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As abelhas e nossos adiantes

segunda-feira, 25 de julho de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Vivendo e aprendendo; lendo e descobrindo. Não se pode parar nem de
viver, nem de ler, uma vez que a vivência e a leitura são alimentos do corpo e
da alma que nos dão consistência e nos preparam para os passos que
daremos adiante.
Ora pois, não estamos vivos porque vamos adiante?
Muito bem. Para não fugir do tema, tendência que me faz desviar de
assuntos, vou, mais uma vez, aqui, me referir às fontes cristalinas da vida e da
literatura, nas quais é saudável que finquemos nossas raízes. São fontes

Vivendo e aprendendo; lendo e descobrindo. Não se pode parar nem de
viver, nem de ler, uma vez que a vivência e a leitura são alimentos do corpo e
da alma que nos dão consistência e nos preparam para os passos que
daremos adiante.
Ora pois, não estamos vivos porque vamos adiante?
Muito bem. Para não fugir do tema, tendência que me faz desviar de
assuntos, vou, mais uma vez, aqui, me referir às fontes cristalinas da vida e da
literatura, nas quais é saudável que finquemos nossas raízes. São fontes
constituídas por histórias. Sim, senhor!, das histórias existenciais e das criadas
literariamente. Da mesma maneira que a maior parte do nosso corpo é
composta de água, os modos como estamos na vida são estruturados por
ideias, e as ideias de palavras. Não é indicado bebermos em fontes de águas
poluídas de ideias precárias, confusas e distorcidas. As cristalinas dão
sustância à forma como imaginamos, percebemos e lidamos com a realidade.
Nada é mais agradável do que bebermos a água transparente de uma fonte, ou
mesmo nos banharmos num mar, onde seja possível ver as conchas
repousadas na areia.
E vejam só minha sede. Quase aos setenta anos, estou lendo “Os Três
Mosqueteiros”, de Alexandre Dumas, editado no século XIX, que me permitiu
fazer uma interessante descoberta: o autor se alimentou das ideias contidas
em “Dom Quixote de La Mancha”, publicada no início do século XVII, que conta
a história de um guerreiro idealista. Os “Três Mosqueteiros” e “Dom Quixote de
La Mancha” retrataram criticamente uma época, tendo a obra de Alexandre
Dumas um cunho história mais determinante.
Também autor do “O Conde de Monte Cristo”, o escritor francês compôs
histórias belamente elaboradas, capazes de prender o autor de qualquer idade,
sexo e nacionalidade. Certamente porque mergulhou em obras de outros
autores que escreveram com maestria. O talento existe, sem dúvidas, mas os
literatos que permaneceram vivos e atuais foram exímios leitores e estudiosos.

Assim é a vida. Será que vamos sobreviver com dignidade caso nos
adiantarmos à toa? O sociólogo Emile Durkheim constatou que as gerações
mais velhas preparam as mais novas para a vida, são fontes a serem
absorvidas por aquelas gerações que ainda não estão capacitadas para o
porvir. As experiências de vida e de leitura podem nos oferecer riquezas a
ponto de nos apoiarem em cada uma de nossas realizações.
Por isso estou lendo “Os Três Mosqueteiros” e aproveitando ao máximo
a narrativa, em cada parágrafo, em cada passagem. Dumas, como Cervantes,
construíram a realidade ficcional com riqueza de detalhes, penetraram no
âmago dos personagens, escreveram criativamente as cenas.
Ao escrever e viver, podemos tomar as abelhas como um bom exemplo.
O fazer do mel não é simples, é trabalhoso e resultado de um delicado
processo de elaboração. As abelhas buscam exatamente as flores que possam
lhes oferecer o néctar de qualidade. Depois de coletá-lo, misturam-no com
duas substâncias secretadas de duas glândulas situadas em suas cabeças, a
invertase e a glicose oxidase. Então, várias reações químicas transformam o
néctar em glicose e frutose, além de torná-lo ácido, impedindo a fermentação.
As abelhas agitam as asas para secar a água presente, desidratando o mel e
matando outros micro-organismos prejudiciais. Finalmente, produzem o mel,
um dos mais nobres e saborosos alimentos.
Não quero ser abelha, nem Dumas, tampouco Cervantes. Quero ser
Tereza, capaz de construir a vida com dignidade e deixar minha obra viva.
Aí, morro em paz!

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Serviço de água: Que descalabro!

sábado, 23 de julho de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Edição de 22 e 23 de julho de 1972

Pesquisado por Thiago Lima

Manchetes

Edição de 22 e 23 de julho de 1972

Pesquisado por Thiago Lima

Manchetes

Que descalabro! - Aquela coisa desprezível que foi apelidada de Amae - Autarquia Municipal de Águas e Esgotos de Nova Friburgo - e que tantos desserviços prestou ao povo friburguense, para cúmulo da irresponsabilidade além de não pagar por muito tempo as contas da fornecedora de energia elétrica - que segundo soubemos somaram 150 milhões de cruzeiros antigos, deixou de cumprir duas prestações do empréstimo ao Banco de Habitação Popular, uma das quais, na importância total de Cr$ 143 mil que foi recentemente liquidada. Para quitação da dita prestação a atual autarquia da água teve que dispender Cr$ 23 milhões somente para juros e correção monetária, pelo atraso. Há que ser dito que o incompetente grupo que havia resolvido “acabar” com um tiquinho de coisa boa que possuia a Amae, destruindo-a como as saúvas destroem as plantações, jamais deixou em atraso o enorme percentual que mensalmente enviava para o escritório central e nunca os seus chefes deixaram de viajar constantemente de avião - que custam os tubos, como se sabe - para dar conta das estrepolias que faziam por aqui, em matéria de má administração. 

Umas das fórmulas descobertas pelos “estrangeiros da água” - era a de acumular dívidas principalmente para com financiadores exigentes, de modo a justificar as ameaças de execução judicial visando impressionar aos administradores e ao povo, para que a então moçada “se servisse” com tarifas altas e constantes aumentos de até 500%, como aconteceu com o último, que examinado no devido tempo pelo prefeito Feliciano Costa foi tornado sem efeito. Acontece que nós, como alguns outros estavam na estacada do bom combate, não permitindo que o cabuloso grupo continuasse a “zanzar” impunemente. Devemos formar fileira em torno do atual administrador da Autarquia Municipal da Água, para que seja completada a “operação limpeza” e estabelecidos os alicerces destinados à recuperação efetiva do combalido organismo que incompetentes e desinteressados pelas nossas coisas e nossas causas, dominaram impunemente tal qual bacilo de alta periculosidade. 

Entrega dos prêmios aos campeões do Carnaval 1972 - No próximo dia  26, o prefeito de Friburgo, Feliciano Costa, recepcionará em seu gabinete os vencedores do Carnaval de 1972, patrocinado pela municipalidade, ocasião em que distribuirá os lauréis conquistados pelas entidades e pessoas ligadas ao movimento carnavalesco friburguense. 

Pílulas

Não foi boato. Lemos no Diário Oficial a anulação da concorrência da pavimentação da estrada Friburgo-Teresópolis. Por que, ninguém disse… O assunto foi fundamentalmente fala aos interesses do turismo de nossa terra, diz de perto também, não haja a menor dúvida, com um problema, em favor do qual, a estrutura governativa fluminense está voltada. Daí, ninguém entende bulufas… 

Tem-se como certo o ingresso do industrial Alvaro de Almeida na Arena. Como se informa o querido e prestigiado homem público, não participará na próxima eleição como candidato, mas a sua ação no pleito será de molde a muito ajudar ao candidato que vier a apoiar para prefeito… 

A respeito de Alvaro de Almeida e do numeroso grupo que o acompanha, podemos informar que tão logo cumpra-se certo detalhe, um manifesto quente será dado a público. Garantimos que dito manifesto já está em elaboração e que o seu conteúdo não vai agradar a muita gente. Gente que não gosta de verdade… 

E mais…

Eucaliptos tombados no patrimônio histórico… 

Em breve, Friburgo vai ganhar mais mil telefones… 

Procissão em louvor de São Cristóvão… 

Sociais

A VOZ DA SERRA registra os aniversários de: Kátia Rocha e Lúcia de Souza (22); Paulo Humberto Chaves, Regina Coeli e Flávio de Moraes Folly (24); Henrique Malheiros (25); Paulo Braune (26); Edson Tavares (27); Aurora Ventura Fernandes (28) e José Antonio Alves (29).

Foto da galeria
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Os riscos da falta de conhecimento

sexta-feira, 22 de julho de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Conhecer as opções e os objetivos de diferentes produtos financeiros, também é educação financeira. Hoje eu quero desabafar; botar para fora toda a minha indignação baseada na exploração da falta de conhecimento.

Aqui, neste espaço, minha missão sempre foi dividir aprendizado. Contudo, apesar de um cenário difícil - quiçá cruel –, me motivo ao perceber o quão distante estou de cumpri-la. Neste texto, vou abrir algumas práticas comuns de grandes instituições financeiras responsáveis pela, já mencionada, exploração da falta de conhecimento.

Conhecer as opções e os objetivos de diferentes produtos financeiros, também é educação financeira. Hoje eu quero desabafar; botar para fora toda a minha indignação baseada na exploração da falta de conhecimento.

Aqui, neste espaço, minha missão sempre foi dividir aprendizado. Contudo, apesar de um cenário difícil - quiçá cruel –, me motivo ao perceber o quão distante estou de cumpri-la. Neste texto, vou abrir algumas práticas comuns de grandes instituições financeiras responsáveis pela, já mencionada, exploração da falta de conhecimento.

 Antes de mais nada, títulos de capitalização não são investimentos; não é qualquer plano de Previdência Privada que vai ser bom para você; e por fim, mas não menos importante, escolhas ruins fazem você perder dinheiro!

Que tal um pouco de conhecimento para chegarmos juntos a uma conclusão? Pode ser o caminho para desenvolver seu senso crítico financeiro.

  • Seu dinheiro perde poder de compra com o passar do tempo;
  • Depender de sorte não é investir;
  • Você precisa saber o tempo de resgate dos seus investimentos;
  • Se todo investimento tem risco, qual é o do seu investimento?

Títulos de Capitalização e fundos de Previdência Privada são os produtos de captação mais populares em grandes instituições financeiras. Um, de fato, é investimento e pode ser uma ótima opção se escolhido com cautela e entendendo as necessidades do cliente investidor; o outro, por sua vez, é apenas uma péssima decisão a ser tomada para o seu dinheiro.

  • Títulos de Capitalização: lembrando mais uma vez (em alto tom de ironia), não são investimentos! Basicamente, funciona como um tipo de economia programada na qual o banco está autorizado a fazer determinada retirada mensal de sua conta corrente para comprar o título. Parece uma boa ideia pelo ponto de vista poupador, mas vai por mim: seria melhor deixar aplicações programadas na caderneta de poupança. Estes títulos são formas de captar dinheiro para os bancos e a única forma de você, cliente, sair com alguma rentabilidade é ter a sorte de ser contemplado nos sorteios que são feitos periodicamente. No final das contas, quem ganha mesmo é o banco, pois ao final do período predeterminado do título só retorna ao cliente a quantia aplicada ao longo do tempo; sem – ou pouquíssima – nenhuma rentabilidade. Ou seja, você perde dinheiro!
  • Fundos de Previdência Privada: aqui você tem a possibilidade de investir seu patrimônio, inclusive com recorrência de aplicações mensais, e ser remunerado através da performance da gestora dos seus investimentos. Mas nada aqui – nada! – é tão simples quanto o seu gerente de banco faz parecer. Você, ao contratar produto semelhante, já foi apresentado a alguma lâmina com demonstrativo de resultados do fundo? O resultado, à propósito, supera inflação e CDI? Teve acesso a todas as informações pertinentes a taxas de administração, performance, carregamento e saída (sim, são muitas)?

A previdência privada é alternativa de sucessão patrimonial, pode ser contratada com estratégia qualificada e pertinente a sua realidade. Aqui, você pode ter experiências ótimas ou péssimas, portanto, não fique à mercê da escolha às cegas de alguém.

Investir é fundamental para construir patrimônio e projetar o futuro com qualidade de vida. Não desista por experiências ruins; você só precisa de uma orientação especializada. O mundo tem passado por grandes mudanças e, com isso, novas profissões vêm surgindo; inclusive a de assessores e consultores de investimentos. Ademais, o que você realmente precisa, independente do profissional intermediador, é a atenção e sabedoria de quem pode, de fato, manter transparência e vontade de disseminar Educação Financeira.

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A graça da coisa

sexta-feira, 22 de julho de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Desapegar-se. Verbo simples. Prática difícil. Nada simples, porém muitas vezes, necessária. É preciso ter o pulso firme e coração leve para não nos prendermos demasiadamente a tudo e todos que têm valor para nós.

Ouvi dizer que o apego ofusca a luz, como se embaçasse a clareza que pudesse existir. Senti também. É verdade, o apego atrapalha, amarra, atravanca, pesa. Sentimento estranho e mal aplicado, por assim dizer.

Desapegar-se. Verbo simples. Prática difícil. Nada simples, porém muitas vezes, necessária. É preciso ter o pulso firme e coração leve para não nos prendermos demasiadamente a tudo e todos que têm valor para nós.

Ouvi dizer que o apego ofusca a luz, como se embaçasse a clareza que pudesse existir. Senti também. É verdade, o apego atrapalha, amarra, atravanca, pesa. Sentimento estranho e mal aplicado, por assim dizer.

Apego é diferente de amor. Diferente de querer. Diferente de zelo. Apego é apego e ponto. Nós sabemos do que se trata e convivemos bastante com esse sentimento.

Há quem lute por uma vida mais livre de apegos, seja aos sentimentos, às pessoas, às coisas, à posição social, ao emprego, à matéria. Levante a mão quem se identifica com esse ato de verdadeira coragem que é buscar um caminho com mais desapego e leveza.

Sei o quão dolorida e difícil é uma existência pautada no apego arraigado à alma. Dóem os ombros só de pensar. Dói a nuca também. E a têmpora direita. Sei o quanto a leveza de desapegar-se aos poucos dos excessos que encobrem o dia a dia é libertadora. E faz bem à saúde, diga-se de passagem.

Atualmente muito tem se falado nas práticas minimalistas, em valorizar um estilo de vida com menos acúmulo, menos barulho, menos objetos e mais espaço para o ar circular. Menos coisas e mais verde, mais contato com a natureza. Tenho percebido como essa tribo está ganhando integrantes. A galera que está valorizando mais o ser do que o ter, mais o tempo do que uma conta bancária recheada às custas de dias e noites de incessante trabalho, andando em corda bamba contra o fluxo do materialismo. Dá gosto de ver. E me parece um processo de desapego também. Desapegar-se do velho mundo e buscar um novo, o seu próprio mundo, mais próximo da verdadeira essência.

Essa reviravolta no meio da vida, esse desapego de tantas coisas e muitas vezes do próprio ego é um processo dos mais bonitos que tenho presenciado. Mas ainda assim, talvez não dê tão certo se não for bem delineado, se não contar com pitadas de sabedoria e um tanto de planejamento. O desapego é bom, traz leveza, mas para muitos, é um treinamento novo, sem precedentes e difícil de lidar. Ainda assim, vale a pena sentir e conhecer melhor o verdadeiro significado do desapego.

Como bem disse a escritora Martha Medeiros: “longa vida aos que conseguem se desapegar do ego e ver a graça da coisa.”

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Cigarros eletrônicos: uma febre

quinta-feira, 21 de julho de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Menta, morango, chocolate, manga, limão, hortelã, uva, baunilha, café, cookie e até sabor de churros. Temperados pela imensa variedade de cores e sabores, os cigarros eletrônicos são uma febre, de norte à sul, especialmente na mão dos jovens brasileiros.

Menta, morango, chocolate, manga, limão, hortelã, uva, baunilha, café, cookie e até sabor de churros. Temperados pela imensa variedade de cores e sabores, os cigarros eletrônicos são uma febre, de norte à sul, especialmente na mão dos jovens brasileiros.

O cigarro foi uma grande febre nos anos 80. Saiu de moda. Agora, retornamos com toda força com os “vaporezinhos cheirosos” que seduzem não somente quem fuma, mas quem está ao redor. Divulgados no país como menos inofensivos, ou menos danosos que o cigarro convencional, os cigarros eletrônicos, ou vapes e pods, nomes que variam em função de detalhes, são todos dispositivos eletrônicos para o fumo.

Fato é que a tecnologia que avança de forma espetacular vai produzindo itens que facilitam a vida do homem, fazendo com que o ser humano, cada vez mais, tenha condições de desenvolver seus objetivos. A grande problemática é quanto o mau uso dela.

Eleonora Santi, médica com foco na medicina integrativa e ortomolecular, explica que de acordo com a Comissão de Combate ao Tabagismo foram identificadas, até o momento, cerca de 80 substâncias nos aerossóis, sendo muitas delas tóxicas e cancerígenas. Além disso, a grande maioria dos vapes e pods contém grandes concentrações de nicotina, droga psicoativa que causa intensa dependência em seus usuários.

“Engana-se quem pensa que os vapes e pods são menos lesivos que o cigarro convencional. O cigarro eletrônico pode causar consequências tão nocivas quanto o cigarro ‘não moderno’, tais como: câncer, angina, infarto, doenças pulmonares, alterações vasculares, crises de asma etc. O uso do ‘vaporezinhos cheirosos’ por não fumantes, principalmente adolescentes e jovens, aumentam em duas a três vezes o risco de migrarem para o consumo de cigarros ou outros produtos convencionais.”

Em média, um cigarro comum oferece 15 tragadas. Um maço teria, então, 300 tragadas. Logo, um cigarro eletrônico de 1,5 mil tragadas seria equivalente a cinco maços. Mas a comparação não é tão simples assim, porque um cigarro comum, no Brasil, pela determinação da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, tem no máximo um miligrama de nicotina.  Em diversos ‘pods’, como não são fiscalizados, podem conter muito mais além do permitido.

Proibidos pela Anvisa

Os dispositivos eletrônicos para fumar, incluindo os vapes e cigarros eletrônicos, são proibidos desde 2009 no Brasil, conforme resolução da Anvisa. Recentemente, no início deste mês, a decisão pela proibição foi revista pelo órgão e mantida por unanimidade. A comercialização destes produtos ocorre de forma ilegal no país.  

O advogado criminalista e professor universitário, Caio Padilha, mestre e especialista em direito e processo penal explana que o poder público vem cada vez mais intensificando a repressão ao comércio deste tipo de mercadoria, tanto nos pontos de fronteira como diretamente nos pontos de venda.

“A venda destes produtos é ilegal no Brasil e a pessoa que pratica essa conduta poderá responder pelo crime de contrabando: um delito que tem a pena de dois a cinco anos de reclusão, sendo possível a prisão em flagrante e não passível do arbitramento de fiança pelo delegado”, explica Caio.

Levantamentos apontam que o número de apreensão de cigarros eletrônicos aumentou mais de 200%, se comparado ao primeiro trimestre de 2021 no Brasil. Apesar de proibido, há quem se arrisque com a venda desses produtos por meio das redes sociais ou em festas, especialmente por ter se tornado um produto muito consumido pelos jovens. Mas e o consumo, é legal, dr. Caio?

“O consumo por si só não é criminalizado. Apesar de ser um produto proibido pela Anvisa, não está dentro do rol da portaria que define substâncias proibidas por serem consideradas drogas. Nesse sentido, o consumo não é criminalizado.”

Outro ponto importante de ser lembrado é que apesar dos relatos de que os cigarros eletrônicos têm sido usados de forma indiscriminada em ambientes fechados, a prática é proibida pela lei federal 9.294, de 1996. Cachimbos, cigarros, vapes, pods e narguilês são produtos fumígenos, e no entendimento da lei, independentemente de conterem tabaco ou não, são proibidos, seja qual for o tipo de estabelecimento fechado.

“Bom, mas se tiver alguém fumando no meu estabelecimento fechado? A multa é para o fumante, certo?”. A pena nesse caso recai sobre o dono do estabelecimento comercial, e varia entre R$ 2 mil e R$ 1,5 milhão, até a suspensão do alvará de funcionamento. A lei não estabelece punição para o fumante. É necessário que os donos de estabelecimentos, apesar de ser uma prática habitual, levem essa situação à sério.

A conclusão é simples e direta: ninguém é obrigado a ser fumante passivo de ninguém; faz mal; é crime vender esses produtos; e cuidado com a modernidade para, no futuro, não ter que fazer o bom uso da tecnologia usando um respirador da cama de um hospital.

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O que você faz com o sofrimento?

quinta-feira, 21 de julho de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Nessa vida todos temos lutas, decepções, sofrimento. Saúde mental não é ausência de dores emocionais, como tristeza, angústia, medo. Uma pessoa com saúde mental boa tem em alguns momentos tristeza, sofre angústia, experimenta alguns medos dentro de um contexto de situações provocadoras destes sentimentos dolorosos.

Nessa vida todos temos lutas, decepções, sofrimento. Saúde mental não é ausência de dores emocionais, como tristeza, angústia, medo. Uma pessoa com saúde mental boa tem em alguns momentos tristeza, sofre angústia, experimenta alguns medos dentro de um contexto de situações provocadoras destes sentimentos dolorosos.

Existe o perigo de medicar sentimentos desagradáveis em vez de pensar no significado deles para nossa existência e entender de onde eles vêm. Uma boa parte da população está muito medicada com remédios psiquiátricos. Falta a elaboração consciente do sofrimento. Não é que nunca se deve usar medicamentos psiquiátricos. Porém, muitos querem funcionar bem na vida, no trabalho, na família, e lançam mão de comprimidos, priorizando a busca de melhora emocional neles, porque precisam tocar a vida para a frente e não sabem ainda como fazer isso através de um trabalho de psicoeducação, o qual significa aprender a lidar com suas emoções, especialmente as dolorosas, desagradáveis, que causam dor.

Se você prestar a atenção, verá que provações surgem em sua vida, algumas com o fim de destruir sua pessoa, mas que podem ser encaradas como fonte de amadurecimento. Ajudará muito a mudar o rumo da maneira de lidar com situações dolorosas na sua vida, se você mudar a pergunta: “Por que isso está acontecendo comigo”, para: “O que posso aprender com esta situação dolorosa?”

Experiências traumáticas, um acidente de trânsito, perda financeira, divórcio, conflitos conjugais, morte de pessoa querida, decepção, infidelidade conjugal, perda do emprego, perseguição no trabalho, podem ser usadas por nós para nos fortalecer. Depende do olhar que teremos para com estes traumas, da rede de apoio para lidar com eles, e da intenção consciente de aprender com o sofrimento.

Provações, decepções, vêm sobre todos nós em momentos diferentes da vida, algumas mais devastadoras, outras menos, mas em todas podemos ver que surgem forças para enfrentá-las, mesmo tendo que passar temporariamente por uma depressão ou ansiedade excessiva em qualquer modalidade clínica.

A vida não é fácil. As religiões que prometem vida fácil, cheia de prosperidade material e ausência de sofrimento, nisto pregam falsidade. O Chefe do Cristianismo, Jesus Cristo, disse aos que O seguiriam que eles teriam aflições nessa vida, mas que isto não os deveria desanimar. (João 16:33). Não é justo nem verdadeiro afirmar que seguir Jesus garante sucesso financeiro e ausência de problemas. Não há respostas fáceis para o problema do sofrimento na humanidade, tema estudado por pensadores, filósofos e psicólogos. Sabemos que existe um conflito entre o bem e o mal que afeta todas as dimensões da sociedade e de nossa pessoa. Assim, existe sofrimento mesmo nos mais consagrados e praticantes de boa espiritualidade.

Os sofrimentos de hoje podem servir para nos preparar, nos fortalecer para os que virão mais adiante, e eles virão. Independente e apesar disso, é possível ter serenidade, paz e até alegria pessoal, interior. Depende de onde você colocará sua esperança, depende do seu conceito de significado dessa existência e boa compreensão sobre a guerra espiritual entre o bem e o mal, depende do que você faz com sua dor ou do que você permite que ela faça com você, depende dos recursos psicológicos e espirituais pessoais, além do apoio familiar e social de que você dispõe, e depende de fé de que há um Criador bondoso que está atento aos seus sofrimentos e fazendo o melhor para preservar sua sanidade mental e espiritual e sua vida física.

Cesar Vasconcellos de Souza – www.doutorcesar.com

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A VOZ DA SERRA é uma viagem imperdível!

terça-feira, 19 de julho de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Nossa plataforma de embarque, o Caderno Z, que no último fim de semana veio acoplado ao primeiro caderno, nos levou para as férias escolares e quem nos guiou nesta incrível jornada foi Christiane Coelho. E lá vamos nós com a mochila literária e o cantil cheio de letras para registrar o passo a passo dos roteiros. Se a falta de dinheiro for “o principal motivo para não viajar”, a dica da Chris foi “conhecer ou revisitar cidades próximas a Nova Friburgo”. Eu, por exemplo, vou primeiro a Rio das Ostras, pois, a última vez em que estive lá, o lugarejo era distrito de Casimiro de Abreu.

Nossa plataforma de embarque, o Caderno Z, que no último fim de semana veio acoplado ao primeiro caderno, nos levou para as férias escolares e quem nos guiou nesta incrível jornada foi Christiane Coelho. E lá vamos nós com a mochila literária e o cantil cheio de letras para registrar o passo a passo dos roteiros. Se a falta de dinheiro for “o principal motivo para não viajar”, a dica da Chris foi “conhecer ou revisitar cidades próximas a Nova Friburgo”. Eu, por exemplo, vou primeiro a Rio das Ostras, pois, a última vez em que estive lá, o lugarejo era distrito de Casimiro de Abreu. Vou direto ao azul da Praia Virgem, “destino perfeito para aqueles que desejam se isolar do mundo e descansar”. Na sequência, sigo para Cabo Frio, onde vou chutar as águas dos 7,5 quilômetros de extensão da Praia do Forte. Serei forte o bastante para tamanha aventura e depois me refaço no Polo Gastronômico da Passagem.

Continuando com Chris, dou uma esticada até Armação de Búzios, sem perder a oportunidade de me fotografar ao lado de Brigitte Bardot, claro, da estátua erguida em sua homenagem, onde, uma vez, a atriz passou férias com seu namorado brasileiro. Que mídia, minha gente! No passeio, incluo a Rua das Pedras, de apenas 600 metros, mas repleta de atrações. Nada de cansaços, pois já estou em Maricá onde, além das praias, visitarei a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Amparo, construída em 1815, em estilo barroco e rococó. Eu amo igrejas antigas! Depois de toda essa deliciosa maratona, encerro o roteiro no Rio de Janeiro. Copacabana, praias, prédios antigos, passado, presente e o Museu do Amanhã. Também quero me fotografar ao lado de Carlos Drummond de Andrade, conhecer o Porto Maravilha e as maravilhas da Cidade Maravilhosa! Ah, como eu sou grata por ter feito essa viagem linda com Chris Coelho!

Coisas das quais desfrutamos hoje, sem que nos perguntemos como foi que elas aconteceram, muitas renderam pano pra manga. Em “Há 50 anos”, a pavimentação da estrada Friburgo-Teresópolis sofreu até anulação da concorrência, perdendo o “caráter prioritário”. Ainda bem que a obra foi feita e a estrada está aí, ligando cidades, aproximando pessoas e alavancando o progresso da região e do Estado do Rio.

Não é Carnaval, mas “as águas de Nova Friburgo vão rolar” com tantas atrações imperdíveis que abrangem a programação dos espetáculos para tornar o inverno mais aconchegante. A Usina Cultural Energisa tem atrações variadas e o Festival Sesc de Inverno, em sua 20ª edição, esbanja apresentações diversificadas em muitas linguagens.

Adriana Oliveira entrevistou o cardiologista Gustavo Barbirato que nos alertou sobre os perigos do frio para o coração. Todo cuidado pode ser pouco para evitar infartos e AVC. “Frio, alta ingestão de álcool e choques térmicos agravam as doenças cardiovasculares...”. Se cuidar do coração é bom, outro cuidado importante é a responsabilidade com a natureza. 17 de julho é o Dia de Proteção às Florestas. Com as secas do inverno, tememos os incêndios. Toda queimada é fogo para a natureza!

Em “Sociais”, muitos festejos. O casamento de Anthony George e Sônia Ventura, com votos de mil venturas para o casal. No dia 13, o 1º aninho da Liz, a fofurinha, filha de Renan Falcão e Angélica Oliveira. O ilustre e carismático doutor Antônio Baptista Filho, sempre destacado na vida friburguense, que aniversariou no último sábado, 16. Na mesma data, a queridíssima Carminha Basílio passou para um novo ciclo de existência. E vivas para Cora Ventura que aniversariou no último dia 9. Minha querida Cora, que tive o prazer de ter como “aluna” no Curso de Atualização Cultural.

Uma professora não morre. Lucy Quintanilha de Moraes, a doce Tia Lucy vive agora em outros educandários celestes, entre as estrelas, entre os anjos e a corte mais elevada dos iluminados. Ela vive na saudade que imprimiu em nossos corações. Educadora de tantos que passaram por seu carinho e dedicação, Lucy Quintanilha agora brilha nos planos da eternidade. Do álbum de família, sua foto, estampada no jornal, é um aceno de quem foi para um lugar bonito, vislumbrar as moradas do infinito...

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Festa julina com casamento

terça-feira, 19 de julho de 2022
por Jornal A Voz da Serra

No próximo sábado, 23, o querido casal Roberto Carlos e Jaqueline Batista Corrêa (foto), junto aos familiares e amigos, terá um momento festivo e muito especial.

Em sua residência no Cônego, o casal vai promover animada festa julina com todas as atrações típicas, incluindo até um casamento caipira com um detalhe importante e a mais: a cerimônia será de forma real, oficializando sua feliz união que já dura 35 anos. Parabéns!

 

Vivas para a Marisa!

No próximo sábado, 23, o querido casal Roberto Carlos e Jaqueline Batista Corrêa (foto), junto aos familiares e amigos, terá um momento festivo e muito especial.

Em sua residência no Cônego, o casal vai promover animada festa julina com todas as atrações típicas, incluindo até um casamento caipira com um detalhe importante e a mais: a cerimônia será de forma real, oficializando sua feliz união que já dura 35 anos. Parabéns!

 

Vivas para a Marisa!

Devido a estreia de sua nova idade ontem, 18, as congratulações desta coluna vão para a querida empresária do ramo hoteleiro, Marisa Alvarez Domingues. Salve ela!

Novos na Independência

A Loja Maçônica Independência que tem seu templo próximo a Apae, no distrito de Conselheiro Paulino, e é uma das quatro deste segmento em Nova Friburgo, viveu grande e festiva noite no último sábado, 16.

Junto aos seus novos membros, foram empossados os simpáticos Franco Freitas de Souza Alves e Marcelo de Oliveira Tavares, vistos na foto ladeando o presidente (venerável como é chamado entre eles) Gustavo Cariello Ynouê. Parabéns à Loja Independência de Nova Friburgo pelas novas aquisições e parabéns àquela loja por suas atividades em prol da maçonaria friburguense.

Aniversário do Alexandre!

Grande abraço com antecipados cumprimentos ao conhecido e simpático Alexandre Corrêa que amanhã, 20, para satisfação dos seus parentes e grande rol de amigos que possui pela cidade, soma mais um ano de experiência na vida. Felicidades.

Parabéns em dobro

Como nunca é demais cumprimentar pessoas admiráveis e ainda mais quando se tem mais a registrar, apresentamos também felicitações também e em dose dupla ao juiz dr. Antônio Baptista Filho.

Isso, porque além ter celebrado seus 85 anos no último sábado, 16, conforme, inclusive e com grande carinho, registrou a edição passada de A VOZ DA SERRA, naquela mesma oportunidade, o dr. Baptista e sua amada esposa Deise, chegaram a linda marca de 55 anos de feliz união matrimonial, portanto, Bodas de Ametista. Por isso, como eles bem merecem e aparecem em foto recente e em detalhe, no dia do casamento em 16 de julho de 1967, provando que o amor existe e resiste, nossos parabéns pelo aniversário natalício e pelo de casamento.

Jeitinho Brasil de agir

Nas barbas de alguns órgãos fiscalizadores, que em muitos casos ainda não deram o ar de suas graças e autoridades, os jeitinhos dados por muitas indústrias tem sido majorar os preços de diversos produtos.

Isso, a partir de criações de novas unidades de medições ou contagens, já que em diversos casos já observamos que embalagens que antes continham uma dúzia, hoje tem apenas dez unidades, uma caixa de determinado produto que antes pesava 500 gramas, agora foi reduzida para 350 gramas, mas os preços são mantidos ou até mesmo aumentados.

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A hospitalidade

terça-feira, 19 de julho de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Nesta semana vamos refletir sobre duas virtudes necessárias para a edificação de uma comunidade de amor: hospitalidade e empatia. A narração do Evangelho de Lucas nos coloca diante do momento em que Jesus visita uma pequena aldeia chamada Betânia e entra na casa de Marta e Maria. No relato, encontramos Marta afoita com os muitos afazeres e Maria sedenta, sentada aos pés do mestre, que como uma verdadeira discípula escuta atenta suas palavras.

Nesta semana vamos refletir sobre duas virtudes necessárias para a edificação de uma comunidade de amor: hospitalidade e empatia. A narração do Evangelho de Lucas nos coloca diante do momento em que Jesus visita uma pequena aldeia chamada Betânia e entra na casa de Marta e Maria. No relato, encontramos Marta afoita com os muitos afazeres e Maria sedenta, sentada aos pés do mestre, que como uma verdadeira discípula escuta atenta suas palavras.

Ao incomodo de Marta com a postura de sua irmã, Jesus adverte sobre as preocupações excessivas com os afazeres da vida cotidiana e a convida a discernir sobre o que é mais importante: se o que está estabelecido pela lei e pelas práticas culturais ou a acolhida da novidade do Reino.

Nesta passagem Marta realiza o “normal”, faz tudo o que ditam as normas de hospitalidade de seu tempo. Ela é o ícone dos que acreditam que basta cumprir a lei para a salvação e colocam um pesado julgo aos ombros dos que não a cumprem. Por outro lado, Maria também cumpre o costume da acolhida e da hospitalidade, mas de um modo diferente. Ela deixa transbordar o coração!

As atitudes das irmãs à primeira vista parecem ser opostas e se anularem, contudo, elas são complementares. Hospitalidade é também saber sentir a necessidade do outro, ser sensível à dor alheia. É ser empático! Neste tempo de pandemia tivemos a oportunidade de testemunhar muitos homens e mulheres de boa vontade que não se limitaram a cumprir a lei, mas arriscaram a própria vida para ir ao encontro das amarguras dos irmãos.

O Papa Francisco analisando a conjuntura social de nosso tempo denunciou: “o coronavírus não é a única doença a ser combatida, mas a pandemia trouxe à luz patologias sociais mais vastas. Uma delas é a visão distorcida da pessoa, um olhar que ignora a sua dignidade e a sua índole relacional. Por vezes consideramos os outros como objetos, objetos para serem usados e descartados. Na realidade, este tipo de olhar cega e fomenta uma cultura do descarte individualista e agressiva, que transforma o ser humano num bem de consumo” (Audiência geral, 12 ago. 2020).

É indiscutível a importância da lei para a sadia e frutuosa convivência da humanidade. Mas é estéril a comunidade que vive a lei pela lei, diminuindo o valor da vida e das pessoas. Aprendemos do Evangelho que a lei foi feita para o homem e não o homem para a lei (cf. Mc 2,23 – 3,6). Isto é, a lei deve ser libertadora e nunca poderá oprimir a caridade. O critério deve ser sempre o ser humano, portanto nenhuma norma que oprima, marginalize e/ou o exclua poderá ser aceita.

Duas atitudes que ferem a harmonia são a indiferença: o olhar para o outro lado; e o individualismo: o olhar somente para si, para os próprios interesses. Como pessoas que querem construir um mundo mais fraterno e justo precisamos aprender mais da hospitalidade de Cristo Mestre. A harmoniosa hospitalidade de Jesus nos ensina a olhar para os outros, para as suas necessidades, para os seus problemas, estar em comunhão. Ser empático!

Busquemos reconhecer em cada pessoa a sua dignidade humana, independente de qual seja a sua raça, língua, condição social e econômica, orientação sexual e política. A pessoa no centro, sem adjetivos ou acidentais.

Padre Aurecir Martins de Melo Junior é assessor diocesano da Pastoral da Comunicação

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Adeus

segunda-feira, 18 de julho de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Estou lendo o romance “Muito Além do Infinito”, obra da escritora inglesa
Jill Mansell. A história nos mostra, através de uma narrativa leve e delicada, os
diferentes processos de elaboração do luto, ao expor os sentimentos da
esposa, do pai e do amigo de Jamie, personagem falecido num acidente de
carro no início da história.
Todos nós vivenciamos o luto que pode ser breve, como se estender por
um tempo mais longo. Inclusive, cada pessoa vivencia a perda de um ente de
uma forma particular, dependendo do elo afetivo que estabelece com ele. A

Estou lendo o romance “Muito Além do Infinito”, obra da escritora inglesa
Jill Mansell. A história nos mostra, através de uma narrativa leve e delicada, os
diferentes processos de elaboração do luto, ao expor os sentimentos da
esposa, do pai e do amigo de Jamie, personagem falecido num acidente de
carro no início da história.
Todos nós vivenciamos o luto que pode ser breve, como se estender por
um tempo mais longo. Inclusive, cada pessoa vivencia a perda de um ente de
uma forma particular, dependendo do elo afetivo que estabelece com ele. A
forma como o luto se processa está relacionada com a história de vida, a
cultura e a religião.
Durante a leitura, os processos de luto dos personagens me foram
comoventes porque lembrei das pessoas que tanto amava, os meus avós e o
meu filho. Não gosto de despedidas definitivas, mesmo as que considerei
serem necessárias.
Em diversos momentos, li ou escutei que a morte é essencial porque a
eternidade nos é insuportável, apesar de falarmos comumente a expressão
“para sempre”. Foi um conceito que até hoje, inclusive aqui, nesta coluna,
esforço-me para apreender. Aliás, só podemos entender a vida e aceitarmos o
findar, através de uma compreensão lógica e simples da existência: nascer,
crescer e morrer. Somos assim, cíclicos, tal qual os sistemas solares do
universo. Não somos seres de ficção, tão poderosos ao tempo.
Entendo que tudo seja mutante, e que a proposição “na natureza nada se
cria, nada se perde, tudo se transforma”, do químico Lavoisier, guarde uma das
maiores sabedoria do planeta, onde nada se perpetua. Tudo é efêmero. Ah,
como Saint-Exupéry sabia disso ao escrever o “O Pequeno Príncipe”.
Jill Mansell, em sua obra, esforçou-se para mostrar as dores da perda e
seus modos de superação. O luto é triste. Hoje tanto se fala de angústia,
depressão, agonia, mas pouco se fala de tristeza. Nos meios virtuais de
interação, a alegria impera. A tristeza, como tudo na vida, tem começo, meio e

fim. O estar triste é saudável e faz parte do existir, desde que não seja um
estado emocional permanente. Tem força para transformar os modos de estar
e conviver. A tristeza pode ser dolorosa, mas não significa desesperança.
Durante a elaboração do luto, trazemos as pessoas que se ausentaram
em sua concreticidade real para os abstratos âmbitos da memória. A
elaboração dos sentimentos de abandono, solidão, saudade, culpa, dentre
outras sensações desagradáveis, faz-se necessária para que o enlutado
encontre formas de lidar com eles. Ninguém deleta dos seus afetos uma
pessoa que amou e partiu, mesmo que a morte não seja a causa da ausência.
A vida continua e tem que trazer bons momentos, motivações e vontade de
amanhecer para um novo dia.

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