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Busca pelo Hexa

quinta-feira, 11 de junho de 2026
por Vinicius Gastin

Nova Friburgo tem ligação histórica com a Seleção Brasileira

Em busca do tão sonhado hexacampeonato da Copa do Mundo, a Seleção Brasileira terá o seu primeiro desafio neste sábado, 13, quando encara Marrocos, às 19h, em Nova Jersey. O caminho brasileiro, na primeira fase, ainda terá os duelos com o Haiti, no dia 19, às 21h30, na Filadélfia, e Escócia, no dia 24, às 19h, em Miami, nos Estados Unidos.

Nova Friburgo tem ligação histórica com a Seleção Brasileira

Em busca do tão sonhado hexacampeonato da Copa do Mundo, a Seleção Brasileira terá o seu primeiro desafio neste sábado, 13, quando encara Marrocos, às 19h, em Nova Jersey. O caminho brasileiro, na primeira fase, ainda terá os duelos com o Haiti, no dia 19, às 21h30, na Filadélfia, e Escócia, no dia 24, às 19h, em Miami, nos Estados Unidos.

Contudo, o Mundial sediado nos EUA, México e Canadá terá início nesta quinta-feira, 11, com o confronto entre o time mexicano e a África do Sul, às 16h. Mais tarde, às 23h, se enfrentam Coréia do Sul e República Tcheca.

A maior Copa de todos os tempos, em termos numéricos, reúne 48 seleções, totalizando 104 jogos e sete milhões de ingressos, com preço mínimo de US$ 60 (R$ 293 na cotação atual). Distribuídos pelos três países anfitriões, 16 estádios receberão os jogos, que terão duas árbitras em ação: a americana Tori Penso e a mexicana Kátia Garcia.

Embora o município de Teresópolis tenha uma ligação maior com o time Canarinho, abrigando o principal local de treinamentos do selecionado nacional, Nova Friburgo também já esteve na rota para receber uma Seleção em 2014. A cidade disputou para ser um dos Centros de Treinamento de Seleções (CTs) daquele mundial e chegou a receber uma visita técnica da Federação Internacional de Futebol (Fifa).

Frederico Nantes, gerente de Competição e Serviços às Equipes, do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, esteve no Friburguense para avaliar o complexo que englobava academia de ginástica, parque aquático, saunas, ginásio, campo de futebol, arquibancadas, vestiários, gramado, sistema de irrigação, equipamentos para corte da grama e cabines da imprensa.

Os CTs foram utilizados para os treinos antes do começo da Copa, nos 30 dias que antecederam os jogos. À época, os locais representados em Nova Friburgo foram a casa do Tricolor da Serra e o Hotel Bucsky. Contudo, alguns fatores - como o fato de o município não possuir, pelo menos, um aeroporto regional - pesaram para que o município não fosse selecionado.

Seleção já esteve por aqui

Embora não tenha participado diretamente da preparação de alguma Seleção há 12 anos, Nova Friburgo já recebeu o time brasileiro em 1954 e 1962, além de uma visita à cidade por três dias em 1958, numa cortesia em agradecimento à recepção de quatro anos antes. Em 1962, por exemplo, foram vários treinamentos abertos ao público e jogos com combinados dos times locais.

No dia 16 de maio de 1954, o aniversário da cidade foi comemorado no estádio Eduardo Guinle, onde o Brasil encerraria a preparação para a Copa do Mundo daquele ano. A partida foi uma espécie de tira-teima de outros dois encontros. No primeiro, o Brasil venceu por 3 a 2 - Miguel Ruiz e Otacílio marcaram para o time de Nova Friburgo. No segundo treino, nova derrota por 1 a 0 (gol de pênalti, cobrado por Brandão).

A vitória de Nova Friburgo por 1 a 0, com gol de Jael, aos 38 minutos do primeiro tempo, na meta à esquerda da Tribuna de Honra do Eduardo Guinle, fechou o ciclo de amistosos (alguns historiadores e pessoas presentes contestam, e afirmam que o tento foi marcado por Jorge). De acordo com os registros históricos, 25 mil pessoas estiveram presentes, com uma renda de 90 mil cruzeiros.

Durante a passagem da seleção por Nova Friburgo, inclusive, Miguel Ruiz, um dos destaques locais, foi convidado por Zezé Moreira e participou do segundo treino do time verde e amarelo, na vaga de Luizinho.

Os grandes jornais do país, na época, consideraram Nova Friburgo como o melhor "sparring" (uma espécie de parceiro de treinos) para o Brasil. A Seleção Brasileira ficou hospedada no Hotel Sans-Souci, e contava com regalias como alimentação, concentração e estrutura de um clube profissional.

Os atletas da seleção friburguense, ao contrário, trabalharam durante os dias das partidas e foram liberados antes do horário para estarem em campo.

Em 1962 a seleção brasileira retornou a Nova Friburgo, desta vez em preparação para o Mundial do Chile, que seria disputado naquele mesmo ano. A equipe de Garrincha, Pelé, Didi, Nilton Santos e outros craques se concentrou no município.

Segundo historiadores, na chegada à cidade, no dia 9 de abril, os jogadores foram recebidos com aplausos pelos moradores durante desfile do ônibus que levava o grupo. O Centro de Treinamento da Granja Comary, em Teresópolis, só foi construído anos depois, em 1987.

 

2 fotos – legendas (Foto: Arquivo):

1- 

2- 

  • Foto da galeria

    Registro histórico de um dos encontros entre a Seleção Brasileira e o time de Nova Friburgo (Foto: Acervo Gazeta Press)

  • Foto da galeria

    Repleto de craques, time brasileiro tem ligação com Nova Friburgo em alguns de seus momentos de auge (Foto: Divulgação)

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Fevest: entre rendas e sonhos

quinta-feira, 11 de junho de 2026
por Lucas Barros

Há eventos que acontecem. E há eventos que são sentidos. A Fevest talvez pertença à segunda categoria. Durante alguns dias, Nova Friburgo parece vestir sua melhor roupa e lembrar ao Brasil aquilo que faz de melhor: transformar criatividade em trabalho, e trabalho em identidade.

Ao entrar nos pavilhões, a sensação não é apenas a de uma feira de negócios. É como atravessar uma pequena cidade construída de tecidos, luzes e expectativas. Os corredores se enchem de vozes, sotaques e histórias vindas de diferentes regiões do país.

Há eventos que acontecem. E há eventos que são sentidos. A Fevest talvez pertença à segunda categoria. Durante alguns dias, Nova Friburgo parece vestir sua melhor roupa e lembrar ao Brasil aquilo que faz de melhor: transformar criatividade em trabalho, e trabalho em identidade.

Ao entrar nos pavilhões, a sensação não é apenas a de uma feira de negócios. É como atravessar uma pequena cidade construída de tecidos, luzes e expectativas. Os corredores se enchem de vozes, sotaques e histórias vindas de diferentes regiões do país.

Há compradores, empresários, representantes comerciais, estilistas, curiosos e visitantes. Há quem procure tendências. Há quem procure oportunidades. Há quem simplesmente queira entender como uma cidade serrana conseguiu se tornar referência nacional em um setor tão competitivo. E então aparecem as rendas.

Delicadas, leves e detalhadas, elas parecem carregar algo de poesia no corpo de quem veste. Não são apenas tecidos. São pequenas demonstrações de arte produzidas por mãos que raramente aparecem nas fotografias, mas que estão presentes em cada peça exposta.

As malhas ganham formas, texturas e cores. Os estandes se transformam em vitrines de criatividade. O olhar passeia por coleções inteiras enquanto a imaginação tenta acompanhar a velocidade com que a moda se reinventa.

Mas talvez o momento mais fascinante da feira aconteça quando as luzes da passarela diminuem. A música cresce lentamente. Os celulares se levantam. Os olhares se voltam para o mesmo ponto. Por alguns instantes, tudo parece desacelerar enquanto o desfile começa a desenhar sua própria narrativa diante do público.

As modelos entram em cena. E o mais bonito é perceber que já não existe uma única forma de representar a beleza. Mulheres de diferentes corpos, cores, alturas e estilos ocupam a passarela com naturalidade e elegância que Nova Friburgo sabe fazer. Cada uma carrega sua própria presença.

Tem a miss Maiara Braga que abre o desfile. Tem a modelo iniciante que vive o início de um sonho. Algumas caminham com firmeza. Outras parecem deslizar sobre a luz. Algumas sorriem discretamente. Outras mantêm um olhar concentrado. Todas transformam o desfile em algo maior do que uma simples apresentação de produtos.

A passarela se torna quase um retrato do mundo real. Porque a beleza nunca esteve na uniformidade. Ela sempre esteve na diversidade. Na soma das diferenças. Na capacidade de enxergar encanto em múltiplas formas de existir.

Os bastidores

Enquanto isso, atrás das cortinas, acontece outro espetáculo. No backstage há movimento constante. Maquiadores trabalham diante dos espelhos. Produtores conferem horários. Alguém procura um acessório. Outro ajusta uma peça poucos segundos antes da entrada na passarela.

É uma correria organizada. Um caos elegante – cansativo, mas recompensador. Um universo invisível para quem está sentado na plateia, mas absolutamente essencial para que tudo aconteça com perfeição. E talvez seja justamente ali que mora a verdadeira essência da Fevest.

Porque Nova Friburgo também funciona assim. Enquanto muitos enxergam apenas o produto, existe uma multidão trabalhando nos bastidores. Há costureiras, modelistas, designers, revisores, técnicos de som e iluminação, vendedores e empreendedores construindo, cada um, diariamente essa história.

A moda íntima friburguense não nasceu pronta. Ela foi costurada ao longo de décadas. Ponto por ponto. Empresa por empresa. Família por família. Por isso, a Fevest não celebra apenas produtos. Ela celebra pessoas.

Celebra quem apostou em um sonho quando tudo ainda era pequeno. Celebra quem enfrentou crises econômicas, mudanças de mercado e dificuldades para manter portas abertas. Celebra quem ajudou a transformar Nova Friburgo em uma referência nacional. Há algo de bonito em observar tudo isso acontecendo ao mesmo tempo.

Uma feira de tecidos e esperança

Enquanto as montanhas cercam a cidade do lado de fora, dentro dos pavilhões circulam ideias, negócios e perspectivas de futuro. A feira é feita de tecidos, mas também de esperança. E talvez seja justamente por isso que ela deva ser vista como algo ainda maior.

Mais do que uma vitrine de produtos, a Fevest pode ser uma vitrine de futuro. Um espaço para discutir inovação, tecnologia, qualificação profissional e caminhos para fortalecer um setor que movimenta milhares de famílias.

Afinal, as luzes da passarela se apagam. Os visitantes retornam para casa. Os estandes são desmontados. Mas a indústria permanece aqui. E é por isso que a Fevest precisa continuar sendo um lugar de celebração, mas também de construção. Um ambiente onde se pense o amanhã com a mesma dedicação com que se produz cada coleção.

Isso porque as rendas encantam. Os desfiles impressionam. Os flashes registram momentos inesquecíveis. Mas o que realmente sustenta essa história é aquilo que permanece quando a feira termina.

E o futuro da moda íntima friburguense merece mais do que politicagem e duradouros discursos diante da multidão. Merece inovação, planejamento e políticas públicas capazes de garantir que Nova Friburgo continue vestindo o Brasil por muitas gerações.

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Existe quantidade segura de álcool para o ser humano?

quinta-feira, 11 de junho de 2026
por Cesar Vasconcellos

O Medscape é um site científico para médicos e, no último dia 3, publicou o artigo: O álcool faz parte de um estilo de vida saudável?”, de Christopher Labos, cardiologista e epidemiologista, colunista do Montreal Gazette, rádio CJAD, CTV Montreal e CBC Morning Live. Vejamos novidades sobre o álcool que ele apresenta.

O Medscape é um site científico para médicos e, no último dia 3, publicou o artigo: O álcool faz parte de um estilo de vida saudável?”, de Christopher Labos, cardiologista e epidemiologista, colunista do Montreal Gazette, rádio CJAD, CTV Montreal e CBC Morning Live. Vejamos novidades sobre o álcool que ele apresenta.

Ao longo do texto é comentado sobre novas diretrizes dietéticas que sugerem a redução do consumo de álcool para melhor saúde, desafiando a noção de efeitos cardioprotetores do álcool. A recomendação é consumir menos álcool para melhor saúde geral. Importante a abstinência para mulheres grávidas, pessoas que tomam medicamentos que podem interagir com o álcool ou as com problemas de vício.

Nos últimos anos vimos reportagens sobre o álcool como cardioprotetor. Também falavam sobre a descoberta paradoxal surpreendente de que os franceses tinham taxas mais baixas de doenças cardiovasculares do que os americanos, apesar de suas taxas mais altas de tabagismo e propensão para o estilo de vida de desfrutadores de comidas e bebidas.

O artigo explica que o vinho tinto deveria ser o ingrediente que fez essa mágica acontecer. Mas existem problemas com o paradoxo francês. Comparando dados americanos e franceses, os dois não necessariamente se alinham. As diferenças em como as mortes cardiovasculares são registradas nos dois países podem explicar em parte esse paradoxo. Alguns sugeriram que as taxas de doença cardíaca isquêmica na França podem ter sido subnotificadas, o que explicaria algumas diferenças.

Mas, e os estudos sobre os benefícios do álcool em doses baixas para o sistema cardiovascular? O problema com a maioria das pesquisas sobre o consumo de álcool é que não se pode controlar variáveis. O Dr. Labos afirma: “...o mais importante, as pessoas que não bebem álcool geralmente estão mais doentes do que a população em geral, porque essas pessoas nunca bebem. Essas pessoas geralmente são ex-bebedores... e ex-bebedores que têm uma série de condições crônicas que os forçam a desistir de suas bebidas...”

Fatores genéticos têm papel importante sobre o metabolismo do álcool. Cientistas estudando genética verificam que existe um gene ligado ao metabolismo do consumo do álcool (ALDH2), e quem tem mutação genética nesse gene, sofre prejuízo na capacidade de metabolizar o acetaldeído com mais rapidez, causando sintomas como rubor ao beberem álcool e bebem menos álcool, em média.

O resveratrol foi muito estudado porque seria a molécula benéfica para o coração. Alguns estudos com resveratrol não mostraram benefício. O vinho tinto tem pouco resveratrol. Você teria que beber centenas de litros de vinho tinto por dia para obter uma dose biologicamente importante de resveratrol, e isso o mataria.

Dr. Christopher afirma: “A longo prazo, porém, o álcool não é bom para você. Ele aumenta sua pressão arterial, ... e reduzir certamente ajudará você a controlar seus números. Reduzir o álcool pode diminuir a carga de fibrilação atrial. ... O álcool é diretamente tóxico para o músculo cardíaco. ... O álcool é cancerígeno. O álcool está ligado a vários tipos de câncer, incluindo o câncer de mama...  E, ... obesidade.”

Ele termina o artigo dizendo: “Precisamos remover a noção de que o álcool é cardioprotetor. Não é. Também não há limite seguro para o álcool. Nossa orientação tem que mudar. A nova conversa não é sobre encontrar um limite seguro. É sobre os benefícios de beber menos. Precisamos fazer com que nossos pacientes troquem suas taças de vinho e canecas de cerveja por tênis de corrida. Eles vão nos agradecer a longo prazo.”

_______

Cesar Vasconcellos de Souza

doutorcesar.com
youtube.com/claramentent
IG @claramentent
Tik-Tok claramentent
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Quase poesia

quarta-feira, 10 de junho de 2026
por Robério Canto

É impossível evitar: não há quem, de vez em quando, não seja atacado pela tentação de escrever poesia. Comigo acontece de, às vezes, estando eu com o pensamento concentrado em coisa nenhuma, um punhado de versinhos desabar sobre mim. Qual o jeito, senão transcrevê-los? Paciência, leitor!

 

Fundo do Poço

Não brinque com meu coração,

seu moço,

que, se a tristeza tem fundo,

meu coração já está

no fundo do fundo do poço.

 

Não me faça esse alvoroço,

que entre o amor e o ódio

É impossível evitar: não há quem, de vez em quando, não seja atacado pela tentação de escrever poesia. Comigo acontece de, às vezes, estando eu com o pensamento concentrado em coisa nenhuma, um punhado de versinhos desabar sobre mim. Qual o jeito, senão transcrevê-los? Paciência, leitor!

 

Fundo do Poço

Não brinque com meu coração,
seu moço,
que, se a tristeza tem fundo,
meu coração já está
no fundo do fundo do poço.

 

Não me faça esse alvoroço,
que entre o amor e o ódio
a distância é bem menor
que entre a fruta e o caroço.

 

Meu coração tem andado
com a corda no pescoço,
e qualquer aperto a mais
será o fatal esforço.

 

Se é só por brincadeira,
Não me chegue assim tão perto.
Quero é um moço que seja
água no meu deserto.

 

O Cachaça

A paisagem que eu tenho é o vão da janela.
O espaço que eu tenho é o ônibus lotado.
Às sete e dez chego no trabalho:
“Atrasado!”, é o que ouço.
Peço desculpas e engulo calado.
Não fosse a criança em casa,
ou já indo pra escola,
não sei se eu ficava ou ia embora.
Na volta para o lar, eu tomo um trago,
ou dois ou três, quem sabe quatro,
e me chamam O Cachaça.
Brasileiro, trabalhador e pai,
por mais que eu faça
sou sempre O Cachaça.
Madrugada abro a janela
e vejo em frente um muro escuro,
duro, frio e ruim,
de outro brasileiro como eu,
outro Cachaça igual a mim.

 

Aurora

Aurora merecia o nome que tinha.
Quando ela entrava,
a sala toda amanhecia.
E que sorriso tinha Aurora,
dentes brancos de alegria!
Era bom ver aquela cara,
rara, clara, iluminada,
como um dia que amanhece
cheio de luz: claridade.
Mas eis que aconteceu:
um dia sentiu-se mal,
médico, ambulância, hospital,
e, subitamente, a sala anoiteceu.

 

Passarinho

Para Luísa Lacerda

Essa voz de passarinho
faz a manhã abrir os olhos
e o sol adormecer.
É sombra de nuvem fina,
abrigando trovoadas.
É como a pessoa amada
que chega sem avisar.
É feito água do rio,
que nunca está onde está.
Riso de criança, choro de gente grande,
que às vezes nos acolhe,
outras vezes nos espanta,
e pode ser tudo isso
porque tudo pode uma mulher que canta.
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O Pix brasileiro é diferente

quarta-feira, 10 de junho de 2026
por Max Wolosker

Talvez esse seja o motivo da raiva do presidente americano, ao se deparar com um mecanismo financeiro, genuinamente brasileiro, que deu super certo, apesar de haver similares em outros países. De acordo com o site https://veja.abril.com.br/politica/entenda-por-que-o-pix-entrou-na-mira-de-trump-e-quais-sao-os-riscos-possiveis-para-o-brasil/

Talvez esse seja o motivo da raiva do presidente americano, ao se deparar com um mecanismo financeiro, genuinamente brasileiro, que deu super certo, apesar de haver similares em outros países. De acordo com o site https://veja.abril.com.br/politica/entenda-por-que-o-pix-entrou-na-mira-de-trump-e-quais-sao-os-riscos-possiveis-para-o-brasil/

, o argumento dos EUA é que o sistema é regulado e operado pelo Banco Central, além de oferecer gratuidade para pessoas físicas e limitar taxas cobradas de empresas. “O fato de o Pix ser gratuito para as pessoas físicas e, também, pelo Banco Central limitar taxas na operação para pessoas jurídicas acaba gerando uma concorrência um pouco mais complicada para as empresas de pagamento dos Estados Unidos. Ou seja, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos teria tratado de forma “injusta e discriminatória” as empresas americanas de meios de pagamento, como Visa e Mastercard.

 O diferencial do Pix brasileiro para o Selles dos EUA e o sistema indiano é que esses são geridos por instituições financeiras independentes. Na União Europeia ainda é feito por meio de operações interbancárias. No Brasil, o sistema conta com a garantia do Banco Central o que torna o mecanismo muito mais seguro e confiável. Daí ser genuinamente brasileiro.

É verdade que em 2001, a Coréia do Sul foi o primeiro centro financeiro a implantar um Sistema de Pagamento Instantâneo (SPI) e que diversas outras iniciativas se proliferaram em todo o mundo. O papel principal do Banco Central do Brasil foi buscar em países como Austrália, Singapura, Dinamarca, Índia, Reino Unido, Suécia, União Europeia, Estados Unidos, Itália e México subsídios para aprimorar e implantar o SPI brasileiro, hoje referência mundial. Foi uma longa caminhada, iniciada em 2013, com a lei 12.865 quando o BC recebeu o mandato legal para assegurar a solidez, a eficiência e o regular funcionamento dos arranjos de pagamento e das instituições de pagamento e para adotar medidas para promover a competição, a inclusão financeira e a transparência na prestação de serviços de pagamentos.

Na realidade, até 2019 o dinheiro em espécie ainda era o meio de pagamento mais utilizado pelo brasileiro e que era extremamente caro para produzi-lo, distribuí-lo e destruí-lo. Além da necessidade de transportar altas somas, dependendo do custo da operação a ser realizada. Os outros métodos existentes, como cheque, cartão pré-pago, cartão de débito, TED, etc também tinham custos elevados, além de demandarem tempo para a concretização da operação a ser realizada. Daí a necessidade de se criar um SPI interoperável e tornar o mercado de pagamentos de varejo brasileiro mais eficiente, seguro, competitivo e inclusivo. Aí entra a eficiência do BC e sua equipe, pois a criação do novo produto foi longa e requereu muitas horas de estudo e trabalho. A ideia nasceu em 2014 e sua concretização levou quatro anos, de 2016 até 2020.

Foi assim que em 16 de novembro de 2020, o Pix entrou em operação plena, colocando o Brasil no rol dos países com SPI em funcionamento e iniciando uma grande mudança no contexto de pagamentos de varejo, no país. É necessário dizer, que com a experiência adquirida, a malícia e o famoso “jeitinho” brasileiro, o Pix passou a ser um fenômeno entre nós.

Mas, afinal o que é o Pix?

 É um sistema de pagamento instantâneo, que permite transferir dinheiro entre contas em segundos, a qualquer hora do dia. É prático e seguro e pode ser usado a partir de contas corrente, poupança ou pré-pagas. Além do mais é barato, pois é gratuito para pessoa física e custo baixo para empresas; é fácil de fazer, aberto, pois é oferecido por vários tipos de instituições, além de versátil, pois é usado para diferentes situações e tipos de pagamento e integrado, pois facilita conciliação, automatização e integração de sistemas.

É claro que passou a haver uma forte concorrência com os cartões de débito ou de crédito em função das taxas de 3% e 5% cobrado do comerciante sobre o valor da operação, além dos custos do aluguel ou compra da maquininha para operar tais cartões. No entanto, não houve prejuízo de faturamento tanto da bandeira Visa, como da Mastercard, de propriedade de empresas americanas, pois mesmo com o uso do Pix, a sua utilização continuou elevada. Isso é evidente, pois a maioria dos comerciantes fazem parcelamento em até dez vezes, em compras de valor mais elevado, no cartão de crédito.

Mas, o Pix chegou para ficar. Para se ter ideia da sua aceitação, em 17 de dezembro passado, o volume movimentado por ele bateu seu recorde, atingindo 313,3 milhões de utilização. É importante assinalar que o processo não parou em 2020, pois continuou a evoluir. Em 2021 criou-se mais produtos e segurança tais como Pix saque e troco, bloqueador cautelar, mecanismo especial de devolução, open finance: iniciação de pagamento via Pix. Em 2022 veio a tecnologia em favor do cidadão com limites noturnos para maior segurança, QR code dinâmico com mais funcionalidades. Em 2023 surgiu a sinergia para gerar impacto numa maior integração com o Open Finance (Sistema Financeiro Aberto). Em 2024 criou-se a experiência simplificada com o Pix agendado e em 2025 o usuário em primeiro lugar com o Pix automático e por aproximação.

A verdade nua e crua é que hoje a maioria das atividades financeiras do nosso dia a dia são efetuados via Pix e ele não tem limites. Esse limite de saque é gerido pelos bancos e pode ser alterado, bastando solicitação prévia ao gerente.

É bom deixar claro que a taxação de 25%, feita por Trump, das exportações brasileiras para os Estados Unidos, talvez, tenha a ver algo com o Pix do Brasil, aliás, diga-se de passagem, não temos de dar explicações para Trump. A visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca não tem nenhuma ligação com esse fato, o que provavelmente, vai ser explorado pelo PT durante a campanha eleitoral. As informações contidas nesta coluna foram obtidas pelo Banco Central do Brasil.

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O sopro da vida

quarta-feira, 10 de junho de 2026
por Camilla Fiorito

Um sopro. Um único momento que muda tantas coisas. Muda tudo.

O que foi planejado se perde, dando lugar ao inesperado. A vida vai se esvaindo pelos dedos, pouco a pouco, mostrando que não temos nenhum controle sobre ela.

Me lembro de dois anos atrás quando fiquei oito dias internada na unidade semi-intensiva do hospital Pró-Cardíaco, na cidade do Rio de Janeiro. Dengue. Não qualquer dengue, mas sim uma outra cepa que fez meu corpo reagir muito diferente da que fui acometida há 23 anos.

Um sopro. Um único momento que muda tantas coisas. Muda tudo.

O que foi planejado se perde, dando lugar ao inesperado. A vida vai se esvaindo pelos dedos, pouco a pouco, mostrando que não temos nenhum controle sobre ela.

Me lembro de dois anos atrás quando fiquei oito dias internada na unidade semi-intensiva do hospital Pró-Cardíaco, na cidade do Rio de Janeiro. Dengue. Não qualquer dengue, mas sim uma outra cepa que fez meu corpo reagir muito diferente da que fui acometida há 23 anos.

As enfermeiras olhavam para mim como se quisessem me contar um grande segredo. O médico deu o prognóstico. Chorei. A psicóloga foi chamada. O tudo ou nada começaria naquele exato momento, com pressa. Cada minuto contava e faria diferença.

Entendi. Doeu na alma. Meus olhos tremeram e foram de encontro aos do meu marido, que chamou nossa filha, na época, com 11 anos recém completados. Momento difícil. Senti o cheiro dos seus cabelos, dei um abraço apertado, disse o quanto ela era forte. Guardei o momento e me despedi em silêncio da minha doce menina. Não aceitava a finitude. Não ali. Não naquele instante. Uma fortaleza foi imposta. Lutei bravamente, doeu, me rasgou inteira como uma fina folha de papel.

O médico conseguiu, meu corpo reagiu, mas o resultado poderia ter sido outro. O oposto poderia ter batido à porta e entrado sem pedir licença. Sem hora marcada.

A finitude chega para todos nós. Cada um, em um momento da vida. No inesperado, no esperado, no previsível ou no imprevisível. Simplesmente chega, como um sopro. Um sopro que passa em uma fração de segundo, onde o ponteiro do relógio não acompanha.

Tendemos a achar que ela acontecerá apenas depois de algumas longas décadas vividas e esquecemos que a chegada pode ser iminente. Nunca estaremos preparados.

O hoje é para ser vivenciado, sem medo, com desejo e vontade. Os planos sempre existirão, em sua pluralidade, porém, também é necessário dar lugar para o agora chegar e não só o depois. O ser e estar no momento presente, de forma segura, com a potência necessária para encontrar a melhor sintonia, conquistando um benefício que fica esquecido: o nosso equilíbrio emocional.

Até a próxima quarta!

……..

Contato

Site: www.camillafiorito.com.br

Instagram: @camilla.fioritoeduc

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Seguindo

quarta-feira, 10 de junho de 2026
por Vinicius Gastin

Circuito Nova Friburgo de Voleibol tem nova etapa na categoria Sub-14

O calendário do voleibol de Nova Friburgo continua animado, e o segundo evento previsto foi realizado no último dia 30 de maio, no ginásio municipal Adhemar Combat, em Olaria. Na ocasião foi disputado o Torneio Sub-14 Feminino, na sequência do Circuito Nova Friburgo de Voleibol 2026. O evento contou com as presenças de equipes do Rio de Janeiro, Campos, Teresópolis, Rio das Ostras, Cachoeiras de Macacu e Nova Friburgo.

Circuito Nova Friburgo de Voleibol tem nova etapa na categoria Sub-14

O calendário do voleibol de Nova Friburgo continua animado, e o segundo evento previsto foi realizado no último dia 30 de maio, no ginásio municipal Adhemar Combat, em Olaria. Na ocasião foi disputado o Torneio Sub-14 Feminino, na sequência do Circuito Nova Friburgo de Voleibol 2026. O evento contou com as presenças de equipes do Rio de Janeiro, Campos, Teresópolis, Rio das Ostras, Cachoeiras de Macacu e Nova Friburgo.

Com partidas eletrizantes com muita disputa e participação do público presente, o Circuito teve o encerramento como um dos pontos altos: os pais das atletas foram convidados para entregarem as medalhas às suas filhas.

E quem festejou o título foi a Escola Nova, do Rio de Janeiro, superando o Undercrown-CQV, de Campos dos Goytacazes. A terceira colocação ficou com a Arena Adriano Costa, de Rio das Ostras, seguida por CDM/Marra. de Teresópolis, Papucaia e Colégio Anchieta, de Nova Friburgo.

O Circuito Nova Friburgo de Voleibol teve a sua primeira etapa realizada ainda em abril, com as competições válidas pela categoria Sub-18, tanto no masculino quanto no feminino. Os jogos também foram realizados no Ginásio Municipal Adhemar Combat, com a equipe Camões Pinochio faturando o título feminino Infanto Juvenil. No Masculino, o União, de Nova Friburgo, sagrou-se campeão.

Regras

As competições ao longo do ano são divididas por categorias. Cada equipe pode inscrever no mínimo seis e no máximo 12 atletas por torneio e categoria, que serão: Mirim: 8 a 13 anos; Infantil: 13 a 15 anos; Infanto: 15 a 17 anos; Juvenil: 18 a 20 anos; Adulto (acima 21 anos); Master: acima 30 anos; de 40 anos (podendo inscrever até 2 atletas 35+), 50 anos (podendo inscrever até 2 atletas 45+) e acima 55 anos (podendo inscrever até 2 atletas 50+)

As partidas acontecem nos ginásios ginásio Adhemar Combat, em Olaria; José Pereira da Silva, em Duas Pedras e Alberto da Rosa Pinheiro, no distrito de Conselheiro Paulino, sempre das 9h às 18h.

  • Foto da galeria

    Título da etapa foi para o Rio de Janeiro, e foi conquistado pela Escola Nova (Fotos: Divulgação)

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    Equipe do Colégio Anchieta foi a representante de Nova Friburgo nesta etapa do Circuito (Fotos: Divulgação)

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    Partidas foram realizadas no Adhemar Combat, e contaram com boa presença de público (Fotos: Divulgação)

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    Torneio, que conta com o apoio da Prefeitura, é organizado pela Secretaria de Esportes em conjunto com o Professor Fernando Miranda (Fotos: Divulgação)

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    Competição reúne equipes de variadas cidades do Rio de Janeiro, em suas diversas etapas (Fotos: Divulgação)

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No clima de Copa

terça-feira, 09 de junho de 2026
por Vinicius Gastin

Mundial movimenta economia e mobiliza reuniões e confraternizações

Faltam dois dias para o início da Copa do Mundo. Nova Friburgo e todo o país já se mobilizam para acompanhar os jogos, torcer pela Seleção e aproveitar a oportunidade para reunir familiares e amigos em momentos de confraternização. E é neste contexto que a competição deve movimentar o varejo alimentício, a partir de um comportamento já conhecido dos brasileiros.

Mundial movimenta economia e mobiliza reuniões e confraternizações

Faltam dois dias para o início da Copa do Mundo. Nova Friburgo e todo o país já se mobilizam para acompanhar os jogos, torcer pela Seleção e aproveitar a oportunidade para reunir familiares e amigos em momentos de confraternização. E é neste contexto que a competição deve movimentar o varejo alimentício, a partir de um comportamento já conhecido dos brasileiros.

Levantamento feito pela Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) mostra que 85,5% dos torcedores pretendem acompanhar as partidas em ambientes residenciais, seja na própria casa, ou reunidos com amigos e parentes.

Segundo a pesquisa, 34% dos entrevistados afirmam que assistirão aos jogos na privacidade do lar, enquanto 32,2% pretendem receber amigos em casa. Apenas 14,5% disseram que devem acompanhar as partidas em bares, restaurantes ou eventos públicos.

Maior empolgação com a Seleção

O levantamento indica que o clima de expectativa em torno do torneio já está consolidado entre os consumidores. Mais da metade dos entrevistados, 52,8%, afirma estar empolgado com a participação do Brasil na competição, e 53,6% pretendem assistir a todos os jogos que conseguirem. Apenas 7,2% demonstram interesse restrito às fases decisivas.

Os dados também revelam um consumidor mais planejado: 75,1% dos torcedores afirmam que pretendem comprar bebidas e alimentos com algumas horas de antecedência ou até dias antes das partidas, evitando compras de última hora.

O menu do Mundial

No cardápio da Copa, o churrasco continua como a principal escolha dos brasileiros. Mesmo com a realização da competição durante o inverno e com partidas previstas para o período da noite, 47,7% dos entrevistados apontam a carne na brasa como a opção preferida para reunir amigos e familiares.

Os petiscos frios e tábuas de frios aparecem em segundo lugar, com 30,3% da preferência, indicando uma combinação entre tradição e praticidade.

Entre as bebidas, a cerveja mantém a liderança absoluta, sendo a favorita de 53,9% dos consumidores. Refrigerantes e sucos aparecem em segundo lugar, com 24,9%, enquanto o vinho conquista 9,9% da preferência, refletindo a influência das temperaturas mais baixas.

Segundo a pesquisa, o menor preço é o principal fator para a escolha do supermercado para 46,9% dos entrevistados. A proximidade da loja aparece na sequência, sendo citada por 32,2% dos consumidores. A busca por economia também se reflete na escolha dos produtos. O levantamento mostra que 46,6% dos entrevistados preferem marcas intermediárias ou marcas próprias dos supermercados, percentual superior aos 37,8% que optam pelas marcas líderes.

Para o varejo, a pesquisa aponta oportunidades relacionadas à conveniência. Quase sete em cada dez consumidores, ou 68,7%, afirmam que considerariam comprar combos e kits prontos para os dias de jogo. Entre eles, 36,5% acreditam que esses produtos facilitam as compras, enquanto 32,2% dizem que a decisão dependerá do preço oferecido.

Apesar do crescimento dos canais digitais, a loja física continua sendo a preferência dos consumidores. Segundo o levantamento, 89,3% pretendem fazer presencialmente as compras relacionadas à Copa.

Foto da galeria
Ruas decoradas, reuniões familiares e com amigos: Copa mexe com relações sociais de economia (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
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A primeira encíclica de Leão XIV

terça-feira, 09 de junho de 2026
por Vatican News

Última parte

Ao apresentar o capítulo – Preservar o humano na transformação. Verdade, trabalho, liberdade –, a encíclica defende uma “ecologia da comunicação” baseada na verdade. O Papa pede transparência nos critérios de seleção de conteúdos, proteção dos dados pessoais, um jornalismo sério fundamentado na argumentação e na verificação, uma nova consciência no uso “correto e crítico” da IA e a integração dos conhecimentos.

Última parte

Ao apresentar o capítulo – Preservar o humano na transformação. Verdade, trabalho, liberdade –, a encíclica defende uma “ecologia da comunicação” baseada na verdade. O Papa pede transparência nos critérios de seleção de conteúdos, proteção dos dados pessoais, um jornalismo sério fundamentado na argumentação e na verificação, uma nova consciência no uso “correto e crítico” da IA e a integração dos conhecimentos.

Uma comunicação transparente e leal é exigida também da Igreja, sobretudo nos casos de injustiças e abusos. É fundamental também o apelo a uma aliança educativa renovada, para que nos jovens não se apague “o desejo de fazer perguntas” por causa de máquinas perfeitas que fazem parecer inútil o pensamento humano Leão XIV pede ainda que se aposte na escola como lugar onde se aprende a “buscar e amar a verdade”.

A dignidade do trabalho

Na “quarta revolução industrial” representada pela transição digital, o Pontífice ressalta então a importância de proteger a dignidade do trabalho, projetando sistemas centrados na pessoa e não apenas no desempenho. A tecnologia pode certamente aliviar o homem de tarefas pesadas ou repetitivas, mas não deve levar ao desemprego em nome da redução de custos e do aumento do lucro. Nesse sentido, espera-se também uma renovação das organizações sindicais.

O Pontífice destaca, em seguida, a necessidade de superar o PIB como parâmetro do grau de desenvolvimento de um país, apostando, em vez disso, na dignidade do trabalho, na prosperidade compartilhada, na redução das desigualdades e na preservação do meio ambiente. A finança pela finança é, de fato, diferente da finança para o desenvolvimento.

A “arquitetura da visibilidade”

Por fim, a questão da liberdade humana: numa época em que as plataformas digitais são projetadas para capturar o tempo dos usuários e explorar suas fragilidades, é preciso fortalecer a liberdade interior de cada um, enfrentando também o risco do controle social decorrente da coleta massiva de dados e do uso de sistemas algorítmicos. Perfilar, prever e orientar comportamentos, de fato, é “um novo poder” (171) que corre o risco de discriminar os mais fracos. O Papa deplora, em particular, a “arquitetura da visibilidade” que amplifica apenas o que é visível, moldando as opiniões.

A IA também gera novas formas de escravidão, como a dos “corpos marcados, mutilados, consumidos” daqueles que trabalham na extração das “terras raras” necessárias à tecnologia. Portanto, a luta contra as novas formas de escravidão é outro “teste decisivo para o discernimento ético” da transformação digital. Leão XIV ressalta que “a Igreja renova sua firme condenação contra toda forma de escravidão, tráfico e mercantilização de pessoas”. Ao mesmo tempo, o Papa pede “sinceramente perdão” pelo atraso com que a Igreja, no passado, condenou “o flagelo da escravidão”

Superar a teoria da “guerra justa”

No capítulo — A cultura do poder e a civilização do amor —, Leão XIV volta seu olhar para a guerra: “A revolução digital está modificando a gramática dos conflitos” e, sem uma abordagem ética, as decisões sobre a vida e a morte das pessoas serão cada vez mais impessoais, com o recurso à força considerado uma “opção imediata e viável”. Na base de tudo está uma “cultura do poder” que normaliza a guerra e a reabilita como “instrumento de política internacional”, favorecendo o rearmamento.

Nenhum algoritmo torna a guerra aceitável 

O Papa não deixa de deplorar o crescimento da indústria bélica, a corrida aos armamentos nucleares e o surgimento de novos atores armados – entre os quais os jihadistas – que visam perpetuar os conflitos como fonte de poder e de renda. É clara, ainda, a advertência contra o uso de armas ligadas à IA, pois “não existe algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável”. São necessárias restrições éticas rigorosas, compartilhadas internacionalmente, baseadas na responsabilidade pessoal e na proteção dos civis, pois “toda tecnologia que facilita atacar sem ver o rosto do outro abaixa o limiar moral do conflito”.

A civilização do amor

O cristão é chamado a responder à cultura do poder construindo “a civilização do amor” e escolhendo entre alimentar a lógica da força ou zelar pela paz. O Papa aponta cinco “caminhos de responsabilidade”: desarmar as palavras dizendo a verdade; construir a paz na justiça; assumir o olhar das vítimas tomando posição, pois há conflitos em que “não é justo permanecer neutro”; cultivar “um saudável realismo” que busque caminhos de paz viáveis com os fatos, não apenas com palavras.

Ao concluir a carta, o Pontífice convida os fiéis a viver as novas tecnologias à luz do Evangelho, seguindo “um itinerário de vida cristã sóbrio e exigente”. Para que, mesmo na era da IA, todos possam testemunhar “a beleza de uma magnífica humanidade habitada por Deus”.

 

Fonte: Vatican News

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Palavras, livres, leves e loucas

terça-feira, 09 de junho de 2026
por Tereza Malcher

Será possível deixar as palavras livres? Uma espécie de descanso, como um presente se pensarmos que elas trabalham dia e noite, mesmo durante o sono quando o pensamento atinge a mais profunda e verdadeira expressão. Os processos cognitivos interpretam e reinterpretam os fatos, buscam soluções às dificuldades, pesquisam nos arquivos das memórias ideias para atender os desejos. Funcionam como rede de proteção, posto que passamos a vida dando saltos, por vezes mortais. Estruturado por palavras, do nascimento à morte, o pensamento nunca descansa.

Será possível deixar as palavras livres? Uma espécie de descanso, como um presente se pensarmos que elas trabalham dia e noite, mesmo durante o sono quando o pensamento atinge a mais profunda e verdadeira expressão. Os processos cognitivos interpretam e reinterpretam os fatos, buscam soluções às dificuldades, pesquisam nos arquivos das memórias ideias para atender os desejos. Funcionam como rede de proteção, posto que passamos a vida dando saltos, por vezes mortais. Estruturado por palavras, do nascimento à morte, o pensamento nunca descansa.
Nos momentos de necessário relaxamento, o melhor é oferecer à mente pensante liberdade para usar as expressões que bem quiser. O pensamento sem palavras fica sem rumo!? O que a ausência de caminhos pode significar aos processos reflexivos? Contudo, nos momentos de vazio é que será possível fazer interessantes descobertas; os artistas e os cientistas sabem disso. É no vazio que a criatividade habita.
As palavras encontram significados nos contextos existenciais de cada vivente. Certa vez, escutei de uma amiga que nunca se esqueceu da frase de um filho. Quantas vezes, na leitura de um livro, lemos uma palavra que fica conosco e nunca a esquecemos. Uma palavra que guardei na leitura de “O Pequeno Príncipe” foi “efêmera”, quando Saint-Exupéry quis dizer que tudo caminha para um fim. Ah! As palavras são sábias!
Por vezes, as palavras fortes e inesquecíveis escapam, fugindo do discurso organizado. Essas rebeldes e inoportunas dizem tudo! Inserida nos atos e discursos falhos, elas, carregadas de sentido, encontram brechas para escapar entre as palavras sequenciadas, por vezes com pouco sentido. Freud explica. Como elas andam por aí, entre bocas, burlando censuras, resulta de a psicanálise estar cada vez mais enraizada entre nós. Que dela tanto precisamos para compreender nossos desejos inquietos, expressos em todas as palavras que dizemos.
É atribuída ao escritor Victor Hugo a frase: “As palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade.” Desde a Antiguidade até os dias de hoje, nos tempos das Inteligências Artificiais, as palavras constituem o grande poder da humanidade. Qual guerra que não foi decidida através delas? Os tratados de paz, contratos e escrituras são estabelecidos por meio das palavras. Em tempos das redes sociais, as palavras são as imperadoras do destino de sujeitos, grupos e nações.
Ao mesmo tempo que expressam bondades, descrevem maldades; tal qual as verdades e as mentiras. Não há amor que não seja por elas declarado, nem o desamor delas escapam. Os risos e as lágrimas são amparados e margeados pelo dizer, da mesma forma os incentivos e o fazer silenciar.
As palavras nascem em fontes abundantes de afetos, desejos e informações. Desencadeadas em frases, as palavras se gostam tanto que vão puxando umas às outras nos discursos, nos poemas, nas letras de música. Buscando esse encadeamento para expressar, no início da adolescência, aos 14 anos, o poeta Paulo César Pinheiro escreveu a letra da música, “A viagem”, lançada em 1973”. Na voz de Marisa Gata Mansa e na criação musical de João Aquino Monteiro, é uma obra-prima, musical e poética, que vai na alma, embevece e nos faz viajar.
 
Ó, tristeza, me desculpe,
Estou de malas prontas
Hoje a poesia veio ao meu encontro
Já raiou o dia, vamos viajar
 
Vamos indo de carona
Na garupa leve do vento macio
Que vem caminhando desde muito longe
Lá do fim do mar
 
Vamos visitar a estrela da manhã raiada
Que pensei perdida pela madrugada
Mas que vai escondida
Querendo brincar
 
Senta nessa nuvem clara
Minha poesia, anda, se prepara
Traz uma cantiga
Vamos espalhando música no ar
 
Olha quantas aves brancas, minha poesia
Dançam nossa valsa pelo céu que um dia
Faz todo bordado
De raios de sol
 
Ó, poesia, me ajude
Vou colher avencas, lírios, rosas, dálias
Pelos campos verdes
Que você batiza de jardins do céu
 
Mas pode ficar tranquila, minha poesia
Pois nós voltaremos numa estrela guia
Num clarão de lua
Quando serenar
 
Ou talvez até, quem sabe,
Nós só voltaremos no cavalo baio
No alazão da noite
Cujo nome é raio, raio de luar
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