estabelecimento vai se destinar a integrar, com ensino superior e técnico, toda a região centro-norte fluminense. Quinze municípios constituirão a zona de influência da nova entidade que nasce da fusão das fundações educacionais de Friburgo e Teresópolis. Trata-se de um passo agigantado para uma espetacular conquista no campo da educação regional. Friburgo, cidade universitária já à vista, não obstante a curta visão de inexpressivos círculos. 
  • Arroz e feijão caríssimos. E durma-se com esse barulho… - Bastou um ministro falar em estabilização nos custos das mercadorias para o preço do arroz subir à estratosfera, o feijão custar mais 200 cruzeiros antigos, a carne mais de 300, a manteiga mais um mil, o óleo mais 200, e a lataria valer uma média de 300 cruzeiros a mais a lata… Não parece uma provocação? 
  • A vez do arroz - O arroz que é um complemento natural e necessário na alimentação da população sofreu amalucada majoração, sem que se observe qualquer providência. O mínimo do aumento foi da ordem de 300 cruzeiros antigos por quilogramo. Os tipos especiais subiram em uma média de 800 cruzeiros antigos. É assim que se deve contar a história de uma estabilização de preços, somente conhecida dos técnicos do asfalto. 
  • Aniversário do prefeito Feliciano Costa - O funcionalismo municipal prestou carinhosa homenagem ao dr. Feliciano Costa, por motivo de seu aniversário, conforme notícia que demos na passada edição, quando compareceu incorporado ao seu gabinete para desejar-lhe felicidade. O chefe do executivo municipal, que momentos antes assinara mensagem à Câmara majorando os vencimentos dos servidores inativos e ativos, foi alvo de merecidos elogios por parte do intérprete do funcionalismo, que  salientou a alegria da classe pela melhoria recebida e por ver o timoneiro da nossa comunidade completamente restabelecido, alegre e disposto para novas batalhas em favor do povo friburguense.  
  • Em Friburgo, o representante do “La Liberte” - O jornal de Fribourg, na Suíça, esteve presente em Nova Friburgo, através da visita do jornalista internacional Pierre Barras que veio acompanhado do 1º secretário da embaixada da Suíça no Brasil, Dayer Daniel e senhora. Vários pontos da cidade foram percorridos pelos visitantes, inclusive o Colégio Anchieta e a Fundação Getúlio Vargas. 
  • Dia do funcionário público - O funcionalismo público municipal teve razões para festejar seu dia, já que o prefeito Feliciano Costa “sacudiu” o ambiente terminando com os expedientes de tapeação e discursos com promessas mirabolantes com distribuição de sorrisos e doces, para enveredar pelo caminho da realidade, dando algo de positivo à classe e anunciando como vai agir para em futuro próximo corrigir distorções existentes e dar aos que trabalharam e trabalham para o Poder Público o que de justiça e de direito lhes é devido. Realmente, o atual chefe do executivo demonstrou alta compreensão para as eternas aflições do funcionalismo, de fato, esquecido pelo diminuto salário que recebe dos cofres públicos.  

Pílulas:

  • Para honra e glória nossa, a Fundação Educacional de Teresópolis, dispensa-se pronunciamento, aval ou aprovação do legislativo, da mesma maneira que não foi preciso fechar questão com a bancada, reunir partidos, etc, etc, etc, coisas que somente procrastinam as boas iniciativas, atrasando-as, ou impedindo-as. Querem exemplo mais frisante que o da negativa das bolsas de estudos?  
  • Querendo ou não querendo a moçada, Friburgo terá brevemente mais algumas faculdades e cursos técnicos superiores. Não adianta catar pulgas em elefantes… A coisa é como é, e, felizmente, jamais será como eles queriam que fosse… 
  • E mais: Colégios impedidos de matricular alunos na 5ª série e Álvaro de Almeida continua favorável.

Sociais:

  • A VOZ DA SERRA registra os aniversários de: Julietta Pólo (30); Maria Cristina Azevedo (31); Alfredo dos Santos Spinelli, José Maria Coutinho Filho, Daniel Marques de Oliveira e Leila Segal (1º de novembro); Márcio Júnior Pereira (2); Lucy Lumy de Souza, Joaquim Mário de Azevedo, Rita da Silva Nicolau e Manoel Henrique Villarinho (6). 

 

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Além da Terra, ainda nós

sábado, 30 de outubro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

Hoje, mudamos de bairro ou mesmo de cidades e estados. Alguns até de País. Já imaginou que daqui a pouco tempo, poderemos estar mudando até de planetas? 

Hoje, mudamos de bairro ou mesmo de cidades e estados. Alguns até de País. Já imaginou que daqui a pouco tempo, poderemos estar mudando até de planetas? 

Além de Marte — o mais próximo e avançado em estudos para colonizar — os cientistas confirmam mais de 4800 exoplanetas, ou seja, planetas que orbitam estrelas além do Sol. As possibilidades de semelhanças com a nossa castigada Terra são imensas. Possivelmente habitáveis por nós, humanos. Isso para não dizer que é real a possibilidade de que nesses exoplanetas exista vida. Inteligente? Nem sei se podemos considerar que há vida inteligente na Terra. 

Por óbvio, meu sarcasmo aflorado tem mais evidências em crenças do que na ciência. A inteligência que nos falta é empatia. Cuidar do planeta para os que virão é empatia máxima. Afinal, nem conhecemos os que virão depois de nós, mesmo que sejam frutos de nós. 

Há quem diga que empatia e resiliência — ordens da moda recente — perderam espaço para o verbo ressignificar. Talvez ressignificar seja essência, inclusive para resiliência e empatia. No combate aos mundos líquidos, ressignificar é reflexão e prática urgentes. Mas como ressignificar se, talvez, nem tenhamos tido paciência para significar?

Queremos velocidade não só na conexão de internet. Tropeçamos. Queremos entregar artes, textos, trabalhos com pressa. Despercebemos. Engolimos a comida, sapos e saliva sem digerir. Beba com calma. Aprecie. Respire. 

O mundo gira na mesma velocidade desde o início dos tempos. O que está mais veloz são esses serzinhos, eu e você, que habitamos esse lugar redondo. Sim! A Terra é redonda e não precisa ter a grana do Jeff Bezos para confirmar com os próprios olhos. Não perca tempo com essa gente que insiste em Terra plana. Mas observe a maldade daqueles que as usam para estabelecer verdades mentirosas. É perigo maior do que dinamite. 

Há quem corte goiaba em fatias para evitar o indesejável mastigar larva. Há quem corra o risco. E não há  certo ou errado aqui. Segundo especialistas, o bichinho não faz mal. Mas se a textura não agrada, por que insistir?

Dirão: persistir! No amor, o verbo persistir é quase praxe para teimosos. Teimosia raramente é algo bom. Amor tem a ver com companheirismo instituído por certa intimidade que leva ao compreender. A compreensão está acima do altruísmo. Altruístas podem ser muito vaidosos. O amor pede leveza e é da natureza do amor ser leve, o que não quer dizer que não exija dedicação. Que essa dedicação seja prazerosa, na grande maioria das vezes.

Mais fácil é mudar de estado e continente, quiçá até de planeta do que de amores. Ah! O coração vai junto das nossas mudanças de lugar. E o coração é bagagem que não dá para se esquecer na aeronave. Tão difícil é mudar a nós mesmos. 

Poderá o homem colonizar um ou todos os seis planetas que orbitam a estrela Kepler-11. Mas não poderá o homem fazer mundos diferentes se não se fizer diferente. Ainda que os dias por lá tenham bem mais do que nossas 24 horas, seguirão líquidos se não nos transformarmos, se não nos ressignificarmos a partir até dos significados que abusamos recusar. 

Acumulamos experiências, próprias e alheias. Somos resultado de nossa ancestralidade, mas o produto pode ser alterado com a troca da ordem dos fatores. 

Que toda poesia nos ensine a chorar e toda música nos intua a sorrir. Que ambas, sendo uma só, nos privilegiem abraçar e sentir. Ressignificar, afinal, talvez seja mais possível que colonizar planetas para além das nebulosas. 

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(Foto: Pexels)
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Friburguense eleito melhor ator

sexta-feira, 29 de outubro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

Friburguense eleito melhor ator
O ator friburguense Bernardo Dugin foi eleito o melhor ator, na categoria média-metragem, no Festival Internacional de Cinema Cinemaz. O importante festival de cinema independente premiou Dugin por seu trabalho no curta “Baile de Máscaras”. Bernardo Dugin dá vida a Miguel, que tem o sonho de passar um carnaval na cidade maravilhosa.

Friburguense eleito melhor ator
O ator friburguense Bernardo Dugin foi eleito o melhor ator, na categoria média-metragem, no Festival Internacional de Cinema Cinemaz. O importante festival de cinema independente premiou Dugin por seu trabalho no curta “Baile de Máscaras”. Bernardo Dugin dá vida a Miguel, que tem o sonho de passar um carnaval na cidade maravilhosa.

Disputa acirrada
A película que aborda o ano que não teve carnaval no Rio ainda arrebatou mais quatro prêmios: melhor filme, melhor roteiro, trilha sonora e ainda o prêmio especial de originalidade. Concorreram 1.006 filmes de 84 países, o que eleva ainda mais o tamanho da glória.

Associação independente
Por conta da pandemia, a mostra de filmes foi toda online. Todos os concorrentes foram exibidos por links especiais. A premiação também foi virtual. Assim, no ano que não teve carnaval também não teve o evento presencial que acontece em Varginha-MG e é organizado pela Maz Associação Artística. 

Outros prêmios
O filme já havia recebido quatro prêmios no Festival Gimfa (Gralha International Monthly Films Awards) na categoria média-metragem: melhor filme, melhor edição, melhor trailer e melhor atriz coadjuvante para Katharine Albuquerque. Baile de Máscaras ainda não está disponível para o público em geral.

Ordem dos desfiles de carnaval
Vai se cristalizando a realização do carnaval em Nova Friburgo em 2022. Foi definido o dia do sorteio para a ordem dos desfiles das escolas de samba da cidade. Será no dia 28 de novembro, na quadra da atual campeã, Vilage no Samba. A previsão é que sábado de carnaval, 26 de fevereiro, ocorram os desfiles dos ex-blocos de enredo, agora escolas de samba: Bola Branca, Globo de Ouro, Raio de Luar e Unidos do Imperador. No domingo, 27, os desfiles das tradicionais escolas: Alunão, Imperatriz de Olaria, Unidos da Saudade e Vilage.

Sem ausências
Todas as agremiações estão confirmadas no desfile. Mesmo o Alunão que sofreu com um incêndio que trouxe grandes avarias à estrutura do seu barracão, assim como em fantasias e alegorias. O prejuízo é de aproximadamente R$ 100 mil. Só para refazer o telhado e a parte elétrica serão necessários R$ 33 mil. A azul e branco de Conselheiro Paulino promove uma vaquinha online para levantar esse dinheiro que é o mais urgente.

Reconstrução do Alunão
Inclusive, neste domingo, 31, o Alunão realiza uma churrascada para angariar recursos para recuperar o prejuízo causado pelo incêndio. O ticket que dá direito ao prato custa R$ 20. Outra ação de levantamento de recursos acontece neste sábado, 30, a partir das 13h. Por iniciativa do Choupana Grill, todas as caipirinhas vendidas no dia serão revertidas em benefício da agremiação. Para animar a festa, pagode dos Irmãos WW. O evento beneficente se soma a outros auxílios em curso.

Em preparação
As escolas de samba seguem em preparação. A Vilage, única a já ter seu samba para o desfile do ano que vem, realizou no último domingo, 23, uma super live com alguns de seus componentes. A atual campeã está com uma exposição virtual de sua história nas redes sociais. Seu enredo é sobre o som do sertão. A Imperatriz de Olaria com enredo indígena, encerra hoje, 29, o recebimento dos sambas que concorrerão na disputa para ser o hino da escola na avenida em 2022.

Definição de sambas
A Unidos da Saudade decidiu encomendar o samba para seu enredo sobre a indústria metalúrgica e não realizará disputa. Já o Alunão, última a definir o enredo para o carnaval, está com prazo aberto para os compositores confeccionarem suas obras sobre o tema Hakuna Matata. Eles têm até 12 de novembro para entregar suas obras. Será realizada uma eliminatória no dia 21 e a final está prevista para o dia 28. A data pode sofrer alteração já que coincide com o evento do sorteio da ordem dos desfiles.          

Concurso de Café
A Região Serrana terá um evento pioneiro para valorizar e divulgar a produção de cafés. Está programada para os dias 6 e 7 de novembro, na vizinha Bom Jardim a 1ª Mostra de Café de Qualidade Cafés da Serra do Rio. Palestras, oficinas, mostra e concurso estão na programação. Totalmente de forma presencial e seguindo os protocolos de segurança de saúde a ideia é unir produtores, profissionais, empresas e consumidores do setor.

Especialistas nacionais e internacionais
Já está confirmada a participação de diversos produtores dos municípios de Bom Jardim, Petrópolis e São José do Vale do Rio Preto. O Complexo Cultural Fazenda Bom Jardim foi o espaço escolhido para abrigar o evento que terá no sábado, 6, a parte técnica, com workshops com especialistas nacionais e internacionais sobre produção, importação e exportação, torrefação, métodos de extração dos grãos (soft, expresso, filtração), diferentes formatos de preparo de café, sustentabilidade, café na gastronomia e turismo, entre outros.

Várias atrações
O setor aberto ao público será no domingo, 7, e contará com exposição de produtos locais/regionais, atrações culturais, artesanato, cerveja artesanal e, claro, muito café. Haverá também visitação turística à Fazenda Goiabal, além da premiação da mostra. A entrada será gratuita.

Um pouco de história
A região já teve muita tradição na cafeicultura. Cantagalo, abarcando o território que corresponde hoje a vários municípios, chegou a ter mais de 700 fazendas na produção de café. Mas, segundo historiadores, a força da cultura cafeeira na região se deu especialmente pelas mãos do Barão de Nova Friburgo, graças ao trabalho escravo. Estima-se que durante os anos de 1827 e 1830, tenha trazido da África mais de 300 mil negros escravizados, onde uma parte foi comercializada e outra levada às suas propriedades na região.

Declínio aos dias atuais
Em 1870 já era visível o declínio da produtividade nas primeiras zonas ocupadas pelo café, o que se agravou com a abolição da escravatura em 1888. A crise de 1929 fez diminuir ainda mais a produção de café na região. Como o cultivo do café era realizado sem recursos como adubação e pulverização de defensivos, a terra tornava-se exaurida e improdutiva com cerca de 20 a 30 anos de uso, desmatando-se assim novas terras. Entretanto, na década de 1960 teve início o plano de erradicação das lavouras cafeeiras como tal e a região perdeu espaço. Atualmente, investiu-se mais em qualidade do que quantidade em produções mais tecnológicas.

Palavreando
“Mais fácil é mudar de estado e continente, quiçá até de planeta do que de amores. Ah! O coração vai junto das nossas mudanças de lugar. E o coração é bagagem que não dá para se esquecer na aeronave. Tão difícil é mudar a nós mesmos”. Trecho da crônica que será publicada na íntegra na edição deste fim de semana do Caderno Z, o suplemento semanal de A VOZ DA SERRA.

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101 edições, um recomeço!

sexta-feira, 29 de outubro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

O tempo corre, galopa em meio aos afazeres do cotidiano. Cabe a nós entender o que fazemos e como lidamos com ele. Na última semana, quando me dei conta, estava prestes a completar a expressiva marca de 100 textos publicados nesta coluna em A VOZ DA SERRA. Motivo de muita comemoração! Cheguei a pensar em escrever como forma de agradecimento, mas decidi deixar para depois. O “100” me passou a sensação de encerramento e eu não quero comemorar encerramentos; quero comemorar recomeços.

O tempo corre, galopa em meio aos afazeres do cotidiano. Cabe a nós entender o que fazemos e como lidamos com ele. Na última semana, quando me dei conta, estava prestes a completar a expressiva marca de 100 textos publicados nesta coluna em A VOZ DA SERRA. Motivo de muita comemoração! Cheguei a pensar em escrever como forma de agradecimento, mas decidi deixar para depois. O “100” me passou a sensação de encerramento e eu não quero comemorar encerramentos; quero comemorar recomeços.

Hoje somam-se 101 semanas consecutivas – prestes a completar dois anos de publicação da coluna Educação Financeira – juntos, falando sobre dinheiro, analisando o contexto social que permeia nossos estudos e democratizando o acesso às informações financeiras. Por falar em dinheiro, precisamos desmistificá-lo; transformar a forma como é encarado hoje e acabar com abordagens que o transformam em tabu. Dinheiro é ferramenta, e ferramentas dependem de conhecimento para serem utilizadas da maneira correta.

Em 101 semanas, tenho certeza de que muita gente pode ter passado pelo primeiro contato ou lapidado um pouco mais os conhecimentos financeiros. Nesse tempo, já falamos sobre uma grande diversidade de alternativas de investimentos, técnicas sobre gestão de orçamento doméstico, mecanismos de crédito, segurança financeira e até alertamos sobre como organizações criminosas põem em risco o seu dinheiro com investimentos fraudulentos. Há sempre um grande toque contemporâneo que busca conectar o mundo das finanças ao que está acontecendo agora. A propósito, você soubeu que o Copom elevou mais uma vez a taxa Selic na reunião da última quarta-feira, 27, e agora passam a valer juros de 7,75% ao ano?

Quem vem posicionado em títulos pós fixados e atrelados a altas taxas do CDI será premiado por isso; por outro lado, os pré fixados estão se tornando cada vez mais atrativos enquanto a nossa política monetária trava sua batalha com as metas de inflação.

Em todo esse tempo (e espero que o destino ainda nos presenteie com muito mais), não foi nada fácil encontrar novos temas e digitar novos três mil caracteres a cada sete dias. Tem sido um grande desafio, e o que mais me dá forças para seguir é a responsabilidade assumida por mim em levar esse conhecimento adiante. Eu tenho um compromisso com você e nós vamos juntos até o fim – se é que haverá um fim.

Vê como a gente pode, e deve, falar de dinheiro? Dinheiro não é ruim, não é mau e também não é apenas uma ferramenta de troca; é instrumento de políticas sociais. Precisamos nos familiarizar com a ideia de lidar com finanças de forma mais aberta e comunicativa. Em meio a negociações globalizadas e capitalistas, não há como lutar contra o sistema; é preciso entender a dinâmica e debater as regras em prol do que acreditamos.

Afinal, no que você acredita?

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Simples assim

sexta-feira, 29 de outubro de 2021
por Jornal A Voz da Serra

Simplicidade hoje em dia é ostentação. Ausência de complicação. Desnecessidade de dificultar as coisas. Capacidade em atribuir valor àquilo que muitas vezes não tem preço. Apreciar um pôr do sol, por exemplo. Respirar o ar puro do campo. Conversar com pessoas que têm estórias para contar. Contemplar uma árvore, comer um bom arroz com feijão, receber um abraço de uma pessoa querida, desinteressada, que só deseja a partilha do afeto, fazer uma caminhada, dormir em paz, com a consciência tranquila e deleitar o bom sono dos justos.

Simplicidade hoje em dia é ostentação. Ausência de complicação. Desnecessidade de dificultar as coisas. Capacidade em atribuir valor àquilo que muitas vezes não tem preço. Apreciar um pôr do sol, por exemplo. Respirar o ar puro do campo. Conversar com pessoas que têm estórias para contar. Contemplar uma árvore, comer um bom arroz com feijão, receber um abraço de uma pessoa querida, desinteressada, que só deseja a partilha do afeto, fazer uma caminhada, dormir em paz, com a consciência tranquila e deleitar o bom sono dos justos.

Viver de forma simples é absolutamente compatível com uma vida próspera e bem sucedida. É a minha opinião. Aliás, há quem só se sinta no ápice de suas conquistas quando encontra tempo em suas agendas para se aproximar do que há de mais simples e sofisticado que pode haver: a natureza. Natureza das coisas e natureza das pessoas. Essência dos seres.

Talvez estejamos complicando demais. A realidade já anda difícil por si só. Por mais que busquemos a paz interior e um estilo de vida compatível com as mais valiosas virtudes, somos partes de um todo que está desintegrado, problemático, adoentado. Não há como negar. Somos linhas que compõem esse emaranhado complexo, razão pela qual a busca pelo eixo da simplicidade nos reconecta de alguma maneira com aquilo que traz a verdadeira felicidade.

Muitos confundem uma vida simples com uma vida desprovida de condições básicas de existência, o que não é uma verdade absoluta. E é justamente esse ponto que me encanta. Batalhar, crescer, viver em harmonia com o ambiente, prosperar honestamente e ainda assim não precisar complicar tudo para sentir o preenchimento de coisas que não são úteis, não são necessárias, não trazem conforto e nem felicidade. E ainda assim sentir extrema felicidade em poder acompanhar um caminho de formigas no chão. Em ter tempo para preparar bolinhos de chuva no entardecer. Em ouvir cigarras cantando. Em ler um livro.

Sinto um imenso prazer quando troco sorriso sincero com alguém, quando percebo que as pessoas com quem interajo saem melhores do ambiente quando nos encontramos. Maior satisfação sinto ainda quando é a minha tristeza que se esvai pela presença do outro. Mas nada supera a alegria de ver quem amamos sorrindo de verdade. Quando eu observo de verdade, no meu ciclo de convívio, percebo nitidamente que os momentos mais felizes são puramente simples, que as pessoas que ostentam um sorriso real no rosto têm uma maneira de encarar a vida de forma descomplicada. Normalmente, gente que dá valor à essência da vida. Acho deveras maravilhoso. Definitivamente, para mim, com tantos excessos, materialismo e egoísmo, viver de forma genuinamente simples é um baita luxo.

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