Parte 1
Clube projeta valores, desvincula uma das propostas e planeja definição
O futuro do Friburguense está em pauta, e a expectativa por novidades é grande. Desde as primeiras especulações, o torcedor aguarda por novidades. Para tanto, o caminho escolhido é o de atrair novos investimentos para o futebol, capazes de transformar toda a estrutura atual, e no médio prazo, devolver ao Tricolor da Serra o seu lugar de destaque. Neste cenário, como está o andamento da possível SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Frizão?
Parte 1
Clube projeta valores, desvincula uma das propostas e planeja definição
O futuro do Friburguense está em pauta, e a expectativa por novidades é grande. Desde as primeiras especulações, o torcedor aguarda por novidades. Para tanto, o caminho escolhido é o de atrair novos investimentos para o futebol, capazes de transformar toda a estrutura atual, e no médio prazo, devolver ao Tricolor da Serra o seu lugar de destaque. Neste cenário, como está o andamento da possível SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Frizão?
Para esclarecer melhor os processos e as eventuais definições sobre o tema, A VOZ DA SERRA conversou com o diretor jurídico do Friburguense, Marlon Freimann Vieira Heringer. O advogado, sócio do clube desde 1982, é um dos responsáveis por ajudar a entender a viabilidade das propostas e analisá-las dentro de um contexto que envolve valores, projeto esportivo, metas e estabilidade.
“Acho importante aproveitar esse espaço para fazer um reconhecimento institucional. Independentemente de opiniões ou críticas, é preciso reconhecer que o trabalho desenvolvido pelo Siqueirinha teve relevância importante na história recente do Friburguense. O clube permaneceu por muitos anos em evidência no futebol estadual, inclusive com permanência prolongada na elite do Campeonato Carioca. Esse legado precisa ser tratado com respeito e equilíbrio”, pontua.
Investindo na base
O ponto de partida para o Friburguense dar o próximo passo segue essa linha, e envolve conceitos claros: manter os investimentos na base, fortalecer o futebol profissional e desenvolver a estrutura.
O clube fez uma projeção de algo em torno de R$ 380 mil mensais e recebeu três propostas, além de uma quarta manifestação de interesse, ainda em fase de análise. Uma delas, acabou desvinculada. A direção enxergava com preocupação algumas ações promovidas pelo proponente, sem mesmo antes existir qualquer avanço significativo na avaliação interna.
“Da mesma forma, o clube também possui responsabilidade institucional com os contratos e compromissos atualmente existentes. Existem obrigações assumidas, relações contratuais em andamento e investimentos vinculados ao atual modelo de gestão do futebol, todos constituídos e que naturalmente precisam ser respeitados. Por isso, o Friburguense vem conduzindo todas as discussões relacionadas à SAF de forma organizada, responsável e dentro dos limites jurídicos e institucionais existentes”, observa.
A VOZ DA SERRA reproduz a primeira parte da entrevista. A segunda será publicada na edição de quarta-feira, 20, trazendo, inclusive, uma projeção de prazo para encerrar análises e negociações.
Muito se fala sobre a SAF, do ponto de vista das possíveis propostas. Mas o que o Friburguense, como clube, trata como prioridade? Investimentos em base, futebol profissional, estrutura… O que o clube enxerga como pontos principais?
Marlon: Hoje existe um entendimento unânime no clube de que o modelo SAF representa um caminho importante para a modernização e fortalecimento do futebol. Esse formato possibilita maior capacidade de investimento, organização estrutural, profissionalização da gestão e uma divisão mais adequada das responsabilidades operacionais e jurídicas ligadas ao futebol. O clube entende que o modelo atualmente existente cumpriu seu papel dentro de um determinado contexto, mas acredita que o momento exige uma estrutura mais ampla, sustentável e alinhada às exigências do futebol moderno.
Sobre as prioridades, o Friburguense entende que o fortalecimento da base é fundamental e continuará sendo uma característica importante do clube. Revelar atletas sempre fez parte da nossa identidade. Porém, também entendemos que o futebol profissional precisa ser fortalecido de forma permanente. O time profissional é a principal vitrine de qualquer clube.
É através dele que conseguimos dar visibilidade aos atletas formados na base, atrair investimentos, fortalecer a marca do clube e criar um ambiente competitivo capaz de impulsionar todo o restante da estrutura esportiva. Por isso, o objetivo é buscar um projeto equilibrado, que una fortalecimento das categorias de base, competitividade no profissional e desenvolvimento estrutural do clube.
Sabemos que o futebol é um esporte cada vez mais caro. Há algum valor específico que o Friburguense busca em termos de aporte e investimento? Existe alguma projeção?
Dentro dos estudos internos realizados pelo clube, entendemos que, para manter uma equipe competitiva visando a chegada à Série A1 do Campeonato Carioca, seria necessário um investimento aproximado de R$ 380 mil mensais durante o período de atividade do futebol profissional, o que representa algo em torno de R$ 3 milhões ao ano em operação esportiva.
Naturalmente, esses números podem variar conforme calendário, estrutura e modelo adotado, mas demonstram o tamanho do desafio que o futebol moderno exige. Justamente por isso, o clube vem trabalhando de forma organizada na construção de soluções viáveis.
Foi formada uma comissão interna composta pelo presidente Elberth Heringer, pelo vice-presidente jurídico Evi, pelo vice-presidente financeiro Wagner, pelo presidente do Conselho Deliberativo Marcelo, pelo Grande Benemérito Joninha, pelo representante do Conselho Fiscal Carlinhos e por mim, na qualidade de diretor jurídico do clube.
Além disso, o clube também conta com a participação do Siqueirinha na condução da parte técnica e esportiva do futebol, em razão da experiência e do trabalho já desenvolvido junto ao departamento de futebol do Friburguense. Essa comissão vem atuando diretamente na busca de investidores, patrocinadores e parceiros estratégicos para fortalecimento do futebol profissional do clube, sempre com responsabilidade, transparência e alinhamento institucional.
Existe atualmente um planejamento voltado à captação de recursos para a temporada, com acompanhamento administrativo, prestação de contas aos apoiadores e integração entre gestão institucional e departamento de futebol.
No último contato com o presidente Elberth, apuramos que algumas propostas chegaram, inclusive a de um grupo europeu. De fato, quantas ofertas oficiais foram feitas?
Até o momento, o Friburguense recebeu formalmente três propostas estruturadas, além de uma quarta manifestação de interesse ainda em fase preliminar de consulta e análise. Inclusive, uma dessas propostas acabou sendo descredenciada pelo clube no último dia 14 de maio, após o não cumprimento de requisitos mínimos que haviam sido solicitados durante o processo de avaliação, especialmente relacionados à apresentação de garantias, capacidade operacional e estrutura efetiva do projeto apresentado.
O Friburguense entende que esse tipo de cautela é indispensável, porque estamos tratando de uma possível transformação estrutural do futebol do clube, envolvendo patrimônio histórico, marca institucional e o futuro esportivo.
Em relação especificamente a esse proponente, o clube viu com preocupação algumas manifestações públicas realizadas antes mesmo da conclusão das etapas mínimas de validação interna. Houve utilização da imagem e do nome do Friburguense em divulgações e campanhas sem qualquer formalização definitiva junto ao clube, inclusive com declarações que acabaram gerando interpretações equivocadas perante parte da torcida e da população, como a ideia de que já existiria uma definição ou controle sobre o futebol do clube.
O Friburguense sempre tratou o tema SAF com muita responsabilidade e transparência. Nenhum grupo ou investidor possui qualquer vínculo definitivo sem o cumprimento integral das etapas institucionais, jurídicas e financeiras exigidas pelo clube. Ao final, o próprio transcurso do prazo concedido para apresentação das garantias e estrutura prometidas acabou demonstrando que a proposta não possuía maturidade suficiente para avançar dentro do nível de segurança que o clube entende como necessário.
Quanto às propostas remanescentes, existem perfis diferentes em análise. Uma delas possui um viés de conexão internacional e abertura para o mercado europeu, o que pode representar oportunidades importantes no desenvolvimento esportivo e comercial do clube.
Já outra proposta apresenta um perfil mais conservador financeiramente, porém demonstra responsabilidade, planejamento gradual e maior alinhamento com uma construção sustentável de médio e longo prazo.
O mais importante neste momento é que o Friburguense segue avaliando todas as possibilidades com equilíbrio, responsabilidade e foco exclusivo na proteção dos interesses do clube e da sua torcida.
Marlon Freimann Heringer, diretor jurídico do Friburguense (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)
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