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Boas e más influências

terça-feira, 19 de maio de 2026
por Tereza Malcher

É fato. Somos seres que recebem influências e influenciam. É ingênuo pensar que alguém é dono de si posto que recebemos influências e, da mesma forma, somos influenciadores. Ou seja, estamos mergulhados numa rede de influências intermináveis, verdadeiros campos magnéticos que atraem quem está ao redor. São invisíveis e vibram na mesma frequência entre as pessoas que sentem afinidade umas pelas outras, pelos mesmos ideais ou estilos de vida.

É fato. Somos seres que recebem influências e influenciam. É ingênuo pensar que alguém é dono de si posto que recebemos influências e, da mesma forma, somos influenciadores. Ou seja, estamos mergulhados numa rede de influências intermináveis, verdadeiros campos magnéticos que atraem quem está ao redor. São invisíveis e vibram na mesma frequência entre as pessoas que sentem afinidade umas pelas outras, pelos mesmos ideais ou estilos de vida.

A influência pode ser descrita como um poder, uma ação ou um discurso que causa impacto, modificando modos de agir, pensar, perceber os fatos e decidir daquele que é influenciado. É uma força que penetra, adentra no interior dos sujeitos, inclusive nas suas essências. Todo grupo para permanecer como tal precisa que seus integrantes sigam regras, como as preservadas pela família, estabelecidas pelos grupos de trabalho, condomínios, dentre tantos.

As influências desempenham papel fundamental no âmbito social dado que a sociedade sobrevive a partir das inter-relações pessoais, institucionais, profissionais e comunitárias. Através de intensos processos de comunicação, do acesso, do poder e da observação, as influências vão, de forma dinâmica, dando novos contornos à vida individual e comunitária. Como a moda, as heranças familiares e históricas. Uma obra literária também possui o poder de influenciar, como o “Diário de Anne Frank”, “Dom Quixote” ou “O Pequeno Príncipe”.

As influências são exercidas quando inspiram e motivam ou quando manipulam e controlam. São poderosas forças apenas quando permitimos que incidam sobre nós, ou seja, como somos seres de livre arbítrio podemos decidir se vamos aceitá-las ou não. Porém, nem sempre, somos capazes de percebê-las em nossas vidas, como também, podemos não ter o amadurecimento e o discernimento suficientes para decidir se vamos aceitá-las ou não. Como estamos mergulhados no centro de forças influentes, é preciso fortalecer o autoconhecimento de modo que nos sejam claros os valores que preservamos para filtrar o que nos chega, como as informações emanadas das redes sociais. A autoconfiança nos permite escolher os ambientes que vamos frequentar e as pessoas com quem compartilhamos situações. Igualmente precisamos estar cientes de que nossos modos de pensar e agir podem interferir na vida do outro.

Estou desenvolvendo esse delicado tema influenciada pela leitura do livro “Trilogia de Copenhagen: Infância, Juventude e Dependência”, de Tove Ditlevsen, uma autobiografia, cuja leitura está me sensibilizando pelas experiências que a protagonista descreve. Durante a pré-adolescência, ela fez amizade com uma menina, vinda de uma família com grandes dificuldades. Essa amiga, a quem Tove adorava, a ensinou a roubar, a valorizar a prostituição, dentre outras imposturas.

Então, comecei a refletir sobre os cuidados que as famílias precisam ter com seus filhos pré-adolescentes e adolescentes. Especialmente, nessa fase de vida, a pessoa é facilmente influenciável e se submete às pressões dos grupos. É tão comum, a criança, o jovem e até o adulto imitarem gestos, modos de falar e agir. Os hábitos são compartilhados. Muitas vezes, valorizam-se atitudes antes de avaliá-las, geralmente respaldadas por ideias precipitadas. São ideias que criam ecos na vida e acabam virando rotina, como ver o celular quando se anda pela rua ou conduzindo um automóvel. Noutro dia, presenciei uma adolescente tropeçar e cair ao atravessar a rua, fora do sinal, vendo o celular.  

Um dos meios mais eficazes de influenciar são os exemplos. O ser humano é um imitador: os filhos imitam os pais; os mais jovens imitam os mais velhos; os modismos são seguidos pela população; as pessoas do mesmo grupo cultural tendem a apreciar determinados ritmos musicais.

As influências seduzem os jovens. Geralmente de forma divertida e leve. As drogas lhes são apresentadas, as responsabilidades são estimuladas a serem abandonadas, o sexo pode se tornar prova de amor. São influências que sugam energias, promovem a negação de valores e estimulam o abandono de projetos de vida benéficos. A pior influência é fazer com que o outro deixe de acreditar em si, se sinta inseguro e incapaz para tomar decisões que façam parte do seu crescimento.

As boas influências, nem sempre sedutoras, fazem o outro perceber como pode melhorar, mostram modos de pensar, sentir e agir saudáveis. Fazem a pessoa a acreditar em si mesma e superar as dúvidas em relação ao seu potencial. As conquistas são valorizadas e os erros apontados e tratados através de críticas construtivas.

Enfim, é um tema a ser pensado com o devido cuidado em todos os momentos da vida.

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Doutrina social da Igreja, sempre atual

terça-feira, 19 de maio de 2026
por Institucional Diocese de Nova Friburgo

"Estamos convencidos de que é necessário vir em auxílio das pessoas de classes inferiores, pois estão numa situação de infortúnio e de miséria imerecida… os trabalhadores se veem entregues à mercê de senhores desumanos e à cobiça de uma concorrência desenfreada” (Papa Leão XIII. Rerum novarum, n. 2)

Parte 1

No dia 15 de maio de 1891 o papa Leão XIII publicou a encíclica Rerum novarum (RN). Ela é a "Carta Magna" da Doutrina Social da Igreja (DSI) e permanece atual em muitos de seus aspectos analíticos e em seus princípios orientadores.

"Estamos convencidos de que é necessário vir em auxílio das pessoas de classes inferiores, pois estão numa situação de infortúnio e de miséria imerecida… os trabalhadores se veem entregues à mercê de senhores desumanos e à cobiça de uma concorrência desenfreada” (Papa Leão XIII. Rerum novarum, n. 2)

Parte 1

No dia 15 de maio de 1891 o papa Leão XIII publicou a encíclica Rerum novarum (RN). Ela é a "Carta Magna" da Doutrina Social da Igreja (DSI) e permanece atual em muitos de seus aspectos analíticos e em seus princípios orientadores.

O papa que a escreveu era um intenso defensor da centralidade da pessoa humana em relação ao Estado e da primazia do trabalho sobre o capital. Assim, ele se fez também um grande defensor dos trabalhadores e de condições humanamente dignas de trabalho, que é a grande chave das questões sociais mais fortes.

A RN foi escrita justamente para refletir sobre a difícil condição dos operários do século XIX e oferecer critérios de juízo, princípios e orientações concretas para uma “solução conforme a justiça e a equidade” (RN, 1). Leão XIII já havia refletido sobre isso em outros documentos, mas não como um tema específico. Daí a marcante novidade dessa encíclica, que é o primeiro documento de um papa a tratar “mais explicitamente e com maior desenvolvimento” sobre a questão social dos trabalhadores.

O Compêndio da Doutrina Social da Igreja (CDSI) afirma que a solicitude social católica certamente não teve início com a RN, entendendo que “a Igreja jamais deixou de se interessar pela sociedade”, mas reconhece que essa encíclica marca um novo e substancial desenvolvimento do seu ensinamento sobre as questões sociais (cf. CDSI, 87).

Transformações no trabalho

O contexto era o de intensas transformações decorrentes da Revolução Industrial, que, com a sua mentalidade capitalista liberal sedenta de constantes inovações (cf. RN, 1), submeteu uma grande massa de trabalhadores a condições existenciais deploráveis: populações miseráveis, aglomerados desumanos, condições desumanas de trabalho, exploração laboral de mulheres e crianças, salários de fome, ausência de direitos e regulações trabalhistas, perseguição de muitas organizações sindicais de trabalhadores, uma política estatal a serviço de uma economia de competitividade predatória, violenta e de concorrência desleal etc.

O papa Francisco, no prefácio do Docat, assim se expressou sobre esse contexto: “Com a industrialização emergiu um capitalismo brutal: uma espécie de economia que aniquila os seres humanos. Grandes industriais sem consciência fizeram com que as pobres populações agrícolas trabalhassem duramente com salários de miséria em minas e em fábricas sem condições. Havia crianças que já não viam a luz do dia. Eram como escravos, enviadas para debaixo da terra para puxarem vagões de carvão. Muitos cristãos ajudaram com grande empenho nesta necessidade, mas depressa perceberam que isso não era suficiente. Então desenvolveram ideias a fim de agirem social e politicamente contra a injustiça.”

O documento que é considerado fundador da Doutrina Social Católica continua a ser a encíclica do papa Leão XIII, Rerum novarum. (Francisco. Docat, p. 12). Como se pode ver, era uma realidade com graves distorções sociais que geravam um constante clima conflitivo e abria espaço para o aparecimento soluções que, aos olhos de Leão XIII, aumentariam ainda mais os conflitos e tenderiam “para a subversão completa do edifício social”, como seria o caso da solução socialista (RN, 3).

Diante de tudo isso, o papa entende que a Igreja também tem uma doutrina social a oferecer, sendo direito e dever dela intervir em questões sociais: “É com toda a confiança que nós abordamos este assunto, e em toda a plenitude do nosso direito; […] calarmo-nos seria, aos olhos de todos, trair o nosso dever” (RN, 10).

Reflexão, critérios e diretrizes

A RN abre, assim, a importante porta da DSI, que é parte fundamental de toda a Teologia Moral católica, Magistério autêntico, que exige a aceitação e a adesão dos fiéis (cf. Catecismo da Igreja Católica) e indispensável instrumento de evangelização de discernimento moral e pastoral dos complexos eventos de nosso tempo (cf. Centesimus annus = CA, 54; CDSI, 10).

Com isso, a Igreja oferece princípios de reflexão, critérios de juízo e diretrizes de ação não só para os católicos, mas para todas as pessoas de boa vontade que se colocam em luta contra as injustiças que submetem incontáveis seres humanos a situações absurdamente indignas (cf. CDSI, 7-12).

A estrutura da RN pode ser dividida em basicamente três partes:

1) A constatação de uma estrutura miserável que tem no industrialismo e no capitalismo liberal sua base e expressão.

2) A negação do socialismo com solução para essa estrutura.

3) Uma série de análises baseadas na Revelação e no direito natural, onde se fundam as raízes e princípios da doutrina social católica.

Continua na próxima semana

Texto-base: https://diocesedacampanha.org.br/130-anos-da-rerum-novarum-uma-enciclica-sempre-atual-um-tesouro-a-redescobrir/

Fonte: Institucional Diocese de Nova Friburgo

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O verde que nos molda e o futuro que nos cobra: Nova Friburgo aos 208 anos!

terça-feira, 19 de maio de 2026
por Alex Santos

Opa! Tudo verde? Bora para mais uma prosa sustentável e, desta vez, em clima de “festa”.

Opa! Tudo verde? Bora para mais uma prosa sustentável e, desta vez, em clima de “festa”.

Caminhar pelas ruas de Nova Friburgo nas primeiras horas da manhã é um exercício de conexão que transcende o visível. Há uma poesia silenciosa na forma como a bruma abraça o Pico da Caledônia, ou no som discreto dos nossos rios que cortam a história urbana, lembrando-nos, a cada segundo, de onde viemos. Neste mês, quando nossa cidade celebra 208 anos, o meu olhar de escritor e de eterno apaixonado por este chão não consegue se fixar apenas nas luzes da “festa”. Ele se volta para as nossas raízes, para o nosso relevo e, principalmente, para o horizonte que estamos desenhando para as próximas gerações.

Fui agraciado com o título de cidadão friburguense em 2017, e não tenho medo de pecar pelo excesso de afeto ao afirmar: Nova Friburgo é, sem sombra de dúvidas, uma das cidades mais bonitas do Brasil. Fomos abençoados por uma geografia generosa, cercados por montanhas imponentes que guardam o que resta de mais precioso da nossa Mata Atlântica. Nossas cachoeiras, nossas florestas e o nosso clima outonal privilegiado formam um mosaico de riqueza natural hipnotizante. Temos em nosso DNA territorial um potencial para o ecoturismo e para o turismo consciente que supera, com folga, o de dezenas de municípios brasileiros que hoje têm nessa atividade sua principal matriz econômica.

No entanto, a beleza que nos deslumbra também precisa nos despertar. Como cronista do cotidiano friburguense e estudioso das causas ambientais, sinto o dever ético de apontar a nossa maior contradição: estimo, com dor, que Nova Friburgo ainda aproveita menos de 30% desse potencial de ecoturismo avassalador. Estamos sentados sobre uma mina de ouro verde, mas insistimos em fechar os olhos para este cenário.

Faltam-nos investimentos públicos consistentes e de longo prazo em turismo sustentável. Falta-nos uma infraestrutura ecológica que permita ao visitante e ao morador desfrutar das nossas trilhas e parques com segurança, sinalização e manejo adequado. Acima de tudo, falta-nos colocar a educação ambiental no centro da mesa de discussões, transformando o respeito à natureza em um valor cultural indissociável do ser friburguense. O turismo do futuro não é o de massa, predatório e efêmero; é o de experiência, aquele que preserva enquanto encanta, que gera renda mantendo a floresta em pé. E, nesse quesito, ainda engatinhamos de forma tímida.

Essa subutilização do nosso potencial caminha de mãos dadas com dores urbanas que já não podemos mais varrer para debaixo do tapete. Celebrar 208 anos exige maturidade para encarar os nossos gargalos. Nova Friburgo ainda padece com uma gestão inadequada de resíduos sólidos. O descarte incorreto de lixo nas encostas e nas margens dos rios é uma ferida aberta que sangra a cada temporada de chuvas. Carecemos de políticas públicas ambientais que sejam eficientes, contínuas e imunes às trocas de governos. A ausência de ações estruturadas de sustentabilidade urbana drena a nossa qualidade de vida e sufoca o brilho da nossa joia serrana.

Paralelamente ao poder público, há outra engrenagem que precisa de uma profunda autocrítica: o nosso setor corporativo. Ainda assistimos a um cenário onde muitas empresas centralizam excessivamente seus lucros, operando sob uma lógica obsoleta de extrair o máximo do município e devolver o mínimo. Investir em ações sociais, adotar práticas de governança socioambiental (ESG) e patrocinar projetos comunitários não são atos de caridade; são investimentos na sobrevivência do próprio mercado consumidor e na saúde do território que as abriga.

Nova Friburgo só resiste e pulsa porque se tornou um solo fértil para movimentos independentes, projetos sociais apaixonados, educadores ambientais incansáveis e coletivos de cidadãos que se recusam a aceitar a inércia. São empreendedores conscientes que trocam o plástico pela compostagem, marcas que desenham campanhas solidárias para apoiar instituições históricas da nossa cidade, e pessoas anônimas que, nos finais de semana, sobem as montanhas para plantar árvores e recolher o lixo que outros deixaram.

Olhar para trás, para estes 208 anos de história, nos dá a dimensão do quanto fomos fortes para superar tragédias e nos reconstruir. Mas olhar para a frente nos impõe uma responsabilidade coletiva inadiável. Neste aniversário, o meu desejo e o meu chamado a você é para que façamos um pacto de amor ativo por esta cidade. Que cobremos os governantes, que exijamos das marcas uma postura ética e, fundamentalmente, que mudemos nossa postura no dia a dia. Nova Friburgo merece mais do que parabéns e discursos inflamados na praça e nas redes sociais. Viva a nossa terra, viva o nosso povo, e que o nosso futuro seja tão grandioso e verde quanto as montanhas que nos cercam.

Saudações sustentáveis! Tudo verde sempre

Foto da galeria
(Imagem criada por IA por Alex Santos)
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A VOZ DA SERRA é muito amor por Nova Friburgo

terça-feira, 19 de maio de 2026
por Jornal A Voz da Serra

            A charge de Silvério, publicada na capa da edição especial do último fim de semana é pura festa! O Cão Sentado nos convidou a comemorar os 208 anos de Nova Friburgo – A Suíça Brasileira, que abriu caminhos para outros povos imigrantes! E o Caderno Z também nos convidou para que possamos “perceber Nova Friburgo não apenas como paisagem, mas como construção humana, afetiva e cultural”.

            A charge de Silvério, publicada na capa da edição especial do último fim de semana é pura festa! O Cão Sentado nos convidou a comemorar os 208 anos de Nova Friburgo – A Suíça Brasileira, que abriu caminhos para outros povos imigrantes! E o Caderno Z também nos convidou para que possamos “perceber Nova Friburgo não apenas como paisagem, mas como construção humana, afetiva e cultural”.

Isso até me lembrou um estudo, na faculdade, sobre “ecologia humana” que me rendeu até um poema: “No arquivo de costumes, tradições, uma cidade, além das construções, constrói a história dos seus habitantes!”. Ao mesmo tempo em que nascemos aqui, nascem em nós também raízes da árvore que dá os nossos frutos e sombras em prol do nosso lugar. É uma troca. Amando a cidade, ela se desenvolve e nos devolve em bem-estar e evolução.

            A Trupe Família Clou é um exemplo dessa relação de troca. Há 23 anos, Dalmo Latine e Talita Melone transformaram o circo em projeto de vida. Os filhos do casal, Ian e Isabela, nasceram no ambiente circense, “entre praças públicas, escolas, teatros e festivais”.  Um projeto que se expandiu para o Punk Circus e o Circlou, tudo pelo riso.

Assim, na mesma via, Celso DaKombi acabou unindo o útil ao agradável, pois, de tanto dar apoio logístico ao trabalho de sua esposa, Belinha, também artista, Celso fez de sua Kombi o veículo por onde o rock circula de Jimi Hendrik, Elvis Presley e tantos outros. Desde seus 8 anos de idade, Celso já sabia que seria um artista.

            Descendente de suíços, da família Tinguely, sou fã de nossa cidade e tudo o que a ela diz respeito, me diz respeito também. No dizer de Guilherme Rezende Jr. “Tudo ficou mais rápido, mais caótico, menos amigável. Mas o sentimento de pertencimento ainda permanece igual”.

A mudança é inevitável e como ressaltou Victor Schote, “caberá a cada friburguense e à sociedade como um todo decidirem qual a identidade de Nova Friburgo”. Celebramos uma história de 208 anos que começou de forma até inadvertidamente. Como recorda Luiz Fernando Folly, uma história “marcada por muitos momentos desafiadores que foram enfrentados com resiliência... por dificuldades severas, com falta de moradias, doenças, e mortes nos primeiros meses...”.  Realmente, o passado deixou um legado de enfrentamentos e hoje essa reverência é uma forma de respeito.

            Em “Curiosidades da história de Nova Friburgo, Isabella Rodrigues fez um maravilhoso apanhado. Somos a única cidade brasileira criada por um decreto de Dom João VI, com a vida da imigração suíça. Mais adiante, vieram os alemães, italianos, espanhóis, japoneses, sírios, libaneses, austríacos, húngaros que se juntaram aos portugueses, africanos, já habitantes. Muito anteriormente, os índios povoaram a região e toda essa variação habitacional criou alicerces para chegarmos aos dias atuais.

            Com características de cidade grande, com engarrafamentos, correrias de transeuntes pelas calçadas, apesar de tudo, dos inúmeros problemas pontuais que se arrastam, somos uma cidade romântica, bucólica e com um forte viés turístico. Temos a fama de o melhor carnaval do interior do Estado do Rio de Janeiro. Somos destaque na produção de moda íntima, o que já nos deu o título de “Capital da Moda Íntima”. A produção agrícola é outra fonte de desenvolvimento. Somos o maior produtor de couve-flor do nosso estado. Produzimos flores de corte em profusão.

            Nossa cultura é vasta. Temos bandas centenárias, colégios que são referência na educação, como o Colégio Anchieta, 140 anos. Estamos no centro, no ponto geodésico do Estado do Rio. Somos a “Cidade da Trova”, referência nacional, com 67 anos de Jogos Florais. O Sanatório Naval, que beleza! Somos muito e muito mais. E agora, a restauração do Lazareto. Que restauro de coragem e ousadia! Que presente para a comunidade!

            São tantas as exclamações pulsando com a emoção de saber que, se outrora fora destinado ao isolamento, agora, ao contrário, ressurgiu para a aproximação, para unir cultura e cidadania, provendo o seu entorno com a beleza de um casarão ativo na missão de transformar vidas!

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O Plano Municipal da Mata Atlântica

sábado, 16 de maio de 2026
por Bernardo Furrer

Parte 2

Parte 2

A Lei da Mata Atlântica de 2006, portanto com 20 anos, representa um dos mais importantes instrumentos de proteção ambiental do Brasil. Criada para regulamentar o uso e a conservação de um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta, ela estabelece princípios e regras que procuram harmonizar desenvolvimento econômico, proteção da biodiversidade e da qualidade de vida da população.  (https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11428.htm)  

Neste artigo, da série que trata do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica, temos uma síntese dos artigos da lei, de forma bem resumida, trazendo aos leitores sua compreensão e significado.

Objetivos

A lei define que a proteção e a utilização da Mata Atlântica devem ter como objetivo o desenvolvimento sustentável, assegurando a preservação da biodiversidade, dos recursos hídricos, da paisagem, da estabilidade social e da saúde humana. Não se trata apenas de proteger árvores ou fragmentos florestais isolados, mas de preservar um patrimônio natural fundamental para milhões de brasileiros, responsável pela manutenção de rios, nascentes, clima, solos e da enorme diversidade de fauna e flora existente no país.

Princípios

A legislação também incorpora princípios modernos e fundamentais para a gestão ambiental, como a função socioambiental da propriedade, a transparência dos atos públicos, a gestão democrática e o respeito ao direito de propriedade. Ao mesmo tempo, reconhece a importância dos pequenos produtores rurais e das populações tradicionais, garantindo gratuidade de serviços administrativos e tratamento diferenciado em determinadas situações.

A lei estimula ainda a pesquisa científica, o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis e a formação de consciência pública voltada à recuperação e conservação dos ecossistemas.

Critérios para a supressão de árvores

Um dos pontos centrais da Lei da Mata Atlântica é o estabelecimento de critérios rigorosos para o corte, a supressão e a exploração da vegetação nativa. A legislação diferencia vegetação primária da vegetação secundária em regeneração, considerando inclusive o estágio dessa regeneração.

Em áreas de vegetação primária ou em estágio avançado e médio de recuperação, a supressão fica proibida quando houver risco para espécies ameaçadas de extinção, proteção de mananciais, controle de erosão, formação de corredores ecológicos, proteção do entorno de unidades de conservação ou presença de excepcional valor paisagístico.

A lei permite a supressão da vegetação apenas em situações excepcionais, especialmente nos casos de utilidade pública, interesse social, pesquisa científica e práticas preservacionistas. Mesmo nessas hipóteses, a autorização depende de rigoroso controle ambiental e da realização de compensação ambiental.

A vegetação primária somente pode ser suprimida em caráter excepcional, enquanto a vegetação secundária em estágio médio ou avançado possui restrições específicas e regras próprias para autorização.

Ocupação urbana

Outro aspecto importante está relacionado à ocupação urbana. A legislação proíbe a supressão de vegetação primária em loteamentos e edificações nas regiões metropolitanas e áreas urbanas.

Para vegetação secundária em estágio avançado ou médio de regeneração, a lei estabelece percentuais mínimos obrigatórios de preservação da cobertura florestal nos empreendimentos urbanos, fortalecendo o planejamento territorial e a manutenção de áreas verdes nas cidades.

A Lei da Mata Atlântica também reconhece que conservar florestas é um interesse público e uma função social da propriedade. Por isso, prevê incentivos econômicos para estimular a proteção e o uso sustentável do bioma, permitindo inclusive que áreas preservadas possam ser utilizadas para compensação ambiental e outros instrumentos previstos na legislação ambiental brasileira.

A conservação, em imóvel rural ou urbano, da vegetação primária ou da vegetação secundária em qualquer estágio de regeneração do Bioma Mata Atlântica cumpre função social e é de interesse público, podendo, a critério do proprietário, as áreas sujeitas à restrição de que trata a lei, ser computadas para efeito da Reserva Legal e seu excedente utilizado para fins de compensação ambiental ou instituição de Cota de Reserva Ambiental – CRA.

Mecanismos de apoio

Entre os mecanismos criados pela legislação está o Fundo de Restauração do Bioma Mata Atlântica, destinado ao financiamento de projetos de restauração ambiental e pesquisa científica.

A lei ainda determina que municípios que possuam Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica, devidamente aprovado pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente, como será o caso de Nova Friburgo, tenham prioridade no acesso a esses recursos. Essa diretriz fortalece a participação dos municípios na proteção ambiental e incentiva políticas locais de conservação.

Mais do que uma simples norma ambiental, a Lei da Mata Atlântica representa um compromisso com a preservação de um bioma essencial para o equilíbrio ecológico, a segurança hídrica e a qualidade de vida das atuais e futuras gerações.

Gostou do artigo? Alguma sugestão ou comentário sobre esse ou outro tema? Mande um e-mail para [email protected]

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Rio Bonito (Foto: Bernardo Furrer)
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Parabéns Nova Friburgo: 158 anos!

sábado, 16 de maio de 2026
por Laís Lima (*)

Edição de 15 e 16 de maio de 1976

 

Não existe terra cansada, onde existe um homem que acredite nela 

 

Pesquisado por Laís Lima (*)

 

Edição de 15 e 16 de maio de 1976
 
Não existe terra cansada, onde existe um homem que acredite nela 
 
Pesquisado por Laís Lima (*)
 
O desfile do aniversário da cidade começa às 14h deste 16 de maio – O desfile oficial comemorativo dos 158 anos de aniversário de Nova Friburgo está marcado para às 14h, na Avenida Alberto Braune. Vão desfilar crianças das escolas municipais e estaduais, além de outras entidades representativas do município, além de oficiais da corporação da PM sediada em Nova Friburgo. A avenida estará interditada a partir de 13h, tendo o tráfego removido para o eixo rodoviário. Coletivos urbanos terão seus pontos terminais transferidos para a Praça do Suspiro, no período do desfile.
 
Presente de aniversário: futebol pela TV - O sr. Otávio Pinto Guimarães liberou para Friburgo a transmissão do jogo entre Flamengo e Fluminense em circuito fechado e TV ao vivo. Os contatos foram mantidos entre A VOZ DA SERRA, o sr. Lair Macedo e Trajano de Almeida, contando com o apoio da Câmara Municipal e da Prefeitura. AVS alegou que o jogo poderia ser liberado pela TV, direto, como presente de aniversário aos friburguenses.
 
E os aposentados, como é que ficam? - Está é a pergunta que fazem os aposentados da prefeitura municipal que não observaram aumento correspondente aos demais quadros do funcionalismo público municipal. Os aposentados obtiveram apenas aumento de 30%, o que consideram um verdadeiro absurdo.
 
O posto de gasolina na Rua Fernando Bizzotto vai ser construído mesmo – Já começaram as obras de demolição do prédio situado no final da Rua Fernando Bizzoto, na esquina com o eixo rodoviário. A Shell vai construir no local um posto de gasolina, debaixo de muitos protestos, já que o local é zona residencial.
 
Faculdade de Filosofia faz 20 anos – A Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia está completando 20 anos de fundação. A VOZ DA SERRA ouviu o depoimento da madre Sania Cosmelli, a maior incentivadora desta unidade de ensino. De luta saiu o embrião que faz a Faculdade de Filosofia ser uma das unidades de ensino mais respeitáveis de todo o Estado do Rio de Janeiro.
 
Projeto Piloto de Friburgo entra em sua fase prática – O remanejamento de trânsito, com a colaboração de novas placas de sinalização projetadas pelo Grupo de Trabalho da Secretaria de Transportes, será a primeira experiência prática do Plano Piloto de Trânsito e de Transportes em Nova Friburgo. Na parte de sinalização horizontal, será experimentada a sinalização rodoviária adaptada ao eixo urbano. A operação contará com a participação de técnicos do Detran.
 
Agricultores fluminenses terão garantia de melhor carreto de seus produtos – Os produtos agrícolas cultivados em Nova Friburgo, Teresópolis, Sumidouro, Duas Barras, Bom Jardim, Itaperuna, Miracema e Cambuci, que utilizam os mercados expedidores de São José e Barracão dos Mendes, serão diretamente beneficiados com estradas vicinais (estradas de terra que ligam zonas de produção). Isso porque a Companhia de Desenvolvimento Rodoviário e Terminais (Coderte) mandará construir as novas estradas, dentro de pouco tempo, gastando exatamente Cr$ 14.924.000.
 
Novidade: Polimento para carros – Nova Friburgo já tem uma empresa especializada em polimento para carros. Está situada na rua Padre Roberto Sabóia de Medeiros, 37. A nova empresa funciona também aos domingos e feriados e é a única especializada em Friburgo.
 
Vilage: tudo em paz – Fonte da Vilage no Samba falando esta semana para a reportagem de AVS afirmou que tudo corre bem na agremiação carnavalesca e desmente boato que queria intranquilizar a escola de samba. A mesma fonte informou que qualquer notícia vinculando a Vilage é mero boato sem nenhum fundamento. AVS sabe que a escola possui grandes figuras humanas que têm dado tudo pela entidade, desenvolvendo todos os esforços para seu engrandecimento.
 
Friex – Sucesso na sua inauguração – Já está instalada na Praça do Suspiro a Friex/76, que mostra toda a vida cultural, artística, governamental, industrial e comercial de Nova Friburgo. A ação pode ser conferida na antiga feira da Praça do Suspiro.
 
E mais: 
  • Um passeio às torres de TV 
  • Carros de propaganda acabam. Vitória da Lei Geraldo Pinheiro 
  • Décio conta a história dos colonos: eram suíços e buscavam nova vida 
  • No Bom Pastor, interferência atrapalha TV 
  • Friburgo no sol de maio: a esperança nos 158 anos
  • Detran ganhou terreno da prefeitura 
(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

 

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Bikes na pista

sábado, 16 de maio de 2026
por Vinicius Gastin

Edição 2026 do GP das Montanhas é neste domingo

Edição 2026 do GP das Montanhas é neste domingo

Em meio às comemorações pelos 208 anos de Nova Friburgo, os apaixonados pelas bikes terão um momento de celebração. A edição de 2026 do já tradicional GP das Montanhas, sempre presente no calendário esportivo municipal, será realizada neste domingo, 17, com largada às 9h30 na altura do quilômetro 38 da rodovia RJ-116, no Parque da Cidade (próximo ao pórtico de Cachoeiras de Macacu). A chegada acontecerá no alto da serra, no bairro Theodoro de Oliveira, em Nova Friburgo, na altura do quilômetro 65, próximo à patrulha rodoviária.

Toda a prova é disputada em trechos da rodovia, com duração máxima de três horas, sendo um evento oficial de ranking estadual classe 1. Motoristas que irão trafegar pelo trecho no domingo devem ter atenção às orientações e sinalizações específicas dos controladores de tráfego da concessionária Rota 116 que disponibilizará também uma ambulância que acompanhará os participantes durante todo o percurso para pronto atendimento em caso de necessidade.

Categorias

O GP das Montanhas envolve diversas categorias. No masculino, para os Federados, há as opções Elite; Infanto-juvenil; Juvenil; Junior; Sub-23; Sub-30; Master A1/A2; Master B1/B2; Master C1/C2; Master D1/D2; Master E; Paraciclismo PNE (sem limite de idade).

Para as mulheres Federadas, é possível competir na Elite; Infanto-juvenil; Juvenil; Junior; Sub-23; Sub-30; Master A/B/C/D/E. Há ainda as opções Open (Não federados, Estrada Masculino (Sub 45 / 45+) ,Estrada Feminino (Sub 45 / 45+), MTB Feminino (categoria única 18+) e MTB Masculino Sub 45 / 45+. Não federados competem obrigatoriamente na categoria Open.

Os competidores devem realizar o percurso completo da prova, passando por todos os pontos de controle (PCs). Caso não percorra o trecho completo ou deixe de passar por algum PC, será desclassificado. Todo o trajeto da competição é balizado com batedores, carros oficiais da organização e cones demarcando uma pista "exclusiva". É permitido aos ciclistas utilizar apenas uma bicicleta para percorrer o trajeto, independente do tipo ou modelo.

A classificação será obtida pela ordem de chegada dos competidores em suas respectivas categorias. Os resultados finais serão divulgados às 12h30. Todos os atletas que completarem a prova irão ganhar uma medalha de finisher GP das Montanhas, enquanto os cinco primeiros colocados de cada uma das categorias são premiados com troféus.

Tradição local  

Provas como esta, o Montanha Cup e o Route MTB, por exemplo, ajudam a reforçar a paixão dos friburguenses por bicicletas. É comum, em especial aos finais de semana, grupos se reunirem para explorar trilhas e percursos, seja desafiando a própria capacidade física ou apenas aproveitarem o cenário para o lazer e a prática de uma atividade.

A relação de Nova Friburgo é antiga, e teve como uma dos primeiros momentos marcantes a criação do Bicyclette Club Friburguense, por Eduardo Salusse, em 9 de abril de 1899. Inventada em 1839, a bicicleta chegou à cidade no fim do século 19.

Mesmo sendo considerada um luxo na época, ela era o principal meio de transporte dos friburguenses na década de 1950 - tanto que o tráfego de bicicletas era autorizado em uma das alamedas da Praça Getúlio Vargas. Quando circulavam pela cidade, os ciclistas eram obrigados a usar marcha moderada e lanterna acesa à noite.

As corridas de bicicleta eram o ponto alto do verão friburguense e transformavam a Praça 15 de Novembro (atual Getúlio Vargas) no velódromo de Nova Friburgo.

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    Já tradicional no calendário esportivo municipal, GP das Montanhas terá nova edição neste domingo (Foto: Divulgação / GP das Montanhas)

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    Evento tem início em Cachoeiras de Macacu e termina em Nova Friburgo, em percurso asfaltado (Foto: Divulgação / GP das Montanhas)

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    Neste fim de semana, rodada do Estadual de Futmesa em Friburgo - Neste sábado, 16, e domingo, 17, Nova Friburgo será palco da 4ª etapa do Campeonato Estadual Individual de Futebol de Mesa – Bola 12 Toques, realizada no Ginásio Helena Deccache, do Friburguense. O evento conta com a presença de grandes atletas do estado, e terá representantes de clubes como Fluminense, Vasco, Flamengo, América, Petrópolis e do próprio Tricolor da Serra. Neste sábado acontecem as disputas na categoria Master (acima de 48 anos), e no domingo, os jogos pela categoria Adulto, ambos com início às 9h. A entrada é gratuita. (Foto: Divulgação)

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A conta chega

sexta-feira, 15 de maio de 2026
por Paula Farsoun

Tem gente que não sabe mais responder “tudo bem?” sem mencionar que está cansada. Porque transborda. A exaustão está ali e precisa transcender, como um pedido de ajuda, talvez. E isso diz muito sobre o tempo em que estamos vivendo.

Tem gente que não sabe mais responder “tudo bem?” sem mencionar que está cansada. Porque transborda. A exaustão está ali e precisa transcender, como um pedido de ajuda, talvez. E isso diz muito sobre o tempo em que estamos vivendo.

O cansaço deixou de ser consequência de uma rotina pesada e passou a funcionar quase como um certificado social. Quem vive correndo parece mais importante. Quem está sempre ocupado transmite a sensação de sucesso. Descansar, por outro lado, começou a parecer sinônimo de preguiça, falta de ambição ou desperdício de tempo. Criamos uma geração que sente culpa por parar.

As pessoas almoçam olhando o celular, respondem mensagens no trânsito, levam trabalho para a cama e transformaram a própria exaustão em assunto cotidiano. E o mais curioso é que a gente já não estranha mais isso. Virou normal dizer que dormiu três horas. Virou admirável trabalhar até tarde. Virou bonito viver sem tempo.

Existe hoje uma necessidade constante de provar produtividade. Como se estar disponível o tempo inteiro fosse demonstração de competência. Como se o corpo não cobrasse a conta depois. E cobra. Só que, antes de cobrar no físico, cobra no silêncio.

A pessoa continua funcionando, mas perde a leveza. Perde a paciência. Perde a vontade de estar presente nas próprias relações. Vai ficando irritada, distante, acelerada. O descanso já não resolve, porque o problema não é apenas sono. É excesso de pressão acumulada em alguém que nunca se permitiu desacelerar.

O mais preocupante é que nós começamos a admirar pessoas destruídas pelo excesso de trabalho. Nós passamos a ser essas pessoas e a validar nossos méritos pelo tanto de cansaço que sentimos, como se fosse um selo de produtividade. Como se nosso valor estivesse aí. Só aí. Isoladamente aí. Como se viver no limite fosse prova de determinação. Como se sacrificar a saúde mental fosse parte obrigatória do caminho para vencer na vida. Não é.

Existe algo profundamente errado em uma sociedade que incentiva performance, mas ignora completamente o adoecimento emocional que existe por trás dela. As pessoas estão sobrevivendo em ritmo de urgência permanente. E talvez o maior problema seja justamente esse: ninguém mais consegue descansar de verdade. Quando o corpo para, a mente continua acelerada. Há sempre alguma pendência, alguma cobrança, alguma sensação de que deveria estar fazendo mais. Mais. Sempre mais....

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Corrida celebra 49 anos do Corpo de Bombeiros em Friburgo

sexta-feira, 15 de maio de 2026
por Vinicius Gastin

Desafio Forte Apache será neste domingo, nas ruas da cidade 

O 6º Grupamento do Corpo de Bombeiros Militar em Nova Friburgo (6º GBM), um dos maiores símbolos de civismo e segurança do município, vai comemorar seus 49 anos de atuação com uma atividade esportiva especial: o Desafio Forte Apache. A corrida será neste domingo,17, com largada às 8h, no quartel da corporação militar, localizada na Praça da Bandeira, bairro Vila Nova. Desta vez, a corrida terá três modalidades:

Desafio Forte Apache será neste domingo, nas ruas da cidade 

O 6º Grupamento do Corpo de Bombeiros Militar em Nova Friburgo (6º GBM), um dos maiores símbolos de civismo e segurança do município, vai comemorar seus 49 anos de atuação com uma atividade esportiva especial: o Desafio Forte Apache. A corrida será neste domingo,17, com largada às 8h, no quartel da corporação militar, localizada na Praça da Bandeira, bairro Vila Nova. Desta vez, a corrida terá três modalidades:

Caminhada – 4 km
Corrida – 4 km
Corrida – 8 km

    Os percursos da prova são do quartel em direção ao centro da cidade e retornando ao ponto inicial:

  • 4 km: 6º GBM- Igreja Luterana – 6º GBM

  • 8 km: 6 GBM – Nova Friburgo Country Clube – 6º GBM

Em 2025, ocorreu a primeira edição do evento, que contou com militares, autoridades locais e a população. Na época, o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro destacou que o Desafio Forte Apache consolidou-se como um marco para o quartel ao unir esporte, tradição e valores.

 

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Sugestões

Ministério do Esporte abre consulta para construir o legado da Copa Feminina

O Ministério do Esporte convida toda a população brasileira a participar da construção do legado da Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027. A consulta pública será realizada por meio da plataforma Brasil Participativo, com o objetivo de ouvir a sociedade sobre quais transformações o país deve priorizar a partir da realização do maior evento do futebol feminino mundial.

“Queremos que a Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027 seja um marco não apenas dentro de campo, mas principalmente na vida das pessoas. Ao abrir essa consulta pública, estamos convidando a sociedade a construir, junto com o Governo Federal, um legado que amplie oportunidades, fortaleça o futebol feminino e promova mais igualdade em todo o país”, afirma o ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro.

Pela primeira vez sediada na América do Sul, a Copa do Mundo de Futebol Feminino será realizada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho do ano que vem. Mais do que promover uma competição histórica dentro de campo, o Governo Federal quer garantir que o torneio deixe impactos positivos e duradouros para toda a sociedade.

O conceito de legado envolve justamente essas transformações que permanecem após o evento: avanços sociais, esportivos e econômicos que vão além dos jogos e contribuem para o desenvolvimento do país.

Entre os possíveis legados estão o aumento do investimento e da visibilidade no futebol feminino, a criação e o fortalecimento de políticas públicas voltadas às mulheres, a ampliação da participação de meninas e mulheres no esporte, além da formação de treinadoras e gestoras. Também estão em pauta o fortalecimento do futebol como um ambiente seguro, o combate à violência e ao assédio, e o desenvolvimento econômico e turístico das cidades-sede.

Brasil Participativo

A consulta pública é uma oportunidade para que cidadãs e cidadãos contribuam diretamente com ideias e propostas. Os interessados podem acessar a plataforma Brasil Participativo e responder à pergunta: “Qual legado você quer para a Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027?”. As propostas recebidas vão orientar a construção do Plano Nacional do Legado Social e Esportivo da Copa do Mundo 2027.

Além da participação individual, também será possível organizar encontros para discussão, presenciais ou online. A proposta é reunir, no mínimo, cinco mulheres interessadas em debater e indicar prioridades relacionadas à valorização do futebol feminino e à ampliação das condições de participação em todas as esferas da modalidade.

“A participação social é fundamental para garantir que o legado da Copa represente, de fato, as necessidades e os sonhos das mulheres brasileiras. Queremos ouvir diferentes vozes, experiências e propostas para construir políticas públicas mais eficazes e duradouras para o futebol feminino”, completa a secretária extraordinária para a Copa do Mundo Feminina 2027, Juliana Agatte.

A participação é feita pela plataforma do Brasil Participativo, em www.brasilparticipativo.presidencia.gov.br/processes/copa-feminina-2027 ./

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    (Foto: Magnific)

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    Participação está aberta para toda a sociedade opinar e sugerir passos do pós Copa (Foto: Divulgação / Ministério do Esporte)

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Em qual Nova Friburgo você vive?

quinta-feira, 14 de maio de 2026
por Lucas Barros

Havia ruas, todas muito semelhantes umas às outras. Havia também ruelas ainda mais semelhantes umas às outras, onde moravam pessoas também semelhantes umas às outras, que saíam e entravam nos mesmos horários, pelas mesmas calçadas, para fazer o mesmo trabalho sacal.

E para quem cada dia era o mesmo de ontem e de amanhã, e cada ano o equivalente do próximo e do anterior. Afinal, nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa e tudo sempre passará – de um modo para uns e de outro modo para outros. Cada um, com a sua luta e sua jornada.

Havia ruas, todas muito semelhantes umas às outras. Havia também ruelas ainda mais semelhantes umas às outras, onde moravam pessoas também semelhantes umas às outras, que saíam e entravam nos mesmos horários, pelas mesmas calçadas, para fazer o mesmo trabalho sacal.

E para quem cada dia era o mesmo de ontem e de amanhã, e cada ano o equivalente do próximo e do anterior. Afinal, nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa e tudo sempre passará – de um modo para uns e de outro modo para outros. Cada um, com a sua luta e sua jornada.

No entanto, Nova Friburgo é uma cidade, mas não a mesma para todos que moram nela. A depender do seu CEP, renda mensal e cor de pele, a cidade revela-se de modos diferentes, numa escala que varia entre ir ou não tranquilamente para o trabalho, acessar ou ter negado seu direito à saúde e manter-se ou não seguro em casa durante uma chuva forte.

Nova Friburgo de uns e de outros

Podemos falar do foco no Turismo. Uma cidade turística que revolucionou os seus índices de visitantes nos últimos anos com as inovações propostas. Festas? E quem não gosta de festas? Festejar significa estar junto de quem gostamos com o único e sincero propósito de ser feliz.

Seria uma hipocrisia negar que a nossa cidade fica ainda mais linda em épocas de festas! Eu como ex-morador da Avenida Alberto Braune e apaixonado por Friburgo, me encantava todos os dias com o que via pela janela. Grandes e pequenos shows. Natal Luz, Carnaval e tudo mais que tivemos em nossa cidade.

Abriram-se muitas oportunidades. Muitas pessoas tiveram oportunidades para mudar de vida nesses tempos de festa. Desde os hotéis que puderam dar um respiro desde a tragédia de 2011 até as pessoas envolvidas nas festividades como os barraqueiros, artistas, produtores artísticos e donos de infraestrutura de eventos.

No entanto, aprendi que não posso me contentar com uma paixão cega e desarrazoada. É preciso também olhar para as outras Nova Friburgo existentes e suas inúmeras dificuldades. Em se tratando de saúde, vemos uma cidade cujas soluções estão distantes de podermos comemorar.

Em uma cidade com pessoas com plano de saúde – que reclamam do serviço – as pessoas que dependem do SUS, já não tem mais para quem reclamar. Um pouco mais tarde, em um passado recente, mais más notícias. O teto da recepção do hospital caiu em meio às chuvas de final de ano. Mais um baque. Meses depois, foram detectados riscos biológicos, como: fezes de rato, pombos, risco de incêndio e de colapso na infraestrutura devido às infiltrações no principal hospital de nossa região.

Há também a Nova Friburgo para quem se locomova a pé, no conforto de morar perto do trabalho ou dos afazeres da vida em bairros próximos ao Centro. Doce é a vida de quem caminha olhando para as vitrines do comércio. Em vários bairros, pessoas se arriscam no meio das ruas escuras, face a falta de calçadas e de iluminação pública.

Há ainda uma outra cidade para quem dirija. Anda, para. Anda, para. Anda para. Uma velha conhecida friburguense: a falta de gestão de trânsito de uma cidade, que apesar de arrecadar muito com multas, pouco investe no trânsito e na locomoção de quem precisa de carro.

Todavia não podemos esquecer que há ainda um município especial para pessoas que necessitam diariamente do transporte coletivo. Pagam caro pelas passagens. Não contam com pontualidade ou muito menos com o mínimo de infraestrutura nos pontos de ônibus que muitas vezes não tem banco, nem teto e nem placa indicativa.

Há também uma Nova Friburgo para os que possuem filhos que estudam na rede privada de educação, que apesar dos altíssimos preços na mensalidade, podem ter a certeza de contar com um ensino de qualidade. Entretanto, há outra cidade para aqueles que não possuem tal condição.

Mas o que faz uma única, pequena e pacata Nova Friburgo se transformar em tantas outras? A resposta é uma só: as políticas públicas. Quem está à frente das decisões da cidade precisa considerar as múltiplas realidades que ela contém. E quem está por trás, enxergar as necessidades além das nossas dores. Nova Friburgo tem potencial para ser exemplo de cidade inovadora para as pessoas e não precisamos de muita inovação para isso.

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