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Promissor

sexta-feira, 27 de março de 2026
por Vinicius Gastin

Friburguense Futsal larga bem, lidera grupos e briga pelo acesso à Série Ouro

Um início promissor, com margem para crescimento e boas perspectivas para o restante da temporada. O Friburguense Futsal vive um início de 2026 bastante animador, e já coleciona diversos resultados importantes na disputa do Campeonato Carioca da modalidade. Mais do que isso: com o que se observa em quadra, o Tricolor da Serra já desponta como uma das principais forças da competição nas categorias de base.

Friburguense Futsal larga bem, lidera grupos e briga pelo acesso à Série Ouro

Um início promissor, com margem para crescimento e boas perspectivas para o restante da temporada. O Friburguense Futsal vive um início de 2026 bastante animador, e já coleciona diversos resultados importantes na disputa do Campeonato Carioca da modalidade. Mais do que isso: com o que se observa em quadra, o Tricolor da Serra já desponta como uma das principais forças da competição nas categorias de base.

Após duas rodadas, o time de Nova Friburgo lidera grupos importantes e aparece entre os primeiros colocados na classificação geral da Série Prata, brigando diretamente pelas primeiras posições e pelo acesso à Série Ouro.

Na categoria Sub-14, por exemplo, o Friburguense mantém a primeira colocação de sua chave com quatro pontos ganhos, e segue invicto na competição. Mesmo cenário do Sub-13 (Série Prata), onde a equipe também ocupa a liderança do grupo, mantendo regularidade e consistência.

Contudo, o grande destaque fica por conta do Sub-11: até o momento, a equipe sustenta uma campanha perfeita, com duas vitórias em dois jogos, rendendo a liderança isolada e o destaque para a defesa sólida, sem sofrer gols. Já o Sub-9 segue competitivo, somando pontos e mostrando evolução dentro de um grupo equilibrado.

Na classificação geral da Série Prata, somando todas as categorias, o Friburguense aparece entre os primeiros colocados, consolidando-se na briga direta pelo acesso à Série Ouro, que pode acontecer ainda nesta temporada, no segundo semestre.

Para o coordenador Sávio Badini, o início positivo é consequência direta do trabalho desenvolvido. “É fruto de muito trabalho sério, empenho e dedicação. Representar Nova Friburgo no cenário estadual é uma grande responsabilidade para todos nós”, garante.

“O momento vivido pelo clube é reflexo de um trabalho estruturado, que alia formação, competitividade e identidade dentro de quadra, colocando Nova Friburgo em evidência no cenário estadual do futsal. Com desempenho consistente, crescimento contínuo e resultados expressivos, o Friburguense Futsal vive um momento excelente e promissor, mirando voos ainda maiores na sequência da competição”, avalia a direção da equipe.

 

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Punição

Câmara aprova projeto de lei que cria lista suja do racismo no esporte

A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que cria um cadastro nacional de entidades de prática esportiva condenadas por racismo. A relação, que pode ser considerada uma lista suja do racismo no esporte, ainda será enviada ao Senado.

Segundo o texto aprovado nesta quarta, entidades que entrarem no cadastro não poderão firmar contratos com o poder público ou receber patrocínios públicos, subvenções ou benefícios fiscais.

O projeto estabelece que “o cadastro conterá os nomes dos clubes condenados por atos racistas praticados por seus torcedores, atletas, membros de comissão técnica ou dirigentes durante eventos esportivos”, informou a Câmara dos Deputados em texto divulgado para a imprensa.

“A inclusão dos clubes nessa lista ocorrerá somente após decisão condenatória transitada em julgado em processo judicial ou em decisão da Justiça Desportiva. Essa inscrição ficará ativa por dois anos, após o que o clube será automaticamente excluído do cadastro. A exclusão poderá acontecer antes se a entidade comprovar, perante o órgão gestor do cadastro, a realização de ações específicas de combate às condutas racistas em eventos esportivos, nos termos de um regulamento”, diz a Câmara.

O projeto de lei nasce com cinco objetivos: promover a cultura de paz no esporte; coibir condutas racistas em eventos esportivos; induzir as organizações esportivas a prevenir condutas racistas de seus torcedores; incentivar ações educativas que contribuam para o enfrentamento ao racismo no esporte; e tornar o Brasil referência no enfrentamento aos casos de racismo no esporte.

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    Vibração a cada gol é mais uma mostra da boa fase vivida pelas equipes do Friburguense (Fotos: Léo Borges “Na jogada”)

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    Trabalho realizado em Nova Friburgo rende frutos, e pode levar equipe a subir para a Série Ouro este ano (Fotos: Léo Borges “Na jogada”)

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    Liderando em três das quatro categorias, Friburguense Futsal desponta com destaque no Carioca (Fotos: Léo Borges “Na jogada”)

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Rir é bom demais

sexta-feira, 27 de março de 2026
por Paula Farsoun

Rir. Sorrir. Gargalhar. Eis práticas deliciosas de viver. Rir é bom demais. Esboça alegria, faz bem para alma, libera o diafragma, alivia tensões. Sorrir, faz muito bem. A expressão da felicidade, simpatia, bem-estar, muitas vezes transborda o sorriso, vai além do que se pode supor. Gargalhar passa por aquele riso extravasado, que transborda, contagia. 

Rir. Sorrir. Gargalhar. Eis práticas deliciosas de viver. Rir é bom demais. Esboça alegria, faz bem para alma, libera o diafragma, alivia tensões. Sorrir, faz muito bem. A expressão da felicidade, simpatia, bem-estar, muitas vezes transborda o sorriso, vai além do que se pode supor. Gargalhar passa por aquele riso extravasado, que transborda, contagia. 

A verdade é que tudo isso faz muito bem, tanto para quem sorri, ri, gargalha, quanto para eventual interlocutor dessas mensagens corporais que transcendem os movimentos do rosto. Até isso é uma escolha. Sorrir ou não sorrir para a vida. Acolher ou não o outro com uma mensagem de boas-vindas. Tem a ver com simpatia, empatia, otimismo, alegria.

Andando por aí, vou observando os semblantes que por mim passam. A maioria das pessoas carrega olhares sofridos, expressões carregadas. Sobrecarregadas. Vivemos tempos difíceis sob muitos aspectos, não podemos negar. E as faces taciturnas, creio, são o oposto de tudo aquilo que o sorriso sincero expõe. Desânimo, cansaço, antipatia, tristeza.

Por outro lado, o sorriso aberto não significa felicidade. Não necessariamente. Em tempos em que o que se demonstra em redes sociais toma dimensões inimagináveis, não raras vezes o ser mais triste apresenta o sorriso mais bonito. A gargalhada gostosa do vídeo, ensaiada. O riso sem brilho nos olhos. Será que dessa forma, sem verdade, sem consonância entre o que realmente se sente e o que aparenta, sorrir faz tão bem assim? Tanto se utiliza a poderosa ferramenta do sorriso para vender a imagem da felicidade que no dia a dia está longe de ser perseguida. Gente que sorri para as câmeras, que mostra sua faceta mais aprimorada da simpatia em fotos, mas que é incapaz de sorrir para as pessoas com quem topa na rua, para o porteiro do prédio, para o colega de trabalho. Gente que oferece sua melhor versão às postagens nas redes sociais, mas que é incapaz de sorrir em casa, que oferece ao convívio familiar sua expressão de descontentamento. Sem senti-lo.

São divagações – para não dizer devaneios. Mas fazem algum sentido. Vejo tantas pessoas essencialmente sem brilho que fazem questão de ensaiar o Sol para convencer terceiros sobre uma felicidade que por vezes passa longe. E qual a intenção de tudo isso? O riso é livre. Sorrir transforma, muda a energia, eleva a frequência, transforma o dia de alguém. É livre e ilimitado. Por que não sorrir de dentro para fora? Isso mesmo: de dentro para fora. Rir de a barriga doer. De dentro para fora. Gargalhar sem medo de ser feliz. Sem pose para fotos. Sem necessários registros. Sem foco na aparência. De dentro para fora. Sorrir para mudar o dia, para mudar a si mesmo, para contagiar o outro, para transformar a vibração do mundo.

É isso. Enxergar o lado bom que tudo tem e sorrir para a vida. É deveras transformador. De dentro para fora.

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Abertura do coração emocional

quinta-feira, 26 de março de 2026
por Cesar Vasconcellos

Nos tornamos como pessoa aquilo que nos causa menos dor. A formação da estrutura da personalidade humana é construída ao longo da infância na interação da criança com seus pais ou cuidadores. Se essa interação é recheada de respeito, valorização, manifestação de carinho sem superproteção, disciplina sem agressividade e sem violência, se pai e mãe interagem com a criança com afeto, revelando como ela é importante na vida deles, a estrutura da personalidade dessa criança, nesse tipo de ambiente familiar, será bastante saudável.

Nos tornamos como pessoa aquilo que nos causa menos dor. A formação da estrutura da personalidade humana é construída ao longo da infância na interação da criança com seus pais ou cuidadores. Se essa interação é recheada de respeito, valorização, manifestação de carinho sem superproteção, disciplina sem agressividade e sem violência, se pai e mãe interagem com a criança com afeto, revelando como ela é importante na vida deles, a estrutura da personalidade dessa criança, nesse tipo de ambiente familiar, será bastante saudável.

Por outro lado, se na infância da criança ela é criada sem pai, ou sem mãe, ou se o pai e a mãe, embora presentes fisicamente, são ausentes ou indisponíveis emocionalmente, se desrespeitam o filho ou filha com palavras agressivas, depreciadoras, se pai e mãe frequentemente perdem o autocontrole emocional e manifestam nervosismo no ambiente familiar, essa criança crescerá com “machucados” em sua personalidade.

Essas feridas emocionais serão mais graves ou menos dependendo da resistência natural que a criança tem ou não tem para lidar com problemas emocionais. Isso porque algumas crianças nascem com melhores defesas contra dificuldades de relacionamento na família. Algumas são mais resilientes desde o nascimento, nascem com melhores recursos mentais para lidar com a dor emocional.

Comecei esse artigo dizendo que nos tornamos como pessoa aquilo que nos causa menos dor. Ou seja, adaptamos nosso jeito de ser, mais fechado ou mais aberto, mais comunicativo ou menos, mais afetivo ou mais frio, mais espontâneo ou mais reprimido, com melhor autocontrole ou mais impulsivo, mais dependente ou menos apegado, na dependência do ambiente familiar como descrevi, mas também em função do temperamento básico individual. O jeito como a criança vai se tornando como personalidade tem muito que ver com as tentativas dela, mais inconscientes do que conscientes, de sobreviver mentalmente como indivíduo.

Pense por um momento sobre o significado de uma crise esquizofrênica. Esquizofrenia tem que ver com cisão, rompimento entre a realidade e a pessoa. Essa dor mental separa a pessoa dela mesma e das conexões saudáveis com os outros, criando um estado que chamamos de “psicótico” nela, alterado gravemente. A esquizofrenia é, portanto, uma quebra da personalidade, uma ferida mental grave que rompeu a unidade do indivíduo com ele mesmo, alterando sua personalidade. As defesas mentais do esquizofrênico não foram suficientemente fortes para lidar com aquilo que para ele, em sua sensibilidade, foram situações de estresse emocional, interno e externo, daí ele sucumbiu.

Repetindo, algumas crianças nascem com melhores defesas mentais contra situações difíceis na família e dentro delas sobre como as fontes de estresse chegam para ela. Importante compreender que a sensibilidade daquela criança específica parece ser a chave para se entender a razão pela qual ela sucumbe diante de estresses no convívio familiar. Isso porque outra criança, um irmão biológico ou irmã biológica da que teve sofrimento mental importante, não sofre mentalmente da mesma maneira, com as mesmas consequências, sintomas e surgimento de um transtorno mental importante. Ela tem melhor defesa talvez inata.

Uma criança sensível que vive num ambiente em que o pai ou a mãe, ou ambos, são abusivos verbalmente e até fisicamente, um ou outro cuidador dela é descontrolado emocionalmente, a sensibilidade dela, que é ótima para muita coisa na vida, nesse caso a faz se fechar para se proteger da dor dos abusos. Ela separa uma parte do ser (personalidade), aprende a se afastar para dentro de si, para tentar estar conectada no ambiente difícil. Ela aprende a usar mais a repressão dos seus sentimentos para se proteger, do que a expressão equilibrada deles. Depois pode ficar difícil abrir o coração. E vai precisar aprender a se abrir e se sentir segura em fazer isso. Essa não é uma tarefa fácil e rápida.

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Cesar Vasconcellos de Souza

doutorcesar.com
youtube.com/claramentent
IG @claramentent
Tik-Tok claramentent
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Quando o silêncio também é violência

quinta-feira, 26 de março de 2026
por Lucas Barros

Há notícias que parecem se repetir com uma frequência tão cruel que acabam se tornando quase previsíveis. Nos últimos dias, o Brasil voltou a registrar uma sequência de casos de feminicídio que chocam pela brutalidade e, ao mesmo tempo, pela familiaridade. Histórias interrompidas dentro de casas, em ruas comuns, em cidades que seguem sua rotina enquanto mais um nome se soma a uma estatística que cresce em silêncio.

Há notícias que parecem se repetir com uma frequência tão cruel que acabam se tornando quase previsíveis. Nos últimos dias, o Brasil voltou a registrar uma sequência de casos de feminicídio que chocam pela brutalidade e, ao mesmo tempo, pela familiaridade. Histórias interrompidas dentro de casas, em ruas comuns, em cidades que seguem sua rotina enquanto mais um nome se soma a uma estatística que cresce em silêncio.

O feminicídio não é apenas um crime. Ele carrega consigo um retrato perturbador de uma sociedade que ainda não conseguiu romper completamente com estruturas antigas de violência e posse. Não se trata de um episódio isolado ou de um “crime passional”, como por muito tempo se tentou suavizar. Trata-se de uma forma extrema de violência de gênero, que nasce de relações marcadas por controle, ciúme, abuso e, muitas vezes, impunidade.

Quase sempre há sinais antes da tragédia. Há ameaças ignoradas, agressões minimizadas, pedidos de ajuda que não encontram resposta suficiente. Em muitos casos, vizinhos sabiam, familiares desconfiavam, amigos percebiam algo errado. Mas a violência doméstica ainda carrega um peso cultural que a empurra para dentro das paredes da casa, como se fosse um assunto privado demais para intervenção pública.

Quando a tragédia finalmente explode, ela revela aquilo que já estava sendo construído em silêncio. O feminicídio é, muitas vezes, o último capítulo de uma longa história de violência. Uma história que poderia ter sido interrompida antes — por políticas públicas mais eficientes, por redes de proteção mais estruturadas ou simplesmente por uma cultura social menos tolerante com a violência contra mulheres.

Lei Maria da Penha, uma aliada

Nos últimos anos, o Brasil avançou em termos legais. A Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio representaram passos importantes no reconhecimento da gravidade desse tipo de crime. No papel, o país possui um dos arcabouços jurídicos mais robustos para combater a violência doméstica. O problema é que a distância entre a lei e a realidade ainda é grande demais.

Delegacias especializadas são insuficientes, medidas protetivas nem sempre são fiscalizadas e muitas mulheres continuam convivendo diariamente com seus agressores por falta de alternativa financeira, social ou institucional. A lei existe, mas a estrutura para garantir sua efetividade ainda está aquém do necessário.

Há também uma dimensão cultural que não pode ser ignorada. O feminicídio é o ponto extremo de uma lógica que naturaliza o controle sobre o corpo, as escolhas e a liberdade das mulheres. Ele nasce em ambientes onde o ciúme é romantizado, onde a agressividade masculina é relativizada e onde o fim de um relacionamento ainda é visto, por alguns, como uma afronta pessoal.

Quando a violência finalmente explode, ela revela um problema que não começou naquele momento. Ela apenas chegou ao seu limite. Por isso, o combate ao feminicídio não pode se limitar à punição depois do crime. Ele precisa começar antes, muito antes, nas políticas de prevenção, na educação e na construção de relações baseadas em respeito.

O colapso de uma rede de proteção

Cada caso que aparece nas manchetes traz consigo uma pergunta incômoda: o que poderia ter sido feito antes? Em muitos deles, havia registros policiais, denúncias anteriores ou relatos de ameaças. Ainda assim, a tragédia aconteceu. Isso revela não apenas falhas institucionais, mas também uma dificuldade coletiva de reconhecer a gravidade desses sinais.

O Brasil não enfrenta apenas um problema criminal. Enfrenta uma crise social e humanitária que atravessa famílias, comunidades e instituições. O feminicídio não é apenas a morte de uma mulher. É o colapso de uma rede de proteção que deveria ter funcionado antes.

Talvez o aspecto mais perturbador seja justamente a repetição. As histórias mudam de cidade, de nome, de idade. Mas a estrutura da tragédia quase sempre é a mesma. E, quando isso acontece com tanta frequência, a pergunta deixa de ser sobre um caso específico e passa a ser sobre o país que estamos construindo.

Enquanto discutimos números e estatísticas, vidas continuam sendo interrompidas de forma brutal. E cada uma delas carrega sonhos, histórias e futuros que simplesmente deixam de existir.

Combater o feminicídio exige leis, sim. Mas exige também coragem coletiva para enfrentar um problema que vai muito além do sistema penal. Porque, no fundo, nenhuma sociedade pode se considerar plenamente segura enquanto tantas mulheres ainda correm risco dentro do próprio lar.

E talvez o primeiro passo para mudar esse cenário seja justamente não aceitar que essa tragédia se torne rotina. Porque quando a violência passa a parecer normal, o silêncio também se transforma em cumplicidade.

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Apoio

quinta-feira, 26 de março de 2026
por Vinicius Gastin

Projeto cria Política Estadual de apoio e incentivo à mulher no Esporte

 A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, em primeira discussão, o projeto de lei 6.758/25, de autoria dos deputados estaduais Índia Armelau (PL) e Daniel Martins (União Brasil), que cria a Política Estadual de Apoio e Incentivo à Mulher no Esporte. A medida ainda precisa passar por uma segunda votação na Casa.

Projeto cria Política Estadual de apoio e incentivo à mulher no Esporte

 A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, em primeira discussão, o projeto de lei 6.758/25, de autoria dos deputados estaduais Índia Armelau (PL) e Daniel Martins (União Brasil), que cria a Política Estadual de Apoio e Incentivo à Mulher no Esporte. A medida ainda precisa passar por uma segunda votação na Casa.

A norma terá como objetivo fomentar o acesso igualitário das mulheres à prática esportiva em todas as fases da vida, incluindo meninas, adolescentes, mulheres adultas, idosas e mulheres com deficiência. A proposta também prevê ações para valorizar a diversidade no esporte, combater estereótipos de gênero e incentivar a profissionalização feminina na área, além de ampliar a presença de mulheres em cargos de liderança esportiva.

Entre as medidas previstas estão a oferta de capacitação continuada para atletas, a ampliação da representatividade feminina em cargos técnicos e diretivos do esporte estadual e nacional e o aumento da presença de mulheres nas equipes de arbitragem. O texto também estabelece ações de prevenção e combate à violência contra mulheres e meninas atletas; a criação de estatísticas que permitam planejar e desenvolver políticas públicas reparatórias de injustiças; além da promoção da igualdade de gênero nos valores das premiações relativas às competições desportivas realizadas no Estado, respeitando a autonomia das entidades esportivas.

A medida ainda garante incentivo à destinação de recursos de patrocínio ou apoio a projetos desportivos e paradesportivos voltados às modalidades femininas. Para viabilizar as ações, o Poder Executivo poderá atuar em parceria com instituições privadas, entidades de prática e administração do desporto e demais organizações da sociedade civil, mediante ações voltadas à promoção da igualdade de gênero no esporte.

Para a autora, o apoio e o incentivo começam quando a mulher entende que há espaço para ela em todos os esportes. “A partir do momento em que conseguimos instituir políticas públicas para que a mulher se sinta acolhida, o mais importante deixa de ser apenas o patrocínio e passa a ser o bem-estar dela no esporte”, pontuou Índia.

“Pode até parecer um chavão, mas lugar de mulher é onde ela quiser. No esporte, elas brilham e elevam ainda mais o nível das competições. Tenho certeza de que este projeto será de grande valia para incentivar a presença feminina não apenas como atletas, mas também como técnicas, árbitras e integrantes de comissões técnicas”, completou o coautor Daniel Martins.

 

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Definido

Com novo formato, Série C do Campeonato Carioca tem premiação recorde

Com início previsto para o dia 3 de maio, a Série C do Campeonato Estadual de 2026, equivalente à quinta divisão do futebol do Rio de Janeiro, contará com 16 clubes. No último dia 19, os representantes filiados participaram do Conselho Arbitral, que aprovou, por unanimidade, o regulamento da competição.

Sob o comando do presidente Rubens Lopes, o Conselho apresentou ponto a ponto o regulamento, que foi debatido e votado pelos clubes. Antes, no entanto, o presidente da Federação Estadual de Futebol (Ferj) cobrou, mais uma vez, rigor em relação ao combate da manipulação de resultados.

“Nós reunimos as forças de segurança, órgãos de Justiça, estamos todos na mesma luta. E conto com vocês, clubes, nesta missão”, disse o presidente Rubens Lopes.

A fórmula de disputa sofreu alteração em relação à edição anterior. Divididos em grupos A e B, os clubes jogarão em cruzamento: A x B. Os quatro melhores classificados disputarão às quartas de final, em ida e volta. Os donos das melhores campanhas terão vantagem de escolher o mando de campo e também de resultados iguais. Os vencedores disputarão à semifinal, seguindo o critério da vantagem. A decisão será em jogo único.

Os quatro melhores colocados ascenderão à Série B2 do Estadual. Já os oito não classificados às quartas disputarão o Grupo X. A Ferj distribuirá premiação de R$ 220 mil aos quatro primeiros colocados.

O Grupo A conta com Campos, Tigres do Brasil, Brescia, Mageense, Cardoso Moreira, Itaboraí Profute, Barcelona e Vera Cruz. Já a chave B terá Barra Mansa, Búzios, CAAC Brasil, Uni Souza, União Central, EC Resende, Ceres e Independente.

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    Índia Armelau (PL) é uma das autoras da proposta de incentivo (Foto: Octacílio Barbosa)

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    Confronto entre Friburguense e Tigres, em 2019: clube de Xerém, com grande estrutura, disputa agora a Série C (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

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Histórias alheias 2

quarta-feira, 25 de março de 2026
por Robério Canto

Não é que eu não tenha ideias, é que elas são poucas e, portanto, preciso administrá-las, para que não acabem antes do tempo e me deixem na mão na hora da necessidade. Mais do que com o dinheiro, é indispensável ser sovina com as ideias. O mais prudente é fazer com elas como as pessoas que pulam o almoço para ter o que jantar. Um truque que às vezes salva um cronista menor é recontar histórias de autores mais competentes: não é prova de criatividade, mas também não chega a ser propriamente plágio. Já fiz isso uma vez e, como não fui processado, vou repetir hoje.

Não é que eu não tenha ideias, é que elas são poucas e, portanto, preciso administrá-las, para que não acabem antes do tempo e me deixem na mão na hora da necessidade. Mais do que com o dinheiro, é indispensável ser sovina com as ideias. O mais prudente é fazer com elas como as pessoas que pulam o almoço para ter o que jantar. Um truque que às vezes salva um cronista menor é recontar histórias de autores mais competentes: não é prova de criatividade, mas também não chega a ser propriamente plágio. Já fiz isso uma vez e, como não fui processado, vou repetir hoje.

De Villas-Bôas Corrêa

Deposto em 45, Getúlio foi para São Borja e não aceitava, mas também não recusava, os insistentes pedidos para que fosse candidato a presidente da República. Nereu Ramos era um dos nomes mais fortes para disputar o cargo. No entanto, o PDS o designou para procurar Getúlio e pedir que ele apoiasse um candidato do partido. O velho Gegê disse que concordava, contanto que o nome indicado fosse o do próprio portador da mensagem. Nereu alegou que não poderia voltar com aquela resposta, pois pareceria que ele, ao invés de representar o partido, representara a si mesmo. O resto é História. Por aí se vê que já houve nesta República homens que zelavam mais pela honra do seu nome do que pela honra de cargos e títulos.

De Machado de Assis

Ao ver um casebre em chamas à beira da estrada, o homem para diante das labaredas. Sentada no chão, uma mulher paupérrima chora tanto que quase se poderia apagar o incêndio com suas lágrimas. Ela é a dona do barraco, sendo aquilo o único bem que ela tem (ou tinha). Quando o homem lhe pergunta se a casa era dela, responde que sim: “É minha sim, meu senhor. É tudo que eu possuía neste mundo”. Educadamente, ele retruca: “Dá-me então licença que acenda ali o meu charuto?" Comovente prova de solidariedade e respeito pela propriedade alheia! O cavalheiro estava bêbado, e Machado, com o seu conhecido pessimismo sobre a natureza humana, acrescenta que não é preciso estar bêbado para se aproveitar do sofrimento alheio. Sim, a triste verdade é que muita gente, justamente quando está mais sóbria, faz exatamente o mesmo.

De Carlos Heitor Cony

Ernesto Cony é o grande personagem do ótimo “Quase memória”, no qual Carlos Heitor Cony narra muitas histórias do pai, um homem tão original que o filho pôde encher as 239 páginas do livro com as aventuras e desventuras em que o velho Cony se metera ao longo da vida.

Uma delas: saindo do almoço num hotel, Cony recebeu do porteiro um pacote que alguém, poucos dias antes, havia deixado para que lhe fosse entregue. Não sendo frequentador habitual do lugar, o escritor estranhou que tivessem deixado justamente ali aquele embrulho para ele. Mas um envelope com seu nome escrito não permitia a dúvida de que ele era o real destinatário. E tudo denunciava o remetente: a letra, o estilo, o cheiro e principalmente o barbante, com um tipo de laço que era especialidade de seu pai. O que não fazia nenhum sentido, pois Ernesto Cony havia morrido dez anos antes.

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Microconto: Pênalti

O Saci Pererê chutou a bola e fez um gol de placa, mas levou o maior tombo.

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Entre o vazio interno e o desejo de estar junto

quarta-feira, 25 de março de 2026
por Camilla Fiorito

Vazio, vago, frívolo, fútil, junto, unido, reunido, distanciado, isolado, excluído, separado.

Se sentir parte de um grupo ou de um lugar traz o pertencimento. A sensação de um pertencer que, nem sempre, deixa claro o real desejo de estar.

Me lembro da minha juventude, onde não me sentia confortável com as piadas sem graças, as ações inadequadas disfarçadas de brincadeiras, os insultos que não dava para deixar para lá. Não me esforçava para caber. O estar precisava ter sentido e vir de encontro com que eu tinha como escolha de vida.

Vazio, vago, frívolo, fútil, junto, unido, reunido, distanciado, isolado, excluído, separado.

Se sentir parte de um grupo ou de um lugar traz o pertencimento. A sensação de um pertencer que, nem sempre, deixa claro o real desejo de estar.

Me lembro da minha juventude, onde não me sentia confortável com as piadas sem graças, as ações inadequadas disfarçadas de brincadeiras, os insultos que não dava para deixar para lá. Não me esforçava para caber. O estar precisava ter sentido e vir de encontro com que eu tinha como escolha de vida.

Aquela jovem continuou se transformando. Décadas depois, permaneço não gostando das mesmas coisas e um pouco mais. O esforço para me encaixar é quase inexistente. Levo comigo uma certeza ainda maior quando percebo todo conhecimento profissional que busquei e trago à memória o ditado que tanto ouvia da minha saudosa avó Berna: “Para todo pé cansado há sempre um chinelo velho”.

Sim, sempre há, mas, às vezes, não conseguimos perceber e enxergar. Achamos que onde estamos é o único lugar palpável, assim como as pessoas que estão ao nosso redor. Não é sobre perfeição ou não lidar com aqueles que são diferentes daquilo que somos. É sobre o encaixe ideal, real, com imperfeições, erros e acertos, onde o desejo de estar junto preenche o vazio interno que se sobressai quando estamos em um lugar que não cabemos de verdade.

Por mais difícil que possa parecer, o medo de ser não pode ser alimentado pela vontade de pertencer, pois quando realmente pertencemos não precisamos nos diminuir para caber. Não há superficialidade.

Não somos potes fechados com tampas que não fazem parte da coleção, apenas para não deixar o seu interior exposto. Possuímos essência e desejo latente, que nos constitui como ser humano repleto de gostos, vontades e especificidades.

Respeitar quem nós somos de verdade, é estabelecer limites, sustentar os nossos valores morais e éticos. É não deixar os nossos princípios em segundo plano, escorrendo por entre os dedos como a areia fina da praia. É ser forte como a rocha, que sustenta as batidas das ondas na costa do mar.

Não se acomode para pertencer. Seja quem você realmente é. Se acolha e viva com verdade!

Até a próxima quarta!

……..

Contato

Site: www.camillafiorito.com.br

Instagram: @camilla.fioritoeduc

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Jovens talentos

quarta-feira, 25 de março de 2026
por Vinicius Gastin

Equipe Kickboxing da Serra conquista medalhas e vagas no Brasileiro

Os atletas da equipe Kickboxing da Serra continuam representando Nova Friburgo em alguns dos principais eventos da modalidade pelo Estado do Rio de Janeiro. Recentemente, alguns deles participaram da Taça Guanabara de Kickboxing, disputada na capital fluminense. O evento serviu como uma seletiva para a disputa do Campeonato Brasileiro.

Equipe Kickboxing da Serra conquista medalhas e vagas no Brasileiro

Os atletas da equipe Kickboxing da Serra continuam representando Nova Friburgo em alguns dos principais eventos da modalidade pelo Estado do Rio de Janeiro. Recentemente, alguns deles participaram da Taça Guanabara de Kickboxing, disputada na capital fluminense. O evento serviu como uma seletiva para a disputa do Campeonato Brasileiro.

Um dos principais nomes da equipe, Gilberto Frossard participou na categoria K1 Style Faixa Preta, até 81 quilos, e acabou vencendo por W.O. - ou seja, não teve adversário para realizar o seu combate. Além do já experiente atleta, outros três alunos fizeram as estreias no tatame.

Uma das destaques foi Ana Karolina Paz, que venceu uma luta e foi campeã da sua categoria na modalidade Kick Light, faixa colorida, até 65 quilos. Além do título, a jovem lutadora acabou conquistando a sua vaga na próxima competição nacional.

Já Gabriel Ribeiro fez uma luta e terminou a competição com o terceiro lugar do Kick Light, Faixa Colorida, até 89 quilos, também ganhando a vaga para o Brasileiro. Pedro Simões, envolvido em um combate, no Kick Light sub 17, até 69 quilos, terminou a disputa com o oitavo lugar, apesar de ter feito uma boa luta de estreia.

Em resumo, a equipe Kickboxing da Serra voltou para Nova Friburgo com duas medalhas de ouro e uma de bronze, além da conquista de três vagas no Campeonato Brasileiro da modalidade. O evento está previsto para acontecer no mês de junho, em Curitiba-PR.

 

 

Reforço financeiro

Fifa anuncia investimentos de R$ 4,2 bilhões na Copa Feminina de 2027

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) anunciou que investirá US$ 800 milhões (cerca de R$ 4,2 bilhões), na próxima edição da Copa do Mundo de futebol feminino, que será disputada em 2027 no Brasil. A informação foi revelada em um relatório publicado em Zurique (Suíça) na última quinta-feira, 19, após reunião do conselho da entidade máxima do futebol.

O valor anunciado é o dobro do investido pela Fifa na última edição de um Mundial Feminino, que foi sediado na Austrália e na Nova Zelândia.

A Copa Feminina de 2027 será disputada entre 24 de junho e 25 de julho. Oito estádios receberão jogos da competição: Maracanã (Rio de Janeiro), Arena Fonte Nova (Salvador-BA), Arena Itaquera (São Paulo), Mineirão (Belo Horizonte-MG), Estádio Nacional (Brasília), Arena Castelão (Fortaleza-CE), Estádio Beira-Rio (Porto Alegre-RS) e Arena Pernambuco (Recife-PE).

O Mundial sediado pelo Brasil será a décima edição do torneio. Antes de chegar à Austrália e à Nova Zelândia, em 2023, a competição já havia sido sediada por China, Suécia, Estados Unidos, Alemanha, Canadá e França.

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    Ainda que por W.O., Gilberto Frossard amplia o seu cartel de conquistas na modalidade (Foto: Divulgação)

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    O estreante e o experiente Gilberto trouxeram excelentes resultados e classificações para Nova Friburgo (Foto: Divulgação)

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    Pedro Simões, um dos alunos da equipe, também teve o seu destaque no evento (Foto: Divulgação)

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    Ana Karolina Paz venceu em sua categoria e se garantiu no Brasileiro de Kickboxing (Foto: Divulgação)

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    Gabriel Ribeiro fez uma luta e terminou com com o terceiro lugar do Kick Light (Foto: Divulgação)

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Nova Friburgo perde quatro médicos nos últimos três meses

quarta-feira, 25 de março de 2026
por Max Wolosker

Nos últimos três meses, Nova Friburgo perdeu quatro médicos que foram muito importantes e destacados não só na medicina, como na vida social da cidade. Em janeiro faleceu a ginecologista e obstetra Anna Maria Di Donnato Gonçalves Pereira. Formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1966, ela construiu uma trajetória marcada pela dedicação à medicina e à excelência no atendimento à população de Nova Friburgo, onde atuou por várias décadas.

Nos últimos três meses, Nova Friburgo perdeu quatro médicos que foram muito importantes e destacados não só na medicina, como na vida social da cidade. Em janeiro faleceu a ginecologista e obstetra Anna Maria Di Donnato Gonçalves Pereira. Formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1966, ela construiu uma trajetória marcada pela dedicação à medicina e à excelência no atendimento à população de Nova Friburgo, onde atuou por várias décadas. Foi reconhecida por sua atuação ética, compromisso profissional e cuidado com seus pacientes, deixando relevante contribuição para a prática médica na região.

Não trabalhei com ela, pois atuávamos em especialidades distintas, apesar da obstetrícia ter muito a ver com a endocrinologia, por causa das gestantes diabéticas. Mesmo assim, a conhecia muito, pelos encontros promovidos pela Sociedade Médica de Friburgo e por ser casada com o cirurgião Marcelo Gonçalves Pereira.

Marcelo, formado em medicina, em 1966, pela antiga Faculdade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, hoje conhecida como UniRio, era cirurgião geral, mas voltado para o aparelho digestivo. Trabalhei com ele no saudoso hospital Santo Antônio, atual Raul Sertã, no ambulatório do antigo Inamps e, posteriormente, no grupamento de perícia médica de Friburgo. Em 1995, talvez já visando algo a fazer quando se aposentasse, matriculou-se no Instituto de Filosofia da UFRJ, tornando-se bacharel a partir de 2001. Os colegas brincavam com ele dizendo que gostava de deslizar nos anéis de saturno.

Também construiu uma trajetória marcada pela dedicação à medicina e à excelência no atendimento à população de Nova Friburgo, onde atuou por várias décadas. Foi reconhecido por sua atuação ética, compromisso profissional e cuidado com seus pacientes, deixando relevante contribuição para a prática médica na região.

Era casado com a Anna Maria e formavam um casal muito unido, um exemplo de casamento bem sucedido. Ele gostava de dizer que Anna tinha sido sua primeira e única namorada. Pertencia, também, à Maçonaria, tendo sido iniciado na loja Jacques de Molay.  Faleceu no último sábado, 21, dois meses depois de sua querida Anna, talvez não resistindo às saudades.

Infelizmente, no dia seguinte, faleceu o também médico Roberto Alves da Costa, cirurgião angiológico que também atuava em nossa cidade há quase 50 anos. Trabalhei com ele no saudoso ambulatório do Inamps, anexo ao antigo hospital Santo Antônio. Era também iniciado na Maçonaria, na centenária Loja Maçônica Indústria e Caridade, situada ao final da Praça Getúlio Vargas, apesar de afastado há muitos anos. Roberto durante um período foi diretor do Hospital Raul Sertã.

Não podemos deixar de assinalar a perda do nosso eterno presidente da Sociedade Médica de Nova Friburgo, Carlos Alberto Pecci, falecido em 24 de fevereiro. Deixei para citá-lo por último, pois foi motivo de uma matéria minha, na época, pela ligação profissional e sentimental que tinha com o já saudoso Dr. Pecci. Aliás, a morte é o oposto da vida, sabemos que todos nós vamos, mais cedo ou mais tarde enfrentá-la, mas é sempre um fato triste, principalmente quando atinge pessoas que são nossas conhecidas.

Outro fato digno de nota é a idade desses colegas, todos já tendo ultrapassado a casa dos 70 anos o que deixa preocupados os demais médicos da cidade, que já chegaram ou ultrapassaram essa marca. O avanço da medicina fez com que a nossa estimativa de vida aumentasse muito, estando hoje na faixa dos 80 para as mulheres e de 75 para os homens.

No entanto, não nos tornou imortais e sabemos que nossa vez, chegará num determinado dia. Por exemplo, no sábado participei de um almoço, no Rio de Janeiro, com meus colegas da faculdade de medicina da UFF (Universidade Federal Fluminense). Prestes a completarem 52 anos de formados, agora em junho, todos já ultrapassaram os 73 anos de vida. A pergunta fatídica que fica é: Quem será o próximo?

Não pude comparecer aos velórios e enterros de Marcelo e Roberto, por não estar em Friburgo, mas faço questão de deixar minhas condolências e um abraço às famílias desses colegas, que tanto fizeram pela medicina da nossa cidade.

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Confissões de uma colunista

terça-feira, 24 de março de 2026
por Tereza Malcher

Todos têm uma confissão a fazer que pode estar em alguma caixa de segredos, guardada em nossos lugares especiais. Como ando com vontade de falar a respeito da minha experiência como colunista, resolvi abri-la. Nela, não se guarda qualquer coisa, somente preciosidades, que não se mostra de qualquer maneira. Ah, cada segredo tem um valor pessoal.

Todos têm uma confissão a fazer que pode estar em alguma caixa de segredos, guardada em nossos lugares especiais. Como ando com vontade de falar a respeito da minha experiência como colunista, resolvi abri-la. Nela, não se guarda qualquer coisa, somente preciosidades, que não se mostra de qualquer maneira. Ah, cada segredo tem um valor pessoal.

Vou começar tirando a primeira recordação de quando era adolescente.  Minha avó paterna dizia, com orgulho, ser prima do colunista Artur da Távola, que, por mais de 30 anos, escreveu para os jornais do Rio de Janeiro. Quando lia as colunas tinha a vontade de ser colunista. Como achava que jamais seria capaz, guardei comigo em segredo.

Quando redigi a dissertação de Mestrado, senti pela primeira vez o gosto de escrever um texto capaz de ser lido por professores, catalogado e arquivado na biblioteca da universidade. Porém meu “segredo” continuou guardado; a escrita que fiz naquele trabalho foi teórica, e Artur da Távola escrevia sobre os acontecimentos, situações quotidianas, fatos relacionados à arte com leveza e plena liberdade de usar as palavras.

Contudo o aprendizado que adquiri no Mestrado foi fundamental para a construção da minha identidade como colunista posto que aprendi a educar minhas ideias, pesquisar, a transpor para o papel aquilo que pensava e sentia. Entendi que as ideias precisavam de fundamentos para serem apresentadas. O mais importante foi constatar que era saudável elaborar ideias com ética para serem compartilhadas e não restarem fechadas em gavetas ou arquivos. As ideias têm vida; voam longe.

Alguns anos depois, encantada com o teatro, fiz adaptações de textos a serem encenados. Durante esse tempo, constatei que os conteúdos das peças tinham de ter valores em suas linhas e entrelinhas porque o espetáculo, ao mesmo tempo em que tem a função de entreter, deve oferecer ideias que beneficiem as pessoas e suas relações com o mundo. E, aí, meu amigo, percebi o valor da arte literária: transformar uma ideia em um texto para levar diversão e reflexão ao público. Tarefa nada fácil.

Depois, ao me tornar escritora de livros infantojuvenis, adquiri a desenvoltura na escrita. Frequentei inúmeras oficinas literárias quando escrevia sem parar e aprendia a ter humildade para receber críticas. Além do que aprofundei o hábito de pesquisar. Os textos literários necessitam de informações objetivas. Ao contar a história do Labareda, meu personagem canino do livro “Um cão cheio de ideias”, pesquisei a vida dos cães sob vários pontos de vista.

Ao escrever “Aventureiros da Serra”, a história de um menino que é acometido pelo câncer e continua a ser o líder de um grupo de amigos, pedi assessoria a uma médica oncologista e pesquisei sobre como a liderança acontece em grupos infantis.

O desejo de ser colunista permaneceu vivo e latente, jamais adormecido. Tive a oportunidade de conhecer a direção do jornal e falar a respeito desta vontade antiga. Fui aceita. Em 27 de junho de 2016 minha primeira coluna foi publicada: “Meus avós e meus abacates”. Tenho o orgulho de nunca ter faltado, nem repetido um tema. Hoje, a coluna tem o nome “Momentos Literários”

Escrever semanalmente é, ao mesmo tempo, um prazer e um desafio. Um processo que, às vezes, é mais complexo, enquanto outros são de uma facilidade que surpreende. Cada texto é produzido de modo próprio. Entretanto, inicialmente, sempre há uma exposição livre, sem preocupações com a forma, mas com o desenvolvimento de uma ideia. A seguir, vem a pesquisa, através da qual leio trabalhos de outros autores, busco nos livros e na internet informações válidas e reescrevo a coluna várias vezes. Finalmente, meu professor corrige o texto.

Hoje, tenho a certeza de que ao escrever “Momentos Literários” reflito sobre o viver, que a cada dia me surpreende e espanta.

O que me reforça a produzir um texto semanal com este entusiasmo é a oportunidade de aprofundar os valores humanos, hoje tão ameaçados e deteriorados. Tomo cuidado para não ter uma postura de autoajuda, nem ensinar o que é certo ou errado. Mas de mostrar a vida através de textos sérios, que consideram a natureza e a pessoa humana como os maiores patrimônios.

Cada um de nós tem funções na vida. Depois de cumprir tantas, atualmente me orgulho de escrever a coluna “Momentos Literários”, toda a semana para o jornal A VOZ DA SERRA.

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