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Nudez militar

quarta-feira, 11 de março de 2026
por Robério Canto

Velhos tempos, em que usar mangas curtas já era suficiente para despertar desejos proibidos

Velhos tempos, em que usar mangas curtas já era suficiente para despertar desejos proibidos

Eu tinha dezoito anos, era um rapazinho desinformado das coisas do mundo, mas, se bem me lembro, naquela época andar nu em público ainda não tinha virado moda. No entanto, lá estava eu, pelado no meio de outros cinquenta ou sessenta jovens igualmente pelados, todos sem saber onde botar as mãos e os olhos. O governo havia me chamado para servir à Pátria, mas bastava me olhar para saber que eu era inservível, incapaz de atirar uma granada mais distante do que uma cusparada. Carregar peso, não mais do que dois quilos; correr, não mais do que cinquenta metros. Tudo isso eu teria confessado, sem precisar tirar a roupa.

No entanto, o Exército Brasileiro, ali presente na pessoa de dois ou três de seus bravos representantes, nada me perguntou e nada perguntou aos demais convocados para o exame. No Ginásio Celso Peçanha, as arquibancadas estavam cheias de caras semelhantes à minha, as mãos cobrindo como podiam as chamadas partes íntimas, todo mundo com medo de alguma intimidade.

Quando acharam que estar sentado no cimento frio já era castigo bastante, mandaram-nos levantar e entrar em fila. Se alguém já entrou em uma fila de homens nus, há de saber que não é uma situação propriamente agradável. A menos que fossem aqueles índios que Cabral encontrou em 1500, os quais não se preocupavam em esconder “suas vergonhas”, como lá diz Pero Vaz de Caminha, na famosa Carta do Descobrimento. Mas acho que mesmo eles evitavam entrar em fila.

Não que eu seja a favor do uso da burca, que esconde a lindeza feminina. Também esconde a feiura, mas, como na média há mais mulheres bonitas do que feias, o prejuízo causado pelas burcas é bem grande. E também não acho que devemos retornar ao terno, colete, paletó, gravata e galocha. Mas quanto mais se retorna no tempo, o que mais se vê são pessoas cobertas de pano. Basta ler o excelente, excelentíssimo conto “Uns braços”, de Machado de Assis.

Nele, a família abriga um rapaz de quinze anos, que trabalha de graça para o dono da casa. O pobre rapazinho vive enamorado da patroa, cujos braços não se cansa de olhar sorrateiramente e amar secretamente. Não que a mulher vivesse de biquini na piscina, ou andasse de short pela casa. Nunca o inocente Inácio tinha visto mais do que os braços, que ela ousava manter descobertos. Velhos tempos, em que usar mangas curtas já era suficiente para despertar desejos proibidos.

Sem ter como evitar, entrei na fila e fui seguindo, ora admirando o teto, ora contemplando o chão. E tanto demorou a caminhada que acabei sabendo de cor quantas vigas havia em cima e quantos pisos havia embaixo. Um a um, todos os futuros soldados (ou não) foram todos se apresentando, medidos, apalpados. Os considerados aptos iam para um lado, os demais ouviam um seco “dispensado” e saiam rapidinho, antes que os homens mudassem de opinião. Quando finalmente cheguei diante da autoridade, mastigava um dilema: não queria servir ao Tiro de Guerra, pois já então era contra tiros e contra guerras. Mas também sabia que a dispensa significava ter sido considerado um fracote. E foi isso que, por outras palavras, menos delicadas, me foi dito com franqueza militar.

Lá se vão muitos anos e, bem ou mal, o Exército Brasileiro tem sobrevivido sem mim. Que assim continue, para a felicidade dele e minha.

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Microconto: FIM

Depressivo, sentia-se sempre à beira de um abismo fatal – até o dia em que deu um passo à frente.

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Nos preparativos

terça-feira, 10 de março de 2026
por Vinicius Gastin

Criada a Secretaria Extraordinária para a Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027

O tempo vai passando, e a cada dia, cresce a expectativa pela realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027 no Brasil. Nesse meio tempo, os preparativos vão se intensificando, e o Governo Federal anunciou a criação de uma Secretaria Extraordinária para a competição. A nova estrutura, instituída pelo decreto 12.789, irá funcionar no âmbito do Ministério do Esporte e terá vigência até dezembro de 2027.

Criada a Secretaria Extraordinária para a Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027

O tempo vai passando, e a cada dia, cresce a expectativa pela realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027 no Brasil. Nesse meio tempo, os preparativos vão se intensificando, e o Governo Federal anunciou a criação de uma Secretaria Extraordinária para a competição. A nova estrutura, instituída pelo decreto 12.789, irá funcionar no âmbito do Ministério do Esporte e terá vigência até dezembro de 2027.

A Secretaria será responsável por coordenar os encaminhamentos do Mundial, com foco na logística, governança e articulação entre órgãos públicos e a Federação Internacional de Futebol (Fifa). O ministro do Esporte, André Fufuca, destacou que a criação da Secretaria segue uma prática já adotada pelo Brasil na organização de grandes eventos internacionais.

“O Brasil tem tradição na realização de grandes eventos e, nesses momentos, a criação de estruturas extraordinárias garante coordenação, eficiência e transparência”. Segundo o ministro, essa secretaria nasce com um desenho mais enxuto, adequado às características da Copa do Mundo Feminina. “Ela será fundamental para assegurar a boa organização do torneio e a construção de um legado para o esporte e para o futebol feminino”, complementou.

União entre o governo e a Fifa

A Secretaria Extraordinária atuará como elo central entre o Governo Brasileiro e a Fifa para acompanhar compromissos internacionais, apoiar estados e municípios e viabilizar garantias em áreas como segurança, mobilidade urbana, telecomunicações, imigração, saúde e tecnologia da informação.

A secretária executiva adjunta do Ministério do Esporte e coordenadora da Copa do Mundo Feminina 2027 na pasta, Cynthia Motta, explicou que a nova estrutura permitirá dedicação exclusiva aos encaminhamentos do evento. Ela explica que diferentemente da Copa do Mundo Masculina de 2014, não haverá obras de estádios, concentrando a atuação principalmente em logística, mobilidade, aeroportos, tecnologia da informação, gramados, saúde e articulação interministerial.

“É através dessa equipe criada agora que iremos trabalhar exclusivamente para colocarmos a Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027 em campo”, destacou.

Estrutura da nova pasta

        A nova secretaria contará com um secretário e um gerente de projeto, além de chefia de gabinete, assessor técnico e dois assistentes técnicos. A estrutura inclui ainda uma Assessoria Extraordinária de Coordenação de Grandes Eventos, composta por chefe, assessor, três assessores técnicos e dois assistentes técnicos, além da Coordenação Geral dos Grupos Temáticos da Copa e da Coordenação Geral da Copa.

Como parte da nova fase de organização do Mundial, o Ministério do Esporte em atuação conjunta com o Comitê Gestor da Copa do Mundo de Futebol Feminino Fifa 2027 (CGCOPA) instituiu oito câmaras temáticas de trabalho, alinhadas às orientações da Fifa: vistos, imigração e entrada no país; permissões de trabalho e legislação trabalhista; regime fiscal e cambial; segurança e proteção; proteção e exploração dos direitos de competição; tecnologia da informação e telecomunicações; questões jurídicas, indenizações e leis especiais e transporte.

O CGCOPA reúne 23 órgãos da administração pública federal, incluindo a Advocacia-Geral da União (AGU) e ministérios como Fazenda, Saúde, Educação, Transportes, Justiça e Segurança Pública, Igualdade Racial, Mulheres e Turismo. O próximo passo será a instalação do comitê executivo, responsável pelas ações operacionais do evento.

O Brasil foi escolhido pela Fifa como país-sede da Copa do Mundo de Futebol Feminino em 17 de maio de 2024. As cidades-sede dos jogos definidas são Fortaleza-CE, Recife-PE, Salvador-BA, Belo Horizonte-MG, São Paulo-SP, Rio de Janeiro-RJ, Porto Alegre-RS e Brasília. Atualmente, faltam 584 dias para a abertura do torneio.

Foto da galeria
Preparativos seguem a todo o vapor, enquanto cresce a expectativa pela Copa do Mundo Feminina (Foto: Lívia Villas Boas/CBF)
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A preciosidade das artes

terça-feira, 10 de março de 2026
por Tereza Malcher

Ao assistir a uma apresentação do violonista e maestro André Rieu, fui tomada, como sempre, pelo encantamento e pela vontade de dançar e voar. No final da apresentação, abraçado a seu violino, o músico declarou: “A música é um tesouro em nossas vidas”. A frase me trouxe recordações da minha avó que era concertista e professora de canto, da minha madrinha, violonista e do meu filho que admirava Beethoven, compositor alemão. Também me lembrei dos desenhos coloridos da minha filha e da bela decoração da casa de minha mãe. Naquele momento, fui tocada pela arte ao longo da vida.

Ao assistir a uma apresentação do violonista e maestro André Rieu, fui tomada, como sempre, pelo encantamento e pela vontade de dançar e voar. No final da apresentação, abraçado a seu violino, o músico declarou: “A música é um tesouro em nossas vidas”. A frase me trouxe recordações da minha avó que era concertista e professora de canto, da minha madrinha, violonista e do meu filho que admirava Beethoven, compositor alemão. Também me lembrei dos desenhos coloridos da minha filha e da bela decoração da casa de minha mãe. Naquele momento, fui tocada pela arte ao longo da vida.

Assim, resolvi dedicar esta coluna à arte. A mais genuína, criativa e inteligente das expressões humanas, através da qual o homem consegue mostrar suas percepções, emoções e ideias. É uma linguagem simbólica sempre situada, sob o ponto de vista histórico, social e geográfico. Se observarmos bem, nosso planeta é o mais belo e artístico do sistema solar por ser colorido por suas águas, matas e iluminação criada pelas mãos humanas. Além de bailar, fazendo os movimentos de rotação e translação, como os demais planetas. Todos os corpos celestes se agitam no espaço ao som vindo de algum lugar desconhecido. Assim sendo, não podemos ser diferentes. Somos artistas natos; brincamos com nossos pés e mãos desde que nascemos ou balbuciamos sons quando começamos a nos expressar verbalmente.

Será que conseguimos nos imaginar vivendo num lugar sem arte?

A natureza é arte pura. Ao mesmo tempo em que não existe um humano igual ao outro e nem tão pouco animais e vegetais semelhantes. Há simetria absoluta em todos os corpos. A natureza desenha a vida com pincéis precisos e incertos. Já observaram os constantes desenhos que as nuvens fazem no céu? Rubem Braga, escritor, um dos grandes cronistas, observando o céu, certa vez, escreveu belamente sobre “as vagabas nuvens de Ipanema”. Já Rubem Alves escreveu em um dos seus poemas que a “experiência da beleza tem de vir antes”.

A manifestação artística tem preocupações com a estética a partir da percepção sensível, subjetiva e emotiva de quem busca interpretar a realidade através do belo e do sublime. Mas também com aquele que se esforça para retratar o feio e o grotesco. E com quem pretende fazer críticas aos modos de ser e de viver. Através das artes é possível compreender a história dos povos, posto serem gestadas na lida do homem com a natureza, com as organizações culturais, políticas e sociais, com as relações afetivas e familiares, e pela necessidade de ir além para tentar encontrar a felicidade e a perfeição. A arte é resultado da ebulição das forças na alma do ser humano, que pode sofrer as influências do inconsciente coletivo. É construída pelo talento que corre nas veias do artista como uma pulsão criativa, que não o deixa se aquietar ante suas percepções e emoções.

A arte invade e atravessa os sentidos de quem a admira. Sem pedir permissão, modifica a percepção sensitiva que o sujeito tem da realidade na qual está inserido. Para captá-la em sua beleza e significado é preciso observar as cores, o som, a textura, o odor e o paladar do mundo. Admirar a arte é uma experiência que pode causar as mais diferentes reações, como aquelas que tive ao assistir ao concerto de André Rieu.

Hoje, além da música, pintura, dança, literatura, arquitetura e cinema, há novas formas expressivas que ampliam a classificação das artes, como a fotografia, as histórias em quadrinhos, os jogos eletrônicos e a arte digital.

Então, amigo leitor, estamos mergulhados na arte. Vamos urgentemente aproveitá-la!

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A VOZ DA SERRA é expansivo, imparcial e confiável

terça-feira, 10 de março de 2026
por Elizabeth Souza Cruz

Nada mais oportuno do que pegar uma carona na charge de Silvério para festejar o “ 8 de março”, Dia Internacional da Mulher. Mais do que festiva, a data tem sido um reconhecimento ao empoderamento da mulher que tem conseguido sair do cativeiro de seu anonimato para os holofotes do sucesso da sua própria emancipação. Meu pai nasceu em 1917 e contava que no Sana, onde nasceu, não se usava mandar as meninas para a escola. A razão para tamanho descabimento, dizia ele: “Se as meninas fossem alfabetizadas, iriam escrever cartas para os namorados”.

Nada mais oportuno do que pegar uma carona na charge de Silvério para festejar o “ 8 de março”, Dia Internacional da Mulher. Mais do que festiva, a data tem sido um reconhecimento ao empoderamento da mulher que tem conseguido sair do cativeiro de seu anonimato para os holofotes do sucesso da sua própria emancipação. Meu pai nasceu em 1917 e contava que no Sana, onde nasceu, não se usava mandar as meninas para a escola. A razão para tamanho descabimento, dizia ele: “Se as meninas fossem alfabetizadas, iriam escrever cartas para os namorados”. Ao contrário desse “descabimento”, mamãe, nascida em 1919, aos 14 anos de idade, trabalhando na Fábrica de Filó, gastou todo o valor de uma gratificação, em dinheiro, comprando livros.

Os tempos foram mudando tanto, que hoje festejamos uma universitária, aluna do curso de Pedagogia da Uerj, através do polo local do Cederj, que, aos 81 anos, pretende até fazer pós-graduação. Essa conquista faz parte da história de Marlene Vicente que, no seu tempo de primário, precisava pegar folha, lápis e borracha emprestados. Os pais não tinham condições financeiras e não havia os incentivos que existem agora. Aos 60 anos voltou a estudar e, aos 65, concluiu o ensino médio. Em 2024, já aos 79 anos, foi aprovada no Vestibular Cederj, para ingressar no curso EaD de Licenciatura em Pedagogia,  da Uerj.

Ainda por cima, Marlene teve que aprender a lidar com as tecnologias, se adaptar ao uso de computador para receber o material da plataforma do Cederj. Foram muitos desafios. No entanto, há sonhos de ainda estudar inglês e a sonhada pós-graduação. A trajetória de dona Marlene precisa viralizar. Ela, sim, merece ter milhões de seguidores, de verdade!

É assim que as mulheres soltam suas amarras e alcançam os seus objetivos. A máxima do momento é “empreendedorismo feminino”. Isabella Stutz, integrante do Mulheres de Sucesso, dissertou sobre o tema, destacando: “Há um tempo não se falava de empreendedorismo feminino em Nova Friburgo. Havia mulheres extraordinárias sustentando negócios inteiros”. Mais adiante, Isabella traz uma reflexão: “Superar desafios é importante, mas não basta, apenas, manter um negócio vivo”.  E justamente nesse pensamento reflexivo, surgiu o projeto “Mulheres de Sucesso” – com foco no “desenvolvimento estruturado”. E realça: “Não é sobre competição. É sobre estrutura”.

Ser um jornal expansivo, imparcial e confiável coloca A VOZ DA SERRA no topo da credibilidade, com espaço e a liberdade de nos trazer uma edição com tantos assuntos dedicados aos temas de abrangência feminina, mas de interesse coletivo. Na mesma sintonia, a concessionária de energia elétrica  Energisa descobriu que a mulher não apenas tem o dom de dar à luz a uma criança. Ela pode, sim, dar luz também para uma cidade. Isso significa a inclusão de mulheres com direito a treinamento para atuarem nas funções técnicas. Que beleza essa expansão do profissionalismo feminino. Há de ser um sucesso!

Outra maravilha é o prêmio “Mulher é Arte” – 2026, que será entregue a 11 mulheres de destaque. O “Troféu Dirce Montechiari” brindará essas homenageadas que se orgulharão de terem em suas mãos um troféu de valor inestimável, que leva o nome de uma mulher simples, discreta, artista e grandiosa em todos os sentidos e tempos da nossa história. Nossa Dirce! Tão estrela, tão brilhante quanto as luzes que deixou em nós. O evento da premiação acontecerá nesta quarta, 11, às 19h, na Câmara Municipal. Vamos lá festejar as homenageadas e dar ao nosso espírito as luzes de Dirce Montechiari!

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Após quase 16 anos, EcoModas pode virar patrimônio socioambiental

terça-feira, 10 de março de 2026
por Alex Santos

Opa! Tudo verde?

Hoje, nossa prosa sustentável segue em uma direção muito especial. Para honra e glória de Deus, tenho a oportunidade de ver o trabalho que há mais de 15 anos venho desenvolvendo ao lado da minha esposa ser reconhecido no âmbito municipal. Mais do que uma conquista pessoal, trata-se do reconhecimento de uma trajetória construída com propósito, dedicação e compromisso com a sustentabilidade e com a nossa cidade.

Opa! Tudo verde?

Hoje, nossa prosa sustentável segue em uma direção muito especial. Para honra e glória de Deus, tenho a oportunidade de ver o trabalho que há mais de 15 anos venho desenvolvendo ao lado da minha esposa ser reconhecido no âmbito municipal. Mais do que uma conquista pessoal, trata-se do reconhecimento de uma trajetória construída com propósito, dedicação e compromisso com a sustentabilidade e com a nossa cidade.

Um projeto de lei que tramita na Câmara Municipal propõe reconhecer a EcoModas como Patrimônio Socioambiental do município. A proposta é de autoria do vereador Cláudio Damião (PT) e aguarda decisão do prefeito Johnny Maycon (PL), para entrar em vigor. Vale destacar que esse reconhecimento possui caráter simbólico e institucional e não gera qualquer custo para o município.

Na minha visão, trata-se de uma forma de valorizar e fortalecer uma iniciativa que se destaca pelas práticas de sustentabilidade, economia circular e educação ambiental. As ações da EcoModas já foram reconhecidas em premiações relevantes no Brasil, consolidando o projeto como uma referência em iniciativas que unem empreendedorismo, impacto socioambiental e engajamento comunitário.

Segundo o autor do projeto, a proposta já avançou em etapas do processo legislativo. O texto recebeu parecer favorável da Comissão de Turismo, Integração Regional, Relações Exteriores, História e Patrimônio, da Câmara, e foi encaminhado ao Executivo em 31 de outubro de 2025, por meio da Fundação Dom João VI, para análise técnica. Atualmente, o processo segue nessa etapa, aguardando o retorno do parecer.

Trajetória

Fundada em 2010, a empresa nasceu em uma casa no bairro Olaria e foi construída ao longo dos anos enfrentando diversos desafios. Naquele período, realizávamos facção de lingerie para outra empresa e, paralelamente, começava a surgir um pequeno projeto de produção de mudas nativas a partir do reaproveitamento de sacolas plásticas utilizadas nas embalagens de bojos de sutiãs. Com o tempo, a iniciativa se consolidou como um projeto friburguense voltado à inovação socioambiental no setor de confecção.

Hoje, a EcoModas desenvolve ações que envolvem reaproveitamento de resíduos têxteis, moda sustentável, educação ambiental, economia criativa e circular, turismo sustentável e projetos comunitários, conectando empreendedorismo, preservação ambiental e impacto social positivo.

Instalada no alto do teleférico, a empresa também passou a desempenhar um papel importante no acolhimento e na orientação de turistas. A localização em um dos principais pontos turísticos do município favorece o contato direto com turistas brasileiros e estrangeiros, que encontram no espaço informações atualizadas sobre atrativos naturais, históricos e culturais da região. Muitos chegam com roteiros pesquisados na internet, mas buscam na equipe da EcoModas orientações práticas sobre acessos, segurança e novas experiências na cidade, transformando o local em um ponto de apoio ao turismo sustentável.

Atualmente, cinco hotéis indicam a EcoModas aos hóspedes como uma experiência sustentável. Dentro dessa proposta, promovemos atividades ligadas ao turismo regenerativo, incentivando as pessoas a irem além da contemplação e participarem de ações que contribuem para a conservação ambiental da região. Entre essas iniciativas está a distribuição de bombas de sementes com espécies nativas, que podem ser lançadas em áreas verdes indicadas da cidade, contribuindo para o enriquecimento florestal e para o fortalecimento da biodiversidade local.

Sustentabilidade 

Outro destaque é a loja sustentável, que reúne produtos próprios — como roupas e acessórios desenvolvidos com práticas de baixo impacto ambiental — além de itens criados por cerca de 15 pequenos produtores e artesãos locais, o espaço funciona como vitrine da criatividade e da economia local.

Desde sua fundação, a EcoModas também desenvolve um projeto inovador de produção de mudas florestais a partir do reaproveitamento de cones de linhas de costura industrial, resíduos gerados pela própria confecção e por outras empresas do setor. Esses cones, que normalmente seriam descartados, passam a ser utilizados como recipientes para o cultivo de mudas, transformando um resíduo da indústria têxtil em recurso para a restauração ambiental.

A iniciativa já possibilitou o cultivo e o plantio de mais de 35 mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, entre elas a palmeira-juçara, espécie que sofre ameaças. Cerca de 90% dessas mudas foram destinadas a áreas do próprio município, contribuindo para o fortalecimento da vegetação nativa e para ações de enriquecimento florestal. Ao longo dos anos, foram realizadas oficinas, mutirões de plantio e atividades de educação ambiental envolvendo estudantes, moradores, empresas e visitantes.

Para Adriana Santos, sócia-fundadora da EcoModas, o reconhecimento representa um incentivo para ampliar o impacto positivo da iniciativa: “Ser reconhecida como patrimônio socioambiental de Nova Friburgo seria uma grande honra. Desde o início, nosso propósito foi mostrar que é possível empreender valorizando a natureza, as pessoas e a cidade”, afirma. Formada em Biologia, Adriana também coordena as atividades de educação ambiental realizadas na empresa.

Caso o projeto seja sancionado, a medida poderá reforçar institucionalmente a relevância da EcoModas e ampliar oportunidades de parcerias e novos projetos ligados à sustentabilidade e ao turismo, beneficiando também a cidade. O momento coincide com uma data simbólica: no próximo dia 29, a EcoModas completará 16 anos de atuação.

Para mim, ver a EcoModas caminhar para esse reconhecimento vai além de um gesto institucional. É perceber que cada muda plantada, cada peça reaproveitada e cada visitante que passou por nossas ações ajudou a construir uma história de cuidado com Nova Friburgo. Agora, a decisão está nas mãos do prefeito Johnny Maycon — e seguimos na torcida para que ela seja favorável.

Saudações sustentáveis! Tudo verde sempre!

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Eras tu, Senhor? A evangelização em forma de fraternidade

terça-feira, 10 de março de 2026
por Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça*

Parte 2

Fazer ao próximo aquilo que gostaríamos que fizessem conosco. Se sempre pensássemos e sentíssemos assim em nossos corações, não nos esquivaríamos mais dos irmãos necessitados, não driblaríamos as nossas responsabilidades. Não aceitaríamos passivos a exploração dos mais pobres e fracos. Nem o engano e a manipulação dos ingênuos e iletrados.

Parte 2

Fazer ao próximo aquilo que gostaríamos que fizessem conosco. Se sempre pensássemos e sentíssemos assim em nossos corações, não nos esquivaríamos mais dos irmãos necessitados, não driblaríamos as nossas responsabilidades. Não aceitaríamos passivos a exploração dos mais pobres e fracos. Nem o engano e a manipulação dos ingênuos e iletrados.

Lutaríamos cristã e democraticamente pela partilha da terra, da renda, do pão, da instrução, na mesma  espiritualidade  do repartir do abraço, da fé e do coração. Amaríamos mais, sem dúvida, a verdade, sem coligações, nem vínculos, sem omissão. Mediríamos as palavras, os juízos, os rótulos que impomos às pessoas. Saberíamos nos colocar no lugar do menino com fome, da mulher marginalizada, do pai e mãe de família desempregados, das pessoas em moradias precárias, sem teto, nas ruas, sem água, sem saneamento básico, sem energia elétrica, enfermas sem atendimento digno de saúde, dos idosos abandonados, de tantos excluídos e seus problemas, privados da educação e da cultura, dos direitos e da vida digna.

  Você já experimentou alguma situação desta? Alguém o ajudou? O que você sentiu? Conforto, segurança, salvação, alegria, gratidão? Seja, então, este alguém para o outro! Faça aos irmãos o que gostaria de receber. O outro é você que também quer ser feliz, se libertar e exercer seus direitos. Da mesma dignidade do seu coração, a imagem do Homem Perfeito , Deus que se encarnou e se fez dom e serviço à nossa pobreza até a cruz. O outro é Jesus.

   Que o Pobre de Nazaré nos dê coragem de sairmos do nosso comodismo e do acúmulo de preocupações com o nosso bem estar e conforto. Que Ele nos desinstale do nosso egoísmo e nos dê olhos para vermos as carências urgentes dos nossos irmãos mais pobres para nos esforçarmos em atendê-las, levando-os à promoção humana, distintivo indispensável da evangelização, como afirmava São Paulo VI e com sua intercessão. E que o Verbo Encarnado que se esvaziou de tudo, até da glória divina, se fez homem servo e despojado e deu a sua vida por nós, nos mantenha em sua Kénosis e que sempre nos lembre no ensinamento social de sua Igreja que o que excede as nossas necessidades de vida digna, é de direito natural daquele que carece, na dimensão da justiça distributiva. 

Assim, não haverá mais pessoas excludentes nem excluídas. Seremos todos irmãos , conforme o plano divino, na comunhão dos dons, na justa partilha dos bens que o Senhor criou para todos, na verdadeira comunicação missionária que começa na fraternidade, no amor solidário e se desenvolve na verdade de uma ação transformadora cristã do mundo que, pelo caminho justo e caridoso, plantará a paz.

*Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça é chanceler da Diocese de Nova Friburgo

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O contrato de concessão da gestão do “lixo” em Nova Friburgo

sábado, 07 de março de 2026
por Bernardo Furrer

Parte 1

Não é consenso que haja necessidade de concessão de serviços públicos essenciais para empresas privadas. Quem é à favor alega uma eficiência que infelizmente nem sempre ocorre, gerando as frequentes reclamações, e quem é contra alega que os governos têm a obrigação constitucional e ética de serem eficientes e que os custos acabam sendo maiores por acrescentar os ganhos privados. É questão polêmica que envolve concepções diversas.

Parte 1

Não é consenso que haja necessidade de concessão de serviços públicos essenciais para empresas privadas. Quem é à favor alega uma eficiência que infelizmente nem sempre ocorre, gerando as frequentes reclamações, e quem é contra alega que os governos têm a obrigação constitucional e ética de serem eficientes e que os custos acabam sendo maiores por acrescentar os ganhos privados. É questão polêmica que envolve concepções diversas.

O município celebrou o contrato de concessão da gestão dos resíduos sólidos. Dessa vez acrescentou a varrição de rua e gestão das praças e logradores públicos.

A concessão é um contrato entre as partes e não uma Lei, portanto tem fragilidade jurídica. Há necessidade e interesse da população para maior segurança, o que poderá ser revisto pelo Executivo e Legislativo.

Resumimos ao máximo, nesse artigo, os pontos essenciais do documento de quase 100 páginas, para facilitar a compreensão do leitor.

O contrato de concessão

Trata-se do contrato de concessão da “Exploração e Prestação dos Serviços de Coleta, Transporte e Tratamento de Resíduos Sólidos Domiciliares”, bem como de destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos domiciliares e da limpeza urbana de Nova Friburgo à empresa Sociedade de Propósito Específico, EBMA Gestão de Resíduos S.A., constituída pela empresa Vital Engenharia Ambiental S.A.”, assinado em 25 de novembro de 2025.

Os dados foram obtidos do próprio contrato, disponível no Portal da Transparência.  (https://novafriburgo-rj.portaltp.com.br/consultas/documentos.aspx?id=1524). O contrato é de concessão por 30 anos, no valor de R$ 1.601.666.772,44.

Os serviços à serem prestados

A concessão da Prefeitura de Nova Friburgo à empresa contratada é para a prestação dos seguintes serviços, entre outros:

  • Coleta Manual e Conteinerizada de Resíduos Sólidos Domiciliares e Públicos;
  • Fornecimento, Instalação, Manutenção e Higienização de Contêineres;
  • Coleta de Resíduos Sólidos Domiciliares Através de Caçambas;
  • Coleta Seletiva de Resíduos Recicláveis Porta a Porta;
  • Operação e Manutenção de Ecopontos;
  • Coleta e Transporte de Resíduos de Ecopontos;
  • Coleta, Transporte, Tratamento e Destinação Final de Resíduos de Serviços de Saúde;
  • Coleta e Transporte e Destinação Final de Resíduos Inertes;
  • Limpeza e Desobstrução de Bocas de Lobo e Caixas de Águas Pluviais;
  • Varrição Manual de Vias e Logradouros Públicos;
  • Varrição Mecanizada de Vias e Logradouros Públicos;
  • Zeladoria e Manutenção de Praças Públicas;
  • Roçada Manual de Vias e Logradouros Públicos;

O controle e fiscalização

Esse é um tema muito sensível, pois trata da regulação, fiscalização e controle dos serviços prestados. A EBMA/Vital apurará mensalmente Indicadores de Desempenho, que deverão ser disponibilizados. Haverá uma “AGÊNCIA REGULADORA”: “Entidade que será criada para exercer a regulação e fiscalização da prestação dos serviços”. Não fica evidenciado no contrato como se dará a regulação na prática.

Também haverá um “VERIFICADOR INDEPENDENTE, selecionado em lista tríplice pela EBMA/Vital após chamamento público, sendo com base em qualificação técnica e preço, para a fiscalização do contrato, sendo que a prefeitura escolherá uma das pleiteantes. Deverá apurar os Indicadores de Desempenho:

  • Monitoramento do cronograma, investimentos e resultados da execução da concessão e validação dos dados obtidos;
  • Realização de reuniões periódicas de acompanhamento e controle;
  • Emissão de relatório mensal;
  • Avaliação das demonstrações financeiras e contábeis;

Semana que vem teremos a parte dois desse artigo.

Gostou do artigo? Alguma sugestão ou comentário sobre esse ou outro tema? Mande um e-mail para [email protected]

Foto da galeria
(Foto: Henrique Pinheiro)
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O que é uma SAF?

sábado, 07 de março de 2026
por Vinicius Gastin

Possibilidade no Friburguense gera debates e reações entre torcedores

Na edição da última terça-feira, 3, A VOZ DA SERRA noticiou a existência de uma proposta para a compra do futebol do Friburguense, através de um modelo equivalente ao de uma SAF. A oferta feita por um grupo europeu é analisada pelo clube, de forma cuidadosa, e ainda é debatida internamente entre os conselhos legais do Tricolor antes de qualquer tipo de avanço. Tal fato repercutiu e despertou a curiosidade entre os torcedores sobre as possibilidades futuras para o Frizão.

Possibilidade no Friburguense gera debates e reações entre torcedores

Na edição da última terça-feira, 3, A VOZ DA SERRA noticiou a existência de uma proposta para a compra do futebol do Friburguense, através de um modelo equivalente ao de uma SAF. A oferta feita por um grupo europeu é analisada pelo clube, de forma cuidadosa, e ainda é debatida internamente entre os conselhos legais do Tricolor antes de qualquer tipo de avanço. Tal fato repercutiu e despertou a curiosidade entre os torcedores sobre as possibilidades futuras para o Frizão.

A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) é um tipo específico de empresa, criado pelo Congresso em 6 de agosto de 2021, por meio da lei 14.193/2021. A legislação estimula que clubes de futebol a migrem da associação civil sem fins lucrativos para a empresarial. A Lei da SAF, como ficou conhecida, incentiva a mudança para este formato de clube-empresa, que dispõe de normas de governança, controle e meios de financiamento específicos para a atividade do futebol.

Clubes podem ser fundados diretamente com essa estrutura, ser convertidos de associação civil para SAF ou podem fazer a cisão de seu departamento de futebol, com a transferência de todos os ativos relacionados à atividade futebolística para a empresa. Uma vez que a companhia é constituída, é possível vender parte majoritária, minoritária ou todo seu capital para um novo proprietário.

Em busca de recursos

De fato, algo semelhante é desenvolvido pelo Friburguense há algum tempo. O futebol tricolor é terceirizado, e o gerente José Siqueira, o Siqueirinha, é o responsável por gerir os rumos deste setor do clube. A questão central, atualmente, é a falta de capacidade financeira e recursos para serem investidos. É exatamente neste contexto que entra a busca por novos caminhos.

Sem esse “dinheiro novo”, torna-se praticamente inviável desenvolver um trabalho a médio e longo prazo ou investir na melhoria de infraestrutura. Nas últimas temporadas, em especial após as quedas de divisão, o Friburguense mantém entre três a quatro meses de atividades profissionais, tendo dificuldades para honrar compromissos, manter atletas e desenvolver projetos. Os times que sobem e conseguem calendário completo são aqueles que conseguem ter um poder financeiro maior.

Ou seja, como o Tricolor já tem um modelo parecido de gestão do futebol, o ponto chave é a busca por novos recursos, abertura de portas e algumas mudanças estruturais, dentro e fora de campo, algo que certamente também irá refletir no trabalho feito com as divisões de base. 

“Muita gente fala como se a SAF fosse a resolução de toso os problemas. E eu posso falar que o Friburguense talvez tenha sido a primeira SAF no Brasil. Lembro que, estrategicamente, eu e Alexandre (então presidente), entre 1998 e 1999, fizemos uma contabilidade diferente. É lógico que a contabilidade oficial é conjunta, sem separar o futebol do social. O clube é uma coisa só, um CNPJ só. Mas a gente trabalhou os caixas de forma separada, de futebol e social, para mostrar ao social que realmente o futebol poderia viver sozinho”, relembra Siqueira.

“Os clubes têm que escolher os seus investidores de acordo com as suas necessidades. E os clubes pequenos, diferente dos grandes, têm necessidades diferentes. A gente necessita de calendário, de voltar à Série A do Carioca, formar jogadores... São objetivos que todo clube tem que ter, é claro. Mas hoje não temos um calendário de profissional. Querendo ou não, o grande investidor de time pequeno vai bater na porta do clube justamente para formação. Então, ele vai procurar o que você tem de condição na cidade que você atua. É uma relação muito difícil. Umas SAFs vão dar certo, outras não. Algumas procuram por investidores de verdade, em relação ao tamanho do cheque, e não por quem tem o que se precisa de verdade. Então, eu acho que esse é o grande planejamento, esse é o grande projeto”, finaliza.

Foto da galeria
Em busca de novos investimentos, Friburguense avalia propostas para o seu futebol (Foto: Divulgação Vinicius Gastin
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Acadêmicos das Braunes é a campeã do Carnaval 1976

sábado, 07 de março de 2026
por Laís Lima*

Edição de 6 e 7 de março de 1976

Entre os blocos, Raio de Luar levou o título 

Acadêmicos das Braunes é a campeã - A escola de samba das Braunes consagrou-se a grande campeã do Carnaval 1976 ao conquistar 106 pontos. Entre os blocos, Raio de Luar é o campeão.   

Edição de 6 e 7 de março de 1976

Entre os blocos, Raio de Luar levou o título 

Acadêmicos das Braunes é a campeã - A escola de samba das Braunes consagrou-se a grande campeã do Carnaval 1976 ao conquistar 106 pontos. Entre os blocos, Raio de Luar é o campeão.   

 Flash dos desfiles – O desfile deste ano começou com uma hora e 15 minutos de atraso. Por causa de um jurado que exatamente na hora do desfile resolveu sair. O espetáculo se estendeu até por volta da 1h da madrugada. Desde às 17h da tarde do domingo de carnaval já havia bastante gente na Avenida Alberto Braune. Às 20h já não cabia mais ninguém, não tinha espaço nem para transitar. O que a AVS já tinha denunciado aconteceu: um tapume avançado na principal artéria de Friburgo “estourou” e o povo invadiu. Exatamente momentos antes da Acadêmicos das Braunes se apresentar.

Sem arquibancadas - A falta de arquibancadas neste carnaval foi grandemente lamentada. Não há mais condições de se realizar um desfile deste porte com o público isolado da pista apenas por uma corda. Todo mundo comentava a falta de arquibancadas. Todas as escolas foram prejudicadas com a tomada da pista pelo público. Exatamente em frente aos palanques as escolas tiveram suas evoluções prejudicadas.

Flashes dos blocos – Muito desorganizado o desfile dos blocos na noite do sábado de Carnaval. Um intervalo muito grande entre uma agremiação e a outra. O público invadia constantemente a pista. A Polícia Militar foi a primeira autoridade a chegar. Logo depois foi registrada a presença dos vereadores Geraldo da Silva, Alencar Barroso, Celcyo Folly Valadares e Irineu Mineiro. Na pista, quem sambava muito era o sr. Silvio Spinelli.

Palanque – Muito fraca a iluminação em frente ao palanque da imprensa e das autoridades. O reforço estava junto ao palanque do corpo de jurados. O acesso ao palanque da imprensa foi muito rigoroso. Parabéns ao Antonio Mário Thurler pela organização. O sistema de som contratado da empresa Crepúsculo, de Carlos Mello, lançou um novo e bom locutor.

Vilage lidera os títulos – Desde 1946 há em Friburgo a disputa das escolas de samba. Nos últimos 30 anos, portanto, a Alunos do Samba conquistou seis vezes o título máximo. A Vilage soma dois títulos. A Saudade foi quatro vezes campeã. A escola Unidos Verdejantes conquistou o título em 1960. Braunes tem o título de 1972. Entre 1961 e 1965 não houve julgamento oficial das escolas pela exaltação de ânimos que na época imperavam no Brasil. O prefeito local, na ocasião, resolveu suspender o julgamento.

Lições para o Carnaval 1977 – Para o próximo ano, novas lições deverão ser tomadas. A expectativa que se cria em torno das escolas, leva cada vez mais um número maior de público à principal artéria de Friburgo. Une-se a isso a excepcional beleza das identidades e a estrutura de força da organização que conseguem. Para o público nada tão crucial do que passar seis horas em pé assistindo o desfile. O pouco policiamento causa seguidos transtornos. Seria impossível 60 homens conseguirem segurar uma multidão de 40 mil pessoas.

Falta de sinalização – Deverá ser tomada uma providência urgente no que se refere a invasão da pista. O número de pessoas que se postam diante do palanque acaba perturbando o desfile. Falta total fiscalização. Gente que nada tinha o que fazer na pista, encheu as proximidades do palanque. O desfile foi seriamente prejudicado.

Reforma – É impossível se entender porque a Municipalidade não se preocupa com o público quanto ao problema da arquibancada. É preciso cobri-las, pois assim gera-se renda para as próprias agremiações. É necessária uma reformulação total em termos de desfile. É necessário um respeito maior com o público. E o que o público respeite mais as escolas, não invadindo a pista e não prejudicando o desfile.

Por um carnaval bem melhor - Por incrível que pareça, Friburgo teve considerado, neste 1976, o seu Carnaval como o 2º maior do Estado do Rio de Janeiro. Campos, Niterói, Petrópolis, cidades da baixada não possuem nem a sombra de força de nossas escolas de samba, nem conseguem motivar tanto o público como aqui. Agora é necessário que se diga: é preciso respeito com esse mesmo povo. Que o novo prefeito eleito cuide com carinho do problema da arquibancada. As escolas já crescem em estrutura, mas é preciso pensar no povo.

Proposta de início do desfile mais cedo - O vereador Geraldo Pinheiro, apresentou, na Câmara, uma indicação pedindo que já a partir do próximo ano o desfile oficial da cidade tenha início às 16h. Ainda na Câmara, Arena e MDB elogiaram o porte das escolas e o seu crescimento com vigor.

 

E mais

  • Bastidores do Carnaval no Country Clube
  • Registros policiais durante o Carnaval
  • Cidade com grande movimento nos dias de folia 

(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim 

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Ostentação?

sexta-feira, 06 de março de 2026
por Paula Farsoun

Simplicidade hoje em dia é ostentação. Ausência de complicação. Desnecessidade de dificultar as coisas. Capacidade em atribuir valor àquilo que muitas vezes não tem preço. Apreciar um pôr do sol, por exemplo. Respirar o ar puro do campo. Conversar com pessoas que têm estórias para contar. Contemplar uma árvore, comer um bom arroz com feijão, tomar um cafezinho fresco, receber um abraço de uma pessoa querida, desinteressada, que só deseja a partilha do afeto, fazer uma caminhada, dormir em paz, com a consciência tranquila e deleitar o bom sono dos justos.

Simplicidade hoje em dia é ostentação. Ausência de complicação. Desnecessidade de dificultar as coisas. Capacidade em atribuir valor àquilo que muitas vezes não tem preço. Apreciar um pôr do sol, por exemplo. Respirar o ar puro do campo. Conversar com pessoas que têm estórias para contar. Contemplar uma árvore, comer um bom arroz com feijão, tomar um cafezinho fresco, receber um abraço de uma pessoa querida, desinteressada, que só deseja a partilha do afeto, fazer uma caminhada, dormir em paz, com a consciência tranquila e deleitar o bom sono dos justos.

Viver de forma simples é absolutamente compatível com uma vida próspera e bem-sucedida. É a minha opinião. Aliás, há quem só se sinta no ápice de suas conquistas quando encontra tempo em suas agendas para se aproximar do que há de mais simples e sofisticado que pode haver: a natureza. Natureza das coisas e natureza das pessoas. Essência dos seres.

Talvez estejamos complicando demais. A realidade já anda difícil por si só. Por mais que busquemos a paz interior e um estilo de vida compatível com as mais valiosas virtudes, somos partes de um todo que está desintegrado, problemático, adoentado. Não há como negar. Somos linhas que compõem esse emaranhado complexo, razão pela qual a busca pelo eixo da simplicidade nos reconecta de alguma maneira com aquilo que traz a verdadeira felicidade.

Muitos confundem uma vida simples com uma vida desprovida de condições básicas de existência, o que não é uma verdade absoluta. E é justamente esse ponto que me encanta. Batalhar, crescer, viver em harmonia com o ambiente, prosperar honestamente e ainda assim não precisar complicar tudo para sentir o preenchimento de coisas que não são úteis, não são necessárias, não trazem conforto e nem felicidade. E ainda assim sentir extrema felicidade em poder acompanhar um caminho de formigas no chão. Em ter tempo para preparar bolinhos de chuva no entardecer. Em ouvir cigarras cantando. Em ler um livro.

Sinto um imenso prazer quando troco sorriso sincero com alguém, quando percebo que as pessoas com quem interajo saem melhores do ambiente quando nos encontramos. Maior satisfação sinto ainda quando é a minha tristeza que se esvai pela presença do outro. Mas nada supera a alegria de ver quem amamos sorrindo de verdade. Quando eu observo de verdade, no meu ciclo de convívio, percebo nitidamente que os momentos mais felizes são puramente simples, que as pessoas que ostentam um sorriso real no rosto têm uma maneira de encarar a vida de forma descomplicada. Normalmente, gente que dá valor à essência da vida. Acho deveras maravilhoso.

Definitivamente, para mim, com tantos excessos, materialismo e egoísmo, viver de forma genuinamente simples é um baita luxo.

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