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Quem somos quando ninguém está olhando?

sexta-feira, 08 de maio de 2026
por Paula Farsoun

Há algum tempo, eu tinha a sensação de que as pessoas desejavam construir uma vida. Hoje, desejam construir uma imagem. A diferença parece sutil, mas não é. Ela mudou profundamente a forma como nos relacionamos, trabalhamos, consumimos, amamos e até sofremos. Vivemos em uma era em que, para muitas pessoas, infelizmente, parecer feliz importa mais do que estar em paz. Parecer bem-sucedido vale mais do que sentir-se realizado. Parecer inteligente, elegante, produtivo, forte ou desejável tornou-se quase uma obrigação social. O mundo da aparência não é apenas estético.

Há algum tempo, eu tinha a sensação de que as pessoas desejavam construir uma vida. Hoje, desejam construir uma imagem. A diferença parece sutil, mas não é. Ela mudou profundamente a forma como nos relacionamos, trabalhamos, consumimos, amamos e até sofremos. Vivemos em uma era em que, para muitas pessoas, infelizmente, parecer feliz importa mais do que estar em paz. Parecer bem-sucedido vale mais do que sentir-se realizado. Parecer inteligente, elegante, produtivo, forte ou desejável tornou-se quase uma obrigação social. O mundo da aparência não é apenas estético. Ele é emocional, profissional e moral.

As redes sociais transformaram a vida em vitrine permanente. Tudo precisa ser fotografável, publicável, admirável. O almoço virou conteúdo. A viagem virou prova social. O relacionamento virou exposição. O treino virou performance. Até a dor, hoje, precisa vir acompanhada de filtro, legenda reflexiva e iluminação adequada. Criou-se uma geração que documenta a vida sem necessariamente vivê-la.

Parece que as pessoas não saem mais para descansar; saem para produzir registros de felicidade. Não compram apenas pelo desejo ou necessidade, mas pelo impacto visual e simbólico que aquilo causará nos outros. O consumo deixou de ser material. Tornou-se emocional. Compra-se pertencimento, validação e status.

E talvez um dos aspectos mais tristes desse fenômeno seja a obrigação silenciosa de parecer constantemente bem. Há uma censura emocional contemporânea que impede o cansaço, a vulnerabilidade e o fracasso de existirem de forma legítima. Todos precisam aparentar controle, equilíbrio e sucesso, ainda que estejam emocionalmente exaustos.

A estética da perfeição adoece porque ela é incompatível com a condição humana. Ninguém consegue sustentar felicidade contínua, produtividade absoluta e beleza impecável sem pagar um preço psíquico por isso. Mas, ainda assim, seguimos assistindo pessoas transformarem a própria existência em campanhas publicitárias de si mesmas. E essa lógica não ficou restrita ao universo pessoal. Ela invadiu o ambiente profissional em várias camadas.

Aqui não me proponho a fazer um juízo de valor se isso é bom, ruim, necessário ou qualquer outra coisa. As coisas são como são. E as vejo dessa forma. E claro, por ora, lamento, embora entenda o porquê de tudo isso. Sem dúvida, vejo com preocupação, sobretudo em relação aos mais jovens, às pessoas em formação. Felicidade boa é aquela que a gente sente dentro da gente. Aquela que a gente identifica e sorri. Que compartilha com quem se importa com ela. Felicidade boa é sentida e não fabricada, produzida e compartilhada com quem nem sabem quem somos.

O ponto de reflexão não está em comunicar, posicionar-se ou construir imagem. Isso faz parte do mundo contemporâneo. O problema começa quando a imagem substitui a essência. Quando a embalagem se torna mais importante do que o conteúdo. Quando parecer competente vale mais do que estudar. Quando parecer feliz importa mais do que estar emocionalmente saudável.  Diante dessa realidade que todos estamos vivendo, quem somos quando ninguém está olhando?

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Neurose de angústia

quinta-feira, 07 de maio de 2026
por Cesar Vasconcellos

Neurose de angústia era o que hoje se entende como sofrimentos classificados no grupo dos transtornos de ansiedade. Ela é um estado persistente de preocupação, tensão interna, inquietude, muitas vezes sem causa palpável, podendo ser uma ansiedade desproporcional ao que acontece na vida da pessoa no momento.

Ansiedade excessiva é diferente do medo que surge diante de um perigo real e imediato. Algumas vezes pode estar ligada ao fato da pessoa ficar imaginando coisas ruins que acha que podem acontecer.

Neurose de angústia era o que hoje se entende como sofrimentos classificados no grupo dos transtornos de ansiedade. Ela é um estado persistente de preocupação, tensão interna, inquietude, muitas vezes sem causa palpável, podendo ser uma ansiedade desproporcional ao que acontece na vida da pessoa no momento.

Ansiedade excessiva é diferente do medo que surge diante de um perigo real e imediato. Algumas vezes pode estar ligada ao fato da pessoa ficar imaginando coisas ruins que acha que podem acontecer.

Neurose é um estreitamento da personalidade, um encolhimento do eu. É um sofrimento ligado a conflitos inconscientes que surgem, em grande parte, das experiências traumáticas ao longo da infância nas relações importantes iniciais da vida. Na visão psicanalítica, a neurose aparece quando esses conflitos não são resolvidos de forma saudável, sendo reprimidos, e retornando de maneira indireta na forma de sintomas emocionais ou no comportamento.

Nessa interpretação analítica, a ansiedade é vista como um sinal de alerta interno, indicando que conteúdos inconscientes, muitas vezes ligados a desejos proibidos ou experiências dolorosas, estão tentando vir à consciência. Para evitar esse desconforto, o ego reprime, nega, projeta e racionaliza. Esses mecanismos têm a função de proteger o indivíduo, mas, o uso excessivo ou rígido gera sintomas neuróticos, como fobias, obsessões, insegurança, dificuldades nos relacionamentos.

A psicoterapia psicodinâmica busca tornar conscientes esses conflitos inconscientes, ajudando a pessoa a compreender as raízes emocionais de seus sintomas. Vindo à consciência o que estava reprimido, ela ganha mais liberdade interna e capacidade de escolha, podendo ter alívio ou resolução de sintomas.

O objetivo de um bom tratamento não é simplesmente suprimir a ansiedade, mas promover autoconhecimento, integração emocional e formas mais saudáveis de lidar com os próprios conflitos, permitindo uma melhor qualidade de vida mental.

Os sintomas da neurose de angústia envolvem aspectos físicos e psicológicos. Os sintomas físicos mais comuns são taquicardia, respiração acelerada, tensão muscular, sudorese e sensação de aperto no peito, doenças autoimunes. No campo mental, surgem pensamentos repetitivos, preocupação excessiva, dificuldade de concentração, irritabilidade, falta de serenidade com sensação constante de que “algo ruim vai acontecer”. Em alguns casos ocorrem crises mais intensas, como ataques de pânico, geralmente associado à ideia de morte por ataque cardíaco.

Dentre as causas da ansiedade excessiva estão a predisposição genética, desequilíbrios químicos no cérebro, experiências traumáticas, estresse prolongado e padrões de pensamento negativos aprendidos. Sobrecarga de estímulos, como uso excessivo de telas, insegurança emocional, pressão social e problemas não resolvidos contribuem para o desenvolvimento e manutenção dessa ansiedade.

O tratamento envolve a psicoterapia, que sendo cognitivo-comportamental ajuda a identificar e modificar padrões de pensamento distorcidos, doentios. A psicoterapia psicodinâmica contribui para a tomada de consciência de conflitos que produzem os sintomas. Técnicas de relaxamento, como respiração profunda, auxiliam no controle dos sintomas físicos.

A prática regular de exercícios físicos ao ar livre, fortalecer vínculos sociais, uma rotina equilibrada, dieta saudável e a redução de estímulos excessivos também são importantes. Em casos graves de ansiedade, pode ser necessário acompanhamento psiquiátrico com uso de medicação temporária.

Auxilia muito a redução da ansiedade excessiva a busca de desenvolvimento espiritual, com práticas como a oração, meditação em textos bíblicos e fazer trabalho voluntário que ajuda a aliviar o sofrimento dos outros.

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Cesar Vasconcellos de Souza

doutorcesar.com
youtube.com/claramentent
IG @claramentent
Tik-Tok claramentent

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Recorde

quinta-feira, 07 de maio de 2026
por Vinicius Gastin

Jogos Escolares têm maior número de inscritos este ano

O Jerj (Jogos Escolares do Rio de Janeiro), maior competição esportiva estudantil do estado, bateu recorde de inscrições para a edição de 2026: ao todo 10.524 participantes, um total de 1.182 a mais que no ano passado. Organizado pela Secretaria estadual de Esporte e Lazer, em parceria com a Federação de Esportes Estudantis do Rio de Janeiro, o evento chega ao seu terceiro ano consecutivo.

Jogos Escolares têm maior número de inscritos este ano

O Jerj (Jogos Escolares do Rio de Janeiro), maior competição esportiva estudantil do estado, bateu recorde de inscrições para a edição de 2026: ao todo 10.524 participantes, um total de 1.182 a mais que no ano passado. Organizado pela Secretaria estadual de Esporte e Lazer, em parceria com a Federação de Esportes Estudantis do Rio de Janeiro, o evento chega ao seu terceiro ano consecutivo.

O Jerj terá um novo formato de execução, que tem como objetivo aumentar a participação dos estudantes de todas as instituições de ensino, públicas e privadas, em atividades esportivas, além de promover uma ampla mobilização da comunidade estudantil em torno do esporte.

No ano passado, a competição, que é gratuita e aberta a estudantes de 11 a 17 anos da rede básica de ensino, contou com 9.342 inscrições das cinco regiões do estado. “Esse crescimento expressivo, com mais de mil novos inscritos em relação ao ano passado, reforça o impacto positivo desse novo formato. Nosso objetivo é justamente esse: incluir mais estudantes, de escolas públicas e privadas, e fortalecer a cultura esportiva dentro e fora das salas de aula”, destacou o secretário de Esporte e Lazer, Rodrigo Scorzelli.

Novas modalidades

A previsão é de que os Jogos Escolares comecem no último fim de semana deste mês. Este ano, o número de modalidades esportivas aumentou, passando de 21 para 24, com a entrada da esgrima e do remo virtual, que serão coordenadas pelas respectivas federações estaduais, e da inclusão efetiva da categoria Águas Abertas.

“Seguimos no Jerj toda a grade de competição dos Jogos da Juventude e do Jogos Escolares Brasileiros. Até o ano passado, os atletas que competiam em Águas Abertas eram os inscritos na natação. Agora, vamos promover essa modalidade para que eles possam ter um desempenho ainda melhor”, explicou o coordenador do Jerj, João Lucas Orsay.

Premiação

Além de troféus e medalhas, os vencedores ganham a oportunidade de representar o Rio de Janeiro nos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs), organizado pela Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE), e Jogos da Juventude, organizado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB).  O projeto não tem custo para as escolas e os alunos recebem um kit participante cedido pela Secretaria estadual de Esporte e Lazer, que também presta apoio logístico.

Os locais e as datas de competição estão disponibilizados no Boletim Oficial do Jerj (acessível no site jerj.com.br). O programa esportivo contará com um amplo conjunto de modalidades individuais e coletivas. Entre as individuais estão Águas Abertas, Atletismo, Atletismo Adaptado, Badminton, Ciclismo, Ginástica Artística, Judô, Karatê, Natação, Taekwondo, Tênis de Mesa, Tiro com Arco, Triathlon, Wrestling e Xadrez, além da Ginástica Rítmica no feminino. Já nas modalidades coletivas, destacam-se Basquetebol, Futsal, Handebol, Voleibol e Vôlei de Praia.

Etapas

Os Jogos Escolares do Rio de Janeiro serão realizados em duas etapas, sendo a primeira regional, com competições nas Regiões Metropolitana I, Metropolitana II, Serrana/Lagos, Norte/Noroeste e Sul Fluminense. Os primeiros colocados nas etapas regionais (pré-classificatórias) serão selecionados para a segunda etapa, a estadual. É de lá que sairão os estudantes que vão representar o estado (pelo TimeRJ) nas competições nacionais. A grande final do Jerj será disputada na capital fluminense.

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    Competição irá reunir milhares de estudantes por diversas regiões do Rio (Fotos: Divulgação / Governo do Rio)

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    Jogos acontecem em fases regionais em sua primeira etapa (Fotos: Divulgação / Governo do Rio)

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O amor que não tira folga

quinta-feira, 07 de maio de 2026
por Lucas Barros

Há datas que chegam com flores, mensagens prontas e fotografias bonitas. O Dia das Mães é uma delas. Mas, por trás das homenagens, no próximo domingo, 10, existe algo que não cabe em legenda: a rotina silenciosa de quem nunca teve a opção de não cuidar. Porque ser mãe não é um evento — é um estado permanente, contínuo, que não se suspende ao fim do dia.

Há datas que chegam com flores, mensagens prontas e fotografias bonitas. O Dia das Mães é uma delas. Mas, por trás das homenagens, no próximo domingo, 10, existe algo que não cabe em legenda: a rotina silenciosa de quem nunca teve a opção de não cuidar. Porque ser mãe não é um evento — é um estado permanente, contínuo, que não se suspende ao fim do dia.

Mãe não bate ponto, não encerra expediente, não escolhe quando pode descansar. Está presente no café apressado antes da escola, no uniforme separado na noite anterior, no remédio dado na madrugada, no conselho que vem sem manual. Está no cuidado que ninguém vê, mas que sustenta tudo o que a gente é. E, muitas vezes, está também no cansaço que ninguém aplaude.

Há uma força quase invisível no gesto de repetir, todos os dias, as mesmas pequenas coisas. Arrumar, organizar, insistir, orientar, acompanhar. Enquanto o mundo corre atrás de grandes conquistas, mães seguem garantindo o básico — e o básico, quando falta, faz falta de verdade. É ali, no detalhe, que a vida se constrói.

Nem sempre é leve. Nem sempre é reconhecido. Há mães que trabalham fora e dentro de casa, equilibrando jornadas que não cabem em relógio. Há mães solo que acumulam funções, responsabilidades e silêncios. Há mães que renunciaram a planos, pausaram sonhos, reorganizaram caminhos. E há também aquelas que aprenderam a ser mãe sem nunca terem sido cuidadas. E, ainda assim, seguem.

Ser mãe não é perfeição. É presença. É tentativa. É erro e acerto no mesmo dia. É fazer o melhor possível com o que se tem — e, muitas vezes, com o que nem se tem. É encontrar força onde não parecia haver, é improvisar soluções, é seguir mesmo quando o corpo pede pausa.

Existe, também, um tipo de amor que só a maternidade revela. Um amor que não exige resposta imediata, que não cobra retorno proporcional, que se constrói na entrega diária. É o amor que ensina, que corrige, que acolhe e que, acima de tudo, permanece — mesmo quando não é compreendido.

E talvez o mais curioso seja que esse amor, tão cotidiano, só ganha destaque em uma data específica. No restante do ano, ele continua ali, firme, sustentando histórias, segurando pontas, evitando quedas. O extraordinário, no caso das mães, é justamente o que se repete. É a constância.

Há mães de todos os tipos. Mães biológicas, adotivas, de coração. Mães que estão presentes fisicamente e aquelas que permanecem na memória, nas frases repetidas sem perceber, nos gestos herdados. Mães jovens, mães mais velhas, mães que ainda estão aprendendo, mães que já ensinaram tudo — e continuam ensinando.

E há também aquelas que, mesmo não tendo filhos, exercem o cuidado de forma tão intensa que ocupam esse lugar na vida de alguém. Porque ser mãe, no fundo, também é sobre cuidar, proteger, orientar e amar com uma intensidade que não se mede.

O Dia das Mães deveria ser menos sobre presentes e mais sobre compreensão. Sobre enxergar o que costuma passar despercebido. Sobre reconhecer que existe um trabalho — emocional, físico, constante — que raramente entra em qualquer cálculo, mas que sustenta famílias inteiras, que molda futuros, que forma pessoas.

Porque, no fim, mãe não é só quem cria. É quem permanece. É quem segura quando tudo parece cair, quem orienta quando falta direção, quem insiste quando o mundo desiste. É quem transforma cuidado em estrutura, afeto em base, presença em caminho.

E talvez o maior erro seja achar que esse amor cabe em um domingo. Que pode ser resumido em uma homenagem, em um presente, em uma postagem.

Porque o amor de mãe não é data comemorativa. Não é gesto isolado.
Não é ocasião. É rotina. É presença. É construção silenciosa.

É o tipo de amor que não tira folga — e que, ainda assim, nunca deixa de estar.

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O consumo anestésico de cada dia

quarta-feira, 06 de maio de 2026
por Camilla Fiorito

Consumimos música, livros, filmes, roupas, comida, bebidas, tecnologia analógica e digital diariamente. Gastamos nosso tempo nos alimentando de futilidades e utilidades, moldando o nosso cérebro com aquilo que achamos que queremos.

Um consumo desenfreado como se as preocupações, tristezas, problemas fossem desaparecer por alguns minutos. Como um caminhar nas lindas plantações de lavanda, onde o cheiro suave relaxa o nosso ser de forma profunda, despertando sonhos e prazeres que muitas vezes guardamos em segredo.

Consumimos música, livros, filmes, roupas, comida, bebidas, tecnologia analógica e digital diariamente. Gastamos nosso tempo nos alimentando de futilidades e utilidades, moldando o nosso cérebro com aquilo que achamos que queremos.

Um consumo desenfreado como se as preocupações, tristezas, problemas fossem desaparecer por alguns minutos. Como um caminhar nas lindas plantações de lavanda, onde o cheiro suave relaxa o nosso ser de forma profunda, despertando sonhos e prazeres que muitas vezes guardamos em segredo.

Sim, o consumo traz essa paz momentaneamente, mas pode virar o pior pesadelo. Nas contas, no guarda roupa, na pele, na vida. Internamente e externamente.

Lembro dos meus 17 anos quando eu trabalhava em uma loja de roupas, na Rua Ariosto Bento de Mello, na nossa Nova Friburgo. As calças vendidas no espaço eram objetos de desejo de muitos, assim como eram os meus antes de trabalhar lá. Já as vestia desde os 13 anos. Presenciei ali pessoas consumindo, consumindo e consumindo. Com controle, sem controle. Semanal, quinzenal, mensal, esporadicamente.

O que consumimos molda o nosso futuro. Nos anestesia ou não nessa prática da vida. Comportamentos perpetuam, cessam, se renovam e estar anestesiado hoje nos coloca em uma inércia galopante.

A cultura que deixamos de ter, os conhecimentos que escolhemos não reter, a alienação que optamos sem perceber, visto o tanto que os algoritmos trabalham a esse favor nas redes sociais, que consomem boa porção do dia de muitos que fazem parte desse mundo insano e sano.

Desenvolver a criticidade nos faz questionar o porquê do consumo. Se é necessário ou não. Se combina ou se é imposto por uma moda que não queremos seguir. Se só existe uma fonte de conhecimento ou muitos canais que podemos pesquisar. Se realmente gostamos daquilo que está nos sendo oferecido ou apenas queremos ser aceitos naquele ambiente, onde hipoteticamente acreditamos ser o melhor lugar.

Não aceitar o consumo como anestésico é dar voz ao seu eu que estava adormecido. É passar a se impor, deixando entrar aquilo que faz bem, traz sentido. O que você permite e quer.

É não se deixar alienar diante de moldes impostos e prontos. É questionar, impor limites e ter a certeza que a sua opinião é válida, assim como os seus desejos e vontades de consumir aquilo que lhe convém e cai bem.

É dar adeus para a apatia e a indiferença e deixar as emoções entrarem, como a natureza que nos envolve com o doce perfume que as flores exalam no nosso caminhar.

Até a próxima quarta!

……..

Contato

Site: www.camillafiorito.com.br

Instagram: @camilla.fioritoeduc

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Padre Jacob Joÿe, primeiro pároco de Nova Friburgo.

quarta-feira, 06 de maio de 2026
por Max Wolosker

Uma explicação para com a pronúncia correta do nome do padre Joÿe. As palavras em francês, com oi se pronunciam abertas, por exemplo oiseaux se pronuncia “uasou”. Quando têm um trema em cima do i ou y a pronúncia é fechada, daí o nome dele ser joie e não jua.

Uma explicação para com a pronúncia correta do nome do padre Joÿe. As palavras em francês, com oi se pronunciam abertas, por exemplo oiseaux se pronuncia “uasou”. Quando têm um trema em cima do i ou y a pronúncia é fechada, daí o nome dele ser joie e não jua.

Portugal era e ainda é um país católico e daí que nas suas expedições marítimas, sempre tinha um padre a bordo. Quando as primeiras naus saíram do lago de Estavayer-le Lac, na Suíça, rumo ao Brasil, em 1819, pelo menos dois sacerdotes foram embarcados, em virtude do acordo feito entre o governo de D. João VI e o cantão de Fribourg.

Nele constava que os imigrantes deveriam ser católicos apostólicos romanos, daí a presença dos abades Jacob Joÿe e Joseph Aeby. Infelizmente Aeby morreu em Santo Antônio de Sá, quando se banhava no Rio Macacu, às vésperas de chegar ao seu destino. Portanto Jacob, em virtude de um infortúnio, se tornou o primeiro padre da Vila de Nova Friburgo.

Joÿe é um grande personagem dos primórdios da história de Friburgo, sendo imputado a ele duas obras que permanecem até hoje na memória da cidade, além da sua participação ativa no desenvolvimento sócio político da cidade. Interessante é que ele exercia seu ofício em Villaz-St-Pierre (Suíça) e aceitara, para surpresa de seus paroquianos, trocar a Europa pela aventura do Novo Mundo.

Primeiro vigário da matriz

De acordo com o site https://diocesenf.org.br/catedral-diocesana-sao-joao-batista/, “a pedido de Dom João VI, a paróquia da Vila de Nova Friburgo deveria ser dedicada a São João Batista, porque o rei e sua família eram seus devotos – daí o seu nome de batismo”.

“O primeiro vigário da Matriz foi o padre Jacob Joÿe e a pequena capela estava situada numa subida chamada “Chatô” (hoje Colégio Anchieta). Distando cerca de dois quilômetros do centro da Vila era um lugar de difícil acesso e, ao chover, era impossível subir até lá (isto em 1820). Esta circunstância dificultava as celebrações religiosas o que desagradava ao padre Joye e aos fiéis”.

Vale a pena assinalar que Jacob cansado de solicitar, à Coroa Portuguesa, a construção de uma igreja, transferiu as cerimônias religiosas para as dependências da Câmara. Por doação do então Barão de Nova Friburgo, num terreno situado na atual Praça Dermeval Moreira, foi construída a nova Igreja Matriz, cuja duração levou oito anos, sendo inaugurada em 8 de dezembro de 1869, três anos após a morte de seu idealizador.

Uma curiosidade em torno dessa obra: nosso primeiro pároco recebeu muito mal o pastor Friedrich Sauerbronn, representante da Igreja Luterana e que veio com os colonos alemães para Nova Friburgo; para piorar a relação entre eles, a primeira igreja luterana do Brasil, foi fundada em 1858 (11 anos antes da sua congênere católica), e foi utilizada até 1952, quando foi inaugurado o novo templo.

Estes aspectos legais envolvendo religiosidade e administração pública imperial trouxeram alguns aborrecimentos e entraves na vida das pessoas. Não custa lembrar que entre os suíços havia pessoas que confessavam o protestantismo, mas assinaram um documento de abjuração como condição de imigração e que, com a chegada dos protestantes alemães, alguns destes se encorajaram para voltar a sua origem religiosa que no íntimo nunca haviam abandonado. E estes acontecimentos produziram ressentimentos e desconfianças entre as denominações religiosas da época.

Fundação da Loja Maçônica

O segundo feito de importância do Padre Jacob, foi a sua participação na fundação da Loja Maçônica Indústria e Caridade, nº 49, de Friburgo. No Brasil, a Maçonaria chega em princípios do século 19 e Nova Friburgo recebeu uma das primeiras lojas maçônicas, daí o número 49. Curiosamente foi o padre Jacob Joye, guia espiritual dos colonos suíços que participou da fundação da maçonaria na vila da Nova Friburgo, em 2 de janeiro de 1839, onde exerceu o cargo de 1º tesoureiro.

Qual teria sido a razão para ele participar de uma loja maçônica em tão pacata vila, antes mesmo da importante Cantagalo? Possivelmente para criar uma instituição que auxiliasse os colonos suíços já que a administração colonial havia sido extinta em 1831. Como os suíços ficaram, desde então, sob a administração da Câmara Municipal, provavelmente, o padre viu na maçonaria uma forma de prover e amparar os colonos.

Ele também teve aspirações políticas, tanto que, por força da lei de 10 de outubro de 1828, iria se proceder, através dos “homens bons”, a primeira eleição municipal da história da vila. Dentre 305 eleitores que votavam em mais de um candidato, o vigário Joÿe, que também aspirava o cargo de prefeito da cidade, teve cinco votos a menos que o eleito Jean Bazet, que como já foi dito, anteriormente, foi o primeiro médico da vila de Nova Friburgo, apesar de francês de origem.

Naquela época, o vereador com maior número de votos tornava-se o mandatário da vila No entanto, se não foi prefeito ficou como vereador, sendo reeleito várias vezes até que seu temperamento irrequieto o levou a uma pífia votação, em 1837. A partir daí termina sua participação na política da cidade. 

Em meados de 1840, o guia espiritual dos colonos suíços foi atraído pela tradição de fé e devoção, dos imigrantes oriundos da Europa Central e região mediterrânea, principalmente genoveses, napolitanos e venezianos, estabelecidos em São José do Ribeirão, na época pertencente à Vila de Nova Friburgo. Deixou, então a Vila de Friburgo e mudou-se para aquela localidade. Muito arraigado às causas sociais, o Padre Jacob Joÿe sempre utilizava as arrecadações em prol dos órfãos e viúvas, alforrias e libertação de vários homens de origens diversas.

Ele faleceu em 8 de julho de 1866, aos 75 anos de idade; seus restos mortais repousam nas dependências da Paróquia de São José do Ribeirão, hoje pertencente ao município de Bom Jardim.

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Tropeço

quarta-feira, 06 de maio de 2026
por Vinicius Gastin

Frizão é superado em casa, mas segue vivo na Série B2 Sub-20

A boa sequência de vitórias consecutivas do time Sub-20 do Friburguense foi interrompida. Jogando em casa na última sexta-feira, 1º, o Tricolor da Serra acabou sendo superado pelo 7 de Abril, pelo placar de 2 a 0. A partida, no estádio Eduardo Guinle, foi válida pela quinta rodada da competição.

Frizão é superado em casa, mas segue vivo na Série B2 Sub-20

A boa sequência de vitórias consecutivas do time Sub-20 do Friburguense foi interrompida. Jogando em casa na última sexta-feira, 1º, o Tricolor da Serra acabou sendo superado pelo 7 de Abril, pelo placar de 2 a 0. A partida, no estádio Eduardo Guinle, foi válida pela quinta rodada da competição.

Mesmo com o placar adverso, o Frizão ainda segue com chances reais de terminar entre os quatro primeiros colocados e carimbar uma vaga nas semifinais do Estadual. A equipe ocupa atualmente a quinta posição na tabela, com seis pontos ganhos, três a menos que o quarto colocado, 7 de Abril. O Santa Cruz lidera com 13 pontos, seguido por Paduano e Belford Roxo, ambos com 12.

Novo desafio nesta quinta-feira

Restando duas rodadas para o fim da Taça Maracanã, o Friburguense volta a campo nesta quinta-feira, 7, às 15h, no estádio Claudio Moacyr, em Macaé. O adversário da última rodada será o Santa Cruz, no dia 14, em Nova Friburgo.

Nesta quinta rodada, o Friburguense foi escalado pelo técnico Gedeil com Rhuan, Danilo, Yuri, Kauã e Iago Botelho; Renan, Ryan, João Bom e Arthur Fábio; Fernandinho e Marcio.

A competição conta com oito equipes, que se enfrentam em turno único, classificando quatro para as semifinais e finais. Além do Frizão, participam 7 de Abril, Rio de Janeiro, Paduano, Belford Roxo, Santa Cruz, Serra Macaense e Paraty.

O campeonato é disputado em três fases: Taça Maracanã, Semifinal e Final. Ao término das sete rodadas, o primeiro colocado em pontos ganhos será declarado campeão da Taça Maracanã. Os quatro melhores classificados disputarão a semifinal do campeonato.

Série C profissional

Cinco equipes venceram na rodada de estreia da Série C Estadual. A competição teve início no último domingo, 3, e vai definir quatro dos adversários do Friburguense na disputa da Série B2 deste ano. Campos, Cardoso Moreira, Itaboraí Profute, Ceres e Vera Cruz começaram a competição batendo seus adversários, e largaram na frente.

Na partida que abriu a competição, o Ceres derrotou o Barcelona, por 2 a 0, na Rua Bariri. Outro destaque foi o triunfo do Profute sobre o Rio Barra, por 3 a 0, no Joaquim Flores, em Nilópolis. No Aryzão, em Campos dos Goytacazes, o Campos superou o Barra Mansa, por 1 a 0.

Já o Vera Cruz bateu o Independente, por 1 a 0, no Atílio Marotti, em Petrópolis. No Ferreirão, em Cardoso Moreira, o time da casa estreou vencendo o União Central também por 1 a 0.

Duas partidas terminaram empatadas. Em Xerém, distrito de Duque de Caxias, no Los Lários, Tigres do Brasil e Búzios ficaram no 0 a 0. Por sua vez, no Ronaldo Nazário, Brescia e CAAC Brasil empataram em 1 a 1.

 

Tabelão do Friburguense Sub-20

Friburguense 1 x 2 Paduano, Eduardo Guinle

Belford Roxo 3 x 2 Friburguense, Nélio Gomes

Friburguense 3 x 2 Rio de Janeiro, Eduardo Guinle

Paraty 0 x 4 Friburguense, Nélio Gomes

Friburguense 0 x 2 Sete de Abril, Eduardo Guinle

07/mai - Qui - 15h - Serra Macaense x Friburguense, Cláudio Moacyr

14/mai - Qui - 15h - Friburguense x Santa Cruz, Eduardo Guinle

 

Foto da galeria
Frizão tropeça em casa, mas segue vivo na briga pelas semifinais da B2 Sub-20 (Foto: João Laurentino)
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A VOZ DA SERRA é trabalho e dedicação por Nova Friburgo

terça-feira, 05 de maio de 2026
por Elizabeth Souza Cruz

O quinto mês do ano começou festejando o Dia do Trabalhador. Silvério, atento ao calendário, assinalou o 1º de maio na capa da edição do último fim de semana, dando à data o destaque merecido. O trabalho está em todos os lugares e setores. Movimentando pessoas, criando agendas, demandando reuniões, planejamentos e não há quem escape de suas artimanhas.

O quinto mês do ano começou festejando o Dia do Trabalhador. Silvério, atento ao calendário, assinalou o 1º de maio na capa da edição do último fim de semana, dando à data o destaque merecido. O trabalho está em todos os lugares e setores. Movimentando pessoas, criando agendas, demandando reuniões, planejamentos e não há quem escape de suas artimanhas. A VOZ DA SERRA é um exemplo de trabalhador incansável que, nem bem concluiu uma edição, já idealiza a próxima e assim vai numa sucessão de trabalhos que geram demandas e exigem foco, clareza, responsabilidade e muito empenho de toda a equipe. Parabéns a todos.

O Caderno Z, da mesma forma, é um trabalhador que vai fundo nas pesquisas para nos trazer um conteúdo digno de sua proposta de transmitir a arte em toda a sua essência. Em “Personalidade”, Marília Cabral, jornalista “de profissão e fotógrafa por vocação” , tem maior identificação com a sensibilidade de “perceber aquilo que o tempo costuma tentar a apagar”, do que com o seu próprio equipamento fotográfico. Para Vitor Buzato “o reconhecimento do trabalho está quando tudo acontece como deve acontecer: o som limpo, a iluminação correta e o espetáculo fluindo sem interrupções”. A recompensa!

Em “Vozes da Serra” Rayune Marchon, tatuadora e desenhista, entende que a arte “não é restrita, não é coisa que se domestique ou que se atenha a um grupo social... A arte é impulso, coisa que nasce da necessidade humana de se expressar, de levar a mente a lugares onde o corpo não chega...”. Barbara Breder vê “ que a arte permite que a gente crie habilidades para lidar no coletivo, ter a possibilidade de efetivar um roteiro, um sonho, um projeto, tornar as coisas tangíveis e palpáveis... “.

Já Rebeca Lorenzon atua na “arquitetura do movimento”. Seu trabalho é lapidar a confiança e a técnica  para que a transição entre o camarim e o holofote seja impecável...”.  Assim percebemos que há muita luz nos bastidores; do início ao fim, o bastidor é o caminho, tudo passa por ele!

Deixamos o Caderno Z com a arte na alma, e vamos para 1976, em “Há 50 anos”, quando Júlio Cesar Seabra Cavalcante, o inesquecível Jaburu, era destaque, aclamado por sua brilhante atuação no teatro e pela cultura friburguense. Em “Sociais” , na próxima quarta-feira, 6, é o aniversário da querida Maria Nilce Ventura, que forma par romântico com o prezado Coutinho. O casal é destaque na ruas de Nova Friburgo. A doce Maria Nilce, nossa coluna deseja muitas felicidades e saúde. Parabéns também para o Igor Belório, nesta terça, 5, festejando idade nova. Outro sempre querido, Joel de Sá Martins vai celebrar o Dia das Mães com homenagens especiais no seu programa “Relembrando Teixeirinha”, na Nova Friburgo FM, no próximo sábado, 9.  Que beleza!

“Do crachá ao CNPJ, o novo retrato do trabalhador brasileiro” está mudando de figura. Em âmbito nacional, o aumento de pequenas empresas passou a ser um grande negócio.  Em Nova Friburgo, da mesma forma,  o crescimento de MEIs (microempreendedores individuais) é uma realidade.

Um exemplo é Luna Teixeira, de 36 anos, que deixou seu emprego de funcionária do comércio para se embrenhar na arte dos bolos. Sua cozinha virou palco das produções, mas ela confessa que não tem mais aquela segurança trabalhista de antes, pois se não produzir também não ganha. E acrescenta: “Hoje preciso trabalhar,  planejar para tudo, até para ficar doente...”. Amiga, planeje tudo sim. Menos ficar doente!

Com Paula Farsoun, minha amiga, sobre o Dia do Trabalho, um destaque: “Celebrar o trabalho é também uma maneira de reconhecer a centralidade que ele ocupa na vida humana. É por meio dele que se constrói autonomia, identidade e pertencimento social...”. O trabalho não é só o pão de cada dia...É o fermento do espírito que nos faz crescer...

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As mães e as gemas de ovos

terça-feira, 05 de maio de 2026
por Tereza Malcher

Estava pensando no que haveria de escrever para esta coluna na semana do Dias das Mães, celebrado no próximo domingo, 9. Trata-se de uma merecida homenagem a quem nos gerou, nos criou, deu-nos presença ou um beijo todas as noites. Na verdade, vale a pena, enviar um aceno a todas as mães. Enfim, se biológica ou não, um gesto que possa homenagear as mulheres que se fazem mães, que têm a vontade de preparar alguém para a vida com suavidade e determinação.

Estava pensando no que haveria de escrever para esta coluna na semana do Dias das Mães, celebrado no próximo domingo, 9. Trata-se de uma merecida homenagem a quem nos gerou, nos criou, deu-nos presença ou um beijo todas as noites. Na verdade, vale a pena, enviar um aceno a todas as mães. Enfim, se biológica ou não, um gesto que possa homenagear as mulheres que se fazem mães, que têm a vontade de preparar alguém para a vida com suavidade e determinação.

Para reverenciá-las, vou relatar uma relação mãe e filho que presenciei num ônibus. Ela, bem nova, de cabelos lisos que escorriam ombros abaixo, vestida de jeans, blusa de tecido e casaco nas costas. O menino, seu filho, moreno de olhos vivos e calças compridas, com uns cinco anos, não mais. Os dois iam sentados atrás de mim, conversando como bons amigos. Reparei que eram mãe e filho porque ele a chamou de mãe algumas vezes. Não soube seus nomes, nem se eram da cidade. Ele perguntava sobre os detalhes e fatos da vida.  Ela, com calma, respondia a um número sem fim de perguntas, fazendo questão de explicar; não se cansava nem pedia um tempo para apreciar a paisagem da serra.

Na conversa, ela corrigia alguns pequenos erros de português que o filho cometia e pedia para que ele repetisse a frase corretamente. Ele continuava a perguntar com firmeza, demonstrando tranquila satisfação. Possivelmente, para os dois, era um momento descontraído, tanto quanto o de saborear algodão doce num passeio pela praça.

A cada curva, ia notando naquelas duas pessoas em suas diferenças e simplicidades, em suas vontades de aproveitar cada instante daquela manhã de domingo ensolarado, o Dia das Mães. Somente os dois; um se fazendo presente ao outro. Eles viviam um estado de plenitude. Estavam com o mundo nas mãos, quando um alimentava o outro com nutrientes, como os das gemas de ovos vermelhos.

Num determinado momento, ele perguntou se poderia ficar de pé no assento para ver melhor a paisagem. Ela disse não e explicou que não se deveria colocar as solas de sapatos no lugar onde outras pessoas iriam se sentar. Ele concordou. E continuou com as perguntas.

Em Cachoeiras de Macau, eles desceram e não perceberam que eu estava ali, admirando-os. Reconhecendo o fazer-se mãe, num momento tão comum, quanto sábio.

O fazer-se mãe é um estado especial. O livro de uma amiga, Andrea Viviana Taubman, “Sonho de Mãe”, me chama a atenção, uma vez que conta para as crianças a experiência de ser mãe, belamente ilustrado por outra amiga, Sandra Ronca. Ambas são mães. As crianças vão apreendendo as mães pelo tom de voz e modos de olhar, pelo toque das mãos e tantos outros jeitos de amar. O sentido que cada mãe descobre para sê-lo, constrói o senso de cada um dos filhos.

Enfim, gostaria de enviar doces de quindim a todas as mães, posto que é um saboroso quitute feito de açúcar e gemas de ovos. Aliás, é uma ótima sobremesa para o “Dia das Mães”

Para finalizar, deixo uma mensagem de “boua” noite que escrevi para minha mãe quando era pequena, não me lembro quantos anos tinha. Fiz questão de manter os erros, que não interferiram no afeto contido em cada palavra.

Minha querida ‘douce’ mamãe

“Eu te amo com todo o coração de criança. Eu te faço tudo por você que tenha a vida muito grande e, com muitas felicidades, que teu coração, seja só de Deus.

Mamãe eu ofereço o meu coração de criança para você que é minha vida e é a própria alegria.

Eu te amo eu te ofereço uma boua noite

Tome o meu coração.”

Um feliz Dia das Mães a todas as mães do mundo.

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História viva

terça-feira, 05 de maio de 2026
por Vinicius Gastin

Homenagens marcam os festejos pelos 112 anos do Nova Friburgo F.C.

Uma história imortal, com memórias que se renovam a cada homenagem. As lembranças dos 112 anos do eterno Friburgo Futebol Clube foram marcadas por homenagem a ex-atletas e café da manhã, em atividade realizada na sede social do Nova Friburgo, no centro da cidade.

Homenagens marcam os festejos pelos 112 anos do Nova Friburgo F.C.

Uma história imortal, com memórias que se renovam a cada homenagem. As lembranças dos 112 anos do eterno Friburgo Futebol Clube foram marcadas por homenagem a ex-atletas e café da manhã, em atividade realizada na sede social do Nova Friburgo, no centro da cidade.

“Para nós é uma honra receber todos aqui, neste evento de recordações pelos 112 anos do Friburgo Futebol Clube. Nosso principal objetivo é relembrar a trajetória vitoriosa da agremiação. Queremos sempre continuar preservando esses valores”, destacou o presidente do Conselho Diretor do clube, Luiz Fernando Bachini.

Foram prestadas homenagens especiais para Carlos Arnaldo Bravo Berbert (Juca), Dalton Carestiato, Gualter Moraes (Titiu), Carlos Sartório, Manoel Pinto de Faria (representado por Carlos Alberto Carneiro), Licínio José da Silva, Emanoel Calvão, Ezio Marques (representado por Ari da Costa), Clóvis da Costa Freitas (Catita) (representado por Luiz Fernando Bonin), Renato Costa (representado por Evaldo Freitas) e Antônio Carlos Cortez (representado por Evandro Nicoliello).

“A história do Friburgo Futebol Clube é marcada por muitas glórias. O time é grandioso e me sinto muito orgulhoso por ter a oportunidade de fazer parte desta história. Estou honrado e muito feliz, salientou o presidente do Conselho Deliberativo”, Carlos Arnaldo Bravo Berbert, o Juca.

A cerimônia

A mesa do evento foi composta por: Carlos Arnaldo Bravo Berbert (presidente do Conselho Deliberativo); Luiz Fernando Bachini (presidente do Conselho Diretor); Ivan Gambini (tesoureiro); Carlos Alberto Trindade (vereador), Tony Ventura (empresário) e Rougles Rapizo (vice-presidente de Finanças).

O evento ainda contou com a presença de representantes dos conselhos Deliberativo e Diretor, além de convidados. Ao todo, 50 pessoas assinaram a lista de presença. O café da manhã foi servido antes da atividade.  A apresentação do evento ficou a cargo do professor José Tadeu Costa.

Um clube com história

A história do Friburgo F.C. começa a ser contada no início do século 20, quando estudantes de várias partes do país migraram para Nova Friburgo e trouxeram a bola de futebol. Os moradores do bairro Vilage passaram a frequentar o Colégio Anchieta e as tradicionais “peladas” foram disputadas no campo da escola. A brincadeira tomou proporções maiores e acompanhou o crescimento do futebol no estado. As famílias Sertã, Spinelli e Van Erven estreitaram as relações e passaram a organizar os jogos.

No dia 26 de abril de 1914, uma reunião no Hotel Salusse fundou oficialmente o Friburgo Futebol Clube. Durante os primeiros anos, os duelos eram realizados nas ruas Galdino do Valle e Oliveira Botelho. O esquadrão vermelho e branco tornou-se o time a ser batido. Em 1915, goleou o União pelo placar de 11 a 0 e os dirigentes, insatisfeitos, responderam com a criação do Esperança Futebol Clube.

Em 1922, o Friburgo passou a utilizar o estádio Raul Sertã, no centro da cidade, um espaço de nove mil metros quadrados, que ganharia arquibancadas a partir da década de 1950.

Em 1930, o Friburgo conquistou o primeiro título e formou um dos grandes times de sua história, que seria tetracampeão na década. Nos primeiros anos da década de 1940, o domínio foi esperancista, mas a partir de 1945, o Friburgo reagiu e formou um grande time, conquistando o hexacampeonato entre 1946 e 1954.

Já em 1960, o time vermelho e branco foi campeão em todas as categorias e passou a pensar no profissionalismo. O Friburgo disputou alguns jogos em torneios profissionais, mas o clube não acompanhou as transformações do futebol na década de 1970. As fusões mudaram os rumos do esporte na cidade.

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    Bachini, atual presidente do Nova Friburgo F.C., foi um dos que discursaram durante o evento (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

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    Homenagens diversas marcaram as celebrações pelo aniversário de 112 anos do clube (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

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    Dezenas de pessoas passaram pela sede social do Centro para relembrar e celebrar algumas histórias (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

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