Blog de maxwolosker_18841

​A Espanha é bicampeã do mundo

quarta-feira, 22 de julho de 2026
por Max Wolosker

Num jogo típico de ataque contra defesa, a La Furia Roja (como é conhecida a seleção espanhola desde as Olimpíadas de 1920, quando a seleção espanhola foi destaque na competição com uma maneira ofensiva e agressiva de jogar, a equipe ficou com a medalha de prata, após perder para a Bélgica; a partir de 2004 o apelido foi encurtado para la Roja) que, agora, sagrou-se bicampeã mundial de futebol, ao derrotar no último domingo, 19, a Argentina, na grande final da Copa do Mundo 2026, disputada no Canadá, Estados Unidos e México.

Num jogo típico de ataque contra defesa, a La Furia Roja (como é conhecida a seleção espanhola desde as Olimpíadas de 1920, quando a seleção espanhola foi destaque na competição com uma maneira ofensiva e agressiva de jogar, a equipe ficou com a medalha de prata, após perder para a Bélgica; a partir de 2004 o apelido foi encurtado para la Roja) que, agora, sagrou-se bicampeã mundial de futebol, ao derrotar no último domingo, 19, a Argentina, na grande final da Copa do Mundo 2026, disputada no Canadá, Estados Unidos e México.

Ao final do jogo de 120 minutos, os 90 regulamentares mais os 30 da prorrogação, a Espanha tinha finalizado 24 vezes contra nenhuma da Argentina. Não fosse o goleiro Emiliano Martinez o placar teria sido muito mais elástico que o 1 a 0, num gol que saiu aos 42 segundos do segundo tempo da prorrogação, já que o jogo terminara empatado em 0 a 0. É bem verdade que a La Roja teve de fazer três gols, para valer um, já que os outros dois tinham sido anulados um por impedimento e outro por uma suposta falta num defensor argentino.

Essa copa foi uma vergonha, com Trump torcendo descaradamente pela Argentina, beneficiada pela arbitragem em vários jogos, ingressos caríssimos e um calor infernal. Ao ser expulso no segundo tempo do jogo, o argentino Enzo Fernández entrou neste domingo para uma lista curta e indesejada da história das copas do mundo. Ao ser excluído da decisão entre Argentina e Espanha, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o meio-campista tornou-se apenas o sexto jogador a receber cartão vermelho em uma final do torneio. Na minha visão sua expulsão equilibrou o jogo, pois o juiz esloveno Slavko Vinčić, parecia mais um décimo segundo jogador argentino, prejudicando nitidamente os espanhóis.

A nova Espanha

Mas, deu gosto ver a seleção espanhola jogar, não deixando saudades da equipe campeã de 2010, cujos destaques principais foram Puyol, Xavi, Iniesta e Xabi Alonso. A atual vencedora tem em Lamine Yamal, uma das principais estrelas da nova geração do futebol mundial e um dos que mais chamam atenção do selecionafo espanhol na Copa do Mundo de 2026. Natural da Catalunha ele tem apenas 19 anos de idade, mas um futebol de encher os olhos. Seu passe está avaliado, atualmente, em 200 milhões de euros. Outro jogador da atual equipe espanhola, o zagueiro Pau Cubarsí, recebeu prêmio de revelação da Fifa, após campanha de destaque e ajuda decisiva na conquista do título mundial.

Ainda bem que a seleção brasileira ficou pelo caminho, sendo eliminada pela Noruega nas oitavas de final, quando foi derrotada por 2 a 0. Se tivéssemos ido à final contra a Espanha, o resultado de 7 a 1, contra a Alemanha, na Copa de 2014, poderia se repetir, tamanha a disparidade entre as duas seleções.

O que mais dói é que seu atual treinador, Carlo Lancelotti ganha um salário nababesco, na casa dos R$ 5,3 milhões por mês e sendo o dobro do que recebem o espanhol Luís de la Fuente e do argentino Lionel Scaloni. Um absurdo pelo resultado apresentado, convocando a pior seleção brasileira que eu já vi jogar. Tenho certeza que temos treinadores, no Brasil, mais baratos e que fariam um trabalho muito melhor. Mesmo levando-se em consideração que estão amarrados no contrato a escalar, como titulares, jogadores que tenham contrato com a fornecedora de material da seleção, no caso a Nike.

Infelizmente a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) está nas mãos de arrivistas, sem nenhum conhecimento do que seja futebol, como é o caso do atual manda chuva da entidade, Francisco Mendes, influente, mas sem cargo, cujo mérito maior é ser filho de Gilmar Mendes membro e decano do STF.

De acordo com o revelado pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, ele declarou no evento denominado Gilmarpalooza, em Portugal, ter sido o responsável pela convocação do jogador Neymar. O mais triste é que ele estava contundido, sem a menor condição de entrar em campo, e jogando desde a muito um futebol de péssima qualidade.

Por outro lado, a Espanha faturou os mundiais de 2010 e 2026, a Liga das Nações de 2023 e a Eurocopa de 2024. Antes já tinha conquistado as Eurocopas de 1964, 2008 e 2012. Ou seja, é também uma equipe de tradição no futebol mundial e que apesar de não ser tão badalada como o futebol inglês, deixa-o no chinelo. É anos luz superior a ele. Foi um título merecido, com ótimas exibições, principalmente ao eliminar a França, até então favorita, nas semifinais e ao despachar a Argentina, na final.

Aos Hermanos resta agora o consolo do vice campeonato, quase alcançando o tão sonhado tetra, já que se tornara tri campeã, com o título em 2022. A lamentar a falta de educação e desportividade dos argentinos, com arruaças em Búzios, Arraial do Cabo e Copacabana. Num fato inédito conseguiram o mundo inteiro torcendo contra a Argentina.

Sancho Pança e Don Quixote estão rindo de orelha a orelha.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Este ano tem eleições. Votemos com consciência

quarta-feira, 15 de julho de 2026
por Max Wolosker

No próximo dia 28, os partidos políticos brasileiros, uma penca que contribui para encarecer ainda mais a política nacional, definirão seus candidatos para presidente da República, governadores, senadores e deputados federais. Esses postulantes, se eleitos, serão responsáveis pela condução dos destinos do combalido Brasil, por mais quatro anos. Na realidade, são velhos conhecidos, pois à semelhança da idade média, a política nacional transformou-se num verdadeiro feudo.

No próximo dia 28, os partidos políticos brasileiros, uma penca que contribui para encarecer ainda mais a política nacional, definirão seus candidatos para presidente da República, governadores, senadores e deputados federais. Esses postulantes, se eleitos, serão responsáveis pela condução dos destinos do combalido Brasil, por mais quatro anos. Na realidade, são velhos conhecidos, pois à semelhança da idade média, a política nacional transformou-se num verdadeiro feudo.

Assim como os nomes são, na prática, os mesmos, os bordões pré-campanha de que tudo farão pela segurança, pela educação, pela saúde e pela estabilidade econômica não mudam. Mesmo que saibamos que o Brasil está nas mãos dos PCCs e CVs da vida, com peças infiltradas no Congresso Nacional, nas câmaras estaduais e municipais e nas prefeituras; assim pensar em segurança torna-se uma utopia, a menos que viremos um El-Salvador, onde seu atual presidente pôs ordem na casa. A educação continua uma lástima, pois povo inteligente não se deixa enganar facilmente.

Portanto, é de suma importância que o eleitor vote com consciência, saiba escolher bem seus candidatos, separando o joio do trigo e elegendo pessoas capazes, de bons princípios e, principalmente, patriotas interessados no crescimento do Brasil como nação e com reconhecimento de ser um país sério. O problema é que nosso povo cada vez se interessa menos por política; além disso, o grande número de alfabetizados funcionais faz com que sejam facilmente influenciados pela propaganda eleitoral enganosa, conduzida com maestria pela mídia esquerdista e comprometida do Brasil.

Dívida externa

Desde 2002, com duas exceções, Temer exercendo um mandato tampão após a cassação da presidente Dilma Rousself e de Jair Bolsonaro, no período de 2018 a 2022, quem esteve no comando do país foi o PT. E nesse período a dívida externa brasileira só cresceu. De acordo com a Trading Economics “A dívida externa no Brasil aumentou para 855.647,24 milhões de USD (dólar americano) no primeiro trimestre de 2026, em comparação com 819.469,66 milhões de USD no quarto trimestre de 2025.

“A dívida externa no Brasil teve uma média de 350.490,05 milhões de USD de 1980 até 2026, atingindo um máximo histórico de 855.647,24 milhões de USD no primeiro trimestre de 2026 e um mínimo recorde de 64.259,50 milhões de USD no quarto trimestre de 1980”.

Com relação à dívida interna, de acordo com o portal G1: “A dívida do setor público consolidado registrou alta de um ponto percentual em julho, atingindo 77,6% do PIB — o equivalente a R$ 9,6 trilhões, segundo dados do Banco Central”. O G1 informa ainda que, segundo o BC, o método, utilizado desde 2008, "reflete as características institucionais brasileiras". 

“No padrão do Fundo Monetário Internacional (FMI), referência para comparação internacional — que inclui títulos públicos que estão na carteira do BC no endividamento brasileiro —, a dívida do país é muito maior: 90% do PIB (patamar de julho)”. Ou seja, ao contrário do que apregoa nosso presidente, o país não é nenhum exemplo de crescimento sustentado, muito pelo contrário, ele caminha a passos gigantes para se tornar uma republiqueta venezuelana, rica em petróleo, mas cuja economia é um desastre e a população se vê às voltas para ter uma alimentação digna. O país chafurda na mediocridade de seus ex-presidentes de esquerda Hugo Chaves e Nicolás Maduro, hoje preso nos Estados Unidos.

O que mais dói é saber que até o Paraguai, até tempos atrás o patinho feio da América do Sul, ostenta um crescimento econômico melhor que o nosso. Haja visto a migração importante de empresas brasileiras para as terras guaranis.

Claro que o PT tem muitos adeptos, aqueles que se locupletam das benesses do governo, os que não leem e apenas se deixam enganar pelo noticiário comprometido da mídia mal-intencionada e os que não se importam com os destinos do país, desde que não sejam prejudicados.

O grande problema nacional é que a cada eleição, procuramos eleger o menos pior, pois o que se foi não deixa saudades, e a renovação inexiste, a cada ano que passa nossos jovens se interessam menos pela política. Aliás, devemos isso à 1964, quando a intervenção militar amordaçou os diretórios acadêmicos de nossas faculdades, de onde saíam líderes importantes do Brasil.

Que façamos, aqueles que ainda têm um pouco de amor pela pátria, um mergulho na vida política dos nossos atuais candidatos e que consigamos eleger pessoas realmente comprometidas com o bem-estar do Brasil e por consequência, do seu povo.

É querer muito, mas que consigamos eleger um presidente que remeta o Brasil ao seu patamar de nação séria, sem a alcunha de ser uma das mais corruptas do mundo, menos endividada e que voltemos a ter orgulho de sermos brasileiros. Atualmente, até a nossa seleção já não é mais a mesma, um desastre.

 E que tenhamos um governador que recoloque o Estado do Rio de Janeiro no patamar que já foi, de um dos mais importantes do Brasil. Por falar nisso, Sérgio Cabral esteve recentemente por aqui, num conhecido estabelecimento de Friburgo. Só não sei se ainda usa tornozeleira eletrônica.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Brasil fora da Copa: E a vaca foi para o brejo...

quarta-feira, 08 de julho de 2026
por Max Wolosker

Fim de linha, o Brasil voltou para casa com o rabo entre as pernas. Também o que se podia esperar de um treinador decrépito, de um time sem alma e de jogadores que não estão à altura de uma verdadeira seleção brasileira? Ao final do jogo, o Brasil tinha apenas 32% da posse de bola contra 68% da Noruega. Muito pouco para uma seleção penta campeã do mundo e que já produziu jogadores que encheram os olhos de plateias no mundo inteiro.

Fim de linha, o Brasil voltou para casa com o rabo entre as pernas. Também o que se podia esperar de um treinador decrépito, de um time sem alma e de jogadores que não estão à altura de uma verdadeira seleção brasileira? Ao final do jogo, o Brasil tinha apenas 32% da posse de bola contra 68% da Noruega. Muito pouco para uma seleção penta campeã do mundo e que já produziu jogadores que encheram os olhos de plateias no mundo inteiro.

A seleção brasileira foi dominada por uma equipe que não faz parte da elite do futebol mundial, mas muito bem treinada e que, na maior parte do jogo, colocou nosso time na roda. Já antes de completados cinco minutos de jogo, não fosse um impedimento providencial, o marcador já estaria 1 a 0 para os noruegueses. E o gol nem foi marcado por seu artilheiro Haaland. Esse foi o nome do jogo, no segundo tempo, quando marcou os dois gols que decretaram a vitória da Noruega e desclassificaram o Brasil. Aliás, com esses dois tentos ele se iguala a Messi e Mbappé, na artilharia da Copa, com sete gols marcados até agora.

Em 1990, na copa disputada na Itália, o Brasil também foi eliminado nas oitavas de final o que não deixa de ser um desprestígio para uma seleção que já encantou o mundo, como as de 1958, 1962, 1970 e 1982. É digno de nota que naquela época tínhamos líderes em campo, como Didi, Pelé, Gérson, Sócrates, Romário, João Saldanha que jamais permitiriam o marasmo que se apoderou do time brasileiro, principalmente depois da perda do pênalti, aos 14 minutos do primeiro tempo, batido por Bruno Guimarães. Foi a pior indicação feita por Ancelotti, pois na realidade esse foi a quinta penalidade batida por ele, durante um jogo corrido, em toda a sua carreira. Uma no futebol francês e as outras três, no futebol inglês, mas nenhuma num jogo de tamanha responsabilidade. Afinal, no mata-mata, a partir das oitavas de final, qualquer erro pode ser fatal. Tivéssemos saído na frente, talvez a história do jogo fosse outra.

Em nenhum momento o time brasileiro mostrou a garra de um Uruguai, na derrota para a Espanha, do Paraguai, ao perder para a França, sem falar em Cabo Verde, grata surpresa dessa copa, ao ser derrotado pela Argentina. Aliás, a garra demonstrada pela atual campeã do mundo é, também, digna de nota, ainda mais com um jogador, como Messi, com 39 anos. Fomos um time medíocre, perdido em campo, sem jogadas ensaiadas, contando, apenas, com as escapadas individuais de Vini Jr, muito mal no jogo, ou Endrick, pior ainda.

A panelinha montada por Ancelotti impediu que jogadores como Danilo Santos, Luís Henrique, Endrick e Pedro, goleador nato, que nem foi convocado, começassem jogando, o que teria dado outra cara a essa seleção. Ryan muito pouco produziu e Martinelli foi mantido em campo, por causa do gol salvador contra o Japão. Nulos durante o jogo.

Na realidade, temos de mudar tudo nesse país, onde a corrupção é seu mal maior e impede o seu pleno desenvolvimento. O futebol é resultado desse estado de coisas. A CBF tem contratos vultosos com fornecedores de material esportivo. A atual, a Nike, renovou seu vínculo até 2038. Claro está, apesar de não estar escrito, que jogadores que não sejam patrocinados por essa empresa, dificilmente serão convocados.

Não duvido nada, que a comissão técnica ao se reunir para uma convocação do time brasileiro, já não tenha em mãos jogadores que não podem ser chamados, quando muito, apenas para compor o elenco, jamais para serem titulares. Por isso determinados técnicos, como é o caso de Renato Gaúcho, nunca são chamados, pois têm ideias próprias, contrárias às determinações da CBF. João Saldanha, em 1970, foi afastado exatamente por não aceitar interferência em seu trabalho. Naquela época, não foi o poder do dinheiro, mas do ditador de plantão em Brasília, Emílio Garrastazu Médici, que impunha a convocação de Dario, o Dadá Maravilha. Com a famosa frase “o Médici escolhe o seu ministério e eu, o meu time”, Saldanha perdeu o cargo, sendo substituído por Zagalo.

Outras coisas atrapalham, em muito, o nosso futebol como a falta de preparo dos técnicos brasileiros, sem tempo para se atualizarem e o fato de nossos melhores jogadores saírem cedo do país. Acabam sendo formados numa escola diferente e pegam a maneira de jogar, principalmente, do futebol europeu. Perdem a característica fundamental do brasileiro que é a malícia e a improvisação.

O Brasil ficou para trás e, o que é pior, com o crescimento do futebol africano e asiático, como essa copa está mostrando, a coisa tende a ficar pior. Ou nossos dirigentes mudam a maneira de pensar e agir ou vai demorar muito para chegarmos ao topo, de novo. Sem falar que deveríamos rever a formação de nossos novos valores, pois as escolinhas de futebol têm deixado muito a desejar.

Triste despedida de uma seleção que já encantou o mundo por várias gerações.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

A amizade que une uma turma de médicos, por mais de 50 anos

quarta-feira, 01 de julho de 2026
por Max Wolosker

Com o título “Amizade, um bem que não tem preço”, a minha coluna de 3 de junho tocou num tema que é muito importante para nós humanos, numa época em que as pessoas começam a viver isoladas, em função da internet, violência urbana e redes sociais. Nada substitui o falar com o olho no olho, o contato interpessoal, a troca de ideias com aqueles que convivemos, principalmente, quando isso acontece com pessoas que se conhecem há muito tempo.

Com o título “Amizade, um bem que não tem preço”, a minha coluna de 3 de junho tocou num tema que é muito importante para nós humanos, numa época em que as pessoas começam a viver isoladas, em função da internet, violência urbana e redes sociais. Nada substitui o falar com o olho no olho, o contato interpessoal, a troca de ideias com aqueles que convivemos, principalmente, quando isso acontece com pessoas que se conhecem há muito tempo. A amizade não tem preço e o seu cultivo é uma forma de crescimento entre nós, uma forma de convívio que as une e as tornam mais felizes e com mais vontade de viver.

Foi assim, que de 25 a 28 de junho, a turma de junho de 1974 da faculdade de medicina da UFF (Universidade Federal Fluminense) festejou mais um ano de formada, o seu 52º aniversário, em Penedo, no sul fluminense. Éramos ao todo 16 pessoas, entre colegas e familiares, que conseguiram uma interação muito grande, já que do café da manhã até o jantar todos estavam juntos conversando, relembrando os bons e maus momentos dos anos passados nos bancos escolares, daquele contato diário que a faculdade propicia aos que se dedicam a estudar e da vida profissional.

No sábado, esse grupo ficou um pouco maior, num churrasco de confraternização, com a presença dos filhos e da nora do colega Aluísio, que é de Resende, e lá desenvolveu sua vida profissional, desde a formatura. Como a turma, como um todo, tinha representantes de várias cidades do Brasil. Dessa vez tínhamos representantes de várias cidades do estado, um de Macaé, um de Niterói, um de Nova Friburgo, um de Resende, um do Rio de Janeiro, com direito a um de Indaiatuba, interior de São Paulo. Tivemos até um estrangeiro, já que o concunhado do nosso colega Rogério nasceu em Bruxelas, na Bélgica.

Claro que a tendência é o número de participantes diminuir, em função da idade que vai chegando, já que partindo-se do princípio que o mais novo a entrar na faculdade contasse com 17 anos, naquele longínquo 1969, hoje ele estaria com 75 anos. Além disso, a saúde nessa faixa etária começa a cobrar seu preço e, nem todos se sentem ainda, em condições de fazer viagens mais longas de carro. Outros, que moram em estados mais longínquos que o eixo Rio-São Paulo, ainda teriam que encarar uma viagem de avião para, então, seguir para o local escolhido para o encontro. É claro que sendo numa cidade à beira da estrada Presidente Dutra, isso facilita a vida dos que moram nos estados do Rio e São Paulo, mas mais complicado para aqueles que residem em Minas Gerais, Espírito Santo ou outros estados.

Talvez, também, o fato desses encontros tornarem-se anuais dificulte, um pouco, a presença de um maior número de colegas. Outro aspecto a ser levado em consideração é que muitos já têm viagens programadas e, por mais que se marquem encontros com antecedência, muitas vezes fica difícil conciliar as datas. No entanto, como reunir os amigos é o que importa, que continuemos a nos encontrar, pois o resultado final é sempre muito bom.

Mas, o saldo será sempre positivo, quando se consegue juntar um número suficiente de amigos e se promover uma confraternização como a que ocorreu nesse último fim de semana de junho. Afinal, passamos juntos seis anos na faculdade e nesses longos 52 anos pós formatura, nunca deixamos de nos encontrar; a princípio a cada cinco anos e, posteriormente, de dois em dois anos. Não crescemos juntos, no sentido estrito da palavra, mas envelhecemos juntos e hoje, estamos todos na faixa dos 70 e, alguns, passando dos 80 anos, por terem começado a faculdade com mais idade.

No entanto, se a vida obrigou cada um a seguir seu rumo, numa determinada data um bom número se reencontra e todos voltamos a ser os jovens que um dia fomos. As lembranças daquela época, as risadas de hoje e as brincadeiras e apelidos que ainda perduram, formam o assoalho de uma amizade que se fortaleceu com o tempo e que só terminará à medida que formos fechando os olhos e nos despedindo da vida.

Temos uma colega, Chininha, que está acamada, lutando por sua vida e que só não esteve presente em função de sua doença. Que todos nós, da turma de junho de 1974, da UFF, façamos sempre que pudermos, uma oração pelo seu pronto restabelecimento e que ano que vem, se Deus assim o desejar, ela possa participar de mais uma reunião da nossa turma, afinal ela é uma das mais animadas.

Um agradecimento especial ao Aluísio e ao Rogério que ajudaram muito no preparo e realização da nossa festa. Não posso deixar de assinalar que o Aluísio brindou os participantes com um copo térmico, “Penedo-Itatiaia, 2026, Encontro Medicina UFF, 1974. E ao nosso mestre cuca (Rogério) pelo arroz de carreteiro, nesse caso com as sobras do churrasco, no jantar que fechou com chave de ouro o nosso sábado. Domingo pela manhã, ainda deu tempo de tomarmos o café da manhã juntos, antes de cada um voltar para casa. 

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

​Seleção brasileira passou pelo Haiti, sem jogar bem

quarta-feira, 24 de junho de 2026
por Max Wolosker

O placar de sexta-feira passada, 3 a 0, foi pouco, face a fragilidade do adversário. Mas, na minha opinião, temos de melhorar muito, seja no esquema de jogo implantado por Carlo Ancellotti, seja na maneira de atuar dos nossos jogadores, que parecem entrar em campo de salto alto e protegendo as canelas.

O placar de sexta-feira passada, 3 a 0, foi pouco, face a fragilidade do adversário. Mas, na minha opinião, temos de melhorar muito, seja no esquema de jogo implantado por Carlo Ancellotti, seja na maneira de atuar dos nossos jogadores, que parecem entrar em campo de salto alto e protegendo as canelas.

Infelizmente, não vejo nos times brasileiros das últimas copas, a gana de representar o país, o que era um diferencial marcante dos nossos selecionados, até o início dos anos 2000. Para ilustrar isto que afirmo, existe uma foto famosa, do selecionado de 1958, antes da copa; sentados num banco de uma estação ferroviária de Poços de Caldas-MG. Lá estavam Nilton Santos, Dino Sani, Gilmar, Bellini, Garrincha, Moacir, Dida, Joel, Mazolla, Zagalo e Pelé. Todos jogavam no Brasil, eram famosos em seus clubes. Hoje, nem pensar numa cena dessas, pois a maioria joga fora do país

Na realidade, a história do futebol brasileiro mostra, que o tricampeonato, em 1970, foi fruto de um trabalho sério em que a comissão técnica composta pelo técnico de campo, preparadores físicos e nutricionistas, com o apoio da CBF, tinham um objetivo em mente. Com os jogadores que dispunham, o tricampeonato era possível e, então, puseram mãos à obra. O resultado foi uma seleção que encantou o mundo, que mais parecia uma orquestra, tamanha a precisão com que executava seus movimentos. Isso obrigou outros países a seguirem nosso exemplo e planejarem a maneira de encararem os desafios que o futebol exigia.

Foi o que aconteceu com a Alemanha, que já em 1974 armou uma equipe em que se destacavam Beckembauer, o goleiro Mayer, Müller, Breitner e Overath. Repetiu o feito em 1990 e em 2014, goleou o já mambembe Brasil por 7 a 1. Nesse período, a equipe do Bayer de Munique foi campeã da liga da Europa nos anos de 73/74, 74/75, 75/76. A Alemanha se preparou para jogar um futebol de primeira, aliando técnica, preparo físico, psicológico e profissionalizando o futebol para que ele desse retorno ao dinheiro investido. O Bayern repetiu o feito na liga da Europa em 2000/01, 2012/13 e 2019/20.   

 Aqui, infelizmente, nos transformamos em exportadores de talentos, nossos times não têm condições de bancar os salários oferecidos pelos clubes europeus e, nossos jogadores foram deixando o Brasil. Já se passaram 24 anos desde nosso último título mundial, ganho em 2002 e creio que esse jejum permanecerá por muito mais tempo.

De 2006 em diante os países vencedores da Copa do Mundo foram: a Itália em 2006, a Espanha em 2010, a França em 2018 e a Argentina em 2022. Na realidade, houve uma evolução no futebol mundial, e outros centros menos avançados começaram a investir na formação de novos talentos que, também, tiveram a Europa como destino final. Houve um momento em que o domínio pertenceu ao futebol italiano, depois veio o espanhol e, na atualidade, é a Inglaterra que detém a primazia de ter o futebol com maior investimento. Não podemos esquecer que os árabes e seus petrodólares estão formando bons times e suas seleções começam a apresentar um futebol mais evoluído.

O mesmo tem acontecido com o continente africano, cujos representantes, na Copa de 2026 vêm mostrando um bom desempenho, sem a ingenuidade que caracterizava sua presença, em copas anteriores. Como exemplo marcante, a seleção de Cabo Verde arrancou um empate com os espanhóis, logo na estreia e com os uruguaios, em seu segundo jogo. Ou seja, fizeram bonito contra dois ex-campeões do mundo. Pelo andar da carruagem, tem mais chances de classificação, que ficaria com a Espanha em primeiro e eles em segundo.

Como diz o nosso hino, ficamos deitados eternamente em berço esplêndido, deixamos a banda passar e estamos num patamar bem inferior ao dos europeus. A Argentina, com o título de 2022, deu uma respirada e está com uma seleção bem melhor do que a nossa, apesar do futebol de lá estar nivelado com o daqui. Mas, seus jogadores têm mais amor à camisa do seu país.

O desafio escocês

Nesta quarta-feira, 24, teremos a Escócia pela frente, parada dura nos termos atuais e concordo com Galvão Bueno, quando afirmou numa entrevista recente, que a seleção brasileira atual é a pior que ele já viu jogar. Se nos classificarmos em primeiro lugar, pegaremos ou a Holanda ou o Japão, ambos com um futebol bonito de se ver e com condições de nos eliminar.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Ou muda a escalação ou não passa da fase de grupos

quarta-feira, 17 de junho de 2026
por Max Wolosker

Não poderia ser pior a estreia da seleção brasileira, no último sábado, 13, contra a temida seleção do Marrocos. O mau agouro começou ao saber-se que os marroquinos portavam uma camisa vermelha, com uma estrela no peito e o jogo estava marcado para o dia 13. Pior do que isso, só o pífio espetáculo apresentado por aquela seleção, que em outras épocas encantou o mundo.

Não poderia ser pior a estreia da seleção brasileira, no último sábado, 13, contra a temida seleção do Marrocos. O mau agouro começou ao saber-se que os marroquinos portavam uma camisa vermelha, com uma estrela no peito e o jogo estava marcado para o dia 13. Pior do que isso, só o pífio espetáculo apresentado por aquela seleção, que em outras épocas encantou o mundo.

Também, o que esperar de uma equipe que entra em campo com Ibañez, Casemiro, Igor Thiago, Lucas Paquetá, Raphinha e Vinicius Jr? E pensar que no banco de reservas tinham, Danilo (o do Flamengo), Danilo (o do Botafogo), Endrick e Luís Henrique; nada contra Vinícius, mas fora o gol de empate, não jogou nada, aliás na seleção ele não é nem sombra do que joga no Real Madrid. Outro que não foi visto em campo, foi Igor Thiago, que aliás nem deveria ter sido convocado, pois Pedro, artilheiro do Flamengo, é um milhão de vezes melhor do que ele. Não fosse o espírito de “panelinha” que sempre reinou nas convocações da seleção brasileira, muitos teriam ficado de fora da lista final.

O velho complexo de cachorro vira lata, lançado pelo escritor e jornalista Nélson Rodrigues, não nos abandona nunca; é semelhante a uma frase cunhada no passado que dizia “o que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil”. E é por isso que desde 1986 não conseguimos mais formar um grupo de jogadores de encher os olhos. Muitos dirão que aquela seleção não foi campeã, mas conseguiu a façanha de mostra o verdadeiro futebol brasileiro, aquele que unia arte com eficiência.

A partir de 1990 nossas seleções começaram a priorizar atletas que jogavam fora do Brasil, contratados a peso de ouro pelo futebol europeu. O problema é que eles se adaptaram a um novo estilo de jogo e, em função dos altos salários, passaram a poupar suas canelas quando a serviço da seleção canarinho. É claro, uma contusão séria pode afastá-los dos gramados por um tempo prolongado, o que os desvalorizaria em futuras renovações de contrato. Na realidade, não precisam de uma vitrine, como era a seleção brasileira em seus tempos áureos, para se valorizarem.

O mesmo se deu com a contratação de Carlo Ancellotti para técnico da equipe brasileira, um fato jamais acontecido na história. Já tivemos técnicos estrangeiros dirigindo nossas equipes, mas nunca nosso selecionado. Mesmo agora com esse enxame de técnicos portugueses e argentinos, o que vemos é uma implantação de um modo de jogar que nada tem a ver com o nosso, onde imperavam a malícia, a improvisação e um toque de irresponsabilidade, no bom sentido. Aliás, Ancellotti foi um técnico destacado nos clubes que dirigiu, mas jamais treinou uma seleção italiana ou de outro país. E, diga-se de passagem, ele não teve tempo suficiente para entender o espírito do futebol brasileiro. Seu filho, Ancelotinho, por ter treinado o Botafogo durante o campeonato brasileiro do ano passado, talvez tenha uma percepção melhor do futebol que se joga por aqui, hoje.

Engessar o jogador brasileiro num esquema rígido não funciona. Queria ver um técnico fazer isso com um Zizinho, Leônidas da Silva, Nílton Santos, Garrincha, Pelé, Tostão, Rivelino, Zico, Ronaldinho, Ronaldinho Gaúcho, Sócrates e muitos outros que vestiram e encantaram o mundo com a amarelinha da seleção brasileira.

Creio que Renato Gaúcho não deva ter sido chamado para ocupar o lugar de Ancellotti, por que tenho certeza que seu temperamento não se enquadraria em priorizar os “estrangeiros”, em detrimento dos que aqui jogam. Tenho certeza absoluta que entre Pedro e Igor Thiago, o segundo não ficaria nem entre os 40 selecionáveis. Mas, como é vice-artilheiro da premier league desse ano, com 22 gols, apesar de jogar no futebol belga, pouco expressivo entre os times do continente europeu, virou titular. Em 2024 Pedro marcou 29 gols, sendo o maior artilheiro da temporada, mas no Brasil. Em 2025, essa média caiu muito, em função de algumas lesões que o deixaram fora dos gramados, por um bom período. No entanto, em 14 jogos, em 2026, ele já carimbou as redes por oito vezes.

Nesta sexta-feira, 19, e sem vermelho na camisa, enfrentaremos o perigosíssimo Haiti, em sua segunda participação numa Copa (a primeira foi em 1974). Que Ancellotti tenha um ataque de loucura e substitua de uma vez Casemiro, Lucas Paquetá, Igor Thiago, Raphinha e por que não, Vinicius Jr?

Torcida fazendo a sua parte

Endrick, Éderson, os dois Danilos e Luís Henrique estão doidos para serem escalados e mudarem a cara da seleção canarinho e manterem a esperança de um povo, de seguir mais a frente nessa copa. Do jeito que está não chegaremos à fase eliminatória. É digno de nota dizer que há muito tempo não se vê uma torcida tão empolgada, a ponto de voltar a enfeitar ruas e praças, com bandeiras e fitas verde amarelo, além de muitos torcedores coma a famosa camisa amarelinha. Que o carcamano não jogue uma ducha de água fria na torcida brasileira.

Uma curiosidade, que mostra que nossas convocações são jogo de cartas marcadas, que existem interesses escusos por trás disso e só jornalistas não comprometidos com o sistema, têm coragem de falar, são capazes de publicar. Vejam a escalação do time que iniciou a Copa de 2022: Alisson, Danilo, Marquinhos, Thiago Silva e Alex Sandro; Casemiro e Lucas Paquetá; Raphinha, Neymar, Vini Jr e Richarlison. E a escalação do time que estreou sábado passado: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro; Casemiro, Bruno Guimarães e Paquetá; Matheus Cunha, Vini Jr. e Raphinha. Com exceção de Thiago Silva, Neymar, que está machucado, Gabriel Magalhães e Richarlison, o time é exatamente o mesmo.

Para que gastar tanto dinheiro com o salário de um técnico estrangeiro, se a escalação não mudou em nada, nem o sistema de jogo? Querem fazer acreditar que em quatro anos não surgiu nada melhor, no futebol brasileiro? Com a palavra, a CBF.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

O Pix brasileiro é diferente

quarta-feira, 10 de junho de 2026
por Max Wolosker

Talvez esse seja o motivo da raiva do presidente americano, ao se deparar com um mecanismo financeiro, genuinamente brasileiro, que deu super certo, apesar de haver similares em outros países. De acordo com o site https://veja.abril.com.br/politica/entenda-por-que-o-pix-entrou-na-mira-de-trump-e-quais-sao-os-riscos-possiveis-para-o-brasil/

Talvez esse seja o motivo da raiva do presidente americano, ao se deparar com um mecanismo financeiro, genuinamente brasileiro, que deu super certo, apesar de haver similares em outros países. De acordo com o site https://veja.abril.com.br/politica/entenda-por-que-o-pix-entrou-na-mira-de-trump-e-quais-sao-os-riscos-possiveis-para-o-brasil/

, o argumento dos EUA é que o sistema é regulado e operado pelo Banco Central, além de oferecer gratuidade para pessoas físicas e limitar taxas cobradas de empresas. “O fato de o Pix ser gratuito para as pessoas físicas e, também, pelo Banco Central limitar taxas na operação para pessoas jurídicas acaba gerando uma concorrência um pouco mais complicada para as empresas de pagamento dos Estados Unidos. Ou seja, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos teria tratado de forma “injusta e discriminatória” as empresas americanas de meios de pagamento, como Visa e Mastercard.

 O diferencial do Pix brasileiro para o Selles dos EUA e o sistema indiano é que esses são geridos por instituições financeiras independentes. Na União Europeia ainda é feito por meio de operações interbancárias. No Brasil, o sistema conta com a garantia do Banco Central o que torna o mecanismo muito mais seguro e confiável. Daí ser genuinamente brasileiro.

É verdade que em 2001, a Coréia do Sul foi o primeiro centro financeiro a implantar um Sistema de Pagamento Instantâneo (SPI) e que diversas outras iniciativas se proliferaram em todo o mundo. O papel principal do Banco Central do Brasil foi buscar em países como Austrália, Singapura, Dinamarca, Índia, Reino Unido, Suécia, União Europeia, Estados Unidos, Itália e México subsídios para aprimorar e implantar o SPI brasileiro, hoje referência mundial. Foi uma longa caminhada, iniciada em 2013, com a lei 12.865 quando o BC recebeu o mandato legal para assegurar a solidez, a eficiência e o regular funcionamento dos arranjos de pagamento e das instituições de pagamento e para adotar medidas para promover a competição, a inclusão financeira e a transparência na prestação de serviços de pagamentos.

Na realidade, até 2019 o dinheiro em espécie ainda era o meio de pagamento mais utilizado pelo brasileiro e que era extremamente caro para produzi-lo, distribuí-lo e destruí-lo. Além da necessidade de transportar altas somas, dependendo do custo da operação a ser realizada. Os outros métodos existentes, como cheque, cartão pré-pago, cartão de débito, TED, etc também tinham custos elevados, além de demandarem tempo para a concretização da operação a ser realizada. Daí a necessidade de se criar um SPI interoperável e tornar o mercado de pagamentos de varejo brasileiro mais eficiente, seguro, competitivo e inclusivo. Aí entra a eficiência do BC e sua equipe, pois a criação do novo produto foi longa e requereu muitas horas de estudo e trabalho. A ideia nasceu em 2014 e sua concretização levou quatro anos, de 2016 até 2020.

Foi assim que em 16 de novembro de 2020, o Pix entrou em operação plena, colocando o Brasil no rol dos países com SPI em funcionamento e iniciando uma grande mudança no contexto de pagamentos de varejo, no país. É necessário dizer, que com a experiência adquirida, a malícia e o famoso “jeitinho” brasileiro, o Pix passou a ser um fenômeno entre nós.

Mas, afinal o que é o Pix?

 É um sistema de pagamento instantâneo, que permite transferir dinheiro entre contas em segundos, a qualquer hora do dia. É prático e seguro e pode ser usado a partir de contas corrente, poupança ou pré-pagas. Além do mais é barato, pois é gratuito para pessoa física e custo baixo para empresas; é fácil de fazer, aberto, pois é oferecido por vários tipos de instituições, além de versátil, pois é usado para diferentes situações e tipos de pagamento e integrado, pois facilita conciliação, automatização e integração de sistemas.

É claro que passou a haver uma forte concorrência com os cartões de débito ou de crédito em função das taxas de 3% e 5% cobrado do comerciante sobre o valor da operação, além dos custos do aluguel ou compra da maquininha para operar tais cartões. No entanto, não houve prejuízo de faturamento tanto da bandeira Visa, como da Mastercard, de propriedade de empresas americanas, pois mesmo com o uso do Pix, a sua utilização continuou elevada. Isso é evidente, pois a maioria dos comerciantes fazem parcelamento em até dez vezes, em compras de valor mais elevado, no cartão de crédito.

Mas, o Pix chegou para ficar. Para se ter ideia da sua aceitação, em 17 de dezembro passado, o volume movimentado por ele bateu seu recorde, atingindo 313,3 milhões de utilização. É importante assinalar que o processo não parou em 2020, pois continuou a evoluir. Em 2021 criou-se mais produtos e segurança tais como Pix saque e troco, bloqueador cautelar, mecanismo especial de devolução, open finance: iniciação de pagamento via Pix. Em 2022 veio a tecnologia em favor do cidadão com limites noturnos para maior segurança, QR code dinâmico com mais funcionalidades. Em 2023 surgiu a sinergia para gerar impacto numa maior integração com o Open Finance (Sistema Financeiro Aberto). Em 2024 criou-se a experiência simplificada com o Pix agendado e em 2025 o usuário em primeiro lugar com o Pix automático e por aproximação.

A verdade nua e crua é que hoje a maioria das atividades financeiras do nosso dia a dia são efetuados via Pix e ele não tem limites. Esse limite de saque é gerido pelos bancos e pode ser alterado, bastando solicitação prévia ao gerente.

É bom deixar claro que a taxação de 25%, feita por Trump, das exportações brasileiras para os Estados Unidos, talvez, tenha a ver algo com o Pix do Brasil, aliás, diga-se de passagem, não temos de dar explicações para Trump. A visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca não tem nenhuma ligação com esse fato, o que provavelmente, vai ser explorado pelo PT durante a campanha eleitoral. As informações contidas nesta coluna foram obtidas pelo Banco Central do Brasil.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Amizade, um bem que não tem preço

quarta-feira, 03 de junho de 2026
por Max Wolosker

Amizade (do termo latino vulgar amicitate) é uma relação afetiva, a princípio sem características romântico-sexuais, entre duas ou mais pessoas. Em sentido amplo, é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo e a afeição, além de lealdade ao ponto do altruísmo. A amizade, tem sido considerada pela religião e cultura popular, como uma experiência humana de vital importância, inclusive tendo sido santificada por várias religiões. Muitas vezes, os interesses dos amigos são parecidos e demonstram um senso de cooperação.

Amizade (do termo latino vulgar amicitate) é uma relação afetiva, a princípio sem características romântico-sexuais, entre duas ou mais pessoas. Em sentido amplo, é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo e a afeição, além de lealdade ao ponto do altruísmo. A amizade, tem sido considerada pela religião e cultura popular, como uma experiência humana de vital importância, inclusive tendo sido santificada por várias religiões. Muitas vezes, os interesses dos amigos são parecidos e demonstram um senso de cooperação. Mas também há pessoas que não necessariamente se interessam pelo mesmo tema, mas gostam de partilhar momentos juntos, pela companhia e amizade do outro, mesmo que a atividade não seja a de sua preferência. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Amizade

Esse início é em função do que nos aconteceu em nossa última viagem ao Nordeste, no mês passado. O objetivo foi ir a João Pessoa-PB visitar nosso filho, mas paramos, antes em Maceió-AL e na Praia dos Carneiros (Pernambuco). E foi nesse local que conhecemos nossas mais novas amigas, Josi e Simone, ambas paulistas, uma de Bauru e outra de Americana.

Tudo começou, no café da manhã, na pousada onde estávamos hospedados, sentados em mesas próximas, quando contei à Simone, loura, alta e muito bonita, que quando era jovem, fui a uma festa de 15 anos e na frente da minha mesa, tinha uma moça loura e, também, muito bonita, o que despertou minha vontade de dançar com ela.

O problema é que ela estava recostada na cadeira e quando se levantou foi que percebi o quanto era alta, em relação a mim. Minha cabeça ficava abaixo do ombro do meu par. Mas, já não tinha como desistir.

Lógico que não conhecíamos as duas, mas quando contei isso, foi uma gargalhada geral e o estopim para nos conhecermos e começar uma amizade que tem tudo para perdurar mais do que um simples encontro durante uma viagem, aquele que dura e desaparece com o passar do tempo. Quantas pessoas já conhecemos ao longo de nossas viagens e esquecemos à medida que a vida seguia o seu curso?

Foram dois dias intensos, passados num local chamado Bora-Bora, um day-use, talvez o mais famoso da praia dos Carneiros e que fica próximo da Igreja de São Benedito, uma das principais atrações do local. Saíamos cedo da pousada, passávamos o dia todo lá, com direito a petiscos, drinks e almoço, além de caminhadas pela praia e banhos nas várias piscinas naturais do extenso litoral, onde se situa a praia. À tarde, voltávamos para a pousada e, depois de um pequeno descanso, ficávamos à beira da piscina, curtindo o entardecer e jogando conversa fora.

O mais engraçado é que os assuntos surgiam naturalmente, como se fossemos pessoas que já se conheciam de longa data. Chegou a terça feira, dia de nossa partida para João Pessoa com as devidas despedidas e a famosa troca de telefones. Simone e Josi ficaram em Carneiros até sábado e nós em João Pessoa até terça, 26 de maio, quando retornamos a Friburgo. Mas, desde então não passou um dia em que tanto a Oneli, minha esposa, e eu não tenhamos trocado mensagens, nem que fosse um bom dia com as nossas novas amigas.

O poder da amizade

Talvez, em função dos problemas que ambas enfrentam, no momento, em suas vidas, fizeram com que vissem em nós pessoas confiáveis, prontas a escutar e emitir algumas opiniões em função da maior experiência de vida que temos, por sermos mais velhos. No entanto, esse é o poder da amizade, pois se não fosse a grande empatia que se criou entre nós, certamente esqueceríamos os problemas mútuos e a vida continuaria, como se nada tivesse acontecido.

Mas, o que se passa com elas virou, para nós, uma necessidade de orar e torcer para que tudo se encaixe e que a vida continue, para elas, sem os problemas que tanto as incomodam. E aí vi essa frase: “A amizade não vem como um vento e logo desaparece. Vem devagar, quase parando, e começa a fazer efeito cada dia mais, arrasando os corações dos verdadeiros amigos”, no site www,pensador.com/poemas_ de_ amizade;  dele copiei esse poema, de autor desconhecido, que transcrevo a seguir:

“Mais que uma mão estendida, mais que um belo sorriso, mais do que a alegria de dividir,

 Mais do que sonhar os mesmos sonhos, muito mais do silêncio que fala ou da voz que cala para ouvir,

 É a amizade o alimento que nos sacia a alma e que nos é ofertado por alguém que crê em nós.”

Infelizmente, o que vemos no mundo de hoje é uma falta de empatia total entre as pessoas, cada um pensando em si próprio e nos seus problemas, ligados o tempo todo na internet como tábua de salvação. Esquecem que gestos simples, como um abraço, um sorriso, um aperto de mãos ou escutar as aflições dos que nos cercam, são suficientes para confortar e alegrar nossos semelhantes e nos deixar com a certeza que contribuímos, de alguma maneira com o bem estar de alguém. E é aqui que entra o significado da verdadeira amizade, aquela que une, alivia as angústias, torna a vida mais leve e alegre.

Festa dos médicos

Não poderia terminar sem assinalar o sucesso da festa dos médicos, no espaço Natureza, bairro Ypu, na última sexta feira, 29 de maio. A Associação Médica de Friburgo estava adormecida desde o início da pandemia da Covid e essa festa marcou um reencontro da classe médica, com uma ótima integração entre os novos e os antigos. Os amigos de outrora se reencontraram, reforçaram a antiga amizade e os novos, futuro da medicina da cidade, tiveram a oportunidade de conviver, numa organização perfeita, com aqueles que escreveram a história da medicina friburguense. Foi uma maneira de se integrarem, fazerem novas amizades e participarem do renascimento da Associação Médica de Nova Friburgo que sem dúvida vai acontecer muito em breve.

A amizade, mola mestra do mundo, mostrou a sua força.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

O Dia das Mães

quarta-feira, 13 de maio de 2026
por Max Wolosker

Uma mãe tem certeza de que pode afirmar, sem errar, que o rebento é seu filho, coisa que, infelizmente, os pais não podem fazê-lo de maneira 100%, já diz o adágio popular. Mas, essa data tem particularidades, pois não é unanimidade em todos os países, sendo comemorada em datas diferentes nos vários cantos do mundo.

Uma mãe tem certeza de que pode afirmar, sem errar, que o rebento é seu filho, coisa que, infelizmente, os pais não podem fazê-lo de maneira 100%, já diz o adágio popular. Mas, essa data tem particularidades, pois não é unanimidade em todos os países, sendo comemorada em datas diferentes nos vários cantos do mundo. Uma grande maioria como Alemanha, Austrália, Áustria, Brasil, Canadá, China, Colômbia, Dinamarca, Equador, Estados Unidos, Finlândia, Grécia, Itália, Japão, Nova Zelândia, Países Baixos, Peru, Suíça, Taiwan, Turquia, Uruguai, Venezuela, Zâmbia o segundo domingo de maio foi a data escolhida para essa festividade, mas existem países com a Noruega, Índia, Argentina, Iugoslávia, e muitos outros em que a data é lembrada em meses diferentes.

De acordo com o site https://portaleducamais.com/dia-das-maes-origem-historia-curiosidades-e-significado/, o Dia das Mães é uma das datas comemorativas mais celebradas em todo o mundo, cuja origem remonta à Grécia Antiga. Nessa época, já se realizavam festivais em homenagem à deusa Reia, considerada a mãe de todos os deuses. Porém, o que conhecemos hoje como Dia das Mães começou a tomar forma nos Estados Unidos, no início do século 20.

A professora e ativista Anna Jarvis liderou um movimento para homenagear sua mãe, Ann Reeves Jarvis, que havia sido uma importante figura na luta por melhores condições de saúde para mulheres e crianças durante a Guerra Civil americana. Em 1914, o então presidente dos EUA, Woodrow Wilson, oficializou o segundo domingo de maio como o Dia das Mães nos Estados Unidos. A iniciativa logo se espalhou por outros países, inclusive o Brasil.

A partir da comemoração americana, muitos países seguiram a tendência. Aqui, a Associação Cristã de Moços do Rio Grande do Sul foi quem importou a data, em 1918, sendo oficializada pelo presidente Getúlio Vargas apenas em 1932. Em outros países, tradições religiosas ou seculares acabam suplantando a data original: em Portugal, por exemplo, o primeiro domingo de maio é ligado ao dia de Santa Maria, segundo a tradição católica do país, já na Bolívia o dia 27 de maio foi o escolhido, por conta da defesa de mães em favor de seus filhos em uma batalha contra o exército espanhol, em 1812. Portanto, cada país adaptou essa data de acordo com os seus interesses.

Mas, seja em janeiro, fevereiro, maio, não importa o mês, essa data tem um significado especial, pois além de festejar a maternidade, coloca em destaque o papel da mulher na sociedade moderna. Apesar de que no passado remoto, ela tenha sido relegada a um segundo plano, a importância da mãe jamais foi renegado e sempre marcou, profundamente, a história humana. Foi de um ventre materno que saíram as figuras mais importantes de que temos conhecimento tais como Abrãao, Jesus Cristo, Leonardo da Vinci, Napoleão Bonaparte, Albert Einstein, Albert Sabin, etc.

Apesar dos regimes totalitários tentarem, de todas as maneiras, destruírem a família, como instituição norteadora das nações, é a mulher que detém o papel de destaque na manutenção da família e da sociedade. Além de botar no mundo um novo ser, cuidar dele com uma força e a perseverança inigualáveis, os educa, os orienta e os prepara para serem alguém, quando adultos, mantendo a chama da vida sempre acesa. Figuras de destaque ou não, seja em que país for, sempre tiveram uma mãe, na retaguarda, dando o apoio e a orientação necessárias para que se tornassem pessoas importantes na sociedade. É lógico que não se nega a importância do pai na criação dos filhos, mas a ligação que se inicia no ventre materno, faz o diferencial. O pai é, em tese, o provedor da família e o protetor desse núcleo, mas as necessidades da vida moderna modificaram esse conceito. A mulher além das tarefas básicas da maternidade, tem de se desdobrar em outras atividades o que enaltece ainda mais a figura do ser mãe.

Hoje, como não podia deixar de ser, o Dia das Mães se banalizou, em função de se tornar muito mais uma festa comercial, uma maneira de aumentar as vendas do comércio, junto com o Natal, a Páscoa, o dia das Crianças e o dia dos Namorados. Mas, o que temos de ter em mente é que dar presentes, na realidade, é um hábito que se tornou rotina, mas que se torna pequeno face à grandeza do amor que se dedica a essa figura tão importante, na vida de todos nós. Quem já as perdeu em função da realidade da vida, não deixe nessa data de fazer uma oração em sua memória, pois a elas devemos a nossa existência, nosso desempenho no dia a dia de nossa estada aqui na Terra.

Parabéns a todas as mães de nossa cidade, não importa se vivas ou já falecidas, pois elas têm lugar na história e é nossa obrigação lembrar delas sempre, com amor e carinho.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Padre Jacob Joÿe, primeiro pároco de Nova Friburgo.

quarta-feira, 06 de maio de 2026
por Max Wolosker

Uma explicação para com a pronúncia correta do nome do padre Joÿe. As palavras em francês, com oi se pronunciam abertas, por exemplo oiseaux se pronuncia “uasou”. Quando têm um trema em cima do i ou y a pronúncia é fechada, daí o nome dele ser joie e não jua.

Uma explicação para com a pronúncia correta do nome do padre Joÿe. As palavras em francês, com oi se pronunciam abertas, por exemplo oiseaux se pronuncia “uasou”. Quando têm um trema em cima do i ou y a pronúncia é fechada, daí o nome dele ser joie e não jua.

Portugal era e ainda é um país católico e daí que nas suas expedições marítimas, sempre tinha um padre a bordo. Quando as primeiras naus saíram do lago de Estavayer-le Lac, na Suíça, rumo ao Brasil, em 1819, pelo menos dois sacerdotes foram embarcados, em virtude do acordo feito entre o governo de D. João VI e o cantão de Fribourg.

Nele constava que os imigrantes deveriam ser católicos apostólicos romanos, daí a presença dos abades Jacob Joÿe e Joseph Aeby. Infelizmente Aeby morreu em Santo Antônio de Sá, quando se banhava no Rio Macacu, às vésperas de chegar ao seu destino. Portanto Jacob, em virtude de um infortúnio, se tornou o primeiro padre da Vila de Nova Friburgo.

Joÿe é um grande personagem dos primórdios da história de Friburgo, sendo imputado a ele duas obras que permanecem até hoje na memória da cidade, além da sua participação ativa no desenvolvimento sócio político da cidade. Interessante é que ele exercia seu ofício em Villaz-St-Pierre (Suíça) e aceitara, para surpresa de seus paroquianos, trocar a Europa pela aventura do Novo Mundo.

Primeiro vigário da matriz

De acordo com o site https://diocesenf.org.br/catedral-diocesana-sao-joao-batista/, “a pedido de Dom João VI, a paróquia da Vila de Nova Friburgo deveria ser dedicada a São João Batista, porque o rei e sua família eram seus devotos – daí o seu nome de batismo”.

“O primeiro vigário da Matriz foi o padre Jacob Joÿe e a pequena capela estava situada numa subida chamada “Chatô” (hoje Colégio Anchieta). Distando cerca de dois quilômetros do centro da Vila era um lugar de difícil acesso e, ao chover, era impossível subir até lá (isto em 1820). Esta circunstância dificultava as celebrações religiosas o que desagradava ao padre Joye e aos fiéis”.

Vale a pena assinalar que Jacob cansado de solicitar, à Coroa Portuguesa, a construção de uma igreja, transferiu as cerimônias religiosas para as dependências da Câmara. Por doação do então Barão de Nova Friburgo, num terreno situado na atual Praça Dermeval Moreira, foi construída a nova Igreja Matriz, cuja duração levou oito anos, sendo inaugurada em 8 de dezembro de 1869, três anos após a morte de seu idealizador.

Uma curiosidade em torno dessa obra: nosso primeiro pároco recebeu muito mal o pastor Friedrich Sauerbronn, representante da Igreja Luterana e que veio com os colonos alemães para Nova Friburgo; para piorar a relação entre eles, a primeira igreja luterana do Brasil, foi fundada em 1858 (11 anos antes da sua congênere católica), e foi utilizada até 1952, quando foi inaugurado o novo templo.

Estes aspectos legais envolvendo religiosidade e administração pública imperial trouxeram alguns aborrecimentos e entraves na vida das pessoas. Não custa lembrar que entre os suíços havia pessoas que confessavam o protestantismo, mas assinaram um documento de abjuração como condição de imigração e que, com a chegada dos protestantes alemães, alguns destes se encorajaram para voltar a sua origem religiosa que no íntimo nunca haviam abandonado. E estes acontecimentos produziram ressentimentos e desconfianças entre as denominações religiosas da época.

Fundação da Loja Maçônica

O segundo feito de importância do Padre Jacob, foi a sua participação na fundação da Loja Maçônica Indústria e Caridade, nº 49, de Friburgo. No Brasil, a Maçonaria chega em princípios do século 19 e Nova Friburgo recebeu uma das primeiras lojas maçônicas, daí o número 49. Curiosamente foi o padre Jacob Joye, guia espiritual dos colonos suíços que participou da fundação da maçonaria na vila da Nova Friburgo, em 2 de janeiro de 1839, onde exerceu o cargo de 1º tesoureiro.

Qual teria sido a razão para ele participar de uma loja maçônica em tão pacata vila, antes mesmo da importante Cantagalo? Possivelmente para criar uma instituição que auxiliasse os colonos suíços já que a administração colonial havia sido extinta em 1831. Como os suíços ficaram, desde então, sob a administração da Câmara Municipal, provavelmente, o padre viu na maçonaria uma forma de prover e amparar os colonos.

Ele também teve aspirações políticas, tanto que, por força da lei de 10 de outubro de 1828, iria se proceder, através dos “homens bons”, a primeira eleição municipal da história da vila. Dentre 305 eleitores que votavam em mais de um candidato, o vigário Joÿe, que também aspirava o cargo de prefeito da cidade, teve cinco votos a menos que o eleito Jean Bazet, que como já foi dito, anteriormente, foi o primeiro médico da vila de Nova Friburgo, apesar de francês de origem.

Naquela época, o vereador com maior número de votos tornava-se o mandatário da vila No entanto, se não foi prefeito ficou como vereador, sendo reeleito várias vezes até que seu temperamento irrequieto o levou a uma pífia votação, em 1837. A partir daí termina sua participação na política da cidade. 

Em meados de 1840, o guia espiritual dos colonos suíços foi atraído pela tradição de fé e devoção, dos imigrantes oriundos da Europa Central e região mediterrânea, principalmente genoveses, napolitanos e venezianos, estabelecidos em São José do Ribeirão, na época pertencente à Vila de Nova Friburgo. Deixou, então a Vila de Friburgo e mudou-se para aquela localidade. Muito arraigado às causas sociais, o Padre Jacob Joÿe sempre utilizava as arrecadações em prol dos órfãos e viúvas, alforrias e libertação de vários homens de origens diversas.

Ele faleceu em 8 de julho de 1866, aos 75 anos de idade; seus restos mortais repousam nas dependências da Paróquia de São José do Ribeirão, hoje pertencente ao município de Bom Jardim.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.