Por que os cortes na taxa Selic?

Gabriel Alves

Educação Financeira

CEO da empresa Delta, de consultoria, Gabriel escreve sobre economia e finanças e dá dicas de inteligência no gerenciamento de gastos e de como conquistar o equilíbrio entre desejo de aquisições e controle emocional para otimizar as despesas.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

A tendência é global, mas a pandemia do coronavírus reforçou ainda mais a necessidade de bancos centrais – ao redor do mundo – cortarem seus juros básicos. A deflação é realidade em grande parte do mundo e no Brasil não é diferente; com menos consumo, a demanda cai e a oferta precisa se reajustar: se ninguém compra, os preços caem. É por isso que as instituições responsáveis pela manutenção das políticas monetárias se comprometem com o índice de meta de inflação; no nosso caso, a Meta Selic.

Teoricamente (e sim, até que funciona na prática), quando a Selic baixa, as instituições financeiras se veem na necessidade de diminuir o volume de investimentos em títulos públicos e focar suas operações em crédito aos seus clientes. Quando isso ocorre, as taxas de juros nos produtos de crédito são reduzidas, o consumo volta a ser incentivado e o ciclo econômico tende a se estabilizar. Pessoas físicas sem a necessidade de crédito, por sua vez, precisam encontrar novas formas de rentabilizar seu patrimônio e a alternativa passa a ser o investimento na cadeia produtiva: ativos negociados em mercado de bolsa.

Explicação longa, não é mesmo? Talvez a releitura talvez seja um bom método para destrinchar o conteúdo e entender quais são os propósitos por trás da decisão do Banco Central do Brasil ao anunciar, no último dia 5, a nova taxa da Meta Selic em 2,00% ao ano. Desde 2016, quando esta ainda estava em 14,25% ao ano, o Conselho de Política Monetária (Copom) vem cortando – sem nenhum momento de correção – juros e lançando mão de um recurso importante demais para não colher bons frutos.

 Analisando os períodos econômicos da história recente do Brasil, passamos por dois anos (2015 e 2016) de recessão e juros crescentes; ainda em 2016, a Meta Selic passou pelas primeiras reduções, mas só a partir de 2017 a nossa economia voltou a crescer – apesar dos pequenos superávits. Será que o povo sentiu esse ânimo econômico? Chegamos ao ponto mais doloroso deste tema (pelo menos para mim enquanto escrevo).

 Em 2015, com Selic alta e no auge da recessão mais recente não se esperava taxas baixas ao incentivo do crédito; a população endividada no país representava, de acordo com o Banco Central, 46,3% e era a maior taxa desde 2005. Em 2019, com Selic reduzida e prestes a fechar o terceiro ano consecutivo de expansão econômica, o índice de endividamento chegava a 63,4% e não para de aumentar. Hoje, em meio a realidade nunca vivenciada pelas gerações contemporâneas, o número de famílias endividadas chegou a 66,6% em abril. É assustador!

Educação financeira é isso; saber como a economia real interfere nas suas finanças pessoais. Vivemos num sistema econômico que tem deixado de fazer sentido a cada dia que passa. De nada adianta o mais bem elaborado projeto, se a população não recuperar seu poder de compra, o nome limpo e a qualidade de vida. Esse é o meu objetivo aqui: traduzir o sistema para a sua realidade. Não é fácil, exige estudo; e a cada texto escrito, busco esclarecer ainda mais a linguagem para tornar a educação financeira um conhecimento universal.

Estão nos deixando para trás e isso precisa mudar! Pense nisso!

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