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Gratidão e empatia

terça-feira, 03 de março de 2026
por Tereza Malcher

Estou numa fase de envolvimento com a espiritualidade, talvez por já ter passado dos 70 anos, ter adquirido uma visão mais humanista. Uma amiga, a quem admiro e respeito, me apresentou um livro escrito e publicado por seu filho, Carlos Augusto de Araújo Vieira, “Gratidão e o sentido da vida: uma perspectiva cristocêntrica”. Confesso não ter o costume de ler textos religiosos, mas o coloquei na minha mesinha de cabeceira e comecei a lê-lo antes de dormir.

Estou numa fase de envolvimento com a espiritualidade, talvez por já ter passado dos 70 anos, ter adquirido uma visão mais humanista. Uma amiga, a quem admiro e respeito, me apresentou um livro escrito e publicado por seu filho, Carlos Augusto de Araújo Vieira, “Gratidão e o sentido da vida: uma perspectiva cristocêntrica”. Confesso não ter o costume de ler textos religiosos, mas o coloquei na minha mesinha de cabeceira e comecei a lê-lo antes de dormir.

A palavra gratidão me tocou com gentileza. Logo, me lembrei de uma outra grande amiga, psiquiatra e psicanalista, que certa vez me disse, com um desapontamento cobrindo o rosto: “A gratidão é um sentimento difícil de se ver”. Nunca me esqueci dessa fala, vinda de uma médica que lida diariamente com as emoções humanas.

Depois que comecei a ler o livro, perguntei a algumas pessoas o que elas pensavam a respeito da gratidão e todas, sem exceção, me disseram o mesmo. Então, resolvi mergulhar a fundo no tema, talvez um dos mais complexos a serem abordados. Tão logo iniciei minhas pesquisas, me deparei com o conceito de empatia. Ou seja, a gratidão nasce e se fortalece através da empatia, dois sentimentos civilizatórios que humanizam as relações sociais e afetivas. Elas habitam em cada gesto e no olhar, nas ações e nas palavras, podendo estar presentes em todos os momentos quotidianos. A frase de Alberto Caeiro, heterônimo (*) de Fernando Pessoa, resume a dinâmica existente entre empatia e gratidão. “A beleza pura de uma flor, sem necessidade de interpretações metafísicas ou filosóficas, é suficiente para justificar a existência. A vida vale a pena pelo simples fato de existir e ser sentida”

A gratidão é um sentimento profundo que reconhece o valor das coisas, dos favores e bençãos recebidas, um modo de apreciar e engrandecer o bem-estar e a positividade da vida. Há quem diga que é guardada nas memórias do coração e alimentada pelas sensações de suficiência, estado emocional de satisfação e aceitação em que o indivíduo reconhece o valor, as possibilidades e as limitações de si, do outro e das circunstâncias.

Amigos, quem é grato possui nobreza, sabedoria e sinceridade. A gratidão é um tesouro que devemos aprender a cultivar a partir da percepção de não ser possível dar conta de tantas tarefas e responsabilidades, bem como do reconhecimento dos esforços empreendidos por outros para que possamos fazer nossas pequenas e grandes conquistas. É um gesto de humildade.

A empatia é a capacidade que uma pessoa tem de se colocar no lugar do outro, compreender suas emoções, pensamentos e atitudes, mesmo sem concordar.  É uma percepção sensível e inteligente.

Como percebemos o outro através da intuição e dos sentidos (visão, audição, tato, olfato), como também somos seres situados em circunstâncias sociais, históricas e culturais, em relações familiares, afetivas, amorosas e profissionais, a empatia caminha, de modo consciente ou não, por todas essas esferas.

A empatia é um sentimento livre. Pode acontecer naturalmente, como através de um processo reflexivo mais ou menos profundo. Em todos os casos, mesmo acontecendo numa fração de segundos, o tempo de convivência e observação do outro vai delineando o sentimento empático. Aliás, na vida, tudo é passível de transformação.

A empatia é a arte da conexão entre pessoas, enquanto a gratidão é a arte do reconhecimento. São sentimentos pautados em virtudes e na presença. São apreendidos e constituem os fundamentos das relações humanas sinceras, que emergem do entendimento das condições reais. O dinamismo entre a empatia e a gratidão é a retroalimentação quando é criado um ciclo positivo de entendimento e colaboração.

Somos seres de relacionamento e afetividade. Não vivemos isolados, num universo à parte. Apesar de nascermos e morrermos sozinhos.

 (*) Heterônimo é uma personalidade criada por um autor e surge na literatura como um autor completo: com nome, biografia, estilo próprio e visão de mundo particular. Fernando Pessoa tinha mais de 70, como Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. 

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Eras tu, Senhor? A evangelização em forma de fraternidade

terça-feira, 03 de março de 2026
por Jornalismo Diocesano

Parte 1

A fraternidade é a forma mais direta de comunicação da Boa Nova de Cristo. É o coração de toda mensagem evangélica: o amor fraterno capaz de dar a vida pelo outro, de resgatar a vida dos mais perdidos, necessitados, no espírito da misericórdia e gratuidade. Isto implica na  defesa da dignidade humana como imagem e semelhança de Deus e o respeito ao Seu Plano de Amor da criação, impresso na consciência e nas leis da natureza, de onde decorre a ética da justiça ,do equilíbrio, da realização do Bem.

Parte 1

A fraternidade é a forma mais direta de comunicação da Boa Nova de Cristo. É o coração de toda mensagem evangélica: o amor fraterno capaz de dar a vida pelo outro, de resgatar a vida dos mais perdidos, necessitados, no espírito da misericórdia e gratuidade. Isto implica na  defesa da dignidade humana como imagem e semelhança de Deus e o respeito ao Seu Plano de Amor da criação, impresso na consciência e nas leis da natureza, de onde decorre a ética da justiça ,do equilíbrio, da realização do Bem.

Através de várias inciativas e pastorais , campanhas e obras, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vem refletindo e agindo ao longo das décadas, com toda a comunidade brasileira sobre vários temas e áreas da nossa realidade, especialmente por meio da Campanha da Fraternidade: a ecologia, a saúde, a terra, o índio, o negro, o trabalho, a mulher, a fome, o menor, a educação, o jovem, a família, idoso, a pessoa com deficiência, a segurança, a água, a comunicação, a paz etc.

Neste ano, nos traz a temática da Fraternidade e a Moradia, apresentando o grande déficit da realidade habitacional, num desrespeito à dignidade humana e direito natural e civil de milhões de seres humanos, filhos de Deus, que são "imagem e semelhança" do Criador; iluminando com a Palavra de Deus, o próprio "Verbo que se fez carne e veio morar entre nós" (Jo 1,14); propondo e implementando ações e projetos na linha de uma transformação desta situação precária da moradia, buscando melhores políticas públicas, planejamento humano e aplicação das leis já existentes para o bem comum, cumprindo o Plano Nacional de Habitação, a exigência de assistência técnica, a legislação referente ao uso do solo, à preservação do meio ambiente, às populações vulneráveis nas ruas, não culpabilizando ainda os pobres pela deficiência da estrutura estatal, nem muito menos criminalizando os movimentos, organizações ou atividades que procuram a justiça social ou amenizam as lacunas deixadas pelo Poder público.

Ao VER o quadro real, com suas injustiças, desigualdades e incoerências com a verdade cristã, a Igreja exerce, com a autoridade de Cristo, sua missão profética de JULGAR, avaliar à luz do Evangelho, conscientizar sobre os valores e denunciar o sistema de pecado, apresentando pistas de ação e sua colaboração concreta - O AGIR -  para uma solução justa e fraterna a partir da solidariedade e da união.

A comunhão eclesial, seguindo o exemplo e o coração de Cristo, se inclina aos mais pobres e excluídos e adverte que os que excluem estão contra a vontade de Deus. Oprimem e exploram o próprio Cristo no ser humano faminto, prostituído, prisioneiro, dependente químico, alcoolizado, indefeso no ventre.... Rejeitam o Jesus abandonado, doente, menor carente, pobre, mendigo, analfabeto... Discriminam o Senhor no negro, no indígena, na mulher, no idoso, nas pessoas com deficiência, dentre outros.

É necessário que nós nos convertamos à proposta do Mestre que é a humildade, a partilha na igualdade, a solidariedade e o amor fraterno, à consciência de que não somos melhores que ninguém. Somos do mesmo "barro" ainda que agitados pela vaidade e pelo orgulho que tão facilmente retorna ao chão. Tudo passa! A figura do mundo se esfumaça. Nós também passamos. Cada ser humano que de nós se aproxima é nosso irmão, é Jesus. E um dia, Ele próprio nos julgará pela nossa sensibilidade, nossa atenção, nosso amor: "Estava com fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Estava nu e me vestistes... doente e fostes me ver..." E nós: 'Mas quando, Senhor que te fizemos isso? "

Responderá para nós o Cristo: "Todas as vezes que fizestes isso ao menor dos pequeninos , a mim o fizestes". E que nunca ouçamos o inverso : "O que não fizestes ao menor dos pequeninos..." ( Cf  Mt 25 31-46). Restará a surpresa: "ERAS TU,SENHOR!" (Continua na próxima semana)

Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça
Chanceler da Diocese de Nova Friburgo
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Novos rumos?

terça-feira, 03 de março de 2026
por Vinicius Gastin

Friburguense recebe proposta de grupo europeu por futebol; clube prega cautela

Friburguense recebe proposta de grupo europeu por futebol; clube prega cautela

        O Friburguense pode ter novos rumos para o seu futebol em breve. Em busca de novos investimentos para o clube, a direção recebeu uma proposta de um grupo da Escandinávia, que envolve Dinamarca, Suécia, Noruega e toda essa região da Europa, para o desenvolvimento de um projeto no Tricolor da Serra. Os contatos e reuniões acontecem com a diretoria e com os representantes de todos os conselhos legais do clube. O atual gerente de futebol do clube, José Siqueira, o Siqueirinha, com contrato até 2027, não participou desses encontros, mas está ciente sobre a oferta, da qual é um grande entusiasta, inclusive.

        Em contato com o presidente Elberth Heringer, A VOZ DA SERRA ouviu que o clube “analisa internamente com os conselhos e sócios”. Segundo Elberth, essa é apenas mais uma proposta em fase muito inicial, ainda com pouca formalidade. São feitas reuniões com as partes interessadas para a análise de todos os pontos e uma possível contraproposta. Posteriormente pode haver a discussão sobre uma possível concretização ou não. “Ou seja, é muito pouco ainda para se criar expectativa”, avalia o presidente.

Tentativa de recolocação no cenário nacional

        A reportagem apurou que o grupo pretende investir no futebol profissional para subir o Friburguense de divisão e tentar voltar à Série A1 do Campeonato Carioca em um curto espaço de tempo. Após esse primeiro momento, a ideia é recolocar o Tricolor da Serra no cenário nacional, com a disputa de competições como a Copa do Brasil e a Série D do Brasileiro, mirando acessos e a consolidação de um calendário completo. Contudo, a grande menina dos olhos do grupo é a formação dos jogadores.

         O gerente de futebol do Friburguense, Siqueirinha,  confirmou que não esteve presente às reuniões, contudo, ele tem conhecimento sobre a oferta, através do contato feito por um dos representantes do grupo.

“Vou dar uma opinião em cima do questionamento, mas deixo bem claro que esse entendimento, essa opinião minha, não vai afetar em nada na negociação. Foi falado qual era o projeto, e me passado até o interesse que eu continuasse. Eles acham fundamental por conta de toda a relação que a gente tem com outros clubes, confederação, ou seja, aproveitar um pouco dessa experiência para dentro do projeto. Isso é uma coisa que não ficou definida, mas acho que o interesse maior era conversar sobre isso. Foi quando tive a oportunidade de entender o projeto”, pontua.

       “Eu sei que às vezes a rede social vem carregada de interesse em falar de forma positiva ou de forma negativa. Então, eu tenho que ter cuidado na hora de passar quais são os interesses profissionais para um clube de futebol. O meu parecer sobre a montagem do projeto é positivo, diferente de tudo o que eu vi até agora. Tudo que eu sonho de oportunidade para esses garotos de Nova Friburgo e de toda a região é uma relação de criar para eles, primeiro, um sentido de ser profissional. Não a expectativa de muito dinheiro, não a expectativa de fama, porque isso aí tem sido prioridade. Quando você tem um clube como o Friburguense, na situação que está, afasta alguns garotos dessa oportunidade. Só há expectativas de que vai para um torneio, vai para uma peneira e aí, com isso, eu vou para time grande. Isso pode acontecer para um, mas, na maioria, tem todo um processo de treinamento”, continua Siqueira.

Profissionalização de jogadores

        Nesse contexto, a ideia do grupo é oportunizar a saída de jogadores da região para um profissionalismo, com expectativas maiores, até pela ligação direta com a Europa. Algo que pode mobilizar mais jovens, ou seja, ampliar as perspectivas de torná-los jogadores profissionais.

        “Eles estão querendo trazer toda a disciplina do futebol europeu para dentro do futebol brasileiro, que tem a arte, a ginga, o drible. Ou seja, eles não querem engessar o futebol brasileiro, eles querem estar unindo. Por isso que eles estão vindo para o Brasil. Querem criar essa mistura para que tenha sucesso naquilo que é a formação. Então, quando falam de pegar uma base, de formar jogador, a mentalidade é muito alta. É criar oportunidade de tudo o que a gente já teve de profissionais, seja ela na área de odontologia, nutricionismo, de psicologia. Eles querem trazer o ensino do inglês para dentro do clube. Friburgo facilita muito a questão da dupla nacionalidade, por conta de ter a maioria de descendências de países da Europa. Então, tudo isso também está no radar deles, e é o que sempre quis oportunizar na base para essa criançada”, revela Siqueirinha.

        A intenção, no primeiro momento, seria aproveitar os profissionais da região, qualificá-los com cursos da CBF - por exemplo - e, no futuro próximo, trazer treinadores com formação europeia. Dentro desse processo, o time profissional também cresceria, sendo consequência de todo o trabalho a ser realizado com a base e a melhoria das condições estruturais.

        “Vamos imaginar o Friburguense numa Série A hoje do Carioca. Quantas coisas têm que ser feitas aqui no nosso estádio hoje para trazer um Flamengo para jogar aqui? Olha o tempo que você pode levar para chegar numa Série A. Mas todo o processo de chegar numa Série B, Série A de um Brasileiro pode acontecer quando a mentalidade é essa, e vem atrelada a um fechamento de anel do estádio. Ela tem que estar atrelada. Por quê? Você cresce com um time competitivo, mas automaticamente você tem que ir. Está aí o Mirassol, com um centro de treinamento fera e um estádio que tem que estar adequado para jogar uma Série A. Então, eu acho que o processo de crescimento é proporcional. Acho o projeto muito bom, mas cabe a cada setor do clube entender que quem está fazendo, aonde quer chegar, por que está fazendo, não é simplesmente qual o cheque que vai dar. Esse tem sido o grande problema nos clubes brasileiros. Eu acho que a gente tem uma grande oportunidade de dar uma mudança de rumo na história do clube”, opina Siqueira.

Foto da galeria
Proposta europeia por futebol do Friburguense é avaliada pela direção do clube (Divulgação Vinicius Gastin)
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A VOZ DA SERRA é uma rotina que faz o dia a dia ser diferente

terça-feira, 03 de março de 2026
por Elizabeth Souza Cruz

O segundo mês do Ano Novo já cumpriu o seu dever no calendário de 2026. Há pessoas falando: “O ano está passando muito rápido!” – Ainda bem que nessa rapidez toda, podemos pegar carona nas charges de Silvério e chegar primeiro ao objetivo dos acontecimentos. Desta vez, o desenho nos leva para as águas de março, essas que começaram em fevereiro. Vencer esses 28 dias foi uma navegação constante entre poças d´água, guarda-chuvas e muito alerta de temporais. Em Minas Gerais, muita calamidade. Nossos vizinhos de Bom Jardim também foram afetados. Vamos ajudar nas campanhas!

O segundo mês do Ano Novo já cumpriu o seu dever no calendário de 2026. Há pessoas falando: “O ano está passando muito rápido!” – Ainda bem que nessa rapidez toda, podemos pegar carona nas charges de Silvério e chegar primeiro ao objetivo dos acontecimentos. Desta vez, o desenho nos leva para as águas de março, essas que começaram em fevereiro. Vencer esses 28 dias foi uma navegação constante entre poças d´água, guarda-chuvas e muito alerta de temporais. Em Minas Gerais, muita calamidade. Nossos vizinhos de Bom Jardim também foram afetados. Vamos ajudar nas campanhas!

Isabella Rodrigues, com supervisão de Henrique Amorim, nos trouxe uma informação animadora sobre o estado do friburguense Diogo Barros, submetido ao tratamento com Polilaminina. Diogo é vidraceiro e, em dezembro de 2025, caiu do segundo andar de um prédio, após levar um choque. Além da lesão medular completa, quebrou as costelas, teve perfuração no pulmão dos dois lados, entre outras complicações. Ele foi encaminhado para um hospital no Rio de Janeiro”. A irmã de Diogo buscou os meios para o tratamento do irmão, que já apresenta sinais de melhoras com “o movimento dos pés, do joelho e contrações na coxa”. Ficamos aqui torcendo por Diogo e demais pacientes.

A comandante do 11ºBPM, coronel Daniele Farias, foi condecorada com a Medalha Ordem do Mérito Policial Militar, a maior honraria concedida pela corporação militar. A medalha foi entregue pelo secretário estadual de Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes, por seus  relevantes serviços prestados em Nova Friburgo e região.

Relevante também é a instalação da pastora Roana Guma na condução da Igreja Luterana de Nova Friburgo. Ela passa a ser a primeira mulher a liderar a igreja, em substituição ao pastor Gerson Acker. A igreja foi fundada em 1824 por imigrantes alemães, e é a primeira da América Latina. Linda missão!

A antiga linha férrea, entre a Fábrica Ypu e o distrito de Mury, apesar de ser um local bastante procurado para caminhadas e ciclismo, está preocupando seus frequentadores pelo descarte de lixo em suas margens. A via precisa merecer atenção especial, não apenas por sua beleza, mas por seu circuito que, no século 19, facilitou o escoamento do café para os centros urbanos da época.

Falando nisso, na edição da última sexta-feira, 27 de fevereiro, A VOZ DA SERRA trouxe reportagem sobre a deficiência no serviço de capina nas ruas. A reclamação dos moradores se baseia no abandono que se vê em vários bairros. Isso me lembrou que lá pelos anos 70 era tão comum funcionários da prefeitura capinando ruas, que mamãe sempre servia água fresca e lanche da tarde aos capinadores.

Em “Há 50 anos”, enquanto o cinema Eldorado era vendido para dar lugar a uma agência bancária, o Carnaval de 1976 explodia em atrações. Entre as agremiações da folia, a coluna citou o Rancho Flor do Sertão e o Rancho Cidade dos Cravos. Minha mãe, quando moça, desfilava no carro alegórico do Rancho Mimosas Violetas.

Pois bem, os ranchos tiveram seus tempos de glória, e acredito que deixaram boas lembranças. Interessante é que na semana do carnaval deste ano, surgiu lá em casa um assunto em que eu citei o rancho. Uma integrante da conversa, disse: “Eu nunca ouvi falar em rancho!  Outra,  “muito sabida”, interrompeu: “Ah! Eu sei o que é! Rancho é uma casinha na roça, com quintal e umas frutinhas!” – Não deixou de ser verdade, porém, mostra que as gerações de agora pensam que rancho é outra coisa, desconhecendo o rancho de outrora.

E você, que lê esta coluna agora, tem alguma história para contar sobre os ranchos de antigos carnavais?

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O ano inteiro

sábado, 28 de fevereiro de 2026
por Vinicius Gastin

Vôlei de Friburgo ganha calendário de torneios, com início em março

Um passo importante para o crescimento e fortalecimento do voleibol em Nova Friburgo. O município ganhou um calendário de torneios da modalidade para este ano, com competições divididas por categorias, que se estenderão durante todo este ano. As datas, regulamento e outros detalhes foram definidos após conversas entre Fernando Miranda, organizadores das competições, e o secretário municipal de Esportes, João Victor Duarte.

Vôlei de Friburgo ganha calendário de torneios, com início em março

Um passo importante para o crescimento e fortalecimento do voleibol em Nova Friburgo. O município ganhou um calendário de torneios da modalidade para este ano, com competições divididas por categorias, que se estenderão durante todo este ano. As datas, regulamento e outros detalhes foram definidos após conversas entre Fernando Miranda, organizadores das competições, e o secretário municipal de Esportes, João Victor Duarte.

“Acho que para o esporte em geral o que falta é planejamento, e nisso o voleibol serve de exemplo no contexto nacional. O objetivo nosso é promover a integração, o espírito esportivo, o respeito e a competição saudável entre as diversas equipes, universidades, escolas, clubes, grupos independentes que desenvolvem modalidade na cidade”, pontua Fernando.

Os torneios serão disputados, por categorias masculinas e femininas, contemplando seis equipes de Nova Friburgo em cada categoria. Times de cidades vizinhas à Nova Friburgo também serão convidadas. A primeira atividade será promovida no próximo dia 29 de março, na categoria Infanto Feminino.

Cada equipe poderá inscrever no mínimo seis e no máximo 12 atletas por torneio e categoria, que serão: Mirim: 8 a 13 anos; Infantil: 13 a 15 anos; Infanto: 15 a 17 anos; Juvenil: 18 a 20 anos; Adulto (acima 21 anos); Master: acima 30 anos; de 40 anos (podendo inscrever até dois atletas 35+), 50 anos (podendo inscrever até dois atletas 45+) e acima 55 anos (podendo inscrever até dois atletas 50+).

As competições irão acontecer nos ginásios Adhemar Combat, em Olaria; José Pereira da Silva, em Duas Pedras e Alberto da Rosa Pinheiro, no distrito de Conselheiro Paulino, com partidas disputadas sempre das 9h às 18h. Na fase classificatória, as equipes serão divididas em dois grupos com três times cada, e dentro do grupo, todos jogam contra todos. Cada equipe realiza duas partidas nesta fase, contando as pontuações. Os dois melhores de cada chave avançam às semifinais.

Há premiações com troféus para o primeiro lugar e técnico, e medalhas para o vice-campeão e treinador. Também serão entregues certificados para os destaques de cada partida e para o atleta “MVP” dos torneios, a serem escolhidos pela arbitragem.

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    - Vôlei municipal ganha calendário para abranger as mais diversas categorias ao longo do ano (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

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    Fernando Miranda coordena as competições, com o apoio e parceria da Secretaria de Esportes e Lazer de Nova Friburgo (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

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Carnaval 1976! Alegria, alegria

sábado, 28 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Edição de 27 e 28 de fevereiro de 1976

 

Pesquisado por Laís Lima (*)

 

Manchetes

 

Pivete é o autor: Fogo no estacionamento – Um pivete ateou fogo em um pneu e as chamas rapidamente se alastraram. Na última semana havia muitos veículos estacionados em um terreno na Praça do Suspiro. O Corpo de Bombeiros compareceu de imediato e conseguiu debelar o incêndio e evitar o pior: nove veículos estavam estacionados neste estacionamento e todos estavam trancados e engrenados.

 

Edição de 27 e 28 de fevereiro de 1976
 
Pesquisado por Laís Lima (*)
 
Manchetes
 
Pivete é o autor: Fogo no estacionamento – Um pivete ateou fogo em um pneu e as chamas rapidamente se alastraram. Na última semana havia muitos veículos estacionados em um terreno na Praça do Suspiro. O Corpo de Bombeiros compareceu de imediato e conseguiu debelar o incêndio e evitar o pior: nove veículos estavam estacionados neste estacionamento e todos estavam trancados e engrenados.
 
Cinema Eldorado vai ser vendido – O primeiro filme foi “Balalaika” e o último será “Tubarão” ou “Terremoto”. O Cine Eldorado chega ao fim depois de 36 anos. O grupo Bradesco comprou o prédio e vai construir sua sede em Friburgo ali. Rubens Leal, um dos proprietários do Eldorado tem três meses para desocupar o prédio. “Não havia jeito de suportar mais encargos e compromissos. O público abandonou o cinema e não há condições de suportar”, disse Rubens Leal Pinto.
 
É Carnaval – A partir deste sábado e até terça-feira, nós friburguenses estaremos em ritmo de carnaval, pois antes de friburguenses, somos brasileiros. Nestes quatro dias, nós queremos carnaval, esquecendo nossas mágoas, nossos complexos-reflexos, nossas diferenças (não há diferença entre a classe média e povo em si). Não há diferença entre as elites e o povo.
 
Desfile – O carnaval começa hoje. As escolas Vilage, Saudade, Braunes e Terreirão, apresentam no domingo de carnaval o maior show de rua de rua já apresentado em Nova Friburgo. AVS mostra nesta edição como será o desfile na Avenida Alberto Braune.
 
Terreirão abre o desfile das escolas de samba – Terreirão vai abrir às 19h, o desfile de escolas de samba. Logo depois, Acadêmicos das Braunes, seguido da Saudade e por último, a Vilage. Cada entidade terá mais de uma hora para desfilar. Entre uma escola e outra há um intervalo de 40 minutos. O Rancho Flor do Sertão, Império de Olaria e Alunos dos Samba, são as ausências do desfile. Não se apresentam por dificuldades financeiras.
 
Verbas – Cada escola gasta mais de Cr$ 150 mil para desfilar. A ajuda municipal é quase irrisória diante dos gastos que cada entidade tem que enfrentar. As três chamadas grandes, Saudade, Vilage e Braunes receberam Cr$ 20 mil. Terreirão recebeu 18 mil. Para sobreviver as escolas trabalham o ano todo, seja em apresentação de alas, batuque-show em clubes, realizando coleta entre os mais adeptos e outros tipos de renda.
 
Blocos de Carnaval – O desfile de blocos carnavalescos será aberto neste sábado, às 18h30. A ordem de desfiles é a seguinte: (sem concorrer ao prêmio), Rancho Cidade de Cravos, Unidos do Zoológico e Banda da Galeria. Disputam o título: Bola Branca, Os Mulambos, Os que bebem não vieram, Castelinho e Raio de Luar.
 
Escola de samba mirim – O carnaval deste ano traz uma novidade. Vai desfilar pela primeira vez a escola de samba Arco-Íris, formada por sambistas mirins, de 5 a 15 anos, que vai se apresentar com 500 figurantes. O sr Bento Gismonti é o organizador. O desfile está previsto para às 16h.
 
Trânsito muda - O trânsito de Nova Friburgo vai mudar a partir deste sábado, em virtude dos desfiles das escolas de samba e blocos. A prefeitura e o Detran vão obedecer praticamente as orientações aplicadas nos anos anteriores. A Avenida Alberto Braune é a que mais sofre. Foi interrompida neste sábado, às 15h. Amanhã tem tráfego normal na segunda-feira e volta a ser interditada na terça-feira.
 
Cidade com hotéis lotados – Os hotéis de Friburgo (desde a última semana) estão com sua lotação esgotada até o próximo domingo. As pensões se encontram na mesma situação. Quem pretende viajar na quarta-feira de Cinzas vai encontrar dificuldade. Passagens esgotadas. Os ônibus saem a partir das 3h da manhã de quarta-feira e ficam até às 23h, com saídas e intervalos de 15 minutos.
 
Clube dos 50 tem concurso de fantasias – A direção do Clube dos 50, tendo à frente o sr. Eluízio Fernandes Vassalo confirmou para a segunda-feira de Carnaval a realização de um Concurso de Fantasia, em seu terceiro ano. Estão organizando o concurso a colunista Hilda Milled e a jornalista Roberta Vassalo. Está sendo anunciada a presença de uma personalidade de destaque para ser mestre de cerimônia. Ano passado, o apresentador foi o animador Carlos Henrique. A reserva das mesas ainda podem ser feitas na secretaria do clube. O início do desfile está marcado para às 16h.
 
Palanque só com credencial – O jornalista Mário Thuler já liberou as credenciais para o acesso ao palanque da imprensa, na Avenida Alberto Braune, para os desfiles de blocos e escolas de samba. A medida da Assessoria de Imprensa da prefeitura, vêm de encontro a uma reivindicação de AVS que denunciou a invasão de pessoas estranhas no palanque reservado para a imprensa no carnaval de 1975.
 
(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim
 
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A gestão do “lixo” em Nova Friburgo

sábado, 28 de fevereiro de 2026
por Bernardo Furrer
Foto de capa
Lixo no Rio Bengalas (Foto: Henrique pinheiro)

Parte 1

Nova Friburgo, com cerca de 203.400 habitantes, gerou em 2021, pelo menos 7.255 toneladas de resíduos sólidos urbanos (lixo) por mês! São dados da EBMA, a concessionária gestora desses resíduos até recentemente. São plásticos, papéis, metais, isopor, embalagens diversas, trapos domésticos de tecidos, etc. É o vulgo “lixo” que se puder ser reaproveitado é “resíduo” e se tiver que ser descartado é “rejeito”.

Parte 1

Nova Friburgo, com cerca de 203.400 habitantes, gerou em 2021, pelo menos 7.255 toneladas de resíduos sólidos urbanos (lixo) por mês! São dados da EBMA, a concessionária gestora desses resíduos até recentemente. São plásticos, papéis, metais, isopor, embalagens diversas, trapos domésticos de tecidos, etc. É o vulgo “lixo” que se puder ser reaproveitado é “resíduo” e se tiver que ser descartado é “rejeito”.

Os resíduos de tecidos industriais e de construção são de responsabilidade dos próprios geradores, mediante licenciamento e fiscalização da Secretaria do Ambiente. Resíduos perigosos e de saúde têm um tratamento especial. O volume é enorme e se não forem bem geridos podem trazer sérios prejuizos à saúde e ao meio ambiente.

O que diz a lei?

Segundo a Lei Orgânica (artigo 55) compete ao Município dispor entre outros temas, sobre:

1. O Plano Diretor

2.  Regular, autorizar, licenciar e fiscalizar ou organizar e prestar, diretamente ou sob regime de licitação, permissão ou concessão os seguintes serviços públicos: limpeza pública, coleta domiciliar, remoção de resíduos sólidos, combate a vetores, inclusive em áreas de ocupação irregular e encostas de morros, e destinação final do lixo.

No mesmo artigo 55 há dois itens da maior importância: o Plano Diretor e a Gestão dos Resíduos Sólidos e ambos estão intimamente associados. O resíduo gerado é resultado direto da forma como o município é planejado.

Estamos na fase de revisão do Plano Diretor. Vale lembrar que estão em andamento as audiências públicas e reuniões setoriais, onde a população pode e deve se manifestar.

Como é a gestão desses resíduos?

A Política Nacional de Resíduos Sólidos visa a gestão integrada e ao gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos, integrada à Política Nacional do Meio Ambiente articulando-se com a Política Nacional de Educação Ambiental.

Tem vários objetivos (lei 12.305/2010). A lista é grande, mas é importante o resumo ser lido:

1 - Proteção da saúde pública e da qualidade ambiental;

2 - Não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos, com disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos;

3 - Estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços;

4 - Adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias limpas;

5 - Redução do volume e da periculosidade dos resíduos perigosos;

6 - Incentivo à indústria da reciclagem;

7 - Gestão integrada de resíduos sólidos;

8 - Articulação entre as diferentes esferas do poder público, e destas com o setor empresarial;

9 - Capacitação técnica continuada na área de resíduos sólidos;

10 - Regularidade, continuidade, funcionalidade e universalização da prestação dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos;

11 - Prioridade, nas aquisições e contratações governamentais, para:

a) produtos reciclados e recicláveis;

b) bens, serviços e obras que considerem critérios compatíveis com padrões de consumo social e ambientalmente sustentáveis;

12 - integração dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis;

13 - Estímulo à implementação da avaliação do ciclo de vida do produto;

14 - Incentivo ao desenvolvimento de sistemas de gestão ambiental e empresarial voltados para a melhoria dos processos produtivos e ao reaproveitamento dos resíduos sólidos;

15 - Estímulo à rotulagem ambiental e ao consumo sustentável.

A responsabilidade da prefeitura

A responsabilidade da prefeitura é “pelo manejo dos resíduos domiciliares e resíduos de limpeza pública”, o que não é pouca coisa, sendo “assegurada a ampla publicidade ao conteúdo dos Planos de Resíduos Sólidos, bem como o controle social em sua formulação, implementação e operacionalização”. Leia-se “participação popular”.

Para elaborar um Plano de tal complexidade e com a necessidade de renovar o contrato de concessão, a prefeitura contratou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) que produziu o documento “Modelagem da Concessão de Serviço Público de Limpeza Urbana e Manejo de Resíduos Sólidos”, em 2024, com vista a torná-lo o “Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos”, uma exigência federal para a disponibilização de recursos financeiros.

O plano é de grande responsabilidade, pois define o “diagnóstico da situação e seus impactos nas condições de vida, os objetivos e metas de curto, médio e longo prazos, os programas, projetos e ações necessárias e as metas, planejando as ações para emergências e contingências e criando os mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações programadas.”

Todo o conjunto da sociedade, deve acompanhar, trazer sugestões e colaborar no seu planejamento, execução e fiscalização. A participação se dá em qualquer fase do processo. Mesmo que alguém não tenha participado da fase inicial, nada impede que participe das fases posteriores.

Nos próximos artigos traremos mais contribuições para a melhor compreensão desse tema muito importante e pouco conhecido da população.

Gostou do artigo? Alguma sugestão ou comentário sobre esse ou outro tema? Mande  um Zap ou e-mail para [email protected]

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Depois da chuva

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
por Paula Farsoun

As tragédias retiram as camadas de verniz social e nos colocam diante do que realmente somos, enquanto indivíduos e coletividade. As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira nos últimos dias trouxeram enxurradas, deslizamentos, perdas humanas e materiais. Trouxeram também o peso do silêncio nas cidades alagadas, o cheiro de barro nas casas invadidas pela água, o desamparo de famílias que, em poucas horas, viram a rotina ser arrastada pela correnteza. Vidas ceifadas, do nada. Famílias que perderam seus entes queridos. Lares derretidos.

As tragédias retiram as camadas de verniz social e nos colocam diante do que realmente somos, enquanto indivíduos e coletividade. As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira nos últimos dias trouxeram enxurradas, deslizamentos, perdas humanas e materiais. Trouxeram também o peso do silêncio nas cidades alagadas, o cheiro de barro nas casas invadidas pela água, o desamparo de famílias que, em poucas horas, viram a rotina ser arrastada pela correnteza. Vidas ceifadas, do nada. Famílias que perderam seus entes queridos. Lares derretidos. Comerciantes que fecharam as portas sem saber quando reabrirão. Trabalhadores que perderam documentos, móveis, memórias. Crianças fora da escola. Estradas interrompidas. Pontes comprometidas. O cotidiano suspenso.

Já vivemos isso aqui na Região Serrana. Somos friburguenses e nos arrepiamos com trovões, tememos as chuvas e guardamos no peito sequelas de perdas inenarráveis. Sabemos a dor que é. O cenário de barro e medo nos é familiar. Infelizmente. Mas se há algo que me chama atenção nessas situações extremamente sensíveis e tristes, é que em meio ao caos, há um movimento de solidariedade que nasce quase instintivamente.

A solidariedade não é discurso. Não é postagem. Não é frase bonita em rede social. Solidariedade é gesto. É colo. Conforto. Ação para minimizar a dor do outro. É o vizinho que oferece abrigo. É a igreja que vira ponto de arrecadação. É o pequeno empresário que, mesmo com prejuízo, doa parte do estoque. É a professora que mobiliza alunos para recolher mantimentos. É o desconhecido que separa roupas em bom estado porque entende que dignidade também se doa.

Nós, que trabalhamos de alguma forma com a palavra sabemos que conceitos podem ser fáceis de definir. Difícil é vivê-los. Praticá-los. Solidariedade não é pena. Não é caridade vertical. É reconhecimento de humanidade comum. É compreender que a vulnerabilidade do outro poderia ser a nossa.

As enchentes e os deslizamentos de terras escancaram também problemas estruturais que muitos insistem em tratar como exceções: ocupação irregular, ausência de planejamento urbano eficaz, drenagem insuficiente, falta de políticas preventivas consistentes. Toda tragédia climática é, em parte, natural. Mas suas consequências comumente são sociais.

E é justamente nesse ponto que a solidariedade precisa ultrapassar o emergencial. Doar água e colchões é urgente e indispensável. Mas também é necessário cobrar planejamento, políticas públicas sérias, investimento em infraestrutura e prevenção. Solidariedade madura transmutada em compromisso.

Vivemos tempos de individualismo performático. Cada um fechado em suas próprias urgências. No entanto, basta a chuva cair com força desmedida para lembrarmos que somos vulneráveis. Que somos interdependentes. Que cidade não se constrói sozinho. Que comunidade não se sustenta sem laços.

Talvez a grande lição das águas seja essa: tudo pode ser levado em minutos, menos aquilo que escolhemos fazer uns pelos outros. Que a lama seque. Que as casas sejam reconstruídas. Que as escolas reabram. Que as estradas sejam refeitas. Mas que a solidariedade não seja passageira como a enxurrada. Que ela permaneça. Que ela se transforme em cultura, em política, em responsabilidade coletiva.

No final das contas, enquanto sociedade, o maior desafio não se resume à intensidade da chuva que enfrentamos, mas a forma como decidimos atravessá-la. Com o desejo de que as coisas melhorem, que vidas sejam salvas e que desfechos trágicos sejam prevenidos, estimamos que a solidariedade não seja apenas resposta efêmera, mas escolha permanente de quem decide construir, todos os dias, uma sociedade que não abandona os seus quando a água baixa.

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Elas no esporte

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
por Vinicius Gastin

Pedal da Mulher abre programação em homenagem ao mês das mulheres

O mês de março tem um significado especial para as mulheres. Em Nova Friburgo, o esporte também vai estar inserido no contexto das comemorações, sendo o Pedal da Mulher o evento responsável por abrir a programação especial na cidade. A atividade, promovida por meio da Secretaria Municipal da Mulher, acontece neste domingo, 1º, com concentração às 8h, na Praça do Suspiro.

Pedal da Mulher abre programação em homenagem ao mês das mulheres

O mês de março tem um significado especial para as mulheres. Em Nova Friburgo, o esporte também vai estar inserido no contexto das comemorações, sendo o Pedal da Mulher o evento responsável por abrir a programação especial na cidade. A atividade, promovida por meio da Secretaria Municipal da Mulher, acontece neste domingo, 1º, com concentração às 8h, na Praça do Suspiro.

O passeio ciclístico terá um percurso aproximado de 25 quilômetros, saindo do Suspiro, seguindo até Conselheiro Paulino, e retornando pela prefeitura em direção ao ponto de largada para a entrega das medalhas. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até esta sexta-feira, 27, através do link: https://bit.ly/InscricaoPedaldaMulher2026.

De acordo com a organização, a iniciativa tem como objetivo estimular a prática esportiva, promover o cuidado com a saúde física e mental e fortalecer espaços de convivência, autocuidado e segurança feminina.

Corrida da Mulher e Admiradores  

Outro evento esportivo já confirmado é a tradicional Corrida da Mulher e Admiradores, no dia 15 de março, um domingo, celebrando o Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março. De acordo com os organizadores, o objetivo é reforçar a importância da prática esportiva, principalmente entre as mulheres, para a melhoria da saúde física e mental. Além disso, a corrida busca ainda divulgar a importância dos hábitos saudáveis para o controle de problemas específicos do sexo feminino.

Sprint Run

Conforme noticiado na edição desta quinta-feira, 26 de A VOZ DA SERRA, as secretarias de Esportes e Lazer e de Cultura também promovem, no dia 8 de março, a SprintRun – Edição Mulher, em Nova Friburgo. Os interessados podem se inscrever por meio do Instagram oficial da Secretaria de Esportes e Lazer. A iniciativa integra as ações alusivas ao Dia Internacional da Mulher e também promete movimentar o calendário esportivo do município. Ao todo, serão disponibilizadas 700 vagas para o público em geral.

A prova contará com percurso de 1,6 quilômetro em aclive, com saída na Rua Farinha Filho. Os atletas seguirão pelas ruas Nicolau Gachet, Arthur Sardou, Dr. José Galiano das Neves e Rua das Orquídeas, com chegada ao Miradouro do Bairro Suíço, localizado na Rua Crisântemo, após o restaurante Loft.

A retirada do kit (camisa + vale-medalha) será realizada no dia 8 de março, das 7h às 7h30, na Praça Dermeval Barbosa Moreira. A concentração dos atletas também acontecerá no mesmo local, às 7h. A organização pede a doação de absorventes, que serão destinados a mulheres em situação de vulnerabilidade.

Meia Maratona de Petrópolis

Outra opção de corrida para o amantes do atletismo é a Meia Maratona de Petrópolis 2026, que já tem as inscrições abertas. A prova será realizada no dia 2 de agosto, e a expectativa da organização é superar os 1.200 inscritos do ano passado. Com fama de percurso veloz e propício para recordes pessoais, a corrida vem ganhando espaço no calendário esportivo e atraindo competidores de diferentes estados.

A estratégia para 2026 é ampliar o alcance da prova e fortalecer ainda mais a experiência oferecida aos corredores, tanto para quem busca desempenho quanto para quem participa pela superação pessoal.

A prova contará novamente com dois percursos: 21 quilômetros, distância tradicional da meia maratona, e sete quilômetros, indicado para corredores em evolução ou para quem deseja vivenciar a experiência de uma grande corrida de rua.

Foto da galeria
Pedal da Mulher terá largada na Praça do Suspiro, com expectativa de reunir dezenas de pessoas (Foto: Henrique Pinheiro)
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Existem mulheres psicopatas?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
por Cesar Vasconcellos

Um psicopata tem um padrão de alteração de personalidade com comportamento antissocial, ausência de empatia, manipula muito e tem frieza emocional. É cruel, não sente culpa ou remorso, não se importa com os outros, não se arrepende por tratar mal os outros, mente com frequência, não respeita o direito dos outros.

Um psicopata tem um padrão de alteração de personalidade com comportamento antissocial, ausência de empatia, manipula muito e tem frieza emocional. É cruel, não sente culpa ou remorso, não se importa com os outros, não se arrepende por tratar mal os outros, mente com frequência, não respeita o direito dos outros.

Mesmo fazendo algo de bom para o psicopata, ele não retribui. Sempre culpa os outros, o ambiente, as circunstâncias quando as coisas dão errado, e usa o que outra pessoa fez como crédito seu a fim de subir na hierarquia na empresa, na igreja, na política. Nem toda pessoa com traços psicopáticos é criminosa. Psicopatia não significa necessariamente violência, pelo menos física.

O especialista e pesquisador em psicopatia em empresas, professor universitário em Londres, Dr. Cliver Boddy disse ao jornal The Guardian (26/02/2024): “Os psicopatas buscam dinheiro, poder e controle” e o “número de mulheres com esse transtorno neuropsiquiátrico pode ser muito maior do que se imaginava.”

Dr. Boddy diz que “Um conjunto de evidências, ainda que pequeno, mas crescente, descreve as psicopatas femininas como propensas a expressar violência verbalmente em vez de fisicamente, sendo essa violência de natureza relacional e emocional, mais sutil e menos óbvia do que a expressa por psicopatas masculinos”, e isso pode incluir espalhar boatos e mentiras para obter vantagens pessoais.

Ele crê que a ideia de ser pequeno o número de mulheres psicopatas se deve ao fato da subestimação dessa realidade já que os instrumentos de medição usaram amostras com predomínio de homens criminosos. Esses instrumentos falham na identificação de psicopatas mulheres e também na de psicopatas em empresas.

Sobre estatística o Dr. Boddy disse ao The Guardian que: “cerca de 23% dos homens, mesmo não sendo categoricamente psicopatas, têm características suficientes para serem problemáticos para a sociedade”, e que: "cerca de 12% a 13% das mulheres possuem um número suficiente dessas características para serem potencialmente problemáticas". Reconhecer a psicopatia em mulheres e homens é importante porque eles podem ter grande impacto no ambiente de trabalho, marginalizando, abusando e intimidando funcionários.

A violência praticada pela mulher é muito mais sutil, é silenciosa, com menos abuso físico e menos violência física. É mais fácil de disfarçar porque é no campo emocional que ela agride. A mulher psicopata exclui pessoas de grupos de amizade ou colegas na empresa, espalha boatos e fofocas. Em busca de promoção no trabalho, ela pode flertar e tentar seduzir seus chefes.

Dr. Boddy diz que não podemos afirmar que, por exemplo, quando duas pessoas parecem estar mentindo, o homem será o mais mentiroso. No abuso interpessoal ou conjugal, às vezes quem pratica é a mulher, não o homem. E ele comenta: “Nas decisões sobre quem cuidará das crianças após divórcios, por exemplo, não podemos automaticamente presumir que os filhos estariam melhor com a mãe se houver evidências de que ela é manipuladora, mentirosa e abusiva.”

A psicopatia surge por fatores genéticos e ambientais. O tratamento busca ajudar no controle e manejo dos comportamentos disfuncionais, através da psicoterapia, com resultados limitados principalmente em adultos. Não existem medicamentos específicos para a psicopatia, mas alguns podem aliviar sintomas de impulsividade, agressividade, ansiedade e depressão. Quando traços de psicopatia aparecem na infância ou adolescência como transtorno de conduta, as intervenções precoces aumentam as chances de melhora.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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