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Jean Bazet, primeiro médico de Nova Friburgo

quarta-feira, 29 de abril de 2026
por Max Wolosker

Não sou historiador, mas confesso que sempre tive uma queda pela história, principalmente, quando ela é um assunto de interesse geral e ao mesmo tempo faz parte de um contexto no qual vivemos. Sendo assim, resolvi dar um mergulho nas origens de Friburgo e resgatar personagens importantes da história da cidade. Muitos estão esquecidos na roda do tempo, mas merecem nossa lembrança, pois fizeram parte importante dos primórdios de nossa cidade.

Não sou historiador, mas confesso que sempre tive uma queda pela história, principalmente, quando ela é um assunto de interesse geral e ao mesmo tempo faz parte de um contexto no qual vivemos. Sendo assim, resolvi dar um mergulho nas origens de Friburgo e resgatar personagens importantes da história da cidade. Muitos estão esquecidos na roda do tempo, mas merecem nossa lembrança, pois fizeram parte importante dos primórdios de nossa cidade. Não custa lembrar que ela começou num acordo entre a corte portuguesa, no Brasil, em 1818, e o cantão de Fribourg, na Suíça, para a vinda de 100 famílias a se instalarem na, então Fazenda do Morro Queimado, hoje Nova Friburgo. Em fins de 1819 e começo de 1820 aqui chegaram as primeiras 30 famílias, para ocuparem os espaços a elas destinados. Posteriormente vieram os demais, num total de 1.631 pessoas.

Francês de nascimento, Jean Julien Bazet ou simplesmente Jean Bazet, foi o primeiro médico da colônia suíça de Nova Friburgo. Era natural da freguesia de Nay, Departamento dos Baixos Pirineus, região francesa próxima à fronteira espanhola, daí falar tanto o francês quanto o espanhol. Ele tinha 28 anos de idade quando emigrou para o Brasil, aqui chegando em 8 de fevereiro de 1820 a bordo do navio Camillus. Os motivos que o levaram a se engajar como médico entre os colonos não são de todo conhecidos, bem como sua vida pregressa na França. Talvez, o espírito de aventura e a falta de perspectivas, numa Europa ainda se recuperando dos estragos das guerras napoleônicas, tenham motivado a sua escolha.

Em junho de 1820, foi agraciado com os títulos de Médico dos Colonos Suíços da Vila de Nova Friburgo e de Médico Honorário da Casa Real, o que lhe conferiu significativo prestígio entre os colonos e os proprietários locais, principalmente, com relação aos cuidados característicos de sua profissão. Aliás, os dados sobre sua atuação como médico são pouco conhecidos, talvez pela falta de informações precisas e mesmo de manuscritos dessa época. Acredito que nos primórdios da cidade, o médico ia de casa em casa para cuidar dos doentes, portanto sem anotações de suas atividades. No entanto, ele tornou-se uma figura proeminente tanto em Friburgo, como na corte.

Totalmente aclimatado em Nova Friburgo, Jean Bazet se casou, em 24 de setembro de 1829, com Justine Froidevaux, de 25 anos, ela também filha de imigrantes suíços. Desse casamento nasceram três filhos, as duas últimas, do sexo feminino, batizadas na Igreja da Glória, reduto da aristocracia na corte, figurando entre os padrinhos de ambas, Antônio Clemente Pinto (o Barão de Nova Friburgo) e sua esposa Laura Clementina da Silva Pinto.

No entanto, foi na política que ele mais se destacou, iniciando a saga de médicos friburguenses que tiveram papel importante na condução dos destinos da cidade como foi o caso de Feliciano da Costa, Amâncio Azevedo e Vanor Tassara Moreira. Ao longo do tempo em que residiu em Nova Friburgo, ele ocupou, por três ocasiões, entre 3 de fevereiro de 1829 e 11 de janeiro de 1833, 16 de janeiro de 1838 a 7 de janeiro de 1845 e finalmente entre 20 de janeiro de 1846 e 20 de maio de 1849, a presidência da Câmara de Vereadores local. Basta dizer que o presidente da Câmara significava ser o prefeito da época. Entre os anos de 1851 e 1852 exerceu, também a presidência do Sous Comité Friburguense da Sociedade Filantrópica Suíça, conforme o Almanaque Laemmert.

Autoridade

A ascensão de Bazet como autoridade máxima de Nova Friburgo, ocorre quando, por força da lei de 1º de outubro de 1828, iria se proceder, através dos “homens bons”, a primeira eleição municipal da história da vila. Dentre 305 eleitores que votavam em mais de um candidato, obteria o médico 158 votos, cinco a mais do que o vigário Joÿe, que também aspirava o cargo. Em terceiro figuraria um luso-brasileiro, Joaquim Antonio Marques. Esta seria uma das raras vezes em que membros da colônia exerceriam o poder, suplantando o elemento luso.

Uma curiosidade e um dado digno de observação durante este período é o significativo número de escravos acumulados por Jean Bazet. Embora exercesse a medicina como atividade principal, era também dono de terras destinadas à agricultura. Tal circunstância demonstra uma vez mais, que ao contrário do que se quis fazer acreditar, os colonos suíços e outros funcionários estrangeiros ligados à vila de Nova Friburgo, adaptaram-se perfeitamente ao sistema escravista, ainda que alguns, em um primeiro momento e por breve tempo, repudiassem o modelo. Por isso, há pessoas que entendem a ocupação suíça, em Friburgo, como uma chegada de imigrantes a convite do rei de Portugal. Eles não foram colonizadores, no sentido de terem trazido e implantado a sua cultura em terras friburguenses. Pelo contrário, absorveram os hábitos e costumes dos portugueses.

Vale a pena acrescentar que Bazet além de médico, político e agricultor, se lançou também no ramo dos negócios, como empreiteiro associado a Auguste Mulaz. No entanto, essa sua faceta durou pouco tempo e ele se afastou do empreendimento.

No início do ano de 1853, João Bazet ainda residia na vila de Nova Friburgo, entretanto, sua saúde encontrava-se debilitada. Tudo indica que por volta de 1856 ele retirou-se para a França com o objetivo de se tratar; apesar de não sabermos qual moléstia fez o médico sucumbir, seu inventário indica a data de 25 de abril de 1858 e a cidade de Paris, como a data e o local de sua morte.

Justa homenagem 

Passaram-se anos até que Jean Bazet tivesse o reconhecimento da cidade, pelo seu trabalho em prol de Friburgo. De acordo com a edição de A VOZ DA SERRA de 26 de agosto de 2009, “o prefeito Heródoto Bento de Mello recebeu com bastante entusiasmo a notícia da decisão unânime da Câmara Municipal, em adotar o nome do francês Jean Bazet em seu plenário. O prefeito aproveitou para parabenizar os vereadores pela decisão que julgou acertada: A Câmara fez justiça com a história de Nova Friburgo; reparou um feito de quase 200 anos e deu um exemplo de que temos que prestigiar, em nossos prédios públicos, os nomes daquelas personalidades que têm ligação direta com o nosso município. Nada de nomear os prédios municipais e logradouros, por exemplo, em homenagem a quem nada tem a ver diretamente com o nosso município, defendeu”.

A maioria dos dados desse artigo foram obtidas no: “Migrantes no Império do Brasil: A Trajetória de Jean Bazet nas Origens da Vila de Nova Friburgo, 1820-1858” (www.academia.edu) e no post de Imigração Suíça no Brasil 1819, no Facebook, em 4 de julho de 2017, além dos arquivos de A VOZ DA SERRA. 

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A prática da gratidão

quarta-feira, 29 de abril de 2026
por Camilla Fiorito

Não agradecemos! Não agradecemos tanto como deveríamos. Agradecemos.

Desenvolver o ato de agradecer é um exercício diário. Clamamos, desejamos, queremos, idealizamos, mas deixamos de agradecer das pequenas conquistas à aquelas que ultrapassam o pensamento do querer. 

A gratidão transforma a nossa vida, a forma como nos percebemos, percebemos o outro e percebemos as diversas situações diárias, proporcionando bem-estar físico, social e emocional. 

Não agradecemos! Não agradecemos tanto como deveríamos. Agradecemos.

Desenvolver o ato de agradecer é um exercício diário. Clamamos, desejamos, queremos, idealizamos, mas deixamos de agradecer das pequenas conquistas à aquelas que ultrapassam o pensamento do querer. 

A gratidão transforma a nossa vida, a forma como nos percebemos, percebemos o outro e percebemos as diversas situações diárias, proporcionando bem-estar físico, social e emocional. 

Quando agradecemos, passamos a trazer o pensamento positivo para o nosso momento, o barco da ansiedade começa a desligar o motor e a resiliência vai aumentando de forma significativa. 

A felicidade fica mais presente, trazendo com ela uma paz interior e uma agradável sensação de contentamento. As decepções, perturbações e outras vivências profundas são sentidas, mas vividas de outras formas, sendo organizadas através de um outro olhar. 

Cuidamos mais do nosso corpo, da nossa mente, focando naquilo que é positivo, onde focar no positivo não quer dizer que o negativo e as coisas que não saíram como planejado não existiram. É treinar a mente para tirar o melhor das ações que acontecem na nossa vida, trazendo aprendizado para cada um de nós, mesmo em situações extremamente desafiadoras e difíceis de lidar. 

Ser uma pessoa grata, melhora as nossas relações e expressar isso pode ser algo usual para uns e não para outros. Mas, quando agradecemos, reconhecemos o valor das coisas nas mais singelas entrelinhas.

Praticar a gratidão é um exercício que precisa de persistência, perseverança. Não começa amanhã ou depois, começa agora. 

E você,  tem praticado a gratidão?

Até a próxima quarta!

……..

Contato

Site: www.camillafiorito.com.br

Instagram: @camilla.fioritoeduc

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Memórias de um estudante

quarta-feira, 29 de abril de 2026
por Robério Canto

Você já viu sujeira matar alguém? Agora banho...

Você já viu sujeira matar alguém? Agora banho...

Eu até tinha destaque entre os meninos da escola pública onde estudava. Não porque tivesse melhor cabeça, mas porque os demais moleques priorizavam os banhos de rios e as peladas nos terrenos baldios do bairro, desaparecendo da sala de aula e assim diminuindo a ocorrência. Pudesse eu fazer o mesmo! Mas minha santa mãe me vigiava, acreditando que eu era muito inteligente, coisa que, aliás, ela pensava também dos outros quatro filhos (quanto a mim, enganou-se redondamente). Como não me era dada a opção de vadiar, o jeito era prestar atenção às aulas.

Para falar a verdade, eu não acreditava em tudo que ensinavam, embora não ousasse desmentir as professoras. Por exemplo: elas afirmavam que o Rio Amazonas tinha 6.400 km. Eu não sabia bem o que era um quilômetro, mas 6.400 devia ser muita coisa. Olhava então o Bengalas e não achava possível que outro pudesse ser tão superior ao rio da minha cidade.

Minhas aulas preferidas eram aquelas em que a professora lia histórias para os alunos. Foi assim que, sentado no duro banco da carteira, pela primeira vez pus os pés na infindável estrada da literatura, por onde, embora aos tropeções, vou caminhando até hoje. Já naquela época eu intuía que a matemática era uma coisa inventada para torturar as crianças, o que me levou a declarar, anos mais tarde, que gostar de matemática não era um dom, mas um desvio de personalidade.

Não fui agredido porque os professores presentes eram meus amigos e sabiam que, no fundo, eu tinha ─ e tenho ─ inveja de quem sabia lidar com os números e seus correlatos. Mas vejam como a vida é uma coisa incoerente! Foi justamente em matemática que ganhei o maior elogio da minha vida intelectual. A professora fez uma pergunta difícil, algo como "Quanto é 8 x 4?” Num impulso, respondi 32, sem saber o que estava falando. “Esse já está aprovado”, comentou a diretora que, por acaso e para minha glória, ia passando pelo corredor.

Me lembro com carinho das professoras que tive na infância. Tantos anos se passaram que já esqueci o nome e a aparência delas. Mas o carinho ficou: difuso, mas verdadeiro. E me lembro de alguns colegas de personalidade assaz marcante. Um deles, a quem atualmente dou o nome de Paulão, era especialista em teorias científicas. Dentre elas, a de que banhos frequentes faziam mal à saúde. Paulão não era apenas um teórico, bastava passar perto dele para sentir o cheiro de quem praticava a tese que defendia. "Você já viu sujeira matar alguém? Agora banho... a gente pega um resfriado e, oh, já era!" Outra de suas teses garantia que lavar a cabeça era a principal causa da queda de cabelos. E apresentava a prova do que dizia: "Olha os alemão da fábrica. Tudo careca. Por quê? Porque vivem lavando a cabeça. Meu pai só toma banho de vez em quando e tem mais cabelo que a alemoada toda”.

Isso foi no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça, e a linguiça, além de carne, tinha trema. Atualmente, um aluno pode dizer que a professora nunca viu o Rio Amazonas e, portanto, não sabe o que está falando. Se alguém corrigir o menino, no dia seguinte os pais procuram a direção do colégio para ensinar que as professoras atualmente estão muito mal preparadas. Bons tempos em que o adulto falava, certo ou errado, a gente enfiava a viola no saco e ia jogar bola ou tomar banho de rio. Ou à aula, se não tivesse como evitar!

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Mozarteando

terça-feira, 28 de abril de 2026
por Tereza Malcher

Vez em quando, quero me referir ou descrever algo e não consigo encontrar palavra que designe o que pretendo expressar. Apesar do vasto dicionário da nossa bela Língua Portuguesa, ainda faltam palavras para definir pensamentos e sentimentos, fatos e objetos, situações e processos. Aliás, sempre falta algo na vida, então por que não poderia suceder com a nossa Língua Portuguesa? E o falante, como você, meu leitor, e eu, volta e meia, nos deparamos com os vazios da linguagem.

Vez em quando, quero me referir ou descrever algo e não consigo encontrar palavra que designe o que pretendo expressar. Apesar do vasto dicionário da nossa bela Língua Portuguesa, ainda faltam palavras para definir pensamentos e sentimentos, fatos e objetos, situações e processos. Aliás, sempre falta algo na vida, então por que não poderia suceder com a nossa Língua Portuguesa? E o falante, como você, meu leitor, e eu, volta e meia, nos deparamos com os vazios da linguagem.

Posto que sim, a literatura é de uma graça imensa e tem desses acasos, engraçados, esdrúxulos e deleitosos. No final de uma conversa com os sócios e amigos do Instituto Edith Blin, ocasião em que eu falava sobre o processo de escrita, quis dizer que escrevo como se fosse embalada pelas músicas de Mozart. E saiu, espontaneamente, “mozarteando”. Depois, supus que poderia ser o gerúndio do verbo mozartear.

Eu mozarteio, você mozarteia e ... Escrevo a coluna sendo abençoada por esse nobre e talentoso músico, que organiza minha mente e faz com que as ideias fluam com leveza. A música clássica do austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) ativa o poder do cérebro por ter uma sonoridade profunda, elegante e equilibrada. Pela sua harmonia, composta com tamanha perfeição, oferece a sensação de “joie de vivre” (ou alegria de viver) e momentos de introspecção, evocando sentimentos de compaixão e paz. É uma música que possui magnetismo, eletrizando nossas correntes energéticas.

De fato, Mozartear me possibilita transitar com desenvoltura entre o amor, a brincadeira e a poesia. Quem escreve precisa mergulhar no estado mozarteador para conseguir transpor as ideias para o papel com beleza e poesia.

Mozarteando, fiz outra constatação: escrever é um processo louco. Guimarães Rosa era um poliglota, falava muitos idiomas. Dominando completamente diferentes línguas, criou palavras: nonada (coisa sem importância), desinquieta (agitada), empalavrado (pessoa que usa muitas palavras). Acredito que ele ia escrevendo, ia querendo encontrar palavras exatas, não as encontrava e ia inventando. Que criatividade fundamentada na intuição, no conhecimento da língua e na determinação de explorar as possibilidades dela, como escritor!

Eu, também, ousei em criar uma: ajelasmicrim (mistura dos cheiros de jasmim e alecrim). Ao escrever um texto infantojuvenil sobre o tempo, queria achar uma palavra para expressasse aquela pessoa apressada, que fala rápido e acaba misturando tudo. Aí, sem querer, andando no meu jardim, fazendo um número sem fim de perguntas ao meu vocabulário, senti um cansaço daqueles que vaza nos poros, e “ajelasmicrim” saiu num sopro, quase me tirando o ar. Então, corri para a mesa e escrevi. Uma, duas, três vezes. Repeti várias vezes em voz alta e gostei do som. E, então, nomeei meu texto de Ajelasmicrim.  Com ele ganhei o prêmio “Off Flip de literatura”, em 2016, na primeira edição do concurso infantojuvenil. E o livro foi editado pela respectiva editora.

Quem escreve tem que se acostumar com essas saudáveis normalidades. Até porque a língua se constitui assim. Surge na boca do povo, no dizer das palavras e frases. Agora, pesquisando sobre as novas palavras inseridas no dicionário da Língua Portuguesa, me deliciei com “vacinódromo”, o lugar de vacinação; “bibliosmia”, ato de cheirar livros, hábito comum a muitos leitores. Eu, mesma, cheiro, inspiro tão profundamente o meio do livro para sentir o autor e o texto. É como se o olfato substituísse a visão. Para ser sincera, lemos com todo o nosso corpo. E, aí, com tantas palavras e situações enlaçando nossas células, criou-se “disania”, dificuldade extrema de sair da cama. Quem não sofre de disania no dia da preguiça?

Inventar palavras parece ser uma brincadeira interessante e gostosa, quase um jogo de palavras e letras. Na verdade, é um modo de não se resignar com as limitações da língua e das situações. Um modo de ir além, de não ficar acanhada com os limites. De saltitar sobre as letras.

Salve os tempos da “uberização”!

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Mensagem dos bispos do Brasil

terça-feira, 28 de abril de 2026
por CNBB

Jesus disse de novo: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21)

“Reunidos em Aparecida-SP, junto à Padroeira do Brasil, nós, bispos católicos, por ocasião da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada entre os últimos dias 15 e 24, dirigimos esta mensagem de esperança e unidade a todo o Povo de Deus. Fortalecidos pela oração, reafirmamos o compromisso de evangelizar, sendo uma Igreja Sinodal que escuta, acolhe e serve a Jesus Cristo com amor e fidelidade.

Jesus disse de novo: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21)

“Reunidos em Aparecida-SP, junto à Padroeira do Brasil, nós, bispos católicos, por ocasião da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada entre os últimos dias 15 e 24, dirigimos esta mensagem de esperança e unidade a todo o Povo de Deus. Fortalecidos pela oração, reafirmamos o compromisso de evangelizar, sendo uma Igreja Sinodal que escuta, acolhe e serve a Jesus Cristo com amor e fidelidade.

Unimo-nos ao Papa Leão XIV em seu profético empenho pela paz, que não pode ser um ideal distante, mas uma realidade concreta. Exortamos todos a reconhecer que a paz, dom do Ressuscitado, brota da conversão dos corações, do diálogo fraterno e da solidariedade com os mais pobres.

O Batismo é a fonte de todas as vocações e, por meio dele, somos chamados à santidade e à comunhão. Revestidos todos da mesma dignidade, tornamo-nos corresponsáveis pela missão da Igreja, qualquer que seja o ministério que exerçamos. Nesta harmonia, reconhecemos a riqueza dos dons e carismas que, na diversidade dos ministérios, dinamizam o serviço na Igreja e na sociedade.

Manifestamos nossa gratidão a todo o Povo de Deus, que se mantém fiel no seguimento a Jesus Cristo, e expressamos nossa proximidade a todos os cristãos leigos e leigas, consagrados e consagradas, e ministros ordenados que sofrem calúnias e agressões por seu compromisso com o Evangelho, principalmente junto aos pobres e na defesa da Casa Comum.

Pedimos a todos um esforço contínuo pela unidade, fazendo de nossas comunidades ambientes onde o diálogo se manifeste na superação das polarizações. Empenhemo-nos na valorização da diversidade dos dons, onde todos os ministérios sejam vividos como serviço ao próximo, num caminho de comunhão, participação e missão.

Somos gratos aos cristãos leigos e leigas, chamados a ser sal da terra e luz do mundo nas realidades sociais e eclesiais (cf. Mt 5,13-16). Enaltecemos, igualmente, a vocação matrimonial e a família, cuja missão reside em gerar e cuidar da vida, na educação das novas gerações e na transmissão da fé.

Esse mesmo olhar queremos dirigir aos diáconos e presbíteros, chamados — a exemplo do Bom Pastor — a serem conosco os primeiros, dentre o Povo de Deus, servidores na comunidade e dispensadores da graça sacramental, construindo um caminho de unidade e comunhão. Reconhecemos também a importância da vida consagrada e seu compromisso missionário, especialmente junto aos mais fragilizados, como um sinal profético de doação da própria vida e um testemunho da alegria no discipulado.

Iluminados pelo magistério do Papa Francisco, que nos animou a ser uma “Igreja em saída”, reconhecemos o trabalho incansável de todos os fiéis que se dedicam às iniciativas de cuidado dos pobres e da Casa Comum, atuando nas periferias geográficas e existenciais. A doação de suas vidas, nesta missão, impulsiona-nos a uma sensibilidade e abertura missionária permanentes.

Agradecemos, de modo especial, a todos os jovens presentes em nossas comunidades. Vocês são o “agora de Deus”, e nos ajudam a ser uma Igreja viva e renovada. Ao mesmo tempo, convidamos todas as lideranças eclesiais a acolherem e caminharem junto aos jovens, no cuidado, na escuta e no discernimento.

Convidamos todos a um renovado compromisso na construção da cultura vocacional, fazendo de nossas comunidades espaços de encontro, testemunho e missão. Ao redor da mesa da Palavra e da Eucaristia, em cada domingo, unamo-nos na oração pelas vocações e pela perseverança dos que se colocam a serviço da evangelização.

Neste espírito de comunhão, como um só corpo (cf. Rm 12,5), assumamos, com renovado ardor, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Elas são a expressão concreta de nossa acolhida ao caminho sinodal, que nos leva a redescobrir a beleza da variedade das vocações, carismas e ministérios.

Somos uma Igreja ministerial e, sob o olhar amoroso da Virgem Aparecida, Mãe das Vocações, renovamos nosso compromisso de evangelizar, anunciando Jesus Cristo com alegria e esperança, para que cheguemos à plenitude do Reino de Deus.”

Aparecida – SP, 24 de abril de 2026. 62ª Assembleia Geral da CNBB

Fonte: CNBB

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A VOZ DA SERRA é atual, avançado, mas não perde as raízes

terça-feira, 28 de abril de 2026
por Elizabeth Souza Cruz

A charge de Silvério, publicada na edição do último fim de semana, não perdeu o trem da atualidade, pois se “dois em cada três brasileiros estão endividados” a fila não vai parar de crescer nem tão cedo. Se é que vai parar algum dia! Minha amiga Fausta Sidoni sempre aconselhou: “Mais importante do que ganhar é saber gastar”.

A charge de Silvério, publicada na edição do último fim de semana, não perdeu o trem da atualidade, pois se “dois em cada três brasileiros estão endividados” a fila não vai parar de crescer nem tão cedo. Se é que vai parar algum dia! Minha amiga Fausta Sidoni sempre aconselhou: “Mais importante do que ganhar é saber gastar”.

Entretanto, esse  saber é um aprendizado difícil, porque as facilidades para se endividar são mirabolantes. O cartão de crédito é o “principal vilão” seguido pelos empréstimos. Contudo, ninguém se desespere. São muitas as dicas para “sair do vermelho” a mais importante é cortar gastos desnecessários. Meu pai tinha o hábito de registrar os gastos do dia e isso ajuda muito no controle das demandas financeiras.

Sobre o cartão de crédito, para vencer a bola de neve criada, é preciso evitar novas compras. Alguém vai dizer – “parece fácil, mas não é!”. Claro que é preciso resistir aos impulsos consumistas. Com determinação e responsabilidade, acaba dando certo!

Festejando o Dia Internacional da Dança, celebrado nesta quarta-feira, 29, o Caderno Z serviu de palco onde a arte da dança revela talentos. Muito prazer, Cesar dos Santos que, aos 20 anos de idade, já tem vivência artística para contar. E ele assim se identifica: “Acredito que a arte tem um papel profundamente transformador. Ela é uma forma de conexão com o interior das pessoas e uma ferramenta de mudança. Compartilhar o que aprendi é também uma forma de retribuir...”.

Para Fran Berriel, a “dança sempre foi um sonho”, mas a jovem não se deteve no imaginário: “Havia uma certeza mais forte que qualquer insegurança, a de que a dança não era apenas uma vontade, era pertencimento...”.

Com Lurrielly Lima não foi diferente e a “dança deixou de ser apenas paixão para se tornar estratégia de futuro”. Ante as dificuldades desde a infância, quando cedo começou a trabalhar como costureira, manicure e babá, “a dança permaneceu”, ocupando o centro de sua caminhada. E realça: “A dança foi o que manteve de pé, quando tudo parecia difícil...”.

Em “Matéria de Capa”, o Caderno Z foi buscar o projeto Ballet Bonito, criado em novembro de 2020, em Rio Bonito de Cima, na região rural do 5º distrito de Nova Friburgo, Lumiar. O projeto tem a coordenação da professora  “Tia Paloma”.  Com um currículo de atuações internacionais, Paloma descobriu uma “nova forma de permanência” e isso tem a ver com sensibilidade, porque “a delicadeza do ballet encontrou a infância e a natureza”.

Dia 30, próxima quinta-feira, no Teatro Municipal Laercio Rangel Ventura, será apresentado o espetáculo “Na Pista”, da Companhia Urbana de Dança.  O projeto foi elogiado pelo The New York Times como “ a evolução da dança de rua”.

Outro destaque da edição: “Número de idosos cresce no país e chega a 16.6% da população”.  E isso é o que devemos mesmo esperar diante das novas perspectivas de vida. Não creio que o “Brasil está ficando mais velho”. Digamos que o Brasil está ficando mais habilitado para os 60+. A longevidade é fruto de mais cuidados, mais possibilidades e mais integração nas atividades comunitárias. E quem não quer viver uma vida longa, saudável e prazerosa?

Na era digital, os prós e contras. A rapidez do contato que, muitas vezes, não dá tempo de reter o conhecimento. A distração que deixa  a reflexão escapar entre os dedos. A leitura que fica “cansativa” e o vídeo “curto” que distrai. Na semana passada eu fui comprar uma estante e especifiquei que era, exclusivamente, para livros. O vendedor da loja disse que não há mais estante “para livros” porque ninguém mais lê.

Na semana passada, no próprio jornal A VOZ DA SERRA festejamos o Dia Nacional do Livro Infantil e o Dia Mundial do Livro. Sinal de que o livro está na moda sim. Ainda bem!

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Participação histórica

terça-feira, 28 de abril de 2026
por Vinicius Gastin

AFFM / Friburguense com grande delegação e conquistas no Brasileiro Individual de Futmesa

O futmesa do Estado do Rio de Janeiro confirmou sua força no cenário nacional do futebol de mesa, e a AFFM / Friburguense se destacou nesse contexto durante a disputa do 36º Campeonato Brasileiro Individual, Regra 12 Toques. A competição foi realizada entre os últimos dias 18 e 21 no ginásio do Guarani Futebol Clube, em Campinas-SP, reunindo os principais atletas do país.

AFFM / Friburguense com grande delegação e conquistas no Brasileiro Individual de Futmesa

O futmesa do Estado do Rio de Janeiro confirmou sua força no cenário nacional do futebol de mesa, e a AFFM / Friburguense se destacou nesse contexto durante a disputa do 36º Campeonato Brasileiro Individual, Regra 12 Toques. A competição foi realizada entre os últimos dias 18 e 21 no ginásio do Guarani Futebol Clube, em Campinas-SP, reunindo os principais atletas do país.

Pelo Tricolor da Serra, Hiago Carvalho e Marcio Pires foram campeão e quarto colocado na Série Bronze, enquanto Daniel Couto Pereira se posicionou entre os 16 melhores do Brasil. A delegação numerosa do Frizão é outro ponto de destaque.

O título ficou com o Vasco da Gama, que alcançou uma conquista simultânea nas categorias Adulto e Master, ambas decididas em finais contra adversários do Sociedade Esportiva Palmeiras. Na categoria principal, Nando Jesus confirmou o excelente momento e garantiu o título ao superar o multicampeão Quinho por 6 a 4 em uma final de alto nível técnico.

Já na categoria Master, a decisão foi ainda mais equilibrada. Moacir Henze conquistou o título após vencer por 5 a 4 o palmeirense Lopes, de virada, após estar perdendo por 3 a 0, assegurando mais uma taça para o clube de São Januário. Marco Antônio, também do Vasco, completou o pódio na terceira posição.

A competição

Ao todo, o torneio contou com 242 atletas, distribuídos entre as categorias Adulto (128 jogadores), Master (96 atletas) e Sub-18 (18 competidores). A competição também contou com representantes de 16 estados — Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo — além do Distrito Federal. A competição foi organizada pela Federação Paulista de Futebol de Mesa, com chancela da Confederação Brasileira de Futebol de Mesa.

O Vasco da Gama vem construindo uma trajetória vitoriosa no Campeonato Brasileiro Individual de Futebol de Mesa – Regra 12 Toques, sendo o único clube com conquistas em todas as categorias ao longo dos anos. No total, agora, são 12 títulos, sendo dois no Sub-15, quatro no Sub-18, dois no Adulto e quatro no Master.

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    Hiago Carvalho e Marcio Pires, campeão e quarto colocado na Série Bronze (Foto: Divulgação)

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    Friburguense teve delegação numerosa participando da competição nacional em Campinas (Foto: Divulgação)

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    Título principal da competição fica no Rio de Janeiro, com botonista do Vasco (Foto: Divulgação)

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Eleições de 1976: Friburgo terá 50 mil eleitores

sábado, 25 de abril de 2026
por Laís Lima (*)

Edição de 24 e 25 de abril de 1976

 

Pesquisado por Laís Lima (*) 

 

Manchetes

 

Edição de 24 e 25 de abril de 1976
 
Pesquisado por Laís Lima (*) 
 
Manchetes
 
Friburgo: 50 mil votantes – O município de Nova Friburgo vai ganhar mais oito mil eleitores. No último pleito,  votaram 42 mil eleitores e o cálculo agora é de 50 mil. O dia 4 de agosto é o prazo final para que os eleitores façam inscrições ou recebam seus títulos. Até 30 dias antes do pleito serão feitos os processos de 2ª via. Para disputar as 17 cadeiras da Câmara haverá 102 candidatos. Para um vereador garantir sua cadeira e receber o salário mensal de Cr$ 3.600, deverá obter cerca de dois mil votos.

Faria Lima na Arena – O Governo Faria Lima assinou ficha partidária na Arena, solidificando assim uma ação já pretendida há muito tempo. O presidente da Arena de Friburgo, Carlos Schuenck, esteve presente à solenidade e liderou a força de um partido. O governador do Estado do Rio afirmou: “O Partido da Revolução tem que segurar os meios para que a revolução permaneça. Permaneça no bom sentido, isto é, fazer com que esse país se desenvolva, que cresça.
 
Arena pode lançar Ariosto – Nesta semana uma importante decisão foi tomada durante a inscrição do governador do Estado do Rio, Faria Lima, na Arena. No encontro em que os líderes da Arena de Friburgo mantiveram com Heleno Nunes ficou certa a presença do engenheiro Ariosto Bento de Mello na candidatura para à Prefeitura de Friburgo. Os dirigentes da Arena consideram que Ariosto Bento de Mello é o único que reúne condições para uma vitória do partido em Nova Friburgo. O engenheiro se encontra de férias pela Europa e chega a Friburgo no próximo mês.
 
Neste prédio ninguém toca – Os vereadores da Arena e do MDB estão numa posição firme quanto à transação pretendida pela Prefeitura de Friburgo em trocar o atual prédio do Legislativo com o Banco do Brasil. Arena e MDB estão propensos a se unir para derrotar esta pretensão da prefeitura. Os dois partidos alegam que o prédio da Câmara é antes de tudo histórico. E quando uma cidade não toma nenhuma medida para preservar o seu patrimônio, não é a hora de destruir um dos prédios mais antigos da cidade.
 
Concurso Miss Friburgo – No dia 30 de abril será realizado o Concurso Miss Friburgo, nos salões da Sociedade Esportiva Friburguense. Os jurados vão ter grandes dificuldades para escolher a escolha da mais bela jovem da cidade. São muitas candidatas e todas muito bonitas. A grande festa começará às 20h.
 
Semana atribulada – A Semana Santa de 1976 passou e deixou vários vestígios da falta de estrutura que Friburgo possui para suportar um fluxo tão numeroso de visitantes. Ocorreu falta de água em boa parte da cidade, sendo Olaria o bairro mais afetado. No trânsito o caos foi total, faltaram guardas no perímetro urbano, no eixo verificaram-se muitos acidentes, por excesso de velocidade. A polícia prendeu 23 pessoas por embriaguez, por distúrbio, por roubo, por depredação.
 
VII Taça do Colonizador - Country comando o Bolão – A Taça do Colonizador, em sua oitava versão, será disputada no próximo fim de semana nas pistas do Nova Friburgo Country Clube. A promoção é uma das maiores em termos de bolão de todo o Brasil. O evento contou com equipes de São Paulo, Minas, Rio de Janeiro e Petrópolis. A intensa programação terá início às 8h do dia 1 de maio, sábado, com o reconhecimento das pistas para os integrantes das equipes. Uma grande festa marcará o encerramento da VIII Taça, que contará com um jantar no qual serão entregues os prêmios aos vencedores e um sensacional show com a presença do Conjunto Penny Lane, exclusivo do Rincão Gaúcho, que é quase certa vinda da cantora internacional Ellen de Lima.
 
Concurso da Biblioteca – A Biblioteca Pública Municipal abriu concurso com o tema “O que significa a Biblioteca em sua vida de estudante? O melhor trabalho terá como prêmio o Dicionário Internacional de Biografias em cinco volumes. A direção da biblioteca chama a atenção no sentido de que o importante não é a forma literária, mas os melhores pontos de vista do estudante. Os trabalhos devem ser entregues na Secretária da Biblioteca no horário das 12h às 18h.
 
E mais: 
  • Aldeia da Criança Alegre quer cooperação dos friburguenses 
  • Pastor Schlupp: a figura gentil; o ideal permanente 
  • Supletivo divulga edital 
  • Vpu vai festejar o Dia do Trabalho 
  • Surge um novo bloco de carnaval: Unidos da Vila Amélia   
 (*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim 
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O que é e como criar uma RPPN?

sábado, 25 de abril de 2026
por Bernardo Furrer

Na próxima terça-feira, 28, das 10hs às 12h, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e o Comitê de Bacias Macaé/Das Ostras, promoverão uma “Roda de Conversa Pública”, aberta a quem se interessar, virtual, para esclarecer o que é e sensibilizar a sociedade para incentivar a criação de RPPNs (Reservas particulares do patrimônio natural) na região de Nova Friburgo. Segue o zoom para quem quiser participar: https://us06web.zoom.us/j/84166449231 .

Na próxima terça-feira, 28, das 10hs às 12h, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e o Comitê de Bacias Macaé/Das Ostras, promoverão uma “Roda de Conversa Pública”, aberta a quem se interessar, virtual, para esclarecer o que é e sensibilizar a sociedade para incentivar a criação de RPPNs (Reservas particulares do patrimônio natural) na região de Nova Friburgo. Segue o zoom para quem quiser participar: https://us06web.zoom.us/j/84166449231 .

Unidade de conservação da natureza

O termo Unidade de Conservação, usado apenas no Brasil, é decorrente da necessidade de categorização e sistematização das áreas protegidas, num processo evolutivo de décadas, motivado pela grande variedade de biomas do território brasileiro e da sua biodiversidade extraordinária, muito ameaçada. Sua sistematização ocorreu no ano 2000 com a lei do SNUC de 9985 (https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9985.htm

A RPPN

A Reserva Particular do Patrimônio Natural, é uma unidade de conservação muito reconhecida por ambientalistas e simpatizantes da causa ambiental, criada sem conflitos, admirada pelas ações educativas e de proteção da sua biodiversidade, trazendo ao público o conhecimento da fauna e flora locais, além de promover atividades turísticas e pesquisas científicas. Caso o proprietário de uma RPPN queira apenas criá-la e não realizar nenhuma atividade, já prestará um grande serviço à sociedade e ao ambiente.

A complementaridade das áreas protegidas privadas e públicas se dá na proteção imediata dos territórios e com a garantia da contiguidade atual e futura dessas áreas, criando os chamados corredores ecológicos. Facilitam ações governamentais de educação, pesquisa e até do turismo sustentável gerando recursos para sua sustentabilidade e fortalecimento das cadeias produtivas locais. É uma área de proteção integral em harmonia com as áreas de uso sustentável de seu entorno.

As RPPNs no Brasil

No Brasil há 1.902 RPPNs protegendo cerca de 837.634ha dos 851.576.700ha do Brasil, segundo os dados da Confederação Nacional de Proprietários de RPPN, a CNRPPN. Há um contingente expressivo de propriedades passíveis de se tornarem áreas protegidas. Esses remanescentes são propriedades privadas de pessoas físicas ou jurídicas. Eis dados interessantes da CNRPPN: https://lookerstudio.google.com/reporting/0B_Gpf05aV2RrNHRvR3kwX2ppSUE/page/J7k

A RPPN é a única categoria de unidade de conservação prevista no SNUC, que permite a atuação direta da sociedade civil no processo da sua criação. O gravame de perpetuidade fica averbado na matrícula do imóvel, e podem ser doadas, herdadas, hipotecadas, vendidas ou desmembradas, como qualquer imóvel.

RPPN no Estado

No Estado do Rio de Janeiro, o decreto estadual 40.909, de 17 de agosto de 2007, (https://www.inea.rj.gov.br/wp-content/uploads/2018/12/Decreto-Estadual-n%C2%B0-40909-2007.pdf) estabeleceu critérios e procedimentos administrativos para a criação de RPPN.

Há no Estado 200 RPPNs, federais, estaduais e municipais, com tendência para a criação das RPPNs municipais no deslocamento do eixo de criação para o órgão ambiental mais próximo do território e do proprietário. (https://geoportal.inea.rj.gov.br/portal/apps/dashboards/34981093b12249a68e6ae32d3f941468).

Menores que as APAs e parques, as RPPNs permitem maior contato e consequente trocas com o seu entorno e com o conjunto da sociedade. Isso tem efeito potencializador do impacto na sua função pública. Há a possibilidade da criação de futuros mosaicos e corredores ecológicos próximos à outras Unidades de Conservação, inclusive Parques, APAs e até outras RPPNs.

A pulverização territorial das RPPNs permite que fragmentos de biomas possam manter suas características originais, funcionando como “ilhas de biodiversidade” que no futuro poderão estar conectadas com outras UCs já criadas ou que venham a ser criadas, que podem não possuir capacidade de suporte para a manutenção genética de populações viáveis de espécies da flora e fauna, especialmente espécies de grande porte e de topo de cadeia alimentar, mas que podem contribuir para que isso ocorra numa perspectiva futura, com a área total agregada. Áreas maiores possuem maior diversidade de habitats e maior biodiversidade.

RPPN no município

Quanto mais descentralizada for a criação de uma RPPN, haverá maior intimidade com o processo elaborativo e agilidade no cumprimento das exigências legais e técnicas, facilitando o cumprimento das exigências legais instando o poder público a criar incentivos, como o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), exclusão da área de IPTU, isenção do ITR da área da RPPN, utilização de mecanismos como a Transferência do Potencial Construtivo, etc., facilitando a criação de RPPN urbanas, além da colaboração do poder público na elaboração dos Planos de Manejo, Memoriais Descritivos, Georreferenciamento e principalmente na participação conjunta da execução das diversas etapas processuais.

A proximidade das RPPNs municipais com o órgão ambiental favorece sua gestão e a busca de incentivos e parcerias, com o setor público sendo um agente colaborador ativo e dinâmico em todas as suas atividades.

Participe então neste 28 de abril, terça-feira, das 10h às 12h, da “Roda de Conversa Pública”, esclareça suas dúvidas e quem sabe ser no futuro um guardião da biodiversidade na sua propriedade.

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Graça da coisa

sábado, 25 de abril de 2026
por Paula Farsoun

Desapegar-se. Verbo simples. Prática difícil. Nada simples, porém muitas vezes, necessária. É preciso ter o pulso firme e coração leve para não nos prendermos demasiadamente a tudo e todos que têm valor para nós.

Ouvi dizer que o apego ofusca a luz, como se embaçasse a clareza que pudesse existir. Senti também. É verdade, o apego atrapalha, amarra, atravanca, pesa. Sentimento estranho e mal aplicado, por assim dizer.

Desapegar-se. Verbo simples. Prática difícil. Nada simples, porém muitas vezes, necessária. É preciso ter o pulso firme e coração leve para não nos prendermos demasiadamente a tudo e todos que têm valor para nós.

Ouvi dizer que o apego ofusca a luz, como se embaçasse a clareza que pudesse existir. Senti também. É verdade, o apego atrapalha, amarra, atravanca, pesa. Sentimento estranho e mal aplicado, por assim dizer.

Apego é diferente de amor. Diferente de querer. Diferente de zelo. Apego é apego e ponto. Nós sabemos do que se trata e convivemos bastante com esse sentimento.

Há quem lute por uma vida mais livre de apegos, seja aos sentimentos, às pessoas, às coisas, à posição social, ao emprego, à matéria. Levante a mão quem se identifica com esse ato de verdadeira coragem que é buscar um caminho com mais desapego e leveza.

Sei o quão dolorida e difícil é uma existência pautada no apego arraigado à alma. Dóem os ombros só de pensar. Dói a nuca também. E a têmpora direita. Sei o quanto a leveza de desapegar-se aos poucos dos excessos que encobrem o dia a dia é libertadora. E faz bem à saúde, diga-se de passagem.

Atualmente muito tem se falado nas práticas minimalistas, em valorizar um estilo de vida com menos acúmulo, menos barulho, menos objetos e mais espaço para o ar circular. Menos coisas e mais verde, mais contato com a natureza. Tenho percebido como essa tribo está ganhando integrantes. A galera que está valorizando mais o ser do que o ter, mais o tempo do que uma conta bancária recheada às custas de dias e noites de incessante trabalho, andando em corda bamba contra o fluxo do materialismo. Dá gosto de ver. E me parece um processo de desapego também. Desapegar-se do velho mundo e buscar um novo, o seu próprio mundo, mais próximo da verdadeira essência.

Essa reviravolta no meio da vida, esse desapego de tantas coisas e muitas vezes do próprio ego é um processo dos mais bonitos que tenho presenciado. Mas ainda assim, talvez não dê tão certo se não for bem delineado, se não contar com pitadas de sabedoria e um tanto de planejamento. O desapego é bom, traz leveza, mas para muitos, é um treinamento novo, sem precedentes e difícil de lidar. Ainda assim, vale a pena sentir e conhecer melhor o verdadeiro significado do desapego.

Como bem disse a escritora Martha Medeiros: “longa vida aos que conseguem se desapegar do ego e ver a graça da coisa.”

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