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O Natal bate as nossas portas

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Estamos há uma semana do Natal, uma festa cheia de significados e comemorada praticamente no mundo todo. Para as religiões cristãs, ela marca o nascimento de Jesus Cristo, que segundo a tradição católica é o filho de Deus, sob a forma humana. Veio ao mundo para redimir os pecados da humanidade, fundar uma nova religião e preparar a salvação daqueles que nele acreditaram.

Estamos há uma semana do Natal, uma festa cheia de significados e comemorada praticamente no mundo todo. Para as religiões cristãs, ela marca o nascimento de Jesus Cristo, que segundo a tradição católica é o filho de Deus, sob a forma humana. Veio ao mundo para redimir os pecados da humanidade, fundar uma nova religião e preparar a salvação daqueles que nele acreditaram.

Mas, o Natal é muito mais, pois representa uma festa da família, um congraçamento entre as pessoas. Quando elas se reúnem podem ou não trocar presentes, ceiam juntas, se mostram contentes com a presença seja de familiares, seja de amigos. Aliás, é muito comum o famoso “amigo oculto” quando, durante um almoço ou jantar de confraternização, as pessoas trocam presentes após um sorteio prévio.

 É interessante frisar que, segundo a história, Jesus nasceu numa gruta próxima à cidade de Belém, na Palestina, para onde seus pais tinham se deslocado para o recenseamento ordenado pelo imperador César Augusto. Aliás, foi um fato histórico que situou o nascimento de Jesus em um contexto real, comprovando que o relato bíblico é fundamentado em eventos concretos da época. Mas, quando José e Maria chegaram na cidade, próximo ao parto, as hospedarias estavam cheias. Daí terem achado uma gruta, que era utilizada como estábulo e o porquê de Jesus ter tido como berço, uma manjedoura.

Mas, sempre existiu dúvidas quanto ao verdadeiro dia do nascimento de Jesus. A Igreja Católica e o ocidente consideram essa data, a partir de uma teoria que aponta o papa Julius I como o seu idealizador. Igrejas orientais, incluindo as ortodoxas e a copta, comemoram o nascimento de Jesus Cristo no dia 7 de janeiro. Isso porque sabemos que, no final do século II d. C., os grandes teólogos da Igreja que debatiam sobre o nascimento de Cristo não consideravam o 25 de dezembro como o dia de tal evento. Em uma declaração, Clemente de Alexandria cita diferentes dias para o nascimento de Cristo: 15 de abril, 20 de maio, e 20 ou 21 de abril.

No entanto, existe uma explicação para a data de 25 de dezembro.  Os historiadores não têm uma resposta certa, mas acreditam que a escolha do dia 25 de dezembro foi parte de uma estratégia da Igreja de enfraquecer comemorações pagãs que aconteciam nessa data. Uma dessas comemorações, o solstício de inverno, era conhecida como Dies Natalis Solis Invicti e era realizada para o Sol Invicto, um deus romano. Com o tempo, essa festa associou-se com Mitra, um deus persa que era cultuada nas terras romanas. Outra comemoração que ocorria próximo ao 25 de dezembro era a Saturnália, festa em homenagem a Saturno. Os historiadores alegam, então, que colocar o Natal no dia 25 de dezembro era uma forma de esvaziar a festividade pagã e garantir fiéis ao cristianismo. O argumento retórico era basicamente mostrar que uma pessoa não estava celebrando Mitra ou o Sol Invicto na referida data, mas sim o nascimento de Jesus Cristo. É preciso acrescentar que a palavra natal significa nascimento, daí a expressão “cidade natal de fulano”.

Claro está que, infelizmente, a conotação de ser uma data na qual o comércio fatura muito é uma realidade, principalmente a partir de meados do século XX. A própria figura do Papai Noel foi desvirtuada. Ele é um dos símbolos mais importantes do Natal; sua criação foi inspirada no bispo São Nicolau, que costumava ajudar as pessoas pobres e foi canonizado pela Igreja Católica. A primeira imagem do Papai Noel foi desenhada pelo alemão Thomas Nast, no final do século XIX. No entanto, sua figura é difundida como o bom velhinho, aquele que coloca os presentes, pedidos pelas crianças em cartas ou orações a ele dirigidas, ao pé da árvore de Natal.

Por falar em árvore de Natal, ela tem um significado especial nesse contexto. Acredita-se que tinha uma ligação religiosa com povos de origem pagã que as usavam como enfeite ou como parte de seus rituais religiosos. Ou, numa explicação religiosa, onde o formato triangular do pinheiro representaria a Santíssima Trindade. O costume de trazer árvores para dentro de casa e enfeitá-las data da antiguidade, mas começou a ser utilizada pelos cristãos por volta de 1500, com Martinho Lutero.

Nada, no entanto, diminui a grandiosidade desse acontecimento e, creio, que num mundo tão desumano como o atual, tão cheio de problemas, ser o momento ideal para uma reflexão e para que as famílias repensem sua atuação perante a formação dos seus filhos e perante a sociedade. Apesar dos regimes comunistas e socialistas trabalharem com firmeza e subliminarmente, para destruir os fortes laços familiares, a família ainda é a força motora que mantém a integridade de um país. Sem ela, seríamos um mero grupo de homens sem destino. Ou simples joguete nas mãos governantes sem escrúpulos.

Desejo aos meus leitores e a toda a equipe do jornal A Voz da Serra, um Feliz Natal, com muita saúde, paz e alegria. Ao contrário dos anos anteriores e para desespero daqueles que me seguem, estarei de volta depois do Natal.

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Minha casa minha vida, na visão do ministro das Cidades

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O pobre continua como joguete nas mãos de políticos para os quais os fins justificam os meios. A condição de menos favorecidos muitas vezes advém de um ensino de baixa qualidade, em função dos baixos salários de professores, nas escolas públicas sejam estaduais ou municipais. Submetidos a uma jornada semanal extenuante, não têm tempo nem disposição para aprimorarem, através de cursos de extensão universitária, os conhecimentos adquiridos nos bancos das faculdades. Creio vir desse fato, o desnível entre os alunos da rede pública em relação aos da rede privada.

O pobre continua como joguete nas mãos de políticos para os quais os fins justificam os meios. A condição de menos favorecidos muitas vezes advém de um ensino de baixa qualidade, em função dos baixos salários de professores, nas escolas públicas sejam estaduais ou municipais. Submetidos a uma jornada semanal extenuante, não têm tempo nem disposição para aprimorarem, através de cursos de extensão universitária, os conhecimentos adquiridos nos bancos das faculdades. Creio vir desse fato, o desnível entre os alunos da rede pública em relação aos da rede privada.

Aos moradores do Cônego e adjacências está sendo imputado o fato de não quererem conviver, nas proximidades do bairro, com pessoas de baixa renda quando, na realidade, trata-se de uma reação de cautela com as consequências que podem advir da proximidade com esse tipo de condomínio populacional. Infelizmente, para governadores e/ou prefeitos, atraídos pelas polpudas verbas que esses empreendimentos trazem no seu bojo, a tônica é sempre a mesma, entregam as obras e abandonam a população a sua própria sorte.

Mas, eis que surge uma voz, oriunda do seio do próprio governo federal, que aborda esse tema com muita propriedade. Reproduzo abaixo, trechos da matéria referente ao ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, no site senadonotícias, edição de 07/10/2025 cujo título é “Crime organizado em condomínios populares é epidemia”. Diz ela, nos três primeiros parágrafos: “O ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, vai pedir o apoio do Ministério da Justiça e da Polícia Federal para expulsar facções criminosas de condomínios construídos pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Ele participou de uma audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR) nesta terça-feira (7). Jader Barbalho Filho classificou como “uma epidemia” a presença de facções como Comando Vermelho, Primeiro Comando da Capital (PCC) e milicianos em residenciais entregues pelo Poder Executivo. Segundo o ministro, a pressão do crime organizado inibe a presença do Estado nos condomínios. ‘É uma epidemia. Na minha primeira entrega de residenciais no Minha Casa, Minha Vida, teve um empreendimento na Baixada Fluminense (RJ) em que minha assessoria foi ao residencial, mas não consegui entrar. Houve um diálogo com lideranças para que houvesse uma redução da pressão. Fui descobrir que a pressão partia do Comando Vermelho, que não permitia a entrada da Caixa e do Ministério das Cidades no residencial’”, revelou.

No Terra Nova, próximo a Conselheiro Paulino, de acordo com relato de moradores que ousam expressar a sua opinião, os postes de luz ostentam, em vermelho, as iniciais C.V. para deixar bem claro ser aquele local, reduto daquela facção. Como dito acima, o poder público construiu, assentou famílias necessitadas e as abandonou à própria sorte. Moradores, em sua maioria, dignos, honestos e trabalhadores são obrigados a conviver com narcotraficantes e serem submetidos às suas exigências.

E a matéria prossegue: “Questionado pelo senador Carlos Portinho (PL-RJ), Jader Barbalho Filho disse que vai propor uma ‘ação conjunta’ ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Ele lembrou que organizações criminosas expulsam os moradores de condomínios do Minha Casa Minha Vida”.

“’No Rio de Janeiro, quando não é o tráfico, é a milícia. Tratando-se de organizações criminosas que estão espalhadas em todo o território brasileiro, por que não transferir para a Polícia Federal as investigações e as ações de retomada? Se é recurso federal, a Polícia Federal tem que assumir. Isso ocorre no Rio de Janeiro, no Maranhão, no Ceará, no Pará e em todo o país’, disse Carlos Portinho”.

Claro está que essa polarização de ricos contra pobres, interessa ao poder constituído, pois é uma maneira sutil de desviar a atenção da população para o âmago da questão. Uma verba de 24 milhões de reais é uma quantia vultosa que é muito bem-vinda a qualquer município. Aliás, o tema foi abordado, também, na matéria do senadonotícias, pelo ministro das Cidades criticando a estratégia de governadores e prefeitos que pedem dinheiro emprestado ao sistema financeiro para custear obras públicas. Segundo Jader Barbalho Filho, a pasta oferece linhas de financiamento mais baratas que não são acessadas por “pura desinformação” dos gestores estaduais e municipais. “Tudo o que acontece nas cidades pode ser financiado pelo Ministério das Cidades. Prefeitos e governadores não precisam se endividar, eles podem fazer um financiamento mais barato, que vai alcançar o mesmo objetivo. Disse ainda, que pagam juros mais altos e se endividam ao aderir a programas como o Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa), da Caixa Econômica Federal. Temos disponíveis R$ 8 bilhões e todo ano, por desinformação e falta de projetos, devolvemos esse dinheiro. Se o município tiver capacidade de tomar financiamento, vai ter quatro anos de carência, para pagar a primeira parcela¸ com juros de 8% ao ano e prazo de 20 anos”.

Em Olaria, é preciso estudos bem feitos, por órgãos idôneos, sobre o impacto ambiental, fornecimento de água, eletricidade, saneamento e sobre as implicações advindas dos quase 600 novos moradores num bairro que, demograficamente, é o segundo do município. Além disso, está localizado próximo à Via Expressa, uma artéria imprescindível à ligação do Cônego e bairros adjacentes com o centro da cidade. A presença de pedestres nessa via, obrigatória para quem deseja acessar o bairro de Olaria, com certeza vai impactar a circulação de veículos que nela trafegam, colocando em risco a vida das pessoas.

Portanto, é necessária a discussão do projeto com profissionais gabaritados, preparados para opinar sobre um empreendimento tão complexo que pode estar criando um problema maior. Existem outros terrenos em Olaria, que poderiam diluir a construção desses 144 apartamentos, pois um número menor de moradores por projeto, inibiria a chegada do narco tráfico.

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Preconceito, uma palavra dúbia

quarta-feira, 03 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Na falta de argumentos convincentes, para justificar um condomínio minha casa minha vida, próximo a uma via expressa, a prefeitura alega que os moradores dos bairros Cônego, Cascatinha, Olaria, Bairro da Graça, Granja do Céu, Vale dos Pinheiros e Parque São Clemente são contra moradias para pessoas pouco favorecidas.

Na falta de argumentos convincentes, para justificar um condomínio minha casa minha vida, próximo a uma via expressa, a prefeitura alega que os moradores dos bairros Cônego, Cascatinha, Olaria, Bairro da Graça, Granja do Céu, Vale dos Pinheiros e Parque São Clemente são contra moradias para pessoas pouco favorecidas. Esquecem de que esses bairros têm cidadãos de várias classes sociais, entre os seus mais de 90 mil habitantes (Olaria são quase 70 mil, Cônego, Cascatinha, Granja do Céu chega a mais de 11 mil) e que não moram em conglomerados de vários apartamentos, uma vez que são muitas as casas nesses bairros. Isso é uma barreira convincente para a instalação do tráfico de drogas e das milícias, como é de conhecimento geral nos conjuntos do Alto do Catarcione e do Terra Nova. É claro que nos bairros citados ninguém está imune à presença de maus elementos, mas dentro de um limite tolerado. Esse novo condomínio, situa-se no bairro de Olaria, que já tem problemas mais do que suficientes com a complexidade existente no Alto de Olaria.

Os argumentos de que o bairro de Olaria abriga todos os requisitos exigidos para a liberação da verba de 28 milhões de reais, a ser empregada nesse projeto, são facilmente rebatidos. A prestação de serviços públicos se restringe ao posto de saúde Tunney Kassuga, insuficiente para o atendimento num bairro com mais de 70 mil habitantes. A esses seriam acrescidas pelo menos 550 pessoas, se calcularmos em quatro os ocupantes dessas novas moradias. Sem falar que nada impede que usuários de outros bairros também possam se utilizar dos serviços desse local. Não devemos nos esquecer que o projeto de transformar o antigo Sase, numa UPA, jaz adormecido. Talvez, volte com força ano que vem, um ano eleitoral, e seria algo a ser explorado por aqueles que queiram se candidatar.

O trânsito é outra questão a ser levantada, pois ele é caótico em todo o município e Olaria não foge à regra. Estacionamento é um problema e circular de carro pelo bairro, difícil. Além do mais, com as facilidades para se comprar seu próprio veículo, nos dias de hoje, seguramente vai aumentar o material rodante nesse bairro e complicará ainda mais o já conturbado acesso ao Paissandu. Por outro lado, o transporte público será afetado, por receber mais passageiros por dia, principalmente nas horas de pico. Sem contar que o número de pessoas circulando a pé, numa via expressa vai pôr em risco a vida de pedestres e motoristas. Afinal, estamos falando de uma via expressa e não de uma avenida ou uma rua.

As escolas da rede pública são em número de 11, sendo 10 municipais e uma estadual, o que confirma ser um bairro com uma população de crianças e adolescentes bem expressiva.  No entanto, não é fácil encontrar vagas porque a procura é muito grande e a disponibilidade limitada. Impossível de avaliar quantos serão os novos alunos a pleitearem matrícula, mas de qualquer maneira as escolas não são muito perto do local escolhido para a construção dos imóveis. Um estabelecimento que não pode faltar, em função do grande serviço que presta às mães que trabalham, as creches, têm um déficit muito grande. Na realidade só encontrei uma.

Com relação à segurança é também uma incógnita, pois onde se tem um grande ajuntamento de pessoas, a vigilância é problemática. Basta ver o que ocorre nas comunidades da capital, onde a população séria e trabalhadora vive refém da bandidagem. Os tiroteios são frequentes, e as vítimas de balas perdidas numerosas. Os relatos que chegam do Terra Nova não são nada promissores, pois a expulsão de moradores, legítimos proprietários dos imóveis, é uma constante. Quem é expulso se conforma, pois vai reclamar com quem? E o risco de retaliação?

Portanto, um projeto de tal envergadura é sempre questionado, ainda mais que, se por um lado vai beneficiar muita gente, também vai impactar a vida de muita gente. E afinal, a máxima de que o direito de um termina quando começa o direito de outro tem, sempre, de ser lembrada, principalmente pelos responsáveis pelos destinos da cidade. Afinal, eles desenvolvem os projetos, mas se implantados, não se preocupam com o que acontece depois.  Não deixa de ser preconceito dos grandes afirmar que os moradores dos bairros já citados não querem a companhia de pessoas de baixa renda nas imediações. E que não reclamaram com a construção do condomínio Vila das Flores, também em Olaria, por ser ele de classe média. Mas, são situações completamente diferentes, pois são poucos blocos e não houve, até agora, nenhuma ocorrência ou comentários a respeito.

Dois mil e vinte e seis é um ano de eleições, onde cargos de presidente, governadores, deputados estaduais e federais e senadores estarão em jogo. Claro está que um projeto desses, para quem é candidato, se bem explorado durante a campanha, vai acarretar muitos votos. Nem é preciso assinalar que o projeto envolve uma verba de 28 milhões de reais, quantia em nada desprezível. É uma quantia que será muito bem-vinda ao município, como o próprio prefeito em exercício citou, no vídeo que corre nas redes sociais. Mas, esse projeto tem de ser bem embasado por estudos detalhados do impacto ambiental e de seus desdobramentos na vida dos demais bairros. Na própria via expressa a circulação de veículos começa, em determinados horários a se complicar, com trânsito intenso e que requer atenção dobrada.

Talvez, se um projeto dessa envergadura fosse pulverizado em vários núcleos menores, a oferta de habitação de baixo custo continuaria prestando um belo serviço à população e a gestão desses locais seria mais fácil de ser monitorada. Pois não basta construir, inaugurar e deixar a população entregue a sua própria sorte.

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Terras Frias, uma vinícola em Nova Friburgo

quarta-feira, 26 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Sábado, 22 de novembro, fiz um programa diferente ao visitar a vinícola Terras Frias. Ela está situada no distrito de Campo do Coelho, tendo como ponto de referência o apiário Amigos da Terra, na estrada Friburgo-Teresópolis. É uma empresa familiar típica, cujo idealizador foi André Guedes, mestre queijeiro. Também professor da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) há mais de 20 anos, ele começou a se interessar pelo mundo dos vinhos por meio das harmonizações com queijos. Daí a fundar sua própria vinícola, foi questão de tempo.     

Sábado, 22 de novembro, fiz um programa diferente ao visitar a vinícola Terras Frias. Ela está situada no distrito de Campo do Coelho, tendo como ponto de referência o apiário Amigos da Terra, na estrada Friburgo-Teresópolis. É uma empresa familiar típica, cujo idealizador foi André Guedes, mestre queijeiro. Também professor da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) há mais de 20 anos, ele começou a se interessar pelo mundo dos vinhos por meio das harmonizações com queijos. Daí a fundar sua própria vinícola, foi questão de tempo.     

 Antes de prosseguirmos é preciso responder uma pergunta que, talvez, você leitor, esteja fazendo. Como é possível colher uvas prontas para o processo de fermentação, na região sudeste, onde o verão é muito quente e com muitas chuvas, o que praticamente impossibilita a produção de frutos sadios e equilibrados? Esse contratempo foi resolvido com o processo da dupla poda, que é usado na vinícola friburguense. Na realidade, trata-se de uma inversão do ciclo da videira, fazendo-se duas podas por anos e transferindo-se, assim, a colheita do verão para o inverno. É uma estação pouco chuvosa e que oferece uma grande amplitude de temperatura, com noites frias, mas manhãs quentes e ensolaradas. Além disso, o risco de doenças fúngicas e outras pragas é praticamente nulo no período seco, que coincide com a maturação e a colheita.      

 Os vinhedos ocupam uma área de 35 mil metros quadrados e estão situados a 1,1 mil metros de altitude. O terreno foi preparado em 2017 e, dois anos depois, foi plantada a primeira casta, a Cabernet Franc; no momento, são 5 os tipos de uvas — a já citada, a Pinot Noir, a Chardonnay, a Sauvignon Blanc e a Sarah.  O vinho produzido, atualmente, vem das castas Cabernet Franc, Pinot Noir e Chardonnay.

A primeira colheita aconteceu em 2021, do tipo Cabernet Franc; nesse mesmo ano começou a produção da uva Pinot Noir e da Chardonnay, finalizando esse trio de peso que compõe a vinícola. A Terras Frias disponibiliza visitas aos sábados e domingos, mediante marcação prévia, pois o número de visitantes é limitado. A explicação para apenas esses dias é que por ser uma empresa familiar, durante a semana, todos, em suas respectivas áreas, estão ocupados e os portões estão sempre fechados.

Mas, vale a pena conhecer o local, pois além de muito bonito e bem cuidado, aprende-se muito sobre o plantio das mudas e a produção dos vinhos. Faz parte da programação a recepção, com algumas explicações preliminares como o porquê do nome Terras Frias, num distrito que se chama Campo do Coelho. Na realidade, o primeiro nome foi dado pelos colonos suíços que chegaram em Nova Friburgo, em 1819 e foram encaminhados para aquela localidade. Posteriormente, pelo decreto de nº 641 de 15 de dezembro de 1938, passou a ser conhecido como Campo do Coelho. De acordo com antigos moradores, esse nome foi dado em homenagem a uma tradicional família da localidade, de nome Coelho. Eram possuidores de terras onde os viajantes paravam para descansar e depois seguir viagem, daí o nome Campo do Sr. Coelho.
   Em seguida, os visitantes são levados aos vinhedos, onde o agrônomo Arthur, responsável por toda a área verde e dos vinhedos, genro do André, dá as explicações sobre o preparo do terreno, o plantio, a manutenção das videiras, o processo de dupla poda e a colheita das uvas. O trajeto até eles é motorizado, por ser muito íngreme. Na volta, são recebidos pela Nayara, filha mais velha do André e esposa do Arthur, que é engenheira de produção com especialização em segurança dos alimentos. Ela é a responsável técnica pela vinícola e que fornece as explicações sobre o processo de fabricação do vinho e de sua estocagem, numa cave com temperatura assistida, onde os vinhos “descansam” até a sua comercialização. Esse processo pode variar de meses ou anos, dependendo do tipo da uva.          

O momento mais esperado é o da degustação, a cargo do André. São quatro os vinhos oferecidos, todos secos, um branco, o Chardonnay, um rosé, o Pinot Noir, e dois tintos, um Pinot Noir e um Cabernet Franc, acompanhados de uma tábua de queijos, fabricados numa pequena queijaria da própria vinícola: Montanhês Rouge (com vinho), Camembert Trufado, Expresso (com café), e Caledônia (queijo azul recheado com queijo cremoso). Entra aí o processo de harmonização ou compatibilização, com a explicação do que cada tipo de vinho pede e o porquê. Como o André é um queijeiro por excelência, a explicação é bem fácil de ser assimilada.                  Ao final temos a venda para quem assim o desejar, das garrafas de vinho e dos queijos produzidas pela vinícola.

Em geral, uma empresa tem um setor responsável pela divulgação e marketing para a comunicação das suas atividades. Na vinícola Terras Frias é responsabilidade da Mylena, filha mais nova do André, e formada em jornalismo com especialização em Marketing.            

A visita foi muito importante por mostrar que Friburgo, aos poucos, entra no fascinante mundo da produção de vinhos, ainda que com uma produção pequena, mas em crescimento e me fez repensar o gosto pelo vinho nacional. Eu, de maneira geral, os evito por serem muito ácidos, o que faz a diferença dos vinhos Terras Frias que têm um gosto mais alcalino, o que os torna muito mais agradável ao paladar.

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Jan Ernest Matzeliger, o inventor da máquina de fabricar calçados

quarta-feira, 19 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Historicamente, a fabricação de calçados era um ofício que dependia inteiramente de habilidades manuais e ferramentas básicas. Os primeiros calçados foram criados para proteger os pés dos elementos da natureza, como pedras e detritos. As primeiras evidências de protetores dos pés remontam a cerca de 8.000 a.C., com a descoberta de sandálias feitas de palha e fibras vegetais, no Iraque. Elas eram amarradas aos pés com tiras de couro cru e foram usadas principalmente por agricultores.

Historicamente, a fabricação de calçados era um ofício que dependia inteiramente de habilidades manuais e ferramentas básicas. Os primeiros calçados foram criados para proteger os pés dos elementos da natureza, como pedras e detritos. As primeiras evidências de protetores dos pés remontam a cerca de 8.000 a.C., com a descoberta de sandálias feitas de palha e fibras vegetais, no Iraque. Elas eram amarradas aos pés com tiras de couro cru e foram usadas principalmente por agricultores. Os egípcios foram os primeiros a criar sapatos com sola dura, feitas de madeira, palha ou couro, que eram usados por pessoas de todas as classes sociais.

Os sapateiros dos séculos passados utilizavam agulhas, fios, martelos, alicates e formas de madeira para moldar os sapatos aos pés de seus clientes. Essas ferramentas simples, porém, eficazes, permitiam aos artesãos criarem calçados duráveis e confortáveis que eram verdadeiras obras de arte personalizadas. No entanto, esses métodos exigiam tempo, a produção era pequena e trabalhava-se do amanhecer ao entardecer. Além disso, eram produtos caros reservados apenas para as classes abastadas. Os demais ou andavam descalços ou usavam proteções rudimentares para proteger os pés.

Uma das grandes dificuldades que esses verdadeiros artesãos encontravam, era prender o cabedal (nome que se dá à parte superior do calçado onde o pé é colocado), na sola do mesmo. Vale a pena assinalar que o sapato como conhecemos hoje tem quatro elementos, o já citado, a palmilha que é a parte interna, localizada logo abaixo do pé, cuja função é o de amortecer o impacto e proporcionar conforto ao caminhar. Temos ainda a sola e o salto, que dispensam comentários. O cabedal pode ser feito com vários materiais como o couro, o tecido ou sintético e é responsável por proteger e envolver o pé, garantindo conforto e segurança ao caminhar.

É aí que entra em cena Jan Ernest Matzeliger.

Matzeliger nasceu em Paramaribo, capital da Guiana Holandesa (hoje Suriname), em 1852 e desde cedo demonstrou grande aptidão para o trabalho com máquinas. Seu pai era um engenheiro holandês e sua mãe, uma escrava negra do Suriname. Enquanto em seu país de origem mostrou algum interesse em mecânica, seus esforços para inventar uma máquina para montar sapatos começaram quando ele se mudou para a Filadélfia, nos Estados Unidos, onde trabalhou em uma oficina mecânica; posteriormente, aos 19 anos foi para a Pensilvânia, onde trabalhou como marinheiro. Em 1877 já dominava perfeitamente o inglês, e se radicou em Lynn, no estado de Massachusetts. Foi nessa cidade, em 1883, após cinco anos de trabalho árduo, que ele construiu e patenteou seu invento, após anos de tentativas e frustações.

Sua máquina automática de montagem de calçados, mecanizando o complexo processo de unir a sola ao cabedal, permitiu aumentar substancialmente a produção de sapatos. Dos 50 produzidos, anteriormente, à mão, seu invento conseguiu a proeza de fabricar   150   pares por dia. Seu engenho reduziu em cinquenta por cento o preço do produto, nos Estados Unidos, e transformou a cidade de Lynn na capital mundial do sapato.

Ele construiu seu primeiro modelo com caixas de charuto de madeira, elástico e arame. Devido aos movimentos complexos necessários para esticar o couro do sapato em torno de uma forma, e à importância do processo de montagem para a aparência final dele, as tentativas anteriores de mecanizar o processo haviam falhado. No entanto, após muitas tentativas e trabalho árduo, o protótipo de Matzeliger estava completo. Seu dispositivo era tão complexo que os examinadores de patentes precisaram vê-lo em funcionamento para compreendê-lo.

Após obter a patente para sua máquina, Matzeliger continuou aprimorando sua invenção até que ela atingiu a marca de 700 pares, por dia. Esse feito barateou ainda mais os custos de produção, tornando os calçados de qualidade, acessíveis a um grande número de pessoas, pela primeira vez.

Em 1889, sua engenhoca era extremamente requisitada, a ponto de ser criada a Consolidated Lasting Machine Co, para fabricá-las, e Matzeliger recebeu uma grande quantidade de ações da empresa. No entanto, sua vida não foi fácil, ele teve muitas dificuldades, contraiu dívidas para conseguir seu objetivo, o que debilitou sua saúde e lhe custou um alto preço. Nesse mesmo ano, ele faleceu de tuberculose, apenas um mês antes de completar 37 anos, fato que o impediu de aproveitar os lucros de sua invenção.  A United Shoe Machinery Co. adquiriu, então, sua patente e as ações da empresa.

 Para reconhecer o impacto tecnológico e o legado duradouro de Matzeliger, um selo postal comemorativo da herança negra foi emitido, nos Estados Unidos, em sua homenagem, em 1991, mais de 100 anos após sua morte. Muito pouco para a revolução que ele causou na indústria de calçados. E o mais engraçado é que se homenageou o fato de ser negro e não a revolução que ele causou nessa indústria. O mais correto e justo, seria fazer menção às duas coisas.

Portanto, todos os dias, ao calçarmos os nossos sapatos, devemos sempre render homenagens a Jan Ernest Matzeliger.

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Encerramento da Semana da Áustria, no Teatro Laercio Ventura

quarta-feira, 12 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Estivemos no último dia 4 no Teatro Municipal Laercio Ventura prestigiando o evento Áustria Konzert, que finalizou as comemorações da Semana da Áustria, promovida pela colônia austríaca de Nova Friburgo cuja atual presidente é a sra. Lola Madeira Vonbun.

Estivemos no último dia 4 no Teatro Municipal Laercio Ventura prestigiando o evento Áustria Konzert, que finalizou as comemorações da Semana da Áustria, promovida pela colônia austríaca de Nova Friburgo cuja atual presidente é a sra. Lola Madeira Vonbun.

Na realidade, a data nacional do país é 26 de outubro, data em que é  celebrada a Lei da Neutralidade da Aústria, comemorando a aprovação da Lei Constitucional Federal da Neutralidade Permanente, de 1955. O valor agregado dessa comemoração foi o fim da ocupação do país pelas forças aliadas, após o final da Segunda Guerra Mundial e que restabeleceu a soberania austríaca. Não podemos nos esquecer que em 12 de março de 1938, que ficou conhecido como o Dia do Anschluss, o lll Reich de Adolf Hitler anexou a Áustria à Alemanha. Ao final da guerra o país foi ocupado pelas tropas aliadas, constituídas pelos Estados Unidos, Inglaterra, França e Rússia.

Na programação tivemos o pianista Philip Gutwein, de Nova Friburgo, e o flautista Emmanuel Monteiro, que interpretaram a valsa de Joahnn Strauss, Vozes da Primavera, a Serenata de Schubert e o segundo movimento da Sonata de Haydn. Em seguida o pianista brindou a plateia com três peças a saber: Segundo movimento da Sonata para piano de Mozart, Primeiro movimento da Sonata ao Luar de Beethoven e o Segundo movimento da Sonata Patética, também de Beethoven. Tanto Strauss quanto Mozart eram austríacos, o primeiro nascido em Viena e o segundo em Salzburg; já Beethoven era alemão, mas construiu grande parte de sua vida na Áustria.

Fez parte ainda da programação a apresentação dos solistas André Barbosa, Vinícius Gonçalves, Ágni de Souza, Amanda Dias e Everton Silva. O encerramento, como não podia deixar de ser, foi com a canção Edelweiss, do filme A Noviça Rebelde, interpretada pelo Coral Lírico Acrópolis, fundado em Friburgo pelo tenor Ágni de Souza, em 10 de agosto de 2010. Aliás, Edelweiss se refere a uma flor, da mesma família das margaridas e originária dos alpes austríacos, italiano, suíço e francês. O filme conta a história da família do capitão Von Trapp e foi todo rodado em Salzburg.

Se procurarmos algo sobre colonos austríacos na fundação de Friburgo, nada encontraremos, mas sabemos que entre os suíços que aqui chegaram em 1819 e os alemães, a partir de 1824, alguns estavam presentes, mas por falarem o alemão, foram confundidos com eles. Além do mais, existe uma particularidade a ser dita. O maior representante da colônia austríaca em terras brasileiras foi a Augusta Imperatriz Maria Leopoldina de Habsburg de Orleans e Bragança, que aqui chegou em 5 de novembro de 1817, já casada com o futuro imperador do Brasil, D. Pedro de Orleans. O casamento foi realizado, por procuração, em Viena, em 13 de maio de 1817.

Leopoldina era muito interessada em botânica e trouxe, na sua comitiva muitos botânicos e zoólogos, que vieram conhecer e estudar as terras brasileiras. O problema é que quando esse pessoal retornou a Viena, levaram consigo algumas doenças tropicais desconhecidas na Europa. Isso fez com que a coroa austríaca vetasse a saída de imigrantes para o Brasil. Os que aqui chegaram, juntamente com os suíços e alemães vieram às escondidas, daí não haver menção do seu desembarque entre os fundadores de Friburgo. Somente a partir de 1824, e entre 1876 e 1910, mais de 60 mil imigrantes oriundos da Áustria-Hungria imigraram para o Brasil.

De acordo com Lola, um dos fundadores da Fábrica Filó era austríaco, assim como muitos funcionários que ali trabalharam. Na Ypu e na Arp, muitos vieram da Áustria e nessa última, toda a criação artística era feita por austríacos. Não podemos nos esquecer da Tirolesa Modas, loja tradicional de Nova Friburgo, cujo nome confirma a nacionalidade do seu fundador.

A Áustria é um país sui generes, uma mistura de povos de todos os cantões da Europa, daí em seu território serem faladas várias línguas como o alemão, o italiano, o esloveno, o eslovaco, o húngaro. No entanto, o idioma oficial do país é o alemão, falado por cerca de 98% de seus habitantes. Em 1867, com a anexação da Hungria, foi constituído o império austro-húngaro que sobreviveu até o final da Primeira Guerra Mundial.

Essa mistura de povos germânicos, eslavos e latinos transformou a Áustria num centro cultural por excelência, sobressaindo-se nas artes, na música, na literatura, na gastronomia e nas ciências. Na pintura podemos citar Lwiuduig Czerny e Max Oppenheimer, na música sobressaem Mozart e Johann Strauss (o das valsas como Danúbio Azul e Vozes da Primavera). Seu pai Johann Baptista Strauss era um compositor de polcas, galopes e valsas, não tão famoso como o filho. Na literatura destacamos Franz Kafka, Stefan Zweig e Robert Musil. Na ciência podemos citar Lise Meitner, codescobridora da fissão nuclear.

Mas, é da gastronomia que queremos falar um pouco mais, A culinária austríaca é uma verdadeira obra-prima cultural, em que cada prato traz influências do Império Austro-Húngaro. Essa diversidade cria um festival de sabores que expressa a história e identidade da Áustria. Os pratos austríacos usam ingredientes simples, mas são preparados com cuidado. Isso transforma cada refeição em uma experiência especial.

Ingredientes como batatas, carnes e farinha são combinados de maneira única, criando sabores complexos. Para deixar o leitor com água na boca, vamos citar os mais famosos: Goulash vienense; Sachertorte uma deliciosa torta de damasco com cobertura de chocolate; Wiener Schnitzel, uma fina fatia de carne empanada e frita, é o empanado austríaco; Kasekrainer, uma linguiça recheada com pedaços de queijo e servida grelhada ou frita. E para terminar o famoso Apfelstrudel, a popular torta de maçã servida com creme de leite batido.

Na Praça das Colônias, tenho certeza de que o espaço austríaco tem condições de fornecer maiores informações sobre esse belo país e principalmente sobre a sua culinária.

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Polícias civil e militar fazem uma limpa no Rio de Janeiro

quarta-feira, 05 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Parabéns ao governador Cláudio Castro, às polícias civil e militar pela Operação Contenção de terça feira, 28 de outubro, contra o crime organizado, mais especificamente o CV (Comando Vermelho). Ao contrário do que está divulgando a imprensa mal-intencionada desse país, foi uma manobra bem estudada, planejada (de acordo com o apurado articulada há mais ou menos 60 dias) e desempenhada com grande eficiência.

Parabéns ao governador Cláudio Castro, às polícias civil e militar pela Operação Contenção de terça feira, 28 de outubro, contra o crime organizado, mais especificamente o CV (Comando Vermelho). Ao contrário do que está divulgando a imprensa mal-intencionada desse país, foi uma manobra bem estudada, planejada (de acordo com o apurado articulada há mais ou menos 60 dias) e desempenhada com grande eficiência. Para evitar que a população do morro da Penha pudesse sofrer as consequências, como ser atingida por balas perdidas, os policiais forçaram os bandidos a subirem para uma área de mata, onde já estavam posicionados agentes do Bope (Batalhão de Operações Especiais). Foram computadas 121 mortes, 117 de narcotraficantes e, infelizmente quatro policiais, dois da Polícia Civil e dois da PM. Foram ainda 113 presos e dez menores apreendidos.

A problemática do crime na capital do estado é do conhecimento do Governo Federal desde há muito e que pouco fez até agora, a não ser emitir frases que mostram a verdadeira cara das pessoas, como a do presidente Luís Inácio, que num discurso disse que o traficante é vítima do usuário. Outra besteira foi a comparação feita pelo ministro da Justiça, Ricardo Levandowski, ao comparar a operação Carbono Oculto (trata-se da maior operação contra o crime organizado da história do país em termos de cooperação institucional e amplitude, contra a sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis), em São Paulo com a do Rio. Os marginais paulistas não portavam armas tão letais como os do Rio nem apresentavam o mesmo grau de periculosidade.

O complexo do Alemão e da Penha são considerados um centro de treinamento para os bandidos do CV, que têm a sua disposição armamento pesado muitas vezes muito mais sofisticados do que os da polícia. E, com a ADNF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) de número 635, emitida pelo STF, cujo relator foi Edson Fachin, foi determinada uma série de regras para que a polícia cumprisse a sua função. Na realidade isso abriu as portas das favelas para chefes do CV de outros estados, que passaram a se esconder no Rio de Janeiro, ao serem procurados pelas polícias de seus estados e que continuaram a comandar o tráfico de drogas à distância. Como veremos abaixo, vários deles que foram mortos, vieram de outros estados.

De acordo com o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, na sexta feira já tinham sido identificados 99 corpos no IML (Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto) do Rio de Janeiro, sendo que 78 tinham histórico de crimes graves, incluindo acusações de homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa. Pelo menos 49 estavam foragidos e 39 eram de outros estados (13 do Pará, 7 do Amazonas, 6 da Bahia, 4 do Ceará, 4 de Goiás, 3 do Espírito Santo, 1 do Mato Grosso e 1 da Paraíba). Ou seja, o Rio além de ter de lidar com narcotraficantes locais, ainda recebia os de fora. Foram apreendidos, também, 93 fuzis, que são armas de guerra. A verdade nua e crua é a capital do estado é palco de um guerra urbana que tem de ser enfrentada.

É ridículo o que se viu depois da ação, com relação de alguns deputados e vereadores querendo fazer um minuto de silêncio em homenagem às vítimas. Entendo isso como um ato eleitoreiro, de pessoas que precisam angariar votos para as próximas eleições. Na realidade, vítimas são os quatro policiais que perderam a vida cumprindo o seu dever que era de prender esses narcotraficantes que tanto contribuem para a sensação de medo que toma conta da capital fluminense. São eles Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, 51 anos, conhecido como Máskara, comissário da 53ª DP (Mesquita); Rodrigo Velloso Cabral, 34 anos, da 39ª DP (Pavuna); Cleiton Serafim Gonçalves, 42 anos, 3º sargento do Bope e Heber Carvalho da Fonseca, 39 anos, 3º sargento do Bope.

Os demais mortos tiveram o destino que mereciam ao escolherem o crime como modo de vida; não são dignos de pena em função do mal que já causaram à sociedade, vítima diária desses bandidos. Criminalidade é um problema que existe desde que o homem passou a viver em sociedade, optando pelas cidades para a vida em comum. No entanto, ela sempre foi de um nível aceitável, o problema é que no Rio passou dos limites. São assaltos, tiroteios, balas perdidas que já mataram 11 inocentes em 2025, além do transtorno no trânsito, quando vias são fechadas por causa de perseguições ou tiroteios.

A capital do estado tornou-se uma cidade violenta, que deixa uma sensação intensa de insegurança na população, chegando ao ponto de muitos afirmarem que saem de casa para trabalhar e não sabem se vão voltar. Para comprovar essa afirmação basta conferir o número de cariocas que deixam o Rio e fixam residência em Friburgo.

Muito ajuda quem não atrapalha, digo isso porque Governo Federal, STF, Ministério Público estão a cobrar explicações da ação policial mais letal de que se tem notícia no Brasil, mas na realidade pouco ou nada fizeram para ajudar o Governo do Estado, no combate aos narcotraficantes. Ela se fazia necessária desde há muito, pois o tão propalado estado democrático de direito que essas autoridades gostam de falar, passa pela proteção à vida e a segurança dos moradores. Afinal, são eles, na maioria, que pagam os impostos que fazem a máquina administrativa girar.

É bom que se diga que os que morreram não o foram com requintes de crueldade, tão propalado por algumas autoridades e alguns coleguinhas da imprensa fajuta. Tanto é assim que foram efetuadas 113 prisões, ou seja, quem não resistiu permaneceu vivo. Os que partiram para o enfrentamento, tiveram o que mereciam.

Concluindo, o Governo do Estado fez o que já deveria ter sido feito enquanto o Governo Federal foi incompetente, não teve vontade ou não deu a mínima para a segurança dos cidadãos de bem do Estado do Rio de Janeiro. Enquanto a turma dos direitos humanos, celeiro de esquerdistas, tomar partido dos narcotraficantes e não da população, verdadeiras vítimas da violência, nada mudará.

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João Pessoa não me encantou

quarta-feira, 29 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Nessa nossa viagem ao Nordeste, passamos sete dias na capital da Paraíba, em visita ao meu enteado, que mora lá desde fevereiro. Na realidade, João Pessoa é fruto da ganância imobiliária desenfreada. Da mesma maneira que aconteceu em Friburgo, exaltando sua tranquilidade, seu clima, sua gastronomia, com o intuito de atrair uma imigração maciça e com isso, alavancar o mercado imobiliário, nessa cidade nordestina tão badalada, a recíproca é verdadeira.

Nessa nossa viagem ao Nordeste, passamos sete dias na capital da Paraíba, em visita ao meu enteado, que mora lá desde fevereiro. Na realidade, João Pessoa é fruto da ganância imobiliária desenfreada. Da mesma maneira que aconteceu em Friburgo, exaltando sua tranquilidade, seu clima, sua gastronomia, com o intuito de atrair uma imigração maciça e com isso, alavancar o mercado imobiliário, nessa cidade nordestina tão badalada, a recíproca é verdadeira.

Se no Cônego e Cascatinha todo dia surge um novo empreendimento, o que fez a população desses bairros triplicar, nos últimos dez anos, em João Pessoa a aceleração demográfica também foi importante. Em 2010, a cidade contava com 723.500 habitantes; no último censo em 2022, publicado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) esse número já alcançava 833.900 pessoas. Hoje, com o boom imobiliário em função da propaganda desenfreada sobre as vantagens de se mudar para a capital paraibana, o número de moradores já se aproxima dos 900 mil. Não importa o bairro o que mais se vê são edifícios em construção, seguindo o padrão das grandes capitais brasileiras com apartamentos pequenos entre 50 e 120 metros quadrados, mas com uma grande infraestrutura de apoio nas partes comuns.

O problema é que esse crescimento acelerado, não foi seguido de uma infraestrutura adequada, principalmente na área do saneamento. Assim, nas praias urbanas é possível ver línguas escuras escorrendo pela areia, quando chove na cidade; além disso, as águas do mar têm uma coloração diferente, mais escura, do que aquelas claras e azuladas, característica dos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco. Nas praias mais afastadas, seja no litoral sul ou norte, elas são limpas, mas a coloração da água continua escura.

Aliás, no município de Conde, a 30 quilômetros de João Pessoa encontra-se a praia de Tambaba, conhecida por ser a primeira praia naturista do Nordeste, reconhecida por lei. Essa praia é separada em duas etapas, a primeira quando se chega ao local, muito bonita, com suas pedras ornamentais que lembra Vila Velha, próximo a Curitiba; a segunda etapa é acessível por uma escada a partir da qual só se tem acesso sem roupas. Não ultrapassei essa escada, mas fui informado pela dona de um quiosque próximo, de que aquela parte é muito mais bonita.

Os bairros mais novos de João Pessoa como Manaíra, Bessa, Miramar, Jardim Oceania são bem espaçosos, com ruas e avenidas largas, mas com muitos cruzamentos e sem um número adequado de sinais, o que dá margem a um trânsito caótico e engarrafado, nas horas de pico. A infraestrutura com supermercados, farmácias, padarias, shoppings e restaurantes é boa e não deixa a dever às grandes capitais do Nordeste. Mesmo os preços, seja de imóveis seja de serviços ainda estão dentro do razoável. É claro que não se compara com aqueles que paguei nas cidades pelas quais passei, pois dei preferência aos balneários do interior, fugindo das capitais. Consegui pousadas ou hotéis na média de R$ 250,00 a diária e refeições seja nos quiosques de praia ou em restaurantes, na faixa de R$ 35,00 a R$ 40,00, bebidas à parte. Muito peixe e carne de sol, que para mim é muito mais saborosa que a carne seca. Em João Pessoa, por ser uma capital, pagamos um pouco mais, mas nada comparado aos preços do Rio de Janeiro ou, mesmo, Cabo Frio. Não me empolguei com a cidade, mas essa é uma opinião minha.

A capital da Paraíba, até a década de trinta chamava-se Parayba do Norte, nome esse pela qual era conhecida desde 1654. O nome atual se deve a um episódio trágico, ocorrido na década de trinta do século passado. João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque era o então governador do estado da Paraíba, nomeado que fora por Getúlio Vargas. Ele tinha como adversário político João Dantas que alegando perseguição política a si e a sua família, jurou João Pessoa de morte. O crime se consumou no dia 26 de julho de 1930, dentro da Confeitaria Glória, em Recife, onde o então governador foi abatido com três tiros à queima roupa.

Poucos dias depois do atentado, o bacharel Américo Falcão, que se encontrava no Rio de Janeiro, reagiu à decisão de rebatizar a Praça Comendador Felizardo Leite, localizada no coração da capital paraibana, com o nome de João Pessoa. Achou a homenagem modesta demais diante da grandeza que foi o falecido. Em carta publicada no jornal A União, em 3 de agosto de 1930, propôs uma ideia mais ousada:

“Penso que esta homenagem ainda não significa o nosso afeto, a grandeza do nosso eterno reconhecimento. É preciso mais um passo adiante. Conservemos o nome do velho e illustre paraibano Comendador Felizardo, e façamos o seguinte: Mudemos o nome de nossa capital, para João Pessoa, ficando assim: “Parahyba, capital João Pessoa.””

O que foi feito, ainda em 1930. Mas, pasmem, somente no dia 3 de janeiro de 2025, entrou em vigor uma emenda constitucional que oficializa o nome de João Pessoa como a capital do estado da Paraíba. Essa proposta, de autoria do deputado Hervázio Bezerra, foi aprovada pela Assembleia Legislativa da Paraíba no mês de dezembro de 2024. O principal objetivo da emenda é “encerrar” as discussões e possíveis alterações relacionadas ao nome da capital, que têm gerado debates e controvérsias ao longo dos anos.

A bola da vez agora é Aracaju, Sergipe. A mídia, provavelmente a serviço das grandes construtoras, começa a incensar a capital sergipana, uma das mais modestas do Nordeste. Tudo em nome do boom imobiliário. É viver para ver.

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De volta ao batente

quarta-feira, 15 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Após 30 dias de férias pelo Nordeste, estou de volta. Nossa viagem começou por Porto de Sauipe-BA, aonde chegamos de carro, vindos de Salvador, a capital baiana. O nosso objetivo era João Pessoa-PB, para visitar nosso filho mais velho, que mora nessa cidade, desde fevereiro. Na nossa primeira parada visitamos as praias do Centro, de Santo Antônio e do Forte. A próxima parada foi Estância, em Sergipe, hospedados numa pousada na Praia do Saco. Ali fizemos passeio de buggy pelas dunas, fomos à Lagoa dos Tambaquis que como o nome indica é uma reserva/criadouro do peixe Tambaqui.

Após 30 dias de férias pelo Nordeste, estou de volta. Nossa viagem começou por Porto de Sauipe-BA, aonde chegamos de carro, vindos de Salvador, a capital baiana. O nosso objetivo era João Pessoa-PB, para visitar nosso filho mais velho, que mora nessa cidade, desde fevereiro. Na nossa primeira parada visitamos as praias do Centro, de Santo Antônio e do Forte. A próxima parada foi Estância, em Sergipe, hospedados numa pousada na Praia do Saco. Ali fizemos passeio de buggy pelas dunas, fomos à Lagoa dos Tambaquis que como o nome indica é uma reserva/criadouro do peixe Tambaqui. Pasmem, mas eles são tão domesticados que são capazes de virar de costas e deixar fazer carinho em suas barrigas. São protegidos sendo a pesca e o consumo proibidos. Seguimos para Piaçabuçu onde visitamos um Quilombola, fizemos um passeio pelas dunas com direito a navegar pelo rio São Francisco e ver o seu desague no oceano, além de banhos e caminhadas pela praia.

Seguimos, então para Barra de São Miguel onde visitamos a praia do Gunga com suas falésias coloridas, um passeio de barco para as piscinas naturais de corais, e as principais praias da região. Dali fomos a Pipa, no Rio Grande do Norte. Pipa pode ser comparada a Búzios de 30 anos atrás, com sua rua principal que lembra a Rua das Pedras. Visitamos a praia do Amor, com seu chapadão próximo a ela, de onde se tem uma vista deslumbrante do pôr do sol.

Finalmente, chegamos a João Pessoa, cidade da qual falarei oportunamente. Uma característica de nossa viagem é que por estarmos em balneários do interior, tanto a hospedagem como a comida são de um preço muito em conta. Pousadas variando de R$ 250 a R$ 280 e refeições completas entre R$ 35 a R$ 40 por pessoa, sendo que a peixada, a moqueca, o vatapá e a carne de sol para duas pessoas saindo entre R$ 80 a R$ 100.

No meio da viagem recebi, no meu Whatsapp um artigo que achei interessante e reproduzo abaixo. O texto é muito bom e, infelizmente, aqueles que deveriam, não vão lê-lo.

 

Carta pública do Instituto Lexum (renomada organização de juristas e acadêmicos brasileiros) ao ministro Luís Roberto Barroso

“Fique, Barroso. Tenha a coragem de assistir ao fim do que você começou.

De todas as estratégias possíveis, a mais covarde é a fuga disfarçada de cansaço.

A história está repleta de engenheiros de ruínas que, ao verem o castelo desmoronar, saem pela porta dos fundos, de fininho, como se nada tivessem a ver com os escombros. Mas não, ministro Barroso — o senhor não vai sair assim.

Sabe por quê? Porque cada rachadura no prestígio da Suprema Corte brasileira carrega sua digital. Cada voto em que o juiz se fez legislador, cada frase em que a moral pessoal se travestiu de princípio constitucional, cada vez que a toga pesou mais do que o texto — tudo isso tem sua assinatura intelectual, moldada lá nos tempos de Uerj, quando o senhor, encantado com a living constitution, decidiu ensinar ao país que a Constituição era um romance em construção, escrito por intérpretes iluminados. De uma linha de pensamento ativista, porém respeitável, da tradição jurídica norte-americana, passamos a conviver com um neoconstitucionalismo tupiniquim, com uma demão de verniz acadêmico, mas que bem poderia ser batizado de doutrina do ‘Perdeu, Mané, não amola’.

A prometida ‘recivilização’ do país, por um autodeclarado iluminista, se concretizou em autoritarismo galopante. Pois bem, o romance virou panfleto. A Corte virou trincheira. A Constituição, peça de ocasião. E agora, quando o país finalmente percebe o que aconteceu, o senhor cogita ir embora?

Não, Barroso. Isso não seria prudente. Seria simbólico. E o símbolo que se formaria seria implacável: o autor de uma doutrina que prometeu redenção, mas entregou autoritarismo revestido de empáfia, agora tenta escapar do veredito histórico.

Não como um magistrado que se despede após o serviço cumprido — mas como quem abandona o navio ao ouvir o estalo da madeira.

Roberto Campos, ao comentar a correção monetária, confessou ter criado um carneiro que virou um bode. Ele não se esquivou. Ele olhou para a distorção de sua ideia original e assumiu a paternidade do monstro. Já o senhor, quer sair de cena sem sequer reconhecer que o bode constitucional que nos coube nos últimos anos tem os traços exatos do seu neoconstitucionalismo messiânico.

Portanto, ministro, fique. Fique para ver a extensão da obra. Fique para explicar a erosão da legitimidade. Fique para ouvir a crítica dos que ainda acreditam que juízes devem julgar, não governar. Fique para entender que o Supremo não é palanque nem púlpito.

Ou então saia. Mas saiba: sua saída não será apenas uma aposentadoria precoce. Será uma confissão.”

Uma coisa que me impressionou, nessa viagem, é como tem gente vivendo do bolsa família e outras bolsas criadas pelo PT, o que torna o Nordeste uma capital de ociosos ou de pessoas vivendo na informalidade. Tomei consciência de que o país vai quebrar, em breve, a continuar nesse ritmo.

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D. Leopoldina, primeira imperatriz do Brasil

quarta-feira, 10 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Domingo passado, 7 de setembro, comemoramos os 203 anos da Proclamação da Independência do Brasil, uma data marcante na nossa história e que está diretamente ligada a Maria Leopoldina de Habsburgo. Nascida em Viena, em 1797, foi criada numa das mais importantes cortes da época e educada para exercer o poder, caso um dia fosse necessário. Era uma mulher culta, inteligente e sagaz como demonstrou no seu curto período de vida entre nós. Durante o congresso de Viena, que moldou o novo cenário europeu após o período napoleônico, foi selado o acordo de casamento de D. Pedro e D.

Domingo passado, 7 de setembro, comemoramos os 203 anos da Proclamação da Independência do Brasil, uma data marcante na nossa história e que está diretamente ligada a Maria Leopoldina de Habsburgo. Nascida em Viena, em 1797, foi criada numa das mais importantes cortes da época e educada para exercer o poder, caso um dia fosse necessário. Era uma mulher culta, inteligente e sagaz como demonstrou no seu curto período de vida entre nós. Durante o congresso de Viena, que moldou o novo cenário europeu após o período napoleônico, foi selado o acordo de casamento de D. Pedro e D. Leopoldina, entre as cortes da Aústria e de Portugal.

Em 1817 ela desembarcava no Rio de Janeiro, onde em 13 de maio de 1817 casou-se com Pedro de Alcântara, filho primogênito de D.João VI e futuro imperador do Brasil. Aliás, ela não tinha de nascença o prenome Maria, adotado quando notou que a maioria das mulheres da corte brasileira o tinham em seus nomes e compreendeu que essa seria uma maneira de se integrar mais rápido ao Brasil. Ela amou e dedicou-se ao seu novo país, igual ou, talvez, até mais do que sua terra natal.

Seu período de vida entre nós foi curto, pouco mais de nove anos, mas o suficiente para inscrever o seu nome entre os grandes personagens da história do Brasil. Mesmo com a má vontade dos historiadores republicanos para com os componentes da família imperial brasileira, numa tentativa de eclipsar um dos mais importantes períodos da história do Brasil, os pouco mais de 67 anos de duração do império, sua importância ultrapassa os anais da história. Essa má vontade é fruto da percepção de que o regime imperial representou o período de maior crescimento e importância do Brasil, no cenário mundial, onde chegamos a ser a terceira economia do mundo.

Leopoldina logo percebeu a necessidade do Brasil de se tornar independente e participou ativamente do movimento que culminou com separação definitiva do Brasil de Portugal. Éramos uma terra em ebulição que necessitava apenas de um estopim para explodir. Já tínhamos tido a conjuração baiana, a inconfidência mineira e faltava muito pouco para que a independência se tornasse uma realidade.

Em 19 de agosto de 1822, Pedro parte para São Paulo, na tentativa de acalmar os ânimos acalorados naquela província. Antes de viajar ele nomeia sua esposa para a chefia do Conselho de Estado da corte, com plenos poderes para resolver os problemas que porventura surgissem, em sua ausência. Leopoldina torna-se, assim, a primeira mulher a governar o Brasil e não, como gostam de apregoar os republicanos, Dilma Roussef, de triste lembrança e lambança.

Os acontecimentos evoluíram com rapidez e, em 2 de setembro, foi marcada uma reunião de emergência do Conselho de Estado, diante das exigências da corte portuguesa, que nessa altura já destituíra D.João VI, e determinara a prisão de José Bonifácio, a volta do Brasil à condição de colônia e não mais de Reino Unido e o retorno de D. Pedro para Portugal. Foi nessa reunião que D. Leopoldina assinou o decreto que separava, em definitivo, o Brasil de Portugal, passando a ser uma nação livre. Sim, foi uma mulher, Leopoldina que transformou as terras brasileiras numa nação livre. Portanto, quando em 7 de setembro, às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo, Pedro recebeu a correspondência do Rio de Janeiro e proferiu as célebres palavras: “separo, a partir de hoje, o Brasil de Portugal que terá como lema os dizeres independência ou morte”, ele simplesmente chancelou o decreto que já fora assinado pela sua esposa.

Sou fã de carteirinha de D. Leopoldina, uma das personagens da história do Brasil que eu teria tido vontade de conhecer pessoalmente. Pena que ela faleceu aos 29 anos de idade, em 11 de dezembro de 1826, em consequência de complicações de seu último parto. Tenho certeza de que se tivesse vivido mais tempo, sua contribuição aos destinos do Brasil teria sido muito importante. Sua morte causou comoção indescritível na corte brasileira, segundo relatos da época, pois ela foi uma princesa amada por todas as classes sociais do Brasil império.

Aos leitores: Por motivos de força maior, anteciparei minhas férias de dezembro para setembro, motivo pelo qual estarei ausente até 10 de outubro. Até lá, se Deus assim o quiser.

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