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Brasil fora da Copa: E a vaca foi para o brejo...

quarta-feira, 08 de julho de 2026
por Max Wolosker

Fim de linha, o Brasil voltou para casa com o rabo entre as pernas. Também o que se podia esperar de um treinador decrépito, de um time sem alma e de jogadores que não estão à altura de uma verdadeira seleção brasileira? Ao final do jogo, o Brasil tinha apenas 32% da posse de bola contra 68% da Noruega. Muito pouco para uma seleção penta campeã do mundo e que já produziu jogadores que encheram os olhos de plateias no mundo inteiro.

Fim de linha, o Brasil voltou para casa com o rabo entre as pernas. Também o que se podia esperar de um treinador decrépito, de um time sem alma e de jogadores que não estão à altura de uma verdadeira seleção brasileira? Ao final do jogo, o Brasil tinha apenas 32% da posse de bola contra 68% da Noruega. Muito pouco para uma seleção penta campeã do mundo e que já produziu jogadores que encheram os olhos de plateias no mundo inteiro.

A seleção brasileira foi dominada por uma equipe que não faz parte da elite do futebol mundial, mas muito bem treinada e que, na maior parte do jogo, colocou nosso time na roda. Já antes de completados cinco minutos de jogo, não fosse um impedimento providencial, o marcador já estaria 1 a 0 para os noruegueses. E o gol nem foi marcado por seu artilheiro Haaland. Esse foi o nome do jogo, no segundo tempo, quando marcou os dois gols que decretaram a vitória da Noruega e desclassificaram o Brasil. Aliás, com esses dois tentos ele se iguala a Messi e Mbappé, na artilharia da Copa, com sete gols marcados até agora.

Em 1990, na copa disputada na Itália, o Brasil também foi eliminado nas oitavas de final o que não deixa de ser um desprestígio para uma seleção que já encantou o mundo, como as de 1958, 1962, 1970 e 1982. É digno de nota que naquela época tínhamos líderes em campo, como Didi, Pelé, Gérson, Sócrates, Romário, João Saldanha que jamais permitiriam o marasmo que se apoderou do time brasileiro, principalmente depois da perda do pênalti, aos 14 minutos do primeiro tempo, batido por Bruno Guimarães. Foi a pior indicação feita por Ancelotti, pois na realidade esse foi a quinta penalidade batida por ele, durante um jogo corrido, em toda a sua carreira. Uma no futebol francês e as outras três, no futebol inglês, mas nenhuma num jogo de tamanha responsabilidade. Afinal, no mata-mata, a partir das oitavas de final, qualquer erro pode ser fatal. Tivéssemos saído na frente, talvez a história do jogo fosse outra.

Em nenhum momento o time brasileiro mostrou a garra de um Uruguai, na derrota para a Espanha, do Paraguai, ao perder para a França, sem falar em Cabo Verde, grata surpresa dessa copa, ao ser derrotado pela Argentina. Aliás, a garra demonstrada pela atual campeã do mundo é, também, digna de nota, ainda mais com um jogador, como Messi, com 39 anos. Fomos um time medíocre, perdido em campo, sem jogadas ensaiadas, contando, apenas, com as escapadas individuais de Vini Jr, muito mal no jogo, ou Endrick, pior ainda.

A panelinha montada por Ancelotti impediu que jogadores como Danilo Santos, Luís Henrique, Endrick e Pedro, goleador nato, que nem foi convocado, começassem jogando, o que teria dado outra cara a essa seleção. Ryan muito pouco produziu e Martinelli foi mantido em campo, por causa do gol salvador contra o Japão. Nulos durante o jogo.

Na realidade, temos de mudar tudo nesse país, onde a corrupção é seu mal maior e impede o seu pleno desenvolvimento. O futebol é resultado desse estado de coisas. A CBF tem contratos vultosos com fornecedores de material esportivo. A atual, a Nike, renovou seu vínculo até 2038. Claro está, apesar de não estar escrito, que jogadores que não sejam patrocinados por essa empresa, dificilmente serão convocados.

Não duvido nada, que a comissão técnica ao se reunir para uma convocação do time brasileiro, já não tenha em mãos jogadores que não podem ser chamados, quando muito, apenas para compor o elenco, jamais para serem titulares. Por isso determinados técnicos, como é o caso de Renato Gaúcho, nunca são chamados, pois têm ideias próprias, contrárias às determinações da CBF. João Saldanha, em 1970, foi afastado exatamente por não aceitar interferência em seu trabalho. Naquela época, não foi o poder do dinheiro, mas do ditador de plantão em Brasília, Emílio Garrastazu Médici, que impunha a convocação de Dario, o Dadá Maravilha. Com a famosa frase “o Médici escolhe o seu ministério e eu, o meu time”, Saldanha perdeu o cargo, sendo substituído por Zagalo.

Outras coisas atrapalham, em muito, o nosso futebol como a falta de preparo dos técnicos brasileiros, sem tempo para se atualizarem e o fato de nossos melhores jogadores saírem cedo do país. Acabam sendo formados numa escola diferente e pegam a maneira de jogar, principalmente, do futebol europeu. Perdem a característica fundamental do brasileiro que é a malícia e a improvisação.

O Brasil ficou para trás e, o que é pior, com o crescimento do futebol africano e asiático, como essa copa está mostrando, a coisa tende a ficar pior. Ou nossos dirigentes mudam a maneira de pensar e agir ou vai demorar muito para chegarmos ao topo, de novo. Sem falar que deveríamos rever a formação de nossos novos valores, pois as escolinhas de futebol têm deixado muito a desejar.

Triste despedida de uma seleção que já encantou o mundo por várias gerações.

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O impacto das palavras ditas e não ditas

quarta-feira, 08 de julho de 2026
por Camilla Fiorito

Palavras. Palavras que dizemos ao longo do nosso percurso e que, muitas vezes, sequer pensamos no impacto que cada uma pode causar. Em nós mesmos, no outro, na vida.

Como flecha lançada com profundidade conflitante, onde sua força só é percebida quando a dor surge, reverbera. 

A dor vem silenciosa, mas com intensidade voraz. Como um terremoto em larga escala, destruindo tudo que tem pela frente. 

Palavras. Palavras que dizemos ao longo do nosso percurso e que, muitas vezes, sequer pensamos no impacto que cada uma pode causar. Em nós mesmos, no outro, na vida.

Como flecha lançada com profundidade conflitante, onde sua força só é percebida quando a dor surge, reverbera. 

A dor vem silenciosa, mas com intensidade voraz. Como um terremoto em larga escala, destruindo tudo que tem pela frente. 

Palavras são ditas e escutadas ao longo de uma jornada. Assim como aquilo que nos falam na infância viram verdades irrefutáveis na nossa vida adulta. Ativa o nosso cérebro de forma avassaladora, causando choque emocional quando ditas com efeito destruidor. 

O abalo vem em ondas gigantes, tal qual a maré bagunçada causa um estrondoso tsunami nas emoções. Diferentes daquelas que vêm em tom de elevação e amor. 

Dentro desse carrossel gigantesco, encontramos as palavras que não conseguimos dizer. Que guardamos com tal intensidade, seja pelo medo ou pela dor. 

Palavras não ditas, guardadas. Todas elas, para que no fim tudo fique devidamente onde tem que estar. Não se engane! Guardá-las, afinal, desperta transbordamento. Uma manifestação impetuosa que arranca cada gota de paz e serenidade.

Mas será que podemos nos manifestar e dizer tudo aquilo que precisamos sem esconder, sem nos enganar?

Me lembro da minha infância. Seis anos. Escutei coisas tortuosas, dilacerantes. Tive medo de dizer para minha mãe, meu pai. Ao longo da minha adolescência, juventude e vida adulta continuei escutando as mesmas palavras que produziam aflição contínua. A manifestação da mesma pessoa era impiedosa.  

Passei anos acreditando naquilo que era dito, como um grande gravador interno, inserido da minha mente. Como uma verdade absoluta e desgastante.

Doeu. Cresci. Continuei. Busquei. Estudei. Quebrei o ciclo. Continuo estudando. Conscientizei e continuo conscientizando para que não aconteça com o outro, com os outros, com quem quer que esteja vulnerável dentro da sua grande roda de sins e nãos.  

Palavras precisam ser ditas e não guardadas. Seja na hora, seja depois, mas não escondidas. Com respeito, com verdade, sem o desejo de ferir.

Foram ditas. Veio o alívio. Não dói mais.

Podemos dizê-las de forma clara, com empatia, autenticidade e conexão, assim como aprendemos dentro da Comunicação Não Violenta (CNV), a comunicação que venho estudando, me aprofundando e vivendo há 15 anos. 

Diga! Não coloque debaixo do tapete aquilo que precisa ser colocado para fora. Sua saúde mental agradece.

Até a próxima quarta!

……..

Contato

Site: www.camillafiorito.com.br

Instagram: @camilla.fioritoeduc

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Rumo aos 50

quarta-feira, 08 de julho de 2026
por Vinicius Gastin

Elo Futsal celebra 48 anos de atividades com a realização de torneio

No caminho para os festejos de cinco décadas de fundação, o Elo Futsal vai celebrar seus 48 anos de atividades com a realização do Torneio Professor Orani Sebastião de Oliveira. O campeonato interno será promovido nesta quarta-feira, 8, a partir das 19h, no Ginásio Municipal Adhemar Francisco Combat, na Via Expressa, em Olaria.

Elo Futsal celebra 48 anos de atividades com a realização de torneio

No caminho para os festejos de cinco décadas de fundação, o Elo Futsal vai celebrar seus 48 anos de atividades com a realização do Torneio Professor Orani Sebastião de Oliveira. O campeonato interno será promovido nesta quarta-feira, 8, a partir das 19h, no Ginásio Municipal Adhemar Francisco Combat, na Via Expressa, em Olaria.

Ao todo, serão quatro equipes na disputa de seis jogos. Dentre as premiações previstas está a entrega de medalhas ao goleiro menos vazado, ao artilheiro e ao jogador mais disciplinado do torneio.

A ideia do Elo Futsal surgiu no final dos anos 1970, a partir da amizade entre José Tadeu e Jairo Campos. A partir de uma conversa, surgiu a intenção de reunir um grupo regularmente para jogar futebol, e o desejo foi repassado para Orani, o então diretor do Instituto Pátria e Cultura, em 1978.

Os primeiros jogos aconteceram no ginásio Celso Peçanha, duas vezes por semana. À época, os campeonatos esportivos surgiram pela cidade e os empecilhos para alugar uma quadra foram muitos. A vontade de continuar reunindo o grupo superava qualquer dificuldade e as partidas se dividiam pelo Clube do Prado, ginásios Glauber Rocha e de Duas Pedras, antiga Fábrica de Rendas Arp, Colégio Estadual Canadá, Torrington, Ciep Licínio Teixeira e Colégio Nossa Senhora das Dores.

Os laços de amizade foram fortalecidos e 20 anos depois o IPC de Futebol de Salão passou a se chamar Elo Futsal. Em 2024, a equipe viveu um momento marcante. Com a presença da Seleção Brasileira da modalidade em Nova Friburgo, os atletas do Elo estiveram no ginásio poliesportivo Alberto da Rosa Pinheiro, no distrito de Conselheiro Paulino, com o objetivo de homenagear os representantes do país na disputa da Copa do Mundo de Futsal, no Uzbesquistão, realizada naquele ano.

Na ocasião, foram entregues aos 15 atletas e ao treinador medalhas alusivas às comemorações pelos 30 anos do Elo Futsal (2008) e 40 anos (2018). Uma placa de homenagem foi oferecida ao administrador da Seleção de Futsal, Bruno Vanço.

Foto da galeria
Alguns dos jogadores que fizeram e fazem parte da história do Elo, rumo ao cinquentenário (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)
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Valdirene

quarta-feira, 08 de julho de 2026
por Robério Canto

─ Alô, é o Paulinho?

─ Sim. Quem fala?

─ Alberto. Tudo bem, Paulinho?

─ Até que estava, Alberto­. São quatro da manhã, domingo!

─ Eu te acordei? Me desculpa. É que eu preciso da tua ajuda.

─ Claro que acordou, Alberto: Esse é o meu número. Tem que ser coisa muito urgente, pra você me ligar de madrugada.

─ Eu queria saber se você tem notícia da Valdirene.

─ Notícia de Valdirene?! A essa hora?!   Francamente, Alberto! O que que houve?

─ Alô, é o Paulinho?

─ Sim. Quem fala?

─ Alberto. Tudo bem, Paulinho?

─ Até que estava, Alberto­. São quatro da manhã, domingo!

─ Eu te acordei? Me desculpa. É que eu preciso da tua ajuda.

─ Claro que acordou, Alberto: Esse é o meu número. Tem que ser coisa muito urgente, pra você me ligar de madrugada.

─ Eu queria saber se você tem notícia da Valdirene.

─ Notícia de Valdirene?! A essa hora?!   Francamente, Alberto! O que que houve?

─ Ela saiu depois do almoço, e até agora não deu as caras. Não atende o telefone. Nada.

─ Como é que eu vou saber de Valdirene? O marido dela é você.

─ Mas você é o meu melhor amigo, se algum conhecido nosso soubesse alguma coisa, podia ter ligado pra ti. 

─ Olha o relógio, Alberto: quatro da madrugada.

─ Quatro da manhã? Nem lembrei que era domingo.

─ Vai dormir, Alberto. Daqui a pouco, Valdirene aparece e explica tudo direitinho.

─ Não consigo dormir. Nervoso, uma pilha. Você tem aí um Rivotril?

─ Eu não tenho Rivotril coisa nenhuma, Alberto. Por que você não telefona pras amigas dela?

─ É que eu não quero fazer escândalo, Paulinho.

─Talvez Val foi dormir na casa da mãe dela.

─ Em Portugal?

─ Ah, é! Então liga pra Giovanna, aquela amiga maluca que ela tem.

─ Maluca é elogio. Louca varrida, isso sim. Vai ver foram pra Búzios. Podiam ter me avisado.

─ Deve ter sido isso. Dorme sossegado, Alberto. Val não é nenhuma criança, daqui a pouco ela dá notícia. Volta pra cama e sossega.

─ Vou dar uma passada aí. Talvez você tem um Rivotril esquecido na gaveta.

─ De jeito nenhum, não me apareça aqui, eu vou é dormir. Faz o seguinte, Alberto. Toma duas doses daquela cachaça maravilhosa que você tem em casa e vai dormir.  Amanhã Valdirene vai te mandar uma foto na praia, pegando sol na areia. São quatro da manhã, Alberto. Se alguma coisa grave tivesse acontecido, a gente já sabia. Vai dormir. Valdirene é uma pessoa muito confiável. Com certeza se esqueceu de avisar aonde ia.

─ Não sei se você sabe, Paulinho. Te acordei, não foi? Me perdoa. Ela era caixa de supermercado quando eu conheci. Agora virou madame, toda empetecada, salto alto. E faz isso comigo. Eu devia saber que não podia confiar nela.

─ Alberto, fica calminho. Não fala assim da tua esposa. Ela não merece, é uma mulher direita.

─ Eu também achava que era. Te acordei mesmo?

─ Não, você tá falando com uma alma do outro mundo. Vai dormir, Alberto. Me deixa dormir também.

─ Eu não tinha a quem recorrer: você é meu melhor amigo.

─ Claro, tudo bem, na paz.  Amanhã a gente conversa. Me manda notícia da Val.

─ Me deixa passar rapidinho aí, amigão. Você está sozinho?

── Claro que estou. Eu moro sozinho. E não vejo razão para você me aparecer aqui, bem no meio da noite. Não ia pegar bem. Eu já te disse que não sei de Valdirene.  Toma um banho, vê um pouco de televisão e vai pra cama. Valdirene é gente boa, moça de muito caráter. Dorme, que amanhã ela se explica.

─ Você acha? Sei lá! Tá bom, vou tomar a cachacinha que você falou. Qualquer coisa, me avisa, ok?

─ Com certeza. Boa noite.

(Paulinho desliga o telefone)

─ O que está acontecendo, amor?

─ É aquela besta do teu marido. Esse cara não tem nenhum bom senso. Ligar a essa hora pra perguntar se eu sei de você. Eu é que vou saber da tua vida?  Depois liga e dá uma acalmada nele. Agora vamos dormir, que ainda são quatro da manhã. E hoje é domingo.

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Brasil volta para casa mais cedo

terça-feira, 07 de julho de 2026
por Vinicius Gastin

Afinal, por que não ganhamos dos europeus?

Em 2006, a Seleção Brasileira perdeu para a França e deu adeus ao sonho do hexa. Na Copa seguinte, foi a vez de a Holanda frustrar os planos brasileiros. Em casa, no Brasil, sofremos o traumático 7 a 1 para a Alemanha, e na decisão pelo terceiro lugar, perdemos para a Holanda. Em 2018 o algoz foi a Bélgica, e em 2022, a Croácia.

A Noruega é a mais nova seleção a bater o Brasil com o dramático 2 a 1 do último domingo, 5. Mais uma européia. E por que não ganhamos mais os europeus em mundiais, desde a final de 2002?

Afinal, por que não ganhamos dos europeus?

Em 2006, a Seleção Brasileira perdeu para a França e deu adeus ao sonho do hexa. Na Copa seguinte, foi a vez de a Holanda frustrar os planos brasileiros. Em casa, no Brasil, sofremos o traumático 7 a 1 para a Alemanha, e na decisão pelo terceiro lugar, perdemos para a Holanda. Em 2018 o algoz foi a Bélgica, e em 2022, a Croácia.

A Noruega é a mais nova seleção a bater o Brasil com o dramático 2 a 1 do último domingo, 5. Mais uma européia. E por que não ganhamos mais os europeus em mundiais, desde a final de 2002?

Poderíamos nos ater apenas ao superficial. Desde os caprichos e inexplicáveis do futebol, no caso do massacre alemão, a detalhes como um contra-ataque não neutralizado diante da Croácia. Ou ao pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães, que poderia mudar os rumos da partida contra os noruegueses. Discutir por que não o Vini Jr. cobrar aquela penalidade. Podemos - e devemos - lamentar as várias chances desperdiçadas durante o jogo, ou a atuação inspirada do goleiro adversário.

Todos esses contextos são válidos, mas na visão deste que vos escreve a análise deve ser mais ampla. O mundo evoluiu, e todos aprenderam a jogar futebol. Conforme já escrito nesta coluna, com algumas exceções, a distância entre os melhores e piores já não é tão grande.

Todos têm os seus destaques que brilham nos grandes centros, as suas estratégias. O equilíbrio observado em campo nesta Copa do Mundo é consequência de organização, melhora das estruturas e entendimento do jogo.

Faltou ao Brasil um ciclo decente, diferente deste feito com quatro treinadores, durante 37 jogos até a Copa, apenas 12 deles com Ancelloti. Falta competência para quem administra, planeja e gere. Ainda assim, com tudo isso, falta algo essencial: brasilidade. Jogar como Brasil. Produzir jogadores e pensar o futebol de acordo com a nossa cultura, a nossa forma de ser e de jogar. Que nos levaram a carregar cinco estrelas no peito. E que em algum momento foi perdida.

Scaloni, técnico argentino, falava sobre isso: de uma Seleção representar o seu país, a sua cultura e a sua identidade de jogo. E lá ele o faz: resgatou a identidade de uma Argentina que dita o ritmo. Com seus baixinhos habilidosos e aquele jogo característico. Algo que Klopp tentará fazer na Alemanha. E Ancelotti terá como missão nos próximos quatro anos.

Jogar em transição foi um modelo adotado para fazer do Brasil um time competitivo em meio ao pouco tempo para o italiano trabalhar. Mas o trabalho, a partir de agora, vai além: a transição necessária é aquela que traz as raízes do passado para o presente e para o futuro. Do Brasil que joga de forma alegre, que preserva o talento em detrimento apenas da força física e da organização tática. Que fazem parte, é claro. Mas que podem e devem ter um toque de brasilidade.

E esse processo passa por rever conceitos das nossas divisões de base, investimentos, modelos de trabalho e priorização de contextos. Os clubes precisam sim, formar para vender. Mas é preciso encontrar um equilíbrio para fazer do atleta um produto atraente sem abrir mão do talento. Para que, no topo dessa pirâmide, na Seleção Brasileira, a nossa identidade seja resgatada. E assim possamos voltar a vencer os europeus e o restante do mundo com aquilo que sempre foi o nosso diferencial: a brasilidade.

 

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No topo do jiu-jítsu nacional

Atletas da Neobrasil JJ colocam Friburgo no pódio  

São vários os trabalhos e projetos que revelam e produzem talentos nas diversas modalidades de artes marciais em Nova Friburgo. Iniciativas que transformam vidas, redirecionam caminhos, promovem qualidade de vida e, consequentemente, permitem aflorar uma vocação por muitas vezes escondida - e até mesmo desconhecida pelos próprios atletas em algumas ocasiões.

Um exemplo dentre essas equipes é a Neobrasil JJ. E dois de seus representantes conquistaram resultados importantes em competições recentes. Bia Maia, por exemplo, se sagrou campeã brasileira sem kimono da Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu, uma das principais federações que regem a Arte Suave em âmbito nacional e internacional. Bia fez duas lutas difíceis, mas saiu vencedora para alcançar o lugar mais alto do pódio.

Marcio Leandro também brilhou no Brasileiro Sem Kimono, conquistando o terceiro lugar em sua categoria, faturando assim o vice-campeonato no absoluto. O peso médio fez três lutas que exigiram muita técnica e garra, representando a equipe e o CT Brandão Reis.

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    Bia subiu no lugar mais alto do pódio ao brilhar em mais uma competição (Fotos: Arquivo pessoal)

  • Foto da galeria

    Marcio enfrentou adversários difíceis, mas alcançou resultados importantes no Brasileiro (Fotos: Arquivo pessoal)

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A VOZ DA SERRA é a arte de fazer história na informação

terça-feira, 07 de julho de 2026
por Elizabeth Souza Cruz

Embarcamos na charge de Silvério, publicada na capa da edição do último fim de semana, de cabeça inchada. O sonho do Hexa ficou no travesseiro de quem passou noites sonhando com mais uma estrela na camisa da seleção canarinho. Futebol é arte e, como tal, ganhar ou perder faz parte da competição.

Embarcamos na charge de Silvério, publicada na capa da edição do último fim de semana, de cabeça inchada. O sonho do Hexa ficou no travesseiro de quem passou noites sonhando com mais uma estrela na camisa da seleção canarinho. Futebol é arte e, como tal, ganhar ou perder faz parte da competição.

E o Caderno Z, que é uma arte em formato impresso, nos trouxe a magia da Arteterapia, não apenas como o uso das potencialidades humanas, mas, acima de tudo, como uma descoberta dessas potencialidades. Ideias que surgem de uma brincadeira podem se transformar em uma vocação. É o caso da Banda K7, quando “sete amigos decidiram reunir seus instrumentos” para animarem uma festa e o resultado foi o surgimento da banda. Do “Ford Ka”, os sete rapazes atravessaram até as fronteiras de Nova Friburgo.

Em “A esperança em cada pincelada”, Marcelo Gonzales nos apresentou Marcos Vinicius de Palma, artista plástico que encontrou na natureza da região onde vive, em São Pedro da Serra, a diretriz para as suas pinceladas. Filho de uma artista formada em Belas Artes e de um médico, seu ambiente familiar foi sempre entre desenhos e imagens. Nascido com uma alteração no diafragma, Marcos relata que seu primeiro desafio foi com a primeira respiração, até que o ar, finalmente, entrasse em seu pulmão. E sua vida seguiu num ambiente de buscas e revelações, dando sempre ênfase ao ato de criar...

Kátia Regina Gonzales, arteterapeuta com formação em várias especialidades, descobriu que a terapia da arte sempre existiu, quando costurava roupinhas de boneca, a partir dos retalhos das costuras de sua avó. A profissão de arteterapeuta, reconhecida por lei, é mais uma prova de que a arte abrange os elementos para uma vida saudável.

Paulo Antunes, presidente da Associação de Arterapia do Rio de Janeiro, destaca: “A regulamentação nos coloca em novo patamar de serviços oferecidos à sociedade”.

A coluna “Há 50 anos” é mesmo a arte de reviver o passado. Na edição 3 e 4 de julho de 1976 festejava-se o aniversário da primeira “viagem automobilística de Nova Friburgo à Niterói”, isso em 1915. Mas, antes, em 1913, chegou um automóvel Berlier, com faróis que “causaram medo a muita gente”. O veículo de Augusto Luiz Spinelli foi a condução usada na célebre viagem que abriu caminhos para a comunicação territorial.

Na arte do encantamento humano, duas aniversariantes muito amadas na cidade. Rosangela Cassano, atuante no desenvolvimento social e direitos humanos, envolvida em projetos culturais, destaque nas lutas contra violência de gênero, festejando o novo ciclo nesta segunda-feira, 6. Outra querida, Cora Ventura Spinelli, abrindo espaço para a nova idade, na quarta-feira, 8, ao lado de sua linda família. Parabéns! Vivas também para o Coral Allons Chanter, celebrando 25 anos de profícua existência. Um Jubileu de Prata que vale ouro. Ao maestro e ao coral de vozes femininas, nossos louvores!

Desde que o mundo é mundo, mudanças ocorrem entre as gerações. Nos tempos atuais, não seria diferente, pois a “Geração Z” prima pela pluralidade em suas conquistas. Os objetivos são quase os mesmos, porém não seguem um roteiro definido. Aliás, coisa alguma pode ser definida, engessada. Vimos a Seleção Brasileira perder a chance do Hexa, mais uma vez. O Brasil volta para o Brasil sem a taça. Contudo, vale o espetáculo que o futebol consegue promover. 2030 pode parecer distante, mas fica o tempo de espera. Mais quatro anos para rever os erros e reconhecer que os outros países “aprenderam” as artimanhas da bola. Vamos buscar novos formatos para que o nosso futebol arte seja mais ofensivo e muito mais habilidoso para driblar o adversário. Mais gol e menos fama!

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Histórias autobiográficas

terça-feira, 07 de julho de 2026
por Tereza Malcher

Esta coluna foi inspirada na frase de Fernando Pessoa “a vida que se vive é menos real do que a que se pensa e se escreve” (Livro do Desassossego, escrito pelo heterônimo Bernardo Soares), que me fez pensar nas diferenças entre vivenciar, refletir e escrever sobre experiências. Pensar sobre a vida é um momento que exige solitude, estado de estar só de forma voluntária e positiva, muito diferente da solidão, que é um estado de sofrimento e vazio.

Esta coluna foi inspirada na frase de Fernando Pessoa “a vida que se vive é menos real do que a que se pensa e se escreve” (Livro do Desassossego, escrito pelo heterônimo Bernardo Soares), que me fez pensar nas diferenças entre vivenciar, refletir e escrever sobre experiências. Pensar sobre a vida é um momento que exige solitude, estado de estar só de forma voluntária e positiva, muito diferente da solidão, que é um estado de sofrimento e vazio.

A frase me fez buscar significados em Nietzsche, que descreve o estar só como um momento especial de liberdade, superação e criação, espaço necessário para a construção de um caráter forte e distanciado das próprias ilusões e das emanadas pelos outros e o grande “Outro”. Ele escreveu, na sua obra “Assim falou Zaratustra”, que “é preciso ter o caos dentro de si para gerar uma estrela dançante.

Quem escreve uma autobiografia, como fizeram Gisele Pelicot, em “Um hino à vida”, Rita Lee em “Rita Lee: uma autobiografia” e Tamara Klink em “Nós: O Atlântico em solitário”, pode ser observador da própria história e deixar de ser ator do próprio filme para se tornar diretor. Ser também capaz de tomar decisões com maior clareza e racionalidade a partir do autorrelato em que se concedeu o direito de descrever e avaliar as próprias experiências e percepções, sentimentos, ações e reações, desejos e realizações.

Quando temos a coragem para escrever a nossa própria história, vemos com mais cuidado os passos que demos ao longo dos caminhos que percorremos durante os diferentes momentos que vivemos. A questão não é situá-los entre o que acertamos e erramos, mas refletir sobre como os rumos que tomamos. Ah, como somos imperfeitos! O ato de escrever supera os meandros das reflexões. As palavras registradas são expressões da língua mais aprofundadas do que as pensadas. Escrever é a possibilidade de o autor ver suas ideias concretamente, superando o plano abstrato das ideias. O pensamento é ágil, intenso, reúne ideias com sentidos diferentes que se unem, se chocam e se afastam em cadeias repetitivas. Já o ato de escrever delimita pensamentos, reorganiza-os e cria prioridades.

A autobiografia é um processo de escrita que faz com que o autor se depare com as situações e os sentimentos mais difíceis e dolorosos, embora sejam importantes para o processo de superação, reavaliação e valorização dos fatos que marcaram nossa trajetória. A vida é rápida, passa instantaneamente e vai largando pedações de afetos e lembranças pelo caminho. Como é importante parar para pensar e suspirar, rir e chorar. É como admirar a paisagem em toda a sua beleza, perigos e acidentes geográficos. Sentar-se no alto de uma colina e verificar as possiblidades para descer, percorrendo novos caminhos. Pensar e escrever sobre a vida experimentada é um dos atos mais inteligentes que uma pessoa possa vir a ter.

Uma querida amiga, Lenah Oswado Cruz, escreveu “A voz do tempo”, em que conta sua trágica história de vida. Quando ela estava escrevendo, disse para a Sally, outra grande amiga, e para mim: “preciso escrever minha história para continuar a viver”.

Quem já não desenhou a própria linha do tempo, coloriu os momentos de conquista e derrotas, contornou os desejos realizados ou não, ressaltou pessoas com quem conviveu, enfim, criou um quadro com afeto e arte para depois escrever a própria história na primeira pessoa e usou o “eu” como o maior herói ou vilão?

Eita, que desafio!

Ao escrever “Um cão cheio de ideias”, foi-me sugerido escrever cartas para o Labareda, o protagonista da história. Fiquei pasma. O meu personagem canino era cheio de certezas, incisivo, apresentava críticas diversas ao modo como eu estava conduzindo a história e me deu sugestões. Quando escrevemos sobre nós, abrimos as portas do desconhecido que existe em nós. Se inconsciente ou não, são energias vivas que ficam, silenciosamente, nos rondando, influenciando e até determinando o que vamos fazer e como.

Enfim, a literatura nos salva até de nós mesmos!

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O amor e a sabedoria de Deus cuidam de nós

terça-feira, 07 de julho de 2026
por Vatican News

A sabedoria de Deus, e não dos homens, ensina que Cristo é libertação, esperança e perdão diante de uma humanidade ferida. Jesus cuida dos que mais sofrem, dos cansados e oprimidos, correspondendo com "o seu amor e partilhando a sua vida até a cruz": "como pode ser 'leve' e 'suave' o peso da cruz? Só por uma razão: porque o Senhor o carrega primeiro e com todos nós, sem nunca nos deixar sozinhos diante do que nos oprime".

A sabedoria de Deus, e não dos homens, ensina que Cristo é libertação, esperança e perdão diante de uma humanidade ferida. Jesus cuida dos que mais sofrem, dos cansados e oprimidos, correspondendo com "o seu amor e partilhando a sua vida até a cruz": "como pode ser 'leve' e 'suave' o peso da cruz? Só por uma razão: porque o Senhor o carrega primeiro e com todos nós, sem nunca nos deixar sozinhos diante do que nos oprime".

O Papa Leão XIV, um dia após a visita pastoral a Lampedusa, no sul da Itália, voltou a enaltecer a importância de se aprender com Deus através da sua "confidência cheia de amor" por nós. Um amor que torna mais suave o fardo aparentemente pesado da vida e de realidades como aquela vivida na ilha do Mar Mediterrâneo pelos migrantes e por que os acolhe. Na homilia da missa do último sábado, 4, o Papa convidou a entrar em um "movimento do amor" liderado por Jesus que confirma que "não há amor a Deus sem amor ao próximo, e não há próximo se eu não me aproximar". Um apelo à "civilização do amor" reforçado também na alocução que precedeu o Angelus de domingo, 5. 

Corresponder ao amor de Jesus até a cruz

Através da reflexão do Evangelho da liturgia deste domingo (Mt 11, 25-30), do louvor do Filho de Deus ao Pai, feito homem, Leão XIV exortou a reconhecer a presença de Cristo que gosta de se revelar «aos pequeninos», enquanto permanece escondido «aos sábios e aos entendidos», aqueles "cheios das próprias ideias", fruto da "sabedoria humana que se torna em arrogância":

"A verdadeira sabedoria de Deus revela-se na humildade da carne e o seu ensinamento dirige-se àqueles que passam por maiores dificuldades: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos», diz o Senhor. Ir ao encontro de Jesus significa corresponder ao seu amor e partilhar a sua vida até à cruz."

É precisamente o dom de si mesmo por amor, explicou o Papa, que constitui o “jugo” de Jesus, ou seja, "a síntese do seu ensinamento, o cerne da sua sabedoria, ardente de caridade para com todos":

"Irmãos e irmãs, como pode ser 'leve' e 'suave' o peso da cruz? Só por uma razão: porque o Senhor o carrega primeiro e com todos nós, sem nunca nos deixar sozinhos diante do que nos oprime. Como autêntico mestre, Jesus toma sobre si a humanidade ferida pelo mal, para cuidar dela. A sabedoria que Ele nos dá é um anúncio de salvação e o seu jugo levanta-nos de todas as quedas."

O consolo que vem da cruz de Cristo

Ao seguir Cristo, comentou Leão XIV, o nosso caminho "é uma escola de liberdade, que leva a sério o drama da história e ilumina sempre o seu sentido, sobretudo nos momentos mais sombrios". Como Filho de Deus e com a força do Espírito Santo, Jesus se torna nosso irmão e consegue mostrar que "só na cruz o mal é redimido: só na sua paixão é que o nosso cansaço mortal encontra consolo e resgate":

“Em situações de escravidão, Cristo é libertação. No flagelo da guerra, Cristo é esperança. Na hora do pecado, Cristo é perdão. Esta é a verdadeira sabedoria, ou seja, o caminho que queremos percorrer juntos, unidos como discípulos em seu nome.”

Fonte: Vatican News

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Pagamento por Serviços Ambientais. O que é isso?

sábado, 04 de julho de 2026
por Bernardo Furrer
Foto de capa
Barragem Joel Heringer (Foto: Regina Lo Bianco)

Ao visitarmos as nossas florestas nos deparamos com elementos encantadores: o ar puro, os rios com suas águas puras e cristalinas e temos a oportunidade de constatar que aquele território é menos vulnerável a deslizamentos de terras, inundações e conserva a tão importante biodiversidade.

Ao visitarmos as nossas florestas nos deparamos com elementos encantadores: o ar puro, os rios com suas águas puras e cristalinas e temos a oportunidade de constatar que aquele território é menos vulnerável a deslizamentos de terras, inundações e conserva a tão importante biodiversidade.

Cada um desses encantos, além da sua beleza natural, traz muitas funções para toda a sociedade. O ar puro é o que respiramos. As águas servem para abastecer as pequenas e grandes cidades, garantindo saúde e qualidade de vida. A estabilidade do solo, graças ao enraizamento das árvores, garante áreas sem deslizamentos evitando barreiras e trombas d’água que trazem riscos e ameaças não só ali naquele local, mas também a dezenas de quilômetros adiante onde poderiam provocar tragédias como a de 2011.

A biodiversidade é a base da vida e um dos maiores patrimônios econômicos da humanidade. Além de manter os complexos processos ecológicos que sustentam a existência das espécies, ela fornece alimentos, medicamentos, matérias-primas e inúmeros serviços ecossistêmicos indispensáveis ao bem-estar humano. As áreas protegidas desempenham papel fundamental na conservação desse patrimônio natural, ao mesmo tempo em que promovem diversas atividades como o turismo sustentável, o lazer, a educação ambiental e a pesquisa científica, gerando oportunidades de desenvolvimento econômico compatíveis com a conservação da natureza.

Os serviços ecossistêmicos da natureza

Todas as consequências da simples existência de uma floresta em pé, quando resultam em benefícios diretos e indiretos para a população, são denominados “serviços ecossistêmicos”, fundamentais para a vida no planeta.

Ao abrimos as torneiras de água das nossas casas geramos um consumo que é medido e cobrado pelas concessionárias. Essa água tem um valor mensurável, um preço, e até um lucro. Talvez numa outra sociedade, no futuro, não sejamos cobrados, em função de sua grande utilidade pública, essencial na promoção da sua justa e necessária distribuição social. No entanto, hoje em dia, no sistema que vivemos, é atribuído um valor monetário a esses serviços ecossistêmicos.

Embora toda a sociedade se beneficie desses serviços, quem preserva uma área natural frequentemente arca sozinho com os custos dessa conservação. Imagine dois proprietários rurais: um desmata sua floresta para ampliar a produção agrícola ou industrial e obter renda imediata e outro proprietário decide conservar sua floresta, protegendo a água, a fauna e o clima, e deixa de explorar economicamente aquela área. O segundo proprietário presta um benefício para toda a coletividade, mas não recebe nenhuma compensação financeira por isso.

É justamente para corrigir essa distorção que existe o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).

Como funciona o PSA?

O PSA é um instrumento econômico pelo qual quem se beneficia dos serviços prestados pela natureza ajuda a remunerar quem a conserva. Em vez de pagar apenas pela produção de bens, a sociedade também passa a reconhecer e valorizar economicamente a produção de benefícios ambientais.

Por exemplo: uma empresa de abastecimento de água pode remunerar proprietários que preservam as florestas responsáveis pela qualidade da água que venderá; governos podem pagar proprietários de áreas conservadas pelos serviços ambientais prestados à sociedade; empresas podem financiar projetos de conservação para compensar suas emissões de carbono e demais impactos ambientais. São muitas possibilidades para que a sociedade retribua a proteção proporcionada pelos que garantem a permanência dos serviços ecossistêmicos.

Esse pagamento deve ser entendido como um estímulo para que esses territórios sejam preservados garantindo a continuidade para proporcionar esses serviços. Os pagamentos podem e devem servir de incentivo para a criação de mais áreas protegidas.

E quanto valem esses serviços?

Embora seja impossível atribuir um preço exato à natureza, diversos estudos mostram que os serviços ecossistêmicos possuem enorme valor econômico. Vejamos essa situação: se uma determinada floresta fosse destruída, seria necessário construir barragens, estações de tratamento de água, obras de contenção de encostas, sistemas artificiais de captura de carbono e outras estruturas extremamente caras para substituir, ainda que parcialmente, os serviços que ela prestava gratuitamente. Qual o preço da geração de água ou do ar? Para serem comercializados é necessário entrar na lógica do atual sistema, da oferta e procura. Passam a ter um valor de mercado. Um valor de troca.

A lei do PSA

O Governo Federal formalizou, no último dia 11 de junho, a regulamentação da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA) por meio do decreto 13.18, de 11 de junho de 2026. A medida estabelece as diretrizes para o funcionamento do Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais (PFPSA), viabilizando o uso de parte do Orçamento Geral da União e de fundos públicos para remunerar quem promove a conservação e a recuperação de ecossistemas no país.

Além das verbas diretas do orçamento federal, o fundo poderá ser abastecido por doações, recursos de cooperação internacional e valores provenientes de certificados por redução de emissões por desmatamento e degradação florestal. Também poderão ser utilizados recursos de compensação e reparação de danos ambientais judiciais. 

Sob o comando do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), serão estabelecidas as normas visando critérios, monitoramento, função socioambiental inclusive o manejo sustentável de sistemas agroflorestais que contribuam para captura e retenção de carbono e conservação do solo, da água e da biodiversidade.

E Nova Friburgo, como se insere nessa questão do PSA? Falaremos sobre isso na semana que vem.

Gostou do artigo? Alguma sugestão ou comentário sobre esse ou outro tema? Mande um e-mail para [email protected]

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Bandeira automobilística: a primeira viagem de carro, de Friburgo a Niterói

sábado, 04 de julho de 2026
por Laís Lima (*)

Edição de 3 e 4 de julho de 1976

Pesquisado por Laís Lima (*)

Manchetes:

Edição de 3 e 4 de julho de 1976

Pesquisado por Laís Lima (*)

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Bandeira automobilística - Por volta de 1913 chegou a Friburgo um automóvel Berlier e seus faróis causavam medo a muita gente. Seu proprietário era Augusto Luiz Spinelli. Foi neste veículo que foi praticada a primeira grande aventura automobilística da região: ir de Friburgo a Niterói. Foram dois dias e 16 horas de uma viagem atribulada, mas que terminou com uma grande festa e brinde de champanhe ao estacionar no Palácio do Ingá. Foi em julho de 1915, como mostra um registro fotográfico enviado por Humberto Fontão à nossa redação.    

Friburgo, cidade de roça: São João com monturos – Quem chegou à cidade no penúltimo fim de semana, certamente se surpreendeu com os monturos de madeiras, integrantes da festa de São João Batista. O acontecimento que era de grande significado há anos, agora não passa agora de uma falida manifestação comercial. 

Arena espera até 8 de agosto – A Arena de Friburgo reuniu-se no último domingo e decidiu que a convenção será transferida para o dia 8 de agosto. A situação arenista continua confusa e a relação de candidatos muda a cada momento. As chapas até agora apresentadas foram: José Carlos Schuenck e Hélio Cunha, Amílcar Feres e Joel Heringer (esse já desistiu), Jofre Costa e Antônio Elias (que também desistiu logo depois) e, por último Feliciano Costa e Heródoto Bento de Mello (dificilmente aceitarão). Fica assim confusa a situação do partido em Friburgo e novos nomes surgem todos os dias.

Shell não sabe o que fazer com terreno – Se encontra nas mãos de engenheiros da Prefeitura de Friburgo a planta para aprovação visando a construção de um posto de gasolina na esquina da Rua Fernando Bizzoto com a Avenida Comte Bittencourt. No local seria construído o posto. A Shell adquiriu o terreno (de 1.200 metros quadrados) e obteve a aprovação do DER para tal, depois de algumas exigências na planta (tendo o ajardinamento como tópico principal). Primeiro o assunto foi dirigido à prefeitura que disse ser tal decisão de competência do DER. Após a aprovação, o assunto voltou. Tudo isso indica que dificilmente se conseguirá agora a construção desse posto.

Os ratos com muitas soluções – Em Friburgo há dois ratos para cada habitante. A assertiva parece devastadora e a situação tende a piorar. As soluções, em tese, surgem de muitos pontos da cidade, com as mais variadas teorias. Um vereador propôs que a prefeitura comprasse os ratos mortos e pagasse Cr$ 1 a quem trouxesse um desses bichinhos.  Um morador do Cônego teve uma solução simples. Arma-se de espingarda e mata os roedores.

Governador recebe nova carteira - O secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, general Oswaldo Ignácio Domingues, em solenidade simples realizada dia 16 de junho passado, no Palácio Guanabara, fez a entrega ao governador Faria Lima da primeira carteira de identidade fornecida após a fusão do Institutos de Polícia Técnica Pereira Faustino (RJ) e Félix Pacheco. As novas carteiras têm características próprias, que impedem falsificações ou adulterações.

Exposição de Cordeiro movimenta criadores – A realização da 34ª Exposição Agropecuária de Cordeiro, uma das promoções do gênero mais concorridas do país, continua mobilizando a atenção de criadores de todo o Estado do Rio de Janeiro. As inscrições para participação no evento aumentaram nos últimos dias e, já estão superando o número alcançado em 1975, o que faz prever um alto volume de negócios entre expositores.

E mais

  • Rua Augusto Spinelli se une à Cristina Ziede 
  • Rua Romualdo Machado, no Catarcione, será calçada com paralelepípedos
  • Vem aí a Festa do Vinho, no Country Clube
  • Deputado sugere a interiorização do governo 
  • Faltam 213 dias para o fim da gestão do prefeito Amâncio Azevedo 
  • Deputado propõe licença após cinco anos de trabalho 


(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

 
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