Não sou historiador, mas confesso que sempre tive uma queda pela história, principalmente, quando ela é um assunto de interesse geral e ao mesmo tempo faz parte de um contexto no qual vivemos. Sendo assim, resolvi dar um mergulho nas origens de Friburgo e resgatar personagens importantes da história da cidade. Muitos estão esquecidos na roda do tempo, mas merecem nossa lembrança, pois fizeram parte importante dos primórdios de nossa cidade.
Não sou historiador, mas confesso que sempre tive uma queda pela história, principalmente, quando ela é um assunto de interesse geral e ao mesmo tempo faz parte de um contexto no qual vivemos. Sendo assim, resolvi dar um mergulho nas origens de Friburgo e resgatar personagens importantes da história da cidade. Muitos estão esquecidos na roda do tempo, mas merecem nossa lembrança, pois fizeram parte importante dos primórdios de nossa cidade. Não custa lembrar que ela começou num acordo entre a corte portuguesa, no Brasil, em 1818, e o cantão de Fribourg, na Suíça, para a vinda de 100 famílias a se instalarem na, então Fazenda do Morro Queimado, hoje Nova Friburgo. Em fins de 1819 e começo de 1820 aqui chegaram as primeiras 30 famílias, para ocuparem os espaços a elas destinados. Posteriormente vieram os demais, num total de 1.631 pessoas.
Francês de nascimento, Jean Julien Bazet ou simplesmente Jean Bazet, foi o primeiro médico da colônia suíça de Nova Friburgo. Era natural da freguesia de Nay, Departamento dos Baixos Pirineus, região francesa próxima à fronteira espanhola, daí falar tanto o francês quanto o espanhol. Ele tinha 28 anos de idade quando emigrou para o Brasil, aqui chegando em 8 de fevereiro de 1820 a bordo do navio Camillus. Os motivos que o levaram a se engajar como médico entre os colonos não são de todo conhecidos, bem como sua vida pregressa na França. Talvez, o espírito de aventura e a falta de perspectivas, numa Europa ainda se recuperando dos estragos das guerras napoleônicas, tenham motivado a sua escolha.
Em junho de 1820, foi agraciado com os títulos de Médico dos Colonos Suíços da Vila de Nova Friburgo e de Médico Honorário da Casa Real, o que lhe conferiu significativo prestígio entre os colonos e os proprietários locais, principalmente, com relação aos cuidados característicos de sua profissão. Aliás, os dados sobre sua atuação como médico são pouco conhecidos, talvez pela falta de informações precisas e mesmo de manuscritos dessa época. Acredito que nos primórdios da cidade, o médico ia de casa em casa para cuidar dos doentes, portanto sem anotações de suas atividades. No entanto, ele tornou-se uma figura proeminente tanto em Friburgo, como na corte.
Totalmente aclimatado em Nova Friburgo, Jean Bazet se casou, em 24 de setembro de 1829, com Justine Froidevaux, de 25 anos, ela também filha de imigrantes suíços. Desse casamento nasceram três filhos, as duas últimas, do sexo feminino, batizadas na Igreja da Glória, reduto da aristocracia na corte, figurando entre os padrinhos de ambas, Antônio Clemente Pinto (o Barão de Nova Friburgo) e sua esposa Laura Clementina da Silva Pinto.
No entanto, foi na política que ele mais se destacou, iniciando a saga de médicos friburguenses que tiveram papel importante na condução dos destinos da cidade como foi o caso de Feliciano da Costa, Amâncio Azevedo e Vanor Tassara Moreira. Ao longo do tempo em que residiu em Nova Friburgo, ele ocupou, por três ocasiões, entre 3 de fevereiro de 1829 e 11 de janeiro de 1833, 16 de janeiro de 1838 a 7 de janeiro de 1845 e finalmente entre 20 de janeiro de 1846 e 20 de maio de 1849, a presidência da Câmara de Vereadores local. Basta dizer que o presidente da Câmara significava ser o prefeito da época. Entre os anos de 1851 e 1852 exerceu, também a presidência do Sous Comité Friburguense da Sociedade Filantrópica Suíça, conforme o Almanaque Laemmert.
Autoridade
A ascensão de Bazet como autoridade máxima de Nova Friburgo, ocorre quando, por força da lei de 1º de outubro de 1828, iria se proceder, através dos “homens bons”, a primeira eleição municipal da história da vila. Dentre 305 eleitores que votavam em mais de um candidato, obteria o médico 158 votos, cinco a mais do que o vigário Joÿe, que também aspirava o cargo. Em terceiro figuraria um luso-brasileiro, Joaquim Antonio Marques. Esta seria uma das raras vezes em que membros da colônia exerceriam o poder, suplantando o elemento luso.
Uma curiosidade e um dado digno de observação durante este período é o significativo número de escravos acumulados por Jean Bazet. Embora exercesse a medicina como atividade principal, era também dono de terras destinadas à agricultura. Tal circunstância demonstra uma vez mais, que ao contrário do que se quis fazer acreditar, os colonos suíços e outros funcionários estrangeiros ligados à vila de Nova Friburgo, adaptaram-se perfeitamente ao sistema escravista, ainda que alguns, em um primeiro momento e por breve tempo, repudiassem o modelo. Por isso, há pessoas que entendem a ocupação suíça, em Friburgo, como uma chegada de imigrantes a convite do rei de Portugal. Eles não foram colonizadores, no sentido de terem trazido e implantado a sua cultura em terras friburguenses. Pelo contrário, absorveram os hábitos e costumes dos portugueses.
Vale a pena acrescentar que Bazet além de médico, político e agricultor, se lançou também no ramo dos negócios, como empreiteiro associado a Auguste Mulaz. No entanto, essa sua faceta durou pouco tempo e ele se afastou do empreendimento.
No início do ano de 1853, João Bazet ainda residia na vila de Nova Friburgo, entretanto, sua saúde encontrava-se debilitada. Tudo indica que por volta de 1856 ele retirou-se para a França com o objetivo de se tratar; apesar de não sabermos qual moléstia fez o médico sucumbir, seu inventário indica a data de 25 de abril de 1858 e a cidade de Paris, como a data e o local de sua morte.
Justa homenagem
Passaram-se anos até que Jean Bazet tivesse o reconhecimento da cidade, pelo seu trabalho em prol de Friburgo. De acordo com a edição de A VOZ DA SERRA de 26 de agosto de 2009, “o prefeito Heródoto Bento de Mello recebeu com bastante entusiasmo a notícia da decisão unânime da Câmara Municipal, em adotar o nome do francês Jean Bazet em seu plenário. O prefeito aproveitou para parabenizar os vereadores pela decisão que julgou acertada: A Câmara fez justiça com a história de Nova Friburgo; reparou um feito de quase 200 anos e deu um exemplo de que temos que prestigiar, em nossos prédios públicos, os nomes daquelas personalidades que têm ligação direta com o nosso município. Nada de nomear os prédios municipais e logradouros, por exemplo, em homenagem a quem nada tem a ver diretamente com o nosso município, defendeu”.
A maioria dos dados desse artigo foram obtidas no: “Migrantes no Império do Brasil: A Trajetória de Jean Bazet nas Origens da Vila de Nova Friburgo, 1820-1858” (www.academia.edu) e no post de Imigração Suíça no Brasil 1819, no Facebook, em 4 de julho de 2017, além dos arquivos de A VOZ DA SERRA.
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