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Mais emprego, mais espaço para Educação Financeira

quinta-feira, 06 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Observar o contexto econômico ao seu redor é o primeiro passo para atribuir Educação Financeira ao seu dia a dia. A capacidade de interpretar e compreender dados também é fundamental para se posicionar e participar do seu papel cidadão. Sempre busco fomentar, neste espaço, a importância de conhecimentos financeiros como parte de sua formação cidadã.

Observar o contexto econômico ao seu redor é o primeiro passo para atribuir Educação Financeira ao seu dia a dia. A capacidade de interpretar e compreender dados também é fundamental para se posicionar e participar do seu papel cidadão. Sempre busco fomentar, neste espaço, a importância de conhecimentos financeiros como parte de sua formação cidadã.

Educação Financeira depende de acesso a conhecimento; execução dos aprendizados, entretanto, depende de renda. Esta, por sua vez, depende de emprego e esse vai ser o foco do assunto de hoje. Portanto, antes de apresentar dados referentes ao momento econômico que estamos vivendo, é importante darmos um passo atrás e conhecer (se é que você ainda não conhece) alguns institutos e ferramentas responsáveis por tudo o que será mencionado daqui em diante.

Você conhece o Ipea?, o Caged? E a Pnad? O IBGE já te soa mais familiar? No Brasil e no mundo, mapear, calcular e projetar dados é fundamental para a idealização e implementação de toda política pública séria e assertiva. Nosso país, portanto, conta com institutos de pesquisa capacitados para realizar todo este trabalho e divulgar essas informações. Tudo, é claro, possibilitado graças a criação de ferramentas específicas capazes de viabilizar tais estudos.

Dentro do contexto proposto, o IBGE coordena a Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio) e administra os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), por sua vez, elabora a Carta de Conjuntura, um relatório periódico responsável por reunir e elucidar todas as informações econômicas relevantes ao cidadão. É através dessa Carta que nós, especialistas em finanças e mercados, avaliamos o cenário da economia nacional e projetamos resultados de acordo com as políticas públicas propostas. Caso surja interesse profundo, busque pelo documento nos sites de pesquisa e você vai encontrar todo o histórico. Recomendo fortemente.

Nesta carta, alguns itens precisam ser analisados com mais atenção.

O primeiro, por razões óbvias, a Taxa de Desocupação, que chegou em 8,9% em junho de 2022 e alcançou o menor patamar desde o mesmo mês em 2015 – época precedente a principal recessão do Brasil nos últimos anos. Analisar este dado nos leva à conclusão simples de mais vagas sendo oferecidas no mercado de trabalho. Possibilitando a interpretação de, apesar do momento delicado para a política monetária e elevado custo do capital, economia em aquecimento e, consequentemente, maiores expectativas de crescimento do PIB.

As vagas de trabalho também falam bastante sobre a conjuntura, já que são a ferramenta para o aumento do Nível de Ocupação. Em contrapartida aos dados positivos, o salário médio real de admissão – nos mesmos períodos observados – recuou 4,4% e você também pode acessar esta informação através da Carta.

Saber encontrar as raízes da informação é a chave para entender os detalhes de tantos dados. São nestes detalhes que podemos nos especializar e formar pensamentos singulares. Estamos vivenciando um momento oportuno para voltar a crescer, educar e formar cidadãos. Disse no início do texto: executar os conhecimentos exercitados neste espaço depende de renda; e renda só vem com mais empregos e, se possível, mais bem remunerados.

O trimestre encerrado em agosto deste ano também mostrou Taxa de Desocupação em 8,9%, mas meu objetivo não foi apenas repercutir resultados – esse trabalho o jornalismo já faz com êxito. Hoje eu quero te mostrar como você pode compreender todo o sistema de levantamento de dados e divulgação de resultados para interpretar cenários de esfera econômica. Espero ter contribuído.

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Mudança

quinta-feira, 06 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Aquele frio na barriga, palpitação, pensamentos voando, respiração mais curta. Nessa hora, bate uma agitação interna, por vezes um excesso de empolgação. Quem está prestes a chegar é a “mudança”. Mudança em algo da vida, por vezes, vem de surpresa, chega mostrando a que veio, imponente, avassaladora. Outras vezes, chega de mansinho, vai se acomodando, conquistando espaço, se esparramando pelo sofá da vida e quando menos percebemos, nos deparamos com ela e encaramos sua presença. Mas nem só de surpresa chegam as mudanças. De certo, muitas mandam notificação prévia.

Aquele frio na barriga, palpitação, pensamentos voando, respiração mais curta. Nessa hora, bate uma agitação interna, por vezes um excesso de empolgação. Quem está prestes a chegar é a “mudança”. Mudança em algo da vida, por vezes, vem de surpresa, chega mostrando a que veio, imponente, avassaladora. Outras vezes, chega de mansinho, vai se acomodando, conquistando espaço, se esparramando pelo sofá da vida e quando menos percebemos, nos deparamos com ela e encaramos sua presença. Mas nem só de surpresa chegam as mudanças. De certo, muitas mandam notificação prévia. Ou são planejadas, desejadas, perseguidas.

 As mudanças vêm. Simplesmente vêm. Quando não somos nós quem a promovemos, de uma forma ou de outra, parece que dão seu jeito de chegarem até nós. São insistentes. Surpreendentes. Podem chegar em silêncio, fazendo pouco ruído e impactando pouco nosso cotidiano. Ou podem chegar feito furacão, remexendo todas as estruturas, gerando temor e bagunçando tudo por onde passa.

Mudar faz parte da natureza humana. Mudanças internas são quase que orgânicas e necessárias. Eu de ontem não sou igual a eu de hoje. Não tem como ser. Quantos pensamentos novos já experienciei, quantas vivências, quantas decisões precisei tomar, quantos cursos fiz para me aprimorar, quanto amor partilhei, quanto me conheci, me desafiei, trabalhei. Mudanças são bem-vindas. São o sinal de que a vida pujante nos convida para escolhermos os rumos a tomar o tempo todo. Mudar para melhor. Escolher que seja para melhor. Como se essa escolha pudesse direcionar os rumos dos ventos e coubesse a nós cuidar das velas e preservar a nau.

Sinto que essa habilidade incrível que o mero existir demanda de nós, de superar sempre, de enfrentar todos os dias, de conviver, aprimorar, respeitar, ser melhor, fazer mais – ou o mínimo, nos torna super-heróis ou super-heroínas de nós mesmos. Não sei vocês, mas eu quando me deparo com a adversidade e sinto-me forte para enfrentá-la, olho para trás e percebo o tanto que já evoluí. Porque se um dia mudar era sofrer, hoje mudar é crescer.

E as mudanças são bem-vindas quando sabemos extrair delas o que de melhor elas podem oferecer: nossa evolução, nossa força, nosso autoconhecimento. Quando descobri que eu posso promover boas mudanças dentro de mim, em minha vida e na de pessoas e também trazer as que não posso escolher para meu lado como aliadas em meu processo de evolução, deixei de temê-las. E por assim dizer, entendi que sem elas o frio na barriga provocado pelas variantes da vida poderia não me mover. E que o movimento é bom, principalmente o que ocorre de dentro para fora da gente.

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Onda de xenofobia

quarta-feira, 05 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

xenofobia regional é o nome que utilizamos para definir ações que discriminam um pessoa ou um grupo devido a suas identidades culturais. Apesar desse preconceito social ser histórico, ganhou grande relevância no cenário brasileiro, principalmente após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras.

xenofobia regional é o nome que utilizamos para definir ações que discriminam um pessoa ou um grupo devido a suas identidades culturais. Apesar desse preconceito social ser histórico, ganhou grande relevância no cenário brasileiro, principalmente após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras.

Com todas as urnas apuradas e os resultados divulgados de que o candidato A teria passado o candidato B na região, os ataques logo começaram nas redes sociais. Vindos de muitos desconhecidos e muitos conhecidos friburguenses, vi postagens chamando nordestinos de ”vermes” e associando-os à sede, burrice e fome.

Outras postagens associam o Nordeste à pobreza e a miséria. A região aparece como dependente de "assistencialismo", enquanto as demais seriam responsáveis pela produção de riqueza do país. Algumas publicações se referem aos nove estados como "Cuba do Sul" ou Venezuela. Há ainda mensagens que afirmam que os nascidos no Nordeste "não pensam", além de classificá-los como "manipuláveis" e "massa de manobra"...

Nas redes sociais, a palavra “nordestino” está entre as mais comentadas, com pessoas xingando e outras defendendo. E se eu fico incrédulo com isso? Supreendentemente, não. Sou filho de nordestina, meu avós eram retirantes e ainda que eu seja um friburguense nato, morei durante 12 anos em João Pessoa, capital da Paraíba, cidade pela qual eu tenho um carinho incondicional. Já sofri um pouco desse preconceito na pele.

Algumas vezes, pode ser até dificil reconhecermos esse tipo de violência. O preconceito emerge sempre de forma velada e amistosa, que soa sempre como uma grande brincadeira. Vêm-me a lembrança uma vez, indo a uma churrascaria no centro da cidade, e ao adentrar o elevador, uma criança apertou todos os botões do elevador e a mãe dela logo repreendeu: “Você parece um Paraíba que nunca viu um elevador na vida”.

Bom, imagine...foram longos dois minutos dentro daquele elevador, que parava em todo andar. Respira, inspira! Calei-me naquele momento – talvez não devesse, mas achei prudente. Mas refleti comigo: “João Pessoa à época detinha o título da cidade com maior número de construção de prédios e possui o segundo maior arranha-céu de todo território. Como é que essa mulher, morando em Friburgo, em que maior parte da população reside em casas, está falando isso?”.

Aquela situação me trouxe grande indignação. Mas percebi que muita gente desconhece o Nordeste brasileiro ou se recusa a descobrir um pouco mais sobre a região. Além de ser rico culturalmente e sua economia cresce a cada ano que passa, inclusive com muitas cidades de interior superando à nossa região.

A localidade conhecida como “Vale do Silício” brasileiro, que detém grande produção de tecnologia e softwares, é Campina Grande, na Paraíba, também conhecida como a promotora da maior festa de São João do mundo. A época, a cidade com mais carros de luxo por habitante nesse país, era João Pessoa. E ainda que parte das pessoas fale mal, sempre que tem oportunidade, vão passar férias lá... vai entender!

Lá em 2012, eu retornei para Nova Friburgo e aqui moro desde então. E uma coisa que aprendi com a minha pouca experiência de vida: o xenofóbico se julga diferente – superior - e a partir disso ele desenvolve o preconceito contra quem sua mente achar que deve e pelos motivos que achar conveniente e não há nada que mude isso.

O retrato que vemos agora não supreende. As mesmas brincadeiras feitas na roda dos amigos, na mesa da família, que eu presenciei, são externalizadas publicamente nas redes sociais camufladas de uma ”briga por um país melhor”. Mas que ainda sim, exprimem o arcaico preconceito.

Preconceito, que como todos nós sabemos, e se não sabíamos, o momento é agora: crime. Quem se julga diferente na verdade se revela despreparado e inculto e pode ser reprimido pelas garras da justiça e da lei. É o que diz o artigo 1º da Lei de Crimes Raciais: ”Serão punidos, na forma desta lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.” Crime inafiançável e imprescritível.

E mais uma vez reforço e apelo, liberdade de expressão jamais deve ser confundida com liberdade de agressão. O limite é sempre a lei. Associar quem pensa diferente à desinformação é um preconceito enorme e que deve ser combatido todos os dias. Infelizmente, dividiram o país em duas cores, duas pátrias. Mas já diria, um famoso escritor em seus livros: ”O nordestino é antes de tudo, um forte”. E é verdade! Enfrenta todo tipo de dificuldade e ainda assim consegue vencer, sorrir para a vida e ser um povo extremamente amável e hospitaleiro.

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Escolha a verdade

quarta-feira, 05 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Existe um problema na natureza humana que, entre outros, é o egoísmo. Também existe um conflito na Natureza, por exemplo, as folhas caem mortas. Observamos na sociedade dificuldades graves como a violência, a corrupção que priva a população de benefícios a que tem direito, a injustiça social com muitos ricos em contraste com pobres. Vemos diferentes filosofias e religiões que pregam coisas opostas, às vezes citando a mesma fonte de um determinado texto religioso.

Existe um problema na natureza humana que, entre outros, é o egoísmo. Também existe um conflito na Natureza, por exemplo, as folhas caem mortas. Observamos na sociedade dificuldades graves como a violência, a corrupção que priva a população de benefícios a que tem direito, a injustiça social com muitos ricos em contraste com pobres. Vemos diferentes filosofias e religiões que pregam coisas opostas, às vezes citando a mesma fonte de um determinado texto religioso.

É estranho como que parte da população rejeita conceitos éticos, de bom senso, razoáveis e de boa moral. Certa vez Jesus Cristo curou dez leprosos. Ele curou os dez, mas só um veio agradecer, e este recebeu também a luz da vida porque decidiu por ela. O que aconteceu com os outros nove? O egoísmo os privou de receber a cura mais profunda e mais importante que dá sentido ao existir?

O que faz as pessoas decidirem por filosofias estranhas, votarem em candidatos a cargos políticos comprovadamente corruptos e mentirosos, praticar atos maldosos contra o próximo, viver em ganância material, competição injusta, conflitos de interesses mesmo em ambientes científicos? O neurologista James Putnam, da Universidade de Harvard, disse: “Quando me interrogo por que sempre me empenhei por ser honesto e compreensivo para com os outros, e se possível sempre bondoso, e por que não desisti mesmo quando percebi que com isso a gente se prejudica, a gente passa a ser bigorna porque os outros são cruéis e não merecem confiança, na verdade não sei a resposta.” Citado por Hans Küng em “Freud e a questão da religião”, Verus Editora, p.100, 2005.

A escritora de assuntos sobre saúde, educação e espiritualidade com mais livros traduzidos em mais idiomas no mundo, escreveu: “Existe em cada coração [mente] não somente poder intelectual, mas espiritual, uma percepção do correto, um desejo por bondade.” Ellen G. White, Educação, p.29. E ela também comentou: “Há em sua [dos seres humanos] natureza um pendor para o mal, uma força à qual, sem auxílio, ele não poderá resistir.” idem, p.29.

Quem você acha que controla sua vida, o bem ou o mal? Você quer somente benefícios egocêntricos como os nove leprosos? Ou deseja também a cura mais profunda, da mente, do ser? A escolha é sua. Mas se você decide pela não lógica, pela falsa verdade, pela imoralidade, por apoiar líderes sociais, políticos, filósofos ou religiosos, que têm um discurso hipócrita que contradiz com suas práticas de vida, este é um direito seu, mas como tudo na vida, existem consequências das escolhas que fazemos. E elas podem ser construtivas ou destrutivas.

Às vezes leva muito tempo, mesmo décadas, para um indivíduo sair do estado mental de insanidade, mesmo tendo uma posição social-política-religiosa poderosa, para entrar num caminho de humildade, compaixão, verdade e real eficácia na defesa das necessidades das comunidades onde exercem o poder a eles atribuído seja por eleições, decisões administrativas ou nomeações. A saúde mental não é algo automático. Temos que lutar por ela. O mesmo se dá quanto à saúde física, social, política e espiritual. Mas continua sendo um mistério que muitos permanecem e permanecerão no autoengano achando que estão numa posição superior e na verdade. Não foi sem razão que Jesus Cristo disse: “Se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão tais trevas.” Mateus 6:23.

Qual a solução para não cair no engano da inverdade? Começa com o sincero desejo de realmente querer a verdade, seja pessoal, das relações humanas, política, espiritual. E em seguida, se processa na busca incansável da verdade deixando a mente aberta para ela, o que, em muitos casos, pode contrariar as crenças pessoais arraigadas há anos. Muito de saúde mental, espiritual, social, política, tem que ver com desaprender para aprender de maneira correta. Mas isso é uma decisão pessoal. Depende da sua escolha. Ainda temos liberdade para isso. Mas ela nos será tirada por governos unidos a poderes religiosos perseguidores dos que querem ficar na luz. Portanto, firme-se no desejo, na busca e na aceitação da verdade.

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Cesar Vasconcellos de Souza – www.doutorcesar.com

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Datas memoráveis

terça-feira, 04 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

O Brasil, onde o que não falta é criatividade para inventar besteira

Eu não me canso de ouvir no rádio, toda manhã, a que ou a quem aquele dia é dedicado. E uma vez que inutilidade também é cultura, não custa você ficar sabendo essas coisas. Afinal, como dizia minha mãe, saber não ocupa lugar. Assim sendo, no desejo de colaborar com a erudição do prezado leitor e da não menos prezada leitora, trago valiosas informações a respeito de algumas dessas efemérides, se me permitem usar a palavra “efeméride”, por ser a mais compatível com a dignidade do assunto.

O Brasil, onde o que não falta é criatividade para inventar besteira

Eu não me canso de ouvir no rádio, toda manhã, a que ou a quem aquele dia é dedicado. E uma vez que inutilidade também é cultura, não custa você ficar sabendo essas coisas. Afinal, como dizia minha mãe, saber não ocupa lugar. Assim sendo, no desejo de colaborar com a erudição do prezado leitor e da não menos prezada leitora, trago valiosas informações a respeito de algumas dessas efemérides, se me permitem usar a palavra “efeméride”, por ser a mais compatível com a dignidade do assunto.

Tem, por exemplo, o Dia Nacional do Adulto, destinado a criar mais uma oportunidade de bons negócios para o comércio. Acho que a ideia não pegou porque talvez as crianças quisessem dar presentes em retribuição aos que costumam ganhar em 12 de outubro, mas para isso precisariam pedir dinheiro aos próprios adultos, e ninguém gosta de pagar para ser homenageado. O que me lembra aquela anedota em que Napoleão Bonaparte vai a uma cidadezinha, onde é ricamente recebido:  festas, vinhos, banquetes.  Na despedida, o prefeito lhe pede dinheiro, alegando que está com o baú vazio. O imperador lhe pergunta então como pode a cidade estar falida, se haviam gasto uma fortuna para recebê-lo. Ao que o sensato burgomestre responde: “Majestade, não fizemos mais do que devíamos, mas devemos tudo que fizemos”.

Não falta o Dia Estadual do Samurai (que não é no Japão, e sim em Santa Catarina), nem o Dia Municipal do Orgasmo, na orgíaca cidade de Esperantina, no Piauí. Mas não só o brasileiro gosta de safadeza. Nos Estados Unidos, por exemplo, tem o Dia da Masturbação, oficializado na época da Aids, com a santa intenção de incentivar as pessoas mais necessitadas a evitarem sexo promíscuo e assim escaparem da doença. E é lá que se comemora o Dia Mundial do Disco Voador, não faltando americano que jura de pés juntos já ter visto mais de um alienígena e até mesmo ter sido abduzido, dado umas voltas pelo universo e gentilmente deixado de volta na porta de casa.

Retornando ao Brasil, onde o que não falta é criatividade para inventar besteira, encontramos o Dia da Injustiça, enquanto vamos sonhando com o dia da justiça, que tanto demora a chegar. Por fim, para não alongar a lista interminavelmente, temos o Dia Municipal da Luta de Braço, criado pela laboriosa Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, para valorizar a conhecida “queda de braço”, popular não só na capital mineira, mas nos botequins de todo o Brasil.

Vai ver que é justamente por falta de informação que você tem trabalhado no 10 de agosto, estando desobrigado dessa canseira, por se tratar do Dia Internacional da Preguiça. Macunaíma, “o herói da nossa gente”, era tão preguiçoso que levou seis anos para falar, e a primeira frase que disse foi “Ai, que preguiça!” Se não é bem assim, os leitores de Mário de Andrade que me corrijam. Apesar do bom exemplo macunaímico, o brasileiro trabalha pelo menos 44 horas semanais, enquanto um holandês não fica no batente nem 30 horas. Pra ser sincero, os europeus são um bando de preguiçosos, senão, vejamos: dinamarqueses, 32, noruegueses, suíços, austríacos, belgas, italianos, irlandeses, suecos e finlandeses, entre 34 e 35 horas. O que nos consola é saber que os colombianos encaram 47 horas semanais e, lá como cá, como diria o professor Raimundo, o salário: oh! 

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1º turno das eleições de 2022 foi um ponto de interrogação

terça-feira, 04 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Dia 2 de outubro de 2022 uma data para ficar marcada como um grande ponto de interrogação. Ao contrário do que o presidente do STF apregoava aos quatro ventos, a eleição transcorreu na mais tranquila ordem, sem nenhuma ameaça à democracia. Aliás, a democracia só é ameaçada na visão dos membros do STF e do TSE.

Dia 2 de outubro de 2022 uma data para ficar marcada como um grande ponto de interrogação. Ao contrário do que o presidente do STF apregoava aos quatro ventos, a eleição transcorreu na mais tranquila ordem, sem nenhuma ameaça à democracia. Aliás, a democracia só é ameaçada na visão dos membros do STF e do TSE.

Os problemas pontuais que ocorreram, são normais em qualquer eleição. E olha que apesar do grande número de abstenção, cerca de 20% de eleitores deixaram de comparecer às urnas, o afluxo de pessoas foi muito grande. No bairro onde moro, o Cônego, com as urnas concentradas no GPH (Grupo de Promoção Humana) e na Escola Municipal Miguel Bitencourt, o estacionamento se concentrou na Praça de Sant´Ana e arredores e houve muito congestionamento pelo grande número de veículos em circulação. Há muito tempo não via tanta gente nas ruas.

Outro ponto que chamou a atenção foi o grande número de senadores do PL e partidos coligados eleitos, levando a uma renovação de 28% no Senado Federal. Na Câmara dos Deputados, o PL partido escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para disputar a reeleição, teve um crescimento significativo neste ano, ampliando a presença do chamado "centrão" no Congresso Nacional, e será a maior bancada da Câmara pela primeira vez na história da legenda, com 99 deputados eleitos.

Mas, o mais importante é a pusilanimidade de nossos institutos de pesquisas, verdadeiros pinóquios no cenário nacional. Mal intencionados, como o Datafolha e o IPMEC, deveriam ser fechados em nome do decoro e da credibilidade dos verdadeiros institutos que se propõe a divulgar a estatística das possibilidades eleitorais de cada candidato. Na realidade, deveriam prestar contas à população, pois chegaram a apregoar a vitória de Luís Inácio ainda no primeiro turno e cravavam diferenças de mais de 18% de votos entre ele e Bolsonaro. Uma verdadeira orgia estatística. Em São Paulo, o poste Fernando Haddad estava sempre na frente de Tarcísio de Freitas; no entanto, no final da apuração, para governador, em São Paulo a verdade veio à tona com o ex-ministro da Infraestrutura com 45,2% e o ex-prefeito de São Paulo com 35,70% dos votos válidos. Quer queira quer não queira podem induzir negativamente o eleitor.

 Aliás, os candidatos simpatizantes do atual presidente se saíram muito bem nas urnas como Teresa Cristina, ex-ministra da Agricultura eleita senadora pelo Mato Grosso do Sul, com 60,25% dos votos, deixando Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, na época da pandemia do coronavírus, com ínfimos 15,2%. O Astronauta Marcos Pontes (PL) foi eleito senador pelo Estado de São Paulo. No final da apuração, ele teve 49,68% dos votos. Pontes é o atual suplente do senador Giordano (MDB-SP) e até março era ministro da Ciência e Tecnologia de Jair Bolsonaro. Elegeram-se ainda para o Senado Magno Malta (PL-ES), Damares Alves, ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (Republicanos-DF), Hamilton Mourão, vice-presidente do país (Republicanos-RS) e Cleitinho (PSC-MG). Sem falar em Romeu Zema, reeleito governador de Minas Gerais que teve 6.094.136 milhões de votos, ou 56,18%, contra 35,08% de Kalil.

Por isso, apesar da diferença entre os dois principais postulantes ao Palácio do Planalto, Luís Inácio com 48,43% dos votos válidos e Jair Bolsonaro com 43,20%, fica no ar um ponto de interrogação. Pelo desempenho dos candidatos da situação nas urnas, esperava-se uma performance melhor do atual presidente da República. Por exemplo Lula (PT) venceu em Minas Gerais e obteve 48,29% dos votos registrados para presidente da República no estado (5.802.571) no 1º turno. O candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), obteve 43,60% desses votos (5.239.264). Se Romeu Zema teve 56,18% dos votos válidos e eleitor de Zema, em princípio, não vota em Luís Inácio, é uma disparidade importante e que dá no que pensar.

Vamos para o segundo turno e que o nível dos debates entre os dois candidatos seja o mais elevado possível para que o eleitor tenha condições de escolher com convicção e tenha certeza de que seu voto foi o mais acertado. Na realidade, apesar de chegar em segundo lugar no primeiro turno, a performance de Bolsonaro foi acima das expectativas, segundo os “institutos de pesquisa”.

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A VOZ DA SERRA é a credibilidade impressa!

segunda-feira, 03 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

O Caderno Z, mestre em acompanhar a dança dos tempos, não deixaria de nos oferecer uma pauta envolvente e inspiradora, na edição que nos coloca diante do espelho das reflexões. Olhar para dentro de uma realidade ainda em construção em que “o poder feminino nas eleições”, mesmo que, em passos lentos, caminha para a reformulação do processo eleitoral. Mulher se envolve com política, sim, e a política a envolve em toda a sua capacidade de assumir responsabilidade em prol das lutas e conquistas sociais.

O Caderno Z, mestre em acompanhar a dança dos tempos, não deixaria de nos oferecer uma pauta envolvente e inspiradora, na edição que nos coloca diante do espelho das reflexões. Olhar para dentro de uma realidade ainda em construção em que “o poder feminino nas eleições”, mesmo que, em passos lentos, caminha para a reformulação do processo eleitoral. Mulher se envolve com política, sim, e a política a envolve em toda a sua capacidade de assumir responsabilidade em prol das lutas e conquistas sociais.

A história tem episódios marcantes da evolução feminina: Celina Guimarães, a primeira mulher a receber registro eleitoral em 1927, antes até do início do Código Eleitoral Brasileiro. Alzira Soriano, primeira prefeita do Brasil, da cidade de Lajes-RN, eleita em 1928. A primeira senadora, Eunice Michiles, foi recebida com flores, chocolate e poesia no dia de sua posse, em 1979. O livro de Paulo Rezzutti – “Mulheres do Brasil – A História não contada”, conta muito sobre o tema.

Toda essa maratona arrastada nas conquistas femininas me faz lembrar alguns causos que meu pai contava. Ele, nascido em 1917, acompanhou, de perto, o passo a passo discriminatório sofrido pela mulher. Contava ele, defendendo a causa: “Na roça era um abuso, porque elas não tinham que ganhar salário nem deveriam ir para a escola pois isso faria com que escrevessem cartas para os namorados...”.

Mesmo com todos os avanços no comportamento humano, nas quebras de tabus e demais padrões superados, até agora o Brasil só teve uma mulher, Dilma Rousseff, na presidência da República. Nos estados, foram 16 governadoras, sendo que somente oito foram eleitas. As demais assumiram na impossibilidade do titular eleito para a função.

Aqui na cidade, dona Laura Milheiro de Freitas foi eleita vereadora, tomando posse em 1955 e foram quatro mandatos, quando nem havia salário para a função. Mais recente, em 1972, dona Ada Bento de Mello se destacava nos comícios ao lado de seu marido, Ariosto Bento de Mello, que fora candidato a prefeito. Passaram também pelo ambiente político friburguense, as vereadoras Ledir Porto, Angela Fernandes, Irani Medeiros e Saudade Braga que, inclusive, assumiu dois mandatos como chefe do governo. Atualmente, a mulher em Nova Friburgo se faz presente com três representantes no Legislativo: Maiara Felício, Priscilla Pitta e Vanderléia Abrace Essa Ideia. São três pilares que edificam a força feminina em prol de Nova Friburgo.

Com todos os desafios, a mulher, na verdade, está em todas as áreas, além da área do tanque. E onde quer que atue, se sobressai pela competência e sensibilidade no agir. Com a mulher estão desfraldadas as bandeiras do Outubro Rosa, que já começou com várias atividades que se estenderão ao longo do mês. A resistência feminina também fará bonito na Uphill Marathon em nossa região, nos próximos dias 7 e 8, evento composto por três diferentes provas, nas categorias feminina e masculina. As inscrições podem ser feitas no site do evento para as distâncias de cinco e 21 quilômetros. Tem até desafio para alcançar o topo do Morro da Cruz. Que beleza!

A edição do último fim de semana, em quase totalidade, foi dedicada ao processo eleitoral. Somos 154.843 eleitores que se juntam aos demais no âmbito nacional. Muita gente se surpreendeu, assim como eu, com a seção lotada, enormes filas em alguns locais. Com burburinhos nas esquinas, o Dia de Eleição é um dia diferente, pela expectativa de novos rumos para um Brasil sempre melhor para todos nós.

Em “Sociais”, a família Ventura, de Tony e Faninha, com o riso até as orelhas na formatura da neta, Clara Ruiz Ventura,  no curso de Comunicação e Publicidade, no Rio de Janeiro. Os 8 anos de Cecília dos Santos Lima, na última quarta-feira, 28 de setembro, bem festejados pela família. Também eu, a colunista, estou honrada com a surpresa de minha foto, pelo meu aniversário na próxima sexta, 7. A festa começa em mim, pela oportunidade de fazer parte do jornal e ter o reconhecimento de tantos leitores. Grata!

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Friburguense em destaque

segunda-feira, 03 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

O jovem Caio Senise Drolshagen (foto) que, além de médico do glorioso Botafogo de Futebol de Regatas, é também médico do COB - Comitê Olímpico Brasileiro, está na comitiva nacional dos Jogos Sul Americanos do Paraguai, que começou no último sábado, 1º, e vai até o próximo dia 15. No total, o Brasil levou 464 atletas para a competição, que contará com 15 países e 53 modalidades, em disputas na capital Assunção.

O jovem Caio Senise Drolshagen (foto) que, além de médico do glorioso Botafogo de Futebol de Regatas, é também médico do COB - Comitê Olímpico Brasileiro, está na comitiva nacional dos Jogos Sul Americanos do Paraguai, que começou no último sábado, 1º, e vai até o próximo dia 15. No total, o Brasil levou 464 atletas para a competição, que contará com 15 países e 53 modalidades, em disputas na capital Assunção.

Parabéns ao engenheiro Ricardo Drolshagen, que marcou época em nossa cidade no passado como diretor da antiga Cenf  (Companhia de Eletricidade de Nova Friburgo), antecessora da Energisa e toda a família, bem como ao filho talentoso e competente profissional e médico desta área esportiva.

Parabéns ao Fajardo!

Meu abraço de felicitações e cumprimentos ao conhecido Carlos Alexandre Fajardo Viana, admirado craque do futebol friburguense de algumas décadas passadas, que aniversaria neste dia 5.

Vivas ao super George!

Desde já, nossos parabéns ao admirado professor, escritor e membro da Academia Friburguense de Letras (AFL), George dos Santos Pacheco (foto) pela passagem do seu aniversário na próxima sexta-feira, 7.

Ao grande George Pacheco, que é autor de 12 livros, entre eles os romances "O Pacto", "O mundo é pequeno demais para nós dois" e "O fabuloso Dr. Palhares", e que também tem participação literária na publicação "A Dama da Noite", adaptado em 2014 a partir do curta metragem homônimo, nossas felicitações com votos de mais e mais felicidades.

Amanhã, dia D Global

O canal do plim plim vive amanhã um dia especial e porque não dizer, de considerada apreensão para sua história.

No dia 20 do mês passado, a Rede Globo solicitou ao Ministério das Comunicações, a renovação da concessão por mais 15 anos de seus canais no Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Brasília, uma vez que o prazo vence amanhã, 5.

Porcalhões de sempre!

Cabos eleitorais, mais uma vez emporcalharam nossas ruas derramando avalanches de santinhos e prospectos de seus candidatos nas ruas, no último domingo, 2, dia de votação do primeiro turno. A sujeira tomou conta especialmente nas proximidades de várias seções eleitorais. Uma prática que parece não ter fim.

Aniversários em dobro

No próximo fim de semana, o admirado advogado dr. Leandro Teixeira Simão terá em família, terá uma dupla satisfação familiar a mais.

Seus queridos filhos gêmeos Arthur e Alexandre Fernandes Simão estarão comemorando a nova idade. Parabéns em dobro.

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A missão da Igreja nos documentos do magistério eclesial

segunda-feira, 03 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

No início deste mês de outubro, tempo que a Igreja Católica dedica às missões, queremos de forma sintética oferecer um roteiro para o estudo e aplicação desta importante tarefa, mandato de Cristo e exigência do seu Amor salvador e solidário. Uma visão global atual evidencia a urgência de propor para toda a Igreja em estado de missão, como já anunciava o cardeal João Batista Montini, antes de ser elevado ao pontificado como Papa Paulo VI, prefaciando o livro de um outro grande profeta, D.Leo-Jozef Suenens, de título "Novos Rumos da Igreja Missionária"( 1956).

No início deste mês de outubro, tempo que a Igreja Católica dedica às missões, queremos de forma sintética oferecer um roteiro para o estudo e aplicação desta importante tarefa, mandato de Cristo e exigência do seu Amor salvador e solidário. Uma visão global atual evidencia a urgência de propor para toda a Igreja em estado de missão, como já anunciava o cardeal João Batista Montini, antes de ser elevado ao pontificado como Papa Paulo VI, prefaciando o livro de um outro grande profeta, D.Leo-Jozef Suenens, de título "Novos Rumos da Igreja Missionária"( 1956). Da mesma forma, o Código de Direito Canônico de 1983, reafirmando o Decreto Ad Gentes do Concílio Vaticano II (AG  2,5 e 6), diz que toda Igreja é, por sua natureza, missionária e, por isso, todos os fiéis cristãos (hierarquia, religiosos e leigos) devem assumir a obra missionária, sob a direção suprema do Sumo Pontífice do Colégio dos Bispos, salientando-se a solicitude especial de cada bispo (cf cânones 781 e 782 ,1 e 2).

Neste sentido insistiram os grandes apóstolos da missão, S. Paulo VI e S. João Paulo II, respectivamente com a Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi,1975 e a Carta Encíclica Redemptoris Missio, 1990, de forma especial trabalhando o tema da evangelização e da missão frente aos desafios do mundo contemporâneo descristianizado (EN 14,15 e capítulo V e VI), na convocação a um renovado empenho missionário, com novos métodos com a encarnação do Evangelho na cultura dos povos, diante dos imensos horizontes da missão ad gentes, nestes novos areópagos modernos, tendo o Espírito Santo como protagonista, com a comunhão e cooperação de todos os agentes e responsáveis pela atividade missionária (RMi 2; 21-30; 31-38; capítulo VI e VII).

Na mesma esteira vão os ensinamentos dos papas Bento XVI, baseando a missão na redescoberta do caminho da fé, na comunhão com o Deus-Amor, Palavra e Eucaristia e no "testemunho da caridade"- a Nova Evangelização para a transmissão da fé, superando os niilismos e relativismos da sociedade atual (Deus Caritas Est - 2005; Porta Fidei - 2011, dentre outros)  e o Papa Francisco, especialmente com a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (2013), propondo uma total renovação da Igreja, na alegria de evangelizar, numa conversão pastoral, numa Igreja em saída, em estado permanente de missão, reforçando a nova evangelização e todo o conteúdo teológico missionário dos outros papas e do Concílio Vaticano II, com grande acento para a Constituição Pastoral Gaudium et Spes. Resumindo: o Evangelho do Senhor que salga e ilumina, por meio da missão da Igreja, todas as realidades humanas no inseparável testemunho missionário da caridade evangélica que não pode deixar de resgatar a dignidade humana, promovendo e libertando a pessoa humana integralmente, mergulhando-a no mistério salvífico de Cristo (EG 14-15; 21-23; capítulo III e IV).

Este impulso com novo ardor todos os batizados devem assumir. Também os institutos de vida consagrada, os leigos devidamente instruídos e os catequistas são convocados para a grande campanha de âmbito universal e de assinalado interesse local nas igrejas particulares (cânones 783 e 785,1 e 2). Os leigos, de forma específica são chamados ao apostolado missionário no mundo, conteúdo claro apontado no Decreto Conciliar Apostolicam Actuositatem, reafirmado e explicitado na Exortação Apostólica Christifidelis Laici (1988), de São João Paulo II. Sobre este tema é muito rico o documento 105 da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil sobre a identidade, vocação e missão dos leigos que, incorporados a Cristo pelo batismo e, participando de Seu Sacerdócio comum, exercem também o tríplice múnus de santificar, ensinar e pastorear, como sujeitos eclesiais, em continuidade com o Magistério Conciliar (cf Lumen Gentium 31), na cooperação em comunhão com o sacerdócio ministerial dos pastores e ministros ordenados.

Há ainda o esforço missionário ecumênico, como sinal testemunhal da própria natureza da Igreja comunhão de um só rebanho e um só pastor, buscando a reintegração da unidade dos cristãos, na esteira do decreto conciliar Unitatis Redintegratio, impulsionado pela carta encíclica Ut Unum Sint de São João Paulo II (1995), reafirmado pelo Magistério Pontifício posterior, não como algo facultativo, mas como essencial e inerente à identidade e missão eclesial.

Vários pontos primordiais da ação missionária são recolhidos e apresentados no Código de Direito Canônico: o diálogo dos missionários, com o reforço do testemunho da vida e da palavra, com os que não têm a fé em Cristo; o respeito à índole e cultura dos povos aos quais se leva o anúncio do Evangelho (cf cânon 787,1); a cooperação de todas as dioceses (cf cânon 791); a organização do catecumenato segundo as diretrizes da Conferência dos Bispos (cf cânon 788,3).

Vemos em todo o ensinamento magisterial conciliar e pontifício uma continuidade e riqueza na sensibilidade pastoral em relação a cada tempo, enfrentando os novos desafios dos âmbitos da missão, preservando o patrimônio da fé, numa visão inculturada, dialogal, testemunhal, de anúncio da Boa Nova, através do serviço da caridade, na condução do Espírito Santo.

Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça é chanceler da Diocese de Nova Friburgo.

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Conversar, escrever e ajeitar a vida

segunda-feira, 03 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Hoje vou sobrevoar este meu dia porque estou me sentindo solta das ideias mais formais. Esta descontração me permite encontrar o meu melhor espontâneo, que faz vir à pele a sensibilidade com que toco a vida. 

Aquele que pensa e escreve precisa se distanciar da seriedade e brincar com os momentos que, se percebermos, nos convidam ao flanar sobre a realidade. Constato que nosso estado de espírito tem algo de muito irreverente e grita por liberdade.

Hoje vou sobrevoar este meu dia porque estou me sentindo solta das ideias mais formais. Esta descontração me permite encontrar o meu melhor espontâneo, que faz vir à pele a sensibilidade com que toco a vida. 

Aquele que pensa e escreve precisa se distanciar da seriedade e brincar com os momentos que, se percebermos, nos convidam ao flanar sobre a realidade. Constato que nosso estado de espírito tem algo de muito irreverente e grita por liberdade.

Há quem goste de compartilhar e de escrever suas percepções em diários ou em pedaços de guardanapo. Saint-Exupéry se inspirou para escrever o “O Pequeno Príncipe” assim. A escrita é uma das trocas mais fascinantes com o mundo. É etérea. Uma exposição incrível do “eu sou”, uma forma de mostrar “sou assim e pronto”, “penso desta maneira”, e, por aí, vai-se tecendo o estar na vida. Através das palavras, a criatividade desponta, ajeita o quotidiano de modo personalizado. Coloca as coisas no lugar certo; certo para cada um. Quando deixamos a expressão autêntica se manifestar, somos da melhor forma, superamos o que querem que sejamos. Ah, somos tantos... Mas este “eu sou”, já dizia Lacan, é o mais intenso e verdadeiro. Tem gente, como eu, que custa a interpretar esta proposição fundamental. Meu amigo, a derradeira verdade tem um modo de se apresentar com leveza e brincadeira, que se mostra através das palavras soltas, escritas e faladas. 

Escrevendo, cozinhando e amando. Vivendo e ajeitando a vida. Sendo.

Contudo um turbilhão de sentimentos e vontades nos carregam sem perguntar ou não se queremos tê-los. Quem já não quis voar? Quem já não se apaixonou secretamente? Quem já não desejou procurar pelo Mágico de OZ? Isso é a força da vida pulsando nas células, convidando-nos a agir, a falar, a dizer o que existe em nossas almas, na maioria das vezes pouco serenas. Até insensatas. 

Quem escreve tem um trunfo: um portal no imaginário que lhe permite usar palavras nas linhas e nas entrelinhas para expressar-se da forma como bem quer. Dizer isso e aquilo de jeito ajeitado e desajeitado. Dizer, apenas.

A cozinha, a folha de papel e o vento recebem nossos talentos e insumos com grandiosidade. O vento bate em nossas faces, mas não nos acorrenta. O papel nos desafia, mas não nos impede de preenchê-lo. Na cozinha produzimos o alimento vital, mesmo se queimamos as panelas.

Tudo se resume no amor, que não é banal, é nobre e belo. É vivido, desejado, imaginado. Falado e escrito. Ama-se tudo. Até o prego que segura o quadro na parede. Ama-se a chuva. Ama-se.

Aquele que escreve, como faço agora, põe o nariz para fora da janela e respira novos ares. Ora pois, não é saudável remover a terra e oxigenar as raízes das plantas?

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