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Friburgo precisa de voz na Alerj

quinta-feira, 21 de maio de 2026
por Lucas Barros

Nossa cidade se acostumou a reclamar da ausência de investimentos, da lentidão das obras, da dificuldade de conseguir apoio estadual e da sensação permanente de que está sempre correndo atrás do que deveria já ter chegado. Mas talvez exista uma pergunta simples que precise ser feita com mais honestidade: quem, hoje, fala por Friburgo dentro da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro?

Nossa cidade se acostumou a reclamar da ausência de investimentos, da lentidão das obras, da dificuldade de conseguir apoio estadual e da sensação permanente de que está sempre correndo atrás do que deveria já ter chegado. Mas talvez exista uma pergunta simples que precise ser feita com mais honestidade: quem, hoje, fala por Friburgo dentro da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro?

Há algum tempo, a cidade deixou de ter uma representação estadual verdadeiramente ligada à região. E isso não é um detalhe político — é um problema prático. Porque orçamento, articulação, influência e prioridade passam, inevitavelmente, pela capacidade de uma cidade ter alguém que conheça suas demandas e esteja disposto a defendê-las dentro dos espaços de poder.

Não se trata de votar por votar. Nem de transformar eleição em torcida organizada. O voto é livre, individual e deve continuar sendo. Cada pessoa tem o direito de escolher quem quiser — inclusive ninguém. Mas é impossível ignorar que cidades que possuem representantes fortes acabam tendo mais capacidade de articulação política, acesso a recursos e pressão institucional.

E aqui talvez esteja um dos maiores desafios de Friburgo: a dificuldade histórica de construir lideranças regionais duradouras. A cidade frequentemente divide forças, pulveriza votos e termina assistindo outros municípios ocuparem espaços estratégicos enquanto seguimos dependendo da boa vontade política de quem, muitas vezes, sequer conhece a realidade local.

Isso se reflete em diversas áreas. Friburgo é um dos maiores polos de moda íntima do país, movimenta emprego, indústria, turismo de negócios e geração de renda. Ainda assim, o setor frequentemente caminha quase sozinho, sem o suporte proporcional ao impacto econômico que possui. Falta investimento, incentivo, linhas estratégicas de desenvolvimento e presença política capaz de transformar importância econômica em prioridade institucional.

E não é por ausência completa de recursos. Em muitos casos, o dinheiro existe — ou ao menos já existiu, em especial de recursos federais. Ao longo dos anos, diversos repasses estaduais e federais foram anunciados para Nova Friburgo. Alguns sequer saíram do papel. Outros se perderam entre burocracias, disputas políticas e falta de continuidade administrativa. Há recursos que chegam, mas não encontram execução eficiente. Há verbas que viram anúncio, mas não viram transformação concreta.

Um filme repetido inúmeras vezes

No fim, a população sente o resultado nas ruas. Obras que começam e param, assim como o Hospital do Câncer. Projetos que nunca saem do papel. Estruturas que envelhecem sem modernização. E uma cidade com enorme potencial econômico, turístico e universitário que, muitas vezes, parece menor do que realmente é diante do cenário estadual.

Enquanto isso, municípios que conseguem construir representação política regional organizada acabam avançando com mais velocidade. Não necessariamente porque possuem mais potencial — mas porque possuem voz. E, em política, quem não ocupa espaço acaba sendo ocupado pelas prioridades dos outros.

Talvez esteja na hora de Friburgo discutir isso com mais seriedade e menos paixão eleitoral. Entender que representação política não deveria ser apenas disputa de nomes, mas estratégia de cidade. Porque projetos pessoais passam, mandatos acabam, mas a ausência de articulação deixa consequências que permanecem por anos.

Isso não significa apoiar qualquer candidato apenas por ser da região. Pelo contrário. Representação local sem preparo, sem proposta e sem compromisso também não resolve nada. O debate precisa ser maduro. É preciso olhar trajetória, capacidade técnica, propostas reais e compromisso com a cidade.

Mas também é preciso compreender que uma cidade sem representantes fortes nos espaços estaduais perde capacidade de influência. E influência, gostemos ou não, move orçamento, prioridade e desenvolvimento.

Nova Friburgo não é uma cidade pequena em relevância econômica, cultural ou regional. Temos universidades, indústria, comércio forte, turismo consolidado e um dos setores de moda íntima mais importantes do Brasil. O que falta, muitas vezes, não é potencial. É articulação para transformar potencial em prioridade política.

Porque cidade que não ocupa espaço político acaba ocupando apenas a fila de espera das promessas.

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​Classificado, Frizão inicia disputa da semifinal da B2 Sub-20

quinta-feira, 21 de maio de 2026
por Vinicius Gastin

 

Uma vitória coroada com a classificação. O Friburguense precisava fazer a sua parte diante do Santa Cruz, no Eduardo Guinle, e contar com pelo menos um resultado favorável. E foi o que aconteceu. O triunfo por 2 a 0 em Nova Friburgo e a derrota do 7 de Abril para o Rio de Janeiro, por 3 a 1, classificaram o Tricolor da Serra para as semifinais da Série B2 Estadual Sub-20. Os dois gols da partida foram marcados por Gabriel.

 

Uma vitória coroada com a classificação. O Friburguense precisava fazer a sua parte diante do Santa Cruz, no Eduardo Guinle, e contar com pelo menos um resultado favorável. E foi o que aconteceu. O triunfo por 2 a 0 em Nova Friburgo e a derrota do 7 de Abril para o Rio de Janeiro, por 3 a 1, classificaram o Tricolor da Serra para as semifinais da Série B2 Estadual Sub-20. Os dois gols da partida foram marcados por Gabriel.

O Frizão avança no quarto lugar da Taça Maracanã, com 12 pontos e quatro vitórias conquistadas em seus sete compromissos na primeira fase. A briga por vaga na decisão será contra o Paduano, campeão do primeiro turno, e o primeiro duelo acontece já nesta quinta-feira, 21, às 15h, no Eduardo Guinle, com entrada gratuita. O jogo de volta, em Santo Antônio de Pádua, será disputado no dia 28.

Na sétima rodada, diante do até então líder Santa Cruz, o Friburguense foi escalado pelo técnico Gedeil com Rhuan, Danilo, Bryan, Yuri e Iago Botelho; Renan, Juninho, João Bom e Gabriel; Arthur Fábio e Fernandinho.

A Série B2 Sub-20 conta com oito equipes, que se enfrentaram em turno único, e as quatro primeiras avançaram para as semifinais. Além do Frizão, participam 7 de Abril, Rio de Janeiro, Paduano, Belford Roxo, Santa Cruz, Serra Macaense e Paraty.

Série C profissional

Cardoso Moreira e Ceres venceram mais uma na 3ª rodada da Série C Estadual, disputada na tarde do último domingo, 17, e seguem com 100% de aproveitamento na Taça Waldir Amaral. O time do norte fluminense bateu o Rio Barra por 1 a 0, no Ferreirão, enquanto a equipe da Zona Oeste derrotou o Itaboraí Profute, por 3 a 2, no Joaquim Flores, em Nilópolis.

Os outros resultados do domingo foram: Campos 1 a 1 Buzios; Brescia 2 a 1 Uni Souza e Vera Cruz 0 a 1 Barra Mansa. No complemento da rodada, na última segunda-feira, 18, o Mageense bateu o União Central, por 2 a 1, enquanto o Barcelona conquistou seu primeiro triunfo na competição, marcando 1 a 0 no Independente. Outro que venceu pela primeira vez na Série C foi o Tigres, que derrotou o CAAC Brasil, por 2 a 0.

Tabelão do Friburguense Sub-20

Friburguense 1 x 2 Paduano, Eduardo Guinle

Belford Roxo 3 x 2 Friburguense, Nélio Gomes

Friburguense 3 x 2 Rio de Janeiro, Eduardo Guinle

Paraty 0 x 4 Friburguense, Nélio Gomes

Friburguense 0 x 2 Sete de Abril, Eduardo Guinle

Serra Macaense 0 x 1 Friburguense, Claudio Moacyr

Friburguense 2 x 0 Santa Cruz, Eduardo Guinle

 

Semifinais - Série B2 Sub-20

Quinta-feira, 21 - jogos de ida (15h)

Friburguense x Paduano, Eduardo Guinle

Santa Cruz x Belford Roxo, EC Guanabara

Próximo dia 28 - jogos de volta (15h)

Paduano x Friburguense, Waldo Carneiro, em Santo Antônio de Pádua

Belford Roxo x Santa Cruz, Nélio Gomes, em Belford Roxo

  • Foto da galeria

    Festa nos vestiários do Friburguense pela classificação para as semifinais; adversário será o Paduano (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

  • Foto da galeria

    Destaque friburguense no judô estadual – A atleta Ana Sophia Martins Féu, do Projeto Solução de Judô Comunitário, conquistou a classificação para o Campeonato Brasileiro Sub-13 de Judô, que será realizado em agosto, em Macapá, capital do Amapá. Durante a seletiva Sophia realizou três lutas e garantiu a segunda colocação, resultado que assegurou sua vaga na seleção estadual que representará o Rio de Janeiro no campeonato nacional. Em outubro, o Projeto Solução completa 20 anos de existência, consolidando uma trajetória marcada pelo incentivo ao esporte e formação de atletas. “A conquista representa mais um importante resultado do projeto comunitário em Nova Friburgo neste ano, coroando o trabalho desenvolvido com os atletas da modalidade”, avalia a coordenação do projeto.

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A liberdade gera angústia

quinta-feira, 21 de maio de 2026
por Cesar Vasconcellos

Fomos criados por Deus com liberdade de escolha. Ser livre para escolher significa que podemos e precisamos decidir coisas diariamente e construir nosso caminho. É uma maravilha ter essa liberdade que está sendo ameaçada e será mais ainda num mundo caminhando a passos largos para a implantação do que usualmente chamam de “bem comum”. Só que esse “bem comum” envolve determinações ditatoriais, violando o direito constitucional de liberdade de escolha e religiosa.

Fomos criados por Deus com liberdade de escolha. Ser livre para escolher significa que podemos e precisamos decidir coisas diariamente e construir nosso caminho. É uma maravilha ter essa liberdade que está sendo ameaçada e será mais ainda num mundo caminhando a passos largos para a implantação do que usualmente chamam de “bem comum”. Só que esse “bem comum” envolve determinações ditatoriais, violando o direito constitucional de liberdade de escolha e religiosa.

A liberdade de escolha no campo psicológico envolve responsabilidade, risco e incerteza. A pessoa percebe que não pode culpar sempre os outros, a sociedade ou o destino pelas suas decisões. Essa consciência desperta angústia porque obriga o indivíduo a enfrentar a própria existência de maneira madura e consciente. A liberdade de escolha envolve o risco de escolher errado, e isso pode causar ansiedade em muitas pessoas.

Rollo May, psicólogo, teólogo, psicanalista e profundo pensador, afirmava que muitas pessoas desejam liberdade, mas ao mesmo tempo têm medo dela. Quando alguém percebe que pode mudar de vida, terminar relacionamentos destrutivos, abandonar vícios ou assumir novos rumos, também percebe que terá de lidar com as consequências dessas decisões. Assim, a angústia surge como um sinal de que a pessoa está diante de possibilidades reais de transformação. De certa forma essa angústia pode ser a expressão do medo do que se deseja.

Na visão existencial de Rollo May, a angústia não deve ser vista apenas como algo negativo ou patológico. Existe uma ansiedade “normal”, ligada ao crescimento humano. Ela aparece quando o indivíduo enfrenta desafios importantes, assume responsabilidades e busca viver de maneira autêntica. O problema acontece quando a pessoa tenta fugir dessa angústia por meio de comportamentos de fuga, como dependências, superficialidade, excesso de distrações ou submissão completa às expectativas alheias. Fugir continuamente da liberdade pode levar ao vazio interior e à perda do sentido da vida.

A ansiedade gerada pela liberdade de escolher pode ser administrada através de atitudes criativas e construtivas, mas também pode ser vivida de forma destrutiva, como através de compulsões para jogo, sexo, pornografia, drogas lícitas ou ilícitas, compulsão alimentar, fumo, compras, redes sociais, entre outras dependências.

Amadurecer é aprender a suportar a angústia da liberdade sem paralisar-se. A coragem, para Rollo May, não é ausência de medo, mas a capacidade de seguir adiante apesar da insegurança. A pessoa saudável emocionalmente reconhece seus limites, aceita que não possui controle absoluto sobre tudo e ainda assim escolhe viver de forma responsável e significativa. Dessa maneira, a angústia deixa de ser apenas sofrimento e pode tornar-se um caminho para autenticidade, crescimento pessoal e maior consciência da própria existência.

O ex-professor da UFRJ psiquiatra e psicanalista, dr. Eustáquio Portela dizia que o drogado se droga porque não pode ser Deus. Ou seja, não tolera a angústia da limitação, da impotência para tantas coisas, e possui limiar baixo para lidar com frustrações.

Lidar conscientemente com nossa angústia é um fator importante para nossa saúde mental, porque saúde mental não é a ausência de sentimentos dolorosos como ansiedade, medo, tristeza. Uma pessoa com boa saúde mental é a que quando experimenta tais sentimentos consegue lidar com eles sem fazer besteira, sem se drogar, sem fugir para comportamentos disfuncionais.

_______

Cesar Vasconcellos de Souza

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O poder do afeto

quarta-feira, 20 de maio de 2026
por Camilla Fiorito

Andamos, corremos, passamos, fechamos, encontramos, procuramos, ganhamos, perdemos, intercalamos, sujamos, limpamos, cortamos, costuramos, colamos, saímos, chegamos, evitamos, conversamos.

Nos reunimos, frente a frente, lado a lado, sem o olhar necessário e cuidadoso, para que possamos seguir. As sutilezas ficam imersas como uma grande âncora atracada em águas profundas, esperando o aviso para continuar a grande navegação que tem pressa, hora e tempo curto para realizar todo percurso.

Andamos, corremos, passamos, fechamos, encontramos, procuramos, ganhamos, perdemos, intercalamos, sujamos, limpamos, cortamos, costuramos, colamos, saímos, chegamos, evitamos, conversamos.

Nos reunimos, frente a frente, lado a lado, sem o olhar necessário e cuidadoso, para que possamos seguir. As sutilezas ficam imersas como uma grande âncora atracada em águas profundas, esperando o aviso para continuar a grande navegação que tem pressa, hora e tempo curto para realizar todo percurso.

O piloto automático é ligado, sem trégua. As águas ficam rasas, fundas, calmas, agitadas e muito turbulentas, mas seguimos, com ou sem capitão, rumo à uma direção que entendemos ser a certa.

Os dias passam, as tardes começam, as noites chegam e o navegar continua da mesma forma, sem muitas apreciações da vista, do entorno ou das singelas miudezas que ficam na subjetividade do nosso dia a dia.

A falta de calma e paciência, atravessa a gentileza e a delicadeza das ações, que por menores que sejam, podem despertar uma grandiosidade que não se calcula, trazendo particularidades que despertam um poder inestimável para o outro que recebe e para quem realiza.

O afeto pode vir de diversas formas. Uma palavra, um sorriso, uma escuta atenta e empática, um olhar, uma posição do corpo, um gesto que, imperceptível ou não, na miudeza ou grandeza, transforma e revigora.

O poder do afeto estanca feridas, recentes ou passadas, seca lágrimas, ou abre a torneira para mais algumas, e aquece o coração mesmo no mais rigoroso inverno. Traz conforto, acolhimento e entendimento de que fomos percebidos ou percebemos alguém que, nem sempre, é o outro o qual temos total, um pouco ou nenhuma afinidade. Traz esperança, fortalece vínculos e transforma as nossas relações.

Mas como ser afetuoso em um mundo onde demonstrar afeto é visto como moeda de troca?

Hoje, vivemos um grande desafio, onde realizar delicadezas diárias não são bem vistas por muitos, seja nos núcleos pessoais, profissionais e familiares.

Me traz a memória de quando eu era mais nova. Ainda criança, gostava de presentear amigos e familiares com cartões produzidos por mim. Esse feito seguiu durante a minha adolescência e juventude, onde os papéis passaram a ser linhas e agulhas que davam vida a cachecóis de tricô, feitos à mão e com imenso carinho.

Conforme fui crescendo, as demonstrações de afeto passaram a furar a bolha do meio que vivo e sou inserida, porém, a sociedade, muitas vezes, não está pronta para isso, pois há quem não está pronto para receber aquilo que está sendo ofertado.

Como sempre digo: Aceite a gentileza! Faz bem!

Até a próxima quarta!

……..

Contato

Site: www.camillafiorito.com.br

Instagram: @camilla.fioritoeduc

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Frizão quer concluir negociações por SAF em junho, mas considera outras opções

quarta-feira, 20 de maio de 2026
por Vinicius Gastin

O Friburguense pode avançar na chegada de novos investidores para o futebol do clube já no mês de junho. A projeção é da diretoria tricolor, que trabalha com esse prazo para concluir a fase de análises, negociações e avançar pelo caminho escolhido. O Frizão trabalha com valores, define conceitos e avalia, neste momento, pelo menos duas propostas. Ainda há uma nova oferta, em fase de avaliações, e outra desvinculada após não cumprir requisitos mínimos.

O Friburguense pode avançar na chegada de novos investidores para o futebol do clube já no mês de junho. A projeção é da diretoria tricolor, que trabalha com esse prazo para concluir a fase de análises, negociações e avançar pelo caminho escolhido. O Frizão trabalha com valores, define conceitos e avalia, neste momento, pelo menos duas propostas. Ainda há uma nova oferta, em fase de avaliações, e outra desvinculada após não cumprir requisitos mínimos.

Esse cenário seria o ideal, mas o Friburguense garante que há outras possibilidades e a retomada gradual da gestão do futebol profissional não está descartada. “Paralelamente, também existe um planejamento interno de médio e longo prazo para o futebol do Friburguense. Caso não ocorra a concretização de um modelo SAF dentro do período projetado, o clube já vem debatendo alternativas futuras para uma transição gradual de retomada direta da gestão do futebol profissional, respeitando a história e as características que marcaram o Friburguense ao longo das décadas. O mais importante é que existe um esforço coletivo, com um único objetivo: fortalecer o Friburguense e preparar o clube para um futuro mais sustentável, competitivo e organizado”, explica o diretor jurídico do tricolor, Marlon Freimann Heringer.

Na segunda parte da reportagem especial sobre o avanço do projeto da SAF do Friburguense, Heringer fala sobre o avanço de algumas análises, confirma a proposta de um grupo europeu e pontua diferenças entre as propostas apresentadas. Confira:

Como é o trâmite de análise dessas ofertas? Quem opina, participa das reuniões… Como o clube tem avançado nesse cenário?

O Friburguense estruturou um procedimento para garantir transparência, segurança jurídica e responsabilidade institucional na análise das propostas relacionadas à SAF. Inicialmente, as propostas são avaliadas por uma comissão interna formada por representantes da diretoria e dos poderes do clube. Após essa primeira análise documental e institucional, os materiais são encaminhados ao meu escritório jurídico para realização da “due diligence”, com verificação de informações societárias, capacidade financeira, estrutura operacional, regularidade jurídica e consistência do projeto apresentado. Ao final dessa etapa, podem ser emitidos pedidos de esclarecimentos, solicitações de documentos adicionais ou parecer técnico quanto à viabilidade da proposta. Posteriormente, o tema é submetido ao Conselho Deliberativo do clube, composto atualmente por cerca de 60 conselheiros. Importante destacar que a eventual aprovação de uma SAF não é uma decisão isolada da comissão ou da diretoria. Trata-se de uma atribuição institucional do Conselho Deliberativo, que possui competência para deliberar sobre aceitação ou rejeição de eventual proposta. Também é importante esclarecer que a comissão interna não atua com critérios subjetivos ou pessoais. Eventuais desclassificações somente ocorrem quando o proponente deixa de apresentar informações técnicas, garantias ou documentos mínimos necessários para continuidade do processo de análise. O objetivo do clube é justamente conduzir tudo de forma séria, técnica e transparente.

Dentre as ofertas pela SAF feitas até o momento, todas atingem, na maior parte dos termos, aquilo que o clube considera dentro de uma legalidade? Existe uma espécie de diretriz, legislação interna ou algo do tipo?

Sim. Todas as propostas analisadas pelo Friburguense precisam obrigatoriamente observar tanto a legislação aplicável às SAFs quanto às normas internas e diretrizes previstas no Estatuto Social do clube. O Friburguense se preocupa muito com a preservação da sua história, da sua identidade institucional e dos valores construídos ao longo de décadas junto à cidade e à torcida. Por isso, a análise não envolve apenas aspectos financeiros, mas também questões relacionadas à governança, responsabilidade jurídica, sustentabilidade do projeto e proteção da marca do clube. Nenhuma proposta é avaliada exclusivamente pelo valor. O clube busca uma conjugação entre viabilidade econômica, segurança institucional e alinhamento com os princípios que sempre fizeram parte da história do Friburguense. É justamente por esse motivo que existe um processo técnico e criterioso de análise, para garantir que qualquer eventual avanço ocorra dentro da legalidade, com transparência e respeito à instituição.

Dentre as propostas analisadas até aqui, há alguma que esteja melhor avaliada ou tenha avançado nessas etapas de avaliação?

Hoje existem propostas em diferentes estágios de maturidade e avaliação. Naturalmente, algumas acabam despertando maior interesse em determinados aspectos estratégicos. No caso específico do grupo europeu, existe um ponto que chama bastante atenção do clube, que é a possibilidade de inserção do Friburguense em uma conexão mais ampla com o futebol internacional, especialmente em relação à exposição de atletas, intercâmbio esportivo e abertura de mercado. O futebol moderno exige cada vez mais integração global, tanto na formação quanto na valorização de jogadores e ativos esportivos. Por outro lado, ainda existem pontos sensíveis, principalmente os relacionados à proteção da marca, identidade e utilização institucional do clube. Embora algumas propostas tenham avançado, o clube entende que ainda existem etapas importantes de alinhamento antes de qualquer definição.

Há algum prazo para a conclusão dessas análises? O que o torcedor do Friburguense pode esperar em relação aos próximos passos?

O Friburguense trabalha internamente com a expectativa de concluir essa fase inicial de análises e negociações até meados de junho, respeitando o andamento de cada proposta e o cumprimento das etapas. Ao mesmo tempo, o clube adotou uma postura de bastante cautela neste período que antecede a competição estadual (Série A2 do Estadual, no segundo semestre). Existe uma preocupação institucional em preservar a estabilidade do ambiente esportivo, o planejamento do futebol e o trabalho que já vem sendo desenvolvido pelo Siqueirinha à frente da gestão técnica do departamento de futebol. O Friburguense entende que qualquer discussão relacionada à SAF precisa acontecer de forma responsável e organizada, sem gerar interferências desnecessárias na preparação esportiva da equipe. O clube está atento às oportunidades, mas também consciente da responsabilidade envolvida nesse processo. A prioridade é construir algo sólido, sustentável e que realmente represente um avanço para o futuro do Friburguense.

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Tricolor da Serra pode ter novidades sobre o avanço da chegada de investidores no próximo mês (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)
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Doutrina social da Igreja, sempre atual

terça-feira, 19 de maio de 2026
por Institucional Diocese de Nova Friburgo

"Estamos convencidos de que é necessário vir em auxílio das pessoas de classes inferiores, pois estão numa situação de infortúnio e de miséria imerecida… os trabalhadores se veem entregues à mercê de senhores desumanos e à cobiça de uma concorrência desenfreada” (Papa Leão XIII. Rerum novarum, n. 2)

Parte 1

No dia 15 de maio de 1891 o papa Leão XIII publicou a encíclica Rerum novarum (RN). Ela é a "Carta Magna" da Doutrina Social da Igreja (DSI) e permanece atual em muitos de seus aspectos analíticos e em seus princípios orientadores.

"Estamos convencidos de que é necessário vir em auxílio das pessoas de classes inferiores, pois estão numa situação de infortúnio e de miséria imerecida… os trabalhadores se veem entregues à mercê de senhores desumanos e à cobiça de uma concorrência desenfreada” (Papa Leão XIII. Rerum novarum, n. 2)

Parte 1

No dia 15 de maio de 1891 o papa Leão XIII publicou a encíclica Rerum novarum (RN). Ela é a "Carta Magna" da Doutrina Social da Igreja (DSI) e permanece atual em muitos de seus aspectos analíticos e em seus princípios orientadores.

O papa que a escreveu era um intenso defensor da centralidade da pessoa humana em relação ao Estado e da primazia do trabalho sobre o capital. Assim, ele se fez também um grande defensor dos trabalhadores e de condições humanamente dignas de trabalho, que é a grande chave das questões sociais mais fortes.

A RN foi escrita justamente para refletir sobre a difícil condição dos operários do século XIX e oferecer critérios de juízo, princípios e orientações concretas para uma “solução conforme a justiça e a equidade” (RN, 1). Leão XIII já havia refletido sobre isso em outros documentos, mas não como um tema específico. Daí a marcante novidade dessa encíclica, que é o primeiro documento de um papa a tratar “mais explicitamente e com maior desenvolvimento” sobre a questão social dos trabalhadores.

O Compêndio da Doutrina Social da Igreja (CDSI) afirma que a solicitude social católica certamente não teve início com a RN, entendendo que “a Igreja jamais deixou de se interessar pela sociedade”, mas reconhece que essa encíclica marca um novo e substancial desenvolvimento do seu ensinamento sobre as questões sociais (cf. CDSI, 87).

Transformações no trabalho

O contexto era o de intensas transformações decorrentes da Revolução Industrial, que, com a sua mentalidade capitalista liberal sedenta de constantes inovações (cf. RN, 1), submeteu uma grande massa de trabalhadores a condições existenciais deploráveis: populações miseráveis, aglomerados desumanos, condições desumanas de trabalho, exploração laboral de mulheres e crianças, salários de fome, ausência de direitos e regulações trabalhistas, perseguição de muitas organizações sindicais de trabalhadores, uma política estatal a serviço de uma economia de competitividade predatória, violenta e de concorrência desleal etc.

O papa Francisco, no prefácio do Docat, assim se expressou sobre esse contexto: “Com a industrialização emergiu um capitalismo brutal: uma espécie de economia que aniquila os seres humanos. Grandes industriais sem consciência fizeram com que as pobres populações agrícolas trabalhassem duramente com salários de miséria em minas e em fábricas sem condições. Havia crianças que já não viam a luz do dia. Eram como escravos, enviadas para debaixo da terra para puxarem vagões de carvão. Muitos cristãos ajudaram com grande empenho nesta necessidade, mas depressa perceberam que isso não era suficiente. Então desenvolveram ideias a fim de agirem social e politicamente contra a injustiça.”

O documento que é considerado fundador da Doutrina Social Católica continua a ser a encíclica do papa Leão XIII, Rerum novarum. (Francisco. Docat, p. 12). Como se pode ver, era uma realidade com graves distorções sociais que geravam um constante clima conflitivo e abria espaço para o aparecimento soluções que, aos olhos de Leão XIII, aumentariam ainda mais os conflitos e tenderiam “para a subversão completa do edifício social”, como seria o caso da solução socialista (RN, 3).

Diante de tudo isso, o papa entende que a Igreja também tem uma doutrina social a oferecer, sendo direito e dever dela intervir em questões sociais: “É com toda a confiança que nós abordamos este assunto, e em toda a plenitude do nosso direito; […] calarmo-nos seria, aos olhos de todos, trair o nosso dever” (RN, 10).

Reflexão, critérios e diretrizes

A RN abre, assim, a importante porta da DSI, que é parte fundamental de toda a Teologia Moral católica, Magistério autêntico, que exige a aceitação e a adesão dos fiéis (cf. Catecismo da Igreja Católica) e indispensável instrumento de evangelização de discernimento moral e pastoral dos complexos eventos de nosso tempo (cf. Centesimus annus = CA, 54; CDSI, 10).

Com isso, a Igreja oferece princípios de reflexão, critérios de juízo e diretrizes de ação não só para os católicos, mas para todas as pessoas de boa vontade que se colocam em luta contra as injustiças que submetem incontáveis seres humanos a situações absurdamente indignas (cf. CDSI, 7-12).

A estrutura da RN pode ser dividida em basicamente três partes:

1) A constatação de uma estrutura miserável que tem no industrialismo e no capitalismo liberal sua base e expressão.

2) A negação do socialismo com solução para essa estrutura.

3) Uma série de análises baseadas na Revelação e no direito natural, onde se fundam as raízes e princípios da doutrina social católica.

Continua na próxima semana

Texto-base: https://diocesedacampanha.org.br/130-anos-da-rerum-novarum-uma-enciclica-sempre-atual-um-tesouro-a-redescobrir/

Fonte: Institucional Diocese de Nova Friburgo

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A VOZ DA SERRA é muito amor por Nova Friburgo

terça-feira, 19 de maio de 2026
por Jornal A Voz da Serra

            A charge de Silvério, publicada na capa da edição especial do último fim de semana é pura festa! O Cão Sentado nos convidou a comemorar os 208 anos de Nova Friburgo – A Suíça Brasileira, que abriu caminhos para outros povos imigrantes! E o Caderno Z também nos convidou para que possamos “perceber Nova Friburgo não apenas como paisagem, mas como construção humana, afetiva e cultural”.

            A charge de Silvério, publicada na capa da edição especial do último fim de semana é pura festa! O Cão Sentado nos convidou a comemorar os 208 anos de Nova Friburgo – A Suíça Brasileira, que abriu caminhos para outros povos imigrantes! E o Caderno Z também nos convidou para que possamos “perceber Nova Friburgo não apenas como paisagem, mas como construção humana, afetiva e cultural”.

Isso até me lembrou um estudo, na faculdade, sobre “ecologia humana” que me rendeu até um poema: “No arquivo de costumes, tradições, uma cidade, além das construções, constrói a história dos seus habitantes!”. Ao mesmo tempo em que nascemos aqui, nascem em nós também raízes da árvore que dá os nossos frutos e sombras em prol do nosso lugar. É uma troca. Amando a cidade, ela se desenvolve e nos devolve em bem-estar e evolução.

            A Trupe Família Clou é um exemplo dessa relação de troca. Há 23 anos, Dalmo Latine e Talita Melone transformaram o circo em projeto de vida. Os filhos do casal, Ian e Isabela, nasceram no ambiente circense, “entre praças públicas, escolas, teatros e festivais”.  Um projeto que se expandiu para o Punk Circus e o Circlou, tudo pelo riso.

Assim, na mesma via, Celso DaKombi acabou unindo o útil ao agradável, pois, de tanto dar apoio logístico ao trabalho de sua esposa, Belinha, também artista, Celso fez de sua Kombi o veículo por onde o rock circula de Jimi Hendrik, Elvis Presley e tantos outros. Desde seus 8 anos de idade, Celso já sabia que seria um artista.

            Descendente de suíços, da família Tinguely, sou fã de nossa cidade e tudo o que a ela diz respeito, me diz respeito também. No dizer de Guilherme Rezende Jr. “Tudo ficou mais rápido, mais caótico, menos amigável. Mas o sentimento de pertencimento ainda permanece igual”.

A mudança é inevitável e como ressaltou Victor Schote, “caberá a cada friburguense e à sociedade como um todo decidirem qual a identidade de Nova Friburgo”. Celebramos uma história de 208 anos que começou de forma até inadvertidamente. Como recorda Luiz Fernando Folly, uma história “marcada por muitos momentos desafiadores que foram enfrentados com resiliência... por dificuldades severas, com falta de moradias, doenças, e mortes nos primeiros meses...”.  Realmente, o passado deixou um legado de enfrentamentos e hoje essa reverência é uma forma de respeito.

            Em “Curiosidades da história de Nova Friburgo, Isabella Rodrigues fez um maravilhoso apanhado. Somos a única cidade brasileira criada por um decreto de Dom João VI, com a vida da imigração suíça. Mais adiante, vieram os alemães, italianos, espanhóis, japoneses, sírios, libaneses, austríacos, húngaros que se juntaram aos portugueses, africanos, já habitantes. Muito anteriormente, os índios povoaram a região e toda essa variação habitacional criou alicerces para chegarmos aos dias atuais.

            Com características de cidade grande, com engarrafamentos, correrias de transeuntes pelas calçadas, apesar de tudo, dos inúmeros problemas pontuais que se arrastam, somos uma cidade romântica, bucólica e com um forte viés turístico. Temos a fama de o melhor carnaval do interior do Estado do Rio de Janeiro. Somos destaque na produção de moda íntima, o que já nos deu o título de “Capital da Moda Íntima”. A produção agrícola é outra fonte de desenvolvimento. Somos o maior produtor de couve-flor do nosso estado. Produzimos flores de corte em profusão.

            Nossa cultura é vasta. Temos bandas centenárias, colégios que são referência na educação, como o Colégio Anchieta, 140 anos. Estamos no centro, no ponto geodésico do Estado do Rio. Somos a “Cidade da Trova”, referência nacional, com 67 anos de Jogos Florais. O Sanatório Naval, que beleza! Somos muito e muito mais. E agora, a restauração do Lazareto. Que restauro de coragem e ousadia! Que presente para a comunidade!

            São tantas as exclamações pulsando com a emoção de saber que, se outrora fora destinado ao isolamento, agora, ao contrário, ressurgiu para a aproximação, para unir cultura e cidadania, provendo o seu entorno com a beleza de um casarão ativo na missão de transformar vidas!

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Boas e más influências

terça-feira, 19 de maio de 2026
por Tereza Malcher

É fato. Somos seres que recebem influências e influenciam. É ingênuo pensar que alguém é dono de si posto que recebemos influências e, da mesma forma, somos influenciadores. Ou seja, estamos mergulhados numa rede de influências intermináveis, verdadeiros campos magnéticos que atraem quem está ao redor. São invisíveis e vibram na mesma frequência entre as pessoas que sentem afinidade umas pelas outras, pelos mesmos ideais ou estilos de vida.

É fato. Somos seres que recebem influências e influenciam. É ingênuo pensar que alguém é dono de si posto que recebemos influências e, da mesma forma, somos influenciadores. Ou seja, estamos mergulhados numa rede de influências intermináveis, verdadeiros campos magnéticos que atraem quem está ao redor. São invisíveis e vibram na mesma frequência entre as pessoas que sentem afinidade umas pelas outras, pelos mesmos ideais ou estilos de vida.

A influência pode ser descrita como um poder, uma ação ou um discurso que causa impacto, modificando modos de agir, pensar, perceber os fatos e decidir daquele que é influenciado. É uma força que penetra, adentra no interior dos sujeitos, inclusive nas suas essências. Todo grupo para permanecer como tal precisa que seus integrantes sigam regras, como as preservadas pela família, estabelecidas pelos grupos de trabalho, condomínios, dentre tantos.

As influências desempenham papel fundamental no âmbito social dado que a sociedade sobrevive a partir das inter-relações pessoais, institucionais, profissionais e comunitárias. Através de intensos processos de comunicação, do acesso, do poder e da observação, as influências vão, de forma dinâmica, dando novos contornos à vida individual e comunitária. Como a moda, as heranças familiares e históricas. Uma obra literária também possui o poder de influenciar, como o “Diário de Anne Frank”, “Dom Quixote” ou “O Pequeno Príncipe”.

As influências são exercidas quando inspiram e motivam ou quando manipulam e controlam. São poderosas forças apenas quando permitimos que incidam sobre nós, ou seja, como somos seres de livre arbítrio podemos decidir se vamos aceitá-las ou não. Porém, nem sempre, somos capazes de percebê-las em nossas vidas, como também, podemos não ter o amadurecimento e o discernimento suficientes para decidir se vamos aceitá-las ou não. Como estamos mergulhados no centro de forças influentes, é preciso fortalecer o autoconhecimento de modo que nos sejam claros os valores que preservamos para filtrar o que nos chega, como as informações emanadas das redes sociais. A autoconfiança nos permite escolher os ambientes que vamos frequentar e as pessoas com quem compartilhamos situações. Igualmente precisamos estar cientes de que nossos modos de pensar e agir podem interferir na vida do outro.

Estou desenvolvendo esse delicado tema influenciada pela leitura do livro “Trilogia de Copenhagen: Infância, Juventude e Dependência”, de Tove Ditlevsen, uma autobiografia, cuja leitura está me sensibilizando pelas experiências que a protagonista descreve. Durante a pré-adolescência, ela fez amizade com uma menina, vinda de uma família com grandes dificuldades. Essa amiga, a quem Tove adorava, a ensinou a roubar, a valorizar a prostituição, dentre outras imposturas.

Então, comecei a refletir sobre os cuidados que as famílias precisam ter com seus filhos pré-adolescentes e adolescentes. Especialmente, nessa fase de vida, a pessoa é facilmente influenciável e se submete às pressões dos grupos. É tão comum, a criança, o jovem e até o adulto imitarem gestos, modos de falar e agir. Os hábitos são compartilhados. Muitas vezes, valorizam-se atitudes antes de avaliá-las, geralmente respaldadas por ideias precipitadas. São ideias que criam ecos na vida e acabam virando rotina, como ver o celular quando se anda pela rua ou conduzindo um automóvel. Noutro dia, presenciei uma adolescente tropeçar e cair ao atravessar a rua, fora do sinal, vendo o celular.  

Um dos meios mais eficazes de influenciar são os exemplos. O ser humano é um imitador: os filhos imitam os pais; os mais jovens imitam os mais velhos; os modismos são seguidos pela população; as pessoas do mesmo grupo cultural tendem a apreciar determinados ritmos musicais.

As influências seduzem os jovens. Geralmente de forma divertida e leve. As drogas lhes são apresentadas, as responsabilidades são estimuladas a serem abandonadas, o sexo pode se tornar prova de amor. São influências que sugam energias, promovem a negação de valores e estimulam o abandono de projetos de vida benéficos. A pior influência é fazer com que o outro deixe de acreditar em si, se sinta inseguro e incapaz para tomar decisões que façam parte do seu crescimento.

As boas influências, nem sempre sedutoras, fazem o outro perceber como pode melhorar, mostram modos de pensar, sentir e agir saudáveis. Fazem a pessoa a acreditar em si mesma e superar as dúvidas em relação ao seu potencial. As conquistas são valorizadas e os erros apontados e tratados através de críticas construtivas.

Enfim, é um tema a ser pensado com o devido cuidado em todos os momentos da vida.

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O verde que nos molda e o futuro que nos cobra: Nova Friburgo aos 208 anos!

terça-feira, 19 de maio de 2026
por Alex Santos

Opa! Tudo verde? Bora para mais uma prosa sustentável e, desta vez, em clima de “festa”.

Opa! Tudo verde? Bora para mais uma prosa sustentável e, desta vez, em clima de “festa”.

Caminhar pelas ruas de Nova Friburgo nas primeiras horas da manhã é um exercício de conexão que transcende o visível. Há uma poesia silenciosa na forma como a bruma abraça o Pico da Caledônia, ou no som discreto dos nossos rios que cortam a história urbana, lembrando-nos, a cada segundo, de onde viemos. Neste mês, quando nossa cidade celebra 208 anos, o meu olhar de escritor e de eterno apaixonado por este chão não consegue se fixar apenas nas luzes da “festa”. Ele se volta para as nossas raízes, para o nosso relevo e, principalmente, para o horizonte que estamos desenhando para as próximas gerações.

Fui agraciado com o título de cidadão friburguense em 2017, e não tenho medo de pecar pelo excesso de afeto ao afirmar: Nova Friburgo é, sem sombra de dúvidas, uma das cidades mais bonitas do Brasil. Fomos abençoados por uma geografia generosa, cercados por montanhas imponentes que guardam o que resta de mais precioso da nossa Mata Atlântica. Nossas cachoeiras, nossas florestas e o nosso clima outonal privilegiado formam um mosaico de riqueza natural hipnotizante. Temos em nosso DNA territorial um potencial para o ecoturismo e para o turismo consciente que supera, com folga, o de dezenas de municípios brasileiros que hoje têm nessa atividade sua principal matriz econômica.

No entanto, a beleza que nos deslumbra também precisa nos despertar. Como cronista do cotidiano friburguense e estudioso das causas ambientais, sinto o dever ético de apontar a nossa maior contradição: estimo, com dor, que Nova Friburgo ainda aproveita menos de 30% desse potencial de ecoturismo avassalador. Estamos sentados sobre uma mina de ouro verde, mas insistimos em fechar os olhos para este cenário.

Faltam-nos investimentos públicos consistentes e de longo prazo em turismo sustentável. Falta-nos uma infraestrutura ecológica que permita ao visitante e ao morador desfrutar das nossas trilhas e parques com segurança, sinalização e manejo adequado. Acima de tudo, falta-nos colocar a educação ambiental no centro da mesa de discussões, transformando o respeito à natureza em um valor cultural indissociável do ser friburguense. O turismo do futuro não é o de massa, predatório e efêmero; é o de experiência, aquele que preserva enquanto encanta, que gera renda mantendo a floresta em pé. E, nesse quesito, ainda engatinhamos de forma tímida.

Essa subutilização do nosso potencial caminha de mãos dadas com dores urbanas que já não podemos mais varrer para debaixo do tapete. Celebrar 208 anos exige maturidade para encarar os nossos gargalos. Nova Friburgo ainda padece com uma gestão inadequada de resíduos sólidos. O descarte incorreto de lixo nas encostas e nas margens dos rios é uma ferida aberta que sangra a cada temporada de chuvas. Carecemos de políticas públicas ambientais que sejam eficientes, contínuas e imunes às trocas de governos. A ausência de ações estruturadas de sustentabilidade urbana drena a nossa qualidade de vida e sufoca o brilho da nossa joia serrana.

Paralelamente ao poder público, há outra engrenagem que precisa de uma profunda autocrítica: o nosso setor corporativo. Ainda assistimos a um cenário onde muitas empresas centralizam excessivamente seus lucros, operando sob uma lógica obsoleta de extrair o máximo do município e devolver o mínimo. Investir em ações sociais, adotar práticas de governança socioambiental (ESG) e patrocinar projetos comunitários não são atos de caridade; são investimentos na sobrevivência do próprio mercado consumidor e na saúde do território que as abriga.

Nova Friburgo só resiste e pulsa porque se tornou um solo fértil para movimentos independentes, projetos sociais apaixonados, educadores ambientais incansáveis e coletivos de cidadãos que se recusam a aceitar a inércia. São empreendedores conscientes que trocam o plástico pela compostagem, marcas que desenham campanhas solidárias para apoiar instituições históricas da nossa cidade, e pessoas anônimas que, nos finais de semana, sobem as montanhas para plantar árvores e recolher o lixo que outros deixaram.

Olhar para trás, para estes 208 anos de história, nos dá a dimensão do quanto fomos fortes para superar tragédias e nos reconstruir. Mas olhar para a frente nos impõe uma responsabilidade coletiva inadiável. Neste aniversário, o meu desejo e o meu chamado a você é para que façamos um pacto de amor ativo por esta cidade. Que cobremos os governantes, que exijamos das marcas uma postura ética e, fundamentalmente, que mudemos nossa postura no dia a dia. Nova Friburgo merece mais do que parabéns e discursos inflamados na praça e nas redes sociais. Viva a nossa terra, viva o nosso povo, e que o nosso futuro seja tão grandioso e verde quanto as montanhas que nos cercam.

Saudações sustentáveis! Tudo verde sempre

Foto da galeria
(Imagem criada por IA por Alex Santos)
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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

E a SAF do Friburguense?

terça-feira, 19 de maio de 2026
por Vinicius Gastin

Parte 1

Clube projeta valores, desvincula uma das propostas e planeja definição

O futuro do Friburguense está em pauta, e a expectativa por novidades é grande. Desde as primeiras especulações, o torcedor aguarda por novidades. Para tanto, o caminho escolhido é o de atrair novos investimentos para o futebol, capazes de transformar toda a estrutura atual, e no médio prazo, devolver ao Tricolor da Serra o seu lugar de destaque. Neste cenário, como está o andamento da possível SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Frizão?

Parte 1

Clube projeta valores, desvincula uma das propostas e planeja definição

O futuro do Friburguense está em pauta, e a expectativa por novidades é grande. Desde as primeiras especulações, o torcedor aguarda por novidades. Para tanto, o caminho escolhido é o de atrair novos investimentos para o futebol, capazes de transformar toda a estrutura atual, e no médio prazo, devolver ao Tricolor da Serra o seu lugar de destaque. Neste cenário, como está o andamento da possível SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Frizão?

Para esclarecer melhor os processos e as eventuais definições sobre o tema, A VOZ DA SERRA conversou com o diretor jurídico do Friburguense, Marlon Freimann Vieira Heringer. O advogado, sócio do clube desde 1982, é um dos responsáveis por ajudar a entender a viabilidade das propostas e analisá-las dentro de um contexto que envolve valores, projeto esportivo, metas e estabilidade.

“Acho importante aproveitar esse espaço para fazer um reconhecimento institucional. Independentemente de opiniões ou críticas, é preciso reconhecer que o trabalho desenvolvido pelo Siqueirinha teve relevância importante na história recente do Friburguense. O clube permaneceu por muitos anos em evidência no futebol estadual, inclusive com permanência prolongada na elite do Campeonato Carioca. Esse legado precisa ser tratado com respeito e equilíbrio”, pontua.

Investindo na base

O ponto de partida para o Friburguense dar o próximo passo segue essa linha, e envolve conceitos claros: manter os investimentos na base, fortalecer o futebol profissional e desenvolver a estrutura.

O clube fez uma projeção de algo em torno de R$ 380 mil mensais e recebeu três propostas, além de uma quarta manifestação de interesse, ainda em fase de análise. Uma delas, acabou desvinculada. A direção enxergava com preocupação algumas ações promovidas pelo proponente, sem mesmo antes existir qualquer avanço significativo na avaliação interna.

“Da mesma forma, o clube também possui responsabilidade institucional com os contratos e compromissos atualmente existentes. Existem obrigações assumidas, relações contratuais em andamento e investimentos vinculados ao atual modelo de gestão do futebol, todos constituídos e que naturalmente precisam ser respeitados. Por isso, o Friburguense vem conduzindo todas as discussões relacionadas à SAF de forma organizada, responsável e dentro dos limites jurídicos e institucionais existentes”, observa.

A VOZ DA SERRA reproduz a primeira parte da entrevista. A segunda será publicada na edição de quarta-feira, 20, trazendo, inclusive, uma projeção de prazo para encerrar análises e negociações.

Muito se fala sobre a SAF, do ponto de vista das possíveis propostas. Mas o que o Friburguense, como clube, trata como prioridade? Investimentos em base, futebol profissional, estrutura… O que o clube enxerga como pontos principais?

Marlon: Hoje existe um entendimento unânime no clube de que o modelo SAF representa um caminho importante para a modernização e fortalecimento do futebol. Esse formato possibilita maior capacidade de investimento, organização estrutural, profissionalização da gestão e uma divisão mais adequada das responsabilidades operacionais e jurídicas ligadas ao futebol. O clube entende que o modelo atualmente existente cumpriu seu papel dentro de um determinado contexto, mas acredita que o momento exige uma estrutura mais ampla, sustentável e alinhada às exigências do futebol moderno.

Sobre as prioridades, o Friburguense entende que o fortalecimento da base é fundamental e continuará sendo uma característica importante do clube. Revelar atletas sempre fez parte da nossa identidade. Porém, também entendemos que o futebol profissional precisa ser fortalecido de forma permanente. O time profissional é a principal vitrine de qualquer clube.

É através dele que conseguimos dar visibilidade aos atletas formados na base, atrair investimentos, fortalecer a marca do clube e criar um ambiente competitivo capaz de impulsionar todo o restante da estrutura esportiva. Por isso, o objetivo é buscar um projeto equilibrado, que una fortalecimento das categorias de base, competitividade no profissional e desenvolvimento estrutural do clube.

Sabemos que o futebol é um esporte cada vez mais caro. Há algum valor específico que o Friburguense busca em termos de aporte e investimento? Existe alguma projeção?

Dentro dos estudos internos realizados pelo clube, entendemos que, para manter uma equipe competitiva visando a chegada à Série A1 do Campeonato Carioca, seria necessário um investimento aproximado de R$ 380 mil mensais durante o período de atividade do futebol profissional, o que representa algo em torno de R$ 3 milhões ao ano em operação esportiva.

Naturalmente, esses números podem variar conforme calendário, estrutura e modelo adotado, mas demonstram o tamanho do desafio que o futebol moderno exige. Justamente por isso, o clube vem trabalhando de forma organizada na construção de soluções viáveis.

Foi formada uma comissão interna composta pelo presidente Elberth Heringer, pelo vice-presidente jurídico Evi, pelo vice-presidente financeiro Wagner, pelo presidente do Conselho Deliberativo Marcelo, pelo Grande Benemérito Joninha, pelo representante do Conselho Fiscal Carlinhos e por mim, na qualidade de diretor jurídico do clube.

Além disso, o clube também conta com a participação do Siqueirinha na condução da parte técnica e esportiva do futebol, em razão da experiência e do trabalho já desenvolvido junto ao departamento de futebol do Friburguense. Essa comissão vem atuando diretamente na busca de investidores, patrocinadores e parceiros estratégicos para fortalecimento do futebol profissional do clube, sempre com responsabilidade, transparência e alinhamento institucional.

Existe atualmente um planejamento voltado à captação de recursos para a temporada, com acompanhamento administrativo, prestação de contas aos apoiadores e integração entre gestão institucional e departamento de futebol.

No último contato com o presidente Elberth, apuramos que algumas propostas chegaram, inclusive a de um grupo europeu. De fato, quantas ofertas oficiais foram feitas?

Até o momento, o Friburguense recebeu formalmente três propostas estruturadas, além de uma quarta manifestação de interesse ainda em fase preliminar de consulta e análise. Inclusive, uma dessas propostas acabou sendo descredenciada pelo clube no último dia 14 de maio, após o não cumprimento de requisitos mínimos que haviam sido solicitados durante o processo de avaliação, especialmente relacionados à apresentação de garantias, capacidade operacional e estrutura efetiva do projeto apresentado.

O Friburguense entende que esse tipo de cautela é indispensável, porque estamos tratando de uma possível transformação estrutural do futebol do clube, envolvendo patrimônio histórico, marca institucional e o futuro esportivo.

Em relação especificamente a esse proponente, o clube viu com preocupação algumas manifestações públicas realizadas antes mesmo da conclusão das etapas mínimas de validação interna. Houve utilização da imagem e do nome do Friburguense em divulgações e campanhas sem qualquer formalização definitiva junto ao clube, inclusive com declarações que acabaram gerando interpretações equivocadas perante parte da torcida e da população, como a ideia de que já existiria uma definição ou controle sobre o futebol do clube.

O Friburguense sempre tratou o tema SAF com muita responsabilidade e transparência. Nenhum grupo ou investidor possui qualquer vínculo definitivo sem o cumprimento integral das etapas institucionais, jurídicas e financeiras exigidas pelo clube. Ao final, o próprio transcurso do prazo concedido para apresentação das garantias e estrutura prometidas acabou demonstrando que a proposta não possuía maturidade suficiente para avançar dentro do nível de segurança que o clube entende como necessário.

Quanto às propostas remanescentes, existem perfis diferentes em análise. Uma delas possui um viés de conexão internacional e abertura para o mercado europeu, o que pode representar oportunidades importantes no desenvolvimento esportivo e comercial do clube.

Já outra proposta apresenta um perfil mais conservador financeiramente, porém demonstra responsabilidade, planejamento gradual e maior alinhamento com uma construção sustentável de médio e longo prazo.

O mais importante neste momento é que o Friburguense segue avaliando todas as possibilidades com equilíbrio, responsabilidade e foco exclusivo na proteção dos interesses do clube e da sua torcida.

Foto da galeria
Marlon Freimann Heringer, diretor jurídico do Friburguense (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)
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