Uma explicação para com a pronúncia correta do nome do padre Joÿe. As palavras em francês, com oi se pronunciam abertas, por exemplo oiseaux se pronuncia “uasou”. Quando têm um trema em cima do i ou y a pronúncia é fechada, daí o nome dele ser joie e não jua.
Uma explicação para com a pronúncia correta do nome do padre Joÿe. As palavras em francês, com oi se pronunciam abertas, por exemplo oiseaux se pronuncia “uasou”. Quando têm um trema em cima do i ou y a pronúncia é fechada, daí o nome dele ser joie e não jua.
Portugal era e ainda é um país católico e daí que nas suas expedições marítimas, sempre tinha um padre a bordo. Quando as primeiras naus saíram do lago de Estavayer-le Lac, na Suíça, rumo ao Brasil, em 1819, pelo menos dois sacerdotes foram embarcados, em virtude do acordo feito entre o governo de D. João VI e o cantão de Fribourg.
Nele constava que os imigrantes deveriam ser católicos apostólicos romanos, daí a presença dos abades Jacob Joÿe e Joseph Aeby. Infelizmente Aeby morreu em Santo Antônio de Sá, quando se banhava no Rio Macacu, às vésperas de chegar ao seu destino. Portanto Jacob, em virtude de um infortúnio, se tornou o primeiro padre da Vila de Nova Friburgo.
Joÿe é um grande personagem dos primórdios da história de Friburgo, sendo imputado a ele duas obras que permanecem até hoje na memória da cidade, além da sua participação ativa no desenvolvimento sócio político da cidade. Interessante é que ele exercia seu ofício em Villaz-St-Pierre (Suíça) e aceitara, para surpresa de seus paroquianos, trocar a Europa pela aventura do Novo Mundo.
Primeiro vigário da matriz
De acordo com o site https://diocesenf.org.br/catedral-diocesana-sao-joao-batista/, “a pedido de Dom João VI, a paróquia da Vila de Nova Friburgo deveria ser dedicada a São João Batista, porque o rei e sua família eram seus devotos – daí o seu nome de batismo”.
“O primeiro vigário da Matriz foi o padre Jacob Joÿe e a pequena capela estava situada numa subida chamada “Chatô” (hoje Colégio Anchieta). Distando cerca de dois quilômetros do centro da Vila era um lugar de difícil acesso e, ao chover, era impossível subir até lá (isto em 1820). Esta circunstância dificultava as celebrações religiosas o que desagradava ao padre Joye e aos fiéis”.
Vale a pena assinalar que Jacob cansado de solicitar, à Coroa Portuguesa, a construção de uma igreja, transferiu as cerimônias religiosas para as dependências da Câmara. Por doação do então Barão de Nova Friburgo, num terreno situado na atual Praça Dermeval Moreira, foi construída a nova Igreja Matriz, cuja duração levou oito anos, sendo inaugurada em 8 de dezembro de 1869, três anos após a morte de seu idealizador.
Uma curiosidade em torno dessa obra: nosso primeiro pároco recebeu muito mal o pastor Friedrich Sauerbronn, representante da Igreja Luterana e que veio com os colonos alemães para Nova Friburgo; para piorar a relação entre eles, a primeira igreja luterana do Brasil, foi fundada em 1858 (11 anos antes da sua congênere católica), e foi utilizada até 1952, quando foi inaugurado o novo templo.
Estes aspectos legais envolvendo religiosidade e administração pública imperial trouxeram alguns aborrecimentos e entraves na vida das pessoas. Não custa lembrar que entre os suíços havia pessoas que confessavam o protestantismo, mas assinaram um documento de abjuração como condição de imigração e que, com a chegada dos protestantes alemães, alguns destes se encorajaram para voltar a sua origem religiosa que no íntimo nunca haviam abandonado. E estes acontecimentos produziram ressentimentos e desconfianças entre as denominações religiosas da época.
Fundação da Loja Maçônica
O segundo feito de importância do Padre Jacob, foi a sua participação na fundação da Loja Maçônica Indústria e Caridade, nº 49, de Friburgo. No Brasil, a Maçonaria chega em princípios do século 19 e Nova Friburgo recebeu uma das primeiras lojas maçônicas, daí o número 49. Curiosamente foi o padre Jacob Joye, guia espiritual dos colonos suíços que participou da fundação da maçonaria na vila da Nova Friburgo, em 2 de janeiro de 1839, onde exerceu o cargo de 1º tesoureiro.
Qual teria sido a razão para ele participar de uma loja maçônica em tão pacata vila, antes mesmo da importante Cantagalo? Possivelmente para criar uma instituição que auxiliasse os colonos suíços já que a administração colonial havia sido extinta em 1831. Como os suíços ficaram, desde então, sob a administração da Câmara Municipal, provavelmente, o padre viu na maçonaria uma forma de prover e amparar os colonos.
Ele também teve aspirações políticas, tanto que, por força da lei de 10 de outubro de 1828, iria se proceder, através dos “homens bons”, a primeira eleição municipal da história da vila. Dentre 305 eleitores que votavam em mais de um candidato, o vigário Joÿe, que também aspirava o cargo de prefeito da cidade, teve cinco votos a menos que o eleito Jean Bazet, que como já foi dito, anteriormente, foi o primeiro médico da vila de Nova Friburgo, apesar de francês de origem.
Naquela época, o vereador com maior número de votos tornava-se o mandatário da vila No entanto, se não foi prefeito ficou como vereador, sendo reeleito várias vezes até que seu temperamento irrequieto o levou a uma pífia votação, em 1837. A partir daí termina sua participação na política da cidade.
Em meados de 1840, o guia espiritual dos colonos suíços foi atraído pela tradição de fé e devoção, dos imigrantes oriundos da Europa Central e região mediterrânea, principalmente genoveses, napolitanos e venezianos, estabelecidos em São José do Ribeirão, na época pertencente à Vila de Nova Friburgo. Deixou, então a Vila de Friburgo e mudou-se para aquela localidade. Muito arraigado às causas sociais, o Padre Jacob Joÿe sempre utilizava as arrecadações em prol dos órfãos e viúvas, alforrias e libertação de vários homens de origens diversas.
Ele faleceu em 8 de julho de 1866, aos 75 anos de idade; seus restos mortais repousam nas dependências da Paróquia de São José do Ribeirão, hoje pertencente ao município de Bom Jardim.
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