Sabemos da importância da coleta seletiva dos resíduos sólidos. Temos a exata noção da importância de diminuir o volume desses resíduos, que em geral se destinam aos aterros sanitários. Aterro sanitário é o “local de disposição de resíduos sólidos domiciliares no solo, utilizando-se de técnica que não cause danos à saúde pública e sua segurança, minimizando os impactos ambientais, e que utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos na menor área possível reduzindo seu volume”.
Sabemos da importância da coleta seletiva dos resíduos sólidos. Temos a exata noção da importância de diminuir o volume desses resíduos, que em geral se destinam aos aterros sanitários. Aterro sanitário é o “local de disposição de resíduos sólidos domiciliares no solo, utilizando-se de técnica que não cause danos à saúde pública e sua segurança, minimizando os impactos ambientais, e que utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos na menor área possível reduzindo seu volume”.
Antigamente esses aterros eram os “lixões”, verdadeiras montanhas de lixo insalubre de todas as espécies. Com a exigência de tratamento adequado às exigências de saúde pública e em respeito ao meio ambiente, foram criados os aterros sanitários, um passo na evolução civilizatória da gestão dos resíduos sólidos.
A coleta seletiva dos resíduos sólidos
Outro passo civilizatório importante é o da coleta seletiva, dentro de cada residência, comércio ou indústria, sendo os resíduos separados de acordo com suas características, e posteriormente coletados separadamente. Inicialmente selecionam-se os resíduos orgânicos que podem ser destinados à compostagem, e falaremos disso no futuro, e separam-se também os resíduos sólidos, como plásticos, vidros, papéis, metais, etc.
A coleta seletiva, quando aplicada pela prefeitura por intermédio da concessionária EBMA/Vital, pode minimizar o volume total dos resíduos, como dito, e também pode disponibilizar materiais a serem reciclados e reutilizados para voltar à economia circulante. Consta da Política Nacional de Resíduos Sólidos a prioridade de cooperativas de catadores para sua inclusão socioeconômica nessa coleta.
Infelizmente o contrato de concessão não é explícito nessa exigência, portanto não gera sua obrigação, e mais uma vez nos deparamos com temas que deveriam constar em lei, com a possibilidade de aperfeiçoar as funções sociais, ambientais e educativas do contrato de concessão. Pelo contrato tal função pode ser exercida pela própria concessionária gerando um lucro adicional, que apesar de previsto, o faz em detrimento dos catadores, os mais vulneráveis e necessitados.
O reaproveitamento
Após a coleta seletiva domiciliar com a separação dos materiais para reaproveitamento na denominada economia circular, para onde vai todo esse material? São plásticos, vidros, papéis, metais, vendidos para indústrias recicladoras, sucateiros, etc., para reprocessamento, fundição, etc., gerando recursos da ordem estimada de milhões de reais por ano, que poderiam promover atividades dignas, incrementando o orçamento dos trabalhadores nas cooperativas de catadores e afins, garantindo justiça e estimulando a reinserção social para suas famílias.
Outra parte desses materiais pode ter as mais diversas utilizações, como móveis, brinquedos, objetos decorativos, e outras tantas finalidades de acordo com a criatividade de cada um.
A arte
Uma das diversas possibilidades de utilização desses materiais é a arte. Quantas vezes vemos objetos, fragmentos, estruturas amorfas, ganharem a expressão da transmissão de sentimentos, vontades, mensagens, feições de beleza para sua contemplação, reflexão, críticas e questionamentos de artistas, num retorno desses materiais rejeitados pela sociedade na forma de algo que nos traz algum sentido ou transmite algum sentimento ou sensação.
Essa é a função da expressão artística que não encontra limites ou amarras nos conceitos tradicionais, usando materiais e formas que escapam à nossa compreensão imediata e às vezes dialogam com nosso próprio inconsciente, trazendo à tona sensações e olhares que só poderiam se manifestar através dessa subjetividade.
Cacau Rezende e sua obra reciclada
Atualmente podemos apreciar um exemplo dessa manifestação artística através da obra de Cacau Rezende que está com parte da sua produção artística na exposição “Conversadeira”, Arte que Pulsa, Memória que Dialoga, em comemoração aos 25 anos da sua arte, na Usina Cultural Energisa (Praça Getúlio Vargas, 55).
Cacau Rezende, 74 anos, é morador de Nova Friburgo, onde desenvolve seus trabalhos e estudos, com foco especial na urbe e sua população há 30 anos. Ele se auto denomina um artista plástico, engenheiro civil por formação acadêmica e arquiteto por vocação, com foco também nas questões ambientais.
Essa interação com as questões ambientais e a busca pela conscientização pela cidadania, se refletem nos materiais utilizados: papéis reciclados, resíduos da construção civil, pedaços de madeira, peças de automóveis, que ao ganharem nova forma exteriorizam além da sua grande beleza e criatividade, um olhar sensível de admiração e que busca a reflexão do nosso papel na sociedade de como tornar nossa presença social mais inclusiva e justa com propostas de humanização do espaço urbano em ações participativas e transformadoras. E isso com o reaproveitamento de materiais que deixam de compor a grande massa de resíduos sólidos, para alívio do meio ambiente.
Cacau Rezende nos dá o exemplo de como o lixo pode ser aproveitado e transformado em algo tão belo como a arte.
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