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Deflação? Comer continua sendo caro...

sexta-feira, 02 de setembro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Em tempos de deflação, a comida não para de ficar mais cara. Esta semana, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgou o resultado do IGP-M de agosto. O resultado, deflação de 0,70% para o período. Para o IPCA, índice oficial de inflação medido pelo IBGE, o mês de julho também foi deflacionário e foi calculado em -0,68% - puxado pelo recorde de deflação com o grupo de Transportes, -4,51%. Ainda assim, enquanto isso, a alimentação – o consumo mais básico – está cada vez menos acessível.

Em tempos de deflação, a comida não para de ficar mais cara. Esta semana, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgou o resultado do IGP-M de agosto. O resultado, deflação de 0,70% para o período. Para o IPCA, índice oficial de inflação medido pelo IBGE, o mês de julho também foi deflacionário e foi calculado em -0,68% - puxado pelo recorde de deflação com o grupo de Transportes, -4,51%. Ainda assim, enquanto isso, a alimentação – o consumo mais básico – está cada vez menos acessível.

Antes de começarmos nossa conversa sobre o assunto, precisamos voltar um pouco e entender o que são estes índices e quais são suas utilidades. Basicamente, ambos consideram cestas de produtos e serviços comumente utilizados por grande parte da população; quando aplicados numa fórmula, o resultado da medida de inflação. Mas vamos as diferenças.

IGP-M: medido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas, o indicador apura informações sobre a variação de preços entre os dias 21 e 20 do mês da coleta. De acordo com a própria instituição, o índice “é utilizado amplamente na fórmula paramétrica de reajuste de tarifas públicas (energia e telefonia), em contratos de aluguéis e em contratos de prestação de serviços.

IPCA: sob responsabilidade do IBGE, o Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor é quem produz o indicador. Medido em meses fechados, do dia 1º ao 30 do mês de referência, o IPCA busca englobar resultados relevantes para famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos.

Contudo, o ponto onde quero chegar precisa destrinchar este assunto e encarar os detalhes individuais do que é medido. Para isso, vamos usar, daqui em diante, apenas o IPCA a partir de agosto de 1999 – mês em que todos os nove componentes do índice passaram a ser medidos simultaneamente.

Numa análise simples de todos estes componentes, o segmento Alimentação e Bebidas lidera os números somando 174,8% de inflação; no mês com a maior inflação do grupo, o índice aferiu 5,85% em novembro de 2002. Pode parecer pouco para quem vivenciou na pele (e no bolso) os tempos de inflação dos anos 80-90, mas é extremamente relevante para economias maduras.

Todavia, a essa altura você pode estar se perguntando: “e por que alimentos?”

Já parou para refletir sobre as extensas cadeias de produção e distribuição de alimentos? Se considerarmos que muitas vezes precisamos cotar em dólares os insumos primários para as cadeias de produção de alimentos, podemos encontrar uma justificativa. A soja, utilizada para a produção de ração animal e o petróleo, para viabilizar combustível para distribuição – ambos comercializados em dólar – podem ser bons exemplos para exercitar a compreensão do cenário. Mas, ainda assim, será que essa justificativa pode ser considerada a verdadeira resposta para um problema social?

Falar e compreender inflação, é fundamental para cobrar e promover políticas públicas. Já que o assunto te interessa (partindo deste princípio, já que está lendo esta coluna), estude. Só o estudo nos proporciona as melhores ferramentas para encontrar as mais assertivas respostas.

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Cadê a leveza ?

sexta-feira, 02 de setembro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Acreditar no ser humano até que ele demonstre que não é digno da sua confiança. Ter boa vontade até que reste comprovado que o destinatário das suas ações não é tão digno assim de recebê-las. Ter a intenção de ajudar, sem requisitar nada em troca (nem nas entrelinhas das segundas intenções). Dar de verdade, doado, porque sim. Sem dívida moral para acertar depois. Compartilhar prosperidade, sem contabilizar os créditos que sua boa ação pode te proporcionar. Fazer sem esperar retorno. Ensinar com a intenção de que aprendam. Aprender com a intenção de aprender mesmo.

Acreditar no ser humano até que ele demonstre que não é digno da sua confiança. Ter boa vontade até que reste comprovado que o destinatário das suas ações não é tão digno assim de recebê-las. Ter a intenção de ajudar, sem requisitar nada em troca (nem nas entrelinhas das segundas intenções). Dar de verdade, doado, porque sim. Sem dívida moral para acertar depois. Compartilhar prosperidade, sem contabilizar os créditos que sua boa ação pode te proporcionar. Fazer sem esperar retorno. Ensinar com a intenção de que aprendam. Aprender com a intenção de aprender mesmo.

Nem tudo vale dinheiro, nem tudo vale crédito, nem tudo vale nota na escala de valores de uma pessoa. Aliás, as coisas mais importantes da vida, nem coisas são. Frase repetida, mas cheia de razão.

Sabe quando alguém é honesto com você e chega a te comover? Quando você recebe um presente como demonstração de gratidão, sem interesse. Quando você é tão bem tratado que fica com vontade de levar a pessoa gentil para casa. Quando as pessoas são tão solícitas que chegam a te constranger. Quando te oferecem colo e acalento e você não consegue nem aceitar. Quando te fazem tão bem que você chega a se emocionar. Quando as intenções das pessoas são genuinamente tão boas que chegamos a desconfiar. Então. Quando o lado bom da força transborda, por vezes fica até difícil conseguir lidar. Estranha realidade.

Por que dificultar a vida das pessoas à toa? Para quê criar obstáculos desnecessários? Por que se fazer temer para receber o respeito de alguém? 

Estamos na Era da Luz. Nem todos os pingos dos “is” precisam estar milimetricamente em cima dos “is”. Cadê a flexibilidade? O jogo de cintura? O “borogodó”? Cadê a leveza? Le-ve-za.

Não estou me referindo aos jeitinhos, às trapaças, ao desejo de enganar as pessoas. Pelo contrário. Quero falar das pessoas que por pureza de espírito, por intenções positivas, fazem por amor, acreditam pela crença de que as pessoas podem ser verdadeiras, dão por dar, recebem por receber, e por aí vai. Essa lógica que deveria ser mais natural entre nós, humanos.

Pessoas não são números. Pais não estão sempre certos. Professores não sabem tudo. Desempregados não são malandros. Estrangeiros não vivem melhor. Relacionamentos não são sempre perfeitos. Trabalho não é martírio. Políticos não são todos corruptos. Todos os milionários não são felizes. Percebem?

Às vezes acho que estamos vivendo de exceções. Isso me inquieta. A pirâmide às vezes me parece invertida. A base, a massa, a maioria, deve ser composta pelo lado bom da força. Se me falam algo, acredito. Por que tenho que imaginar que a pessoa está mentindo? Se me tratam com gentileza, retribuo. Por que deveria imaginar que a intenção por trás dos gestos afáveis estão enrustindo uma intenção diversa? Se me pedem e eu posso fazer, eu faço. Por que deveria me recusar a ajudar alguém?

É tão comum escutarmos conselhos do tipo : “não fique disponível”, “ a regra é não”, “não caia nessa conversa fiada”, “não perca seu tempo ajudando”, “faça o mínimo necessário”, “não acredite nessas boas intenções”, “duvide até do espelho”, “não conte nada para ninguém”. Andamos tão armados. Tão fechados. Tão individualizados. Complexo. Talvez mais difícil fosse ser diferente disso.

Hoje em dia estamos sendo julgados, filmados, gravados, registrados. São tantos dedos apontados, tantas mentes fazendo juízo de valor sobre nossa postura. São tantas opiniões preconcebidas sendo extraídas exclusivamente das postagens das redes sociais, de uma fala isolada, de uma atitude excepcional em um dia ruim, de uma fofoca, de uma impressão negativa. Isso dificulta as relações mais naturais, mais reais, mais verdadeiras, com mais partilha e menos julgamento, com mais essência e menos forma. Será que o lado bom da força está enfraquecendo?

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Curiosidades sobre o período eleitoral

quinta-feira, 01 de setembro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Tão certo, em 2022, quanto a seleção brasileira campeã da Copa do Catar - com um belo gol do Neymar - é que neste ano, os barracos familiares nos grupos de Whatsapp já começaram. Entre troca de figurinhas do álbum da Copa e intrigas intermináveis, o diferencial é se manter-se o mais informado possível nestes tempos polarizados.

Tão certo, em 2022, quanto a seleção brasileira campeã da Copa do Catar - com um belo gol do Neymar - é que neste ano, os barracos familiares nos grupos de Whatsapp já começaram. Entre troca de figurinhas do álbum da Copa e intrigas intermináveis, o diferencial é se manter-se o mais informado possível nestes tempos polarizados.

No próximo de 2 de outubro, cerca de 146 milhões de eleitores e eleitoras estão habilitados para irem às urnas para exercer o direito máximo de uma sociedade democrática: o voto secreto. Desta vez, os pleitos elegerão os representantes federais (presidente, senadores e deputados federais) e estaduais (governador e deputado estadual), escolhas importantes que, nos próximos anos, decidirão pelos rumos do Brasil.

Ainda que tenhamos somente um representante eleito para o cargo de presidente da República, um para governador e outro para o de senador, o Estado do Rio de Janeiro terá em suas mãos o poder de eleger 46 deputados federais dentre os 1.077 candidatos do nosso Estado – lembrando que não é possível votar em candidatos de São Paulo, por exemplo. No âmbito estadual, por sua vez, a concorrência será maior, são 1.626 candidatos para apenas 70 cadeiras disponíveis na Alerj, a Assembleia Legislativa fluminense. 

Outra curiosidade importante é no campo das conquistas. Estas eleições marcam os 90 anos do voto feminino, que hoje representam 53% do total de eleitores por todo país. É importante lembrar, que apesar de maioria em número, as mulheres somente conquistaram esse pleno direito 400 anos depois que os homens começaram a eleger os representantes do Brasil,

Hoje, as mulheres têm seus atos democráticos valendo o mesmo que o deles, sem qualquer diferenciação, e apesar de serem a maioria da população e dos eleitores, as mulheres têm, atualmente, baixa representação no Congresso: são apenas 15% na Câmara dos Deputados e 13% no Senado.

Impedimentos e proibições importantes

Não menos importante que as curiosidades sobre os pleitos, é fundamental entendermos como nós podemos ser afetados pelas regras eleitorais, que a todo tempo, tem atualizações que podem nos impactar.

Aos usuários de redes sociais: é preciso estar atento nesse momento. Desde o último dia 15, o eleitor que fizer uma enquete em suas redes sociais perguntando em quem seus amigos pretendem votar pode ser multado em até R$ 329 mil. Tal punição atinge tanto as páginas de pessoas jurídicas quanto as de pessoas físicas.

Apesar de ter se tornado uma prática febril nas redes sociais, ela está proibida neste período e todo cuidado é pouco. Segundo os Tribunais Eleitorais, as condenações nesse sentido já vêm acontecendo e a fiscalização neste período é ainda mais rígida. A previsão legal está no artigo 23 da resolução 23.600/19 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 De acordo com o TSE, enquete é: “O levantamento de opiniões sem plano amostral, que dependa da participação espontânea da parte interessada, e que não utilize método científico para a sua realização, quando apresentados resultados que possibilitem ao eleitor inferir a ordem dos candidatos na disputa”. Ou seja, caso a pesquisa não esteja registrada e não seja feita da forma da lei, uma mera curiosidade nas suas redes sociais pode te trazer problemas sérios.

Ainda com o foco nas redes sociais, a desinformação eleitoral – conhecida como as fake news - é um dos assuntos mais debatidos pelo TSE, e neste ano, inclui a realização de parcerias com Facebook, Instagram, Twitter, Google, TikTok e WhatsApp, entre outros serviços. O órgão criou canais oficiais nessas plataformas no intuito de evitar a propagação de conteúdos falsos sobre as urnas, o processo eleitoral ou que ridicularizem candidatos.

Ainda que as divergências políticas estejam numa crescente, é sempre essencial lembrar que internet não é terra sem lei. Qualquer crime cometido seja de calúnia (dizer de forma mentirosa que alguém cometeu um crime), injúria (atribuir palavras e qualidades negativas) e difamação, podem surtir efeitos em processos judiciais.

É essencial, o bom senso, e entendermos que liberdade política e a liberdade de expressão não podem jamais se confundir como uma garantia para agressão. Além disso, recentemente, pela segurança dos eleitores no dia do pleito democrático, dado o momento altamente politizado, o TSE proibiu o porte de arma nas sessões eleitorais. Tal medida leva em conta o aumento do número de armas na mão de civis e a consequente falta de fiscalização suficiente.

Divergências políticas à parte, lembremos que vivemos o auge de uma jovem democracia com apenas 28 aninhos de sua plenitude e de seu amadurecimento. Ainda que fosse possível o voto para os cargos legislativos nos 20 anos de ditadura militar, somente após 1984 pudemos escolher um presidente da República - que pode não ser o nosso favorito, mas ainda sim, foi escolhido pelo povo.

'Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo,’ - desde que não seja crime, é claro.” Essa citação de Voltaire com um adendo do ilustre colunista explicita o valor essencial da democracia: a liberdade!

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Dificuldades conjugais e o perdão

quinta-feira, 01 de setembro de 2022
por Jornal A Voz da Serra

O perdão tem ganhos e perdas. Quando você perdoa não dá para não ter uma perda. A traição conjugal é ao mesmo tempo um sintoma de problemas sérios no casamento, revela talvez que a vítima não conseguia suprir algo que o infiel precisava, como também revela a fraqueza moral do traidor. E o indivíduo não conseguia suprir tanto por limitações pessoais, temporárias ou não, como pelo fato de o traidor poder não ter oferecido espaço para receber o que queria e que acabou buscando fora.


O perdão tem ganhos e perdas. Quando você perdoa não dá para não ter uma perda. A traição conjugal é ao mesmo tempo um sintoma de problemas sérios no casamento, revela talvez que a vítima não conseguia suprir algo que o infiel precisava, como também revela a fraqueza moral do traidor. E o indivíduo não conseguia suprir tanto por limitações pessoais, temporárias ou não, como pelo fato de o traidor poder não ter oferecido espaço para receber o que queria e que acabou buscando fora.


Mas a perda é imensa, e para todos. Mesmo que o infiel tente se reconciliar, admitindo o erro, houve uma perda. Há um preço. O perdão não será de graça. Nada é como antes. A ferida talvez precisará de muito tempo para ser curada, se for curada. E talvez deixe cicatrizes que não desaparecerão. Este é um preço do perdão. Há outros.

Há ofensores que têm imensa dificuldade de pedir perdão mesmo reconhecendo seu erro. Isto é comum em pessoas coléricas, autoritárias, agressivas verbalmente. Elas tendem a minimizar a dor do ofendido, classificando-o como sensível demais. Talvez alguns ofendidos sejam sensíveis demais mesmo, mas isto não anula o fato de que o autoritário tenha usado e costume usar palavras e jeito de falar agressivos, ríspidos, grosseiros. Uma coisa não elimina a outra.

Há casais que vivem dez, 20, 30 ou mais anos juntos e o que não é colérico ou “pavio curto” sabe que o explosivo raríssimas vezes pediu perdão por suas faltas. A tendência, na verdade, destas pessoas agressivas é de dar sempre justificações pelas suas explosões temperamentais.

Um teólogo cita o caso de um homem empresário que abandonou a cidade onde vivia e mudou-se para outro lugar para começar tudo do zero porque sua esposa super ciumenta, num certo dia, tomada por ira, golpeou-se no banheiro a si mesma, batendo a cabeça na parede até sangrar. Depois foi na delegacia e denunciou o marido por violência doméstica. A polícia o prendeu e depois de ter sido provado que ele era inocente, graças ao testemunho de um dos filhos que viu a cena escondido num ambiente da casa, foi absolvido no julgamento. Ele sente que ela destruiu a vida dele e quando lhe perguntaram sobre perdoá-la, ele disse: “Creio no perdão, mas é difícil superar a raiva que tenho dela. Ela me acusou falsamente. Perdi amigos, clientes e até a confiança da minha família. Como posso perdoar?

O que é o perdão? Ele não é uma varinha mágica que pode solucionar todos os problemas rapidinho. Não é um pó do qual você faz uma bebida instantânea e tudo está ótimo em seguida. A Bíblia fala sobre não deixar o sol se por sobre sua ira. Mas eu costumo pensar que este dia pode não ser necessariamente de 24 horas literais. Imagine se você na hora de dormir tem um atrito grave com seu marido ou com sua esposa. As emoções sobem e surge o emburramento, palavras agressivas, e muita chateação. Dá para resolver tudo antes de dormirem? Terão que fazer as pazes rapidinho para “cumprir a lei”? Ou cada um terá necessidade de um tempo para reconciliar?

O perdão é necessário em qualquer relacionamento. Sem perdoar não se soluciona um monte de conflitos humanos, seja num nível familiar, entre amigos e colegas de trabalho, seja na administração de um país. Mas ele tem um preço que nem sempre é barato e exige muitas vezes humildade misturada com firmeza, autoproteção e afastamento. Cada pessoa tem um tempo próprio para processar o perdão. Um bom passo para melhorar sua saúde mental tem que ver, muitas vezes, com perdoar primeiro a si mesmo.

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Cesar Vasconcellos de Souza

www.doutorcesar.com 

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O Botafogo vai de mal a pior

terça-feira, 30 de agosto de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Passada a fase da euforia com a instalação da SAF Botafogo, quando o estado pré-falimentar do clube Botafogo de Futebol e Regatas foi afastada, já que o investidor John Textor assumiu essa dívida, parece que as coisas voltaram à estaca zero. O pomposo nome de Sociedade Anônima Futebol foi substituído por Sociedade Arquitetada do Fracasso. Aliás, a receita é simples.

Passada a fase da euforia com a instalação da SAF Botafogo, quando o estado pré-falimentar do clube Botafogo de Futebol e Regatas foi afastada, já que o investidor John Textor assumiu essa dívida, parece que as coisas voltaram à estaca zero. O pomposo nome de Sociedade Anônima Futebol foi substituído por Sociedade Arquitetada do Fracasso. Aliás, a receita é simples. Assume um estrangeiro que não conhece nada do futebol brasileiro, que nem fala a língua do país, contrata-se um técnico estrangeiro, sem nenhuma expressão no futebol europeu, teimoso e presunçoso e que também desconhece a mecânica do futebol nacional e temos a receita ideal para a vaca ir para o brejo. E acreditem, está indo.

A campanha do Botafogo, no atual campeonato brasileiro, é digna dos melhores momentos que o levaram para a Série B por três vezes, rebaixado que foi em 2002, 2014 e 2020. Disputadas 24 rodadas do atual campeonato, num total de 38, o glorioso encontra-se em 14º lugar, com 27 pontos, há dois do primeiro time do Z4 que é o Cuiabá com 25, além do Avaí, Atlético Goianiense e Juventude. Nas últimas cinco rodadas, contando com a que se encerrou na última segunda feira 29, o time da estrela solitária teve duas derrotas para o Corinthians e o Flamengo e três empates para Atlético Goianiense, Juventude e Ceará. Anteriormente, já tinha sido derrotado pelo Avaí, que hoje encontra-se na zona da degola. Ou seja, perdeu pontos para todos os clubes que vão mal na atual edição do Brasileirão.

Infelizmente, John Textor escolheu um técnico totalmente despreparado para treinar uma equipe de ponta no Brasil. Desde que assumiu o comando do Fogão foi incapaz de implantar um esquema de jogo e, o que vemos, é um bando de jogadores correndo atrás da bola, como um típico jogo de pelada, aliás tem jogos de pelada que são muito mais interessantes de se assistir. Não existe aproximação entre as três linhas que compõe uma equipe, defesa, meio do campo e ataque e o Botafogo tem uma das defesas mais vazadas do campeonato, assim como um ataque dos menos operantes. Traduzindo em números, são 22 gols marcados e 29 sofridos, com um saldo negativo de sete. Se já se passaram 24 rodadas isso significa mais de um gol sofrido e menos de um marcado, por rodada.

John Textor declarou que não pretende mudar Luís Castro, pois confia no seu trabalho e que 2022 é esperado ser um ano de transição, para que os frutos comecem a serem colhidos em 2023. Disse ainda que a folha de pagamento atual é de R$ 130 milhões por ano, ou seja, quase R$ 11 milhões por mês. Antes gastássemos menos e tivéssemos um time mais entrosado e melhor treinado, pois bons treinadores não faltam no Brasil. Não nos esqueçamos de Enderson Moreira que tirou o Botafogo da segundona, em 2021, e ainda conquistou o título de campeão daquele torneio. Tivesse ele nas mãos os jogadores atuais, com certeza estaria disputando, pelo menos, uma vaga para a copa Sul Americana.

Montar um time em plena competição é muito difícil, pois os jogadores continuam a serem contratados, a maioria vindo de fora, e em níveis diferentes de preparação. Aliás, como tudo que funciona em equipe, entrosamento só acontece com o tempo e muito treinamento.

Faltam ainda 15 rodadas para o término do atual campeonato, 45 pontos a serem disputados. O problema é que os da ponta como o Palmeiras já somam mais do que isso, pois tem 50 e o Flamengo vem logo atrás com 43. O Botafogo empacou nos 27, será que ainda tem jeito ou vamos amargar mais uma segundona, agora com um plantel mais caro. Ou será que o nosso mecenas abandona o barco antes disso?

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AVS é completo: informação, lazer, cultura e arte!

terça-feira, 30 de agosto de 2022
por Jornal A Voz da Serra

  “O tabagismo é uma doença”. Assim classifica a Organização Mundial de Saúde e o Caderno Z do último fim de semana trouxe toda a informação, alertando sobre a falsa sensação de prazer e bem-estar que o fumante experimenta. Enquanto se distrai com a fumaça, o hábito, na maioria das vezes, surge de brincadeira até se tornar um vício inseparável, a companhia para as horas tristes e felizes. Justamente por se manifestar na “vulnerabilidade do adolescente”, a OMS a considera também uma “doença pediátrica”.

  “O tabagismo é uma doença”. Assim classifica a Organização Mundial de Saúde e o Caderno Z do último fim de semana trouxe toda a informação, alertando sobre a falsa sensação de prazer e bem-estar que o fumante experimenta. Enquanto se distrai com a fumaça, o hábito, na maioria das vezes, surge de brincadeira até se tornar um vício inseparável, a companhia para as horas tristes e felizes. Justamente por se manifestar na “vulnerabilidade do adolescente”, a OMS a considera também uma “doença pediátrica”.

Em termos de saúde pública, houve um avanço com a proibição do fumo em locais fechados. Antigamente, fumava-se até em sala de aula. Sem deixar de citar que nos ônibus eram aquelas baforadas nos cabelos da gente. Se começar a fumar pode ser apenas divertido, parar, então, é determinação. Conheço pessoas que estão contando meses para o primeiro aniversário de sua abstinência. Conheço, também, aquelas que continuam determinadas a seguir, alegando que quem não fuma, nem por isso, terá vida eterna. A sugestão de tratamento para quem deseja parar de fumar é “viver um dia de cada vez” e cada dia, mais um dia sem fumar. Meu pai usou uma tática e contava: o cigarro ficava no meu bolso, mas, eu dizia: depois eu fumo! E ele venceu a batalha.

O Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto, tem como objetivo reforçar as ações de sensibilização e mobilização sobre os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco. Andrea Reis, técnica do Programa Nacional de Controle do Tabagismo do Inca lembra que o SUS tem uma rede de tratamento gratuito com terapias e diversas práticas muito eficientes. Eficiente também, foi a charge de Silvério colaborando com o tema. Ah! Se em cada cigarro aceso o anjo viesse com seu mágico extintor e apagasse não só a chama, mas, a necessidade do uso de tabaco...

Saúde em primeiro lugar e festejamos a primeira cirurgia cardíaca em Nova Friburgo no dia 19 de agosto de 1998. O Hospital São Lucas, credenciado pelo SUS para as cirurgias, está na marca de mais de oito mil procedimentos, com 24 anos de serviços de alta competência por sua equipe médica. O dr. Gustavo Ventura, chefe do setor do São Lucas, comemora o êxito dos trabalhos e o reconhecimento, pelo SUS, de “Categoria A” pela eficiência dos procedimentos em nossa região. A primeira paciente operada, em seu depoimento na matéria de Christiane Coelho, ressaltou: “O dr. Gustavo é um escolhido de Deus que o colocou em Nova Friburgo para cuidar dos nossos corações”. São muitos elogios, todos, bem-merecidos. Parabéns a todos!

Reconhecer valores tem sido uma prática sustentável e, em “Esportes”, Vinicius Gastin nos trouxe a boa nova de que o projeto de lei conjunto dos vereadores Max Bill e Maiara Felício propondo igualar as premiações entre homens e mulheres em competições esportivas, já foi apreciado na Câmara Municipal e aprovado por unanimidade. Agora é esperar a sanção do nosso prefeito para que seja efetivado em lei.

Em “Há 50 anos”, “a grande caminhada” dava início ao cobiçado pleito de 1972 e destaca: “Como se sabe,  a eleição é uma caixa de surpresas, sepultando a grande maioria dos que postulam cargos pelo voto popular. Nem poderia deixar de ser assim, já que as vagas são infinitamente poucas para um elevadíssimo número dos que as aspiram...”. Essa caminhada já teve início agora em 2022 e há mais candidatos do que vagas, como sempre. Sob pena de cometer crime eleitoral, o eleitor não poderá levar o celular para dentro da cabine de votação. O certo, então, é que haja um local para deixar o aparelho, enquanto se efetuar a votação. Caso contrário, onde ficará o celular?

A Fevest 2022 começa nesta quinta-feira, 1ª de setembro, e o evento promete atrações incríveis. Sendo a maior feira brasileira de moda íntima, a Fevest trará nomes importantes do meio empresarial, bem como a presença de famosos que darão ao evento ainda mais brilhantismo. Até domingo, dia 4, no Country Clube, a cidade se vestirá de luxo, cores e de muitas inovações na área de sustentabilidade.  Imperdível!

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Ao grande Rogério!

terça-feira, 30 de agosto de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Ao grande Rogério!

Mantendo uma tradição desta coluna e uma satisfação sempre renovada a cada ano, conforme inclusive AVS antecipou na edição do último sábado, 27, felicitamos o conhecido e admirado industrial Rogério Faria (foto), da metalúrgica Stam, que nesta quinta-feira, completa mais um 1º de setembro em sua vida.

Caro Rogério, parabéns e felicidadeSSS com 3S - Saúde, Sorte e Sucessos.

Em alta no sul

Ao grande Rogério!

Mantendo uma tradição desta coluna e uma satisfação sempre renovada a cada ano, conforme inclusive AVS antecipou na edição do último sábado, 27, felicitamos o conhecido e admirado industrial Rogério Faria (foto), da metalúrgica Stam, que nesta quinta-feira, completa mais um 1º de setembro em sua vida.

Caro Rogério, parabéns e felicidadeSSS com 3S - Saúde, Sorte e Sucessos.

Em alta no sul

O conhecido casal friburguense Roosevelt Concy e Ana Maria é só sorrisos, graças as alegrias que a filha Caroline Vahia Concy tem proporcionado com êxitos na carreira judiciária.

Depois de atuar por algum tempo no Mato Grosso Sul, a dra. Caroline, por designação do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, assumiu a função de juíza da Vara da Infância e Juventude na cidade gaúcha de Caxias do Sul.

Parabéns, Marquinhos!

Esta quinta-feira, 1º de setembro, é dia de parabéns também para outro aniversariante muito querido por este colunista e detentor de uma legião de amigos: trata-se do Marcos Antonio Nicolau. Feliz aniversário, Marquinhos!

Batizada nos braços do Cristo

Na manhã do último dia 20, um momento a mais e de felicidades marcou a vida da querida friburguense Louise Sanglard e seu marido Gustavo, assim como seus familiares.

Naquela oportunidade, o jovem casal que reside em Copacabana, batizou a filha querida Ana Sanglard Fleury em uma marcante celebração na Igreja do Cristo Redentor, embaixo da extraordinária estátua do Cristo no Alto do Corcovado. Nas fotos, os pais com sua princesinha Ana, juntamente com os felizes avós paternos Beth e Sérgio e maternos Lenize e Marcos, aos quais apresentamos nossos cumprimentos e votos de um mundo de felicidades para bonequinha Ana.

Corredores perigosos

Quem circula de carro nas vias de mão dupla em nossa cidade, como a Avenida Roberto Silveira, observam constantemente que os chamados corredores entre os veículos, por onde circulam os motociclistas circulam, estão cada vez mais perigosos.

Chegam assustar, os “fininhos” que um motociclista tira no outro e tomara, que os choques frontais de motos não venham ocorrer com mais frequência a frente.

Aniversário e confraternização

O próximo sábado, 3 de setembro, será marcado por comemorações em locais diferentes, envolvendo pelo menos dois ex-prefeitos e um prefeito do interior do estado.

Um ex-mandatário aqui de Nova Friburgo vai comemorar seu aniversário com amigos em café da manhã num hotel, enquanto um ex do município de Rio Bonito e o atual de Cabo Frio estarão aqui por nossa área.

Um é Aires Abdalla, ex-prefeito de Rio Bonito e o outro José Bonifácio Novellino atual de Cabo Frio, os quais estarão em certo sitio de um amigo pouco depois do limite de Nova Friburgo com Bom Jardim, para uma festividade de amigos como eles, ex-seminaristas em Niterói há mais de meio século.

Mudança

Um dos mais tradicionais bares de Nova Friburgo, o Bolero, após mais de 40 anos tendo a frente o conhecido Luiz, está trocando de mãos em breve.

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Humildade e gratuidade

terça-feira, 30 de agosto de 2022
por Jornal A Voz da Serra

A vida de Jesus é um coerente testemunho de vida e palavras. Toda sua pregação encontra eco em suas atitudes e suas ações refletem os seus ensinamentos. Ouvi-lo falar de humildade e gratuidade é, ao mesmo tempo, vê-lo sendo manso, humilde e livre em tudo o que fez.

Há uma passagem do Evangelho de Lucas, na qual Jesus é convidado a uma festa na casa de um dos chefes dos fariseus, gente de alta classe. Ao chegar, começou a observar as atitudes dos convidados que buscavam ocupar os primeiros lugares, sustentando a certeza de que uns eram melhores que os outros.

A vida de Jesus é um coerente testemunho de vida e palavras. Toda sua pregação encontra eco em suas atitudes e suas ações refletem os seus ensinamentos. Ouvi-lo falar de humildade e gratuidade é, ao mesmo tempo, vê-lo sendo manso, humilde e livre em tudo o que fez.

Há uma passagem do Evangelho de Lucas, na qual Jesus é convidado a uma festa na casa de um dos chefes dos fariseus, gente de alta classe. Ao chegar, começou a observar as atitudes dos convidados que buscavam ocupar os primeiros lugares, sustentando a certeza de que uns eram melhores que os outros.

Aproveitando a situação, o Mestre dá um ensinamento: “Quando tu fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu, e o dono da casa, que convidou os dois, venha te dizer: 'Dá o lugar a ele'. Então tu ficarás envergonhado e irás ocupar o último lugar” (Lc 14, 8). E ainda, afirmou a quem o havia convidado: “Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos. Pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa” (Lc 14,12).

Ou seja, Jesus aproveita-se de um fato corriqueiro para falar de duas virtudes importantes na vida de quem espera alcançar um lugar no banquete celestial. Todo homem de boa vontade e íntegro em suas atitudes deve praticar a humildade e a gratuidade.

Em sua passagem por este mundo, Jesus sempre se portou como o menor dos menores, como aquele que serve e tudo o que fez em favor da humanidade o fez com espírito de gratuidade, sem esperar nada em troca.

Contudo, parece que nos esquecemos constantemente desses ensinamentos e conduzimos nossas atitudes como quem quer ocupar sempre os primeiros lugares. Somos levados a todo instante a desejar o reconhecimento, a fama como garantia de felicidade e satisfação.

Ser humilde é reconhecer-se pequeno, dependente, pobre, limitado diante de Deus. “O humilde tem diante de si a sua própria verdade: é pobre, é indigente, mas infinitamente agraciado e amado por Deus. Por isso, o humilde é livre e, porque livre, manso” (Dom Henrique Soares).

Quem vive assim, já está a um pequeno passo de viver a segunda virtude ensinada por Jesus. A atitude de dar sem esperar nada em troca, dar e sentir-se feliz e realizado pode ser encontrada no testemunho de muitos homens e mulheres que buscaram imitar Jesus. Um exemplo encontramos nos escritos de Santa Teresinha do Menino Jesus: “Viver de amor é dar sem medida, sem nesta terra salário reclamar; sem fazer conta eu dou, pois, convencida de que quem ama já não sabe calcular”. É garantia de uma vida livre de amarras e vícios.

O Papa Francisco nos alerta para o perigo da não gratuidade que ameaça também a nossa vida espiritual. “Senhor, se me fizeres isto, eu dou-te isto.” A relação da humanidade com Deus deve ser sem nenhuma cobrança. As promessas feitas por nós não podem ser um meio de obrigar Deus a cumprir nossa vontade, mas deve alargar o coração para receber o que é gratuito para nós. “Esta relação de gratuidade com Deus é a que nos ajudará depois a tê-la com os outros, seja no nosso testemunho cristão seja no serviço cristão e na vida pastoral daqueles que são pastores do povo de Deus. Sirvam e deem de graça o que receberam de graça. Que a nossa vida de santidade seja este ampliar o coração, para que a gratuidade de Deus, as graças de Deus que estão ali, gratuitas, que Ele quer nos dar, possam chegar ao nosso coração” (Papa Francisco, 11 jun. 2019).

Padre Aurecir Martins de Melo Júnior é assessor diocesano da Pastoral a Comunicação

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O amor cabe nas horas que passam pelo relógio

segunda-feira, 29 de agosto de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Vou escrever um conto em que abordarei o amor e estou com os sonetos
de Shakespeare nas mãos. “Em ti, toda verdade e beleza findam.” (soneto 14).
Esta é uma das notáveis definições de amor que o bardo me oferece. Há dias
penso a respeito e chego a conclusão de que o amor é a mais pura emoção
que nos atravessa e perpassa as experiências que temos no dia a dia. A
poesia, manifestação literária que exclama a voz da alma, consegue dizê-lo de
diferentes maneiras.

Vou escrever um conto em que abordarei o amor e estou com os sonetos
de Shakespeare nas mãos. “Em ti, toda verdade e beleza findam.” (soneto 14).
Esta é uma das notáveis definições de amor que o bardo me oferece. Há dias
penso a respeito e chego a conclusão de que o amor é a mais pura emoção
que nos atravessa e perpassa as experiências que temos no dia a dia. A
poesia, manifestação literária que exclama a voz da alma, consegue dizê-lo de
diferentes maneiras.

“De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior engano
Dele se encante mais meu pensamento.”
Vinícius de Moraes

Do amor-próprio ao transcendental, é possível identificar maneiras
saudáveis de amar. Mas será que podemos encontrar um único conceito, se
cada um o sente e expressa-o de uma forma peculiar?
Bell Hooks ao refletir sobre o amor no ensaio de sua autoria “Tudo sobre
o amor: novas perspectivas”, enaltece a definição do psiquiatra M. Scott Peck.
O amor é “a vontade de se empenhar ao máximo para promover o próprio
crescimento espiritual ou o de outra pessoa. (...) O amor é um ato de vontade
— isto é, tanto uma intenção quanto uma ação.”
Não se guardam sentimentos em gavetas ou em redomas de vidro. O
amor é o mais popular dos sentimentos e surge a qualquer hora e lugar. É um
gostar que está além das regras e juízos. Talvez seja por essa irreverência que
carregamos a amorosidade vida afora, que caminha de acordo com o tamanho
dos nossos passos e fortalece as atitudes pelas raízes que crescem em cada
um dos pensamentos e recordações; somos seres de memória.
O amor se concretiza nas decisões que antecedem as ações: sentimos,
pensamos e agimos com imediatez. O gostar não é dito, nem medido por
palavras, é vivido em plenitude. Se limitado à dimensão do discurso, inclusive

da poesia, é piegas e mentiroso. Aliás quem realiza o ato de amar, não
costuma dizê-lo. Saint- Exupéry verbalizou a concretude do seu amor pela rosa
no “O Pequeno príncipe”: “Era uma pessoa igual a cem mil outras pessoas.
Mas eu fiz dela um amigo, agora ela é única no mundo”.
Quem conhece o amor sabe contar as horas no relógio, ver o dia
amanhecer e entender o calor da sombra. Quem ama não questiona a beleza,
sabe carregar fardos e tem sabedoria no olhar. Quem ama conhece o tamanho
das estrelas, faz do amor a sua arte mais poderosa, consegue viver duas vidas.
Quem ama transita da sorte ao azar, do oceano ao firmamento, da vida à
morte. Tudo é possível para domar as incertezas do amanhã. Isabel Allende
experimentou o amor em sua plenitude maior quando escreveu “Paula”!
Acredito que não seja possível compreender o amor pelo desamor,
apesar de tanto se contrastar tais afetos na cultura globalizada e imediatista,
que acaba por confundir o amor com o desamor. E aí está o mais comum dos
enganos.
Para finalizar, deixo para o leitor refletir um pensamento de Isabel
Allende. “Talvez a gente esteja no mundo para procurar o amor, encontrar,
perdê-lo, muitas e muitas vezes. Nascemos de novo a cada amor e, a cada
amor que termina, abre-se uma ferida. Estou cheia de orgulhosas tentativas.”

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A grande caminhada

sábado, 27 de agosto de 2022
por Jornal A Voz da Serra

Edição de 26 e 27 de agosto de 1972

Pesquisado por Thiago Lima

Manchetes

Edição de 26 e 27 de agosto de 1972

Pesquisado por Thiago Lima

Manchetes

A grande caminhada - Logo após a homologação das candidaturas à sucessão municipal por parte do poder máximo partidário que é a convenção, inicia-se a grande caminhada em busca do apoio do eleitorado, sem o qual, nenhum pretendente galgará colocação no pleito. Como se sabe, a eleição é uma caixa de surpresa, sepultando a grande maioria dos que postulam cargos pelo voto popular. Nem poderia deixar de ser assim, já que as vagas são infinitamente poucas para um elevadíssimo número dos que as aspiram. Com a apuração dos pleitos, é comum a quebra de tabus, pois existem os que timbram em pensar que são os tais, que detêm muita força eleitoral, que continuarão a enganar, que podem somar votos como quem conta sardinha numa produtiva pescaria. Já se foi o tempo dos recursos demagógicos. A coisa agora é muito diferente, não dando perspectivas de vitória ou poder, com recursos falazes, expedientes de “curriola” metida a inteligente e sabe-tudo, poder esperar milagres… Para ganhar é necessário que o eleitorado deposite a cédula na urna e é sabido que dia a dia, o nome de pretendentes a cargos públicos é mais e mas peneirado. Há ainda a considerar que, pelo menos, 30% dos atuais eleitores têm menos de 21 anos, é muito bem esclarecido e fala uma linguagem que certos carcomidos não entendem e nem entenderão jamais… Quem viver, verá… 

Waldir Costa na Assembleia Legislativa - Mil bandas de música de todo o estado do Rio estão ameaçadas de encerrar suas atividades por não poderem pagar as contribuições previdenciárias solicitadas pelo INPS, segundo anunciou o deputado Waldir Costa ao dirigir apelo ao ministro do Trabalho para que isente desse pagamento as bandas filarmônicas, que estão sendo penhoradas e caminham para um fim melancólico. Com o apoiamento de todos os parlamentares, o dr. Waldir Costa recebeu informação do deputado Alberto Torres (Arena) de que a extinção das bandas feita progressivamente nos últimos anos já causa problemas à Polícia Militar, que não tem como preencher os claros dos conjuntos mantidos por suas várias unidades, em face da inexistência de outro meio de formação de músicos. Disse o parlamentar emedebista que as bandas constituem considerável parcela do folclore não só fluminense como brasileiro e, em muitas cidades do interior, são ainda o meio de distração do povo.  

Fim da primeira etapa - Com a realização das respectivas convenções, os partidos encerram a primeira etapa em direção às eleições de novembro vindouro. Como se sabe, o pleito cuidará apenas, da eleição de prefeito e vereadores, o que, indubitavelmente fará diminuir o número de candidaturas, como vinha acontecendo anteriormente. A incoincidência de mandatos marcará a novidade política, fato que até hoje desperta controvérsia. A maioria dos comentaristas políticos acham que nenhum resultado prático apresenta a vigente legislação, no que concordamos. Uma situação é certa: a movimentação de recursos materiais diminuirá de forma positiva, impressionante mesmo, devendo atentar-se que sempre foi norma a injeção de material sonante no custeio dos pleitos - papéis, retratos, condução, etc. na qualificação e enormes gastos com transportes no dia da eleição. Mas. que a coisa vai empolgar, vai “engrossar”, vai pegar fogo, não haja dúvida…

Pílulas

Exatamente como prognosticamos: Ariosto Bento de Mello aceitou sua candidatura à sucessão de Feliciano Costa, já tendo firmado a documentação necessária ao registo. Somente quem não conhecia a fibra, o entusiasmo cívico e o alto espírito comunitário do engenheiro que a Arena escolheu para concorrer ao pleito que se avizinha, poderia aceitar o fato de uma recusa frontal e total. O que ocorreu, acontece sempre com os homens que não são políticos profissionais: um período de estudos da situação e no exame geral da problemática, a fixação da ideia de que ninguém é lícito fugir à prestação de serviços à terra em que vive. 

A candidatura de Ariosto deixou de pertencer a um grupo, a uma facção para ser de uma comunidade que deseja governando o Executivo Municipal um homem descompromissado, politicamente sem freios, livre dos cambalachos e de agrupamentos deletérios. De um cidadão que principalmente, ofereça, nos dias que correm, perspectivas somadoras de fatores desencadeadores de condições que levem o eleitorado a dele esperar muitíssimo em favor da terra friburguense.

Quem disser que não haverá vibração na campanha eleitoral que está sendo desencadeada, está completamente por fora da realidade. Vamos ter o mais animado e vibrante pleito de todos os tempos. Com os meios modernos de comunicação, nos mais afastados rincões do município serão levados os programas dos candidatos. Nos tempos que correm, não adiantam palavras bonitas, demagogia barata e vou fazer isto ou aquilo… Os que, nas passadas eleições prometeram e não cumpriram estão fritos… Conversa fiada, choro, frases feitas de encomenda, não enganam mais. Ninguém se deixa levar por expedientes eleitoreiros grosseiros, notadamente por lamentos, soluços e até lágrimas, pois lágrimas em comícios e microfones estão muito "manjadas". Os maiores especialistas no assunto, não garantem mais resultados positivos. Têm que arranjar novo método…

Podemos garantir que uma especial dinâmica vai dominar a campanha eleitoral. Os processos de abraços, sorrisos, visitas, presença em aniversários, casamentos, batizados, festas etc. estão em progressão geométrica, no sentido do total desaparecimento. Aliás, já era tempo que terminassem os salameques, as deferências e as curvaturas por parte dos caçadores de votos.

E mais…

Dois engenheiros dos mais atuantes na legenda número um da Arena friburguense para prefeito e vice: Ariosto Bento de Mello e Rafael Jaccoud… 

Convenção Municipal homologará a escolha do diretório… 

Friburguenses irão excursionar à Europa… 

Legenda número um: dois engenheiros. Surgirá a legenda número dois? 

Secretário de educação exonerou-se… 

Sociais

A VOZ DA SERRA registra os aniversários de: Odette Ferreira (28); Marcelino dos Santos e Jader Lugon Júnior (29); João Baptista de Araújo Moreira e Júlio César de Souza (30); Nelson Augusto Spinelli e Luís Felipe Bizzotto (31); Moysés Moraes e Marina Spinelli Marques (1º de setembro); Luiz Gonzaga Laginestra, Vânio Reis, Leila Lopes, José Henrique Mesquita, Tânia Segal e Denise Maria de Oliveira (2).

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