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Trabalhar para viver — e não apenas para resistir

quinta-feira, 30 de abril de 2026
por Lucas Barros

Nesta sexta-feira, 1º de maio, celebramos o Dia do Trabalho. E, antes de qualquer debate, é preciso reconhecer quem sustenta, todos os dias, a engrenagem mais básica da sociedade: o trabalhador. É ele quem acorda cedo, enfrenta rotina, transporte, metas, pressão e, muitas vezes, volta para casa com a sensação de que entregou mais do que recebeu.

Nesta sexta-feira, 1º de maio, celebramos o Dia do Trabalho. E, antes de qualquer debate, é preciso reconhecer quem sustenta, todos os dias, a engrenagem mais básica da sociedade: o trabalhador. É ele quem acorda cedo, enfrenta rotina, transporte, metas, pressão e, muitas vezes, volta para casa com a sensação de que entregou mais do que recebeu.

Em muitos casos, trabalha-se muito — e vive pouco. A pauta da jornada 6 x 1 virou um retrato claro dessa realidade. Seis dias dedicados ao trabalho para um único dia de descanso que, na prática, acaba sendo consumido por tarefas acumuladas, compromissos e a tentativa de recuperar um cansaço que nunca vai embora por completo.

Falta tempo, falta energia, falta espaço para existir além da função que se exerce. E, quando o trabalho deixa de ser um meio de vida e passa a ser apenas sobrevivência, algo está profundamente fora do lugar. Portanto, a pauta é legítima e tem o seu valor para ser debatido.

O trabalhador sente isso no corpo e na rotina. Sente quando o salário não acompanha o custo de vida que cresce no país, quando o descanso não é suficiente, quando o crescimento parece distante. Sente quando precisa escolher entre pagar contas básicas ou ter um mínimo de lazer – se é que é possível.

E, ainda assim, segue. Porque parar não é uma opção para quem depende exclusivamente do próprio esforço para manter a vida funcionando. Mas é justamente aqui que o debate precisa ganhar maturidade. Porque, embora a dor do trabalhador seja evidente — e absolutamente legítima —, ela não existe isoladamente.

Do outro lado dessa relação, há uma realidade que muitas vezes é ignorada ou simplificada: a de quem empreende. A realidade do Brasil de pequenos e médios empresários que não se encaixa na imagem de grandes corporações ou estruturas milionárias e tampouco numa agenda de luta de classes.

São negócios familiares, empresas locais, comerciantes, prestadores de serviço, microempreendedores individuais. Pessoas que também acordam cedo, que fecham tarde, que não têm garantia de renda fixa no fim do mês e que carregam nas costas a responsabilidade de manter não só o próprio sustento, mas o de outras famílias.

Para muitos desses empregadores, a jornada não é 6 x 1 — é 7 x 0. Não há descanso formal, não há estabilidade, não há margem para adoecer. Há risco constante. Há incerteza. Há a obrigação de fazer a conta fechar mesmo quando a conta não fecha. E há, ainda, um fator que tem pesado cada vez mais: o aumento da carga tributária sobre as empresas e a complexidade do sistema.

Nos últimos tempos, criou-se uma narrativa perigosa de que toda empresa é, por definição, lucrativa e capaz de absorver todo e qualquer aumento de custo. Não é. Muitos negócios operam no limite, lidando com impostos elevados, burocracia excessiva e insegurança jurídica. O pequeno e médio empreendedor, nesse contexto, não vive de privilégio — vive de resistência.

Isso não anula, em hipótese alguma, a realidade do trabalhador. Mas revela um ponto essencial: transformar essa relação em um confronto direto é simplificar um problema que é estrutural. Porque, no fim das contas, não existe empresa sem trabalhador — e não existe trabalho sem empresa. Quando um lado enfraquece, o outro inevitavelmente sente.

O erro está em tratar o debate como uma “luta de classes” - o que não deixa de existir no ponto de vista da filosofia e da história. Como a melhora da vida de um significasse, necessariamente, prejudicar o outro. A realidade mostra justamente o contrário: relações de trabalho saudáveis dependem de equilíbrio. Dependem de condições que permitam ao trabalhador viver com dignidade e ao empregador operar com viabilidade.

O Dia do Trabalho deveria ser menos sobre discursos prontos e mais sobre reflexão real. Sobre como estamos estruturando nossas relações profissionais em um sentido lato, mas não apenas num sentido estrito. Sobre como estamos distribuindo esforço, responsabilidade e resultados. Sobre como transformar trabalho em qualidade de vida — e não apenas em manutenção do básico.

Porque há algo de errado quando o trabalhador vive exausto e o empregador vive sufocado. E há uma luta de classes em ambos se entendem como inimigos, embora, muitas vezes sejam vítimas de algo maior. Quando um não descansa e o outro não respira. Quando ambos trabalham muito, mas nenhum sente que está, de fato, avançando. Isso não é equilíbrio.

No fim, trabalhar deveria significar construir. Construir estabilidade, segurança, perspectiva. Construir um futuro que faça sentido. E talvez a reflexão mais importante desta semana seja justamente essa: não basta trabalhar muito. É preciso que o trabalho, para todos os envolvidos, volte a valer a pena.

Talvez o maior erro do nosso tempo tenha sido transformar o trabalho em destino, e não em caminho. Porque viver não deveria caber nas horas vagas. E nenhum descanso, para qualquer das partes, deveria parecer um prêmio.

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Tricolor de olho...

quinta-feira, 30 de abril de 2026
por Vinicius Gastin

Série C do Rio começa domingo com futuros adversários do Friburguense

O Friburguense vai começar a acompanhar quatro dos seus adversários na disputa da Série B2 deste ano. Quais serão eles? Os promovidos a partir da Série C do Campeonato Carioca, que terá início no próximo domingo, 3 de maio. Devido à desistência de três equipes na temporada passada da B2, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) confirmou que quatro times subirão da quinta para a quarta divisão, em vez dos dois tradicionais.

Série C do Rio começa domingo com futuros adversários do Friburguense

O Friburguense vai começar a acompanhar quatro dos seus adversários na disputa da Série B2 deste ano. Quais serão eles? Os promovidos a partir da Série C do Campeonato Carioca, que terá início no próximo domingo, 3 de maio. Devido à desistência de três equipes na temporada passada da B2, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) confirmou que quatro times subirão da quinta para a quarta divisão, em vez dos dois tradicionais.

A Série C do Carioca 2026 contará com 16 clubes. A fórmula de disputa sofreu alteração em relação à edição anterior. Divididos em grupos A e B, os clubes jogarão em cruzamento: A x B. Os quatro melhores classificados disputarão as quartas de final, em ida e volta. Os donos das melhores campanhas terão vantagem de escolher o mando de campo e também de resultados iguais. Os vencedores disputarão a semifinal, seguindo o critério da vantagem. A decisão será em jogo único.

Os quatro melhores colocados sobem para a Série B2 do Estadual. Já os oito não classificados às quartas disputarão o Grupo X. A Ferj distribuirá premiação de R$ 220 mil aos quatro primeiros colocados. O Grupo A conta com Campos, Tigres do Brasil, Brescia, Mageense, Cardoso Moreira, Itaboraí Profute, Barcelona e Vera Cruz.

Já a chave B terá Barra Mansa, Búzios, CAAC Brasil, Uni Souza, União Central, EC Resende, Ceres e Independente.

Entre os destaques desta edição é a participação do Ceres, que firmou uma parceria e jogará como Ceres/Originários FC. O clube terá um elenco formado integralmente por atletas indígenas, trazendo representatividade e uma nova dinâmica para o futebol do Rio.

Copa Rio

Em sorteio realizado na sede da Ferj, foi definida a tabela da Copa Rio de Profissionais. O Friburguense não participará da competição. O regulamento continua o mesmo dos anos anteriores, com cinco fases eliminatórias, com jogos de ida e volta. Os confrontos da primeira fase serão entre equipes da Série A2 Estadual contra os times da Série B1 e B2.

Os vencedores destas fases vão enfrentar as equipes da Série A Carioca nas oitavas (os clubes grandes não participam do torneio). Assim, a competição segue para quartas, semifinais e a decisão, sempre em partidas de ida e volta.

Os confrontos serão entre Cabofriense e Bonsucesso (o vencedor vai enfrentar o Madureira); Americano e Macaé Esporte (o vencedor pega a Portuguesa); Araruama e São Cristóvão (o vencedor vai enfrentar o Boavista); Pérolas Negras e Santa Cruz (o vencedor enfrenta o Maricá); América e Goytacaz (o vencedor vai enfrentar o Nova Iguaçu); Olaria e Duque de Caxias (o vencedor mede forças com o Bangu); São Gonçalo e Serrano (o ganhador enfrenta o Volta Redonda) e Resende e Belford Roxo (quem passar encara o Sampaio Corrêa).

Com informações do Portal O Frizão

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    Frizão conhecerá mais quatro adversários na corrida pelo acesso à terceira divisão do Estado: Tigres pode ser um deles (Foto: Arquivo de 2018)

  • Foto da galeria

    Meninas do vôlei encaram o Búzios Master, no Rio – A equipe Amigas do Vôlei continua representando Nova Friburgo nas competições espalhadas pelo Estado do Rio de Janeiro. E, nos próximos dias, viverá a sua primeira experiência internacional, competindo na categoria 50+. Após a disputa de mais uma etapa da Supercopa de Vôlei Master do Rio, no clube Caiçaras, no último fim de semana, o desafio da vez será o Búzios Master Volley. O evento acontece a partir desta sexta-feira, 1º de maio, e vai até domingo, 3, com as participações de equipes da América do Sul e do México. (Foto: Divulgação)

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A dúvida pode ser uma dádiva

quinta-feira, 30 de abril de 2026
por Cesar Vasconcellos

Outro dia, li um texto que começa assim: “A dúvida pode ser uma dádiva de Deus.” Interessante pensar dessa forma. Podemos ter a tendência de querer soluções imediatas quando provavelmente não estamos prontos para elas. Deus proveu em nossa vida soluções para tudo, mesmo para aquilo que não tem solução. Nesses casos Ele oferece conforto, aceitação, serenidade e forças para lidar com a perda, a dor, a decepção e a frustração.

Outro dia, li um texto que começa assim: “A dúvida pode ser uma dádiva de Deus.” Interessante pensar dessa forma. Podemos ter a tendência de querer soluções imediatas quando provavelmente não estamos prontos para elas. Deus proveu em nossa vida soluções para tudo, mesmo para aquilo que não tem solução. Nesses casos Ele oferece conforto, aceitação, serenidade e forças para lidar com a perda, a dor, a decepção e a frustração.

Quando estamos prontos e humildes, a informação que precisamos chega, e ela fica à nossa disposição. Ter muitas informações sem ser no momento oportuno, pode perturbar se quisermos ficar matutando nelas. Usar muita informação sem estar pronto para mudar e ouvir a voz de Deus, cria perturbação mental, ansiedade, agitação na cabeça. Se expor a muitas informações é uma das fontes do pensamento acelerado.

Quando você tiver uma dúvida, é bom perguntar. Mas tem dúvidas que o melhor é olhá-las como uma dádiva do céu porque a presença da dúvida nesse momento de sua vida pode indicar que ainda não é o momento de agir. Pode ser desastroso agir com imprudência devido a impaciência e visão parcial da situação, ou quando estamos dominados por certas emoções. Melhor esperar.

A autora do texto diz: “Acho que lidar com a confusão pode ser como cozinhar. Se o pão não está pronto, não o tiro do forno nem insisto que é hora de comer. Eu o deixo cozinhar. Se uma solução clara para o problema ainda não apareceu, posso confiar em que ela aparecerá na hora certa.” (Coragem para Mudar – Um dia de cada vez no Al-Anon II, p.45).

Agradeça ao Deus Criador do Universo, que sabe tudo de sua vida e necessidades, pelo que acontecerá hoje em sua vida, mesmo que se sinta perturbado, perturbada, em dúvida ou em confusão. O apóstolo Paulo, inspirado, escreveu: “Em tudo dê graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para com você.” 1 Tessalonicenses 5:18. Nosso papel no momento de dúvida quando não temos ainda resposta mesmo perguntando a alguém e a Deus, é olhar isso como uma dádiva indicando que o Senhor está primeiro preparando você para, então, lhe responder.

Helen Keller viveu de 1880 até 1968 e foi uma escritora e ativista social norte-americana. Ficou cega e surda desde bebê por causa de uma doença, formou-se em filosofia, lutou em defesa dos direitos sociais, em defesa das mulheres e das pessoas com deficiência. Foi a primeira pessoa cega e surda a entrar para uma instituição de ensino superior.

Com a ajuda de uma professora excepcional, chamada Anne Mansfield Sullivan, da Escola para Cegos Perkins, Helen Keller aprendeu a linguagem de sinais e braile. Alguns anos depois, ela aprendeu a falar. Quando adulta, tornou-se uma incansável defensora das pessoas com deficiências. Uma de suas frases é essa: “Tudo é maravilhoso, até a escuridão e o silêncio; dessa forma eu aprendo a ficar contente, não importa em que situação eu esteja.” (citado em “Coragem para Mudar – Um dia de cada vez no Al-Anon II”, p.45).

Paulo, o erudito apóstolo escreveu: “... já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.” Filipenses 4:11-13.

Está na dúvida? Fale com alguém experiente e ore a Deus sobre o assunto, com fé, humildade e perseverança. Ainda continua na dúvida? Comece a cultivar o pensamento de que isso pode ser a dádiva divina no sentido de você primeiro precisar estar pronto, pronta para obter a resposta. Ela virá no tempo e no modo certo que só Deus sabe.

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Cesar Vasconcellos de Souza – www.doutorcesar.com 

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Jean Bazet, primeiro médico de Nova Friburgo

quarta-feira, 29 de abril de 2026
por Max Wolosker

Não sou historiador, mas confesso que sempre tive uma queda pela história, principalmente, quando ela é um assunto de interesse geral e ao mesmo tempo faz parte de um contexto no qual vivemos. Sendo assim, resolvi dar um mergulho nas origens de Friburgo e resgatar personagens importantes da história da cidade. Muitos estão esquecidos na roda do tempo, mas merecem nossa lembrança, pois fizeram parte importante dos primórdios de nossa cidade.

Não sou historiador, mas confesso que sempre tive uma queda pela história, principalmente, quando ela é um assunto de interesse geral e ao mesmo tempo faz parte de um contexto no qual vivemos. Sendo assim, resolvi dar um mergulho nas origens de Friburgo e resgatar personagens importantes da história da cidade. Muitos estão esquecidos na roda do tempo, mas merecem nossa lembrança, pois fizeram parte importante dos primórdios de nossa cidade. Não custa lembrar que ela começou num acordo entre a corte portuguesa, no Brasil, em 1818, e o cantão de Fribourg, na Suíça, para a vinda de 100 famílias a se instalarem na, então Fazenda do Morro Queimado, hoje Nova Friburgo. Em fins de 1819 e começo de 1820 aqui chegaram as primeiras 30 famílias, para ocuparem os espaços a elas destinados. Posteriormente vieram os demais, num total de 1.631 pessoas.

Francês de nascimento, Jean Julien Bazet ou simplesmente Jean Bazet, foi o primeiro médico da colônia suíça de Nova Friburgo. Era natural da freguesia de Nay, Departamento dos Baixos Pirineus, região francesa próxima à fronteira espanhola, daí falar tanto o francês quanto o espanhol. Ele tinha 28 anos de idade quando emigrou para o Brasil, aqui chegando em 8 de fevereiro de 1820 a bordo do navio Camillus. Os motivos que o levaram a se engajar como médico entre os colonos não são de todo conhecidos, bem como sua vida pregressa na França. Talvez, o espírito de aventura e a falta de perspectivas, numa Europa ainda se recuperando dos estragos das guerras napoleônicas, tenham motivado a sua escolha.

Em junho de 1820, foi agraciado com os títulos de Médico dos Colonos Suíços da Vila de Nova Friburgo e de Médico Honorário da Casa Real, o que lhe conferiu significativo prestígio entre os colonos e os proprietários locais, principalmente, com relação aos cuidados característicos de sua profissão. Aliás, os dados sobre sua atuação como médico são pouco conhecidos, talvez pela falta de informações precisas e mesmo de manuscritos dessa época. Acredito que nos primórdios da cidade, o médico ia de casa em casa para cuidar dos doentes, portanto sem anotações de suas atividades. No entanto, ele tornou-se uma figura proeminente tanto em Friburgo, como na corte.

Totalmente aclimatado em Nova Friburgo, Jean Bazet se casou, em 24 de setembro de 1829, com Justine Froidevaux, de 25 anos, ela também filha de imigrantes suíços. Desse casamento nasceram três filhos, as duas últimas, do sexo feminino, batizadas na Igreja da Glória, reduto da aristocracia na corte, figurando entre os padrinhos de ambas, Antônio Clemente Pinto (o Barão de Nova Friburgo) e sua esposa Laura Clementina da Silva Pinto.

No entanto, foi na política que ele mais se destacou, iniciando a saga de médicos friburguenses que tiveram papel importante na condução dos destinos da cidade como foi o caso de Feliciano da Costa, Amâncio Azevedo e Vanor Tassara Moreira. Ao longo do tempo em que residiu em Nova Friburgo, ele ocupou, por três ocasiões, entre 3 de fevereiro de 1829 e 11 de janeiro de 1833, 16 de janeiro de 1838 a 7 de janeiro de 1845 e finalmente entre 20 de janeiro de 1846 e 20 de maio de 1849, a presidência da Câmara de Vereadores local. Basta dizer que o presidente da Câmara significava ser o prefeito da época. Entre os anos de 1851 e 1852 exerceu, também a presidência do Sous Comité Friburguense da Sociedade Filantrópica Suíça, conforme o Almanaque Laemmert.

Autoridade

A ascensão de Bazet como autoridade máxima de Nova Friburgo, ocorre quando, por força da lei de 1º de outubro de 1828, iria se proceder, através dos “homens bons”, a primeira eleição municipal da história da vila. Dentre 305 eleitores que votavam em mais de um candidato, obteria o médico 158 votos, cinco a mais do que o vigário Joÿe, que também aspirava o cargo. Em terceiro figuraria um luso-brasileiro, Joaquim Antonio Marques. Esta seria uma das raras vezes em que membros da colônia exerceriam o poder, suplantando o elemento luso.

Uma curiosidade e um dado digno de observação durante este período é o significativo número de escravos acumulados por Jean Bazet. Embora exercesse a medicina como atividade principal, era também dono de terras destinadas à agricultura. Tal circunstância demonstra uma vez mais, que ao contrário do que se quis fazer acreditar, os colonos suíços e outros funcionários estrangeiros ligados à vila de Nova Friburgo, adaptaram-se perfeitamente ao sistema escravista, ainda que alguns, em um primeiro momento e por breve tempo, repudiassem o modelo. Por isso, há pessoas que entendem a ocupação suíça, em Friburgo, como uma chegada de imigrantes a convite do rei de Portugal. Eles não foram colonizadores, no sentido de terem trazido e implantado a sua cultura em terras friburguenses. Pelo contrário, absorveram os hábitos e costumes dos portugueses.

Vale a pena acrescentar que Bazet além de médico, político e agricultor, se lançou também no ramo dos negócios, como empreiteiro associado a Auguste Mulaz. No entanto, essa sua faceta durou pouco tempo e ele se afastou do empreendimento.

No início do ano de 1853, João Bazet ainda residia na vila de Nova Friburgo, entretanto, sua saúde encontrava-se debilitada. Tudo indica que por volta de 1856 ele retirou-se para a França com o objetivo de se tratar; apesar de não sabermos qual moléstia fez o médico sucumbir, seu inventário indica a data de 25 de abril de 1858 e a cidade de Paris, como a data e o local de sua morte.

Justa homenagem 

Passaram-se anos até que Jean Bazet tivesse o reconhecimento da cidade, pelo seu trabalho em prol de Friburgo. De acordo com a edição de A VOZ DA SERRA de 26 de agosto de 2009, “o prefeito Heródoto Bento de Mello recebeu com bastante entusiasmo a notícia da decisão unânime da Câmara Municipal, em adotar o nome do francês Jean Bazet em seu plenário. O prefeito aproveitou para parabenizar os vereadores pela decisão que julgou acertada: A Câmara fez justiça com a história de Nova Friburgo; reparou um feito de quase 200 anos e deu um exemplo de que temos que prestigiar, em nossos prédios públicos, os nomes daquelas personalidades que têm ligação direta com o nosso município. Nada de nomear os prédios municipais e logradouros, por exemplo, em homenagem a quem nada tem a ver diretamente com o nosso município, defendeu”.

A maioria dos dados desse artigo foram obtidas no: “Migrantes no Império do Brasil: A Trajetória de Jean Bazet nas Origens da Vila de Nova Friburgo, 1820-1858” (www.academia.edu) e no post de Imigração Suíça no Brasil 1819, no Facebook, em 4 de julho de 2017, além dos arquivos de A VOZ DA SERRA. 

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Embalou

quarta-feira, 29 de abril de 2026
por Vinicius Gastin

Sub-20 do Frizão goleia e conquista segunda vitória na B2 Estadual

O gosto pela vitória parece ter embalado os meninos do Friburguense na Série B2 Estadual Sub-20. Depois de derrotar o Rio de Janeiro, em casa, e conquistar o primeiro triunfo na competição, a equipe tricolor aplicou 4 a 0 no Paraty, mesmo atuando fora de casa, no estádio Nélio Gomes. O resultado positivo consecutivo reposiciona a equipe na competição, e já faz com que os comandados de Gedeil olhem para as primeiras posições na tabela.

Sub-20 do Frizão goleia e conquista segunda vitória na B2 Estadual

O gosto pela vitória parece ter embalado os meninos do Friburguense na Série B2 Estadual Sub-20. Depois de derrotar o Rio de Janeiro, em casa, e conquistar o primeiro triunfo na competição, a equipe tricolor aplicou 4 a 0 no Paraty, mesmo atuando fora de casa, no estádio Nélio Gomes. O resultado positivo consecutivo reposiciona a equipe na competição, e já faz com que os comandados de Gedeil olhem para as primeiras posições na tabela.

No embalo do bom momento vivido, o Friburguense volta a jogar em casa pela Taça Maracanã (primeiro turno da competição) nesta sexta-feira, 1º de maio, às 15h, quando recebe o 7 de Abril, no Eduardo Guinle. A entrada é gratuita para prestigiar a base do time de Nova Friburgo.

Na quarta rodada, o Friburguense foi escalado pelo técnico Gedeil com Thiago, Danilo, Bryan, Kauã e Iago Botelho; Renan, Juninho, Ryan e Gabriel; Maicon e Marcinho.

A edição deste ano do torneio conta com a participação de oito equipes, que se enfrentam em turno único, classificando quatro para as semifinais e finais. Além do Frizão, participam CIG 7 de Abril, Rio de Janeiro, Paduano, Belford Roxo, Santa Cruz, Serra Macaense e Paraty.

O campeonato é disputado em três fases: Taça Maracanã, semifinal e final. Ao término das sete rodadas, o primeiro colocado em pontos ganhos será declarado campeão da Taça Maracanã. Os quatro melhores classificados disputarão a semifinal do campeonato.

Tabelão do Friburguense Sub-20

Friburguense 1 x 2 Paduano, Eduardo Guinle

Belford Roxo 3 x 2 Friburguense, Nélio Gomes

Friburguense 3 x 2 Rio de Janeiro, Eduardo Guinle

Paraty 0 x 4 Friburguense, Nélio Gomes

01/mai - Sex - 15h - Friburguense x 7 de Abril, Eduardo Guinle

07/mai - Qui - 15h - Serra Macaense x Friburguense, Claudio Moacyr

14/mai - Qui - 15h - Friburguense x Santa Cruz, Eduardo Guinle

 

Série A2 começa nesta quarta-feira

A Série A2 do Campeonato Carioca de 2026, organizada pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), terá início nesta quarta-feira, 29. Os 12 clubes que lutam pelo acesso são: América, Americano, Araruama, Audax Rio, Bonsucesso, Cabofriense, Maricá, Olaria, Pérolas Negras, Resende, São Gonçalo e Serrano.

O regulamento segue um modelo simples, dividido em três fases principais. A 1ª fase é a Taça Santos Dumont, sendo ela classificatória, onde todos jogam contra todos em turno único (11 rodadas). Os quatro primeiros colocados avançam para a semifinal, e os dois últimos são rebaixados para a Série B1.

O campeão sobe direto para a primeira divisão do Carioca 2027, enquanto o vice disputará um play-off com o penúltimo colocado do Carioca de 2026 para decidir um segundo acesso à elite, no caso o Nova Iguaçu.

Na primeira rodada se enfrentam Cabofriense x Bonsucesso (estádio Alair Corrêa); Araruama x Serrano (Arena Trops); Olaria x Audax Rio (Mourão Filho); América x Americano (Giulite Coutinho); São Gonçalo x Pérolas Negras (Los Lários) e Resende x Maricá (Trabalhador).

Foto da galeria
Mesmo fora de casa, Frizão embala, goleia e garante a segunda vitória consecutiva na competição (Crédito: João Laurentino)
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Memórias de um estudante

quarta-feira, 29 de abril de 2026
por Robério Canto

Você já viu sujeira matar alguém? Agora banho...

Você já viu sujeira matar alguém? Agora banho...

Eu até tinha destaque entre os meninos da escola pública onde estudava. Não porque tivesse melhor cabeça, mas porque os demais moleques priorizavam os banhos de rios e as peladas nos terrenos baldios do bairro, desaparecendo da sala de aula e assim diminuindo a ocorrência. Pudesse eu fazer o mesmo! Mas minha santa mãe me vigiava, acreditando que eu era muito inteligente, coisa que, aliás, ela pensava também dos outros quatro filhos (quanto a mim, enganou-se redondamente). Como não me era dada a opção de vadiar, o jeito era prestar atenção às aulas.

Para falar a verdade, eu não acreditava em tudo que ensinavam, embora não ousasse desmentir as professoras. Por exemplo: elas afirmavam que o Rio Amazonas tinha 6.400 km. Eu não sabia bem o que era um quilômetro, mas 6.400 devia ser muita coisa. Olhava então o Bengalas e não achava possível que outro pudesse ser tão superior ao rio da minha cidade.

Minhas aulas preferidas eram aquelas em que a professora lia histórias para os alunos. Foi assim que, sentado no duro banco da carteira, pela primeira vez pus os pés na infindável estrada da literatura, por onde, embora aos tropeções, vou caminhando até hoje. Já naquela época eu intuía que a matemática era uma coisa inventada para torturar as crianças, o que me levou a declarar, anos mais tarde, que gostar de matemática não era um dom, mas um desvio de personalidade.

Não fui agredido porque os professores presentes eram meus amigos e sabiam que, no fundo, eu tinha ─ e tenho ─ inveja de quem sabia lidar com os números e seus correlatos. Mas vejam como a vida é uma coisa incoerente! Foi justamente em matemática que ganhei o maior elogio da minha vida intelectual. A professora fez uma pergunta difícil, algo como "Quanto é 8 x 4?” Num impulso, respondi 32, sem saber o que estava falando. “Esse já está aprovado”, comentou a diretora que, por acaso e para minha glória, ia passando pelo corredor.

Me lembro com carinho das professoras que tive na infância. Tantos anos se passaram que já esqueci o nome e a aparência delas. Mas o carinho ficou: difuso, mas verdadeiro. E me lembro de alguns colegas de personalidade assaz marcante. Um deles, a quem atualmente dou o nome de Paulão, era especialista em teorias científicas. Dentre elas, a de que banhos frequentes faziam mal à saúde. Paulão não era apenas um teórico, bastava passar perto dele para sentir o cheiro de quem praticava a tese que defendia. "Você já viu sujeira matar alguém? Agora banho... a gente pega um resfriado e, oh, já era!" Outra de suas teses garantia que lavar a cabeça era a principal causa da queda de cabelos. E apresentava a prova do que dizia: "Olha os alemão da fábrica. Tudo careca. Por quê? Porque vivem lavando a cabeça. Meu pai só toma banho de vez em quando e tem mais cabelo que a alemoada toda”.

Isso foi no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça, e a linguiça, além de carne, tinha trema. Atualmente, um aluno pode dizer que a professora nunca viu o Rio Amazonas e, portanto, não sabe o que está falando. Se alguém corrigir o menino, no dia seguinte os pais procuram a direção do colégio para ensinar que as professoras atualmente estão muito mal preparadas. Bons tempos em que o adulto falava, certo ou errado, a gente enfiava a viola no saco e ia jogar bola ou tomar banho de rio. Ou à aula, se não tivesse como evitar!

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A prática da gratidão

quarta-feira, 29 de abril de 2026
por Camilla Fiorito

Não agradecemos! Não agradecemos tanto como deveríamos. Agradecemos.

Desenvolver o ato de agradecer é um exercício diário. Clamamos, desejamos, queremos, idealizamos, mas deixamos de agradecer das pequenas conquistas à aquelas que ultrapassam o pensamento do querer. 

A gratidão transforma a nossa vida, a forma como nos percebemos, percebemos o outro e percebemos as diversas situações diárias, proporcionando bem-estar físico, social e emocional. 

Não agradecemos! Não agradecemos tanto como deveríamos. Agradecemos.

Desenvolver o ato de agradecer é um exercício diário. Clamamos, desejamos, queremos, idealizamos, mas deixamos de agradecer das pequenas conquistas à aquelas que ultrapassam o pensamento do querer. 

A gratidão transforma a nossa vida, a forma como nos percebemos, percebemos o outro e percebemos as diversas situações diárias, proporcionando bem-estar físico, social e emocional. 

Quando agradecemos, passamos a trazer o pensamento positivo para o nosso momento, o barco da ansiedade começa a desligar o motor e a resiliência vai aumentando de forma significativa. 

A felicidade fica mais presente, trazendo com ela uma paz interior e uma agradável sensação de contentamento. As decepções, perturbações e outras vivências profundas são sentidas, mas vividas de outras formas, sendo organizadas através de um outro olhar. 

Cuidamos mais do nosso corpo, da nossa mente, focando naquilo que é positivo, onde focar no positivo não quer dizer que o negativo e as coisas que não saíram como planejado não existiram. É treinar a mente para tirar o melhor das ações que acontecem na nossa vida, trazendo aprendizado para cada um de nós, mesmo em situações extremamente desafiadoras e difíceis de lidar. 

Ser uma pessoa grata, melhora as nossas relações e expressar isso pode ser algo usual para uns e não para outros. Mas, quando agradecemos, reconhecemos o valor das coisas nas mais singelas entrelinhas.

Praticar a gratidão é um exercício que precisa de persistência, perseverança. Não começa amanhã ou depois, começa agora. 

E você,  tem praticado a gratidão?

Até a próxima quarta!

……..

Contato

Site: www.camillafiorito.com.br

Instagram: @camilla.fioritoeduc

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Participação histórica

terça-feira, 28 de abril de 2026
por Vinicius Gastin

AFFM / Friburguense com grande delegação e conquistas no Brasileiro Individual de Futmesa

O futmesa do Estado do Rio de Janeiro confirmou sua força no cenário nacional do futebol de mesa, e a AFFM / Friburguense se destacou nesse contexto durante a disputa do 36º Campeonato Brasileiro Individual, Regra 12 Toques. A competição foi realizada entre os últimos dias 18 e 21 no ginásio do Guarani Futebol Clube, em Campinas-SP, reunindo os principais atletas do país.

AFFM / Friburguense com grande delegação e conquistas no Brasileiro Individual de Futmesa

O futmesa do Estado do Rio de Janeiro confirmou sua força no cenário nacional do futebol de mesa, e a AFFM / Friburguense se destacou nesse contexto durante a disputa do 36º Campeonato Brasileiro Individual, Regra 12 Toques. A competição foi realizada entre os últimos dias 18 e 21 no ginásio do Guarani Futebol Clube, em Campinas-SP, reunindo os principais atletas do país.

Pelo Tricolor da Serra, Hiago Carvalho e Marcio Pires foram campeão e quarto colocado na Série Bronze, enquanto Daniel Couto Pereira se posicionou entre os 16 melhores do Brasil. A delegação numerosa do Frizão é outro ponto de destaque.

O título ficou com o Vasco da Gama, que alcançou uma conquista simultânea nas categorias Adulto e Master, ambas decididas em finais contra adversários do Sociedade Esportiva Palmeiras. Na categoria principal, Nando Jesus confirmou o excelente momento e garantiu o título ao superar o multicampeão Quinho por 6 a 4 em uma final de alto nível técnico.

Já na categoria Master, a decisão foi ainda mais equilibrada. Moacir Henze conquistou o título após vencer por 5 a 4 o palmeirense Lopes, de virada, após estar perdendo por 3 a 0, assegurando mais uma taça para o clube de São Januário. Marco Antônio, também do Vasco, completou o pódio na terceira posição.

A competição

Ao todo, o torneio contou com 242 atletas, distribuídos entre as categorias Adulto (128 jogadores), Master (96 atletas) e Sub-18 (18 competidores). A competição também contou com representantes de 16 estados — Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo — além do Distrito Federal. A competição foi organizada pela Federação Paulista de Futebol de Mesa, com chancela da Confederação Brasileira de Futebol de Mesa.

O Vasco da Gama vem construindo uma trajetória vitoriosa no Campeonato Brasileiro Individual de Futebol de Mesa – Regra 12 Toques, sendo o único clube com conquistas em todas as categorias ao longo dos anos. No total, agora, são 12 títulos, sendo dois no Sub-15, quatro no Sub-18, dois no Adulto e quatro no Master.

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    Hiago Carvalho e Marcio Pires, campeão e quarto colocado na Série Bronze (Foto: Divulgação)

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    Friburguense teve delegação numerosa participando da competição nacional em Campinas (Foto: Divulgação)

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    Título principal da competição fica no Rio de Janeiro, com botonista do Vasco (Foto: Divulgação)

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Mensagem dos bispos do Brasil

terça-feira, 28 de abril de 2026
por CNBB

Jesus disse de novo: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21)

“Reunidos em Aparecida-SP, junto à Padroeira do Brasil, nós, bispos católicos, por ocasião da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada entre os últimos dias 15 e 24, dirigimos esta mensagem de esperança e unidade a todo o Povo de Deus. Fortalecidos pela oração, reafirmamos o compromisso de evangelizar, sendo uma Igreja Sinodal que escuta, acolhe e serve a Jesus Cristo com amor e fidelidade.

Jesus disse de novo: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21)

“Reunidos em Aparecida-SP, junto à Padroeira do Brasil, nós, bispos católicos, por ocasião da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada entre os últimos dias 15 e 24, dirigimos esta mensagem de esperança e unidade a todo o Povo de Deus. Fortalecidos pela oração, reafirmamos o compromisso de evangelizar, sendo uma Igreja Sinodal que escuta, acolhe e serve a Jesus Cristo com amor e fidelidade.

Unimo-nos ao Papa Leão XIV em seu profético empenho pela paz, que não pode ser um ideal distante, mas uma realidade concreta. Exortamos todos a reconhecer que a paz, dom do Ressuscitado, brota da conversão dos corações, do diálogo fraterno e da solidariedade com os mais pobres.

O Batismo é a fonte de todas as vocações e, por meio dele, somos chamados à santidade e à comunhão. Revestidos todos da mesma dignidade, tornamo-nos corresponsáveis pela missão da Igreja, qualquer que seja o ministério que exerçamos. Nesta harmonia, reconhecemos a riqueza dos dons e carismas que, na diversidade dos ministérios, dinamizam o serviço na Igreja e na sociedade.

Manifestamos nossa gratidão a todo o Povo de Deus, que se mantém fiel no seguimento a Jesus Cristo, e expressamos nossa proximidade a todos os cristãos leigos e leigas, consagrados e consagradas, e ministros ordenados que sofrem calúnias e agressões por seu compromisso com o Evangelho, principalmente junto aos pobres e na defesa da Casa Comum.

Pedimos a todos um esforço contínuo pela unidade, fazendo de nossas comunidades ambientes onde o diálogo se manifeste na superação das polarizações. Empenhemo-nos na valorização da diversidade dos dons, onde todos os ministérios sejam vividos como serviço ao próximo, num caminho de comunhão, participação e missão.

Somos gratos aos cristãos leigos e leigas, chamados a ser sal da terra e luz do mundo nas realidades sociais e eclesiais (cf. Mt 5,13-16). Enaltecemos, igualmente, a vocação matrimonial e a família, cuja missão reside em gerar e cuidar da vida, na educação das novas gerações e na transmissão da fé.

Esse mesmo olhar queremos dirigir aos diáconos e presbíteros, chamados — a exemplo do Bom Pastor — a serem conosco os primeiros, dentre o Povo de Deus, servidores na comunidade e dispensadores da graça sacramental, construindo um caminho de unidade e comunhão. Reconhecemos também a importância da vida consagrada e seu compromisso missionário, especialmente junto aos mais fragilizados, como um sinal profético de doação da própria vida e um testemunho da alegria no discipulado.

Iluminados pelo magistério do Papa Francisco, que nos animou a ser uma “Igreja em saída”, reconhecemos o trabalho incansável de todos os fiéis que se dedicam às iniciativas de cuidado dos pobres e da Casa Comum, atuando nas periferias geográficas e existenciais. A doação de suas vidas, nesta missão, impulsiona-nos a uma sensibilidade e abertura missionária permanentes.

Agradecemos, de modo especial, a todos os jovens presentes em nossas comunidades. Vocês são o “agora de Deus”, e nos ajudam a ser uma Igreja viva e renovada. Ao mesmo tempo, convidamos todas as lideranças eclesiais a acolherem e caminharem junto aos jovens, no cuidado, na escuta e no discernimento.

Convidamos todos a um renovado compromisso na construção da cultura vocacional, fazendo de nossas comunidades espaços de encontro, testemunho e missão. Ao redor da mesa da Palavra e da Eucaristia, em cada domingo, unamo-nos na oração pelas vocações e pela perseverança dos que se colocam a serviço da evangelização.

Neste espírito de comunhão, como um só corpo (cf. Rm 12,5), assumamos, com renovado ardor, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Elas são a expressão concreta de nossa acolhida ao caminho sinodal, que nos leva a redescobrir a beleza da variedade das vocações, carismas e ministérios.

Somos uma Igreja ministerial e, sob o olhar amoroso da Virgem Aparecida, Mãe das Vocações, renovamos nosso compromisso de evangelizar, anunciando Jesus Cristo com alegria e esperança, para que cheguemos à plenitude do Reino de Deus.”

Aparecida – SP, 24 de abril de 2026. 62ª Assembleia Geral da CNBB

Fonte: CNBB

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Mozarteando

terça-feira, 28 de abril de 2026
por Tereza Malcher

Vez em quando, quero me referir ou descrever algo e não consigo encontrar palavra que designe o que pretendo expressar. Apesar do vasto dicionário da nossa bela Língua Portuguesa, ainda faltam palavras para definir pensamentos e sentimentos, fatos e objetos, situações e processos. Aliás, sempre falta algo na vida, então por que não poderia suceder com a nossa Língua Portuguesa? E o falante, como você, meu leitor, e eu, volta e meia, nos deparamos com os vazios da linguagem.

Vez em quando, quero me referir ou descrever algo e não consigo encontrar palavra que designe o que pretendo expressar. Apesar do vasto dicionário da nossa bela Língua Portuguesa, ainda faltam palavras para definir pensamentos e sentimentos, fatos e objetos, situações e processos. Aliás, sempre falta algo na vida, então por que não poderia suceder com a nossa Língua Portuguesa? E o falante, como você, meu leitor, e eu, volta e meia, nos deparamos com os vazios da linguagem.

Posto que sim, a literatura é de uma graça imensa e tem desses acasos, engraçados, esdrúxulos e deleitosos. No final de uma conversa com os sócios e amigos do Instituto Edith Blin, ocasião em que eu falava sobre o processo de escrita, quis dizer que escrevo como se fosse embalada pelas músicas de Mozart. E saiu, espontaneamente, “mozarteando”. Depois, supus que poderia ser o gerúndio do verbo mozartear.

Eu mozarteio, você mozarteia e ... Escrevo a coluna sendo abençoada por esse nobre e talentoso músico, que organiza minha mente e faz com que as ideias fluam com leveza. A música clássica do austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) ativa o poder do cérebro por ter uma sonoridade profunda, elegante e equilibrada. Pela sua harmonia, composta com tamanha perfeição, oferece a sensação de “joie de vivre” (ou alegria de viver) e momentos de introspecção, evocando sentimentos de compaixão e paz. É uma música que possui magnetismo, eletrizando nossas correntes energéticas.

De fato, Mozartear me possibilita transitar com desenvoltura entre o amor, a brincadeira e a poesia. Quem escreve precisa mergulhar no estado mozarteador para conseguir transpor as ideias para o papel com beleza e poesia.

Mozarteando, fiz outra constatação: escrever é um processo louco. Guimarães Rosa era um poliglota, falava muitos idiomas. Dominando completamente diferentes línguas, criou palavras: nonada (coisa sem importância), desinquieta (agitada), empalavrado (pessoa que usa muitas palavras). Acredito que ele ia escrevendo, ia querendo encontrar palavras exatas, não as encontrava e ia inventando. Que criatividade fundamentada na intuição, no conhecimento da língua e na determinação de explorar as possibilidades dela, como escritor!

Eu, também, ousei em criar uma: ajelasmicrim (mistura dos cheiros de jasmim e alecrim). Ao escrever um texto infantojuvenil sobre o tempo, queria achar uma palavra para expressasse aquela pessoa apressada, que fala rápido e acaba misturando tudo. Aí, sem querer, andando no meu jardim, fazendo um número sem fim de perguntas ao meu vocabulário, senti um cansaço daqueles que vaza nos poros, e “ajelasmicrim” saiu num sopro, quase me tirando o ar. Então, corri para a mesa e escrevi. Uma, duas, três vezes. Repeti várias vezes em voz alta e gostei do som. E, então, nomeei meu texto de Ajelasmicrim.  Com ele ganhei o prêmio “Off Flip de literatura”, em 2016, na primeira edição do concurso infantojuvenil. E o livro foi editado pela respectiva editora.

Quem escreve tem que se acostumar com essas saudáveis normalidades. Até porque a língua se constitui assim. Surge na boca do povo, no dizer das palavras e frases. Agora, pesquisando sobre as novas palavras inseridas no dicionário da Língua Portuguesa, me deliciei com “vacinódromo”, o lugar de vacinação; “bibliosmia”, ato de cheirar livros, hábito comum a muitos leitores. Eu, mesma, cheiro, inspiro tão profundamente o meio do livro para sentir o autor e o texto. É como se o olfato substituísse a visão. Para ser sincera, lemos com todo o nosso corpo. E, aí, com tantas palavras e situações enlaçando nossas células, criou-se “disania”, dificuldade extrema de sair da cama. Quem não sofre de disania no dia da preguiça?

Inventar palavras parece ser uma brincadeira interessante e gostosa, quase um jogo de palavras e letras. Na verdade, é um modo de não se resignar com as limitações da língua e das situações. Um modo de ir além, de não ficar acanhada com os limites. De saltitar sobre as letras.

Salve os tempos da “uberização”!

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