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Marcação a mercado agora é regra

quinta-feira, 20 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Diante da nova regra da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), estabelecida no início deste ano, bancos e corretoras estão obrigados a mostrar a cotação de negociações no mercado secundário para alguns títulos específicos de Renda Fixa. É o que denominamos como “marcação a mercado”, ferramenta responsável por possibilitar um “preço de tela” variável para determinado ativo (ainda que um título classificado como Renda Fixa).

Diante da nova regra da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), estabelecida no início deste ano, bancos e corretoras estão obrigados a mostrar a cotação de negociações no mercado secundário para alguns títulos específicos de Renda Fixa. É o que denominamos como “marcação a mercado”, ferramenta responsável por possibilitar um “preço de tela” variável para determinado ativo (ainda que um título classificado como Renda Fixa).

A alteração regulatória, a princípio, tem o objetivo de promover maior liquidez aos investimentos e proporcionar novas possibilidades de ganho de capital para investidores. Contudo, antes de entrarmos num conhecimento mais profundo acerca da ferramenta em questão, é importante esclarecer: mesmo com a marcação a mercado fazendo oscilar o valor do seu capital investido, basta segurar o ativo em carteira até sua data de vencimento para ter direito aos critérios de taxas contratadas no momento da compra do título.

Na prática, como vai funcionar?

Títulos corporativos (Debêntures, CRI e CRA) e públicos (negociados via tesouraria da instituição financeira) passam a estar sujeitos à marcação a mercado a partir do dia 2 de janeiro de 2023 para investidores pessoas físicas. Caso você tenha um título público comprado via Tesouro Direto (e não pela tesouraria, como comentei acima) já se deparou com a marcação a mercado através dos Tesouros IPCA+ e Prefixados – aqui, a regra já era vigente.

Por acaso, você já se deparou com rentabilidade acima do esperado ou negativa com investimentos nesses produtos? Pois bem, é a marcação a mercado. Entretanto, ainda que seu investimento apresente essas aparentes “inconsistências”, basta esperar (como disse anteriormente) a data de vencimento para receber todas as taxas contratadas.

Nos detalhes, ainda que as instituições – em maioria – sinalizem a execução da marcação diária, a regra, por sua vez, obriga a marcação minimamente mensal. A propósito, por falar em detalhes, investidores qualificados (com patrimônio acima de R$ 1 milhão em aplicações financeiras) poderão – a princípio – escolher a marcação de seus títulos de acordo com sua preferência: a mercado ou na curva.

Mas, então, como aproveitar essa novidade para explorar ganhos mais significativos em Renda Fixa? Basicamente, a estratégia do investidor precisará contar com as projeções de política monetária, pois agora juros e inflação passam a influenciar ainda mais seus investimentos. Num cenário hawkish (contracionista com alta nas taxas de juros), títulos tendem a ser negociado com valor reduzido dos papéis; neste cenário, a marcação a mercado tende a fazer com que o valor do seu investimento recue – portanto, uma janela de oportunidades para novas compras.

Por outro lado, o contexto dovish (expansionista com queda nas taxas de juros) pode possibilitar a valorização dos preços dos ativos e proporcionar ganho de capital acima da média e, por consequência, fomentar a liquidez do investimento com a maior negociação dos papéis.

Caso tenha comprado seus títulos (apenas os que estarão reféns da marcação a mercado) em cenário hawkish, talvez seja melhor aguardar o vencimento ou novas oportunidades ao longo do tempo para não realizar nenhuma perda financeira; em cenário dovish, talvez você possa aproveitar as oportunidades que surgirem.

Não por acaso, fiz questão de usar o “talvez” repetidamente para fortalecer a ideia de que, apesar das leituras econômicas dentro de projeções monetárias, o mercado é livre para realizar suas negociações como preferir. Portanto, mantenha-se sempre atento às boas oportunidades.

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Fases e fases

quinta-feira, 20 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Há dias de luta e dias de glória, diz a frase. Sim, desconheço glórias infinitas que não precedam os momentos de batalhas, desafios e superação. Há pequenas e grandes vitórias a serem celebradas no meio do caminho. E a cada dia, lutas diferentes somadas às cotidianas.

Até mesmo motivos para comemorar e para arregaçar as mangas e seguir em frente se alternam, se somam, se confundem. Essa dinâmica me leva a crer que sim, todo dia é dia de luta, alguns dias, regados a algumas glórias. Assim tem sido. Às vezes, com mais motivos para sorrir.

Há dias de luta e dias de glória, diz a frase. Sim, desconheço glórias infinitas que não precedam os momentos de batalhas, desafios e superação. Há pequenas e grandes vitórias a serem celebradas no meio do caminho. E a cada dia, lutas diferentes somadas às cotidianas.

Até mesmo motivos para comemorar e para arregaçar as mangas e seguir em frente se alternam, se somam, se confundem. Essa dinâmica me leva a crer que sim, todo dia é dia de luta, alguns dias, regados a algumas glórias. Assim tem sido. Às vezes, com mais motivos para sorrir.

Fato é que se a própria vida é um grande ciclo nessa existência, que dirá dessas fases pelas quais a gente passa no dia a dia. São fases, sejam elas boas ou ruins. Ando desejando fases boas. Pra mim, pra você, pra sociedade como um todo. Para os próximos anos, meses, dias, horas, minutos, segundos, desejo boas notícias. De todos os lados.

Quero que venha um bom momento. Coletivamente falando. Que recebamos boas novas. Um refresco. Um alívio. Que algo de bom aconteça. Que as capas de jornais e revistas, os sites e tudo mais ostentem novidades que agreguem, façam crescer e te arranque sorrisos. Que aquela velha expectativa por algum resultado, ceda espaço para um desfecho positivo.

Queremos chuvas de notícias boas, de estatísticas que correspondam com a realidade e que a verdade dos fatos seja latente. Que tais fatos sejam bons. Que nos deparemos com gráficos que denotem queda dos índices de violência, da fome, do desemprego. E que essas informações sejam o real reflexo das vidas das pessoas.

Seria ótimo precisarmos cada vez menos de algum canal para fugirmos de uma realidade que nos desconecte com o que está acontecendo, que não cheguemos aos limites do que é suportável e que cá onde estamos possamos nos deparar com a divulgação de bons e construtivos feitos. Mais oportunidades. Mais arte.  Mais abundância. Mais amor. Melhor acesso às estruturas do serviço de saúde, viagens mais tranquilas pelas estradas, mais paz e liberdade verdadeira no ir e vir.

 Adoraria que você – e eu – estivéssemos prestes a ingressarmos em uma boa nova fase, que recebêssemos mais notícias sobre cura, inclusão, emprego, amor, tolerância, compaixão, prosperidade, respeito e arte. Quem sabe? Eu acredito.

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Polarização, Intolerância, Radicalismo

quarta-feira, 19 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Independentemente de qualquer que seja o lado vencedor das eleições em 2022, todos nós estamos saindo como perdedores. Seja sua opção política A ou B, a única certeza comum é de que vivemos o pleito democrático mais violento no período pós-ditadura.O Brasil nunca viu antes tamanha hostilidade que atinge a todos. Anteriormente, as discussões que se resumiam ao seio dos grupos de WhatsApp familiares transmutaram-se para as ruas, domados pelo ódio que se reproduz em xingamentos, tumultos, casos de preconceito, agressões verbais, física e até homicídios, por todo país.

Independentemente de qualquer que seja o lado vencedor das eleições em 2022, todos nós estamos saindo como perdedores. Seja sua opção política A ou B, a única certeza comum é de que vivemos o pleito democrático mais violento no período pós-ditadura.O Brasil nunca viu antes tamanha hostilidade que atinge a todos. Anteriormente, as discussões que se resumiam ao seio dos grupos de WhatsApp familiares transmutaram-se para as ruas, domados pelo ódio que se reproduz em xingamentos, tumultos, casos de preconceito, agressões verbais, física e até homicídios, por todo país.

A série de violências com repercussão nacional teve início em julho, em Foz do Iguaçu, quando um agente penitenciário federal invadiu a festa de um guarda municipal e o assassinou a tiros, no dia do seu aniversário em frente à família. Não muito distante, uma jovem foi golpeada na cabeça em Angra dos Reis. Depois, um homem esfaqueado dentro de um bar após um cidadão questionar quem do local iria votar no candidato X.

São tempos delicados e tristes. A árdua conquista da democracia se enfraquece dia após dia e estamos colocando em dúvida até a própria liberdade de expressão face tanta banalização da violência. Candidatos presidenciáveis usam colete a prova de bala, populares inflamados e nós cada vez mais indiferentes às pessoas, estampando politica nos rostos alheios com retóricas violentas.

Inclusive, em Nova Friburgo, um caso recente mobilizou clientes após discursos de ódio movidos contra um empresário local. Os casos de violência ocorreram após a manifestação política pacifica do alegre e cativo dono do comércio em suas redes sociais privadas.

Em postagens hostis, perfis conservadores com discursos antidemocráticos ameaçaram e induziram pessoas a não frequentarem mais o local pelo simples fato de condizer com a sua visão politica. Não deu certo! Mas por meio de mensagens, os agressores falsamente atribuíram o local à usuários de drogas e outras palavras de cunho preconceituoso que não condizem em nada com a realidade.

Os nomes do comércio e do comerciante não serão expostos aqui, visto que, segundo ele, o medo ainda paira diante do ocorrido. Contudo, uma pessoa ligada ao estabelecimento, explica: “Estamos com medo de nos expor devido a violência que visivelmente cresceu. Outros empresários me procuraram, em solidariedade, e relataram que até ameaças já receberam. Recebi inclusive listas pelo WhatsApp dividindo comércios entre os que são de ‘esquerda e o de direita' e instigando pessoas a não frequentarem mais. Hoje, vamos trabalhar com receio do que pode acontecer.”

Na reta final do pleito eleitoral, a escalada da violência preocupa e ao meu ver, não deve ser explicada pela existência de uma simples polarização político-partidária. Afinal, posições antagônicas e divergentes são comumente apresentadas em todo embate político – também conhecida como democracia - e nem por isso desencadeiam ações violentas tais como estão ocorrendo recentemente.

Se olharmos para um passado recente, eleições presidenciais já foram decididas por uma pequena diferença de 400 mil votos (duas vezes a população de Nova Friburgo). Ainda que considerássemos um pais dividido, não víamos tamanho clima hostil que oprime. Um relatório da faculdade UniRio retrata que a violência política cresceu 335% em três anos.

O que vemos expresso no Brasil não pode ser descrito como uma mera polarização. Cada dia mais vemos a expressão de uma latente e clara intolerância que atinge todos os níveis da sociedade e de diferentes formas possíveis. Estamos pintando o país em cores, estampando políticos no rosto de pessoas conhecidas, fomentando violência e aumentando a intolerância.

Necessitamos entender que as diferenças compõem a beleza da democracia. É importante que exista não somente o lado A, mas que exista também o B, C, D, e por aí vai. Somos plurais!

Infelizmente, estamparemos marcas e cicatrizes de um presente conturbado, que estarão nos livros de história, e que, NÓS estamos construindo. Violência e democracia, são palavras antagônicas – ou ao menos deveriam ser!

A maior lição que podemos ter é aprendermos a conviver com as diferenças, com o máximo de sabedoria e respeito, afinal, cada pessoa tem a sua história e trajetória que a fez tomar tal decisão. A pluralidade não é uma lei dos homens, mas sim, da humanidade!

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O médico e você juntos no tratamento

quarta-feira, 19 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

A ciência é importante, claro, para trazer novas verdades através das pesquisas. Mas nós médicos não podemos perder de vista a humanidade do paciente, o fato de que ali diante de nós está uma pessoa com tantas características subjetivas, peculiaridades, formas de pensar e de sentir diferentes, afeto próprio, inserção na realidade da vida do modo e na possibilidade dele, entre outros fatores. Sem compreensão profunda do todo da pessoa, fica mais difícil acertar o tratamento.

A ciência é importante, claro, para trazer novas verdades através das pesquisas. Mas nós médicos não podemos perder de vista a humanidade do paciente, o fato de que ali diante de nós está uma pessoa com tantas características subjetivas, peculiaridades, formas de pensar e de sentir diferentes, afeto próprio, inserção na realidade da vida do modo e na possibilidade dele, entre outros fatores. Sem compreensão profunda do todo da pessoa, fica mais difícil acertar o tratamento.

O Pai da Medicina, Hipócrates, disse que mais importante do que saber que doença tem determinada pessoa é saber que pessoa tem determinada doença. E isto, eu creio, faz a diferença entre tratamentos que funcionam duradouramente e os que funcionam mais temporariamente, entre os resultados mais só sobre sintomas e os que produzem cura.

O profissional tem seus limites também. O médico vê muita coisa no paciente. Mas ele só pode ver no outro o que pode ver em si mesmo em termos de ser humano. Médicos também podem ter ansiedade, depressão, dificuldades afetivas variadas. Isto pode interferir no relacionamento médico-paciente com prejuízo para os resultados se o profissional estiver com baixa percepção da realidade de si e, por exemplo, não compreender o que significa a angústia humana.

Conhecer anatomia, fisiologia, farmacologia, histologia, patologia, microbiologia, técnicas de cirurgia, etc., é fenomenal! Mas mais ainda, pelo menos para mim, é conhecer o psiquismo de um indivíduo. Ou seja, por que ele funciona deste jeito como pessoa, como um ser pensante, que possui afetos e faz escolhas. Conhecer a pessoa do paciente é maravilhosa aventura. Entretanto, também é uma maravilha ter profissionais que conhecem muito bem os órgãos humanos, pois assim, em emergências, podemos contar com eles para nos ajudar organicamente, seja pela atuação clínica ou cirúrgica.

Da próxima vez que você for a um médico, abra mais seu coração para ele e fale daquilo que tem incomodado sua vida emocional. Faça perguntas sobre o papel do estresse emocional sobre os sintomas que você apresenta. Bote para fora as queixas emocionais, as preocupações com sua saúde e não somente focalize na dor física aqui e ali no seu corpo, ou no mal funcionamento desta ou daquela função do seu organismo. Tomara que ele não saia com sugestões superficiais tipo, “Faça uma viagem!”, ou “Faça mais sexo!”, ou “Compre isto ou aquilo!”, ou “Curta mais a vida!”, ou “Arranje outro cônjuge!”.

O médico acalma o paciente quando ele sabe escutar com o coração e não só com o estetoscópio e quando o paciente está aberto para receber ajuda. Um bom médico deve ser um bom conselheiro e um bom conselheiro é em primeiro lugar um bom ouvinte.  

Talvez você tenha que escutar melhor a verdade interior da sua própria consciência que está dizendo algo para a melhora de sua saúde. Com tanta informação sobre saúde é bem provável que você saiba, pelo menos em parte, o que está praticando e que não é bom. Então, mude. Mude seu estilo de vida. Coma com melhor qualidade. Faça exercícios físicos constantes. Durma melhor e mais cedo. Trabalhe sem ganância e competição. Compartilhe o que tem obtido. Desfrute mais sua família. Frequente mais a natureza e menos os shoppings. Seja compassivo com os outros e consigo mesmo. Troque as novelas de TV por bons livros. Seja bom com você mesmo. Até certo ponto podemos ser nosso próprio médico. A cura vem pela prática da verdade em obediência às leis da saúde, leis físicas (biológicas), mentais, sociais e espirituais. Um dia de cada vez, uma coisa de cada vez.

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Cesar Vasconcellos de Souza

www.doutorcesar.com

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Lembranças bancárias

terça-feira, 18 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Quando se é jovem tudo é bom, ou pelo menos não é ruim por muito tempo

Quando se é jovem tudo é bom, ou pelo menos não é ruim por muito tempo

A maior prova da solidez do sistema financeiro nacional é que eu fui bancário por três anos e nem o banco faliu nem o sistema entrou em colapso. Considerando a minha pouca ─ pra falar a verdade nenhuma ─ simpatia por números, contas, algoritmos, tabelas ou qualquer coisa que lembre a matemática, foi um milagre. Somente a existência do anjo da guarda dos banqueiros explica que eu tenha sido caixa sem provocar uma quebradeira nacional. Deixando a modéstia de lado, declaro que, se não dei grandes lucros aos banqueiros que me empregavam, também não os levei à bancarrota.

No banco exerci as mais augustas funções e de algumas sempre me lembro quando ouço falar em PIX e outras modernidades. Por mais incrível que pareça, entre as minhas altas responsabilidades constava a de ir ao Rio de Janeiro, às segundas-feiras cedinho, para buscar o dinheiro que iria abastecer a agência durante a semana. Lá me encontrava com um colega que já chegava munido de uma grande bolsa de couro, a qual, abarrotada de cédulas, subia a serra conosco pelo ônibus da Viação Friburguense. De modo que posso orgulhar-me de ter sido também guarda-costas e de muito ter contribuído para que os clientes, ao chegarem à agência, encontrassem os caixas abastecidos.

Também era superadiantado o sistema de compensação de cheques. Nada desse negócio de número transitando nas nuvens, via internet. Ao longo do dia, um funcionário mais ralé (por exemplo, eu) ia recolhendo os cheques, separando e somando. No fim do expediente, lá ia ele para a agência do BB, aonde todos os bancos mandavam seus representantes, geralmente tão graduados quanto eu. E então era feita a troca física dos cheques. Isso mesmo: cada banco entregava os cheques aos demais e recebia deles os que lhe pertenciam. No fim, feitas todas as contas, o BB registrava tudo, debitava aqui, creditava ali, e dava o assunto por encerrado. Se alguém então reparasse em mim, veria um rapazinho atravessando a Alberto Braune, entre 17h e 18h, abraçado a uma bolsa, plenamente consciente da fortuna que levava nas mãos.

De repente, uma novidade provocou grandes e orgulhosos comentários na agência: o “Fluxo Contínuo”. Até então o próprio caixa recebia, pagava, apanhava a ficha do cliente e fazia as devidas anotações. Sendo que as contas eram feitas a lápis, porque máquina de calcular era preciosidade só alcançável de subgerente para cima. Foi, pois, uma grande revolução quando resolveram dividir essas tarefas entre dois funcionários. À frente, o encarregado de atender o cliente e passar a papelada para o colega da retaguarda, ao qual cabia fazer os registros.

Muito haveria para contar sobre um tempo em que os bancários, mesmo os mais humildes, eram obrigados a usar gravata. Mas vou citar apenas mais um exemplo da modernidade do sistema bancário brasileiro nos idos da década de 70. As transações de uma cidade para outra eram feitas no grito. Explico. Dadas às então maravilhosas condições da telefonia nacional, um funcionário se trancava numa cabine adredemente (desculpem!) preparada e ditava aos berros, letra por letra, número por número, a operação a ser realizada. Alguns levavam isso meio na brincadeira e ficavam soletrando, enquanto a cabine estremecia: O, de Ourora... L de ladrão... I, de incelência...

Bons tempos! Na verdade, não sei se os tempos eram tão bons assim, mas eu era jovem e quando se é jovem tudo é bom, ou pelo menos não é ruim por muito tempo. Eu aguentei três anos!

PS – Dedico esta crônica a Américo Alves dos Santos, Eucy Lima da Silva, José Freire dos Santos, Luis Fernando Penna, Luiz Fernando Bachini, José Carlos Linch, o vivíssimo Eduardo com o seu famoso apelido “Já Morreu”, Ronaldo Eyer, Siegfried Bush, Vinícius do Lago Zamith e a todos os meus contemporâneos no Banco da Lavoura de Minas Gerais.

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18 de outubro - Dia do médico

terça-feira, 18 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Em 18 de outubro comemora-se, no Brasil, o Dia do Médico que não é uma data padronizada em outros pontos do planeta. Nos Estados Unidos, o Dia do Médico (Doctor’s day) é comemorado no dia 30 de marçoaniversário da primeira vez que a anestesia foi administrada em um paciente, em 1842. Segundo a dra. Pamela Settle Miles, MD, na revista The Barrow County News, a anestesia foi realizada pelo dr. Crawford W. Long, na Georgia.

Em 18 de outubro comemora-se, no Brasil, o Dia do Médico que não é uma data padronizada em outros pontos do planeta. Nos Estados Unidos, o Dia do Médico (Doctor’s day) é comemorado no dia 30 de marçoaniversário da primeira vez que a anestesia foi administrada em um paciente, em 1842. Segundo a dra. Pamela Settle Miles, MD, na revista The Barrow County News, a anestesia foi realizada pelo dr. Crawford W. Long, na Georgia. Este dia foi oficializado nos Estados Unidos, através de uma lei, em 1990 pelo presidente George W. Bush, mas existem registros da comemoração desta data em 1930. Já na Índia, a celebração aos médicos acontece em 1° de julho, em homenagem ao grande médico indiano dr. Bidhan Chandra Roy. No Irã, o aniversário de Avicena no dia 23 de agosto é comemorado como o Dia Nacional do Médico.

Entre nós, a comemoração dessa data é atribuída a Eurico Branco Ribeiro, um conhecido médico paranaense. Entretanto, não existem informações exatas sobre quando a data foi estabelecida no país. Ele nasceu em Guarapuava, em 1902, se formou médico pela Faculdade de Medicina de São Paulo, em 1927, foi professor de cirurgia e fundou o Sanatório São Lucas, em São Paulo.

A importância do ser médico é uma característica na vida desses seres humanos que se diferenciam dos demais, exatamente por dedicarem sua existência no combate diário ao sofrimento de seus semelhantes, na tentativa de garantir-lhes uma melhor qualidade de vida. Devemos nos lembrar que nessa preocupação está incluída a prevenção das doenças, pois tentar evitá-las é tão importante como curá-las.

É importante destacar que a jornada para se tornar um profissional de respeito, em sua comunidade e, também, fora dela é um trabalho árduo e que requer muita perseverança e vontade de vencer. Começa na faculdade onde durante seis anos adquire-se aos poucos os conhecimentos importantes para a vida futura. Encerrado esse período, começa um outro que pode ser uma residência (de dois a três anos), um mestrado (nunca inferior a dois anos) ou os cursos de especialização que podem durar até quatro anos como é o caso da cirurgia plástica e da cirurgia cardíaca. Vale a pena assinalar que essas duas especialidades requerem como pré-requisito a formação em cirurgia geral, de no mínimo dois anos.

 Claro está que o dia a dia da profissão é a melhor escola de aprendizado do médico, mas ai daquele que não se aperfeiçoa seja através de leituras de artigos de medicina geral e da própria especialidade, de cursos e congressos e de tudo que possa contribuir com o seu aprimoramento como profissional. Afinal, são seres que têm como meta principal entender os mecanismos da vida saudável e como atuar para restabelecer ou pelo menos melhorar os desvios que possam ocorrer durante a existência do ser humano.

Nada mais frustrante para um médico do que ver seu paciente sucumbir diante de uma doença incurável ou que não possa ter seu curso interrompido pelos recursos disponíveis na atualidade. Claro que ele não é Deus e, portanto, não tem o poder da cura absoluta, mas como um ser diferenciado, muitas vezes pensa em poder resolver todos os problemas que lhe caiam nas mãos. A vivência na profissão mostra que nem sempre isso é possível e aí entra outra faceta do médico, que é confortar aqueles que o escolhem como seu médico, até o final.

No Brasil comemora-se em 18 de outubro o dia de São Lucas, padroeiro dos médicos na religião católica. Ele foi um dos quatro evangelistas do Novo Testamento. Em ordem cronológica, seu evangelho é o terceiro, após os de Mateus e Marcos. Além de médico, acredita-se que São Lucas também era pintor, historiador e músico. Considerado patrono dos médicos desde o século 15, ele teria estudado Medicina na Antioquia, cidade onde também teria nascido.  Era uma cidade que hoje está localizada em território sírio e na época de Lucas, foi um dos centros mais importantes da civilização helênica na Ásia Menor.

Na verdade, não há informações precisas sobre a vida de São Lucas, mas acredita-se que ele morreu aos 84 anos. Não se sabe com clareza se a data 18 de outubro se refere ao seu nascimento ou à sua morte. Referências históricas também dizem que Lucas foi um médico bondoso, abnegado e que se dedicava aos seus pacientes.

Aos meus colegas médicos um grande abraço pelo nosso dia.

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A VOZ DA SERRA educa, orienta e transforma!

segunda-feira, 17 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

“Heróis de verdade não vestem capa, eles ensinam”. A frase, estampada no Caderno Z da edição do último fim de semana, marcoua as homenagens ao Dia dos Professores, 15 de outubro. A data foi estabelecida fazendo jus ao dia em que o imperador D. Pedro I instituiu o ensino elementar no Brasil, em 1827. Nesses quase 200 anos, muita coisa mudou. Contudo, por mais que as transformações se acentuem, coisa alguma rouba a cena dos abnegados professores.

“Heróis de verdade não vestem capa, eles ensinam”. A frase, estampada no Caderno Z da edição do último fim de semana, marcoua as homenagens ao Dia dos Professores, 15 de outubro. A data foi estabelecida fazendo jus ao dia em que o imperador D. Pedro I instituiu o ensino elementar no Brasil, em 1827. Nesses quase 200 anos, muita coisa mudou. Contudo, por mais que as transformações se acentuem, coisa alguma rouba a cena dos abnegados professores. São eles que se doam muito além do contrato de trabalho, como bem define a profissão, Benigno Nünez: “A missão de um professor é, sem sombra de dúvida, sublime, essencial para a transformação do mundo, mas temos que admitir que os caminhos pelos quais os educadores têm de trilhar são árduos”. Missão sagrada!

Do quadro de giz para as telas, não só o ensino mudou, mas os estudantes deram um salto das bibliotecas para o Google, dos cadernos para os recursos digitais, das pesquisas para a instantaneidade do “copia e cola” e de todos os dispositivos do mundo online. Antigamente, para se conhecer os continentes precisava-se, no mínimo, de um mapa-múndi. Hoje, com um celular conectado, o mundo está nas mãos dos alunos. Em “A evolução da educação no mundo”, muitas curiosidades, como nas sociedades greco-romanas,“os homens livres dispunham de muito tempo ocioso, e com o objetivo de ocupá-lo, criou-se uma instituição  que conhecemos até hoje: a escola”.

A história de vida da professora Antonieta de Barros, nascida em 1901, em Santa Catarina, nos encanta pela sua personalidade marcante para uma época em que as mulheres ficavam à margem dos conhecimentos e lideranças. Sua atuação no magistério abriu espaço para as lutas em prol da educação, dos direitos humanos e muito mais. Com toda a modernidade, os professores, enquanto ensinam, aprendem a lidar com as transformações e tudo se transforma num ir e vir de conhecimentos, porque a vida é um eterno aprender. Minha avó, Mariana, dizia: o saber não ocupa espaço e quanto mais se aprende, mais o espaço aumenta. Essa amplidão do verbo conhecer é o que tem levado muitos idosos aos bancos universitários, em cursos semipresenciais. Que beleza!

Saímos do “Z”, pegando uma carona na polêmica situação entre a Prefeitura de Nova Friburgo e a empresa Friburgo Auto Ônibus, a Faol. Por falta de um acordo viável entre as partes, o assunto está engarrafado no trânsito congestionado dos entendimentos e tudo em razão da divergência no valor da passagem. Até agora uma coisa é certa, pois o sócio-diretor da Faol garantiu que “manterá o serviço de transporte público”.

Enquanto isso, o Programa RJ Digital oferece mais de 1.800 serviços aos fluminenses. O governador Claudio Castro está satisfeito com o programa e o subsecretário estadual de Comunicação, Igor Marques, destaca: “Temos o compromisso de facilitar o máximo que pudermos, a vida do cidadão em qualquer localidade do território fluminense. A ideia é que ele resolva o que precisa ao alcance das mãos, sem sair de casa”. Não foi sem razão que o Estado do Rio de Janeiro ganhou o prêmio de entidade tecnológica da informação e comunicação que mais avançou entre os demais.

Quero deixar um abraço especial para o nosso amigo Luiz Antonio Dias, aniversariante da próxima quinta-feira, 20. Muita saúde, paz e realizações. Parabéns também para os 133 anos de Lumiar. Falando em datas, que emocionante a história de Santa Edwiges, a padroeira dos endividados. E que linda a sua Igreja no Vale dos Pinheiros. Com certeza, Santa Edwiges tem muitos apelos dos endividados do Brasil.

“Sem palco, sem espetáculo, sem cultura” – Estamos impactados! Os artistas friburguenses estão desalojados e, a cultura, ao relento das imprevisões burocráticas humanas. “Centro de Artes: 11 anos com as cortinas fechadas; Teatro Municipal interditado; distrito de Riograndina sem o seu casarão”. E tudo isso sem nós, a plateia. Na charge de Silvério estamos sob o figurino da desolação e a cenografia despida de ação, luz e cores. Que peça é essa que a cidade encena sem ensaios e sem vida? 

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Presença especial

segunda-feira, 17 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

 

Amanhã, 19, às 10h o corregedor do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ), Jorge Fontes (à esquerda na foto) fará correição presencial nas varas do Trabalho de Nova Friburgo.

 

Amanhã, 19, às 10h o corregedor do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ), Jorge Fontes (à esquerda na foto) fará correição presencial nas varas do Trabalho de Nova Friburgo.

Desta forma, o juiz titular da 2ª Vara do TRT no município, Derly Mauro Cavalcanti (à direita na foto), entendendo ser esta uma ótima oportunidade para que possam ser feitas sugestões, reclamações, elogios e obter informações acerca do funcionamento e de novas perspectivas da Justiça laboral, convida os profissionais e interessados a integrarem a ação do corregedor e assim dirimir dúvidas e contribuir para o maior aprimoramento do setor com relação aos próximos passos da justiça social.

Desde já, vivas a ele!

Este colunista ocupando lugar na fila, antecipa cumprimentos e felicitações ao admirado André Kuaurk Chianca (foto), figura das mais admiradas e empresários dos mais conceituados de Nova Friburgo e região. Esta nossa saudação amiga é alusiva ao aniversário do Chianca comemorado no próximo sábado, 22. Parabéns!

Parabéns aos médicos!

O último sábado, 15, foi dia de reverenciar, merecidamente, s queridos e amados professores, que celebraram o dia dedicado a eles naquela ocasião. Hoje, 18, é a vez de parabenizarmos outra classe profissional das mais relevantes: os médicos e por isso, salve eles hoje, amanhã e sempre.

Mais um André aniversariante

No próximo sábado, 22, mais um André, vai celebrar mais um ano de experiência na vida. Trata-se do querido André Luiz Freire Castilho (foto). O aniversariante é médico, botafoguense, mangueirense e sobretudo, amigo de muitos amigos. Ele morou por muitos anos em Nova Friburgo e há algumas décadas encontra-se radicado em Portugal.

Enviamos ao André Freire os parabéns com votos de muitas e muitas felicidades por conta da passagem desta data especial em sua vida.

Valeu, amigos de AVS e todos!

Estou muito agradecido aos queridos amigos de A VOZ DA SERRA pelo carinho e alegrias proporcionadas com o registro antecipado na coluna Sociais da edição do último fim de semana,  do meu aniversário que estarei celebrando na próxima quinta-feira, 20.

Minha grande gratidão à amada família AVS, assim como por consequência também aos leitores e amigos pelos cumprimentos já apresentados.

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Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões

segunda-feira, 17 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Com a proximidade do Dia Mundial das Missões, celebrado no próximo domingo, 23, trouxemos para nossa reflexão semanal as palavras do Papa Francisco para esta ocasião. Ao refletir sobre o tema proposto para este ano, “Sereis minhas testemunhas”, o pontífice destaca que faz parte da missão de todos os batizados a responsabilidade de testemunhar Cristo.

Com a proximidade do Dia Mundial das Missões, celebrado no próximo domingo, 23, trouxemos para nossa reflexão semanal as palavras do Papa Francisco para esta ocasião. Ao refletir sobre o tema proposto para este ano, “Sereis minhas testemunhas”, o pontífice destaca que faz parte da missão de todos os batizados a responsabilidade de testemunhar Cristo.

“Uma releitura de conjunto mais aprofundada esclarece-nos alguns aspectos sempre atuais da missão confiada por Cristo aos discípulos: Sereis minhas testemunhas. A forma plural destaca o caráter comunitário-eclesial da chamada missionária dos discípulos. Todo o batizado é chamado à missão na Igreja e por mandato da Igreja: por isso a missão realiza-se em conjunto, não individualmente: em comunhão com a comunidade eclesial e não por iniciativa própria. E ainda que alguém, numa situação muito particular, leve avante a missão evangelizadora sozinho, realiza-a e deve realizá-la sempre em comunhão com a Igreja que o enviou”. E reforça: “Não foi por acaso que o Senhor Jesus mandou os seus discípulos em missão dois a dois; o testemunho prestado pelos cristãos a Cristo tem caráter sobretudo comunitário”.

Outro ponto que Francisco destaca é missão como algo inerente à vida do cristão. “[Os discípulos] são enviados por Jesus ao mundo não só para fazer a missão, mas também e sobretudo para viver a missão que lhes foi confiada; não só para dar testemunho, mas também e sobretudo para ser testemunhas de Cristo. Os missionários de Cristo não são enviados para comunicar-se a si mesmos, mostrar as suas qualidades e capacidades persuasivas ou os seus dotes de gestão. Em vez disso, têm a honra sublime de oferecer Cristo, por palavras e ações, anunciando a todos a Boa Nova da sua salvação com alegria e ousadia, como os primeiros apóstolos”.

“Por isso, na evangelização, caminham juntos o exemplo de vida cristã e o anúncio de Cristo. Um serve ao outro. São os dois pulmões com que deve respirar cada comunidade para ser missionária. Este testemunho completo, coerente e jubiloso de Cristo será seguramente a força de atração para o crescimento da Igreja também no terceiro milênio”. 

Continuando a reflexão o papa destaca o caráter universal da missão dos discípulos, relembrando e incentivando o trabalho missionário de tantos homens e mulheres que ainda hoje são perseguidos por anunciar a palavra da verdade.

“A Igreja de Cristo sempre esteve, está e estará ‘em saída’ rumo aos novos horizontes geográficos, sociais, existenciais, rumo aos lugares e situações humanos ‘de confim’, para dar testemunho de Cristo e do seu amor a todos os homens e mulheres de cada povo, cultura e estado social. Neste sentido, a missão será sempre também missio ad gentes, porque a Igreja terá sempre de ir mais longe, mais além das próprias fronteiras, para testemunhar a todos o amor de Cristo”.

Por fim, o pontífice anima aos que assumem seu lugar na evangelização lembrando que toda ação evangelizadora é animada e sustentada pelo Espírito Santo. “Ao anunciar aos discípulos a missão de serem suas testemunhas, Cristo ressuscitado prometeu também a graça para uma tão grande responsabilidade: Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas (At 1, 8). Assim começa a era da evangelização do mundo por parte dos discípulos de Jesus, que antes apareciam fracos, medrosos, fechados. O Espírito Santo fortaleceu-os, deu-lhes coragem e sabedoria para testemunhar Cristo diante de todos”.

“Assim, o Espírito é o verdadeiro protagonista da missão: é Ele que dá a palavra certa no momento justo e sob a devida forma. O mesmo Espírito, que guia a Igreja universal, inspira também homens e mulheres simples para missões extraordinárias”.

Fonte: www.vatican.va

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A deficiência visual e a literatura

segunda-feira, 17 de outubro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

“Para a tarefa do artista, a cegueira não é totalmente negativa, já pode ser um instrumento.”

Jorge Luis Borges

Ao escrever a coluna da semana passada, fiz um breve relato histórico sobre a máquina de escrever e fiquei surpresa ao saber que sua invenção foi motivada para atender às necessidades de pessoas cegas. Resolvi dar continuidade às pesquisas e tive a oportunidade de conhecer fatos interessantes a respeito das relações entre a literatura e os escritores com deficiência visual.

“Para a tarefa do artista, a cegueira não é totalmente negativa, já pode ser um instrumento.”

Jorge Luis Borges

Ao escrever a coluna da semana passada, fiz um breve relato histórico sobre a máquina de escrever e fiquei surpresa ao saber que sua invenção foi motivada para atender às necessidades de pessoas cegas. Resolvi dar continuidade às pesquisas e tive a oportunidade de conhecer fatos interessantes a respeito das relações entre a literatura e os escritores com deficiência visual.

Não poderia deixar de ressaltar que o corpo humano tem capacidade extraordinária para adaptar-se às situações diversas e adversas, tornando-se apto a sobreviver e a interagir nos ambientes naturais e sociais. Um estudo publicado na “Plos One”, revista científica online, publicada pela Public Library of Science, que apresenta pesquisas primárias nas áreas da ciência e da medicina, divulgou um estudo que mostra as diferenças anatômicas, funcionais e estruturais entre pessoas cegas e as que não possuem deficiências visuais. Os pesquisadores do Schepens Eye Research Institute of Massachusetts Eye and Ear observaram que as diferenças estão associadas com a audição, olfato, tato e cognição de modo a capacitar o cérebro a compensar a ausência da informação visual. Sem a informação visual, as áreas motoras, auditivas e de linguagem são mais demandadas, fazendo com que o cérebro encaminhe para essas e outras áreas as informações não recebidas e amplie o aumento dos outros sentidos. O deficiente visual vê com o cérebro quase por inteiro.

Apesar de não ver, o cego tem os olhos abertos para o mundo, possivelmente mais do que aquele que possui o sentido da visão. Quem nasce cego, só sabe que o é quando alguém lhe diz.  

 A cegueira é um diamante à literatura, dado que a ausência da visão, total ou parcial, permite ao escritor estabelecer uma relação particular e profunda da vida. Ao escrever, o deficiente visual caminha pelo desconhecido com tranquilidade, sendo capaz de perceber com agudeza os detalhes e diferenças entre as circunstâncias que envolvem os fatos. A cegueira não lhe é silenciosa, tem a voz narrativa da inteligência emocional e espiritual com que percebe o mundo. O cego capta a realidade com os olhos da sensibilidade.

Vou citar alguns escritores que ficaram cegos ao longo da vida e revolucionaram a literatura. Tenho certo cuidado em citar Homero, autor de duas obras fundadoras da literatura universal, Ilíada e Odisseia, uma vez que não há comprovação da autoria dos seus poemas e pouco se sabe sobre a sua história. Conta-se que em Ítaca, ilha grega do Mar Mediterrâneo, Homero coletou dados para escrever sobre a vida de Ulisses, entretanto, nessa estadia, teve uma grave doença nos olhos que o cegou. Os poemas de Homero datam do século VIII ou IX a.C. e foram transmitidos através da tradição e recitação oral. Durante sua vida, Homero viajava de cidade em cidade, cantando seus poemas épicos nas cortes dos reis e nos acampamentos de guerreiros.

Luís de Camões, poeta português, considerado um dos maiores representantes da literatura em países de língua portuguesa, nasceu no século XIV, estudou filosofia e tornou-se poeta. Depois, soldado, perdeu um olho numa batalha no norte da África e teve que se afastar das atividades militares. Então, escreveu “Os Lusíadas”, obra de poesia épica, que ofereceu à língua portuguesa dignidade cultural e política.

Jorge Luis Borges, poeta, contista, ensaísta e crítico literário argentino é considerado como um dos melhores escritores do século XX. Ele ficou cego depois dos cinquenta anos devido a uma degeneração genética na retina. Mesmo sem a visão continuou a criar contos, vagando entre a filosofia e a fantasia, escrever poesias com lirismo e elaborar ensaios com rigor acadêmico. 

Outros autores, como Aldous Huxley e James Joyce também foram deficientes visuais e nos presentearam com a profundidade com que captaram o mundo. 

Por fim, encerro a coluna com uma frase de Clarice Lispector: “É necessário certo grau de cegueira para poder enxergar determinadas coisas.”

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