CPI

Massimo

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Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Para pensar:

“Abrir a mente antes de abrir a boca pode fechar portas de constrangimento.”

Mael Castelare

Para refletir:

“No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise.”

Dante Alighieri

CPI

Conforme A VOZ DA SERRA já noticiou, a primeira reunião da CPI que investiga a sequência de quatro contratos emergenciais para fornecimento de alimentação hospitalar na rede pública municipal de Saúde aconteceu na segunda-feira, 8, e foi aberta à população.

Aliás, põe aberta nisso.

Entrelinhas

Para quem está um pouco habituado às rotinas políticas, a breve reunião foi um exemplo riquíssimo do quanto podem informar as entrelinhas ou as linguagens não verbais.

Evidentemente, a interpretação sobre o que de fato está acontecendo precisa ir muito além daquilo que está sendo dito, até mesmo porque existem protocolos a serem cumpridos.

O que importa, de fato, são as ações, não as falas.

Atos e palavras

Ninguém poderia imaginar, por exemplo, que fosse dada qualquer declaração em nome da prefeitura que não fosse de apoio irrestrito às investigações.

Afinal, qualquer posicionamento diferente seria quase como assumir ter conhecimento de que algo errado foi levado adiante.

O tal “apoio irrestrito”, no entanto, não significou concordar que a comissão viesse a ser presidida por Johnny Maycon, um vereador que não integra a base governista.

Ou seja: discursos à parte, a preocupação existe.

Desfalque

E, cá entre nós, não teria sido difícil, para o governo, assegurar a presidência da comissão.

O problema é que a jogada de defesa aparentemente não foi bem ensaiada.

De imediato, a maioria numérica foi perdida diante da ausência do vereador Carlinhos do Kiko, que está com uma das pernas machucada.

Na prática isso já teria bastado para pender a balança em favor da oposição, uma vez que o voto de desempate caberia ao vereador Zezinho do Caminhão, que presidia a reunião.

Mas ainda havia mais a ser visto.

Desentrosamento

A coluna já havia apurado, tempos atrás, que o lugar da vereadora Vanderléia na CPI poderia vir a ser ocupado pelo vereador Marcio Damazio, também do DEM, tão logo terminasse o período eleitoral.

Tal hipótese, no entanto, parecia descartada a partir do momento em que o vereador Alcir Fonseca sugeriu que a presidência ficasse justamente com Vanderléia.

Afinal, era de se supor que tudo estivesse bem amarrado de antemão.

Inesperado

Mas não, a própria vereadora Vanderléia confirmou logo em seguida que será mesmo substituída por Damazio, tornando inviável qualquer possibilidade se eleger presidente da CPI.

Eis aí uma reviravolta inesperada!

Parece oportuno lembrar que Damazio foi um dos dois vereadores que não assinaram a proposta de CPI, por estar em viagem no dia em que ela foi apresentada.

Impressão

No fim, resta a impressão de que alguns vereadores gostariam de participar dos trabalhos e não tiveram chance, ao passo que outros não gostariam de participar, mas terão de fazê-lo.

Também parece claro que, em meio a tantos indícios e uma investigação paralela por parte da Polícia Federal, ninguém irá realmente se posicionar contra os trabalhos.

Primeiro, por ser inútil.

E, depois, porque a exposição poderia ser catastrófica.

Mas, claro, é sempre bom esperar para ver.

Registros

Mesmo sem fazer parte da comissão, os vereadores Wellington Moreira, Marcinho e Maguila compareceram à reunião.

Os dois primeiros disseram que vão ajudar aos membros naquilo que for possível, mesmo sem integrar a equipe.

Já o terceiro mostrou-se indignado pelo fato de a votação ter esperado “apenas” 45 minutos pela chegada do vereador Carlinhos do Kiko...

Em tempo

Apenas para constar, serão investigados o contrato emergencial válido de 28/04/2017 a 24/10/2017 no valor de R$ 2.124.000; o termo de ajuste de contas de 25/10/2017 a 23/12/2017 no valor de R$ 733.494; o contrato emergencial válido de 02/01/2018 a 30/06/2018 no valor de R$ 3.391.200; e o mais recente emergencial, válido de 06/08/18 a 01/02/19, no valor de R$ 2.959.000.

O valor total envolvido, portanto, supera a casa dos R$ 9 milhões.

Crise

Todo o contexto que envolve hoje a continuidade do serviço de transporte coletivo em Nova Friburgo pode ser descrito, sem qualquer exagero, como uma verdadeira crise.

Anunciada e provocada, é verdade.

Mas ainda assim uma crise.

E desdobramentos sérios parecem estar a caminho.

Inevitável

Uma consulta ao processo 0006095-03.2018.8.19.0037 não deixa dúvidas a respeito das consequências da postura adotada pela Secretaria de Governo ao optar pela prorrogação de um contrato em tese improrrogável, tornando a prefeitura dependente da concessionária.

Pressão por medidas de reequilíbrio financeiro (possivelmente incompatíveis com a Lei de Orçamento), usurpação de competências e por aí vai.

Começou

O jogo se tornou muito pesado e perigoso, e já começaram os ataques rasteiros que a coluna semanas atrás antecipou que iam acontecer.

Direcionados, claro, a quem fez tudo que esteve ao seu alcance para que a concessão tivesse sido licitada de maneira correta e no tempo previsto, e com isso acabou expondo quem tinha planos diferentes.

Reta final

Os ataques não vão parar agora, mas o próprio jogo está prestes a terminar.

Aos leitores, um recado: no contexto friburguense atual, muitas pessoas são atacadas por fazerem o que é certo.

E à Justiça fica o apelo para que conduzam seus trabalhos com a maior celeridade possível, porque as forças que tem lutado em favor do interesse público estão precisando urgentemente de apoio.

Esperança

Passadas as eleições, um detalhe pouco comentado vem à mente.

As mãos que impediram (ou atrasaram) a ação da Justiça ao nível do mar logo estarão abanando.

E outro anjo protetor também corre o risco de perder as asas.

Ao que parece, tem gente por aqui que vai ficar bem mais exposta a partir de janeiro.

Isso, é claro, se ainda estiverem por aqui quando janeiro chegar.

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